
O crescente número de treinadores com formação académica no panorama nacional fazia prever maior qualidade na formação dos jovens jogadores, e consequente maior aproveitamento dos mesmos ao nível profissional. Contudo, o fenómeno não tem evoluído no sentido que se esperava por três motivos:
1) Ao nível da formação os treinadores têm como objectivo desenvolver uma cultura de vitória. Numa fase embrionária do desenvolvimento do jogador não se ensina o jogador a jogar, não se ajuda o jogador a desenvolver capacidades que lhe vão ser, verdadeiramente, úteis no futuro. Não se dá liberdade e margem ao jogador para errar, aprender, corrigir, voltar a errar e voltar a corrigir.
Os treinadores procuram sobretudo valorizar-se a si mesmos, amarrando os jovens a esquemas rígidos e padrões comportamentais que vão tendo sucesso naquela semana, naquele mês, naquele ano, sem pensar que na formação o objectivo é formar, para ganhar no futuro.
Por esse motivo existe uma tentativa de "robotização" dos jogadores. Todos devem fazer o standard. Fazer tudo igual de forma regrada. Há um foco no desenvolvimento das capacidades físicas, intensidade, e uma sobrevalorização da corrida desenfreada e da garra.
Não é de admirar que cada vez menos existam jogadores criativos no panorama nacional, estando uma das maiores escolas do mundo do futebol técnico e da criatividade a encerrar.
2) Os criativos são cada vez menos, e os poucos que vão aparecendo nas equipas nacionais, sejam eles portugueses ou estrangeiros, são ostracizados por não possuírem características como a agressividade, ou uma estatura física assinalável.
Não há, obviamente, que desvalorizar quem lá chega apenas pelo trabalho e pelo esforço. Mas será justo eliminar os talentosos só porque têm ideias e seguem caminhos diferentes dos pré-concebidos? Será justo que se elimine talento em detrimento de características que são importantes como complemento? Estarão os agentes de maior responsabilidade a valorizar devidamente o talento?
O essencial é que precisa de complemento e não o contrário.
Não há que ilibar, em muitos casos, responsabilidades dos jogadores mais criativos. São muitos os que sentem que conseguem atingir determinado nível sem se esforçarem tanto como os outros, e que nunca chegam a desenvolver o tal complemento importante (como complemento e não como essencial) para atingir níveis verdadeiramente importantes.
Mas será que se está a dar, aos talentosos, uma verdadeira oportunidade de desenvolver o complementar? É que apostar num jogador pressupõe continuidade. Domingo após domingo estarem em campo desde o começo.
Os criativos precisam de confiança para que possam realizar as suas acções com a eficácia desejada, e precisam de serenidade para atingir todo o seu potencial. Isso não é coisa que se ganhe nos treinos e ao contrário do que se diz há coisas que só o jogo dá, e essa é uma delas. Eles precisam de ganhar hábitos de criação enfrentando todas as dificuldades do contexto de jogo (Qualidade colectiva e individual do adversário, ritmo, espaço, intensidade, tempo).
3) Os modelos de jogo muitas vezes não favorecem os jogadores, ficando estes reféns de colocar as suas melhores características em campo, dando a impressão de se esforçarem menos que os outros. A verdade é que a natureza deles é contrária às ideias do treinador. E quando assim o é, são como um peixe fora de água a lutar arduamente pela sobrevivência. Jogam com ritmos completamente desfasados do resto dos colegas, e muitas vezes com funções que são absolutamente desadequadas às capacidades que possuem.
Será que os treinadores que os contratam têm realmente ideia do que estão a contratar?
PS: Exceptuando o facto de ser o jogador da moda, o que é que William Carvalho acrescenta, tendo em conta as debilidades e qualidades da nossa selecção, relativamente aos habituais convocados?
André Martins de fora, porquê?!
Hugo Almeida continua a ser convocado por que motivo?!