Mostram-se muito preocupados os adeptos do Porto com o modelo de jogo que vem sendo implementado no Dragão. Dizendo-se que a qualidade dos jogadores deveria permitir fazer mais e melhor, no que toca à organização colectiva. A maior preocupação, de quem segue o Porto com maior regularidade que eu, tem sido o controlo da largura com e sem bola. Contudo, neste último jogo frente ao WBA não me pareceu que a equipa se encontrasse demasiado larga e estendida no campo.
Pareceu-me que os sectores procuraram progredir juntos, com bola, e compactar rápido sem bola (quer na zona da bola para pressionar logo, ou em zonas mais recuadas para defender mais perto da baliza).
Relativamente à largura, notei comportamentos diferentes dos dois extremos que jogaram a primeira parte (Tello, Brahimi). Enquanto que Tello, na maior parte do tempo, se posicionava colado à linha, Brahimi procurava invadir o corredor central, como solução de passe interior. Embora os dois procurem, com bola, jogar sempre dentro. Ainda sobre a largura, pareceu-me já haver definido um timing em que o extremo se solta do corredor lateral: quando o central conduz, o lateral vai em profundidade, e o extremo vem dentro no apoio frontal.
Parece-me, também, que a ideia de Lopetegui é clara: manter o adversário constantemente preocupado com a largura e com a profundidade, sob pena de ser punido pela grande qualidade que o FC Porto exibe nos corredores laterais. Quaresma, Tello, Danilo, Alex Sandro, Quintero, Brahimi resolvem 1x1 e 2x2 com uma facilidade e eficácia tremenda. Quer-me também parecer que o objectivo é ter sempre 4 unidades no meio campo. Se baixar Jackson os extremos permanecem profundos e largos, se baixar um dos extremos, para espaços interiores, Jackson e o extremo do lado contrário garantem largura e profundidade.
Na saída de bola, sendo que os centrais não parecem ter ordens para progredir, parece-me que os interiores ficam demasiado longe para receber a bola.
Existiram algumas variações de corredor, mas não me pareceram exageradas.
No meio campo do adversário pressiona em 4x4x2, como está agora na moda. Dois homens nos centrais adversários (Ponta de lança e um médio) para obrigar a bater, e os restantes em HxH. Joga com as linhas juntas, e bem subidas no terreno por forma a retirar espaço, e obrigar a jogar directo.
Quando perde a bola pressiona de imediato, tentando dificultar ao máximo a transição ofensiva ao adversário. E com essa pressão, e a defesa subida, ainda que fiquem 2x2 para a última linha do Porto, dificilmente a bola chegará aos dois adversário em boas condições.
Nas bolas paradas defensivas um pormenor interessante, a equipa defender o mais alto possível por forma a evitar que o adversário coloque a bola directamente na área. Porém, a opção pela marcação individual me parece problemática. Nos cantos ofensivos, mostra já algum trabalho no que concerne a movimentação dos jogadores. Nos defensivos, três jogadores em zona e o resto HxH.
Na linha defensiva muito trabalho por fazer em todos os aspectos, com e sem bola.
Jackson é o melhor reforço que Lopetegui poderia ter.
Se Tello aprender que a equipa está em primeiro lugar, e que não precisa de aparecer nos highlights para fazer um grande jogo será um grande reforço, e um grande jogador no futuro. Neste momento, parece-me um Quaresma em ponto pequeno, é vir dentro rematar, ou ir fora cruzar.
Brahimi é uma surpresa para mim. Muita qualidade, e inteligência nas acções. Sem o ter observado com especial atenção, pareceu-me quase sempre escolher bons caminhos, para além da qualidade em condução que evidenciou (factor que gosto bastante). Apesar disso, não me convenceu o suficiente (ainda) para que possa defender a sua utilização no corredor central. Seria titular sempre, mas como extremo.
Herrera corre muito, e só. É inacreditável o número de lances de ataque que estraga. É incrível a sua falta de capacidade para se posicionar de forma correcta. Gritante quando é ultrapassado pela linha da bola, onde fica completamente baralhado. A sua inclusão no onze em detrimento de Evandro é criminosa.
Oliver é um sonho. Tem tudo, tudo, tudo, para ser um jogador relevante nos anos que seguem. Agressividade com e sem bola, criatividade. É o jogador ideal para furar blocos, assim Lopetegui o exija no seu modelo de jogo.
Ainda é muito cedo para tirar conclusões, e as vitórias jogarão um papel importante no desenvolvimento do modelo do Porto. Com base neste jogo não fiquei nada alarmado com o modelo de Lopetegui. Acho que a equipa vai crescer mais, e aí ficará evidente "tudo" que esta equipa poderá valer com o novo treinador.