Porém, cada jogo tem uma história bem particular. Aquele momento específico vive de muitos imponderáveis a que muitas vezes damos menos atenção. O momento específico de cada equipa. A pressão externa ao jogo. A pressão interna do jogo. A melhor ou pior relação do treinador e da equipa com a imprensa. A maior ou menor confiança dos jogadores nas suas capacidades e no modelo de jogo (pelos resultados anteriores). As divergências entre a equipa técnica e à direcção. A forma como cada equipa encaixa na estratégia do adversário. O público. Etc, etc, etc. Estes são apenas alguns exemplos de factores que influenciam o jogo, e que, por serem os mais diversos tornam-se difíceis de descortinar dentro de cada contexto específico.
Hoje, o Manchester perde com o Stoke. Os adeptos cantam por José Mourinho, depois de toda especulação que tem havido aquando da sua saída do Chelsea. O que os adeptos se esqueceram, hoje, foi que este jogo, neste contexto particular, teve uma história. Uma história que começou com um erro individual tremendo de Depay, que ofereceu o primeiro golo ao Stoke. Esse golo caído do céu, galvaniza as bancadas da equipa da casa, galvaniza os jogadores por estarem em vantagem sobre o United, e tem o efeito exactamente oposto na formação de Van Gaal. Uma equipa já muito pressionada nos últimos tempos pelos resultados que não consegue e consequente queda na classificação, pela imprensa que especula sobre a posição do treinador, pelos próprios adeptos que idolatram um outro treinador agora livre para assumir o comando da equipa; onde os jogadores não estão muito confiantes na sua própria qualidade, onde desconfiam da qualidade das ideias tão criticadas do seu modelo de jogo, onde o treinador se mostra inflexível ainda que as coisas não corram bem nas suas ideias. Consegue-se imaginar a descrença dos jogadores ao sofrer um golo deste tipo?
Por aquelas cabeças só deviam estar a passar coisas do tipo - Não há nada que esteja ao nosso alcance para mudar isto. Já nos acontece tudo. Podemos estar aqui a correr noventa minutos que não os vamos conseguir superar. Nem dez minutos passados e sofre o segundo golo no seguimento de um lance de bola parada. E o jogo para Van Gaal acabou aqui. O colapso mental dos seus jogadores estava completo. A instabilidade e a insegurança reinam a partir daqui. Poderia estar no balneário com eles com as melhores estratégias de motivação existentes que, naquele momento específico, tendo em conta todo o contexto que o rodeia, os jogadores não lhe iriam dar uma resposta à altura do desafio que estava colocado. E isso notou-se sempre na linguagem corporal dos jogadores. Nos erros que se sucederam, na forma pouco contundente/exuberante como executaram, no tempo que demoraram a decidir cada lance pelas dúvidas todas que assombram os seus pensamentos. Seguramente que o treinador terá a sua quota parte de responsabilidade em cada momento negativo que a equipa vive, assim como tem a sua quota parte de mérito nos momentos positivos. Mas, lá dentro mandam eles e a cabeça deles. E hoje, como quase sempre, quem ganhou foram os jogadores do Stoke e quem perdeu foram os jogadores do Manchester.
José Mourinho é outro caso deste tipo de dinâmica negativa ao nível dos resultados, assim como Klopp o foi no Dortmund na época anterior, e muitos outros treinadores o são ao longo do tempo. Desde o alto rendimento ao distrital.