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terça-feira, outubro 09, 2018

Obsessão pelo Ataque Posicional

No futebol as equipas conseguem golos em todos os momentos do jogo. Marcam golos de bola parada, de contra-ataque, e em organização ofensiva. Conseguem golos com mérito, golos com demérito do adversário, e obtêm golos com sorte. O futebol, com ou sem a inundação da organização táctica de hoje, sempre foi assim. Aparecem todo tipo de golos por parte de todas as equipas. Ainda que a equipa trabalhe exclusivamente para o contra-ataque, há momentos em que os golos surgem de ataque posicional. A questão que se coloca é a causalidade ou casualidade na forma como se conseguem tais golos. O Chelsea de Sarri, treinador claramente obcecado pela organização ofensiva, pelo ataque posicional, é um exemplo incrível disto: é um exemplo de causalidade na forma como consegue a maior parte dos seus golos.


Olhando para este primeiro golo do Chelsea poder-se-à concluir, e bem, que foi um golo conseguido em contra-ataque. Mas nunca poderemos ignorar a influência que o ataque posicional, que precede a perda, tem nos momentos posteriores. É um jogo ligado, e um continuum entre momentos de perda e ganho de bola. Olha-se para o momento em que se perdeu a bola e os jogadores estavam organizados de tal forma para atacar que conseguiram de imediato defender-se da perda pressionando, e fechando linhas de passe frontais sem ter que recuar as linhas. A pressão de Kante sobre o jogador que recupera e sobre o jogador que recebe o primeiro passe, seguida da pressão de Ross Barkley pelo lado cego, sem esquecer o trabalho de Jorginho e Giroud a fecharem um passe frontal e um passe atrasado respectivamente. Depois, sim, a recuperação e o contra-ataque. Mas também na forma como os contra ataques são desenhados, nas tomadas de decisão, há alguma influência da ideia do treinador. Isto é, os jogadores terão tanto mais critério na definição de qualquer tipo de lances quanto mais critério o treinador exigir em todos os momentos em que a equipa tem a bola.


Mesmo em lances de bola parada é possível encontrar um ponto de contacto entre o volume de faltas que a equipa sofre bem dentro do meio campo do adversário e a forma como procura atacar. É um treinador que trabalha imenso as bolas paradas por perceber que as equipas usam e abusam das faltas para parar os seus ataques, para quebrar a sua dinâmica, em zonas próximas da área onde costuma estar instalado. Com essa informação ele aproveita para maximizar o potencial desses lances, que se repetem muitas vezes durante o jogo.


No resumo final do jogo, com uma análise simplista, apareceria: O primeiro golo em contra-ataque, o segundo golo de bola parada e o último golo em ataque posicional, nos minutos finais quando o jogo já estava resolvido. Com um pouco mais de detalhe eu diria: dois golos que surgem como consequência do ataque posicional, sendo que o golo em contra-ataque espelha a forma como a organização ofensiva se defende da perda, e um último golo maravilhoso na forma como representa um determinado estilo de jogo.

PS: Se Sarri não é o melhor treinador do mundo por estes dias, está muito próximo disso. No final, como em anos anteriores, serão sempre os títulos a validar para a maioria a legitimidade deste último ponto. Por cá continuamos a achar o mesmo que Guardiola, "Não há melhor forma de avaliar um treinador do que olhar para um jogo da sua equipa com um copo de vinho na mão".

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