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segunda-feira, agosto 27, 2018

Bloco de Notas: FC Porto-Vitória de Guimarães.

...dos 0 aos 15 (mins)...

O Porto na versão de Sérgio Conceição é uma equipa que depende muito do perfil físico dos seus jogadores, da agressividade que eles colocam nas suas acções e da aposta nas bolas paradas, e os primeiros quinze minutos de jogo o resumem na perfeição. O Porto asfixiou, com movimentos constantes de profundidade, com uma pressão incansável em organização ou quando perdem a bola, com a agressividade em cada duelo, e com bolas paradas trabalhadas para surpreender. O Vitória, nesta fase, mal conseguiu sair do seu meio campo, tendo-o conseguido apenas por uma vez com critério. Na verdade, a falta de critério como o pouco tempo de jogo foi o que ajudou a que o Porto estivesse tão seguro e tão confiante. Isto é: os ataques do Vitória eram todos rápidos, o que beneficia o Porto que se evidencia nos duelos, sendo que o Guimarães não ganhava tempo para que os seus jogadores se colocassem nas posições, fizessem os jogadores do Porto correr mais baixando assim os índices de agressividade . Como atacavam com poucos, e em velocidade constante, o Porto foi dominador.

...dos 15 aos 30 (mins)...

Nos primeiros minutos deste fase do jogo percebe-se um melhor encaixe do Vitória no controlo daquilo que o Porto fez nos minutos iniciais, porém, em termos territoriais e de posse de bola a toada manteve-se. As bolas paradas para o Porto sucediam-se, ainda que em menor percentagem. Aqui , nota-se um ritmo de jogo mais perto daquele que o Vitória estaria interessado para conseguir pausar o seu jogo, e sair de forma apoiada. Mas, o Porto começa a tentar algumas combinações pelos espaços entre sectores que se criaram por força da reacção da linha defensiva do Guimarães que baixou alguns metros para tentar controlar a profundidade. Mais pelo corredor direito onde há Maxi, com maior competência para combinar do que Alex Telles. O Vitória termina este período a respirar melhor em organização defensiva, com um maior controlo dos movimentos nas suas costas. As faltas que ganhou, e que fez, também ajudaram a que o ritmo baixasse, e que a dinâmica de agressividade do Porto em termos ofensivos fosse mais reduzida. Também seria muito difícil manter o ritmo inicial que impunha, a velocidade de execução e a ferocidade dos movimentos durante muito tempo.

...até ao intervalo...

Este período começa com um bom lance do Porto, onde não foi feliz na definição. Mas um lance que tem aquilo para que o Porto mais trabalha: os movimentos de profundidade em organização ofensiva. Se por um lado Alex Telles por jogar ao lado do Brahimi os faz sempre por fora, Maxi do outro lado tem liberdade para escolher o corredor por onde se desmarca deixando muitas vezes a largura para Otávio explorar. Depois de uma troca de bola pelos três corredores, ainda que sempre por fora do bloco do Vitória, Maxi recebeu de Otávio já dentro da área, tendo falhado apenas o último passe. Apesar de estarem baixos, a equipa de Luís Castro não foi agressiva o suficiente no movimento defensivo que se pedia (basculação) e Maxi acabou por aparecer a surpreender. É curioso que o Vitória tenha conseguido estancar os elementos mais velozes, pelo seu posicionamento mais baixo, mas que tenha tido muita dificuldade em parar os movimentos interiores de Maxi, que solicitava tanto em combinação como na profundidade. O timing em que o fazia, e a zona que escolhia atacar eram boas. Posicionava-se do lado cego do adversário que defendia o espaço que ele atacava, e por infortúnio depois de um excelente passe de Herrera o Porto não se adianta. Já se justificava a vantagem pelo que o Porto jogava e não deixava jogar, e pelo que o Guimarães não conseguia jogar. 

...Os golos...

O primeiro golo acaba por surgir, com justiça, mas num momento em que o Vitória jogava com menos um jogador no meio campo por força da lesão de Joseph (com Tozé à espera de uma paragem para entrar no jogo), e como Welthon (o avançado) não ajustou na zona intermédia a equipa organizou-se com duas linhas de quatro para defender (1x4x4x1). Foi um grande golo de Brahimi, num movimento interior espectacular e finalização irrepreensível. Os golos mudam sempre o jogo, e ainda que não houvesse muito tempo por jogar percebeu-se uma mudança no comportamento defensivo do Porto, um tanto mais expectante e a deixar o Vitória ter um pouco mais a posse de bola. Talvez tenham percebido a proximidade do intervalo e quisessem resguardar-se para conseguir seguir em vantagem para o intervalo. E nesta fase, nas bolas paradas que são um momento em que o Porto aposta muito, chega o segundo golo.

O último quarto de hora foi muito largo e ainda houve tempo para uma ocasião de golo para o Guimarães no seguimento de uma bola parada onde André André consegue rematar dentro da área, e um remate de fora da área de Sérgio Oliveira que passou muito perto da baliza.

...do intervalo aos 60...

O jogo recomeçou com uma particularidade diferente, o Porto procurava controlar mais e sair pela certa e sem tanto risco. O  Vitória conseguiu estar um pouco mais subido e conseguiu defender não tão perto da sua baliza. E é nesta fase que acontece a lesão de Brahimi, aquele que é o maior desequilibrador do Porto, que é substituído por Corona. Com o Guimarães mais pressionante e em vantagem o jogo do Porto passou a ser, durante este tempo, de bolas longas para os movimentos de A.Pereira, de Aboubakar, Otávio ou Corona. Deixarem de subir tantos jogadores para se envolverem nos lances em organização ofensiva, e não se pressionava tanto. O Guimarães aos poucos ia subindo mais a pressão porque sentia a necessidade de alterar o resultado, e sem uma grande elaboração dos lances foi conseguindo chegar perto da baliza. Não é o que o modelo de Luis Castro preconiza, é certo. Mas a confiança que se foi ganhando com esses lances, e com um Porto mais expectante, foi lançando os jogadores do Vitória para comportamentos cada vez mais "atrevidos" do ponto de vista ofensivo. Nesta altura entrava Ola John e saia Boyd, e na altura em que se assinalava o penalti de Sérgio Oliveira saia Aboubakar para entrar Marega.

...dos 60 aos 75...

O golo de André André abre a última meia hora. O Vitória ganha confiança e cria-se dúvida no Porto. Alex Telles esteve muito em jogo nesta altura, surgindo como solução para ligar o jogo com o ataque e durante esta fase do jogo os lances acabaram invariavelmente em cruzamentos (bem ou mal). Um cruzamento de quem o executa de forma exemplar é sempre algo a ter em conta, porém a previsibilidade permite a quem defende estar mais próximo de parar o lance por se saber exactamente como ele vai terminar. A lesaõ de Corona, com a entrada de Oliver marca o início do útimo quarto de hora.

...Os últimos 15 minutos...

O golo de Tozé marca a entrada no último quarto de hora, e num lance que é o espelho do trabalho que Luis Castro quer em organização ofensiva. Houve tempo, e espaço, é certo. É um lance onde o Porto tem apenas 7 jogadores atrás da linha da bola, ainda que relativamente próximos entre si. Mas a ideia do lance em si é muito boa. Douglas defende o lance e de imediato coloca em André André que estava à entrada da área. Este conduz, e joga para o lado esquerdo em Florent que de imediato entrega para Ola John em largura. Criterioso como é hábito, o holandês orienta a recepção para o corredor central onde está João Carlos Teixeira entre linhas. A bola segue para o médio que percebe a desmarcação de Florent pelo corredor e o espaço onde Maxi estava já ligeiramente atraído pela bola, e é para lá que a bola segue. Sai o cruzamento, a recepção, e o golo de Tozé. É este tipo de futebol que Luis Castro propõe. O golo altera, novamente, o jogo. A confiança dos jogadores do Vitória sobe, e a crença que podem sair dali com um bom resultado faz com que tentem defender o empate. Sem controlo, porque o Porto volta a pegar no jogo e sobe novamente os índices de agressividade nos seus comportamentos. Obrigados a marcar mais um golo voltam a ser dominantes, e a jogar muito mais tempo no meio campo do Guimarães. De forma fortuita, sem nada fazer crer, num lançamento onde o Porto está em clara superioridade na área (Gr+5x2), a reviravolta acontece. Depois disto, e faltando apenas três minutos para os noventa, o jogo não teve grande história.

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