Como já havia sido escrito por aqui e no Lateral Esquerdo, o Chelsea de Mourinho é pouco competente na construção, e criação. É uma equipa que se faz valer, ainda, dos atributos menos importantes, daqueles que se quer numa equipa de grande dimensão. Ou melhor, ao invés de ir buscar, primeiro, o futebol, que é o essencial, Mourinho, continua a pedir primeiro, aquilo que nós, na nossa forma de ver o jogo, é acessório.
Veja-se na entrevista após a derrota do último fim de semana a partir do minuto 3:25.
Veja-se na entrevista após a derrota do último fim de semana a partir do minuto 3:25.
Dando uma vista de olhos aos resultados do Chelsea no campeonato, poder-se-ia dizer que (da forma como Mourinho nos indicou, no início da época, que queria construir o seu modelo de jogo), a equipa tivesse tido dificuldades contra os adversários de maior valia colectiva, e individual. No entanto, o fenómeno que se observa é precisamente o oposto. Para quem tem acompanhado os jogos do Chelsea, são evidentes as dificuldades contra as equipas de menor dimensão, porque a equipa revela imensas dificuldades em assumir o jogo. Nos jogos "grandes", onde os índices de motivação são elevadíssimos, onde a agressividade e concentração estão no seu expoente máximo, isso não é problema. Os adversários assumem o jogo, e o Chelsea joga em transições, no erro. Nos jogos em que a equipa tem mais bola, pela postura do adversário, torna-se inerte.
Veja-se a seguinte análise: O Chelsea tem neste momento 6 empates e 5 derrotas no campeonato. E já realizou 9 jogos contra os adversários mais poderosos do campeonato, faltando-lhe apenas visitar o Liverpool. Seria expectável que os empates e derrotas fossem maioritariamente consequência dos duelos com os seus adversários directos. Mas não é o caso. Dos empates e derrotas, apenas 3 foram consequência desses jogos, e foram todos empates. Ou seja, em 9 jogos com os grandes, Mourinho somou 6 vitórias e 3 empates. Onde seria de se esperar mais dificuldades, pela implementação do modelo de jogo a que se propôs, os resultados são muito positivos. Disto resultam 8 jogos com adversários de menor valia individual e colectiva (excepção feita ao Everton, colectivamente muito forte), onde perdeu 5 (Crystal Palace, Aston Villa, Stoke, Newcastle, e Everton) e empatou 3 (West Brom, West Ham, e West Brom novamente).
Em organização ofensiva, o Chelsea é bastante diferente daquilo que Mourinho disse querer no início da temporada, em nome de um crescimento colectivo, para no ano seguinte atacar os títulos. Abdicou disso, em nome de vitórias, e da luta pelo campeonato, coisa que disse não ser objectivo no início. Hoje, vê-se uma equipa muito organizada defensivamente, com algum critério nas transições, mas que depende em demasia de imponderáveis como a inspiração individual dos seus atletas, capacidade de concentração, índices de motivação, erros individuais do adversário, etc...
Em organização ofensiva, o Chelsea é bastante diferente daquilo que Mourinho disse querer no início da temporada, em nome de um crescimento colectivo, para no ano seguinte atacar os títulos. Abdicou disso, em nome de vitórias, e da luta pelo campeonato, coisa que disse não ser objectivo no início. Hoje, vê-se uma equipa muito organizada defensivamente, com algum critério nas transições, mas que depende em demasia de imponderáveis como a inspiração individual dos seus atletas, capacidade de concentração, índices de motivação, erros individuais do adversário, etc...
Do meu ponto de vista, a equipa deveria começar por ser competente naquilo que, vão ser as regularidades na maior parte do campeonato. A grande maioria dos jogos do campeonato, 28, serão contra equipas de menor valia individual e colectiva. Ou seja a equipa terá obrigatoriamente que assumir o jogo em 28 jornadas. E depois, no restante tempo, preparar o pormenor (2 jogos contra adversários de maior valia, e 8 contra adversários com as mesmas armas). Isso implicaria, processos de construção e criação bastante melhor trabalhados, nesta fase da época. Bem como menos recursos a vertente estratégica.
Claro que, poder-se-à sempre dizer que é o primeiro ano dele com os jogadores. Que ainda os está a conhecer, e que preferiu trabalhar primeiro a equipa defensivamente, a mentalidade e os índices de competitividade. Mas, do meu ponto de vista, as prioridades foram trocadas. A equipa deveria ser, competente como é defensivamente, mas muito, muito melhor do ponto de vista ofensivo.
O Chelsea de Mourinho está preso, amarrado, sem criatividade e competência no ataque. No fundo, sente-se confortável a jogar como equipa pequena...
O Chelsea de Mourinho está preso, amarrado, sem criatividade e competência no ataque. No fundo, sente-se confortável a jogar como equipa pequena...



