Posse de bola no Facebook

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quarta-feira, janeiro 15, 2014

"Is much more difficult to play offensive"

Não podíamos estar mais de acordo com Mourinho, daí as nossas maiores críticas serem sempre para a forma como as equipas defendem, mais do que para a forma como as equipam atacam. Claro que um factor influência outro, defende melhor quem ataca bem e ataca melhor que defende bem.
Contudo, atacar o adversário na procura do golo durante o tempo todo, sem olhar para o resultado, controlando através da posse de bola, com dinâmica, é muito difícil de conseguir.

Daí a nossa eterna admiração por Guardiola, que chega ao Bayern que ganhou tudo, equipa que se dizia não poder melhorar mais, coisa que sempre refutamos, e coloca o capitão a dizer isto: «Temos potencial para controlar os nossos adversários durante 90 minutos, em vários jogos seguidos, sejam quem forem. Podemos sempre ficar melhores. Praticamos um futebol dominante, mas continuamos a ter momentos em que entregamos aos nossos adversários a posse de bola».

terça-feira, janeiro 14, 2014

Tomada de decisão, o exemplo de Emanuelson

Lance de contra ataque 3x3
Emanuelson muito bem a progredir pelo corredor central enquanto teve espaço. Procura depois o colega que está mais próximo de finalizar, fixando o defesa desse lado, a fraca agressividade da contenção e má decisão do lado a defender permite que se chegue a uma zona muito próxima da baliza em condições óptimas para criar um lance de finalização. Emanuelson mete bem o passe entre os defesas, para o espaço, contudo a qualidade do passe não foi a melhor e obrigou Kaka a fazer um desvio na sua trajectória em direcção à baliza, ficando em piores condições para finalizar. 
Emanuelson acertou em todas as decisões que tomou, depois teve um erro de natureza técnica, que não lhe permitiu executar da melhor forma o último passe.


segunda-feira, janeiro 13, 2014

Tomada de decisão, o exemplo de Ronaldo e Benzema

Após pressão do R.Madrid Benzema recupera a bola, dentro da grande área, sem se conseguir enquadrar com a baliza. Segura a bola até a entrada de Ronaldo fazendo um passe que lhe permite a finalização, tendo ficado enquadrado com apenas a linha defensiva pela frente. Ronaldo, contudo, opta pela melhor decisão que é passar a bola a um colega que fica em melhores condições para finalizar, sem oposição.
Boas decisões e um erro técnico no último passe, que obriga Jese a finalizar em piores condições.



Nunca pensamos dizer que Messi não seria favorito na conquista do prémio da melhor individualidade em actividade, e só o facto de se ter lesionado durante muito tempo poderia provocar esse cenário. Tendo em conta esse critério, Ronaldo será, para mim, um justo vencedor da bola de Ouro. 

domingo, janeiro 12, 2014

Individualidades

As quatro melhores equipas do campeonato defrontaram-se neste fim de semana.
Jogos de grande intensidade, esforço, agressividade, mas nem sempre bem jogados.
Cada equipa dentro do seu estilo, com o modelo de jogo bem evidenciado em cada uma delas. Quando nenhum modelo de jogo consegue superiorizar-se, claramente, por ter mais qualidade, normalmente os jogos são muito equilibrados. Ficou a ganhar a equipa que tem as melhores individualidades, os melhores atacantes, do campeonato.
Jesus não fez um jogo diferente dos que tinha feito nos últimos 3 anos contra o FCP. Apenas teve um adversário pouco competente na criação, e com comportamentos defensivos pouco agressivos. 
Caso este equilíbrio se mantenha, ao nível dos modelos de jogo de cada equipa, o Benfica continuará a ter uma grande vantagem para os seus concorrentes directos.

sábado, janeiro 11, 2014

Aqui Cortez deixa a sua opinião sobre a dinâmica dos laterais no modelo de Jesus:  “Na táctica utilizada no Benfica, os laterais exercem uma função quase exclusivamente defensiva“.

Essas declarações vêm mostrar que Cortez não percebeu nada daquilo lhe foi passado no Benfica, nem tem cabeça para o entender. Esse é muitas vezes o motivo pelo qual muitos jogadores com boas aptidões técnicas e físicas falham na adaptação à clubes com maior exigência táctica.

A função dos laterais no Benfica não é ofensiva nem defensiva. Depende apenas do contexto. De quem tem a posse de bola, da posição onde se encontra o portador da bola, e da posição dos colegas. Os laterais têm uma responsabilidade defensiva, estando a equipa em posse, ou estando sem ela. E o equilíbrio da equipa passa muito pela capacidade que os laterais têm em compreender as decisões colectivas que a equipa toma, em perceber como devem adaptar o seu posicionamento em relação à bola e aos colegas, e como devem defender situações de 1x1.

Provavelmente, exigia-se a Cortez, no treino, constante atenção aos estímulos defensivos, por forma a responder com eficácia às exigências do modelo de jogo do Benfica. Mas é um trabalho demasiado complexo para quem nunca esteve habituado a pensar colectivamente, e a ver o jogo para além do lado da bola. 

Tomada de decisão, o exemplo de Yaya Touré

Com espaço progride e ataca agressivamente o corredor central. Devido à falta de agressividade no comportamento dos defesas do West Ham ganha espaço para chegar a uma zona de finalização. Sem colegas nas proximidades com possibilidade de receber a bola em melhores condições que ele decide muito bem pelo remate.




sexta-feira, janeiro 10, 2014

O traço mais importante do futebol moderno. Tomada de decisão, o contexto, e a qualidade do jogador

"Cada vez mais é aceite a importância da tomada de decisão, mesmo entre os adeptos da modalidade.

Todavia, aquele que é o traço mais importante do jogo na actualidade continua a ser de muito difícil compreensão. Naturalmente, até porque se fosse fácil surgiria como algo natural aos próprios atletas. E a verdade é que se uma percentagem avassaladora de jogadores não sabe sequer tomar uma boa decisão de forma consciente, dificilmente se pode esperar a sua compreensão da parte de quem nunca sequer pisou a relva."

" Ao contrário do que provavelmente muitos pensarão, a tomada de decisão não tem qualquer relação com sistemas tácticos, modelos de jogo, ou nomes dos adversários. Quando um jogador toma uma decisão, apenas uma coisa importa. A situação de jogo em que está envolvido. Isto é, quantos contra quantos, local e condição (enquadrado?) onde tem a bola e posicionamento dos jogadores presentes na situação. "

Isto, claro, se estivermos a falar em equipas com o mesmo nível/volume de treino, que joguem no mesmo contexto (competição), onde as diferenças técnicas e físicas não são fundamentais.
Nestes termos o contexto é que dita se a acção do jogador foi a mais adequada, por forma a aproximar a equipa do sucesso.

"Tende-se a confundir uma boa tomada de decisão com uma consequência positiva e uma má tomada de decisão com uma consequência negativa. Quando não estão directamente ligadas. Uma boa decisão faz aumentar as probabilidades de sucesso da equipa, mas pode em determinado momento, por uma má execução ter uma consequência negativa. Se com um colega preparado para se isolar decidir driblar cinco adversários e for bem sucedido e terminar com um golo fantástico, tal não significa que eu decidi bem."

Este parágrafo é fundamental para se perceber que a decisão deve ser avaliada na altura que o jogador a tomou. Não se pode por isso na maior parte das situações, avaliar a decisão pelo seu resultado final. Há obviamente situações em que avaliar a decisão pelo resultado é possível, pelo tamanho sucesso que o jogador tem no desafio das probabilidades. Mas quantos são esses, que conseguem jogar constantemente no totobola e ganhar?! Poucos, muito poucos.

"Demasiadas vezes a boa tomada de decisão, sobretudo em fases como a da construção e criação, chega até a afastar o jogador da notoriedade, porque este está apenas preocupado com o proporcionar à sua equipa uma boa situação de jogo (com menos oposição e bola mais enquadrada com a baliza). É, por exemplo o caso do post anterior. Um extremo que a um toque coloca um colega de frente apenas para a defensiva adversárias e bem enquadrado no corredor central. O passe de Ola John para Djuricic poderia ter saído mal, mas a decisão teria sido óptima. Já se tomasse a liberdade de arrancar pela linha e tirar um cruzamento, mesmo que tivesse dado golo, teria sido uma má decisão, porque as probabilidades de chegar ao golo dessa forma são incrivelmente mais reduzidas do que fazendo a bola chegar a um colega enquadrado no corredor central só com a linha defensiva adversária à sua frente."

Pensemos numa hipotética situação: Xavi está no corredor central a 20 metros da grande área, com um adversário pela frente sem cobertura. A melhor decisão, para a maioria dos jogadores, seria o 1x1. E é aqui que entra a qualidade do jogador. Xavi não tem 1x1, e não tem velocidade de deslocamento. Para ele, o melhor seria temporizar e aguardar a entrada de alguns colegas. Então, nunca se exigiria ao Xavi que naquela situação tentasse o 1x1 ali. O contexto é influenciado pela qualidade do jogador, como é natural. Contudo, no alto rendimento, estamos a falar de um universo onde a grande maioria dos jogadores tem capacidade para conduzir, passar, receber, rematar, e driblar. Logo, a maior parte dos jogadores tem as ferramentas necessárias para decidir bem, importando pouco o nome do adversário (jogador).

"Quando se fala em tomada de decisão, o nome do adversário conta zero. A menos que o adversário não seja um profissional do futebol..."

Aqui está mais uma vez o contexto. E o contexto é sobretudo influenciado por aquilo que o adversário  e os colegas nos permitem. Por exemplo, na Taça das Confederações a Espanha jogava contra a selecção do Taiti e ao fim de 15 minutos eu pensei que o Navas deveria ter entrado de início. Isto porque a selecção do Taiti jogava com a equipa muito subida dando muito espaço nas costas da defesa. Notou-se na selecção espanhola alguma dificuldade em aproveitar esse espaço porque não tinha, em campo,  jogadores para o fazer à toda largura. Nesse contexto específico o que se pedia da selecção espanhola, como se verificou depois da entrada de Navas, era uma maior aproveitamento desse espaço, independentemente do modelo de jogo que a equipa tem. E aqui, novamente, entra a qualidade do jogador, uma vez que não são todos que conseguem aproveitar esses espaços, tal é a distância que têm de percorrer e a velocidade a que o devem fazer. Mas quantas vezes se repete este contexto, num jogo contra qualquer outra equipa não amadora?! Muito poucas. Normalmente os espaços que os jogadores têm de percorrer em grande velocidade são curtos, e com muitas pernas pela frente. Pernas com semelhante capacidade física e técnica. Pedia-se, dessa forma, um futebol mais vertical, com menos passes, porque o adversário assim o permitiu. Quantas equipas mais a Espanha encontrou a defender daquela forma a profundidade, sem homens próximos entre a bola e a baliza? Nenhuma.
Daí a nossa generalização daquilo que possa ser uma boa ou má decisão, porque na maior parte do tempo o nível das equipas se defrontam é muito próximo.

"A boa tomada de decisão não depende sequer da dificuldade do jogo. O jogo pode ser extraordinariamente difícil e o nível de boas decisões mantém-se elevado, independentemente disso. Apenas, terá situações mais complicadas para resolver. Num jogo de extrema dificuldade, se calhar não foi possível enquadrar as 10 vezes que se recebeu, então entregou-se a bola novamente no lateral em todas essas vezes. A tomada de decisão continua elevadíssima. Fez sempre o que devia fazer. Não teve, porque o jogo foi de maior dificuldade, foi situações para resolver mais próximas da baliza adversária. Esteve, portanto, sempre longe da notoriedade. Mas isto porque o jogo não lhe permitiu mais."

segunda-feira, janeiro 06, 2014

"Ambição não se mostra nos jornais"

Mourinho mudou em muita coisa com o passar do tempo. Contudo, deixou ficar alguns traços importantíssimos que lhe permitiram continuar a ser bem sucedido. Um deles é sem dúvida o que exige dos jogadores, sobretudo no treino. Quem quer jogar tem de trabalhar, tem de "pagar um preço muito alto" para fazer parte das opções.
Há jogadores que o aceitam com facilidade, há outros que pela personalidade acham que devem jogar apenas por terem talento, e há outros ainda que por estatuto acham que têm o lugar assegurado.
Talento por si só não chega, estatutos não lhe dizem nada, apesar de alguma "mágoa" que diz sentir por ter de deixar jogadores de fora, como se pode ler aqui.

A partir do minuto 3:38 Mourinho explica a situação de Kevin De Bruyne


Passeava pelo blogue e lia os comentários do Edson, "O que me parece é que o N. Oliveira, ao invés de aproveitar os empréstimos para evoluir, encara estes processos como um castigo. É uma pena.", e o artigo do Baggio, " Antes de pensares em jogar pensa no porquê de não jogares, pensa nos erros que cometes". 

São frases que fazem sentido, porque não é fácil gerir um grupo de 23 jogadores.

Estou com Mourinho e com Paulo Fonseca, "Ambição não se mostra nos jornais".

domingo, janeiro 05, 2014

Eusébio é mais que futebol, é Portugal


"Mais do que uma das grandes figuras do futebol, Eusébio é Portugal. Significa mais para Portugal do que para os portugueses", afirmou o técnico do Chelsea em declarações à RTP.

"Cresci com Eusébio e Amália como grandes símbolos de Portugal. E é nessa perspectiva que os continuo a ver. São imortais. É claro que é uma perda para a sua família e amigos mais íntimos, agora, para todos nós que sabemos o que significou para futebol e para Portugal, acho que é imortal e vejo-o nessa perspectiva e não na do dia triste do seu falecimento", salientou.

"Foi sempre referência importante por aquilo que foi no futebol, pelos valores, princípios e sentimentos que foi sempre transmitindo, mesmo depois de deixar de jogar. Isso faz dele uma pessoa única no futebol português, que deixa um vazio grande, mas, como disse, vejo-o nessa perspectiva de imortalidade", reforçou.

"Numa geração, e numa altura completamente diferente, foi aquilo que foi. Ao fazer um paralelismo com o que são agora os melhores do Mundo, tem de se pensar no que ele poderia ser hoje, se tivesse 20 ou 30 anos e fosse jogador de futebol. Sem os meios e máquinas que há agora por trás [do fenómeno do futebol], conseguiu coisas incríveis."

"A minha geração ainda tem Eusébio na memória. Lembro-me de ver Eusébio a jogar contra o meu pai. Tem significado especial que não podemos deixar de trazer para as gerações de agora: a imortalidade de um homem que foi tudo para Portugal num período em que Portugal era aquilo que era, e o Mundo completamente diferente. O meu filho sabe quem é Eusébio, sem nunca ter visto o que ele fez", encerrou José Mourinho.

sábado, janeiro 04, 2014

Tomada de decisão, o exempo de Coutinho

Recebemos isto, ontem, do Gito Bastos,  um leitor do blogue.

"Boa Noite!
Sou um leitor assíduo do vosso blog apesar de não ser muito activo na caixa de comentários.
Decidi enviar este e-mail porque gostava de saber a vossa opinião sobre os jogadores demasiado individualistas.
Vi, algures pelo facebook um conjunto de pessoas a elogiar este lance (até fico doente :D)
https://www.facebook.com/photo.php?v=809708075721545


1-O que levará jogadores como Nani ou Quaresma (não conheço muito bem Coutinho) a optarem quase sempre por este tipo de situações?
2-Como se formam jogadores assim?
3-Será que ainda há treinadores que pensam que este tipo de acções aproxima a equipa do sucesso?
segue em anexo a minha análise a este lance."




Concordo em absoluto com a análise que fez nas duas primeiras imagens, onde havia, claramente, um jogador em melhores condições para dar seguimento ao ataque, pelo maior número de opções com que esse jogador ficaria no caso de receber a bola. Na última imagem o drible não sai perfeito, sai um pouco longo, o que impede Coutinho de olhar para o lado antes de rematar, e com o defesa a colocar-se rapidamente para interceptar a bola penso que tomou a melhor decisão que podia naquele momento.

Respondendo as suas questões:

1) O elevado sucesso que têm desse tipo de situações, num determinado contexto, reforça os comportamentos. Depois há treinadores que lhes pedem para o fazer frequentemente, por força do contexto. Por exemplo, numa equipa sem grande qualidade individual onde eles têm de resolver com a sua grande qualidade os problemas da equipa.

2) Bom, é uma questão que tem vindo a ser respondia ao longo de muitos artigos deste blogue, a formação não tem sido a melhor, e por vezes o contexto dita que estes jogadores sejam a equipa, resolvendo tudo o que os colegas não conseguem.

3) Sim, há, e não são poucos. É tudo uma questão de sucesso em contexto. Se um jogador tiver muito sucesso, por exemplo, em escalões de formação com este tipo de acções os treinadores normalmente deixam andar. Não conseguem intervir por o jogador não sentir dificuldade em resolver jogos com este tipo de lances, e sobretudo por não perceberem que no futuro ele poderá sentir dificuldades continuando com este perfil. Depois há os que "castigam" o jogador, privando-o daquilo em que ele é mais forte.

O que é preciso mostrar ao jogador, nesses casos de individualismo, é que os colegas estão lá para ajuda-lo a ser ainda melhor. Que há momentos em que vai ser preciso que ele drible todos os adversários, e outros em que tal não será necessário. A individualidade tem o seu espaço, e certamente que o contexto irá ditar muitas vezes que ele use os seus recursos individuais, no momento certo, não fazendo disso o seu padrão de jogo.

Para finalizar, Coutinho tem um perfil de decisão muito bom. Decide na maior parte do tempo bem, este lance foi uma excepção.

Muito obrigado pelo teu e-mail

sexta-feira, janeiro 03, 2014

"Mas nunca fui uma verdadeira aposta..."

"...do Benfica, nunca me deram uma oportunidade de me poder afirmar. Já lá vão cinco anos, é verdade, mas vemos muitos jogadores em Portugal [pausa]. Por exemplo se Rui Patrício tivesse jogado de início e depois o tivessem tirado da equipa hoje não seria titular na Selecção, não seria o guarda-redes que é."

Palavras de Nelson Oliveira em entrevista ao jornal A Bola.

Palavras que fazem sentido, se pensarmos que a diferença entre ele e outros que na sua idade já apresentavam um nível bastante mais elevado é que os outros tiveram a sorte de serem apostas incondicionais, dos seus treinadores.
Quem fala de Rui Patrício, fala também de Moutinho, e de David Simão e Vierinha do lado oposto.
Alguém duvida que se Patrício e Moutinho não tivessem jogado regularmente, desde tenra idade, ano após ano, jogo após jogo, estariam a exibir-se ao nível em que estão no momento?
Alguém duvida que muitos talentosos apenas não vingaram por falta de sorte?! Por falta de sorte em não terem encontrado um treinador, que percebesse o melhor caminho para continuar com a sua formação, num contexto de grande dificuldade?!
É disto que jogadores que apresentam o nível que Nelson apresentou em tenra idade precisam. Aprender, errar, em treino, e sobretudo em jogo, em contextos de grande exigência.

Perceba-se que o empréstimo nem sempre é a melhor solução tendo em conta as dificuldades do jogador, e isso é algo em que os clubes pensam pouco aquando do empréstimo da maior parte dos jogadores. Primeiro é preciso perceber que o estímulo (dificuldade) do contexto em questão deve ser o adequado para o nível que o jogador apresenta, e depois a equipa/treinador devem ir de encontro as dificuldades do jogador por forma a que ele possa supera-las e melhorar.

Veja-se o exemplo do próprio Nelson. As maiores dificuldades que ele tem são ao nível da tomada de decisão, da relação com os colegas quando ele tem a bola nos pés. Essas dificuldades derivam do estilo de jogo em que teve muito sucesso, assim como de não ter tido um estímulo/contexto de maior dificuldade que o obrigasse a perceber outras opções no jogo. Foi um jogador que sempre resolveu os problemas da equipa individualmente, no Benfica e nas selecções jovens, pela sua mais valia individual. Percebendo, ou não, o Benfica essas dificuldades empresta-o ao Rennes. Uma equipa que vai de encontro a tudo que ele fez até hoje. Joga num modelo que pede aquilo que já se pedia dele, bola no Nelson e ele que resolva. E vai voltar de mais um ano de empréstimo sem apresentar melhorias significativas. Mais um ano para  lixo. Mais um jogador que pode ficar apenas pelo "quase" por não ter tido a sorte de outros na formação.

Outro exemplo elucidativo é o de Bernardo Silva. Pelo que tem feito, na equipa B, percebe-se que precisa rapidamente de um aumento significativo do estímulo de dificuldade, tal é a "arrogância" com que ele passeia na segunda divisão. E esse estímulo só pode ser dado por um contexto de maior dificuldade que só a equipa principal lhe pode proporcionar.

Caso não se mude a forma como se tratam os jogadores, e se percebem as suas dificuldades e a melhor forma de continuar a sua formação, iremos continuar a perder muitos talentosos, por não terem tido a sorte de serem uma verdadeira aposta.