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sábado, abril 30, 2016

Segundos que mereciam ser primeiro

Uma época boa naquilo que concerne ao futebol jogado nas ligas mais importantes da Europa, onde pelo menos uma equipa fantástica no momento de organização que define os grandes (ofensiva) conseguiu lutar pelo título até às últimas jornadas. Daí se demonstra, não só a importância que Guardiola teve para a evolução do jogo e para maiores preocupações com o momento ofensivo, como também se demonstra que equipas marcantes na forma de atacar conseguem lutar pelo título. Todas elas comandadas por treinadores extraordinários, que apesar da sua classificação e por se apresentarem colectivamente melhor do que outros merecem projectos de outra visibilidade, que os permitam lutar pela maior prova da Europa.

Tottenham. Equipa de posse desde o Guarda-redes como há muito não se via nas ilhas britânicas. Apesar do desinvestimento feito no plantel, Pochettino  conseguiu juntar um grupo de jogadores comprometidos com as suas ideias, e apesar do seu jovem plantel conseguiu que fossem competitivos o suficiente para lutar pelo campeonato. Ainda que não goze das mesmas condições que outros, e ainda que o contexto o tenha favorecido (com os grandes a perderem dezenas de pontos), é de notar o que um treinador sem grande currículo, mas com ideias de qualidade, consegue fazer quando lhe é permitido colocar as suas ideias em prática.

Nápoles. Incrível o domínio que tem dos vários momentos do jogo; a equipa de Sarri é um espanto. Ofensivamente espanta com os seus apoios frontais; procura obsessiva do corredor central para criação, com a forma paciente como procura atacar. Mas também na forma como se organiza defensivamente. A linha defensiva trabalhada ao detalhe como Itália há anos não vê. Não deixa de ser irónico no país onde a organização táctica foi sempre muito gabada não existirem equipas particularmente organizadas em todos os momentos do jogo. Tivesse tido os imponderáveis do seu lado nos jogos grandes, e talvez não se estivesse hoje a falar da competência individual dos seus jogadores como principal factor que os afastou do título. A mais completa equipa da Europa.

Sporting. Sem margem para dúvida a equipa melhor preparada colectivamente em todos os momentos do jogo. A melhor a atacar e a defender em Portugal. Para seu mal, Jorge Jesus não goza das melhores individualidades e isso explica bem a diferença para o seu rival de Lisboa. O Sporting precisa de criar mais, e mesmo assim marca menos. E só a competência colectiva permite que se mantenham vivos na luta pelo título. Tem sido incrível, por exemplo, não só o nível de jogo, mas a forma como o Sporting se impõe nos jogos grandes.

Dortmund. A grande sensação do ano. Já é meritório o suficiente discutir um campeonato na regularidade com Guardiola, mais mérito será na forma como o consegue fazer. Diz-se que as equipas devem-se construir da defesa para o ataque, mas Tuchel fez precisamente o oposto. Primeiro criou a base ofensiva pelo qual a equipa passaria a jogar na maior parte do tempo, e depois criou uma forma de defender congruente com a ideia ofensiva. E por isso, não só poderia hoje competir com as melhores equipas na Europa, como num campeonato com o herdeiro do jogo ofensivo consegue ser o melhor ataque, consegue atacar melhor. Tuchel tem sido brilhante na sua ideologia, mas claro que a dose de criatividade de que goza no seu plantel ajuda a que tudo se possa tornar realidade.

4 comentários:

Paolo Maldini disse...

Grande post... tende-se sp q procurar defeitos em quem vai em 2o e virtudes em quem vai em 1o... e nem sempre é assim. Tantas vezes há virtudes em ambos! ou defeitos!

PicaretaLeonina disse...

Muito bom resumo desta época desportiva, nomeadamente dos principais campeonatos. Tem sido, de facto, um ano de segundos que mereciam ser primeiros, e espero que todas estas equipas tenham a inteligência de manter o treinador e de lhe dar todas as condições para conseguir o sucesso que a sua competência merece.

Pode ser que o Sporting ainda consiga ser a excepção e ganhe o tão merecido título...

rochacj85 disse...

Grande post.
Mas então e o Leicester. Não merece ser campeão?

Blessing disse...

Rocha, merece.

Obrigado Maldini, e picareta