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sexta-feira, fevereiro 24, 2017

O gradual desaparecimento de Óliver

Têm sido muitas as reacções no sentido do mau investimento que foi a compra de Óliver Torres, e ainda que possa chocar concordo absolutamente com essas apreciações. Óliver Torres tem piorado ao longo do tempo, e a sua influência no futebol da equipa, o seu rendimento, não é o mesmo. Não tem aparecido com o fulgor que nos habituou, e com a  superior qualidade da construção à criação. Por isso, reitero, foi uma compra despropositada.

"Lá fora perguntam-me constantemente como é que se vai buscar jogadores ao futebol português se as equipas não nos permitem perceber as qualidades deles de forma consistente, por estarem maioritariamente envolvidos em tarefas defensivas ou em duelos"
A frase é de José Boto, uma das minhas actuais referências.

Em Portugal é difícil encontrar uma equipa que permita aos seus jogadores mostrar qualidades ofensivas distintas, e há jogadores que não se conseguem expressar em campo, mostrar o que de melhor têm, porque o jogo que se joga não os favorece. O exemplo máximo é Xavi. O jogador mais incrível que passou pelo futebol ao nível da tomada de decisão, sem intensidade para recuperar defensivamente e força que vença duelos, para vergar o mundo à sua superior qualidade necessitou que o jogo desse uma volta no sentido de o beneficiar. E tendo-o beneficiado, não houve ninguém melhor do que ele. Passou a ser o jogador que corria mais, porque corria para ser uma linha de passe constante; passou a ser o jogador que mais recebia a bola, por consequência de ser sempre uma linha de passe e dos colegas reconhecerem a influência que tinha para todo o jogo da equipa. No fundo, Xavi sempre foi aquilo que o ambiente onde esteve inserido quis fazer dele.

O mesmo se passa com Óliver, Rúben Neves, e até com Diogo Jota. Talento não lhes falta, e já se mostraram capazes de o expressar. O problema é que a medida que o tempo passa o jogo da equipa vai mudando, a equipa vai ficando cada vez mais parecida com o que o treinador quer, e o efeito de jogar com outros talentosos em campo vai-se esfumando. A escolha do onze, que continua a ser fundamental para fazer um futebol grande (como foi aparecendo quando os talentos andavam soltos) perde a influência que tinha porque o jogo é outro. Não é num jogo de duelos, de procura constante da profundidade, que se podem notabilizar estes talentos. Tão pouco é num futebol que se quer jogar sem bola. Para o rendimento de Óliver voltar a ser constante, e não apenas de momentos, a equipa precisa de em primeiro lugar de querer mandar no jogo. Querer ter bola, e ter uma ideia diferente da forma de a utilizar para chegar ao golo. Para que Óliver tenha mais tempo a bola, esteja mais envolvido no que de melhor pode dar ao jogo. Para que os colegas comecem a perceber que o jogo da equipa será tanto melhor quanto mais vezes a bola passar por ele. Depois o treinador precisa de ter a coragem para deixar que sejam os jogadores os protagonistas. Soltar os talentos em campo, os inteligentes e de qualidade técnica assinalável. Para que cada vez mais, e cada vez melhor, joguem uns com os outros. Que sejam eles a criar os melhores princípios da equipa, e a gerir o jogo, por terem percebido onde e quando é que o colega vai aparecer e em que condições gosta de receber a bola. No fundo, treinar para que os talentosos joguem em função uns dos outros e comecem a intuir as intenções do colega antes dela acontecer. Porque é isso que dá velocidade ao jogo e surpreende o adversário. Ver antes é muito isto. Para Rúben Neves, Diogo Jota, e Óliver Torres voltarem a ser inquestionáveis, o jogo é que tem de se adaptar a eles e não o contrário. Comprar Óliver, pedir Jota e ter formado Rúben Neves são opções irresponsáveis se o futebol da equipa não "chamar" pelas suas melhores qualidades. E que qualidade têm eles.

3 comentários:

Jorge Carolo disse...

De facto há contratações que não fizeram sentido e se a intenção era jogar este tipo de jogo o Porto deveria ter ido resgatar o Marega e nunca ter contratado o Oliver e o Jota.

Mete dó o azar e as más decisões que Oliver tomou na sua carreira...

Com o Dortmund interessado onde serviria como uma luva e anda pelo banco do Porto...

Devia dar prisão ao NES deixar estes no banco e apostar em Danilo, Andre Andre e Soares...

Dá deus nozes..

Blessing disse...

A direcção do Dortmund não conseguiu convencer o Oliver =)

RS disse...

Parece-me um pouco má comunicação entre o departamento de recrutamento e a visão do somos porto do NES...