Posse de bola no Facebook

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domingo, outubro 23, 2016

Criatividade, o que é isso?

- Ao receber de costas: Se estás apertado tocas de frente, se tens espaço enquadra.

A frase acima é bastante representativa da forma como é encarado o ensino. No futebol, como em muitas outras actividades, o ensino é encarado como uma forma de transformar os aprendizes em máquinas para resolver determinado tipo de problemas. O maior problema dessa forma de ensino-aprendizagem surge quando não existem problemas tipo.

"Estão em causa são dois métodos de ensino. A matemática, por exemplo, ensina-se nas escolas como estás a propor. Os alunos são incentivados a identificar o tipo de problema e a aplicar uma determinada fórmula (que decoraram previamente) para o resolver. Aqueles que são bons nas duas tarefas têm geralmente pontuações altas. Mas há muitos matemáticos que criticam este método de ensino. O prejuízo, para mim, é óbvio: preparam-se os alunos para um determinado conjunto de situações (e até conseguem que alguns alunos sejam bons a resolvê-las), mas limitam-lhes a capacidade de responder a situações imprevistas. E esses alunos, por melhores que sejam a resolver exercícios, nunca serão matemáticos de excelência. Os melhores são aqueles que aprenderam a resolver os problemas pensando neles, e não por estímulo-resposta. Os grandes génios da matemática são justamente aqueles que não desenvolveram as suas competências desta maneira, são os que, lidando com os problemas de forma mais livre, desenvolveram a criatividade pela necessidade de lhes responder de uma forma não-condicionada. Isto devia fazer reflectir as pessoas. No fundo, há 3 hipóteses: 1) ensinar os jogadores a agir segundo princípios, e ficar com jogadores com meia-dúzia de ideias teóricas na cabeça, 2) não fazer nada, deixá-los assimilar instintivamente o que houver para assimilar, e ter a sorte de ficar com dois ou três jogadores competentes, no máximo, ou 3) procurar oferecer os estímulos certos para que eles, pela própria diversidade e complexidade desses estímulos, aprendam a desenvencilhar-se, assimilando o que dificilmente assimilariam de outra maneira."

O maior entrave ao desenvolvimento da criatividade está na forma como fomos ensinados a aprender sem pensar naquilo que nos estavam a ensinar. Na verdade não aprendemos, decorámos. Porque nos disseram que apenas existe 
um conjunto de soluções para um determinado problema. Não nos deram o problema ensinado-nos a pensar sobre ele. Deram-nos o problema, a solução, e fomos assim aprovados no sistema tradicional de ensino.

Se quando a bola nos é endereçada e nós estamos desenquadrados para o jogo apenas existem duas soluções, de onde é que o Coutinho tirou isto?
Este lance, como a maior parte dos lances que acontecem no jogo, não tem paralelo a nenhum outro. Então, porquê a limitação no número de acções que se podem realizar? Porquê tipificar algo que não tem tipo, se as únicas limitações que existem são as impostas nas leis de jogo? Isto deveria fazer pensar, quem ensina, sobre o método de ensino. É difícil fugir à forma como nos foram ensinando a não pensar, e a dar como garantido que quem acima de nós nos ensina está sempre correcto; A não questionar, colocar em causa, e a não intuir. Mas o futebol como tarefa fundamentalmente cognitiva não vive disso. Nem pode viver! Quem ensina, deveria estar a pensar em ajudar os jogadores a perceber o que se passa à sua volta, no lugar de tentar dar-lhes respostas antecipadas para problemas que não vão surgir. Pensar em ajudar o jogador a perceber informação que o vai auxiliar na tomada de decisão. Quem é o colega, quantos adversários, onde estão os outros colegas, posição corporal, etc, etc, etc. No fundo dar a entender que cada acção deve ter uma intenção clara, seja ela qual for. Deixar a criança fazer o seu caminho, as suas escolhas; Entender as diferenças entre elas, não querendo fazer de todas iguais.

sábado, setembro 24, 2016

Miudos atrevidos

«Gelson está num período de forma espetacular. Praticamente sozinho partiu e deu cabo da defesa do Estoril. Está num momento muito forte, quebra qualquer lateral-esquerdo. Sabem que ele o merece, não há cá ninguém como ele, em Portugal. Mas ainda está numa fase de aprendizagem. Está num pique de forma. Que saiba viver este momento. É um miúdo, está a crescer em termos técnicos, táticos mas também musculares: está há um ano a fazer trabalho específico, cada vez está um jogador mais competitivo»

Ser treinador é promover talento, é elogiar o talento e proteger quando o talento não se expressa. JJ aqui, foi mais longe e começou já a proteger Gelson. Fazer um jovem crescer é isto.

Gelson está neste momento num contexto que o pode projectar para níveis muito elevados. Mas é preciso que o deixem crescer e errar, para que perceba como jogar em função do contexto do jogo de futebol.

segunda-feira, setembro 19, 2016

Votar no Lateral Esquerdo

De mais de 2000 nomeações o Lateral Esquerdo é um dos quatro nomeados na categoria de Desporto dos Blogs Do Ano, iniciativa da Media Capital. As regras são simples, cada pessoa pode votar uma vez a cada 24 horas. Contamos com o vosso apoio!

Votem, AQUI!!!! Ou usem o link no canto inferior esquerdo da página do blog.

segunda-feira, agosto 15, 2016

O treino...

Sempre o treino como principal responsável pelas escolhas que hoje se fazem para o jogo. Quando se pensa que os melhores chegam e jogam, não é bem assim. Depende de uma data de factores, do estado da equipa, do adversário que vai defrontar, e sobretudo do treino e da identificação que o jogador tem das ideias do treinador. No passado sucedeu o mesmo com Jonas, numa altura em que o próprio treinador já afirmava que ele era o seu melhor jogador. Preterido no Dragão por Jorge Jesus, onde alinhou Talisca, por não ter ainda a relação táctica que se pretendia para um jogo com aquela exigência.

Guardiola explica o porquê de ter preterido de Joe Hart neste jogo, ainda que tal não signifique que essa situação se mantenha durante a época.

quinta-feira, julho 28, 2016

Estica!!! Assim se apelidam os "novos" princípios de jogo de Guardiola!

Guardiola! O mesmo treinador, com os mesmos princípios adaptados de forma diferente. Ainda que muitos tenham ficado com a ideia de que futebol só se joga com passe curto, e apenas dessa forma se deve colocar o adversário fechado no último terço. Ainda que muitos continuem a achar que há só uma forma segura de progredir. Ainda que muitos tenham ficado sem perceber que há vários caminhos para chegar ao mesmo destino, dentro da mesma ideia. Se há condições para fazer a equipa subir, e construir de uma posição mais adiantada, sem com isso comprometer de forma acentuada a manutenção da bola, por que não o fazer? O melhor treinador da história mais uma vez demonstra que dá para fechar o adversário lá em passe curto, ou em passe longo. Quando muitos de nós defenderiam que a bola deveria ter entrado no lateral direito. Não era mal jogado, mas também dá assim:



No pormenor o trabalho inVISÍVEL de Guardiola a "brincar" com a basculação defensiva do adversário

segunda-feira, julho 18, 2016

Renato Sanches, um estudo sem qualquer significado. Contextos de exigência máxima.

Não sou da opinião que Renato é um jogador que se faz valer da condução como seu melhor atributo. Para mim, o que ele tem de verdadeiramente especial é o facto de olhar sempre para frente em primeiro lugar. Ou seja, a primeira coisa em que pensa é na baliza adversária. Não perde uma possibilidade para enquadrar, para jogar para a frente, para fazer a equipa ganhar metros. A forma como se mostra constantemente, e nunca se esconde é outro factor de destaque. A facilidade com que enquadra, bem como o numero reduzido bolas que perde quando pressionado nas costas, só é possível pela agilidade que tem.  Também tabela, também procura o apoio frontal, e quebra linhas com passe vertical.  É um miúdo que tem erro, claro. Nem podia ser de outra forma. Tem erros de decisão, tem erros de execução. Mas também tem acerto e também consegue com acções positivas em situações difíceis colocar colegas ou a si próprio em melhores condições. Não é o estilo de jogador que mais aprecio por não ser um grande criativo. Poderá crescer por forma a confirmar o seu potencial, ou não. Mas nunca se poderá dizer que não tinha nada de especial para lá da sua robustez. Longe dos melhores do mundo, mas com potencial para se afirmar no corredor central de um grande.

Renato em Munique, contra o Bayern de Guardiola.

1) Utiliza Gaitan para tirar o adversário do caminho em tabela. Depois, usa a desmarcação do mesmo para conduzir em direcção ao corredor central, tirando com isso a possibilidade de intervenção a dois adversários que se aproximavam. Bem a solicitar Jonas no apoio frontal, e a oferecer  de imediato uma óptima possibilidade de passe assim Jonas o entendesse.

2) Recebe de costas (para a baliza adversária), percebendo que não havia possibilidade de enquadrar joga no mais seguro. Poderia aqui ter optado por um passe para Fejsa ou Lindelof uma vez que Lewa já antecipava o passe para o GR.

3) Má recepção, e perda de bola. Não era uma situação fácil, porém.

4) Recebe enquadrado e solicita Mitro no espaço, obrigando a linha do Bayern a baixar alguns metros.

5) Recebe no corredor lateral, apertado com apenas uma possibilidade de passe. Opta por não utilizar essa solução, tentando livrar-se do adversário directo. Não consegue, joga em segurança.

6) Recebe enquadrado, joga no apoio frontal.

7) Após recuperação da bola numa bola parada, e sem soluções de passe, guarda e provoca o contacto. O adversário acaba por cortar para fora.

8) Recebe apertado nas costas, mas com a sua capacidade física consegue livrar-se do adversário, enquadrar e progredir. Depois, má decisão. Deveria ter utilizado Jonas para dar continuidade ao lance, tendo em conta o número de adversários que tinha atraído sobre si.

9) Recebe apertado, e mais uma vez a sua capacidade física permite-lhe proteger a bola, ganhando dessa forma tempo para tomar a melhor a decisão e decide em conformidade.

10) É solicitado desenquadrado, e percebendo a aproximação do adversário devolve de primeira.

11) De primeira enquadra Gaitan para a linha defensiva, ainda que estivesse pressionado.

12) Novamente de primeira, e novamente a colocar Gaitan numa situação muito favorável, mesmo com pressão à volta.

13) Recebe enquadrado, conduz um pouco para perceber soluções de passe adiantadas. Percebe que as possibilidades são poucas e toca no corredor lateral.

14) Recebe de Pizzi depois de uma recuperação de bola que se desmarca. Segura e devolve em Pizzi que fica numa situação muito vantajosa, com muitos jogadores batidos pela acção dele e de Renato. 

15) Recupera, protege utilizando o corpo, e ganha falta.

16) Recebe e quando se preparava para enquadrar escorrega. Perde a bola.

17) Recebe numa situação sem grande potencial no corredor lateral, e consegue descobrir Jonas dentro da área com um passe por alto.

18) Desenquadrado e pressionado, tenta jogar de primeira em Pizzi. Boa decisão, mau passe.

19) Recebe de Pizzi de costas, sem pressão percebe que pode enquadrar e joga em Jonas no apoio frontal.

20) A bola é-lhe endereçada em más condições, e mesmo assim e com a pressão consegue de primeira colocar jogavel em Gaitan.

21) Pressionado e de primeira, coloca em Jonas no apoio frontal.

22) Recebe pressionado, e devolve.

23) Recebe pressionado um passe pelo ar, tenta fazer-se valer da sua capacidade física para proteger a bola e perde o lance. Má decisão.

24) Recupera e de imediato inicia o contra-ataque, elimina um adversário em condução e sofre falta. Levanta-se e dá seguimento ao jogo.



Renato em Paris, na final do Campeonato da Europa.

1) Recupera a bola e jogar em João Mário, apesar de ter sido Ronaldo a ficar com a bola, era o colega melhor colocado para dar seguimento ao lance.

2) Má recepção, e perda de bola. Ainda que o lance não fosse fácil pela aproximação de Matuidi.

3) Recebe pressionado, e entrega em segurança.

4) Recebe novamente pressionado, não consegue proteger a bola e o defesa corta. Tenta de imediato aproveitar o movimento de Adrien e lança rapidamente a bola.

5) Recebe sem pressão e enquadra, poderia ter conduzido mas opta bem por não o fazer. A bola seguia e bem para Ronaldo no espaço dando início à transição ofensiva, no entanto Ronaldo que já estava limitado e trava o seu movimento dando a impressão que Renato erra o passe.

6) Recebe no corredor lateral, conduz de fora para dentro. Chama a si Matuidi e coloca em Adrien numa posição mais adiantada.

7) Má recepção e perda de bola.

8) Recupera e inicia a transição ofensiva em condução. Má decisão. Deveria ter colocado a bola nos colegas que se desmarcavam pela esquerda, e continuar a desmarcação sem bola. Quando percebe que já não consegue avançar roda e toca em Adrien atrás.

9) Má decisão. Recebe no corredor lateral e inicia o movimento interior. Deveria ter deixado em Nani e desmarcado em direcção à baliza. Opta por continuar a conduzir e acaba por jogar em Adrien.

10) Recebe no corredor central enquadrado, segura e joga em Raphael.

11) Recebe de Quaresma enquadrado, e tenta variar para Nani do lado contrário. Aqui, talvez pudesse ter aproveitado a posição de Adrien atrás dos médios franceses.

12) Recebe, enquadra, sem possibilidade de progressão prefere a segurança e joga e William.

13) Recebe de frente para o jogo, e jogo para Raphael no corredor lateral. Mostra-se como linha de passe e a bola lhe é devolvida. Roda e coloca em William em segurança.

14) Recebe de costas e devolve em segurança.

15) Recebe pressionado e devolve. Simula que vai e volta-se a mostrar, ganhando espaço para enquadrar. Recebe novamente, enquadra, e joga em William numa posição mais adiantada.

16) Recebe, enquadra, conduz e procura Nani no apoio frontal. Nani deixa-se antecipar.

17) Recupera e de imediato inicia a transição ofensiva solicitando Nani em apoio frontal.

18) Recebe de João Mário e joga em segurança.

19) Recebe de costas, enquadra, tira Pogba do caminho, e ainda Matuidi com o passe para Quaresma.

20) Enquadrado e com pouca pressão solicita Adrien de primeira, em apoio frontal.

21) Recebe de João Mário e com espaço conduz. Sem grande velocidade, e talvez a espera que Nani se mostrasse em apoio frontal. Tal não acontece, e Matuidi acaba por conseguir tirar-lhe a bola.

22) Mau passe. Tabela com João Mário, mas o passe foi mal executado.

23) Recebe de costas e pressionado, devolve.

24) Solicitado de costas e pressionado, devolve de primeira.

25) Recebe, enquadra, e solicita João Mário em apoio frontal.

26) Recebe com espaço e conduz sem grande velocidade equacionando soluções, opta por Quaresma que deixa passar para Cédric.

27) Recebe e toca para Adrien.

28) Toca de primeira de costas e pressionado.

29) Recebe, enquadra, ataca o espaço sem grande velocidade. Procura por soluções, simula que vai para trás e engana Griezmann conseguindo abrir uma linha de passe segura para William, mais adiantada.

30) De costas e pressionado toca de primeira para Cédric.

31) Recebe no meio da pressão e varia o centro de jogo para onde há mais espaço.

32) Recebe no corredor lateral em velocidade e tenta fazer-se valer da sua capacidade física para ultrapassar o adversário directo. Perde a bola.

33) Recebe de João Mário, roda e varia o centro de jogo.

34) Recebe pressionado e joga em segurança. Mostra-se novamente para receber, enquadra e solicita João Mário no apoio frontal.

quinta-feira, julho 14, 2016

Podence: O paradoxo Jorge Jesus.

Daniel Podence é o jogador que Jorge Jesus adora. Com características individuais marcantes, porque cada vez que toca na bola não deixa ninguém indiferente. Os seus traços individuais fazem-se notar até para os mais distraídos. Seja a agilidade e o baixo centro de gravidade que lhe permitem realizar movimentos entre os adversários, nos espaços reduzidos, como o fazem os baixinhos que tanto nos apaixonam. E também permite que proteja a bola e seja difícil de o desarmar, de tal forma que alguns adversários acabam por se frustrar e recorrer à falta. Seja a velocidade a que conduz, a aceleração repentina, a facilidade com que trava e muda de direcção mesmo em velocidade, sem nunca perder o controlo da bola. A inteligência com que procura os espaços em apoio ou em ruptura, a forma como se coloca para receber facilitando a recepção orientada, e com isso o enquadrar com a baliza adversária. Tem demasiado talento para ser ignorado, e é impossível ficar indiferente ao menino.

Daniel Podence é o jogador que Jorge Jesus detesta. É um puto imberbe, e de personalidade forte. Não cresceu o suficiente para que se possa impor em competição, e por isso será muito difícil que se imponha no onze do Sporting. Não é forte nas bolas divididas, não desarma com facilidade e agressividade. Perde constantemente a primeira bola, e quando o adversário o pressiona de costas também. Não tem peso para jogar contra a agressividade, e para fazer parte da equipa quando o treinador e o jogo ditarem um jogo de primeiras e segundas bolas. É mais um jogador selvagem que terá de domesticar, e fazer crescer do ponto de vista muscular. Poderá ser mais um daqueles que será impossível retirar do plantel porque todos estão de olhos postos nele, mas à medida que não for jogando, que não for sendo chamado para as convocatórias, que a confiança for descendo, será mais um daqueles casos em que o treinador terá razão em ter achado que não estava preparado.

Será ou não aposta de Jesus? Só o tempo dirá para que lado irá cair a moeda desta vez.

sábado, julho 09, 2016

Equipa do Euro

O sistema e o modelo de jogo são o alemão, portanto 1x4x3x3. O treinador é Joachim Low, e o treinador adjunto António Conte.

GR - Buffon
DC - Bonucci
DC - Chiellini
DE - Raphael Guerreiro
DD - Giaccherini
Mdf - Modric
MO - Iniesta
MO - Ozil
ExtE - Payet
ExtD - Bale
AV - Griezmann

Suplentes: Lloris, Hummels, Joe Allen, Kroos, Ramsey, Eder, Mario Gomes

Faça também a sua equipa, e deixe questões sobre o jogo para respondermos aqui, e para fazermos a ante-visão do jogo amanhã na Fnac do Chiado. Começa as 19:45, apareçam para trocarmos ideias a qualquer altura antes, durante, ou depois do jogo.