Jürgen Klopp
“Contra o Manchester City, percebemos que se jogássemos de igual para igual, podíamos vencer qualquer equipa..."
“Nunca jogámos de forma a adaptarmo-nos ao nosso adversário.”
Jesus tem melhorado muitos aspectos
ao longo do seu percurso pelo Benfica mas este é um dos quais ele não alterou e
é ao mesmo tempo um dos que mais o prejudicou.
Alguns
pensam que esta ideia é atrevimento, ou que é fácil dizer o que Klopp disse quando se tem uma
boa equipa mas eu penso exactamente ao contrário… Atrevimento é dar uma
identidade, uma forma de jogar a uma equipa e depois julgar que se pode mudar
essa identidade com sucesso numa semana só porque se vai jogar contra um
adversário forte para a seguir voltar a jogar como sempre. Ou então julgar que
mudar constantemente adaptando-se ao adversário torna a sua equipa versátil,
capaz de interpretar e executar vários modelos de jogo quando na verdade o que
acontece é que a equipa não vai ter identidade, nunca será uma equipa com
comportamentos fortes, expressivos. O que faz um grupo de jogadores ser uma
equipa é precisamente a ideia de jogo colectiva, os princípios que fazem com
que em todos os momentos os jogadores interpretem o jogo da mesma forma e
tenham a mesma intenção para o colectivo. Ora se não conseguimos cimentar
uma forma de jogar ou se não usamos a que construímos não teremos essa tal “cola”
que une a equipa, teremos um grupo em que cada individuo terá intenções
diferentes que levam a comportamentos incompatíveis e ao mau funcionamento da
equipa.
A equipa deve jogar com a sua ideia de jogo, com aquilo que treinou durante a maior parte da época, com aquilo que se esforçou para adquirir. É nessa forma de jogar que os jogadores vão acreditar, pois a ideia pode vir do treinador mas são eles que a desenvolvem, que lhe dão vida e que acrescentam algo de pessoal e a tornam única. É com essa ideia de se deve enfrentar seja quem for porque se não tiverem sucesso com algo que treinam, estão habituados e em que acreditam então dificilmente terão com outra forma qualquer.

17 comentários:
Está super estimada a capacidade de adaptação, porque leva a que de forma errada se perca a identidade da equipa na maior parte do tempo.
Infelizmente acontece demasiadas vezes...
Concordo com o post. E a minha maior irritação da época enquanto benfiquista foi ver o JJ jogar para o empate no Dragão. Se tivesse jogado com a habitual dinâmica ofensiva da equipa o resultado teria sido bem diferente.
É uma "guerra" antiga esta questão das adaptações do Jesus. Lembro-me bem de ficar de cabelos em pé com o onze de Liverpool em 2010. Artigo interessante este!
Obrigado Pedro! Eu falei no JJ precisamente por essa guerra ser antiga e conhecida mas muitos outros o fazem e a minha maior desilusão foi ver o Mourinho fazê-lo, logo ele que foi com quem eu aprendi que não se faz isso.
Verdade. Por vezes pode dar certo mas não é a melhor forma seguramente.
Mas não se deve ter um modelo diferente ou capacidade para se poder alterar algumas dinâmicas durante algum jogo em que os princípios inicias não estão a resultar?
Excelente pergunta Anónimo!
Penso muito nisso até porque já nos aconteceu várias vezes enquanto treinadores. E cada vez que penso nisso lembro-me do Barcelona contra o Chelsea no ano passado... O Barcelona não ganhou essa eliminatória provavelmente porque nunca abdicou da sua filosofia e enquanto quase toda a equipa do Chelsea defendia quase dentro da área o Barcelona teve espaço para fazer uns 30 remates de meia distância, teve oportunidade de pôr gente na área e fazer dezenas de cruzamentos mas nunca o fez, provavelmente perdeu por isso mas... e tudo o que ganhou também por isso? Uma das razões para que o Barcelona jogasse tão bem foi precisamente por nunca abdicarem da sua ideia, para eles aquela era a única forma de jogar não existia outra e também por isso conseguiram praticar esse futebol como mais ninguém! Que ninguém duvide que se o Barça sempre que estivesse a perder ou a jogar menos bem recorresse a outro tipo de futebol nunca chegaria a jogar aquilo que jogava.
Depende de que tipo de alterações estás a falar, modelos diferentes nunca, alterações de algumas dinâmicas parece-me aceitável.
Existem muitas maneiras de mudar o jogo quando não está a resultar sem alterar a ideia de jogo da equipa, alterar jogadores, a simples mudança de um extremo que procura a linha por outro que procura zonas interiores para fazer combinações ou mudar um médio que privilegia o passe por outro que goste de transportar a bola e furar linhas já altera muita coisa. Alterar o sistema táctico, jogares com dois avançados ou jogares com 3 defesas por exemplo. Enfim, podes mudar muita coisa sem que a equipa perca os seus princípios. Agora mudar de uma filosofia de posse e dominio do adversário para uma filosofia de "vamos oferecer a iniciativa ao adversário e explorar o contra-ataque" por exemplo, isso não consigo aceitar.
Mas isto já é uma questão de filosofia dos treinadores, provavelmente muitos treinadores terão sucesso com mudanças mais profundas, eu defendo que se perde mais do que aquilo que se ganha com essas mudanças.
O Porto não alterou dinamicas colectivas,e foi campeão, o mesmo se observou com Estoril e Paços.
Não acredito que seja sequer possível aterares um modelo de uma equipa. Quando tu perdes 90% de uma época a preparar uma equipa com bons resultados, porquê mudá-la quando apanhas uma adversário mais poderoso?
Faz-me confusão ver tão poucas equipas a pressionar alto equipas teoricamente superiores. A pressão colectiva poderá ser dificil de treinar, mas não o é mais que por exemplo, ataque organizado. é ainda garantia de que, quando bem feita, traz aos seus adversários muitas dificuldades..
Devo dizer que não concordo inteiramente com este post. Penso que a grande virtude deste Bayern que tem demolido equipa atrás de equipa (embora hoje tenha tido um adversário que por vezes assustou) é a capacidade de adaptarem o seu estilo de jogo. Contra equipas mais pequenas é capaz de jogar como um autêntico Barcelona em posse, mas contra equipas que primam por ter a bola, revertem para um jogo muito físico e um contra-ataque imparável. Aliás os dois médios, o Schweinsteiger e o Javi Martinez são grandes exemplos disso mesmo, jogadores com uma grande capacidade física (então o espanhol!) mas ao mesmo tempo fantásticos com a bola nos pés. Capazes de passar um jogo a destruir para no seguinte criar.
Dito isto, este nível que o Bayern apresenta demorou vários anos a atingir. Antes da chegada do Javi Martinez eram uma equipa mais ao estilo do Real Madrid, mortífera no contra-ataque mas menos confortável com a bola. E ainda assim já tinham atingido duas finais da Champions consecutivas.
Anónimo gosto sempre que haja alguém com opinião contrária, dá mais riqueza a estas discussões! Permite-me discordar também do que disseste, o Bayern não é uma equipa que se adapte às outras equipas mas tem sim um modelo de jogo mais global onde gosta de explorar o contra-ataque se tiver essa possibilidade mas que sabe ter a bola e desorganizar o adversário com a sua posse quando sente que o ataque rápido já não é possivel. Obviamente que se jogar contra um adversário fraco vai ter mais bola porque primeiro a capacidade do adversário em ter a bola é mais reduzida e segundo porque adversários mais fracos jogam com o bloco mais baixo e com muita gente atrás da bola o que dificulta o contra-ataque. E claro que explorará muito mais o contra-ataque contra equipas mais fortes porque faz parte do seu modelo de jogo e porque aí sim terá espaço para isso. Isso quer dizer que eles se adaptam? Não, nunca vamos ver o Bayern ceder a iniciativa para que possam ter mais espaço para explorar por exemplo, cedem-na, em momentos do jogo, quando são obrigados como tu disseste por equipas de posse. Se têm um modelo mais versátil e isso permite variar as respostas a um dado momento do jogo? Sim, mas isso não quer dizer que se adaptem ao adversário, têm um modelo e seguem-no seja contra quem for disso podes ter a certeza.
E volto a repetir, versatilidade pode ter as suas vantagens mas também tem as suas desvantagens... Podes dizer que o Bayern tem esmagado toda gente com a sua forma de jogar mais versátil mas eu digo-te o mesmo do Barcelona que esmagou toda gente precisamente com o oposto, com a sua especificidade.
É uma questão de escolha e filosofia, eu tenho a minha e sei o porquê de a ter assim como sei sustentá-la.
http://www.youtube.com/watch?v=1qDfThaxmTU
Entrevista interessante do Pellegrin onde falar exatamente sobre isto.
Tenho para mim que o trabalho semanal de uma equipa deve sempre incidir em 3 pontos : Modelo de jogo da equipa (o foco principal e do qual nunca podemos fugir), características do próximo adversário e o que aconteceu no jogo anterior. Através destes 3 pontos estabelecer objectivos semanais. Trabalhar sempre de acordo com o modelo de jogo, não retirando nunca identidade à equipa, melhorando aspectos menos bons du último jogo e tendo em conta alguns comportamentos do próximo adversário. Treinar alguns aspectos que potenciem o comportamento da equipa perante o adversario mas que nunca se desvirtuem do modelo de jogo.
quem se adapta está mais longe de vencer um jogo, uma vez que jogará sempre em função do adversário.
PS: foi por isso que Mourinho levou 5 do Barcelona na primeira epoca.
Concordo com o que dizes Cláudio! Ontem falava com o André aka Ronaldinho sobre precisamente o que fazer durante a semana de trabalho para adaptar a nossa equipa.
Na altura estavamos a falar de uma equipa que no seu modelo pressiona alto e que durante a semana, deveria alterar o posicionamento dos seus jogadores em função da disposição dos seus adversários (i.e. o posicionamento face a um 4-4-2 não é igual face a um 4-3-3 ou um 3-5-2) mas nunca alterar o seu modelo, nunca desistir da ideia de pressão.
Cláudio, qual a importancia, numa semana de trabalho, que darias a estas alterações da tua equipa?
Peço desculpa pela demora na respostas. Na minha opinião, como referi, podemos introduzir pequenas alterações , mantendo sempre a ideia princiapal, de forma a nunca perdermos a nossa identidade. Sou totalmente contra uma equipa que pressiona de uma forma contra adversário x e muda radicalmente contra o y. É certo que se o meu adversário se dispuser num 4x4x2, a minha equipa não pressionará da mesma forma como se fosse contra um 4x3x3, no entanto, tal como dizes, nao abdico de pressionar alto, visto que é isso que defendo no meu modelo. Aquilo que posso fazer é observr comportamentos que nao correram muito bem no último jogo ( em termos de pressão) e potenciar o que faço no meu modelo, aproveitando fragilidades do adversário.
O meu modelo defende que eu pressione alto mas de forma expectante e que quando a bola entra nos laterais, faço uma zona pressionante, subindo o bloco, fechando linhas de passe e espaço circundante. No entanto, no jogo anterior, a equipa demorou muito a subir o bloco e a fechar essas linhas o que permitiu que o aversário rodasse a bola por fora do bloco. E sabendo que o próximo adversário sai a jogar pelos centrais e que estes nunca jogam nos laterais, posso estabelecer objectivos semanais que trabalhem o meu modelo e uma alternativa de pressão, uma vez que a bola nao cairá nos laterais. Posso tmb, desenvolver comportamentos que levem o adversário a jogar nos laterais, para depois pressionar como quero. Construo exercicios que atinjam estes objectivos. Passo a fazer zona expectante quando está nos centrais e fecho a linha de passe entre os centrais, obrigando o a bater logo ou a colocar no lateral.
Sim, concordo com tudo o que dizes!
O que gostava de saber era qual o volume de trabalho que dedicas ao treino da pressão! Tens um padrão, ou como dizes, depende da performance da semana anterior? Ou varia consoante o microciclo?
Eu não gosto de falar de microciclos. Eu tenho um morfociclo padrão pq a semana de treinos é uma evolução, onde tu treinas, recuperas para treinar melhor no dia seguinte, voltas a treinar etc, sempre trabalhando a organização de jogo. A pressão alta se for um sub-principio do meu modelo trabalho-a em principio à quarta feira. No dia em que trabalho a facção intermedia do "jogar". Faço um exercício em que os defesas saiem a jogar ( como o meu modelo define ) e coloco os meus 3 extremos a presionar. A configuraçao do exericio pode trabalhar mais do que um momento, mas o feedback que eu dou será mais direccionado para os 3 extremos q pressionam ( como se colocam como pressionam etc.) Nesse exercício vou ter em conta como qero pressionar ( modelo de jogo), corrigir alguns aspectos que não correram bem no último jogo e alertar os jogadores acerca da forma como o adversário sai a jogar. Crio essa situaçao no treino e dou uma sugestão, mas procuro ver como os jogadores vão decidir, porque isso pode ser determinante. Sao os jogadores que fazem evoluir o modelo de jogo.
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