Posse de bola no Facebook

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sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Benfica, mudanças na construção

No início da época pediam-se algumas mudanças no modelo de jogo do Benfica. Nomeadamente na forma como a equipa ataca, em organização ofensiva.
Jesus fez algumas alterações no ataque posicional, não sendo por elas que a equipa deixa de ter propensão para combinar pelos corredores laterais. Mas só o facto de os Alas receberem a bola mais vezes por dentro, leva a que consigam causar muitos danos no jogo interior. Principalmente quando conseguem logo enquadrar e conduzir, derivado da sua capacidade individual. Nomeadamente Gaitan e Markovic.


quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Mitos, evolução, criatividade.

Poderá dizer-se que isto não é sobre futebol?! Poderá dizer-se que isto não tem aplicabilidade no treino? Principalmente percebendo-se que, treinar não é nada mais que ensinar...



"Chamemos-lhe João, tem 16 anos e, no início de época, deslumbra toda a gente com a facilidade com que marca golos. Bola cruzada da esquerda, “enche” o pé direito e golo! Bola vem da direita e torna a encher o pé direito e golo... Espera aí, pé direito?! Não pode ser... “Cruzamento da direita, tens de utilizar o pé esquerdo!”, diz sabiamente o treinador, segredando para o adjunto “se este jogador souber finalizar com o esquerdo como com o pé direito, vamos ter aqui um grande avançado”.
Começa o trabalho específico de finalização a contemplar o gesto técnico “correto”. Bolas da esquerda, o João finaliza com o pé direito, bolas da direita finaliza com o esquerdo.

Avancemos no tempo, Dezembro, o João está irreconhecível e de jogador com grande futuro começou a passar muitas vezes pelo banco de suplentes. Questiono o treinador e a resposta vem pronta: “o João é meio doido, é um irresponsável, está sempre a brincar com toda a gente, não tem futuro algum como futebolista”.

Ao fazer esta reflexão, lembrei-me que os jogadores, ao chegarem aos clubes e aos treinadores, já têm um reportório motor, muitas vezes alargado pela sua prática na rua, escola, etc., onde buscam fundamentalmente a eficácia. Os miúdos querem é fazer golos e fazem-no com a “liberdade” de ação, vão ganhando confiança e aprimorando o seu gesto pouco “eficiente”, mas cada vez mais eficaz. Estes gestos motores não são “azelhas”, eles têm um conteúdo emocional fortíssimo no jovem porque são recompensados com sucesso e com o sucesso vem a confiança para repetir e aprimorar. Recordo que, na rua, os jovens, muitas vezes, fintam pedras ao mesmo tempo que driblam os adversários, driblam e asseguram astúcia para não cair nos campos de terra empedrados, muitas vezes os pequenos têm de saber usar argumentos técnicos com outros muito mais altos e fortes do que eles. Aqui pede-se, acima de tudo, eficácia e um reportório motor alargado face à contingência. Como não há treinadores, a “eficiência” é natural e instintiva, contraditória muitas vezes com a “eficiência” biomecânica que vemos nos livros.

Os Joões chegam muitas vezes aos clubes e pedem-lhes “eficiência” no gesto. Gesto que eles desconhecem e que têm de aplicar. As conexões cerebrais são outras, a emotividade é reduzida porque não tem sucesso, a confiança começa a diminuir e, ao aumentar a eficiência no gesto, vão perdendo eficácia. No momento da decisão vai perder tempo a processar algo que antes lhe saia naturalmente através do seu instinto aguçado pelas suas práticas anteriores recheadas de emoção positiva.  O jogador perde concentração e dispersa atenção, muitas vezes, porque está “revoltado” e frustrado com algo que está a acontecer e ele próprio não consegue explicar. Fica com o rótulo de “doido” pelo treinador e responsáveis, aquele que não tem hipóteses de ser jogador..."

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Lahm. Guardiola. Tomada de decisão e conhecimento do jogo

31 de Agosto de 2013, elogiava-se por aqui a inteligência de Lahm. No final do mês de Janeiro, nova referência do Baggio, desta feita no regressado Lateral Esquerdo ao capitão da selecção alemã.
Hoje, nas palavras de Guardiola para quem o quiser ouvir, o fundamental sobre o futebol.


Guardiola: He understand the game!
Jornalista: The others don't?
Guardiola: No! Don't!

Como se vê, mesmo no alto rendimento, a maior parte dos jogadores não percebe o jogo. Desta vez, dito por Guardiola. Talvez ele tenha mais crédito que Jesus, ou que quem tenta passar essa ideia neste blogue, e noutros, sobre o que é verdadeiramente importante.

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Monstros físicos, rigor defensivo, e José Mourinho

Ontem, Mourinho deu mais uma prova de que o Chelsea pode ser um sério candidato a finalista da Champions. Isto é, a forma como o treinador português prepara as grandes partidas, privilegiando muito o lado estratégico, no curto prazo (num jogo, ou em competições a eliminar) costuma dar frutos.
O Chelsea não jogou o futebol que Mourinho quer que seja padrão para o futuro. Não obstante disso, jogou muito bem, tendo em conta a forma como abordou o jogo.
Do ponto de vista da estratégia, Mourinho preparou o seu meio campo para ganhar as primeiras e segundas bolas, e preparou o posicionamento dos jogadores para não deixar o City construir desde o GR. Assim, fez o City jogar o jogo que tinha preparado. Jogou com Matic, e David Luiz no duplo pivot, acrescentou Ramires ao corredor lateral, e William como médio ofensivo. Todos eles monstros físicos, preparados para todos os duelos que o jogo viria a proporcionar e para as bolas paradas.

- Manchester City

  • Organização defensiva 
  1. Pouca agressividade sobre a bola
  2. Maus posicionamentos constantes
  3. Muitos erros de contenção
  4. Faltou Fernandinho e/ou Javi Garcia
  • Transição ofensiva
  1. Procurou, sobretudo, sair de forma segura
  2. Quando Navas estava perto do lance, ou estava directamente envolvido, saiu em ataque rápido
  3. Faltou Aguero
  • Organização ofensiva
    1. Faltou Fernandinho e Aguero
    2. Navas sem espaço no corredor não procura outros espaços, tornando-se previsível
    3. Yaya Touré nunca teve tempo e espaço para jogar
    4. Kompany saiu poucas vezes a desequilibrar desde trás
    5. O jogo equilibrado de desmarcações de apoio (interiores) e desmarcações de profundidade, fica comprometido sem Aguero (num jogo desta dimensão). A saída segura, com qualidade, fica comprometida sem Fernandinho.
    6. Nunca conseguiu assentar o jogo, e obrigar o Chelsea a correr, desgastando aquele meio campo, e obrigar a ajustes constantes das várias linhas defensivas
  • Transição defensiva
    1. Passiva. Deixa sair 2/3 passes, só depois é que reage.
    2. Não conseguiu defender bem, situações de inferioridade ou igualdade numérica em grandes espaços
    3. Muita dificuldade nos ajustes
    4. Faltou Fernandinho e/ou Javi Garcia
    Destaque positivo para David Silva, sempre com boas decisões. Procurou exaustivamente servir "todos" os colegas como apoio frontal/interior, e executou sempre com qualidade.
    Demechelis não acrescenta grande coisa com bola, na posição de médio defensivo, assim como não se sabe posicionar em campo.
    Yaya Toure. Com e sem bola esteve muito abaixo do nível exigido. Falha posicionamentos, falha passes fáceis, não recupera rápido.

    - Chelsea
    • Organização defensiva
    1. Muita agressividade sobre a bola
    2. Bom timing de pressão (Homem de costas, passe para trás, bola dividida, entrada do meio campo, mau passe, má recepção, lançamentos, bola no extremo)
    3. Não deixou sair a jogar
    4. Rigor e agressividade posicional
    • Transição ofensiva
    1. Mourinho planeou o jogo para jogar em ataque rápido, e conseguiu sair com critério nessas situações
    2. Tentou colocar sempre 4 homens na transição
    • Organização ofensiva
    1. Nunca colocou mais do que 5 jogadores a atacar, para não desequilibrar
    2. Azpilicueta nem subiu. Ficou sempre na guarda do espaço, por forma a impedir espaços para Navas explorar em ataque rápido
    3. Quando pautou o jogo, tentou atacar com critério, procurou espaços interiores e pouco o corredor lateral
    4. Não saiu a jogar. Procurou sempre colocar no Ivanovic, ou do Ramires
    • Transição defensiva
    1. Pressão imediata, garantir profundidade
    Destaques para Hazard, pelo que ofereceu a equipa com e sem bola. Criatividade, conseguiu segurar para que os colegas subissem, tempo para a equipa respirar, criar constantemente perigo em zonas interiores. Matic foi o jogador em campo que melhor jogou todos os momentos do jogo. Para mim, o melhor e mais completo jogador em campo.
    Mourinho, pela estratégia. Ganhou o meio campo com monstros físicos como William, Ramires, Matic, e David Luiz. Obrigou o City a jogar como ele queria.
    David Luiz e Ramires destaco de forma negativa. O primeiro pelos erros e falta de agressividade nos posicionamentos (melhorou muito na segunda parte). O segundo porque apesar de tudo o que oferece a equipa, pela enorme disponibilidade física, continua a comprometer com erros técnicos e de tomada de decisão (mesmo sem bola).





    segunda-feira, fevereiro 03, 2014

    Manuel Pellegrini. Modelo de jogo e trabalho diário.

    Todos os modelos de jogo têm os seus pontos fortes e as suas debilidades. O trabalho do treinador passa por potenciar os pontos fortes, e esconder as fragilidades. O treinador do Manchester City parece conhecer perfeitamente as fragilidades do seu modelo, e é nisso que mais se tem focado nas mais recentes sessões de treino. Pellegrini sabe que o seu modelo não é o melhor do ponto de vista defensivo. Também sabe que o número de unidades que o City coloca a atacar faz com que defenda na última linha com poucos elementos. Assim, ele percebe que muitas vezes, essas unidades defendem situações de superioridade, igualdade, ou inferioridade numérica, num espaço muito grande, e com pouco tempo para agir/reagir. Situações essas que são muito difíceis de resolver. Então, pela grande dificuldade que é resolver esse tipo de lances, e tendo em conta que a equipa parece cada vez mais competente na forma de organizar o ataque, Pellegrini foca o treino da sua equipa na organização de exercícios onde se defende.

    sábado, fevereiro 01, 2014

    As individualidades mais relevantes são as que elevam o nível da equipa

    Depois do post do Lateral Esquerdo sobre Shikabala, relembro um excerto da entrevista de Rene Meulensteen acerca do desenvolvimento de Cristiano Ronaldo.

    "The problem is also your attitude and therefore your decision-making. At the moment you’re playing to put yourself into the limelight, to say “look at me, how good I am”. Therefore, Mr Ronaldo, you are doing a lot that doesn’t mean anything for your team-mates."

    "Cristiano, I’ve looked at your goals last season, and you only scored 23 because you want to score the perfect goal all the time. ‘Look at me! Top corner!’ The most important individuals are the ones who elevate the team, not themselves. You think it’s the other way round. No, no, no. Elevate the team and the team will then elevate you."


    Cristiano Ronaldo, 9 anos atrás


    O mais importante é que os jogadores proporcionam aos colegas. A mensagem para Ronaldo foi clara, e todos os jovens praticantes deveriam crescer com essa ideia.
    É esse o modelo espanhol e alemão. E mais do que admirar, e congratular pelos frutos que têm tido, é necessário imita-los. E, para mim, não o fazer significa que não entendemos nada do que tem acontecido por lá. 

    quinta-feira, janeiro 30, 2014

    "Isto é futebol do século 19"

    "É muito difícil disputar uma partida de futebol quando apenas uma equipa está interessada em jogar. Numa partida de futebol é suposto haver duas equipas a jogar"

    Mourinho, podes ligar ao João de Deus?!

    terça-feira, janeiro 28, 2014

    Formação do Benfica

    A formação no clube da luz tem uma geração de jogadores com grande potencial, para chegar ao plantel principal. Não significa isso que esses jogadores tenham, todos, qualidade para se impor no onze inicial do clube da luz. Há dez anos atrás, provavelmente, André Gomes, Ivan Cavaleiro, e Bernardo Silva seriam indiscutíveis no onze encarnado. Hoje, estão "sentados", e bem, porque o Benfica tem jogadores de grande qualidade nas posições em que eles poderiam ser opção. Assim, a única crítica que se pode fazer a Jesus será a falta de minutos de jogo que André Gomes tem, apesar de treinar com o plantel principal, e o facto de Bernardo Silva ainda não estar a treinar e aprender com os melhores, num contexto de maior dificuldade.

    Quanto a venda de André Gomes que tanta tinta tem feito correr, se for pelos 15 milhões de que se fala, é um óptimo negócio para o clube da luz. André Gomes tem evoluído muito por se treinar com os seniores, mas ainda não é jogador para se impor de caras no onze encarnado, tendo em conta os jogadores que lá estão.