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terça-feira, abril 12, 2016

Falar de futebol hoje...

Falar de futebol hoje, é falar da Premier League onde o Leicester e o Tottenham passam um atestado de incompetência aos orçamentos milionários dos maiores clubes ingleses. Onde o primeiro classificado marca dezenas de golos em passe longo, a explorar a profundidade, e não parece haver fórmula para o parar. Falar de futebol hoje, é dar cartão vermelho às direcções, aos treinadores, e aos jogadores, do Manchester City, do Chelsea, do Manchester United, do Arsenal, e do Liverpool. É ainda assim falar do mérito dos jogadores do Leicester, por se superarem, e serem neste momento os melhores colocados para vencer o campeonato mais atípico dos últimos anos.

Falar de futebol hoje, é falar de Pochettino. É falar de um treinador que me começou a apaixonar no Southampton com o seu futebol de passe curto. Com o seu futebol que se limita a seguir a lógica do jogo. Com o seu futebol corajoso que ataca e defende com a bola controlada. Falar de futebol hoje, é falar do Tottenham que me diverte em cada jogo, e me faz querer ver o seguinte. É falar da equipa mais jovem da Premier e terceira mais jovem da Europa. É falar do melhor ataque e da melhor defesa, porque tem a melhor organização defensiva do campeonato - tem a bola. É falar de um futebol que pode não ser premiado com o título de campeão, mas de um trabalho que não pode ser ignorado por ninguém. A melhor classificação do clube em 53 anos diz isso. Assim como, o menor investimento dos últimos anos. Falar de futebol hoje, é dizer que o treinador teve as piores condições, menos dinheiro, piores jogadores, e superou. Lutou contra a cultura vigente, contra os próprios jogadores, e hoje conquista a notoriedade que há dois anos se adivinhava. A melhor equipa do campeonato.

Falar de futebol hoje, é falar de Eric Dier. Do cumprir de tudo o que se esperava dele, num campeonato muito mais exigente que o nosso. De pensar que por cá não era opção. Agora como médio defensivo. Não é a posição onde acho que poderá ser dos melhores do mundo, mas lá continua a dar mostras de tudo o que sempre foi fazendo de bom por aqui. No futebol "espanhol" de Pochettino realça a inteligência e qualidade técnica. Falar de futebol hoje, é tambem falar de Daley Blind. O jogador mais inteligente que o futebol holandês formou nos últimos anos. Diria que, o último jogador holandês da escola holandesa de Cruyff. Esquecido na equipa pouco notada de Van Gaal, é tudo aquilo que Cruyff sempre esperou de um jogador. Inteligente, dotado tecnicamente. Não joga a posição, joga o espaço. Incrível a forma como define cada vez que a bola chega aos seus pés, em condução, ou em combinação. 

Falar de futebol hoje, é falar de Tuchel. Que monta uma equipa capaz de competir com Guardiola na regularidade, e que dá sinais de poder voltar a ser campeã nos próximos anos, com mais tempo de trabalho em cima, e sobretudo sem Guardiola na mesma liga. O futebol tão agradável de Tuchel, que mostra-se preocupado com a performance ofensiva e defensiva da sua equipa, não deriva só da qualidade individual que o Dortmund sempre foi tendo nos últimos anos. É fruto de um trabalho distinto do que aquele que Klopp preconizava, e de uma ideia de jogo fundamentalmente virada para os desequilíbrios ofensivos desde os defesas. Falar de futebol hoje, é falar de Guardiola que se prepara para dar o primeiro tetra da história do Bayern, para ganhar o seu segundo tri, e para mais uma vez mostrar aquilo em que o futebol que se defende por aqui é forte - na regularidade.

Falar de futebol hoje, é falar de Neymar. É dizer que aquilo que sempre se defendeu sobre as suas competências, e sobre o salto qualitativo que o seu futebol poderia dar na Europa se verificou. Que o estímulo no Brasil era demasiado baixo para o seu nível, e que agora é decididamente um dos três melhores jogadores do mundo. Conseguiu-o fruto do seu trabalho, e da humildade que teve para perceber que não era estrela maior na Europa (ainda não era), e que tinha muito que aprender (com os seus colegas de equipa, sobretudo) para dar o salto qualitativo que o seu futebol precisava. Neymar hoje é muito mais jogador do que aquilo que era quando chegou cá, e não mais é potencial. Falar de futebol hoje, é continuar a falar de Paco Jemez sempre preocupado com o seu futebol ofensivo, e que mais uma vez poderá cumprir com os objectivos a que se propõe. É dizer também que não obstante de todo o mérito, tendo em conta o fraco orçamento que sempre teve e o baixo nível dos jogadores, se não evoluir defensivamente sofrerá num clube com outro tipo de objectivos. Falar de futebol hoje, é falar dos Las Palmas de Valeron, e do Villareal de Marcelino Toral.

Falar de futebol hoje, é falar de André Villas-Boas. De mais uma vez ter-lhe sido dada a possibilidade num grande projecto e do resultado, tendo em conta que o futebol foi zero, não ter ido de encontro as expectativas. É falar de um Bernardo Silva que agora é indiscutível, mas que cada vez mais perde fulgor preso por um modelo que apenas lhe dá criatividade individual. É falar de Paulo Sousa que demonstrou, conforme o que se escreveu por aqui, não ser o treinador melhor preparado para todos os momentos do jogo em Itália, mas sobretudo que não tem qualidade individual para competir numa prova de resistência contra outros orçamentos. É falar de um Napoli de Sarri que é a melhor equipa transalpina colectivamente, mas que poderá não ser coroada no final. Falar de futebol hoje, é falar de mais uma fase final das provas da UEFA onde Alemanha e Espanha dominam. 

Falar de futebol hoje, é falar de um Porto num nível que não me lembro de ver. E por isso, falar de um Vítor Pereira que em tom de desafio na altura em que se despedia dos dragões questionou sobre quantos campeonatos ganharia o Porto depois da sua saída. É falar de um Paulo Fonseca mais maduro, mais estável do ponto de vista emocional, e por isso com mais condições agora para entrar num grande do que quando assinou pelo Porto. Falar de futebol hoje, é falar de uma não estratégia de comunicação do Sporting, que acaba por ser morto como o peixe: pela boca. É dizer que ter o melhor treinador do País, ter a melhor organização em todos os momentos de jogo, ter João Mário e ter Ruiz, ajuda mas não garante nada. Falar de futebol hoje, é falar de um Benfica galvanizado pelos resultados, pela sua massa associativa, que fez um jogo tremendamente competente do ponto de vista defensivo em Munique, e que se encaminha para renovar o título de campeão. É falar de Rui Vitória muito criticado por todos há uns meses, e que por via dos números que a sua equipa consegue é hoje equiparado por todos aos grandes treinadores por essa Europa fora. Falar de futebol hoje, é falar de Jonas.

26 comentários:

segismundo brotafrontes disse...

A tudo o resto não me refiro, uma vez que não tenho acompanhado os respectivos campeonatos nacionais- embora agradeça as referências para ir estando atento.

Tenho, no entanto, uma pergunta quanto ao último parágrafo, deixando desde já o aviso: sou benfiquista e, como tal, tudo o resto não me interessa de sobremaneira, mas deixo umas notas: concordo que o FCP não percebeu o que fez Vítor Pereira, o que foi confirmado pela aparente soberba das declarações deste à saída e o seu confronto com os anos seguintes; concordo igualmente que a comunicação do sporting é desastrosa e conseguiu, pelo menos em mim, três efeitos que surgem em sequência anulando o anterior: irritação, perplexidade, constrangimento. E potenciou uma outra, que vale o que vale: neste momento, e ao contrário do que sempre havia acontecido até aqui, quero mesmo que não ganhem uma única competição, nunca, até que esta direcção seja corrida. Se fosse sportinguista teria sérias dificuldades em lidar com o que por lá se passa.

A pergunta, no entanto, era: tendo em conta a forma como o parágrafo termina, subentende-se que falar do futebol do benfica é quase equivalente a falar de jonas. Isto não andará muito longe da verdade, dado que a liberdade de que gozam os jogadores no momento ofensivo é sempre potenciada pela qualidade individual (seria sempre, em qq modelo, mas neste caso ainda mais). Mas resta-me uma dúvida: quais os méritos de Rui Vitória? Algures em Novembro, num jogo em que pude estar em Lisboa e assisti a um vitória do SLB sobre o Rio Ave - se não me engano - por 3-1, não festejei qualquer golo. Os movimentos colectivos era inexistentes, ou quase; não se vislumbrava qualquer coisa parecida com futebol naquele relvado. Só, talvez, por parte do Rio Ave. Meses mais tarde, penso que no início de Março, voltei lá. Não recordo o jogo, mas ganhámos, por muitos. Festejei todos os golos. Se me mostrassem os dois jogos, sem equipamentos, diria que não era a mma equipa em campo. E não, não só pela vitória - que aconteceu nos dois casos -, nem pelos números 3-1 ou 4-1 ou 5-1, não é a mesma coisa, mas são sempre vitórias dignas de registo contra qualquer adversário da primeira divisão.

A diferença era haver futebol, uma equipa que sabia posicionar-se - com alguns erros no posicionamento defensivo, é certo, mas nada de grave. Ligeiros desacertos, um problema ou outro ao colocar os adversários em fora de jogo, por vezes alguma distância entre jogadores e alguma falta de pressão sobre o portador da bola a meio campo. Um equipa que sabia como sair em ataque rápido, mas que respondia, se tal fosse necessário, com uma temporização para organizar a teia em torno da área adversária.

Em suma, duas equipas diferentes, os mms jogadores, o mm treinador, o mm relvado. Porquê? É o que ainda não consegui entender e é a pergunta que deixo. Embora suspeite que a resposta só pode estar na observação dos treinos. Penso que os resultados, por melhores que tenham sido e por mais que galvanizassem, não chegavam para uma mudança tão radical.

Um abraço e obrigado.

aimarbenfica disse...

Falar, ler e aprender sobre futebol é passar por aqui sempre que possível. são enormes!

gravessen disse...

Lol grande iluminado...

Bruno Pereira disse...

segismundo brotafrontes,
Não é a mesma equipa :) Rui Vitória, como todos, tem alguns méritos e alguns defeitos. Nos méritos realçam-se a humildade e a liberdade que dá aos jogadores.

Braulio Tavares disse...

Uma "pitada" Benfiquista no fim mas prontos...

Bernardo Ferrão disse...

Falar de futebol hoje é falar de Weigl, um dos jovens que mais me fascina e excita no futebol mundial.

Falar de futebol hoje é falar de Griezmann, um dos jogadores que está a ser tão mal aproveitado em Madrid. É falar de Oliver ou Vietto. É falar Kranevitter. Outros que mereciam quem os valorizasse.

Falar de futebol hoje é falar de Iuri fora de uma equipa de top4 em Portugal.

Falar de futebol hoje é falar Renato que me parece não estar a ser estimulado correctamente.

Falar de futebol hoje é falar de Lindelof, top3 centrais do campeonato.

R.B. NorTør disse...

Estou em pulgas para ver como decorre o mercado na Alemanha, em particular o que fazem Bayern e Dortmund. Com Ancelotti e Tüchel frente a frente, isto era para ser uma limpeza para o Dortmund. Aliás, mantendo-se os treinadores, o Bayern era capaz de ir para um escandaloso 5º ou 6º, que Leverkusen, Wolfsburgo, Moechengladbach e uma surpresa qualquer de todos os anos (este ano toca ao Hertha) fariam farinha do italiano. Só que... O Bayern tem um poderio económico contra o qual os seus pares não podem competir. Do deve e haver de entradas e saídas no campeão alemão penso que estará o seu futuro, mas Tüchel pode ir sonhando, ai pode pode!

Uma palavra para a qualidade do Dortmund. De facto tem qualidade e mostra até capacidade de perder os melhores para um rival directo, casos de Göetze e, em especial, Lewandowski. Quando se fala que Aubameyang pode sair...

Pochettino acabar a época com 0 títulos é daqueles amargos de boca que doem e nem sou particular adepto dos Toffees, uma vez que torço pelos Hammers (também a fazerem bons resultados sem particularmente bom futebol). Perder para este Leicester então...

Rui Vitória é um bocado como eu dizia no início do ano, o Benfica perdeu o treinador e o motivador e contratou só o motivador. Quando passaram aqueles jogos de nível elevado no início do ano teve tempo de colocar o Benfica à Bitória e a diferença de qualidade individual da frente Benfiquista face às defesas contrárias foi fazendo a diferença. Quanto àquilo que pode dar aos jogadores em termos de jogo jogado... Guedes sumiu, Renato desaprende a cada semana e Lindelöf vai-se aguentando. Deixem estar o Vitória para as palestras e tragam um treinador!

Dier está um monstro! A primeira vez que o vi jogar fazia dupla com Ilori na Catedral num dérbi entre os Bs e perguntei-me porque andava o Sporting a sofrer na principal com aqueles dois ali. Das melhores notícias que recebi foi a sua partida para Inglaterra. Hoje está furos e furos acima.

Blessing disse...

Segismundo, Rui Vitória não é Jaime Pacheco. Mas também não é Jorge Jesus. É um treinador competente, mas não é top. Sendo assim, logicamente que demora muito mais tempo a operacionalizar, e sem vitórias não há ideias que resistam. As melhorias vieram com as vitórias consecutivas, na minha opinião.

NSC disse...

Deve ser um motivador muito bom, para perder durante muitos jogos alguns jogadores bastante importantes e, ainda assim, apresentar os resultados que apresenta.
A qualidade individual não justifica tudo.

cobra2 disse...

R.B. NorTør Neste momento não me parece que o Rui Vitória seja apenas um motivador. Esta eliminatória com o Bayern é a prova que o Rui Vitória tem muito mais competência táctica que no inicio antecipávamos. O Benfica jogou com menos 5 titulares, e mesmo assim disputou a eliminatória até ao fim. Para Benfica perder 5 titulares, significa uma grande redução de qualidade individual. Isto tudo indica que o pormenor tem sido bem trabalhado, e talvez a implementação da ideia é que seja mais demorada que em outros treinadores. Existem bons princípios, e outros que precisam de ser bastante melhorados, mas tudo indica que este Vitória será capaz de evoluir.

Antonio disse...

Quando dizes toffes devias querer dizer spurs!

segismundo brotafrontes disse...

Obrigado Bruno e obrigado Blessing.

Das vossas palavras retiro que q o Rui Vitória é muito bom em termos psicológicos e que, como treinador de campo, vá, não sendo melhor que Jesus, é ainda assim um bom treinador.

Concordo com a comparação entre jesus e pacheco, Blessing, principalmente porque para mim o Jorge Jesus é muito provavelmente o melhor treinador português por esta altura - com tudo o que estas frases têm de ridículo, na forma como unificam diversas características e colocam num mesmo plano ideias de jogo diferentes. Mas no caso do Jesus diria: ele tem um modelo de jogo, que foi sendo composto ao longo dos últimos anos, e operacionaliza-o como poucos o fazem com o deles. Ainda para mais o modelo de jogo é bom.

Mas, e devo dizer que sempre torci o nariz à contratação do Rui Vitória e ainda agora não me encontro plenamente convencido - é ainda melhor dizer isto dp da eliminatória com o Bayern, que me deixou bastante agradado-, deixo outra pergunta.

Dizias, Blessing, que um problema do Rui Vitória na comparação com Jesus é também a operacionalização do modelo de jogo - e não estou certo que algumas das ideias, a nível defensivo pelo menos, sejam as melhores (sintetizando, penso que na organização defensiva, o modo como é coberto o espaço entre laterais e centrais, o espaçamento entre centrais e o posicionamento dos médios à frente da defesa. A transição defensiva, quando o benfica ataca com os jogadores juntos até parece bastante boa. Ah, e na organização defensiva, o papel dos avançados também parece bastante bem trabalhado).

Ora, partindo daqui, será possível que com o trabalho de um ano para o outro e conseguindo manter o núcleo forte de jogadores, o Rui Vitória apresente resultados ainda melhores? Em certo sentido, isto é paralelo ao que se passou com Lopetegui. Tinha um modelo de jogo do qual eu não gostava, mas que permitiu lutar por um campeonato até ao fim - não falo da liga dos campeões, porque os sorteios foram, de certa forma, favoráveis. Esse modelo tinha falhas, nomeadamente de transição e organização ofensiva - a falta de apoios ao centro e excessiva lateralização e circulação sem picar o adversário, salvo seja - mas era justo que lhe fosse dada a oportunidade de tentar trabalhar essas falhas. Ora, com os resultados que conhecemos, Lopetegui insistiu na mesma toada, em manter os defeitos e fê-lo sem os dois motores que tinha nas laterais defensivas - se bem que a troca de Danilo e Alez Sandro por Layun e Maxi não foi propriamente a causa de todos os males.

Não queria pedir-vos um exercício de futurologia, mas pelo que conhecem do trabalho do Rui Vitória, pensam que perante a oportunidade de continuar a treinar o benfica, que é mais que certa independentemente dos resultados, ele demonstra capacidade para corrigir os defeitos que lhe encontramos?

E, já agora, será possível sintetizar as virtudes e os defeitos do modelo dele? Procurei ali dar duas penadas, mas do jogo sei tanto quanto as bolas ocasionais de 5 e de 7 permitem saber, a que junto as visitas - antes mais regulares - ao estádio e as horas que vou passando a ver futebol e a ler sobre futebol.

Um abraço e obrigado.

Blessing disse...

Segismundo, na minha opinião - e isto é uma ideia geral - todos os treinadores no segundo ano fazem melhor ao nível do detalhe. Porque tendo já uma base trabalhada, fica mais fácil ir ao pormenor. Mas com Lopetegui, por exemplo, enganei-me. Portanto, não sei se é possível fazer esse juízo, sobretudo se os treinadores tiverem sucesso com as suas abordagens. Porque aquilo que eu considero ser um erro, tu podes não considerar, RV não considerar, JJ não considerar. Aquilo que eu acho ser uma qualidade, Guardiola pode não considerar, e etc. Portanto, dependerá sempre da percepção que o treinador tem das coisas. Eu, como tu, continuo com muitas dúvidas quanto ao RV, sobretudo pela falta de detalhe que as formações dele sempre tiveram - veja-se o Guimarães. A falta de agressividade, por exemplo, sempre foi uma constante. Não agressividade quando pressiona, mas agressividade para ocupar espaços, para recuperar posições. Isso é um detalhe muito importante a meu ver. Mas, ele agora esta numa realidade distinta, e todos podem ir-se moldando tendo em conta as dificuldades que sentem. É, na minha opinião, esperar para ver.

Bruno Pereira disse...

Blessing, não foram as vitórias que trouxeram as melhorias. Ninguém deixa de fazer 70 cruzamentos por jogo para passar a fazer 15 quando ainda por cima está a ganhar jogos... as mudanças (melhorias) foram tão significativas como este exemplo e advieram de outros fatores.
Rui Vitória não teve sucesso com a sua abordagem e essa é a sua maior vitória!

segismundo brotafrontes disse...

Obrigado, Blessing.

Certíssimo. Pensando bem nos jogos, o que apontas parece ser mm um dos grandes problemas. Isto é, os problemas defensivos parecem saídos precisamente daí, da pouca agressividade posicional - é ver o Renato em geral, os golos do vidal, até o golo do bayern de canto, ontem. Ou os do porto, na vitória da segunda volta.

Mas dentro das tuas palavras, fará também sentido ressalvar que, sem bem me lembro, o plantel do Guimarães andou sempre em construção enquanto o Rui Vitória lá esteve? Ou seja, talvez fosse mais difícil trabalhar o detalhe.

E como muitas vezes apontam, aqui e no lateral-esquerdo pelo menos, são os jogadores que andam lá dentro. Talvez essa diferença seja também fundamental para uma maior agressividade posicional - basta pensar no quaresma e na forma como sendo fenomenal a jogar à bola, é um zero a jogar a futebol.

Consegue perceber-se a partir daqui que gostava muito que o Rui Vitória pudesse melhorar apesar de ainda não estar convencido?

Obrigado novamente e um abraço.

Blessing disse...

Bruno Pereira, a minha opinião é diferente da tua. Na minha opinião os jogadores cruzavam porque era o mais fácil. Ou seja, não tinham confiança para fazer outra coisa. Na tua não.

R.B. NorTør disse...

Antonio, completamente os Toffees são muito mais a Norte (apesar de terem também um treinador interessante, mas que este ano claudicou um pouco).

Cobra, se me perguntares ele perdeu Jonas, Gaitán e Mitroglou do lote de titulares para este jogo. Luisão, que não calça desde... Novembro (?) e que dificilmente tirará o lugar ao Lindelöf sem puxar do estatuto extra-futebol, quanto ao Júlio César, terá as menos dificuldades do que Luisão, mas terá também de suar muito se não puxar do estatuto. Dessa forma sim, sofre um abalo forte na frente, mas consegue apresentar, do meio campo para trás, os mesmos que têm tido presença regular nos últimos 3/4 meses.

Por outro lado, este é o tipo de jogo em que RV se dá bem, o jogo em que não lhe é pedido, ou em que ele não se pede, que assuma a partida, que fique lá atrás fechadinho e tenta procurar a nesga para discutir o resultado. Resultou em Braga, resultou em Madrid, resultou em Alvalade na segunda volta, ia resultando no jogo da Taça, da mesma forma que resultava no Guimarães quando tinha pela frente rolos compressores.

Espero que sim que evolua. Não ver o Benfica sistematicamente a mandar balões contra aqueles 80% do nosso campeonato que não matam mas moem, é um sinal claro de que algo mudou desde Dezembro.

NSC para não ir buscar exemplos do passado, olhemos apenas ao futebol em nosso redor. Para lá do Benfica sigo, com algum interesse, a carreira de West Ham e Borussia Dortmund, duas equipas com formas antagónicas de jogar.

O que se pode dizer nesses clubes é que, joge o Joaquim ou o Manel a forma da equipa actuar, a forma como vai tentar pegar na partida, como se vai posicionar para não sofrer ou como tenta dar a volta à partida vai depender menos dos nomes do 11 titular do que da forma como se organizam. No Benfica não é bem assim. No Benfica nada determina tanto a forma como a equipa joga como os nomes em campo. É por isso que Renato continua agora com as mesmas, se não com piores, falhas de posicionamento sem bola que tinha quando foi promovido ao plantel principal, o motivo pelo qual o Guedes sumiu, o motivo por que Talisca continua com dificuldades extremas em perceber o que fazer à bola e que Jiménez é, no contexto do campeonato português e até ver, tão útil como um cone de treino. Porque no final do dia o que vai contar não é aquilo que eles retiram do treino, mas aquilo que a inspiração do momento pode trazer à equipa. É por isso que nas equipas que mencionei um jogador que venha do banco ora significa ficar tudo na mesma ora significa mudar tudo, mas no Benfica um jogador que salte do banco significa uma mudança radical. Ou o reverso, dificilmente o Benfica consegue mudar a forma de jogar sem mudar um jogador, ao passo que o Borussia (aí o West Ham já está mais parecido) muda tudo sem tirar um jogador de campo.

...Lá por o considerar um bom motivador, não quer dizer que não o ache "treinador" como algumas cabeças pensantes o disseram. Só penso que não tem em si o futebol que queria ver o meu Benfica jogar.

Bruno Pereira disse...

Não é a minha opinião :)

R.B. NorTør disse...

Bruno, mas no decorrer dos mesmos jogos a equipa já parava de fazer cruzamentos e começava a jogar à bola. Lembro-me particularmente do jogo com o Estoril (jornada 1) e o do Belenenses (jornada 3/4?) em que a partir do segundo golo a equipa começa a jogar rente à relva e esfrnagalhar as defesas com passes rasteiros.

Acho que vou emoldurar a tua última frase para resumir a época! =)

R.B. NorTør disse...

NOTA: no meu comentário quando digo lá atrás não quero dizer geograficamente dentro da área, simplesmente num estado de espírito em que se sacrifica o marcar em detrimento do não sofrer.

Bruno Pereira disse...

R.B. NorTør,
A resposta à tua pergunta é a mesma que à pergunta: "quem é que joga o jogo?"

R.B. NorTør disse...

Mas como é que o jogam? ;)

cobra2 disse...

R.B. NorTør simplesmente não me parece que a estratégia do Benfica fosse estar fechado lá atrás. A pressão alta que fizemos até ao Neuer é de quem quer jogar com os 11 atrás da bola? Acho que não era inteligente tentar disputar o jogo da mesma maneira que o Bayern fez,primeiro porque não é o jogo que treinamos e segundo porque não temos a mesma qualidade individual. Simplesmente acho que eu estou a ver o copo meio-cheio e tu meio-vazio. Em todo o caso, noto uma evolução no futebol do Benfica, que ainda precisa de mais melhorias para podermos ambicionar outros vôos.

bio disse...

Boa tarde,

O Benfica, nesta fase, parece-me uma equipa bastante confiante.

Isso ajuda em todo o processo que o treinador quiser implementar.

Eu não sou dos que acredita que o Jota seja por motivador, pode é motivar de forma diferente, porque nunca vi os plantéis do Benfica e, agora, Sporting, a "fazer a folha" ao treinador...

Ainda assim, penso num Renato nas mãos do treinador do Sporting, e olho para Adrien...

Penso que o melhor julgamento que se pode fazer a RV é esperar pela próxima época.

Gonçalo Mano

rochacj85 disse...

segismundo brotafrontes e Blessing, acerca do Porto.

Blessing, não me parece que te tenhas enganado no caso do Lopetegui. Aliás, eu até diria que acertaste. Muitas vezes na época passada vi-te dizer que com com Oliver lesionado íamos ter muitas dificuldades.

Ora se com ele lesionado umas semanas, com aquele modelo de jogo, teríamos dificuldades, sem Oliver e Jackson a coisa mais cedo ou mais tarde ia descambar. E descambou!

Abraço,

Dennis Bergkamp disse...

Aqui que ninguem nos ve, acho que ha factores na personalidade de RV que contribuem muito para que vao acontecendo diferentes de uns tempos para outros, e para que haja crescimento.

Pode enganar, mas aquilo que vai mostrando, eh que acredita muito mais na multidisciplinaridade do que quem la estava antes. E, confia muito mais no trabalho de quem esta a seu lado.

Isso eh meio caminho para, com uma mente aberta, possa analisar e reflectir sobre quem vai apontando coisas boas e coisas a melhorar.

A competencia a volta dele eh tao grande, que uma personaldidade forte, mas minimamente disponivel para ouvir e experimentar, vai crescer e ter sucesso.