O que Marco Silva está a fazer na Grécia é notável. Soma por vitórias todos os jogos que jogou no campeonato até ao momento (16), com uma tremenda média de golos marcados e pucos sofridos. Assim como Paulo Fonseca que saiu mais rico depois da experiência num grande, Marco prepara-se para regressar em força da próxima vez que assumir um grande desafio. Por vezes, o momento e o contexto não são os indicados para o treinador ter sucesso. Porém, com a humildade para se aprender em cada experiência negativa o resultado é sempre positivo. Não me lembro de uma equipa nas Ligas europeias com um recorde destes, em tantos jogos, nos últimos anos.
O Sporting entra no novo ano líder, com justiça. E é líder, sobretudo, porque conseguiu superiorizar-se aos rivais no confronto directo. Em matéria de pontos contra os pequenos está tudo muito igual. Como afirmei no início da época, o campeão este ano não vai fazer muito menos pontos que o anterior, e faltando duas jornadas para a primeira volta terminar a pontuação dos grandes reflete isso mesmo. De resto, o Sporting fez os melhores jogos contra os grandes, e teve mais dificuldades contra equipas de menor dimensão. Aí, pela menor qualidade individual do adversário, e por este se fechar no último terço, tem tido imensas dificuldades em encontrar espaços para criar. Sem espaço, nota-se muito a dificuldade de execução, e de tomada de decisão dos jogadores leoninos. Alguns destes problemas podem ficar resolvidos com a entrada de Bruno César para o onze (tem um contra um; tem qualidade técnica no passe e na condução; tem finalização; e tem uma morfologia e capacidades físicas que lhe facilitam jogar nos espaços reduzidos), e sobretudo de Ruiz para o corredor central. Ruiz ganha com isso espaço para combinar com toda a equipa, e para se tornar a grande referência dos desequilíbrios entre sectores. Nota-se uma grande diferença de processos para o ano anterior, e isso é reflectido com um maior número de pontos que na época passada.
O Porto de Lopetegui mostra pouca evolução de uma época para outra, no que diz respeito ao modelo de jogo da equipa. Os movimentos ofensivos são basicamente os mesmos, o aproveitamento do corredor central desapareceu sem Oliver e Jackson, os desequilíbrios individuais caíram sem Danilo e Alex Sandro. Porém, o treinador do espanhol continua a ser o que tem a grande vantagem relativamente aos outros, e para quem quiser ver, essa vantagem está reflectida na pontuação. Se o Porto hoje tem mais pontos que na época anterior, tal deve-se ao facto do treinador conhecer melhor os jogadores (pelo menos metade do onze inicial) que os adversários. Tem também maior conhecimento das características do campeonato, maior enquadramento com o contexto do clube. E por isso, ainda que tenha menos qualidade, fez mais pontos do que em igual período do ano passado. Continua, para mim, a ser o grande candidato ao título.
O Benfica de Rui Vitória parece ter encontrado estabilidade ao nível de resultados para crescer do ponto de vista das ideias do treinador. Sabendo-se da dificuldade que era substituir um treinador que teve muito sucesso nos anos anteriores, a pressão é imensa. Ainda assim, para já, não mostrou qualidade de jogo em nenhum momento de jogo particular para que possa dizer que houve grande evolução desde o início da época. Não obstante disso, e por ter mais qualidade que a esmagadora maioria das equipas, não vai ser tão cedo afastado da luta pelo campeonato. Alguns regressos de lesão poderão ser o catalisador para uma entrada em 2016 melhor que a saída de 2015.
O Braga de Paulo Fonseca, e o Setúbal de Quim Machado, são as equipas mais interessantes para seguir tendo em conta a sua ideia de jogo. Um jogo ofensivo. Um jogo que privilegia o passe curto como principal factor de desequilíbrio do adversário. Um jogo que tenta aproveitar o corredor central, e a partir daí seguir para os espaços livres. Quim Machado já me tinha deixado uma boa imagem do Feirense, onde apostou em Diogo Rosado. Agora de regresso à primeira liga, parece ter encontrado o contexto ideal para aproveitar as suas melhores ideias.
O Leicester é a maior surpresa dos grandes campeonatos da Europa. E é-o como muitos já o foram. Sem um modelo de jogo capaz de os manter no caminho dos bons resultados, também cairá como muitos caíram quando o balão de motivação desses mesmos bons resultados terminar. Nem o jogo directo que promove carece de cuidados especiais no treino. E quando assim é, quando uma equipa é aquilo que os jogadores fazem dela, o destino fica normalmente traçado. Tenho sérias dúvidas que consigam ir à Europa, através dos lugares do campeonato.
Mourinho sai do Chelsea após a sua pior prestação num clube. Como fomos dizendo por aqui, Mourinho está cada vez mais perto de outros treinadores pela forma como orienta o seu jogo. E por isso, ganha e perde como eles. Não é regular o suficiente para ser um coleccionador de títulos como foi no passado. Claro que a classificação do Chelsea não reflecte a qualidade actual de Mourinho como treinador, e resulta como um castigo muito duro para a mudança de paradigma que ele próprio promoveu na sua concepção de jogo.
A Fiorentina de Paulo Sousa continua na luta pelo título em Itália. Mérito do treinador português pelas ideias de grande qualidade que tenta implementar. Ainda que com a dificuldade acrescida por não ter a qualidade que os seus processos merecem. O campeonato italiano é hoje bem mais interessante graças a ele, e ao Nápoles de Sarri. Outro treinador com ideias de grande. E por isso, percebe-se a classificação das duas equipas. Parece-me que neste momento Sarri está mais preparado para os quatro momentos de jogo. Mas sendo que não é o que goza da melhor qualidade individual, fica difícil de prever o desfecho do campeonato.
Importante continuar a seguir a evolução do Fenerbahce de Vítor Pereira, do Tottenham de Pochettino, do Everton de Martinez, do Celta de Vigo de Berizzo, o United de Van Gaal, o Liverpool de Klopp. Sem nunca perder de vista Guardiola, Tuchel, e o Barcelona de Luís Enrique.
Ps: Zidane herdou o trabalho mais difícil do mundo.