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segunda-feira, abril 03, 2017

A Circulação Vertical e a Utilização da Largura

A circulação horizontal (em largura) ainda é falada como uma das principais formas de desorganizar o adversário. Até bem pouco tempo onde as referências eram mais individuais do que zonais, tal fazia sentido. Qualquer passe, em qualquer direcção ou sentido, obrigava a um deslocamento e a uma investida na direcção da bola porque esta tinha chegado ao jogador que se estava a marcar. E se isso fosse feito com velocidade, como ainda se fala hoje, mais ainda seriam os efeitos dessa circulação. Com a evolução dos métodos defensivos, com a defesa zonal e com os últimos tempos da marcação individual como a conhecemos os conceitos mudam e as realidades evoluem. Deixa de ser suficiente para desorganizar a equipa adversária circular a bola fora do bloco, em largura, por mais velocidade que se meta nessa circulação.

Com as marcações mistas, e com as equipas a defenderem mais juntas, impõe-se um tipo de jogo mais vertical que obrigue o adversário a reagir e a investir sobre bola para se criarem espaços. Como o adversário está interessado em defender espaços mais do que defender o homem, para o desorganizar e cansar deve-se incentivar a que este saia da sua zona passiva e tenha uma atitude mais pressionante. Tal faz-se usando a bola como engodo. Não é que a circulação horizontal deixe de fazer sentido, e que não permita ultrapassar um ou outro elemento da organização defensiva contrária. Permite guardar a bola com segurança para descansar, permite tempo para que a equipa se (re)organize na sua estrutura posicional definida para começar o jogo ofensivo, e também permite que se encontrem outras possibilidades para se invadir o bloco adversário. Mas se o objectivo for criar espaço, então o melhor é desposicionar o adversário sem lhe dar hipótese ou aos colegas de reagir a tempo de fechar o espaço que foi criado. Atacar a profundidade, usar o apoio frontal para provocar a pressão, ou fazer uma variação de flanco em diagonal (largura e profundidade) para criar desequilíbrio na estrutura adversária. Mesmo em termos de desgaste normalmente diz-se que circular a bola muito rápido cansa o adversário, mas se a circulação for demasiado horizontal e fora do bloco, que não obrigue a saídas das posições definidas, a ajustes e compensações o desgaste será sempre muito pouco. Não há nada que desgaste mais do que uma obrigação de investir rapidamente sobre a bola, e a consequente obrigação de fechar o espaço que ficou livre pela saída do colega da sua zona; pela aproximação da bola e do adversário do bloco defensivo, da linha defensiva, da baliza. As constantes acelerações e travagens no sentido de uma baliza e de outra (para trás e para frente - sair na bola e voltar para uma posição que pode não ter nada a ver com a posição inicial em relação aos colegas) são do mais exigente do ponto de vista físico e mental que pode existir.

A circulação em "U", que utiliza a largura como referência para fazer o adversário bascular de um lado para outro (mesmo que com uma variação horizontal longa de corredor para o lado contrário) tem hoje face às novas organizações defensivas poucos efeitos práticos. A largura deve ser utilizada, sim. Mas de forma circunstancial, apenas como referência para encontrar espaços centrais, ou em situações de ataque à última linha do adversário. Uma equipa que faça da circulação vertical o seu ponto forte (que utilize apenas a largura pontualmente para retirar de pressão, para encontrar outros ângulos para atacar o corredor central, e para para causar constrangimento à última linha do adversário), que saiba exactamente os efeitos da circulação vertical e esteja trabalhada para aproveitar os espaços que daí se criam será sempre a equipa contra a qual o adversário sentirá maior desgaste. O Nápoles talvez seja, hoje em dia, a equipa que melhor faz uso dessa circulação para criar espaço, e que está melhor preparada para o aproveitar.