Posse de bola no Facebook

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quarta-feira, maio 11, 2016

Jorge Jesus, que modelo de liderança afinal?!

Dito por especialistas, modelo que não potencia a autonomia, não tem abertura suficiente para os jogadores se expressarem e inventarem soluções. Que não deixa espaço para os jogadores decidirem por si. Porém, num vídeo curtíssimo, Jorge Jesus, o treinador, dá provas do contrário. Abertura total para dentro do trabalhado serem os jogadores a encontrar as melhores soluções tendo em conta o contexto. Melhor do que ninguém Jesus sabe que são os jogadores que jogam. E, alguém dúvida que Jesus seja tão obcecado pelo controlo dos movimentos dos jogadores, com e sem bola, quanto Guardiola? Eu não. E até diria que Guardiola ainda é mais rígido. 

Com Witsel, Nolito, Aimar e Gaitan por perto: "A bola tem que entrar em vocês caralho, ahn?! Vocês é que têm que ver onde e como, ahn?!"


"Demasiadas vezes vejo as opiniões toldadas por aquilo que é a "personalidade" do treinador, esquecendo-se que o dá na televisão e nas conferências de imprensa é uma coisa, a forma como o treinador se relaciona com os jogadores é outra."
Luís Cristóvão

Num post de há um par de anos atrás, Aqui

13 comentários:

Edson Arantes do Nascimento disse...

Eu não coloco a questão nesses termos. O problema de liderança do Jesus não é de operacionalização de um modelo de jogo.

Nada disso. Aqui o homem é mestre total. Mesmo que o modelo de jogo dele seja também rígido, no sentido em que os posicionamentos (tanto ofensivos como defensivos) são repetidos até à exaustão. Considero um bom sinal - mas também é verdade que lhe trouxe alguns dissabores no Benfica.

Na altura, uma das possíveis críticas ao seu modelo era precisamente a excessiva confiança que depositava em acções individuais em posse de bola. Mas aqui ele foi flexível o suficiente para mudar um pouco. Para ajustar as ideias a um maior equilíbrio com bola.

Houve alturas, sobretudo em fases de menor confiança e fulgor físico, em que a equipa do Benfica jogava um futebol demasiado mecânico e repetitivo. Lembro-me de duas: o início da segunda época, sobretudo depois da entrada do Salvio (que substituiu o Ramires na equipa); e o início da temporada após a luta com o Cardozo e o golo do Kelvin. Especialmente até ao jogo com o Gil Vicente em casa (há uma entrada aqui sobre esse jogo), em que o Benfica virou o resultado em dois minutos, golos de Markovic e Lima.

O Benfica fez um jogo horrível e passou a segunda a parte a meter bolas no corredor e a despejar para a área.

O problema do Jesus, dizia, é na liderança interpessoal, digamos assim. É de integração num contexto diverso e com diferentes personalidades. É aqui que a sua personalidade trás problemas, consoante o contexto. No Benfica é hoje nítida a guerra que foi montada entre JJ e os restantes colaboradores do futebol do clube. Que teve várias fases e vários sinais. Aliás, há pouco tempo JJ disse publicamente que "apenas Rui Costa entende de futebol na estrutura do Benfica". Uma mensagem bastante clara.

É aqui que ele perde espaço de manobra. E de relacionamento. Lembro-me que o Carraça, por quem eu não dou uma beata (talvez erradamente, se calhar estou a ser injusto com o senhor), saiu do Benfica e disse que o JJ não podia usar e descartar os jogadores quando mais lhe convém.

Tenho ideia, mas posso estar enganado, que a luta com o Cardozo estava relacionada com o Melgarejo. E com uma suposta excessiva utilização (e insistência a lateral) quando estava completamente de rastos em termos físicos. E depois Melgarejo foi dispensado.

A forma como ele se dirige aos adversários também é um potencial foco de inconsistências. Em vez de ser uma pessoa autónoma e uma referência para todos os que o rodeiam, acaba por ser um problema para a empresa. Tem de estar sempre debaixo de olho sob pena de atear fogos por todos os lados. Não são características que eu identifique como boas para um líder.

Pelo contrário, são sinónimos de insegurança.

Já não basta ser o rei do relvado (e com razão porque é treinador e ainda por cima é um mestre) como ainda diz para toda a gente ouvir que: "a estrutura sou eu".

Julgo que foi o PB que escreveu, há uns tempos, no facebook, que conhece um treinador da formação do Benfica que coincidiu com o JJ - e que em três anos o homem nunca soube o nome dele.

E que não o deixava filmar os seus treinos com os miúdos porque receava que apanhasse as imagens de fundo com o treino da equipa principal. Ou seja, pelas várias descrições que se conhecem, o homem não partilha nada.

Não se percebe até hoje, e para mim é mesmo um enigma, os casos de Lindelof e Bernardo Silva. Especulo que seja mais um caso de insegurança/desconfiança face ao que os outros lhe diziam. A verdade é que não havia praticamente ligação entre as diferentes equipas do Benfica.

É evidente que isto são tudo teorias, mesmo assim tentei pintar o quadro com diferentes exemplos concretos.

Hélder disse...

O vídeo é da terceira época dele, a primeira a morrer na praia e acho que daí em diante ele mudou o chip - mais controlo, menos liberdade. Percebe-se pelo modelo: Mais proximo do 4132 do que do 41212 e pelos interpretes - Entra Lima sai Saviola, re-entra Salvio sai Nolito, Aimar perde espaco para Enzo no meio, etc. E a mudanca trouxe frutos, mais pontos na liga, final da taca e liga europa.

Acho que o verao de 2012 marca a mudanca no paradigma, mais orientado ao pormenor.

Blessing disse...

Edson, a questão é: essa liderança afecta o comportamento dos jogadores em campo?

bio disse...

A outra questão que coloco ao Edson e também ao blessing é a seguinte:

- haveria um fomento da ligação entre a B e a A?

Isto é,a direção apoiava, como agora o faz, essa ligação, ou utilizada a Equipa B como entreposto? Como parte fundamental da resolução dos problemas financeiros do dia a dia do clube?

É que eu vejo algum interesse do JJ na equipa B do Sporting, por isso estranho o esquecimento a que foram votados o Bernardo e o Lindelof...

Pergunto por desconhecimento, mas que é estranho... É.

Gonçalo Mano

Blessing disse...

Gonçalo,

André Almeida, André Gomes, Cavaleiro. No último ano Guedes. Porque são jogadores que cumpriam com os requisitos dele. Não sei como é que ainda há malta que estranha as opções de Jesus mesmo depois de ele falar tanto sobre o jogo, sobre o jogo que ele quer jogar.

Primeiro critério para ele escolher um jogador, seja em que posição for, para o modelo dele: Se os jogadores têm capacidade para cumprir do ponto de vista físico com as exigências do modelo. Depois o resto. Ele ainda esta época repetiu isso. Bernardo nem correr podia. E o jesus não pode com isso.

No Sporting igual. Os jogadores mais frágeis fisicamente ficam de fora. Os que não se destaquem em velocidade, no choque, na primeira bola, etc. Ele sempre ligou à B. Mas o Benfica tinha também muita qualidade. Então ele dava-se ao luxo de preterir um jogador genial como Bernardo. Quanto ao Lindelof, com Jardel e Luisão, ou Garay. Quem se atrevia a questionar a dupla de centrais? Relembro que na última época ele já treinou a maior parte das vezes com os A. Mas não tinha espaço nê. Claro que se pode dizer que o Lindelof é melhor do que N gajos contratados. Mas, mesmo esta época, se no é a lesão de Luisão, Jardel, Lisandro. Alguém tinha pensado no puto? Não. Foi uma sorte e por necessidade que entrou. Hoje todos criticam jj por ter o melhor central fora das opções, quando com rv também estava fora. No futebol, infelizmente, ainda há coisas que pesam mais do que a qualidade. No início da época conversava com amigo meu e dizia: da forma como rv quer jogar, com a linha defensiva onde a quer colocar, tem que tirar Luisão do 11 e aquilo melhora logo muito. Puff, Luisão lesionou-se. De repente Lisandro em evidência. Agora Lindelof. Mas alguém acha que se Luisão estivesse bem saia? E não tinha sido a melhor opção ele sair? Não é Jardel e Lindelof a melhor dupla de centrais do Benfica, bem como do campeonato? Pois. É a qualidade que conta, ou há mais? Tirar o capitão? Ui. Comprar guerras.

Gandaia disse...

Caso não tenham ouvido tentem fazê-lo: as declarações do Marco Pedroso após o final do jogo de ontem.

Vasco disse...

Morata nao marca golos. Porque não Paolo Dybala?

Rui Dias disse...

Gandaia que disse o Pedroso? Nao ouvi nem encontrei em nuenhum local.

Gandaia disse...

Basicamente disse que Rui Vitória é um treinador de partilha de conhecimwnto e que dá liberdade ao staff para realizarem o seu trabalho ao contrário de Jorge Jesus. Talvez consiga daqui a uns dias meter as declarações no youtube e depois coloque aqui o link.

Rui Dias disse...

Caso consigas agradeço imenso se o puderes colocar aqui. abraço

Gandaia disse...

https://youtu.be/RitQkwUScqk

Rui Dias disse...

muito obrigado Gandaia!

Gandaia disse...

De nada. :)

Penso que são declarações importantes para este post porwue vêm de alguém que lidou directamente com JJ durante muitos anos e que demonstram a diferença que existe, neste caso, de JJ e RV em termos de liderança e de envolvência dos restantes elementos do staff e em particular da partilha de conhecimento.