Posse de bola no Facebook

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segunda-feira, janeiro 25, 2016

Posse de Bola no processo ofensivo

Guardiola é o treinador que mais nos marcou, pela forma como o seu futebol se aproxima da baliza adversária com uma segurança tal que permite defender-se de quase todas as tentativas de contra-resposta adversária. Mas, na maior parte do tempo, a sua equipa sempre utilizou a bola com o objectivo de conquistar melhores condições para atacar a baliza adversária. Espaço. É disto que se trata. Conquistar espaços. O futebol era alucinante, e se foi o melhor que já vi é porque cumpria escrupulosamente com os principais princípios ofensivos do jogo. Penetração. A posse por posse apareceu depois do resultado. Para descansar, para gerir ritmos, para gerir o adversário. Mas no resto do tempo o foco é a baliza. Há quem diga que ele é um fundamentalista do estilo. Concordo. Do estilo que visa criar melhores condições para... E se as condições já estiverem lá?

Numa altura em que se falava numa nova revolução no jogo com o seu fabuloso 1x3x4x3 losango, num jogo onde a posse de bola foi de uns incríveis 83%, o foco foi sempre jogar o que o jogo pede. Nem posse nem transições. Atacar consoante o contexto. 

sábado, janeiro 23, 2016

Conhecimento do jogo. Inteligência.

Começam a escassear palavras para descrever João Mário. Em tempos, Ruiz disse que o médio português foi o que mais o impressionou no Sporting. Pela qualidade, mas sobretudo pela humildade com que bebia do conhecimento que o treinador tem para lhe dar. Ouve, pensa, percebe, executa. O jogo que Jesus lhe pede o beneficia à toda linha. Mas tal não seria possível sem a qualidade que João Mário sempre teve. Não só como jogador, mas também na sua formação como homem. É na humildade de quem reconhece que tem que melhorar, que tem que aprender, que tem que aperfeiçoar-se, que se percebe o jogador que é hoje. Ambição é isso. Não é querer ser o mais notado. É querer ser melhor. A tudo isso alia grande entendimento do jogo. Conduz, fixa, solta. Segura. Entrega de primeira. Vai para cima. Procura as melhores soluções. É hoje muito mais agressivo, por perceber melhor para onde, quando, e como deve ir. Entrega a notoriedade aos colegas por tomar quase sempre as melhores decisões. E é também criativo, com qualidade para executar o que imagina. Impressiona a forma como gere os ritmos da equipa com bola. Neste momento, como em muitos períodos da época passada, é o melhor jogador português a jogar em Portugal. 

É difícil imaginar um europeu em França sem Moutinho (o verdadeiro) e João Mário, atrás de Bernardo, Nani, e Ronaldo. 

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Peseiro, terá assim tantos problemas defensivos?

Um dos principais problemas que assombra José Peseiro é a associação constante das suas equipas a problemas defensivos. Pelo número de golos que sofria, pelo número de jogos em que sofria, pelos jogos que dominava e depois acabava por perder ou empatar. Sim. Uma realidade no Sporting, mas bem diferente por exemplo em Braga. Mas, desde sempre foi tentando encontrar sustentabilidade defensiva para a forma como idealiza o ataque. Por esses motivos, mesmo na sua última passagem por Portugal quando devastou a competição enquanto teve os seus melhores jogadores disponíveis, praticando o melhor futebol da liga de muito longe, foi afastado e mais uma vez associado à processos pouco seguros e eficazes. Normalmente, quando se olha para o treinador, olha-se muito para o resultado, e pouco para o processo. Ninguém, por exemplo, se lembrou que a onda devastadora de lesões que teve levou a uma sucessão de erros individuais que colocavam constantemente o trabalho do treinador em causa. Mesmo perante os próprios jogadores. E que isso leva a dinâmicas dentro e fora do campo que o vão afastando dos lugares de notoriedade de outros. Com isto não se pretende afirmar que Peseiro é fabuloso no momento defensivo, mas lembro que numa altura em que Jesus sofria golos praticamente em todos os jogos por aqui já se afirmava com veemência que os seus processos defensivos eram do melhor que este mundo tinha visto. Então a que se deve, por exemplo, agora no Sporting, permitir que se criem situações de 1x0? Primeiro deve-se dizer que também no Benfica essas situações aconteciam. E se não eram desse tipo, eram de outro. Permitia uma, duas ocasiões por jogo. Porque o adversário também joga, porque não há soluções defensivas para todos os problemas ofensivos, e porque são os jogadores a interpretar e a colocar em prática o que o treinador transmite. Certamente que se fosse o treinador a executar sairia tudo como ele quer (ou não). Mas não o é. Os jogadores é que jogam. 

Peseiro terá no Porto a oportunidade de colocar tudo o que pensa sobre o jogo em prática. E terá, finalmente, a possibilidade de se afirmar perante quem ainda o vê como incompetente como um fantástico treinador. Dirão, depois, que é hoje um treinador diferente nas ideias do que quando passou por Braga. Relembro (Aqui) um um artigo antigo do blogue, e (Aqui) a primeira parte da mesma análise. A curiosidade será para perceber como é que Peseiro vai enquadrar o seu 1x4x4x2 losango no Porto, ou se irá alterar o sistema tendo em conta que tem à sua disposição os melhores extremos do campeonato (ainda que esses tenham facilidade em jogar por dentro, em partir de posições centrais). De uma forma, ou de outra, certamente que em alguns meses o futebol ofensivo do Porto será o melhor que este campeonato verá. 

quinta-feira, janeiro 14, 2016

Valorização do jogo como um todo

No futebol o objectivo é marcar mais do que o adversário. E tendo isso em conta, uma equipa que não procure por esse objectivo - marcar -, como parte qualquer de uma estratégia para o jogo, diz-me que essa equipa está mal preparada para o jogo. Mas há mais, no jogo, do que a procura do golo. Só há uma bola. E quando não a tens, ela está em posse do adversário. A ideia de que é fácil valorizar momentos defensivos como parte integrante do jogo parece-me descabida. A ideia de que qualquer treinador minimamente competente consegue operacionalizar um plano defensivo de qualidade, também me parece descabida. O que me parece certo é que criar uma ideia de jogo ofensivo de qualidade é mais difícil do que criar uma ideia defensiva. Mas tal não significa nunca que é fácil defender bem. 

Por muitos factores que não se podem controlar, o treino deve ter uma parte defensiva fundamental para a ideia de jogo ofensiva de cada treinador. Assim, dessa forma, quando os erros técnicos se somarem e a eles se seguirem perdas de bola; quando a tomada de decisão não for adequada e o adversário recuperar; se o adversário for muito superior do ponto de vista individual e nos roubar a bola; se o estado anímico não for o melhor e a equipa não conseguir ter bola; a equipa estará ainda assim preparada para jogar defensivamente com qualidade. É esse o trabalho do treinador. Tentar criar, e tentar impedir que o adversário crie. Sabendo que não há fórmulas defensivas para todos os problemas que o ataque cria, ainda assim se pode reduzir bastante as hipóteses de sucesso do ataque. E sim, não acabar como Moreno e Milner no lance que se segue. 

https://streamable.com/b9zt

O que defender? Como defender?

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Curtas do início do ano

O que Marco Silva está a fazer na Grécia é notável. Soma por vitórias todos os jogos que jogou no campeonato até ao momento (16), com uma tremenda média de golos marcados e pucos sofridos. Assim como Paulo Fonseca que saiu mais rico depois da experiência num grande, Marco prepara-se para regressar em força da próxima vez que assumir um grande desafio. Por vezes, o momento e o contexto não são os indicados para o treinador ter sucesso. Porém, com a humildade para se aprender em cada experiência negativa o resultado é sempre positivo. Não me lembro de uma equipa nas Ligas europeias com um recorde destes, em tantos jogos, nos últimos anos. 

O Sporting entra no novo ano líder, com justiça. E é líder, sobretudo, porque conseguiu superiorizar-se aos rivais no confronto directo. Em matéria de pontos contra os pequenos está tudo muito igual. Como afirmei no início da época, o campeão este ano não vai fazer muito menos pontos que o anterior, e faltando duas jornadas para a primeira volta terminar a pontuação dos grandes reflete isso mesmo. De resto, o Sporting fez os melhores jogos contra os grandes, e teve mais dificuldades contra equipas de menor dimensão. Aí, pela menor qualidade individual do adversário, e por este se fechar no último terço, tem tido imensas dificuldades em encontrar espaços para criar.  Sem espaço, nota-se muito a dificuldade de execução, e de tomada de decisão dos jogadores leoninos. Alguns destes problemas podem ficar resolvidos com a entrada de Bruno César para o onze (tem um contra um; tem qualidade técnica no passe e na condução; tem finalização; e tem uma morfologia e capacidades físicas que lhe facilitam jogar nos espaços reduzidos), e sobretudo de Ruiz para o corredor central. Ruiz ganha com isso espaço para combinar com toda a equipa, e para se tornar a grande referência dos desequilíbrios entre sectores. Nota-se uma grande diferença de processos para o ano anterior, e isso é reflectido com um maior número de pontos que na época passada. 

O Porto de Lopetegui mostra pouca evolução de uma época para outra, no que diz respeito ao modelo de jogo da equipa. Os movimentos ofensivos são basicamente os mesmos, o aproveitamento do corredor central desapareceu sem Oliver e Jackson, os desequilíbrios individuais caíram sem Danilo e Alex Sandro. Porém, o treinador do espanhol continua a ser o que tem a grande vantagem relativamente aos outros, e para quem quiser ver, essa vantagem está reflectida na pontuação. Se o Porto hoje tem mais pontos que na época anterior, tal deve-se ao facto do treinador conhecer melhor os jogadores (pelo menos metade do onze inicial) que os adversários. Tem também maior conhecimento das características do campeonato, maior enquadramento com o contexto do clube. E por isso, ainda que tenha menos qualidade, fez mais pontos do que em igual período do ano passado. Continua, para mim, a ser o grande candidato ao título. 

O Benfica de Rui Vitória parece ter encontrado estabilidade ao nível de resultados para crescer do ponto de vista das ideias do treinador. Sabendo-se da dificuldade que era substituir um treinador que teve muito sucesso nos anos anteriores, a pressão é imensa. Ainda assim, para já, não mostrou qualidade de jogo em nenhum momento de jogo particular para que possa dizer que houve grande evolução desde o início da época. Não obstante disso, e por ter mais qualidade que a esmagadora maioria das equipas, não vai ser tão cedo afastado da luta pelo campeonato. Alguns regressos de lesão poderão ser o catalisador para uma entrada em 2016 melhor que a saída de 2015. 

O Braga de Paulo Fonseca, e o Setúbal de Quim Machado, são as equipas mais interessantes para seguir tendo em conta a sua ideia de jogo. Um jogo ofensivo. Um jogo que privilegia o passe curto como principal factor de desequilíbrio do adversário. Um jogo que tenta aproveitar o corredor central, e a partir daí seguir para os espaços livres. Quim Machado já me tinha deixado uma boa imagem do Feirense, onde apostou em Diogo Rosado. Agora de regresso à primeira liga, parece ter encontrado o contexto ideal para aproveitar as suas melhores ideias. 

O Leicester é a maior surpresa dos grandes campeonatos da Europa. E é-o como muitos já o foram. Sem um modelo de jogo capaz de os manter no caminho dos bons resultados, também cairá como muitos caíram quando o balão de motivação desses mesmos bons resultados terminar. Nem o jogo directo que promove carece de cuidados especiais no treino. E quando assim é, quando uma equipa é aquilo que os jogadores fazem dela, o destino fica normalmente traçado. Tenho sérias dúvidas que consigam ir à Europa, através dos lugares do campeonato. 

Mourinho sai do Chelsea após a sua pior prestação num clube. Como fomos dizendo por aqui, Mourinho está cada vez mais perto de outros treinadores pela forma como orienta o seu jogo. E por isso, ganha e perde como eles. Não é regular o suficiente para ser um coleccionador de títulos como foi no passado. Claro que a classificação do Chelsea não reflecte a qualidade actual de Mourinho como treinador, e resulta como um castigo muito duro para a mudança de paradigma que ele próprio promoveu na sua concepção de jogo. 

A Fiorentina de Paulo Sousa continua na luta pelo título em Itália. Mérito do treinador português pelas ideias de grande qualidade que tenta implementar. Ainda que com a dificuldade acrescida por não ter a qualidade que os seus processos merecem. O campeonato italiano é hoje bem mais interessante graças a ele, e ao Nápoles de Sarri. Outro treinador com ideias de grande. E por isso, percebe-se a classificação das duas equipas. Parece-me que neste momento Sarri está mais preparado para os quatro momentos de jogo. Mas sendo que não é o que goza da melhor qualidade individual, fica difícil de prever o desfecho do campeonato. 

Importante continuar a seguir a evolução do Fenerbahce de Vítor Pereira, do Tottenham de Pochettino, do Everton de Martinez, do Celta de Vigo de Berizzo, o United de Van Gaal, o Liverpool de Klopp. Sem nunca perder de vista Guardiola, Tuchel, e o Barcelona de Luís Enrique. 

Ps: Zidane herdou o trabalho mais difícil do mundo. 

sábado, dezembro 26, 2015

A história do jogo

Seguramente que as coisas mais faladas por aqui, e pelo Lateral Esquerdo, são aquelas que se acha que estão sob controlo do treinador. A análise é sobre a qualidade táctica das equipas dentro do jogo, sobre as regularidades e irregularidades ao nível dos comportamentos colectivos que cada equipa demonstra, sobre a forma criteriosa como o treinador escolhe os seus jogadores em função da sua ideia de jogo, sobre a forma como no treino se operacionaliza ou não a ideologia de jogo, sobre a forma que o treinador coloca a sua equipa estrategicamente para atacar e defender, sobre posicionamentos e dinâmicas posicionais, sobre a relação que cada jogador tem com aquilo que o treinador lhe tenta passar.

Porém, cada jogo tem uma história bem particular. Aquele momento específico vive de muitos imponderáveis a que muitas vezes damos menos atenção. O momento específico de cada equipa. A pressão externa ao jogo. A pressão interna do jogo. A melhor ou pior relação do treinador e da equipa com a imprensa. A maior ou menor confiança dos jogadores nas suas capacidades e no modelo de jogo (pelos resultados anteriores). As divergências entre a equipa técnica e à direcção. A forma como cada equipa encaixa na estratégia do adversário. O público. Etc, etc, etc. Estes são apenas alguns exemplos de factores que influenciam o jogo, e que, por serem os mais diversos tornam-se difíceis de descortinar dentro de cada contexto específico.

Hoje, o Manchester perde com o Stoke. Os adeptos cantam por José Mourinho, depois de toda especulação que tem havido aquando da sua saída do Chelsea. O que os adeptos se esqueceram, hoje, foi que este jogo, neste contexto particular, teve uma história. Uma história que começou com um erro individual tremendo de Depay, que ofereceu o primeiro golo ao Stoke. Esse golo caído do céu, galvaniza as bancadas da equipa da casa, galvaniza os jogadores por estarem em vantagem sobre o United, e tem o efeito exactamente oposto na formação de Van Gaal. Uma equipa já muito pressionada nos últimos tempos pelos resultados que não consegue e consequente queda na classificação, pela imprensa que especula sobre a posição do treinador, pelos próprios adeptos que idolatram um outro treinador agora livre para assumir o comando da equipa; onde os jogadores não estão muito confiantes na sua própria qualidade, onde desconfiam da qualidade das ideias tão criticadas do seu modelo de jogo, onde o treinador se mostra inflexível ainda que as coisas não corram bem nas suas ideias. Consegue-se imaginar a descrença dos jogadores ao sofrer um golo deste tipo?

Por aquelas cabeças só deviam estar a passar coisas do tipo - Não há nada que esteja ao nosso alcance para mudar isto. Já nos acontece tudo. Podemos estar aqui a correr noventa minutos que não os vamos conseguir superar. Nem dez minutos passados e sofre o segundo golo no seguimento de um lance de bola parada. E o jogo para Van Gaal acabou aqui. O colapso mental dos seus jogadores estava completo. A instabilidade e a insegurança reinam a partir daqui. Poderia estar no balneário com eles com as melhores estratégias de motivação existentes que, naquele momento específico, tendo em conta todo o contexto que o rodeia, os jogadores não lhe iriam dar uma resposta à altura do desafio que estava colocado. E isso notou-se sempre na linguagem corporal dos jogadores. Nos erros que se sucederam, na forma pouco contundente/exuberante como executaram, no tempo que demoraram a decidir cada lance pelas dúvidas todas que assombram os seus pensamentos. Seguramente que o treinador terá a sua quota parte de responsabilidade em cada momento negativo que a equipa vive, assim como tem a sua quota parte de mérito nos momentos positivos. Mas, lá dentro mandam eles e a cabeça deles. E hoje, como quase sempre, quem ganhou foram os jogadores do Stoke e quem perdeu foram os jogadores do Manchester.

José Mourinho é outro caso deste tipo de dinâmica negativa ao nível dos resultados, assim como Klopp o foi no Dortmund na época anterior, e muitos outros treinadores o são ao longo do tempo. Desde o alto rendimento ao distrital.

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Será preciso mais do que jogar futebol.

A sorte jogará um papel fundamental no futuro das equipas portuguesas nas provas da UEFA. Com o tipo de adversário que saiu a cada uma das equipas prevê-se dificuldade máxima em todos os jogos das equipas que restam nas provas europeias. Pela diferença de argumentos individuais, bem como pela forma como as virtudes dos adversários encaixam nos defeitos das equipas portuguesas.

O Benfica defronta o Zenith. Poderá pensar-se que saiu um adversário não tão forte, tendo em conta os que estavam disponíveis no sorteio. Porém, sendo que o Zenith é muito superior do ponto de vista individual, a forma como os russos se organizam em campo é o que pode despoletar todos os erros da formação de Rui Vitória. André Villas-Boas já não quer que à sua equipa tenha a bola e seja dominante. Limita-se a esperar pelo erro, e tem jogadores muito fortes a aproveitar os espaços para contra atacar. Com o Benfica a ter bola, o Zenith pode aproveitar a falta de capacidade para defender com poucos em muito espaço, bem como a demora que a equipa tem a reorganizar-se nos momentos seguintes à perda da bola. O Zenith sente-se confortável sem construir, não o faz com qualidade, e isso aliado a alguns posicionamentos defensivos pouco agressivos e assertivos explica muito da fraquíssima prestação no campeonato Russo até então.

O Porto cai da Liga dos Campeões e vai ter um jogo do nível da prova máxima da UEFA. O Dortmund de Tuchel é uma das equipas mais encantadoras do momento, e o é a jogar predominantemente em organização ofensiva, e organização defensiva. Tem melhorado de forma gradual a transição defensiva, mas é em organização defensiva que se percebem os principais problemas. Mas, é esse precisamente o momento do jogo que a equipa de Tuchel menos joga em termos de percentagem. Sabendo do tipo de jogo que o Porto faz, preferencialmente por fora, ficará nas mãos do treinador preparar uma estratégia de pressão não para conter, mas para roubar a bola ao Porto. E é precisamente contra equipas que querem ter a bola que o Porto se sente mais desconfortável. O legado de Mourinho Villas-Boas e Vítor Pereira continua muito vivo na cultura do Porto.

O Sporting terá o desafio mais difícil da época contra este Leverkusen. Apesar de não estar a passar pelo melhor momento, se voltar aos princípios suicidas que nos habituou Schmidt poderá levar uma vitória confortável sobre o Sporting. A grande mudança do Leverkusen tem para mim a ver com a forma como deixou de pressionar, e pressionando o Sporting ficará à despida a falta de qualidade individual da equipa para discutir duelos desta natureza. A pressão asfixiante que desapareceu e o contra ataque - ataque rápido - eram as maiores armas da equipa alemã.

O Braga, do qual não conheço o adversário, poderá restar como único sobrevivente desta eliminatória, pensando que o Sion não será superior individualmente. 

quinta-feira, dezembro 10, 2015

A estratégia, o mérito, e a esquizofrenia em que o futebol ainda vive

Se o futebol,  que adora ironia, tem premiado com a vitória e consequente passagem à fase seguinte a equipa do FC Porto, ficaria nas bocas do mundo o banho táctico e a genialidade de Lopetegui na estratégia que montou para Londres. O mundo do futebol é mesmo assim. Esquizofrénico. E teima em avaliar cada acção pelo resultado dela e não pela percepção do seu sentido, ainda que cada acção dependa de inúmeros imponderáveis que raramente são equacionados. No futebol, esquizofrénico, a equação é do mais simples que há: ganhou, génio ; perdeu, fraco. O mérito que o futebol continua a atribuir à todo tipo de estratégia, sem raciocinar sobre o aumentar ou reduzir da probabilidade de correr bem ou mal, é a maior prova de que há muito pouca gente a pensar verdadeiramente o jogo. A gente, a nossa gente do futebol, confunde a possibilidade de correr bem ou mal com a probabilidade. E é por isso, e isso só, que interessa apenas o resultado final, para que não se tenha que pensar muito sobre o que se passou, ou pode passar,  em campo. 

Ontem, a estratégia vulgar e bem conhecida no mundo do futebol,  que tantas vezes foi elevada à condição de génio, foi utilizada por Lopetegui e falhou. E também Lopetegui parece confundir possibilidade com probabilidade. Havia possibilidade de correr bem, mas tal não significa que a probabilidade de ganhar fosse maior que a de perder ou empatar. O Porto entrou num 5-3-2 que nunca havia tentado antes. Lopetegui justificou a estratégia pela surpresa que iria causar no Chelsea, para parar a sua transição ofensiva, e ser o Porto a sair em transição. O que Lopetegui não pensou foi que, se o Chelsea marca primeiro, toda a estratégia trabalhada durante a semana cai. E depois? Se sofre um golo no primeiro ou segundo minuto, por mérito ou não do adversário, ficam 89 minutos (ou pelo menos 44) onde a equipa fica perdida sobre a estratégia trabalhada e sem saber como se adaptar a essa mudança que o jogo pode trazer. O que vai na cabeça de um treinador quando desenha uma estratégia que pode morrer no primeiro minuto de jogo?  Nas suas palavras, e nas palavras dos jogadores, percebeu-se o falhanço de uma estratégia por o jogo ter seguido um rumo normal - golo sofrido. Que raio de pensamento estratégico é esse? Podemos ir mais além e dizer que, Lopetegui não pensou que colocar mais gente atrás para parar a transição ofensiva do Chelsea não lhe ia nunca conferir possibilidade de sair em transição como queria, porque o Chelsea não se expõe a isso. Está muito habituado a atacar sem riscos, e como tal, num jogo desta natureza e desta importância, muito dificilmente se deixaria surpreender e meter muitos à frente da linha da bola descurando os espaços atrás. Podíamos ainda pensar que, mesmo conseguindo sair, o Porto tinha tão poucos à frente que muito dificilmente conseguiria ter êxito na transição ofensiva. E por último, dizer que, Lopetegui achou que para ganhar ao Chelsea deveria jogar como o Chelsea joga há três anos, num sistema de jogo diferente do que utiliza ou utilizou até ontem, e não como o Porto tem jogado desde que ele é o comandante da equipa. E só por aí se percebe o pouco valor da estratégia, ao submeter os seus jogadores a um tipo de jogo, a um tipo de problema, a uma necessidade de dar respostas, que não conhecem. 

O Chelsea é uma equipa permeável em organização defensiva, que deixa muito espaço à frente da linha defensiva, e que é muito pouco agressiva sobre a bola. Como se viu ontem, o Porto recebeu e enquadrou sempre com facilidade atrás da linha média, e conseguiu o primeiro desequilíbrio individual. Faltou sempre gente na frente, à frente da linha da bola,  para dar continuidade aos desequilíbrios de Brahimi e Corona, e depois criar reais possibilidades de finalizar. E por aí, por ter mais gente atrás, e ainda menos à frente do que o habitual, se percebe que a estratégia foi desenhada para não sofrer, e não para marcar como o jogo o exigia. Lopetegui esperou pelo milagre que o futebol teima em premiar, que o público geral insiste em exaltar, mas o milagre não veio e caiu. E hoje se o público crítica é porque perdeu.

segunda-feira, novembro 30, 2015

Assumir a própria identidade. Um caminho que poderá levar ao resultado.

O caminho de Rui Vitória no Benfica tem sido muito acidentado. Como se escreveu aqui, numa equipa grande, com a grande pressão mediática para a obtenção do resultado, não há tempo para treinar o treino. Ou se tem, ou não se tem. E durante demasiado tempo Rui Vitória foi tentando ser aquilo que não é - um treinador com capacidade para operacionalizar um jogo predominantemente ofensivo. Um treinador com capacidade para implementar ideias de jogo agressivas em todos os momentos do jogo, em todo o campo. Rui Vitória não está treinado para operacionalizar este tipo de jogo. Não está habituado a resolver os problemas que este tipo de jogo dá. Não tem resposta a tempo e horas para as dificuldades que os jogadores sentem. E a continuar a jogar dessa forma irá sempre tropeçar. Porém, ao ver o Benfica de hoje em Braga percebe-se a maior tranquilidade e conforto do mesmo quando a equipa não joga tão subida, a pressionar tão alto. Quando a equipa não necessita de reagir forte para recuperar, limitando-se apenas a recuperar posições. Quando a equipa não tem a responsabilidade de assumir o jogo em posse. Quando a equipa não precisa de defender com poucos. Quando não há necessidade de saber como proteger-se das perdas quando a equipa está larga e organizada para atacar. Quando a equipa está mais junta e compacta, com muito pouco espaço nas costas por defender mais perto da baliza. Quando tem muito espaço nas costas da defesa adversária. Quando não precisa de ser capaz de furar blocos compactos fechados no último terço. É esse afinal o jogo que ele jogou, treinou, e conheceu, nos seus últimos anos como treinador. Sendo esse o seu caminho, está naturalmente muito mais preparado para dar resposta aos problemas do treino, do jogo, dos jogadores. Talvez não fosse má ideia assumir-se como é, como sabe, como gosta. Poderá ser essa a chave para uma caminhada menos acidentada.

domingo, novembro 29, 2015

Miúdos atrevidos capazes de contornar a selva aleatória que é o jogo de futebol. Leroy Sane.

Qual é a melhor forma de resolver um 2x1+GR?!
A melhor forma é deixar cada um percorrer o seu caminho, para que perceba melhor de onde aparece o resultado.


Se alguém tem ensinado a Sane que neste tipo de situações o melhor é o passe, provavelmente não teríamos tido a possibilidade de apreciar a solução criativa que o jovem avançado alemão encontrou para resolver o lance. E assim é o jogo. Imprevisível. E por isso, cada acção dependerá sempre do contexto. E por depender do contexto, deverá ser este a ditar o que fazer, quando fazer, como fazer. O treino, para mim, é isto. Dotar o jogador de capacidade para perceber mais rapidamente o contexto, e com isso criar melhores condições para ter sucesso nas suas acções.

Nenhum 2x1+GR é igual. Há lances em que o melhor é fixar o último defesa e o GR. Há lances em que o melhor é ir para a baliza. Há lances em que o melhor é enfrentar o 1x1. Há lances em que o melhor é soltar logo o passe. Há lances em que o melhor é rematar. Depende tudo da forma como o adversário se coloca para defender o lance, da forma como o colega está ou não orientado para receber a bola, da forma como o GR está ou não posicionado para defender a baliza. E quando o jogador percebe isso - que deve jogar de acordo com o contexto -, e se for de capacidade técnica assinalável, tornar-se-à capaz de manipular a situação de jogo em que se encontra, para uma situação mais favorável para si. Quando um jogador finge que vai rematar e passa, está a manipular o contexto. Está a enganar o adversário, levando-o a agir de acordo com determinada acção e a usar essa reacção do adversário para executar outra. Criatividade é muito isto. Perceber como contornar e/ou reduzir a brusca aleatoriedade que domina a natureza do jogo.

quinta-feira, outubro 29, 2015

Organização defensiva do melhor do mundo

O espaço entre sectores. O espaço entre jogadores. A agressividade sobre a bola. Excelência defensiva daquele que é considerado pelo universo como o melhor do mundo do ponto de vista táctico.