Posse de bola no Facebook

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segunda-feira, janeiro 27, 2014

Matic, e tudo o que é essencial

Agressividade

Sem bola:
  • Adoptar o melhor posicionamento o mais depressa possível 
    • Consoante a zona da bola, a baliza, e os colegas
  • Sair rápido na contenção 
    • Colocar-se rapidamente entre a bola e a baliza, a uma distância tal que não permita o passe vertical ou o remate, nas melhores condições
  • Escolher bem o timing de pressão para não deixar enquadrar, ou para precipitar o erro 
    • Homem de costas
    • Bola descoberta no corredor central
    • Zona com superioridade numérica
    • Bola dividida
    • Mau passe que dificulte a recepção 
    • Má recepção
  • Escolher bem o timing de desarme 
    • Não entrar a queima
Com bola: 
  • Permitir a progressão da equipa, aproximando-a da baliza contrária nas melhores condições possíveis 
    • Com passe curto, ou longo, para um colega melhor posicionado à frente da linha da bola, preferencialmente no corredor central 
    • Com condução, quando tem espaço para progredir 
    • Com drible
      • Quando está numa situação de 1x1 sem cobertura
      • Quando tem espaço nas costas da linha defensiva 

Criatividade
  • Condução contra o bloco adversário, para atrair, fixar, e soltar
  • Rasgar linhas de contenção e cobertura 
    • Com passe, proporcionando aos colegas situações com menos adversários pela frente, preferencialmente no corredor central
    • Com drible, proporcionando a si mesmo situações com menos adversários pela frente, preferencialmente pelo corredor central

Sérgio Ramos vs Hummels


Qual foi o critério utilizado para Ramos figurar no onze ideal da Uefa e da Fifa em detrimento de Hummels, por exemplo?

quarta-feira, janeiro 22, 2014

Perceção - Ação

O contexto, em função das caraterísticas do jogador, oferece possibilidade de ação - affordances, que emergem por força da relação sinérgica entre jogador, opositor e, claro, cooperador. A literatura define, a partir daqui, algo denominado como acoplamento perceção-ação, que passa pela ideia de que percebemos para agir, e agimos para perceber. Dessa forma, perceção e ação fazem parte da mesma coisa. Gibson foi autor desse pensamento, ainda que não inspirado especificamente pelo desporto.

Por vezes, e sem pensar muito nisso, apresentamos tendência, quando passamos por jardins, em pisar a relva. Quando pensamos sobre isso percebemos que, sem solicitar os centros superiores de processamento, alteramos a nossa trajetória porque tomar o caminho mais rápido passa exatamente por passar por cima da relva. Bom, o que é acontece é que de forma eficiente, e portanto, sem obrigar o córtex a grande dispêndio energético, percebemos informação sobre a trajetória que nos coloca no caminho mais curto.

Ou seja, o contexto contém informações que especificam possibilidades de ação. A informação que eu considero pertinente, a um nível não totalmente consciente, e que me permite perceber uma possibilidade de ação, reforce-se, em princípio, a um nível não totalmente consciente, essa, já estará dependente das minhas características e, portanto, da forma como estou afinado para perceber informação. Bom, na sequência dessa ideia, talvez seja condição necessária ao treinador conhecer que informações suportam a ação de quem joga. Comenta-se, a propósito, que o treinador não deve interferir, sistematicamente, sobre a tomada de decisão do jogador, de forma explícita. Verdade, por vários motivos. No entanto, de forma implícita, no treino, o treinador pode criar condições para que o jogador perceba, dentro da não-linearidade do jogo, as informações mais pertinentes que especifiquem as ações mais pertinentes. Qual é a informação mais pertinente? Isso pertence a cada treinador. Mas antes, é necessário conhecer a informação que suporta, de forma universal, a ação de todos os jogadores. Não obstante o facto de aceitar que em situações particulares poderá existir recurso a programas motores que efetivem a ação, partindo de imagens representativas, tenho alguma dificuldade em aceitar a perspetiva hierarquizada de que, superiormente, se deteta informação, se decide sobre essa informação, para depois se executar. Muito analítico, parece-me curto. Mais, além de pouco funcional, parece-me pouco económico, e parece-me, igualmente, que o conceito de eficiência é um conceito algo mais interessante. Mas tentado especificar, e tocando no mais simples, dizer que existe evidência de que parâmetros como são a velocidade relativa e distância interpessoal marcam valores para os quais emerge, em determinado momento, a affordance e, por isso, o momento exato em que a emerge a oportunidade que possibilita ao portador da bola ultrapassar o defesa, em situação de um contra um. E um contra um é o mais descomplexo possível. Abaixo de contra um, não é nada. Não é jogo desportivo coletivo, quanto mais futebol. Exatamente porque, nessa situação, não há interações sinérgicas que forneçam informação de suporte à ação.

Como afinar? Parece-me que relacionar conceitos como estabilidade e variabilidade poderá sustentar respostas a essa questão. Parece-me, igualmente, que a pertinência atribuída a cada informação será ditada, não só, mas em grande medida, pela experiência, pelo fator quantidade de prática, pela exploração das possibilidades de ação, e daí por fatores posteriores como, por exemplo, a informação de retorno consequente, seja intrínseca, ou extrínseca. Repare-se no facto da mesma ação, nunca ser a mesma ação. Nós repetimos, sem repetir. E fazemo-lo porque as circunstâncias renovam-se constantemente. A informação, de forma esquemática, é a mesma. Agora, os parâmetros informacionais sofrem oscilações porque um momento nunca é igual ao outro. Logo aí, há uma variabilidade inerente à repetição. Positiva, por sinal. Ainda assim, não deverá ser suficiente, e o papel do treinador será acentuar acertadamente essa variabilidade natural. Até porque é a variabilidade que assegura um caráter adaptativo às circunstâncias, sem perdas de identidade, pelo contrário. Se uma situação não tem situação repetida, como é que os jogadores resolvem situações que nunca experimentaram? Um facto é que resolvem. Consta que a interferência contextual será a forma mais evidente de proporcionar prática variada. Agora, qual a dose ótima de variabilidade que reduz o indeterminismo aparente e a incerteza do meio, preservando a estabilidade? Pois.


Questão, simples: Não será demasiado constrangedor, e muitas vezes, dentro da restrição temporal inerente ao jogo, colocar o jogador a pensar, a decidir deliberadamente, sobre que ação coloca a bola numa zona onde a sua equipa esteja em superioridade numérica, tal como seria se tivéssemos que, constantemente, pensar sobre a escolha do trajeto mais curto até casa, ou sobre qual a distância interpessoal adequada para andar ao lado de alguém na rua?

PS: Este texto foi enviado por um leitor, Matic, aluno da Faculdade de Motricidade Humana. Muito obrigado pelo teu contributo.

PS2: Fácil é comentar sobre se jogador X é bom ou jogador Y é mau, por todos julgarmos saber. Difícil é comentar sobre o conhecimento necessário para argumentar sobre a valia desse jogador. Assim, espero que as grandes polémicas voltem-se sobre este texto em forma dos mais do 100 comentários sobre Ola John, dos mais de 70 sobre Suarez, os mais de 60 sobre Varane, os mais de 100 sobre Mourinho, os mais de 100 sobre Wenger, os mais de 100 sobre Di Maria, ou os mais de 100 sobre Djuricic.


terça-feira, janeiro 21, 2014

Tomada de decisão, o exemplo de Ola John

Entretanto Ola John continua a fazer o que faz melhor, continua decidir a bem. Como temos vindo a defender aqui, e aqui.

Recepção a atacar logo o espaço interior. 1x1 sem cobertura e sem apoio próximo, muito bem resolvido. Depois fixa e solta.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Organização defensiva

Quando a estratégia passa por jogar para não perder, os maus resultados não tardam a chegar.

Aqui, João de Deus deixa a sua impressão sobre o jogo, "A equipa demonstrou uma organização forte, conseguiu cerrar fileiras durante todo o jogo e, por isso, foi pena este desfecho."
Significa isto que o Gil Vicente jogou, novamente, para não perder. Fechou-se na caixinha de 30 metros, contou com a sorte e com os imponderáveis para ter sucesso, contra uma equipa que está claramente ao mesmo nível dos gilistas.
O Gil Vicente abordou o jogo por forma a jogar apenas um momento do jogo, organização defensiva, e nem sequer é o momento ideal para ser jogado à todo o tempo. É muito pobre a abordagem de apenas um momento do jogo, sem preocupações com a competência organizativa quando a equipa tem a bola.

"A Académica teve mais bola e mais oportunidades para ganhar, mas, de qualquer forma, tiveram apenas uma ou duas oportunidades de golo. Perder no último minuto é que é o nosso amargo de boca."
Tivesse a Académica marcado no primeiro minuto e já não seria amargo? Pelo que li, João de Deus disse que Académica mereceu a vitória, por ter ido em busca do golo durante o tempo todo.
Fazer do jogo um treino de defesa vs ataque, durante 90 minutos, é um amargo de boca para os jogadores, e para quem gosta verdadeiramente de futebol. É verdadeiramente deprimente este tipo de futebol, sobretudo, quando não existe uma diferença de qualidade individual evidente entre as equipas.

domingo, janeiro 19, 2014

Klopp, Bayern, Guardiola, e Messi

Aqui começamos a ver os primeiro sinais de excelência, e em Manchester Guardiola deu uma palestra incrível sobre o que é a sua forma de ver  jogo. Confirmou os sinais que sobressaiam no início da época, que nos davam indicadores claros de uma melhoria muito significativa do jogo do Bayern. Assim percebeu-se em pouco tempo, que Guardiola tornou a equipa muito melhor do que o que era no passado. Hoje, Klopp diz coisas que nunca disse anteriormente sobre ao Bayern:
"Atualmente o Bayern é imparável. Por exemplo, o Real Madrid não tem qualquer hipótese de competir com o Bayern de Guardiola. Se o Real Madrid ou o Manchester United não têm qualquer hipótese frente a eles, como podem exigir isso ao Dortmund?"

É essa a diferença entre o Bayern do ano anterior deste ano. O modelo de Guardiola é construído para dominar todos os adversários durante os 90 minutos, não abdicando nunca da bola, independentemente do resultado. Mesmo estando ainda longe da excelência, é um modelo que se superioriza à todos os outros pela forma como Guardiola vai conseguindo que a sua equipa coloque, com cada vez mais consistência, as suas ideias em campo.

"Só vejo mesmo o Barcelona a conseguir deter o Bayern München, mas não a duas mãos: num jogo apenas"

E desta vez não é pela organização colectiva. O Barcelona está longe de ter um modelo que permita competir com o Bayern, contudo, tem uma base de jogadores com um elevadíssimo índice de acerto na tomada de decisão, com muitos anos a jogarem juntos. E tem o factor que me parece mais importante para essa análise de Klopp, o melhor jogador da história. Para mim, quem tem Messi é sempre candidato a ganhar a competição onde se insere, apesar de não ser favorito por não ter o melhor colectivo.

sábado, janeiro 18, 2014

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Avaliação individual dos jogadores

A partir do segundo 35 pode-se retirar o essencial da mensagem de Vítor Pereira


Tal como temos vindo a fazer aqui, no exercício de avaliação dos jogadores, também Vítor Pereira o faz baseado na qualidade.
Qualidade do quê?
Tomada de decisão, posicionamento defensivo, movimento ofensivo (soluções de passe que proporciona aos colegas).
E o resto?
O resto, como aqui defendemos, é o menos importante, é o acessório, é o que o jogo proporciona 5% das vezes.

Entenda-se que uma equipa pode ganhar por 5-0, um jogador ter marcado os 5 golos, e esse jogador ter estado longe de ser o melhor em campo.

Importa estar bem em 95% das acções, e se for possível no restante. 
Estar bem apenas nos 5%, como o adepto gosta, é muito pouco para as exigências do futebol actual.

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Matic e Enzo

Jesus tem um meio campo de classe mundial. De fazer inveja a muitas equipas que lutam pelos primeiros lugares de alguns dos campeonatos mais fortes da Europa.
Por exemplo, os dois médios do Benfica entram juntos directamente no onze de três das seis equipas, que se diz que vão lutar pelo título inglês. E Matic só tenho dúvidas se não entrava no City, por não conhecer Fernandinho no pormenor, de resto, entrava em qualquer onze inglês, e não só.

A melhor coisa que Mourinho poderia fazer neste mercado de inverno, ou na próxima temporada, seria reforçar o seu meio campo.
Incrível como Matic e Enzo teriam muito mais a oferecer ao jogo, do que qualquer dupla que Mourinho utilizou no seu duplo pivot do Chelsea. Ignorando os estatutos e tudo mais, caso Mourinho conseguisse estes dois o seu meio campo, e o seu jogo dariam um salto qualitativo brutal.
Com Matic a coisa melhora, mas ainda me parece curto.