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quarta-feira, janeiro 14, 2015

Capacidade de decisão: (mais) exemplos na formação

No clube onde trabalho há um juvenil incrível, daqueles que não se põe em causa se vai ser profissional, só resta saber onde. A sua qualidade é tal, que apesar de estar num plantel de nacional de juvenis, tem demasiada qualidade para o nível em que está inserido e resolve a maioria dos estímulos que enfrenta no treino com muita facilidade.

É um jogador fortíssimo em tudo o que seja gesto técnico, especialmente no drible, é criativo, é rápido, é extremamente agressivo (na ocupação dos espaços).
Este fim-de-semana tive o prazer de mais uma vez falar com ele. Estávamos a falar sobre a perceção que os jogadores devem ter das suas qualidades a partir de certa idade. Eu explicava-lhe que é importante que um jogador tenha noção das suas mais-valias e perceba o contexto do jogo, para que consiga exponenciar ao máximo as suas qualidades. Na maioria das conversas que tive com jogadores desta idade, a conversa foi um monólogo… Mas o jogador em questão respondeu-me:

“Quando estou em 1 contra 1, normalmente procuro enfrentar qualquer adversário. Mas quando apanho o Gui, aí chuto a bola para as costas dele, ele é muito mais agressivo no 1 contra 1. Não quero procurar o choque com um jogador tão poderoso fisicamente, ele ganha muitos lances com o corpo”.

É bastante interessante perceber que este jogador, fortíssimo tecnicamente ao ponto de driblar qualquer jogador do seu escalão, consegue perceber o contexto em que está inserido e em função disso, tomar decisões diferentes que o aproximem mais facilmente do sucesso da sua acção. Especialmente no drible, algo que muitas vezes está associado ao “instinto” do jogador.


Por coincidência, o irmão mais novo desse jogador é treinado por mim. É um jogador completamente diferente do mais velho. É muito frágil fisicamente, não tem drible. Foge ao contacto, evita situações de 1 contra 1. É um pouco menos criativo que o irmão e não joga na mesma posição. Curiosamente, é o jogador com melhor tomada de decisão do plantel e provavelmente do campeonato. Simplifica o jogo a cada toque, deixa sempre os colegas em boas situações e faz com que a equipa melhore, na maioria das vezes que toca na bola. Vê e faz coisas que nós, seus treinadores, não conseguimos imaginar, estando do lado de fora do treino, observando todos os detalhes do jogo.


Dois jogadores bastante diferentes, que ocupam posições diferentes, com argumentos técnicos diferentes. As suas características obrigam-nos a jogar de forma diferente, fazem com que enfrentem estímulos diferentes. Mas uma coisa os une e ajuda a que se distanciem dos restantes: tomada de decisão de níveis de topo.

terça-feira, janeiro 13, 2015

Tomada de decisão e qualidade técnica. Oliver Torres.

A cada dia que passa o futebol de alto nível tem dado um passo mais na evolução, que faz com que os paradigmas de hoje sejam completamente diferentes dos vigentes em tempos atrás, ou noutros níveis competitivos. No futebol profissional, cada vez menos há espaços para jogar, pensar e executar, dentro das linhas adversárias. Cada vez mais as equipas tentam adoptar comportamentos colectivos para resolver os problemas defensivos (sobretudo esses) do jogo. Essa redução dos espaços, esse menor tempo para decidir/executar, pede que os jogadores sejam cada vez mais competentes tecnicamente, pelo espaço de acção ser menor e exigir por isso uma precisão maior, e pede mais inteligência. Criatividade, se quiserem, por exigir maior velocidade na tomada de decisão. Essa mesma mudança, faz com que a velocidade do jogo aumente de forma assinalável. E entenda-se por velocidade do jogo a velocidade a que a bola circula. E é por isso, que as capacidades físicas, sendo que toda gente tem o mesmo número de treinos, são cada vez menos importantes. A nova era é marcada pelo domínio do cérebro, e do técnico, sobre o físico. Há, claro, excepções e ambientes onde isto não se verifica, e onde a tomada de decisão não tem um papel fundamental. Nomeadamente no futebol amador, e no futebol de formação. Aí, o físico continua a actuar de forma determinante. No futebol amador porque joga-se como se jogava nos 80's, e no futebol de formação porque se verificam diferenças gritantes de maturação nos jovens com a mesma idade.

Este lance de Oliver mostra precisamente o caminho que o futebol está a seguir e, por isso, a importância de formar jogadores criativos e de grande requinte técnico (poucos, pouquíssimos em Portugal) para um melhor futuro das equipas selecções nacionais. Oliver, desenquadrado, consegue aperceber-se do movimento do colega e dos adversários e tendo a qualidade técnica que lhe permite sem se virar para o jogo colocar a bola no sítio certo, com um toque coloca um colega enquadrado com a bola controlada dentro da área do adversário. Apesar do pouco espaço, e da aproximação que os jogadores do Belenenses tentaram, a inteligência permitiu sair desse lance com sucesso. Quantos jogadores a jogar em Portugal conseguiriam, dentro do bloco adversário, com um toque, exprimir um gesto técnico de tamanha qualidade? E desses, quantos são portugueses? Quantos é que teriam o atrevimento de desenquadrados decidir da mesma forma, ainda que a bola não fosse depois para o sítio certo?


O futebol do futuro vai ser isto. Equipas a defenderem cada vez com mais, e a dar pouco espaço ao adversário para se expressar pelo físico. Fará a diferença, como no golo de Oliver a inteligência e qualidade técnica para jogar em espaços reduzidos. Fará a diferença o culto da liberdade na tomada de decisão, tendo os treinadores na formação de perceber cada vez mais que são os jogadores, e não eles, que jogam. Quantos são os treinadores que nesta mesma situação, onde um jogador recebe de costas, pedem para devolver sempre o passe e jogar de frente independentemente do contexto? É muito isto... Ensinar o jogo é completamente diferente de dar fórmulas aos jogadores para resolverem os problemas do jogo. O que é que se aprende afinal quando se dá a resposta antes de se resolver o problema. antes de se passar pela dificuldade? Ainda para mais num contexto dinâmico e extremamente variável como é o deste jogo...

Oliver é o exemplo a seguir... ele é o futebol do futuro e o futuro do futebol. Espanha e Alemanha já o fizeram. É só copiar!

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Bola de ouro

Quem merece ganhar? Ronaldo.

Quem é o melhor jogador do mundo? Messi.

Em quem votarias? Neuer.

Ronaldo. A melhor descrição que ouvi fazer-se dele foi a de Ancelotti: "Com Ronaldo os jogos começam um a zero para nós". É isso. Com tudo mais que possa ter, Ronaldo carrega com ele a extraordinária força dos números. É sinónimo de golos, golos, e mais golos. Como treinador, não o obrigaria a desgastar-se em esforços defensivos para que estivesse fresco para os momentos em que a equipa mais precisa dele, nos momentos em que ele mais pode dar a equipa. Está mais maduro, menos egoísta, procura menos a baliza e assiste mais. E por isso, mais do que nunca, consegue competir pelas provas colectivas. Por não estar tão centrado nele, e ter maiores preocupações com o que se passa ao seu redor. Qualidade técnica, potência, finalização. Nunca fez tanto sentido que Ronaldo recebesse o troféu, pelos números, pelos títulos, pela regularidade ao longo dos anos, pelo principal rival ter ficado muitos meses de fora.

Messi. A melhor individualidade que vi jogar. Representa tudo o que se pode sonhar quando a inteligência, técnica, e velocidade encontram um só lugar. É uma besta. Inatingível. Jogou uma prova difícil como o mundial por todos os argentinos, inclusivamente pelos colegas de equipa. Sozinho ia conseguindo o milagre. Para que se perceba a força que tem, ainda que nos últimos anos não tenha tido os treinadores que merece. Ainda que tenha sofrido com lesões que o impediram muitas vezes de atingir o melhor rendimento. Ainda assim, continua com números fantásticos. E juntamente com Ronaldo, vai destruir todo o futebol ao nível estatístico. Depois deles, nada restará para fazer.

Neuer. Uma ideia, a evolução. Revolução. O prémio para um jogador que representa toda uma ideia de jogo que eu defendo. O mais competente nas tarefas específicas da sua posição, o mais competente nas tarefas ofensivas que o treinador lhe propõe (isto porque Valdés, o melhor com bola, esteve lesionado). Fisicamente invejável. Representante inequívoco do apaixonante futebol de Guardiola. Bandeira do caminho que o futebol está a seguir, mesmo estando a falar de um guarda-redes: inteligência, qualidades ofensivas marcantes. Conhecimento do jogo, com e sem bola. Encurtar dos espaços e consequente aumento da dificuldade em se impor pelo físico, só.

sábado, janeiro 10, 2015

Criatividade e qualidade técnica. Isco e Óscar. Futebol é da cabeça aos pés.

E o físico pouco conta. Espaços curtos, como se vê. E é assim que o jogo será cada vez mais. É para este padrão que o futebol está a evoluir, grande concentração de jogadores num curto espaço. Fantástico.

O lance de Isco, aqui, minuto 2:06.


sexta-feira, janeiro 09, 2015

Diário de 2003. Dia 3.

O treino planeado foi integralmente seguido, com uma ou outra adaptação.

Treino (9-1-2015)

Duração - 75 minutos
17 jogadores de campo - 1 de 2005, 2 a experimentar.
4 Grs - 2 que querem ser Grs.

Meinhos - 10 minutos
Activação, mobilização geral - 5 minutos
Circuito de velocidade e coordenação - 10 minutos

2x2+2 Jokers. Marca 2 pontos quem conseguir trocar 5 passes em cada uma das zonas do campo, totalizando (pelo menos) 10 passes nas duas. A equipa que deixar passar um passe entre dois jogadores perde um ponto.
Objectivo: Criação de linhas de passe - Esquerda, direita, frontal.
Objectivo secundários: Desenvolvimento das qualidades técnicas associadas (passe, recepção, condução, drible). Defender em duas linhas (contenção, cobertura).
Os Jokers são os Guarda redes, e os dois jogadores a experiência.
Noutros campos 2x2+2 Jokers e 3x3+2+2 Jokers.
15 minutos.
No campo que eu controlava os jogadores encontraram muita dificuldade em cumprir com o número de passes estabelecido, pelo que mudei para 3 em cada zona.

No campo maior, 5x5+Joker. Saída de bola. Cada vez que a bola sai, segue do Gr da equipa respectiva. Os jogadores devem executar os movimentos, sem bola, que preparei para esse momento específico do jogo. O Joker ocupa uma posição central do campo, jogando aí pelas duas equipas.
Objectivo: Orientação das linhas de passe no momento de organização ofensiva.
Objectivo secundário: Tomada de decisão em superioridade numérica. Desenvolvimento dos gestos técnicos do jogo (passe, recepção, condução, drible, remate, cruzamento). Criação de situações de finalização. Finalização. Defender em inferioridade.

No campo mais pequeno, 2x2+Joker. Única regra é fazer golo.
Objectivo principal: Criação de situações de finalização, finalização.
Objectivo secundário: Tomada de decisão em superioridade numérica. Criação de linhas de passe. Defender em duas linhas (contenção e cobertura). Desenvolver dos gestos técnicos associados - Passe, recepção, condução, remate, drible.

35 minutos.
No final do treino, entre jogadores que não podem ir ao jogo, e castigos dos pais, 8 jogadores para um jogo, e 9 para outro. Sendo que teve de ser convocado um jogador que nem um treino fez.
Houve ainda tempo para uma conversa com os dois meninos que querem ser GR alertando-os que serão utilizados no treino e no jogo na posição que a equipa mais necessitar, até porque ainda estão a adquirir competências básicas da posição.

Amanhã de manhã dois jogos, ou na minha perspectiva mais dois treinos com colegas que não estamos habituados a defrontar.

Manuel Neuer, o sweeper keeper



 Desconfio que na história do futebol tenham sido poucos os jogadores, que pelas suas características, permitam que surjam inovações tácticas. 

São estes ETs que fazem com que o jogo atinja patamares novos e abrem portas para que o desporto progrida.

É por isso que para mim é estranho ver que o Manuel Neuer não ganhou o prémio de melhor jogador alemão deste ano. Será que naquele que é dos paises mais evoluidos nos aspectos tácticos do jogo não se compreende a genealidade do seu grande jogador de cam... guarda redes?

Para mim, pela diferença de qualidade para os restantes colegas de posição, pelo que traz de novo à sua equipa, especialmente no controlo da profundidade e em organização ofensiva, Neuer é o único jogador que vejo chegar perto de Messi e Ronaldo.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Diário de 2003. Dia 2.

O treino deveria durar 75 minutos, para o qual preparei uma sessão. No entanto, por vários factores começou com 20 minutos de atraso, e com um número de jogadores diferente, que impossibilitou o plano original. Assim, tivemos de nos adaptar as condicionantes que nos surgiram naquele momento, tendo acabado por fazer um novo plano de treino que resultou em exercícios completamente diferentes dos previamente preparados.

Treino (7-1-2015)

Duração - 55 minutos
13 jogadores de campo - um deles a experiência
2 Guarda-redes + 2 jogadores que querem ser guarda redes, tendo um deles se esquecido das luvas
Mobilização geral, activação, sem bola - 5 mins

4x4+Joker. Quem passa a bola deve mover-se para outra zona. Jogador que receba a bola duas vezes seguidas na mesma zona é penalizado, entregando a posse da bola ao adversário. É marcado um golo cada vez que se consegue progredir pela linha amarela. Portador da bola deve ter sempre duas linhas de passe próximas (esquerda, direita).
No outro campo joga-se em 3x3+2 Jokers, com as mesmas regras.
Jokers são os 3 Grs
Objectivo- Mobilidade. Criação de linhas de passe. Desmarcação. Procura do corredor central.
Objectivo secundário- Desenvolver dos gestos técnicos - Passe, recepção, condução, drible.
20 minutos.
4x4x4+2 Jokers. Cada equipa defende uma baliza e ataca duas. Jogadores da baliza que não está a ser atacada podem juntar-se a quem tem bola para atacar a baliza visada. Caso recebam a bola de uma equipa, passam a fazer parte dessa equipa e não podem atacar a baliza de quem lhes passou a bola. No caso da bola sair (excepto golo) o treinador coloca a bola em jogo para ser disputada pelas 3 equipas. Equipa que sofrer mais golos arruma o material. Jokers são o jogador a experiência e o "GR" que se esqueceu das luvas.
Objectivo- Criação de lances de golo. Finalização.
Objectivo secundário- Desenvolver dos gestos técnicos associados - Passe, recepção, condução, drible.
30 minutos.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Concentração

Não é ao berro, ao castigo, e com regras fora de campo, que se treina a concentração que interessa para o jogo. E sendo só essa que interessa, treina-se com um aumento gradual da complexidade, e do número, das tarefas que o jogador deve cumprir no ataque e na defesa. O princípio é simples, o jogador quer jogar, e para o fazer deve cumprir com determinadas tarefas no campo que o treinador definiu. Se o cumprir rigorosamente jogará porque passa a ser mais um elemento da equipa que se quer, se não o cumprir salta fora por outro que cumpra melhor com o definido.

O espírito e disciplina militar a que se obriga os jogadores fora de campo, ao contrário do que se possa pensar, tem muito pouco reflexo dentro de campo. E se o tiver, é negativo, de saturação, e de falta de liberdade para se expressar individualmente. Não é saudável. O que se vê e se diz, normalmente, numa equipa que entre muda na hora da convocatória para o jogo, é que está muito concentrada e que tem muita disciplina. O que normalmente se vê depois, dentro de campo, são constantes faltas de concentração dos jogadores, e falta de disciplina no cumprimento do que o treinador quer. O que conta continua a ser o trabalho no campo, e não o muito que se fala e se corrige do comportamento dos jogadores fora dele.

segunda-feira, janeiro 05, 2015

2015, novos desafios. Diário de 2003.

O desafio é o de colocar o maior número de jogadores possível, no 11 do escalão seguinte. Sendo que no próximo ano continuarão a disputar um campeonato bastante competitivo, misturados com os grandes de Lisboa. Poderá ser difícil, por ser a transição do futebol sete para o futebol onze mas é um desafio bastante encorajador.

A equipa tem 19 jogadores de momento, e como não existe o escalão anterior (2004), e o clube tem duas equipas inscritas na competição, é preciso que se socorra, por vezes, de jogadores de dois escalões abaixo (2005). Dos 19 dois são guarda-redes, pelo menos desde a época passada. Outros dois começaram como jogadores de campo, e agora parece quererem mudar de posição para guarda redes. Os Guarda-Redes têm treino específico com um treinador especialista uma vez por semana. No restante tempo trabalham com a restante equipa. Da restante equipa, pelo que sei, uns são mais competentes e outros menos competentes, mas todos com o mesmo objectivo: evoluir.

A maior dificuldade será ao nível da operacionalização do treino. Não só por nunca ter trabalhado com este escalão (trabalhei sempre no mínimo com Juvenis), mas sobretudo por nestas idades o número de jogadores no treino, tendo em conta o clube onde estou, ser completamente aleatório. A equipa treina três vezes por semana, e joga ao sábado (dois jogos), onde normalmente só poderei estar presente em um. 

O meu foco, ao longo dos próximos meses, será no desenvolvimento das qualidades ofensivas, das técnicas de jogo, das capacidades condicionais, e de noções básicas de defesa zonal.

Treino (5-1-2015)
Duração - 60 minutos
16 jogadores de campo + 3 Guarda Redes. Um jogador a experiência.
Meinhos 8 minutos.
Activação e mobilização geral 10 minutos, preparados por um dos elemento da equipa técnica: Foco nas capacidades condicionais (Velocidade, coordenação).

Campo 1- 4x4+Joker. Na baliza do nº1, cada golo de cabeça vale 2. Qualquer golo obtido de outra forma, ou nas outras balizas, vale 1. Cada vez que é marcado um golo numa baliza, troca o campo, e a equipa que marcou sai a jogar para atacar o lado que esteve a defender.
Objectivos: Tomada de decisão em superioridade numérica. Variação do centro de jogo. Inteligência na criação de linhas de passe (pelo menos esquerda e direita, inteligência no ataque às zonas de finalização). Desenvolvimento de qualidades técnicas - Passe, recepção, cruzamento, remate (de cabeça e com o pé), drible, condução.
Objectivo secundário: Contenção (posição dos apoios para defender melhor a baliza) e cobertura - alinhamento pela baliza com a bola na linha de fundo (2 jogadores), fechar dentro com a bola no corredor lateral (posição dos apoios para melhor atacar a bola no cruzamento, e a uma variação de corredor).
Campo 2- 3x3+Joker.
Objectivos: Tomada de decisão em superioridade numérica. Variação do centro de jogo. Inteligência na criação de linhas de passe (pelo menos esquerda e direita). Desenvolvimento de qualidades técnicas - Passe, recepção, drible, condução.
Objectivo secundário: Contenção (posição dos apoios para defender melhor a baliza) e cobertura - fechar dentro com a bola no corredor contrário, posição dos apoios para conseguir reagir melhor a uma variação de corredor.

20 minutos em cada campo. Jokers trocam de tarefa.

A verdade de la Palisse

Retiro da ideia do autor que os adeptos do Sporting percebem mais de futebol que os adeptos na Argélia. Isto claro, porque os adeptos do Sporting estão mais perto do Alto Rendimento do que os adeptos argelinos. Ora isso só me faz lembrar a fantástica veia artística que devem ter as empregadas do Louvre, por presenciarem arte ao vivo, e bem de perto. Tenho um amigo que catalogava bem quem pensa assim: "É mais um que pensa que ler é saber o significado das palavras que aparecem numa frase". Quando não se sabe mais é assim. Usa-se tudo. Até o grande (des)conhecimento da massa adepta sobre o jogo.
Com que então não se pode analisar o futebol de uma forma séria, sem se ter o conhecimento de todos os parâmetros que se exigem. Mas a bocado, os adeptos que não percebiam de capacidades condicionais já podiam avaliar o Slimani, mesmo não tendo conhecimento da matéria, como é alegado pelo autor. Quem é que anda a enganar a malta afinal, hum?!
Quanto ao resto, é resto. Muito obrigado la Palisse.
Esta aqui confesso que foi deliciosa de ler. Ou o autor, que diz trabalhar no futebol profissional, não sabe o significado de competência, ou então não é ao futebol português que se dirige certamente. O autor não sabe o que é criatividade, tão pouco o que é inteligência, e por isso, acha que em Portugal existem mais de meia dúzia de médios para jogar dentro do bloco. O que mais há em Portugal é precisamente o oposto, médios para jogar fora do bloco. A falta de criatividade e qualidade técnica é gritante. E são precisamente esses os atributos que mais importam para gente que joga dentro do bloco. O exemplo mais básico, e que de certeza toda gente entende é André Almeida. Seria sempre um 6 competente, mas os seus traços individuais não permitem que jogue mais adiantado. Creio que como André Almeida existirão milhões. E como Enzo? E como Oliver? Isso é que é visão de quem diz trabalhar com profissionais. Dos que acham que Almeidas é que são raros, e que Enzos e Olivers é que há muitos. Nem sei como é que em Portugal não competem mais para bola de ouro. Qualquer diferença entre os que jogam cá (Adrien, Herrera) e Iniesta ou Modric é pura ilusão de óptica. Têm as mesmas semelhanças entre uma vassoura e um aspirador, servem para a mesma coisa, mas não são bem o mesmo.
Nem vou falar sobre a "fórmula de graduação da decisão", porque essa prova que o tipo podia teorizar uma vida e escrever um livro sobre a diferença entre um ovo estrelado e um ovo frito. Vou focar mais nisto. Aqui, mais uma vez percebe-se o que percebem de tomada de decisão aqueles que alegadamente trabalham no mundo profissional: zero! Um passe lateral que faça o adversário bascular nesse sentido, tem menos valor que o passe seguinte que aproveita a basculação apanhando o adversário em contra-pé, que por sua vez tem menos importância que a acção do jogador seguinte (seja ela o drible, o cruzamento, ou a finalização). Ou seja, na teoria do autor, quanto mais perto da baliza, mais valiosas são as acções. No fundo, rege-se pelo princípio da pastilha elástica, enquanto está doce fica na na boca, quando acabar o açúcar deita fora. Traduzindo, se corre bem está certo, se corre mal está errado. Assim está justificada a falta de critério por parte dos jogadores profissionais, uma vez que quem os lidera pouco critério tem. O autor, não percebe que o primeiro passe, o lateral, teve tanta importância como tudo o que se seguiu, porque o autor não percebe os efeitos que um simples passe lateral pode ter no adversário. Assim se trabalha no mundo profissional, alegadamente.
Zlatan e James, não tomam boas decisões. Não são conhecidos por isso. Mas que raio de futebol é esse que andamos a ver?! Colocar esse dois, em termos de tomada de decisão, no mesmo saco que Di Maria, Robben (o do passado, e já passo a explicar) e Diego Costa, é digno de um adepto típico de qualquer parte do mundo, de facto. Agora, para quem vê futebol, futebol a sério, é só das maiores atrocidades que já foram ditas por alguém que diz trabalhar no mundo profissional. Como é que isto não há de andar mal assim?!
A decisão e qualidade técnica é, e será cada vez mais, dentro do futebol de top, o factor que mais decidirá jogos. Veja-se o pensamento do melhor treinador da história sobre Robben. Passo a citar o holandês no livro Herr Pep que fala sobre a melhor época de sempre do extremo em termos de golos e assistências, e qual foi a mudança que ocorreu então: Num momento da época, Pep disse-me que não tinha que procurar o golo de forma obsessiva, mas sim que jogasse e jogasse porque jogando o golo chegaria. E assim foi. Se jogas e jogas, procuras os espaços, tens a bola e combinas com a equipa, e desta forma quase sempre marcas. Em todos os jogos acabas por ter jogadas com situações de golo. Se tens muita bola e participas, automaticamente chegam opções de golo e de passe.
Mourinho?! Hum. Não foi esse que contratou o Ricardo para jogar no banco, e na bancada? Se calhar estou mal recordado.
Decisão mais determinante para o sucesso da equipa?! Não serão todas as decisões as mais importantes para o sucesso da equipa? Ou já se terá esquecido de la Palisse?!  Quanto a Quaresma, basta ver o que se escreve sobre ele para afinal se perceber que nem o significado das palavras se sabe.
Veja-se por exemplo o que é a decisão a João Moutinho: É aquela típica competente na construção. Fantástica para jogar fora do bloco, e em zonas menos próximas da baliza. Mas dentro do bloco, no que a criatividade diz respeito, quando é tempo de criar, é sofrível. Quando se pede execução e pensamento rápido, com qualidade, não é a melhor. Portanto ao que parece, quem usou Moutinho como exemplo, não sabe o que é que os fanáticos da decisão sabem sobre tomada de decisão. Porque ele, como o comum adepto, a percebe muito pouco. Tal como o comum adepto, acha que o golo, ou a assistência, têm mais importância do que o primeiro passe que iniciou a jogada. Como se não fosse o primeiro passe a permitir tudo o resto.
A coerência é uma das características que eu mais aprecio, e aquela que me faz distinguir quem tem ideias dos papagaios. Ora vejamos. não faz sentido pegar numa equipa com princípios e jogadores extraordinários para justificar o que quer que seja. Equipa de grande qualidade não vale, porque existem poucas. Jogadores de grande qualidade técnica e inteligência (criatividade) também não, porque são muito poucos. Mas vale pegar em jogadores extraordinários do ponto de vista físico (que são muitos) e agregar aos que fazem realmente a diferença no futebol top pelo físico (que são poucos, muito poucos) para justificar o teorema da graduação do valor do jogador pela capacidade física?! Hum. Coerente, no mínimo.
Agora fiquei na dúvida. Afinal no futebol amador há muita ou pouca preocupação com o aspecto "decisório"? E havendo, então a culpa da "facilidade" com que se ganhou no Dragão foi claramente de Lopetegui, por ter comprado e escalonado Herrera e Jakcson que falham oportunidades claras de golo, certamente na busca pela melhor decisão. Por ter comprado e escalonado Danilo e sobretudo Fabiano, que têm grande parte do mérito do golos do Benfica, na busca da melhor decisão. Foi o treinador  romântico, e apaixonado pela tomada de decisão, que comprou os jogadores por quem morria de amores por serem excelentes no aspecto "decisório". Mas isto tudo é só mais uma teoria para justificar uma coisa qualquer, porque afinal não dá para desenvolver competências e há poucas decisões no futebol amador. Ao que pergunto, de onde vem o romantismo afinal? Da necessidade do que se desconhece?!

Dedicado ao nosso maior fã, e que nos lê com tanto afinco, com tanta regularidade, com tanto rigor, que anda sempre na busca de uma pequena referência, e quando ela não existe cria ele uma para conseguir um pouquinho de atenção. Aqui vai uma grande referência, e tudo isto porque preciso urgentemente de emprego. E depois de tantas referências à pessoa que mais percebe de futebol no mundo, ai de ti que não me convides para trabalhar contigo. Para quem não percebe que as ideias valem pelas ideias, e para quem tenta descredibilizar quem conquistou por ideias, não por nomes ou por estatuto (que alguns alegam ter), tentem chorar, fazer birra, bater com o pé, trancar-se no quarto, e começar a pensar. Mas pensar com qualidade, com lógica!

domingo, janeiro 04, 2015

Ola John e Cia.

Péssimo o holandês durante quase todo o jogo. Soma perdas atrás de perdas. Chega a ser confrangedor, como é que Jesus o deixa em campo tanto tempo. No Benfica, vale Gaitan e Jonas. Cristante ainda não é, mas vai ser...

Oliver e Jackson. Top do top da liga. Juntamente com Nani, os melhores.

Nani. Parece que esteve dois dias de férias. Chega, vê, joga, faz jogar, aproxima do golo.

José Mota e Pecks. Simbiose perfeita para quem quiser descer de divisão. O treinador, amontoa onze dentro de campo, e cada um joga pelo adversário mais perto. A melhor descrição do que se diz na palestra é, "esquece a bola, marca o teu". Nem a atacar mostra alguma coisa. Transições de qualquer forma, que são as coisas mais simples de trabalhar, quando há duas linhas de passe.
O jogador, não percebo. Não joga com bola, não joga sem bola, não agarra no homem. Está na elite (primeira divisão ) a fazer o quê?