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domingo, novembro 27, 2016

Os melhores do mundo na Premier League. Treinadores que falam do jogo!


Os inteligentes

Será sempre uma luta inglória tentar convencer a maioria dos que vivem o fenómeno do futebol de que jogar com os melhores, com os mais inteligentes, é ter mais de meio caminho feito para ganhar. Dizer que os mais inteligentes são facilitadores de todas as acções do jogo, que são quem mais preponderância tem nos momentos que mudam jogos, viram resultados, e vencem campeonatos; é uma tarefa inglória para os que como eu defendem que uma equipa será tanto melhor quanto mais inteligentes forem os seus jogadores.

O treinador, que trabalha para facilitar a vida aos seus jogadores, tem a vida muito mais facilitada quando opta por não deixar os inteligentes de fora. Porque dentro dos padrões que o treinador trabalha durante a semana, dentro das situações que se repetem no treino, são sempre os jogadores a escolher o momento certo para as colocar em acção, ou para fugir da acção. Um modelo de jogo que beneficia os jogadores, por serem capazes de o interpretar e executar de acordo com aquilo que são os seus principais atributos, só poderá dar o salto qualitativo para lá da influencia do treinador quando a inteligência é o atributo que reina. 

Há jogadores capazes de interpretar e jogar de acordo com o que o treinador diz, de acordo com o que o treinador trabalha; e há outros jogadores capazes de usar o que o treinador diz, o que os colegas esperam que se faça, e as rotinas que se trabalham exaustivamente, para mudarem o rumo de um jogo em função da adaptação do adversário. E a isso, a esse pequeno pormenor, chama-se inteligência. Saber quando se deve sair dentro do que está trabalhado e é reconhecido por todos, para entrar num registo de improviso onde "tudo" é novidade.








Como é óbvio nada disto teria sido conseguido desta forma sem Walker ter ficado preso à referência individual, sem a tentativa de Dembelé antecipar o lance e por isso ter sido enganado por Matic, e sem a pouca competência de Dier para defender Pedro. Mas, sem este jogo de posições, sem as acções individuais de cada um dos jogadores do Chelsea (mesmo os que não tocam na bola, mas ainda assim decisivos no lance - Marcos Alonso, por exemplo), o lance não teria sido possível. 

Rúben Semedo, o jogador que mais me surpreende a cada dia que passa.

Nunca fui fã ou apreciador daquilo que Semedo mostrou nas primeiras vezes que o vi em campo. Pelo contrário. Parecia-me mais um tipo grande e veloz, mas com pouca capacidade quer técnica quer cognitiva para se integrar no futebol de equipa grande, e destacar-se como elemento fundamental em todos os momentos do jogo. A verdade é que a posição onde apareceu a jogar, no meio campo, não me ajudou na altura de ajuizar sobre o seu valor; mas mesmo em Setúbal, onde foi central, não me pareceu nunca que pudesse vir a ser o que tem sido agora. Ainda com muito erro, é certo. Ofensivo, e principalmente defensivo. Como é veloz, robusto, e ganha muitos lances imponde-se pelas capacidades condicionais, tende a ser pouco cuidadoso na forma como aborda os lances. É pouco cauteloso porque se acha invencível, imbatível, inultrapassável. E quando o é, pensa sempre que consegue recuperar. É sobretudo aí que deve melhorar para ser um central de eleição na Europa, na impetuosidade com que aborda todos os lances que enfrenta.

Onde Semedo me tem encantado é na forma como com bola se consegue evidenciar em passe, mas sobretudo como em condução consegue invadir o bloco com um conforto de fazer inveja aos melhores do mundo. Com a tranquilidade para tomar a melhor decisão, com o critério com que opta pelos momentos para o fazer. A criar desequilíbrios, quando o adversário está instalado no seu meio campo defensivo, tem sido o melhor central português. Não entendo muito bem como é que ainda não é primeira escolha na nossa selecção. Nenhuma das escolhas de Fernando Santos para o lugar dá o que ele já consegue ao jogo. Com uma margem de progressão enorme, e mesmo assim já é o melhor deles. A evolução foi tremenda!

sábado, novembro 26, 2016

Quando o jogador procura por respostas não é de respostas que precisa

Um dos maiores problemas do treino, hoje em dia, é a necessidade em se perceberem resultados no imediato. O treinador planeia cada exercício no detalhe para que possa ter como consequência daquele trabalho de exercitação resposta imediata dos jogadores, conforme o objectivo que traçou. Em cada condicionante, em cada tempo de exercitação, em cada pausa, todas as respostas estão calculadas. O jogador vai fazer isto nesta situação, aquilo naquela, e outra coisa qualquer noutra. Tudo está prescrito; e por isso, limitado. Não há espaço para a criação, para a liberdade, para a improvisação.

Dennis Bergkamp
Quando o jogador procura por respostas não é de respostas que precisa. Responder às questões que os jogadores vão tendo durante o jogo, durante o treino, limita a cabeça dos pequenos. Eles precisam é de informação! Informação que os ajude a perceber o contexto, e dentro das suas capacidades usarem isso para resolver o lance. Começarem a antecipar e imaginar o que se pode fazer para que consigam atingir ou evitar o golo. A coisa mais simples, o colocar dificuldade ao jogador acaba por ser a mais difícil de se colocar em prática no treino. Dificuldade que o ajude a evoluir nos aspectos em que ainda é pouco desenvolvido; dando-lhe a liberdade para escolher não entre A e B, mas sim entre A e outra coisa qualquer que lhes surja. A diferença está aqui. Porque não há situações iguais, a melhor resposta é o "depende". Depende da situação, e é nisso que eles se devem especializar. Na leitura da situação para que possam depois decidir em conformidade.

Ao ver um treino entre juniores e seniores lembrei-me novamente do quão bom é treinar sem castrar. Um jogador que vai ao choque no primeiro lance contra um jogador mais velho e perde, cai, e depois disso tenta arranjar estratégias dele para evitar o choque sempre que recebe. Já não pisa e espera pelo adversário, já não encosta para proteger a bola. Solta mais depressa, antes de receber já viu para onde deve seguir, procura colocar-se por forma a receber com espaço, movimenta-se para desequilibrar sem bola e também usa os colegas para tal efeito. Como não recebe a bola dos mais velhos, por estes não terem confiança na sua capacidade de dar o melhor seguimento ao lance, cuida de cada bola que recebe como se fosse a última. Porque se falhar é bem provável que seja mesmo, e que passe o jogo todo sem tocar nela. E quais foram as condicionantes desse exercício de treino? Quais eram as regras?

quinta-feira, novembro 24, 2016

Um treinador trabalha com a certeza que a perfeição nunca chega. Até que um dia, contra um grande adversário, num lance, tudo se alinha.

Há dias em que o nome deste blogue não faz sentido. E há outros dias em que o sentido dá nome a este blogue. Porque há um lance de onde cada decisão é o que deveria, onde cada jogador aparece onde se pedia, onde cada gesto técnico corresponde ao que o jogador imaginou. A perfeição da construção à criação, apenas borrada pela finalização. Um alinhamento perfeito de todos os factores que influenciam o movimento ofensivo, que nos faz crer uma vez mais que é no Sporting que se encontra o melhor colectivo de Portugal. Apesar de não ser a melhor equipa por não ter individualidades que façam o colectivo transcender-se para lá do limite da influência do treinador.












sábado, novembro 19, 2016

Diferença de estímulos

Lahm é um grande jogador. Mas a diferença que um treinador com ideias diferentes pode fazer,  ao permitir aos seus jogadores catapultar o seu jogo para outro nível, é imensa. No pormenor, a tomada de decisão que aos poucos vai mudando.


quinta-feira, novembro 17, 2016

Anatomia de um golo

Sobre Otamendi não há nada a acrescentar. Desde que chegou à Portugal que se destacou como um dos melhores do mundo, naquilo que o futebol de uma equipa grande exige. E enquanto jogou o futebol dos grandes o destaque foi imenso. Porque é nas pequenas acções de construção, que potenciam melhores condições para criação que se percebe a qualidade do pequeno argentino. Pequeno porque na posição que ocupa não é natural ver alguém com tão pouca altura.

A assistência de Messi é maravilhosa, mas é a forma como Otamendi o descobre que me importa destacar neste lance.



Se a bola entra em Messi nesta altura, poderemos dizer com alguma segurança que tanto James Rodriguez como o interior esquerdo colombiano ficariam dentro do lance, com possibilidade de se colocarem como oposição à Messi. A bola poderia também entrar em Banega, e este poderia tocar para Messi de primeira, mas sempre com menos segurança uma vez que estava apertado nas costas. Otamendi temporiza, sempre em direcção ao adversário porque percebe que há a possibilidade de colocar o passe atrás da linha média, ficando apenas a faltar que Messi o percebesse. 


Otamendi usa a bola como engodo para fixar os dois opositores. Provoca até perceber que havia condições para colocar a bola no melhor espaço, e quando Messi recebe há uma possibilidade de atacar logo a profundidade explorando o 2x1 contra o lateral colombiano que libertara Banega.



De realçar o bom trabalho de Pratto a esconder-se nas costas do central mais afastado da bola, que estava fixo pela acção de Messi.

quarta-feira, novembro 16, 2016

Depois de Messi não há mais nada. Nem nunca houve!

"Estou com Sampaoli, que diz que a Bola de Ouro é para Messi e que deveria fazer-se outro troféu para os restantes jogadores. O que o vimos fazer frente ao Sevilha é poesia pura, é o nível máximo. 
(...)
Não se consegue ir tão rápido com a bola nos pés, não se consegue fintar adversários com tanta tranquilidade, não se consegue marcar golos assim e oferecer assistências daquelas. Ele é a verdadeira estrela do futebol mundial, se podem ir vê-lo têm de ir, porque a sua presença vale o preço do bilhete. Pelé, Maradona e Messi são os grandes da história. Obrigado, Messi, por aquilo que nos deixas ver"
Fábio Capello

A execução e a velocidade continuam a impressionar e a assombrar cada relvado que pisa. Mas é na forma como em milésimos de segundo consegue criar e surpreender que se percebe a singularidade do génio. Messi é excepcional, e o melhor da história, pela forma como no lance que se segue "tira" a bola de Higuaín. É ver e rever até não sobrar nem uma réstia de dúvida.

Olho para a equipa de Klopp e penso: Gostava que a minha equipa jogasse assim...



quinta-feira, novembro 10, 2016

O Liverpool de Klopp não é coincidência

É sempre muito cedo para se tirar conclusões sobre o futuro das equipas até fechar o mercado de inverno. Mas este Liverpool de Klopp, que já na época anterior protagonizou um dos dois melhores jogos que vi durante o ano frente aos Spurs, é sensacional. Ofensivamente todos os movimentos trabalhados: das combinações às penetrações, e a pausa para que a equipa se coloque nas posições correctas. Quando sai a jogar curto, e quando procura a referência para ficar com a primeira e segunda bola. Em contra ataque, quase sempre tem finalização. Mas nada é mais impressionante do que o conforto com que jogam entre sectores. Com mil e uma soluções para criar e finalizar. São, a meu ver, a equipa que melhor e com maior frequência entra na grande área adversária. Se não dá para entrar, têm a capacidade de ameaçar com o remate fora da área. É assombrosa a forma como conseguem manter a bola e criar dentro do bloco.

segunda-feira, novembro 07, 2016

No golo do FC Porto, o pormenor: Tempo e espaço!

É no meio campo que os melhores devem jogar, numa equipa que quer jogar. E tendo os melhores nesse espaço, é só criar condições para que possam beneficiar a equipa e os colegas, fazendo com que todo o jogo passe por eles. Óliver e Otávio. O lance começa com Maxi a solicitar Otávio no corredor central, que de imediato procura Óliver. Este, sentindo que ia ser pressionado, devolve de primeira em Otávio. Foi aí, depois de receber a devolução de Óliver que Otávio percebe o espaço entre a linha média e a linha defensiva do Benfica, faltava apenas que um colega também o percebesse para que ele conseguisse colocar lá o passe. Ele temporiza, temporiza, temporiza, e sente que não tem condições para colocar lá o passe sem algum risco. Nessa altura poderia ter colocado em Maxi, mas Cervi já se colocava em posição de o fechar e o movimento que fez no sentido do corredor lateral não lhe abriu a possibilidade de passe que ele queria. O desequilíbrio começa quando Otávio se vira novamente para Óliver, que sem se mover do espaço que ocupara inicialmente desequilibra completamente o lance. Por ter tido condições para observar a situação enquanto o seu colega "dançava" entre as soluções possíveis, ganhou tempo e espaço (enquadramento) para colocar em Corona na melhor posição onde a bola poderia entrar. Antes de receber a bola Óliver já sabia para onde deveria seguir, e a vantagem está toda aí. Toca  de primeira em Corona, no espaço entre a linha defensiva e linha média do Benfica, que inicia a marcha em direcção a Jota que recebe já dentro da área, em condições muito favoráveis. É-lhe fechado o espaço interior, com a contenção e a cobertura bem alinhadas no lance e o golo surge por um erro de Éderson que lhe permite a possibilidade de finalizar num ângulo que deveria estar fechado. Mas é um passe de primeira que antecede a acção de Corona, depois de uma troca de passes que parecia estéril entre Óliver e Otávio que desequilibra por completo o lance. Desequilibrado não pela superioridade numérica, que é coisa que o Porto nunca teve no lance (nem no centro de jogo, nem nas zonas periféricas), mas pela competência para descobrir o melhor espaço para a bola entrar.


domingo, novembro 06, 2016

Neymar!


Não deu golo, mas...

Porquê?!

Questão para Nuno Espírito Santo: Mas por que é que o Porto não alinha sempre com jogadores deste perfil, insistindo de forma recorrente à dois médios sem grande talento?!

quarta-feira, novembro 02, 2016

Não basta dar os princípios, é preciso o jogador acreditar!

A estratégia de Guardiola foi a mesma para os dois jogos: pressão sempre muito adiantada. Tirar o Barcelona do conforto que é ter sempre a bola controlada em qualquer espaço, para que pudessem então competir num jogo mais dividido. Para muito a estratégia ruiu em Camp Nou porque o City foi vergado por um vendaval de futebol do Barcelona. E não é que o Barcelona não tivesse feito um jogo fantástico (que o fez), mas os City também. Pelo menos até Bravo ser expulso. Aliás, essa meia hora inicial do City contrasta em tudo com a primeira hora de ontem. O Barcelona na primeira meia hora em Manchester dominou como quis. Teve bola em zonas adiantadas, conseguiu sair com relativa facilidade das situações de pressão, e não deixou o City jogar como gosta. Marcou um, e podia ter feito outros sem que a equipa de Guardiola tivesse hipótese de resposta. Em Barcelona, a primeira hora foi muito distinta e o jogo foi dividido. No entanto, ontem o City não saiu a perder para o intervalo não obstante do mau jogo que estava a realizar.

A grande diferença da primeira para a segunda parte foi a forma como City chega ao golo. Numa recuperação em zonas adiantadas, em posição muito privilegiada, e consequente golo. Quando até aí a pressão vinha sendo relativamente ineficaz, e os jogadores descrentes de que aquela era a fórmula certa, surge o maior estímulo que poderia existir para validar perante os jogadores a estratégia do treinador: o golo. Não um golo qualquer! Mas um golo obtido da forma como o treinador apresentou aos seus jogadores. A mudança de De Bruyne para o corredor central foi importante para ganhar agressividade nos momentos de pressão, mas nada foi mais importante do que o golo para regressar a crença de que era por aí que poderiam causar dano ao adversário. Na segunda parte, as recuperações em zonas adiantadas sucederam-se e foram imensos os lances em que o City poderia ter marcado. Tal como o Barcelona há duas semanas teve os detalhes do seu lado na forma como consegue marcar, Guardiola teve ontem na forma e no minuto em que chegou ao empate; Ganhou o ímpeto ideal para reforçar a estratégia ao intervalo, e convencer os seus jogadores a terem confiança na forma como planearam o jogo. Sem esse estímulo, naquele momento, não creio que fosse possível uma segunda parte tão diferente onde foram claramente superiores.  Porque uma coisa é o que o treinador define, outra coisa é aquilo que o jogador sente.