Muito tem sido escrito aqui e no Lateral Esquerdo, sobre a importância, no futebol jovem, de serem os jogadores a seleccionar o caminho, sem que o treinador intervenha no processo de decisão dos mesmos. Poderá isto parecer que se está a dizer que no treino o treinador não têm qualquer tipo de relevância para a evolução do atleta, e que se pode deixar os jogadores treinarem livremente sem qualquer tipo de intervenção. Não é bem isso o que se pretende passar. O conceito é difícil de entender, eu sei, mas muito importante que seja entendido por qualquer treinador de jovens jogadores.
É importante que se perceba que a tarefa fundamental de um treinador de jovens é desenvolver qualidades técnicas e físicas, e ajudar o jogador a descobrir o caminho. Isso pressupõe que não sejam os treinadores a fazer o mapa, mas sim que ditem as regras de acção - constrangimentos - para que o jogador descubra determinado tipo de comportamentos. Depois, na dificuldade, caso as regras não cheguem, ajudar o jogador a perceber a informação que o contexto lhe dá, e com isso esperar que a seu tempo ele descubra o seu caminho. O exemplo no vídeo de Nasri é bastante esclarecedor, vejam. Imaginemos que o objectivo seria fazer o jogador descobrir formas para criar situações de finalização em superioridade 1x0, 2x1, 2x0, etc. Cria-se o exercício em superioridade para facilitar a aquisição do comportamento, e o volume de acções do tipo que se quer, uma forma jogada em espaço reduzido, e deixa-se os jogadores jogar.
Imaginem que o treinador dita: Em superioridade temos de conduzir para cima do adversário, ou do espaço, fixar um ou mais elementos e soltar nos colegas que ficaram livres. Não estará o treinador desta forma, a dar a resposta antes de fazer a pergunta? E o que é que os jogadores aprendem dessa forma? Imagine-se um aluno de Matemática, o professor chama-o e diz-lhe 1+1=2. De seguida vem outro professor e pergunta-lhe quanto é 1+1? E ele responde. De imediato surge outra questão, por que é que 1+1 são 2? E ele responde, porque o professor disse... Com o treino, no futebol, é o mesmo. Para que exista aprendizagem não se podem procurar atalhos, é preciso obrigar os jogadores a pensar, e tornar a tarefa rica e complexa, para o nível dos jogadores em questão.
Num exercício deste tipo, para que se estimule a criatividade e a multiplicidade de soluções, procuro em primeiro lugar deixar os jogadores criarem livremente. E assim que existam lances que considero erros, interromper e ajudar os jogadores todos dentro do exercício a perceber o que falhou, na análise do contexto:
- O adversário estava fixo, com os apoios mal orientados?
- Havia espaço nas costas da defesa passível de explorar sem que o GR intervenha?
- Havia espaço para conduzir?
- O adversário saiu na bola, ou fechou as linhas de passe?
- No 1x1, como estava orientado o corpo, apoios, do adversário?
- Se fosses para ali o que achas que acontecia?
- Se passasses para lá, o colega ficava melhor que tu?
- Onde é que era preciso dar linha de passe? Porquê?
São estas algumas das pequenas questões que costumo utilizar - uma de cada vez - para guiar os jogadores durante o seu processo de aprendizagem. E Nasri, como criativo que é, percebeu perfeitamente e fez uma leitura fantástica do comportamento do adversário antes de tomar a sua decisão. No momento em que o adversário tenta adivinhar o passe, e vira o apoios para cair em D.Silva, Nasri fica com o caminho livre para o remate, e assim o faz.
Num exercício deste tipo, para que se estimule a criatividade e a multiplicidade de soluções, procuro em primeiro lugar deixar os jogadores criarem livremente. E assim que existam lances que considero erros, interromper e ajudar os jogadores todos dentro do exercício a perceber o que falhou, na análise do contexto:
- O adversário estava fixo, com os apoios mal orientados?
- Havia espaço nas costas da defesa passível de explorar sem que o GR intervenha?
- Havia espaço para conduzir?
- O adversário saiu na bola, ou fechou as linhas de passe?
- No 1x1, como estava orientado o corpo, apoios, do adversário?
- Se fosses para ali o que achas que acontecia?
- Se passasses para lá, o colega ficava melhor que tu?
- Onde é que era preciso dar linha de passe? Porquê?
São estas algumas das pequenas questões que costumo utilizar - uma de cada vez - para guiar os jogadores durante o seu processo de aprendizagem. E Nasri, como criativo que é, percebeu perfeitamente e fez uma leitura fantástica do comportamento do adversário antes de tomar a sua decisão. No momento em que o adversário tenta adivinhar o passe, e vira o apoios para cair em D.Silva, Nasri fica com o caminho livre para o remate, e assim o faz.

11 comentários:
O verdadeiro desafio é tentar ser um catalizador de aprendizagem, mas sempre no sentido de lhes ajudar a construir uma cana para que eles pesquem sozinhos.
Temos é de os ajudar a perceber quais são os melhores materiais, qual o isco e por ai fora.
Deixa-lo fazer a cana a vontade, e depois de partir 2 ou 3.. que materiais já experimentaste? Qual a diferença entre eles?
E os iscos? Com minhoca apanhas o que? Olha ali o zé carioca, está a usar cabeças de sargo (nem faço ideia do que estou a dizer), já viste como ele está a conseguir apanhar mt mais do que tu?
VÊ, pensa sobre as coisas e experimenta.
E depois arranjar mil e uma situações iguais mas diferentes para que eles consigam explorar isso tudo.
Situações iguais, mas diferentes... dá trabalho pensar nelas, de facto.
Sempre que paro um exercício tenho (tento) o cuidado de questionar os atletas relativamente às suas ações!
Fizes-te isso porque?
O que é que podias ter feito de diferente?
Qual a melhor solução para o problema?
Há mais soluções ou esta é única?
Ao mesmo tempo procuro sempre através dessas questões enquadrar todos os que estão a realizar o exercício de forma a que todos percebam o contexto em que estão e todas as imensas variantes que podem existir para solucionar problemas que lhes apareçam pela frente.
Se estiverem com muitas dificuldades procuro tentar fazê-los perceber através de questões já com umas dicas de varias respostas de forma a obriga-los a pensar um bocado.
Noto que em muitos lados procura-se trabalhar os miúdos muito taticamente e tecnicamente mas sem faze-los perceber o jogo e o contexto em que estão inseridos ou os diferentes contextos/problemas com que podem deparar-se!
Bom texto.
Quando param, falam para 1 ou para o grupo? Como gerem isso?
Dipeca, depende... Gere-se de acordo com o contexto...
Várias vezes falas para todos..... os pais armados em treinadores de bancada.
Quantas e quantas vezes paro o treino quando um jogador tem uma decisão tipicamente de "bancada" para questionar em voz (demasiado) alta, para que os pais oiçam e possam também ser educados.
Pois, percebo. Mas é complicado gerir o momento de parar, sobretudo se estamos a falar de parar um exercício para interrogar um jogador sobre um decisão. Pode parece trivial, mas fica-se com todos os miúdos parados enquanto explicamos a um...
Dipeca, não é tempo perdido... é tempo ganho... tempo de qualidade :)
mas entendo onde queres chegar, e é por esse motivo, principalmente, que detesto parar sempre os exercícios.
Sim, mas ao mesmo tempo, se falares para todos, as coisas vão entrando na cabeça deles.
Até podes perguntar a um gajo qualquer fora daquela acção o que é que ele achou da decisão do colega, que alternativas é que o colega tinha e se fosse ele estar ali, o que é que decidia.
Envolves todagente na "discussão", e até podes utilizar isso para gerir a intensidade.
Ainda ontem fui obrigado a parar o exercício varias vezes, porque eles não estavam a aguentar a intensidade e a qualidade das decisões e das acções começou a baixar. Parava e perguntava coisas básicas, mesmo para lhes dar 10/15 segundos para respirar antes de voltar a intensidade máxima.
Percebo, essa da intensidade é mto bem visto!
Pois Baggio, sinto que estou a "impedi-los" de participar, às vezes...
Boas,
Relativamente a este tema temos o melhor exemplo do que não devem fazer ao minuto 8:27, do jogo Barça-Rayo.
Abraço, continuação de um excelente trabalho
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