Posse de bola no Facebook

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sexta-feira, abril 12, 2013

Agressividade


Entendo que no futebol moderno, pelo reduzir dos espaços de criação e pelo crescente número de pernas a ultrapassar, a agressividade é uma necessidade.





Certamente um jogador apreciado por vós…
Mas não, não era este o vídeo!
Isso, não é a agressividade que procuro num jogador de futebol porque futebol não é, ainda, luta livre.

Entendo o futebol como um jogo colectivo e como tal, para mim, “todos” os princípios de jogo criados por “mim”, para a minha equipa, devem ser colectivos. Sem bola somos todos defesas, com bola somos todos organizadores de jogo.
Como tal só entendo uma forma de defender nesses termos: Defesa Zonal.

Por ser impossível, pelas dimensões do terreno, ocupar de forma equilibrada todo o espaço de jogo, então eu opto por defender as zonas que “acho” mais pertinentes. Dependendo da zona da bola quero uma basculação, eficiente, de forma a defender a baliza com uma concentração grande de jogadores. No meio campo defensivo ou no meio campo ofensivo quero, “sempre”, uma concentração tal de jogadores que o adversário só tem duas alternativas: Bater longo ou enfrentar, sozinho, a minha zona de pressão.
Dessa forma, estou sempre mais perto de recuperar a bola criando sucessivas "superioridades numéricas", isso se os jogadores forem agressivos. 
Agressivos no sentido em que entendo o termo para o futebol. E essa agressividade, sem bola, é atacar os espaços de forma rápida e assertiva, reduzindo as hipóteses de sucesso ao adversário. É adaptar em segundos o posicionamento consoante o movimento da bola e a acção dos colegas. É “acreditar que o meu colega vai ser sempre batido”, é “sair sempre eu (em caso de dúvida) na bola deixando que os colegas compensem o restante espaço" (By: Miguel Nunes algures no Lateral-Esquerdo).
As coberturas e concentração defensiva são para ser feitas no local certo e são para “ontem”!

É, então, necessário dotar os jogadores do conhecimento que os permita ocupar os espaços de forma correcta. É obrigatório que eles entendam realmente o comportamento, pois decorando vão errar muitas vezes, podendo comprometer toda organização colectiva. O objectivo é fechar de forma rápida todos os caminhos (espaços/linhas de passe) mais próximos da minha baliza. É depois necessário, claro, atacar o homem da bola. Mas sempre com o intuito de recuperar a sua posse, pois é esse o meu principal objectivo.
Não encontrei, infelizmente, nenhum vídeo que retrate o que quero dizer com agressividade defensiva por forma a que melhor visualizassem o que tento explicar. Tenho, no entanto, esperança que o entendam de forma clara.

Por fim, é também essencial a agressividade com bola. Atacar os espaços que o adversário nos deixa para penetrar e finalizar. Provocar o adversário dentro do seu bloco.

Apresento o jogador mais agressivo que conheço, com bola…


Messi tem, de facto, um conhecimento superior do jogo. Tem características físicas e técnicas que lhe permitem concretizar tudo o que ele imagina. Mas Messi também erra, muito menos que os outros, mas de facto erra. Só que é tão eficaz que dá a impressão que faz, sempre, tudo bem. É o jogador mais eficaz da história do jogo em todas as suas acções, é o melhor que vi jogar.

quinta-feira, abril 11, 2013

Modelo de jogo


Modelos de jogo,  muito se fala nesta componente do planeamento, na minha opinião é importante para ter um guia que nos lembre dos princípios que queremos implementar, não deve ser algo imutável  eu em 5 anos de treinador já construí 3 modelos de jogo, adaptados a cada plantel que possuo e assim adapto o meu modelo aos jogadores que tenho. 


O modelo assenta fundamentalmente em princípios metodológicos, isto é algo em que acredites, pode ser mais a direito ou mais curvo, pode e deve ser algo que se possa adaptar.


Os meus princípios são  os seguintes.

  - PRINCÍPIO 1 / ATITUDE OFENSIVA

» 1 / 2 Toques! Decisão e Execução Rápidas!

» Organizar rapidamente o Ataque, procurando o apoio curto e/ou longo em profundidade, para chegar à baliza adversária em Superioridade Numérica e Finalizar com êxito!

» Utilizar acções que privilegiem 1/2 toques com progressão, através de Desmarcações de Apoio ao portador da bola, com subida de toda a equipa, “em bloco”, reduzindo o Espaço Ofensivo e garantindo o Pressing ao H. c/ bola, imediatamente, caso percamos a bola!


  - PRINCÍPIO 2 / ATITUDE DEFENSIVA

» Pressing / Atitude Fundamental!

» Imediatamente à perda da posse da bola, todos os Jogadores da nossa Equipa, reduzem o espaço ofensivo de intervenção do H. c/ bola, pressionando com ajudas e garantindo uma atitude pressionante alta em termos de Espaço e de Motivação!

» O Objectivo Fundamental é reduzir o Tempo de Decisão e o Espaço de Execução e Progressão do portador da bola e das primeiras linhas de passe!

» Ganhar a bola rapidamente, antes da reorganização adversária, através da rápida aproximação em superioridade numérica, para conquistar a bola e relançar o Processo Ofensivo, Rápido, e também em Superioridade Numérica




O modelo é algo para os atletas e por isso no inicio de cada época faço a minha apresentação, porque a visualização é uma componente importante para os jogadores perceberem o que se pretende deles.

A Minha última apresentação foi:











































Espero que gostem! 


Abraço.

quarta-feira, abril 10, 2013

Duplo-pivot: Paris e Barcelona - o mesmo clube, duas equipas diferentes


Os treinadores transmitem as suas ideias nos treinos, escolhem os seus atletas para o jogo, mas durante 90 minutos são os jogadores quem manda na equipa. Mandam pois são eles que tomam as decisões em campo, são eles os responsáveis pelos erros e acertos individuais e colectivos e são eles que em última análise marcam o golo. Obviamente, o que farão em campo é não só um reflexo do que treinaram mas também das suas características individuais.

Quer em Paris, quer em Barcelona o PSG jogou com um duplo-pivot. Em Paris jogaram a titular Matuidi e Beckham enquanto em Barcelona jogaram Thiago Motta e Verratti. Foram 4 lugares e 4 jogadores diferentes em 2 jogos.


Analisando os jogadores, Matuidi tem 1,75m e 70 kg, Beckham tem 1,83m e 75kg, Motta 1,87m e 83kg e Verratti 1,65m e 60kg. Logo aqui percebemos que estes jogadores têm características diferentes e só pelo seu físico ofereceriam diferentes soluções à equipa (bolas paradas, por exemplo). Embora por vezes importante, estes atributos físicos neste caso não me parecem muito importantes; observemos outros.

Matuidi é fundamentalmente um médio recuperador de bolas que consegue pela sua capacidade física pressionar os adversários em todo o campo e durante todo o jogo, apoiando também o ataque; é contudo limitado tecnicamente, joga fundamentalmente curto, é pouco criativo e é impetuoso. Beckham é um ala adaptado a médio, tem grande capacidade de passe (curto e longo), muita técnica, inclusive nas bolas paradas, boa visão de jogo e é muitíssimo experiente; no entanto é pouco agressivo, é lento e não está numa boa forma física. Motta é de todos o melhor tacticamente e nesta posição o mais experiente, tem boa técnica de passe, boa visão de jogo, o que permite equilibrar bem a equipa; porém é lento sem bola. Verratti é dos quatro o que melhor gere os ritmos de jogo, o mais criativo, o que tem melhor visão de jogo e melhor técnica individual; contudo é o mais fraco fisicamente e o mais inexperiente. Dos 4 Matuidi é o que oferece soluções mais diferentes e Motta parece ser o mais completo.

Em Paris, em função dos jogadores escolhidos, o duplo pivot não funcionou particularmente bem, na minha opinião. Matuidi tentou pressionar, mas pressionava sozinho, Beckham sem ritmo tentava fechar os espaços mas não conseguia fechar o seu e o de Matuidi, que corria sempre atrás da bola. A equipa ficou desequilibrada a meio campo e tornou-se mais fácil ao Barcelona controlar o meio-campo e por conseguinte o jogo. A construção de jogo era menos eficaz porque Matuidi não oferecia grande versatilidade.


Em Barcelona, com o Motta e Verratti o PSG controlou bastante melhor o jogo. Ambos preocuparam-se pouco em correr atrás da bola (na recuperação da mesma) e focaram-se mais em fechar o meio do campo, pressionando no seu meio campo defensivo (sem arriscar o desarme) e acabaram por conseguir conter os médios do Barça. Em vez de roubarem a bola, roubaram o espaço e tornaram o jogo mais difícil. Quando com a posse de bola a equipa funcionou melhor também, os dois pivots ofereciam boa qualidade de passe, fundamentalmente longo e vertical, sendo que Verratti arriscou várias vezes sair em posse de bola. Com mais controlo e mais posse de bola, foi mais fácil para os quatro jogadores da frente de ataque criar perigo e a equipa foi mais perigosa.

Convém referir que Matuidi estava suspenso neste jogo, pelo que a escolha deste duplo-pivot pode ter sido forçada por tal e não uma opção “real” do Ancelotti. De qualquer forma pareceu-me que a escolha acertada é a de Barcelona.

Os 4 jogadores acima referidos treinam juntos todos os dias, trabalham os mesmos princípios de jogo, as mesmas movimentações e recebem os mesmos estímulos. O que os torna diferente é a maneira como agem e decidem em função dos estímulos recebidos. O segredo do treinador é assim, o de perceber quais os jogadores certos para interpretar o que deseja para a sua equipa e para determinado jogo.

domingo, abril 07, 2013

"O líder espiritual da minha religião"


A ideia que tinha de Jesus foi-se alterando ao longo do tempo. Hoje, por ter melhorado o meu conhecimento sobre o jogo, sobre treino e sobre futebol em geral, constato que lhe sobra competência para treinar futebol e liderar equipas de Top.
Apesar de não me identificar com várias ideias de jogo dele, nas quais assenta o seu modelo de jogo, percebo que é o treinador que o Benfica precisa.
O Benfica precisa de um treinador que perceba o jogo, que organize a equipa, que melhore a capacidade individual de cada elemento do plantel pelo aumento da qualidade colectiva. Precisa de um treinador que seja referência para os seus jogadores, rigoroso, ambicioso e que procure através do processo de treino materializar tudo que foi referido em resultados.

Jesus é o homem certo!
Joga um futebol de ataque, a equipa é competente do ponto de vista táctico e consistente em resultados, como temos visto nestes anos sob a sua liderança.

Imaginemos que acontece um cataclismo e que o Benfica não ganha nenhuma competição em que está envolvido. Ainda assim, Jorge Jesus é o homem certo, no lugar certo. Renovem com ele, pois todas as suas qualidades compensam os seus defeitos e porque em Portugal, nas divisões profissionais para mim/para já, não há melhor.


Esta palestra do treinador do Benfica elucida muito sobre o que ele pensa do treino, do jogo, do modelo de jogo e dos jogadores.

Ficou-me no ouvido: "Se há alguém que sabe fazer juízos de valor são os jogadores. Eles sabem melhor do que ninguém quem são os bons e os maus treinadores".

Sobre isso tenho uma história engraçada: Um jogador meu e do André na época anterior, que não subiu de escalão, teve problemas com o seu treinador da época corrente por ele ficar no final dos seus treinos a ver os treinos que nós estávamos a dar. Dado isso, o treinador dele o questionou sobre o porquê de ele ficar lá a ver os treinos, isto porque ele tem grau superior em termos de formação em futebol que nós. Então ele assumiu e disse com espanto não entender o porquê de o rapaz ficar a ver os nossos treinos, quando poderia aproveitar o facto de ele ter um grau superior para aprender com ele. O rapaz, inteligente como é, respondeu curto e seco: "Os misters dos Juniores fazem exercícios. Você não!"
A maior parte de vós não percebe o que isso sugere. O que ele sugeria era que o nosso modelo de treino é orientado de forma específica para um determinado modelo de jogo. Os exercícios partem, dessa forma, das ideias que temos para o comportamento colectivo nos 4/5 momentos de jogo. Portanto, o jogador que tinha sido nosso no ano anterior percebeu desde logo as diferenças práticas de conhecimento vs operacionalização que nós tínhamos e que o seu treinador tem.

Por isso, os jogadores do Benfica sabem que Jesus deve renovar. Percebem que não vai ser fácil encontrar alguém a altura dele e percebem sobretudo que é um treinador com ideias e que consegue passar as suas ideias à pratica, convencendo os jogadores a acreditarem no seu trabalho.

O grau académico facilita mas não é garantia de sucesso, de conhecimento, de qualidade de trabalho.
O facto de não ter o português mais correcto não implica não conseguir comunicar ou transmitir o conhecimento que tem aos jogadores. Através do treino, com palavras chave, ele chega lá. E chega de forma fabulosa!!!!!

Uma breve nota


O Sporting nos útltimos tres jogos teve 3 vitórias. 
Tal coincidiu com uma maior aposta na formação e uma consequente menor nos jogadores adquiridos ao longo destes últimos anos.
Independentemente da qualidade dos jogadores da academia, uma coisa é certa: a política de contratações do Sporting é pior que a política de formação. 
As coisas parecem estar a mudar, pela necessidade de contenção de custos, claro. Há males que vêm por bem, e acredito que esta aposta na formação por parte do Sporting irá dar frutos a médio prazo.
É bom ver que ainda há clubes em Portugal onde se apostam nos nossos jogadores. Parabéns ao novo Sporting e muitos parabéns ao Vitória de Guimarães e seus treinadores.

Até à próxima!

sexta-feira, abril 05, 2013

Feedback


                               


Durante esta semana, durante um treino nosso, o Blessing e eu observámos o verdadeiro potencial de eficácia do FEEDBACK no treino. Não é que não soubéssemos já a sua importância na orientação do treino ou o seu potencial em alterar comportamentos mas o resultado do feedback dado foi tão flagrante, levou-nos de um exercício estar a correr mal para atingir exactamente o seu objectivo.
Foi de tal modo flagrante o resultado que gostava de ter gravado esse exercício para que, se um dia tivesse que ensinar a alguém o potencial do feedback, da comunicação na orientação do treino, pudessem ver realmente e na prática a mudança que pode ser conseguida. Verdade seja dita, outros factores tiveram que estar presentes para que a alteração acontecesse de forma tão eficaz e visível mas já lá irei.

 Embora a sua importância seja mais ou menos unânime, tenho a sensação que para a maioria dos treinadores é importante porque toda gente diz que é importante, desconfio que não acreditam seriamente ou não percebem a sua importância, caso contrário investiam mais tempo e mais atenção, tentariam saber mais e melhorar neste aspecto. Digo isto porque senti na pele enquanto jogador feedbacks completamente errados em todas as suas vertentes, e sinto enquanto observador (a qualquer nível, desde a distrital à primeira divisão). Quem nunca viu ou teve um "relator" de jogo em vez de treinador? Durante o jogo todo não se cala e dá ordens aos jogadores como se quisesse jogar por eles: "passa para ali", "corre", "calma", "chuta", "ganha". Além de não ajudar em nada só prejudica os jogadores porque está a condicionar o seu processo de decisão, mas isso é conteúdo para outros textos. Se percebessem o mínimo de feedback à falta de melhor estariam calados.

Talvez se vissem o tal video que gostaria de ter gravado, percebessem alguns o que andam a perder. Não para ensinar a dar feedback, apenas para mostrar como pode fazer a diferença. Não para ensinar porque não me atrevo a pensar que somos mestres em comunicação, antes pelo contrário julgo que temos os dois ainda muito que aprender e também porque sinto que dificilmente se pode ensinar a dar feedback, apenas se pode ensinar o que é e as suas vertentes (tipo, forma, alvo, etc) depois é practicar pois não existem receitas já que todas as situações são diferentes e cabe ao treinador sentir perante cada uma qual o feedback certo e o tempo certo para dá-lo. Um feedback pode alterar completamente a dinâmica de um exercício, para o bem e para o mal.

Como falei no inicio existiram outros factores (além do feedback em si) para que a nossa mensagem fosse tão eficaz naquele exercício. Uma alteração grande nos comportamentos globais só foi possível devido à pré-disposição que os nosso jogadores já têm para em primeiro lugar nos ouvirem, isto porque sabem que normalmente quando paramos um exercício é para os ajudar a resolver os problemas que estão a sentir e por experiência sabem que as nossas "orientações" os ajudam, caso contrário nem nos ouviriam. Em segundo lugar desde o inicio que exigimos com conversa, provocamos com treino e premiamos com escolhas o facto de os nosso jogadores terem que usar a cabeça quando jogam, PENSAR em todos os momentos e o cultivar do pensamento permite que quando recebem um feedback eles realmente pensem sobre ele e o tentem executar, e ao executarem percebam que o resultado positivo é consequência da alteração que fizeram e não do acaso, reforçando esse comportamento.
Para mim, no final, o nosso grande mérito foi esse, pré-disposição para OUVIR e PENSAR!

Ainda sobre os britânicos




Depois das palavras de Valdés aqui:
“Gosto muito do futebol inglês, há muitos remates à baliza e os adeptos respeitam imenso os jogadores. É um modo diferente de viver o futebol e isso agrada-me”



Sim Victor! De facto é um modo diferente de viver o futebol. Ou melhor, é um mau modo de viver o futebol.
O GR do Barcelona diz que há muitos remates à baliza, com razão. O que ele não diz é que esse número elevado de remates deve-se a fraca qualidade colectiva das formações britânicas. Há mais remates porque há mais espaços para rematar. Há mais espaços para rematar porque às equipas ocupam mal os espaços, porque às equipas partem em momentos de transições por não perceberem que devem permanecer compactas com e sem bola. E  porque têm uma fraca capacidade colectiva de resolver problemas em organização ofensiva. Dessa forma surgem muitos remates de curta/média/longa distância, sendo as individualidades demasiadas vezes a resolver problemas que deviam ser colectivos.

Não é por acaso que um jogo entre Holanda e Inglaterra é sempre, para os adeptos do futebol, um grande espectáculo, porque há muitos golos. Há muitos golos, neste caso, porque colectivamente as equipas são más. Francamente más. Não pensem ser por acaso que Portugal ao jogar contra estas duas selecções continua a mostrar enorme superioridade (em duelos nos últimos anos). Pois apesar de ter, na sua globalidade e comparando 1 a 1, piores executantes que Holanda ou Inglaterra, tem jogadores com maior capacidade táctica em média. Com maior conhecimento do jogo e dos seus princípios. Com uma formação de maior qualidade, tendo em conta aquilo que é o jogo moderno. 
O jogo evoluiu!
Holandeses e Ingleses têm de facto grandes executantes, mas que não sabem usar esse poder técnico  de forma a conduzir as suas equipas ao sucesso, jogando regularmente bem. Com o potencial individual que os jogadores, dessas duas selecções, têm é natural que surjam muitos golos. É natural que o potencial para fazer golos esteja lá, principalmente jogando contra equipas menos dotadas do ponto de vista táctico. O problema é que eles são "só" isso. E "só" isso, não chega amigos, não chega. Claro que por vezes eles têm sucesso, mas em dez jogos eles perdiam 6, 7 ou 8! E isso deveria ser suficiente para demonstrar que estão a fazer algo de errado.

Mourinho chegou a Inglaterra e o seu Chelsea era tão superior do ponto de vista táctico, que o objectivo das outras equipas (numa dada altura da época e durante muitas jornadas) era o de marcar um golo ao Chelsea. Já nem era de ganhar um jogo contra eles! Era, apenas, marcar-lhes um golo. Foi o 2º melhor ataque e a melhor defesa nesse ano (apenas 15 golos sofridos). Fez 95 pontos, ficou 12 na frente do segundo...

Reparem nos jogadores brasileiros também. Reparem no que representavam para o futebol mundial, antes desta evolução do jogo. E reparem no que representam agora. Reparem em quantos são preponderantes nas equipas que jogam os "quartos" da Champions (dizem ser a melhor prova de futebol do mundo). Reparem mesmo quantos jogam essa fase. E agora façam o mesmo exercício, só que andem 15 anos atrás. Ano após ano, eles foram sendo eliminados. Porquê?

Porque potencial técnico e motor (físico) sem conhecimento do jogo, sem excelência táctica, no jogo moderno é ZERO!

Mais uma vez recupero um texto do Lateral-Esquerdo, aqui!
Recupero um texto do Entredez aqui!
E Gareth Bale sobre o treino de AVB aqui!

quinta-feira, abril 04, 2013

Aos ingleses o que é inglês

O treinador do Newcastle diz que o Benfica estaria a lutar por um notável 10º lugar na liga inglesa.
Os próprios ingleses já reconheceram que não percebem nada de futebol, ao colocarem no comando de 20 das suas equipas profissionais apenas 4 treinadores ingleses. Existem de facto outros 7 de origem britânica e 9 provenientes do Resto do Mundo. E não há maior atestado de incompetência que esse. Neste momento, para o futebol mundial e para os próprios ingleses, é claro que eles de futebol pescam muito pouco. Encontrar um treinador Inglês que perceba realmente de futebol, seria um exercício que testaria a paciência do próprio Dalai Lama.
Quantos treinadores ingleses ganharam grandes competições (Campeonatos de equipas ou selecções e taças continentais) nos últimos anos?
E se a competência não pode ser avaliada por títulos (como eu defendo), então quantos treinadores ingleses lideraram equipas que jogavam bem nos últimos 15 anos? Quantos treinadores ingleses passaram pelo comando de grandes equipa inglesas ou mundiais nesse mesmo período de tempo? E a selecção inglesa?

A maior parte da malta fica entusiasmada ao ver o campeonato inglês e considera-o como um dos melhores do mundo. Mas considera-o assim pelas piores razões. Ou melhor, não pelas melhores razões: Agressividade, esforço, espírito competitivo, força, velocidade, etc, etc, etc... Então e futebol? E futebol?
Se isso são capacidades interessantes, digo com toda a minha convicção que são as menos importantes num jogador de futebol. De que valem os atributos físicos sem o cérebro? Valem zero... Repare-se nos atributos daqueles que são considerados, por unanimidade, constituintes da melhor equipa de sempre. Agora reparem nas melhores qualidades da maior parte desses jogadores. Reparem mesmo na estrutura física deles. Reparem no tipo de jogo que eles fazem e pensem sobre que adjectivos usariam para o caracterizar...
Então se a melhor equipa que vi jogar, por fazer do jogo o que ele é, tem outros atributos, porque raio o campeonato inglês é considerado dos melhores do mundo, ou até o melhor?

A resposta é só uma: Têm melhores executantes que o resto dos campeonatos e como tal conseguem muitas vezes que as suas individualidades vençam equipas mais competentes. O campeonato inglês é menos interessante do que outros campeonatos europeus menos cotados, onde a qualidade individual é menor, mas joga-se mais futebol (qualidade colectiva). E de certeza absoluta que não é o melhor campeonato de futebol do mundo.
Se o campeonato português, com os treinadores actuais, tivesse a qualidade (individual) que a liga inglesa tem, nos próximos 5 anos venceríamos 2 Ligas dos Campeões e 2 Ligas Europa, no mínimo!

É convicção minha que os treinadores nacionais estão muito mais preparados que os britânicos. É convicção minha que o Benfica ou o Porto (tal como estão) na liga inglesa estariam, no mínimo, a fazer o mesmo que os Spurs de AVB. É convicção minha que a maioria dos treinadores da liga inglesa não iria ter sucesso em Portugal, por um e um só motivo: Conhecimento vs Operacionalização!

Recupero o texto do entredez de 2007, aqui. Divirtam-se :)

quarta-feira, abril 03, 2013

Saída de Bola: Pontapé de Baliza


Quando somos mais novos e jogamos na escola, num pontapé de baliza (saída de bola) pedimos para o guarda-redes chutar. Porquê? Provavelmente porque é a maneira mais rápida de por a bola no ataque e sem passar pelos defesas, havendo menor probabilidade destes perderem a bola. Nos recreios, é fácil um jogador com técnica receber um destes pontapés, até porque não há propriamente organização defensiva nem grandes disputas aéreas.

Passando para o futebol profissional, um recreio diferente e de alto nível, qual a importância da saída de bola e pra que serve o pontapé de baliza? No rugby e no futebol americano, a jogada inicia-se com um pontapé alto a partir da zona defensiva que oferece a posse de bola ao opositor, mas isso não acontece obrigatoriamente no futebol. No futebol, a saída de bola inicia-se com um pontapé de baliza, uma reposição de bola que permite que a equipa que a possui construa uma jogada, não desperdiçando a posse.

Geralmente, no futebol profissional acontece uma de duas coisas: ou há um pontapé longo e forte que coloca a bola no meio campo ofensivo, ou há um passe curto para um jogador no meio-campo defensivo que permite à equipa sair em posse, com bola controlada. 
Obviamente existem vantagens e desvantagens nestas diferentes formas de sair a jogar.
A maior vantagem em bater um pontapé de baliza longo será a de que a bola se 
Real Madrid e o pontapé de baliza: bloco compacto
aproxima rapidamente da baliza do oponente (e se afasta da baliza do pontapeador). Por outro lado, bater longo diminui a precisão do passe, o que diminui a qualidade da saída de bola, tornando o jogo mais estocástico, com disputas de bola pelo ar onde normalmente impera o aspecto físico. Associado ao pontapé longo, há normalmente uma compactação das duas equipas, condensando-se num espaço curto, o que torna mais difícil a manutenção da posse de bola e a construção de jogo em posse, facilitando a vida a equipas mais fortes física e/ou tacticamente. 

Repondo a bola com um passe curto, a equipa sai com mais segurança em posse de bola, permitindo sair a jogar apoiado e diminuindo a aleatoriedade do jogo. Ainda, associada a uma saída com passe curto está um maior aproveitamento do espaço, com a equipa a abrir mais os seus jogadores, criando mais espaços no campo. Noutra perspectiva, saindo em posse de a equipa expõem-se mais do que batendo longo, visto que a bola se encontra bastante mais próxima da sua baliza e uma perda de bola naquela zona poderá ser comprometedora.  

A decisão de como sair a jogar estará, frequentemente, dependente dos jogadores à disposição do treinador. Uma equipa como por exemplo o Stoke City, com vários jogadores acima do 1,85 e um ponta-de-lança alto como Peter Crouch tirará maior partido de pontapés longos e altos do que jogando pelo chão, fundamentalmente por conseguirem superiorizar-se no aspecto físico. Na realidade, são um excelente exemplo de como trabalhando regularmente lances aéreos se conseguem obter resultados de qualidade, contra adversários superiores tecnicamente. Contudo a maioria dos plantéis não tem um perfil de jogadores semelhante ao do Stoke.

Em teoria e não pensando nas características dos jogadores, sair com um passe curto terá mais vantagens que a saída com pontapé longo, pelo controlo que oferece à equipa com a posse de bola. No entanto são poucas as equipas que aproveitam para sair em posse. Objetivamente, sair curto implica ter jogadores tecnicamente competentes e inteligentes, implica risco e implica muito trabalho durante o  treino. São poucas as equipas que conseguem sair recorrentemente e com qualidade em toque curto, mas geralmente são essas equipas que apresentam um futebol mais atrativo, mais controlador e mais dominador.
Regularmente estas equipas são compostas por jogadores rápidos, de estatura média-baixa e com grande capacidade de decisão. Os seus defesas centrais conseguem manter a posse de bola e não preferem bater longo, colocando a bola no lateral ou num dos médios. Estes formam triângulos entre si, oferecendo inúmeras linhas de passe. Os extremos procuram entrar também nestes triângulos de forma a apoiar os médios/laterais, tendo tendência a jogar apoiado e no pé, procurando tabelas ou conduzindo a bola em diagonais  da linha para o centro.
O exemplo máximo deste estilo de equipa é o Barcelona,
Barcelona e o pontapé de baliza: defesas abertos à espera da
decisão de Valdés
 que sustenta a sua saída num dos melhores guarda-redes do mundo a jogar com os pés, o Valdés. Muitas vezes ouvimos críticas e se apontam defeitos às qualidades defensivas de Valdés, sem contudo ouvir comentários sobre a sua capacidade ofensiva. A razão pela qual o Barça joga sempre e há vários anos com o mesmo guarda-redes não será pela qualidade deste entre postes ou por ter sido formado na la Masia, mas sim pela qualidade de decisão e de passe do seu guardião.

 Sem um guarda-redes com uma excelente capacidade de passe é impossível moldar a equipa para sair sempre em posse. Nestas equipas, o guarda-redes é, para mim, o elemento principal da construção de ataque pois será a sua decisão de onde colocar a bola que afectará toda a construção de jogo da equipa e o seu poder de decisão e qualidade de passe decidirão qual será a eficácia e sucesso da sua equipa no jogo. O melhor guarda-redes para uma destas equipas será à imagem de Victor Valdés, com boa visão de jogo e com capacidade de passe mais refinada. De referir que uma parte importante do jogo passará pelos pés destes guarda-redes, não só na reposição de bola mas também noutros momentos do jogo.

Exemplificando e pegando em equipas portuguesas, o Porto terá em teoria mais facilidade em sair em posse que o Sporting. Hélton é provavelmente o melhor guarda-redes em Portugal a jogar com os pés e Rui Patrício é neste aspecto um guarda-redes com qualidade média. Assim, muito mais facilmente o Porto sairá em posse, podendo mais facilmente jogar apoiado, largo e controlando mais facilmente o jogo com passes curtos. Olhando para a realidade, é isso mesmo que podemos observar, o Porto joga um futebol apoiado em campo grande,  enquanto o Sporting tenta fazer o mesmo mas também aposta frequentemente em bater longo (com taxa de eficácia mais reduzida que o desejado, diga-se).

A mensagem a transmitir aqui é que uma situação de jogo recorrente, simples e aparentemente pouco relevante como um pontapé de baliza, é um dos factores que mais condiciona a forma de jogar de uma equipa moderna, visto que definirá não só o posicionamento como a dinâmica da equipa. Por tal, é cada vez mais impotante ter guarda-redes completos e fortes tecnicamente, com forte jogo de pés.

P.S: Onze a actuar em Portugal que me parece oferecer maior qualidade na saída em posse e sua conseguinte manutenção:
Hélton; Alex Sandro, Garay, Mangala, Cédric Soares; Fernando, Hugo Viana, João Moutinho; James Rodriguez, Lima e Jackson   (Curiosamente, o jogador que melhor conseguia interpretar esta forma de jogar saiu, o Nolito do Benfica).

  Bons jogos

terça-feira, abril 02, 2013

Carta aberta aos meus jogadores

O André (Treinamos juntos a mesma equipa) disse uma frase interessante, sobre dois jogadores nossos que
actuam na mesma posição durante a sessão de treinos de ontem: "A decisão foi tão diferente, mas tão diferente que as duas situações eram iguais mas para quem vê de fora nem parece a mesma jogada..."

Passeava hoje pelo lateral-esquerdo e surgiu isto, isto (link do golo aqui), e mais importante de tudo está aqui.

A situação de treino foi a mesma, situação de jogo GR+8x8 com os dois jogadores a encontrarem espaço de frente para a defensiva contrária. O mesmo colega (Avançado) fez a mesma desmarcação de rotura e para a defesa ficar batida pelo movimento e pelo passe, pedia-se um passe no espaço para não travar a corrida do colega e coloca-lo na cara do golo. Como podem imaginar um decidiu bem (como já é recorrente) e outro decidiu mal.

O problema disto é só um: A maioria das pessoas "pensa" que o jogo é fácil!
Não é  amigos, não o é! E só se diz isso, por não se pensar sobre o jogo...
Jogar BEM futebol é bastante difícil, e não é para todas as cabeças porque ao contrário do que se diz, futebol exige pensar.
Para jogar bem é preciso ter conhecimento do jogo. É preciso entender que esse conhecimento vai facilitar o nosso processo de decisão. E é preciso querer fazer do jogo o que ele é verdadeiramente: Um jogo "PENSANTE".
É preciso tanta concentração nos 90 minutos de jogo, como no tempo de treino. É preciso ter a intensidade de concentração de que fala Rui Faria, porque todo o processo treino tem um objectivo específico: Melhorar a vossa capacidade enquanto jogadores de futebol!

Há uns meses atrás falava eu com o jogador, que acertou a decisão, para dar Feedback de uma situação de treino onde ele tinha errado. Chamei pelo nome dele e ele logo respondeu, sem que eu tivesse tempo de intervir: "Sim Mister, devia ter metido a bola no espaço!"
Ora isso é ou não é de alguém que tem conhecimento do jogo? É ou não é de alguém que está a pensar no que está a fazer, percebendo imediatamente que errou, onde está o erro e como fazer melhor? Ora isto é ou não é de alguém que pode, desde já, com o conhecimento que tem tornar-se auto-suficiente na resolução de quase todos os problemas que o jogo possa trazer? Isto é ou não é de alguém que "bebe" e potencializa tudo o que os treinadores têm para oferecer? Isto é ou não é de alguém que vai continuar a tomar boas decisões, aproximando a sua equipa do sucesso? Isto é ou não é um jogador de futebol!?

Não é por acaso que, hoje, ele é, reconhecidamente pelos colegas, uma peça fundamental na equipa. Alguns o apelidam de patrão... As pessoas não percebem, mas a melhoria dele em termos de jogo deveu-se a um e um só motivo: Pensar em movimento! Pensar em movimento com e sem bola!

segunda-feira, abril 01, 2013

Cruzamentos, cruzamentos e mais cruzamentos!


Em organização ofensiva tenho visto muitas equipas optarem invariavelmente pelo cruzamento, sem que isso seja a melhor opção. Muitos comentadores desportivos e adeptos, quando vêm o jogo, fartam-se de dizer que a equipa não tem largura, que a equipa não chega a linha de fundo, que a equipa faz poucos, muito poucos cruzamentos, dizem que os laterais são pouco ofensivos apoiando pouco este tipo de acções e a isso atribuem a falta de criação de oportunidades de golo da equipa. 
Segundo o portal da FPF, no jogo contra Israel Portugal fez 50 ataques. Desses 50, 40 acabaram em cruzamento, tendo apenas 1 acabado em golo. Isso dá um total de 80% dos ataques da equipa e com uma percentagem de sucesso de 2.5%, não é preciso saber muito de matemática para entender a falta de eficácia dos tais cruzamentos que toda gente pede.
Então se a equipa tem largura, se os laterais chegam a linha de fundo e cruzam (Pereira 8, Coentrão 7) porque raio a percentagem de sucesso é tão baixa? Porquê que em 40 cruzamentos apenas um deu em golo? Por vezes, há quem esqueça que existe um adversário a jogar contra nós...
Aqui fica a resposta.

Os números enganam, muitas vezes, e isso não serve de justificação para o meu pensamento. O que me serve de base é o pensar sobre os princípios fundamentais de jogo: RECUSAR inferioridade numérica, EVITAR igualdade numérica, CRIAR superioridade numérica. Esses princípios são para ser cumpridos no ataque e na defesa! Têm igual importância nos dois momentos e devem ser entendidos como são, com e sem bola.
São princípios que todos sabem, ou deviam saber. Quer dizer, são princípios de que todos ouvem falar mas muito poucos pensam sobre eles, sobre a consequência dos mesmos e sobre a sua real importância.
Esses princípios de acção, por si só, conseguem dizer se estamos mais próximos de ter sucesso ou a reduzir as nossas chances de conseguir o nosso objectivo (golo). Então como podemos pedir indiscriminadamente cruzamentos ou chegadas a linha de fundo? O que podemos pedir é que se faça o que o jogo pede a cada momento, e os cruzamentos e chegadas a linha de fundo não são sempre a melhor opção.

Se o adversário está com a estrutura fixa, rígida e compacta, se não tenta recuperar a bola em nenhuma zona do campo que não seja próxima a sua grande área, se estão constantemente organizados, então de nada vale fazer jogo exterior e consequente cruzamento. 
É preciso primeiro desorganizar a equipa adversária e tira-la da sua zona de conforto. É preciso provocar saídas de elementos das suas zonas de acção para que se criem espaços, é preciso CRIAR superioridade numérica, é preciso EVITAR igualdade numérica e é mesmo importante RECUSAR inferioridade numérica... É preciso cumprir com os princípios gerais de jogo, de forma a aumentar a criação de oportunidades de golo. 

Penso no princípio ofensivo de largura como uma forma de a equipa desorganizar o adversário, fazendo-o correr mais na tentativa de recuperar a bola. É esse para mim o grande objectivo do princípio. Não é o de conseguir cruzamentos, é o de aumentar o espaço que o adversário tem de percorrer aumentando as hipóteses de desequilíbrios na sua estrutura. Tornando, dessa forma, impossível que os seus elementos consigam cobrir todas as zonas do campo, obrigando-os a cobrir, apenas, as que achem mais relevantes, fazendo dessa forma com que se concentrem menos jogadores noutras zonas.

Reparem na acção dos anti-corpos quando um elemento estranho entra na sua estrutura...
Então, para mim, desorganizar o adversário é fazer jogo interior. Entendo como jogo interior, jogar dentro do bloco adversário, dentro da sua estrutura. Dessa forma obrigo o adversário a agir sobre o "intruso" dentro da estrutura e essa acção vai implicar desequilíbrios noutras zonas do campo, que consequentemente me vai permitir CRIAR a tal superioridade numérica ou pelo menos RECUSAR a inferioridade aumentando as minhas chances de sucesso. Devo circular a bola, numa primeira fase de forma segura, para garantir a sua posse e chegada dos apoios, mas posteriormente, devo com ela "PROVOCAR" constantemente o adversário, para que aja sobre a bola. Atenção que jogo interior não significa sempre jogar pelo centro do campo. Uma vez que a estrutura adversária pode estar organizada de várias formas, dependendo da zona da bola, devo jogar para o interior da estrutura adversária.

Não é que não goste de cruzamentos, não é que ache que são uma perda de tempo. Acho é que fazer cruzamentos sem, primeiro, garantir pelo menos um dos princípios básicos de jogo (RECUSAR inferioridade numérica) é um desperdício. 

No golo de Coentrão no final do jogo contra Israel, consigo ver 5 coisas: 

1º Princípio de largura, com o extremo (Vieirinha) junto a linha garantindo  um adversário perto dele. Ou seja, menos concentração de jogadores noutra zona (grande área);
2º Martins colocado dentro do bloco adversário pronto para receber a bola, abrindo outra possibilidade de passe a Pereira. Com essas linhas de passe que se criaram, e tendo saído um jogador a Pereira, naquela zona Portugal CRIOU superioridade numérica (3x2), o que permitiu a Martins virar, enquadrar e cruzar com sucesso.
3º O facto de a bola ter sido colocada em Martins, chama a atenção de dois dos médios Israelitas provocando a sua atenção para o facto de ele poder criar perigo dentro da sua estrutura. Tal como a acção de Vieirinha isso foi fundamental para permitir menos jogadores, adversários, concentrados na grande área.
4º Na altura do cruzamento, na área havia IGUALDADE numérica, o que nos confere alguma vantagem, mesmo não sendo a situação ideal, é uma vantagem importante.
5º Não foi preciso grande circulação de bola, não foram precisos 20 passes para fazer o adversário correr, não foram precisos estratagemas avançados com vários tipos de combinação ofensiva, não foi preciso chegar a linha de fundo...

Para aumentar as nossas hipóteses de sucesso foi preciso, apenas, JOGAR BEM. 
E jogar bem é tentar cumprir com os princípios básicos de jogo, só isso.