Posse de bola no Facebook

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sábado, abril 30, 2016

Take 2. Assombrosa a velocidade a que joga, mesmo estando parado

"São os melhores na criação de situações de finalização simples. A obrigar o GR a mexer-se, abrindo caminho para um passe para a baliza. São os melhores no que toca à criatividade colectiva, e individual. Tomada de decisão. E têm Messi". Aqui!

Depois de Messi não há mais nada! O melhor de sempre.

Segundos que mereciam ser primeiro

Uma época boa naquilo que concerne ao futebol jogado nas ligas mais importantes da Europa, onde pelo menos uma equipa fantástica no momento de organização que define os grandes (ofensiva) conseguiu lutar pelo título até às últimas jornadas. Daí se demonstra, não só a importância que Guardiola teve para a evolução do jogo e para maiores preocupações com o momento ofensivo, como também se demonstra que equipas marcantes na forma de atacar conseguem lutar pelo título. Todas elas comandadas por treinadores extraordinários, que apesar da sua classificação e por se apresentarem colectivamente melhor do que outros merecem projectos de outra visibilidade, que os permitam lutar pela maior prova da Europa.

Tottenham. Equipa de posse desde o Guarda-redes como há muito não se via nas ilhas britânicas. Apesar do desinvestimento feito no plantel, Pochettino  conseguiu juntar um grupo de jogadores comprometidos com as suas ideias, e apesar do seu jovem plantel conseguiu que fossem competitivos o suficiente para lutar pelo campeonato. Ainda que não goze das mesmas condições que outros, e ainda que o contexto o tenha favorecido (com os grandes a perderem dezenas de pontos), é de notar o que um treinador sem grande currículo, mas com ideias de qualidade, consegue fazer quando lhe é permitido colocar as suas ideias em prática.

Nápoles. Incrível o domínio que tem dos vários momentos do jogo; a equipa de Sarri é um espanto. Ofensivamente espanta com os seus apoios frontais; procura obsessiva do corredor central para criação, com a forma paciente como procura atacar. Mas também na forma como se organiza defensivamente. A linha defensiva trabalhada ao detalhe como Itália há anos não vê. Não deixa de ser irónico no país onde a organização táctica foi sempre muito gabada não existirem equipas particularmente organizadas em todos os momentos do jogo. Tivesse tido os imponderáveis do seu lado nos jogos grandes, e talvez não se estivesse hoje a falar da competência individual dos seus jogadores como principal factor que os afastou do título. A mais completa equipa da Europa.

Sporting. Sem margem para dúvida a equipa melhor preparada colectivamente em todos os momentos do jogo. A melhor a atacar e a defender em Portugal. Para seu mal, Jorge Jesus não goza das melhores individualidades e isso explica bem a diferença para o seu rival de Lisboa. O Sporting precisa de criar mais, e mesmo assim marca menos. E só a competência colectiva permite que se mantenham vivos na luta pelo título. Tem sido incrível, por exemplo, não só o nível de jogo, mas a forma como o Sporting se impõe nos jogos grandes.

Dortmund. A grande sensação do ano. Já é meritório o suficiente discutir um campeonato na regularidade com Guardiola, mais mérito será na forma como o consegue fazer. Diz-se que as equipas devem-se construir da defesa para o ataque, mas Tuchel fez precisamente o oposto. Primeiro criou a base ofensiva pelo qual a equipa passaria a jogar na maior parte do tempo, e depois criou uma forma de defender congruente com a ideia ofensiva. E por isso, não só poderia hoje competir com as melhores equipas na Europa, como num campeonato com o herdeiro do jogo ofensivo consegue ser o melhor ataque, consegue atacar melhor. Tuchel tem sido brilhante na sua ideologia, mas claro que a dose de criatividade de que goza no seu plantel ajuda a que tudo se possa tornar realidade.

O futebol é um sítio estranho

Irónica a forma como todos agora olham para o futebol do Benfica só porque deixou de conseguir marcar nos primeiros minutos, e com isso de conseguir estar confortável no jogo. Mais irónico ainda é a equipa estar a ser morta por aquilo que se dizia que acontecer com as equipas de Jorge Jesus no final de temporada: está mal fisicamente. Sim. O Benfica vinha jogando ofensivamente de forma brilhante, e só o estado em que os jogadores se encontram fisicamente não permite as exuberantes exibições de outrora. A percentagem de vitórias desta época encarnada é de notar, sobretudo se pensarmos na forma como foi conseguida. Gestão do grupo? Gestão das emoções? Gestão das expectativas? Imponderáveis? Amanhã logo se vê como se falará de quem hoje é rei.

quinta-feira, abril 28, 2016

Não há hipótese de te desviar para Manchester?

Que maravilha seria ver Guardiola que tenta sempre sair desde trás e Hummels com as mesmas cores. Pensar em alguém para o modelo de jogo do genial treinador espanhol, como defesa central, só Hummels. A ideia de juntar Kompany e Otamendi ao prodigioso dez alemão, daria um daqueles problemas fantásticos que qualquer treinador sonha ter. Com estes três, porque não uma defesa sempre a três?!

Por que motivo foges de Pep, Mats?

terça-feira, abril 26, 2016

Tens espaço, progride.


O Barcelona de Guardiola é conhecido por ter quebrado com muitos conceitos e preconceitos sobre o jogo de futebol. Passo a citar o Nuno, num maravilhoso post do EntreDez: Nunca tinha visto uma equipa a destruir tantos preconceitos acerca do jogo como esta (o de que não se pode sair a jogar quando se é pressionado; o de que não se deve arriscar atrás; o de que se deve cruzar a bola para a área quando se chega à linha de fundo; o de que se deve aproveitar sempre o espaço em transição; o de que se deve ter, pelo menos, alguns jogadores altos e fortes em campo; o de que não se deve ter mais do que um médio criativo em campo ao mesmo tempo; o de que se deve adaptar pelo menos parte do modo de jogar ao adversário que se enfrenta; o de que se deve jogar pelas alas quando o meio está fechado; o de que uma equipa se deve compor de jogadores para defender e de jogadores para atacar; o de que cada jogador deve ter uma função específica em campo; o de que o ponta-de-lança deve servir essencialmente para marcar golos; o de que coisas inconsequentes, como tabelas sem progressão ou passes para jogadores rodeados de adversários, devem ser evitadas; o de que se deve rematar à baliza sempre que se tem possibilidade; o de que se deve variar entre o passe curto e o passe longo; o de que o futebol moderno tornou utópico jogar apenas com 3 defesas; o de que o portador da bola deve respeitar sempre a desmarcação do colega, passando-lhe a bola; o de que a vaidade é um atributo a eliminar numa equipa de futebol; o de que a força ofensiva de uma equipa depende da soma da competência individual dos seus atacantes; o de que, com bola, a equipa deve fazer campo grande, espalhando os seus jogadores o melhor possível pelo terreno de jogo; o de que se deve jogar sempre com a máxima intensidade possível; o de que os extremos devem estar o mais abertos possíveis; etc.), nem nunca tinha visto uma equipa forçar a que os teóricos do jogo reformulassem tanto as suas teorias acerca do mesmo. 

De facto, os jogadores de Guardiola pela forma como o treinador os obrigou a relacionarem-se revolucionaram o jogo. E de muitas revoluções que operaram, de muitas formas como foram sendo categorizados, há uma que acho fundamental e que marca a grande diferença para todas as outras equipas do mundo: A pausa. Não no sentido que foi falado antes, de temporizar, mas no sentido da resistência que tinham ao primeiro princípio específico do ataque: a progressão. São milhares os lances em que os jogadores não se precipitavam em atacar o espaço assim que o viam. São milhares as situações que vão contra o princípio de ataque mais utilizado por todas as equipas, e por todos os treinadores do mundo. Não porque não é importante conquistar espaços e os aproveitar, mas porque há mais para conquistar.


Alguém reparou? Um dos exemplos das coisas que se podem conquistar ao não atacar o espaço, foi o que Xavi conseguiu nesse lance. A autonomia, o tempo. No momento em que recebe a bola e enquadra Xavi tem espaço para progredir, e tem colegas colocados para receber numa zona mais adiantada, mas opta por não o fazer. Podia ter acelerado o jogo, e ter-se lançado sobre esse espaço, comendo alguns metros em condução, colocando a bola uns metros mais a frente. E não o fez porque percebeu que o fazendo teria um adversário a precipitar a sua decisão. Seria pressionado nas costas por Benzema, e possivelmente pela frente por outro jogador, e com isso não teria tanto tempo para decidir que rumo dar ao lance. A decisão seria dele, mas não totalmente porque estava a ser pressionado pela ampulheta do adversário. E Xavi recusou esse contexto e procurou outro que lhe fosse mais favorável. Procurou por um contexto onde ele, ou um colega, decidisse estando livre, onde a autonomia fosse total (ou quase), e onde o tempo não fosse um constrangimento à tomada de decisão. Xavi quis mais do que conquistar espaços, quis ser autónomo e não depender do adversário, quis que os seus colegas o fossem, e para isso sabia que precisava de conquistar tempo: encontrar o homem livre. Para além disto há outras coisas que se conquistam não atacando o espaço, como a organização estrutural, a proximidade entre os sectores, a superioridade numérica, a melhoria das condições para executar, etc. E é por isso que, para mim, o Bayern da primeira época de Guardiola é o mais forte dos três anos que passou em Munique. Porque era uma equipa mais capaz de ceder à tentação do espaço, e por isso mais capaz de manter a bola em seu poder escondendo-a do adversário. Era, no fundo, mais próxima do Barcelona de Xavi do que do Bayern de Heynckes. O Barcelona foi a melhor equipa da história muito por isto. Porque não cedia a tentação dos espaços, não se desgastava em todas as situações que pudessem para muitos ter potencial ofensivo. Desgastava-se com algumas, com as que queria, e só. E por isso esteve sempre fresco e preparado para pressionar sem bola, por serem eles a ditar o contexto em que perdiam.

segunda-feira, abril 25, 2016

Pepijn Lijnders, Klopp, e a formação. "Pure Gold".

De um dos melhores do mundo a pensar e a trabalhar a formação, que agora trabalha com um dos melhores do mundo a trabalhar no alto rendimento, para o mundo ver. Os bons exemplos não são para admirar, são para seguir!


quinta-feira, abril 21, 2016

O verdadeiro herdeiro de Sacchi - Sarri

Escrevia-se isto, no Lateral Esquerdo"Em Itália é que se defende bem, dizem. Defendia-se bem, sim, quando era Sacchi a comandar a equipa". Hoje, surgem as declarações de Schelotto a desmistificar um país muito conhecido pelo seu saber táctico, e pelas suas fantásticas referências defensivas: "Joguei 8 anos em Itália e, lá, muitas equipas não têm a ideia do que é jogo sem bola. Não significa que trabalhem mal, apenas sinto que fazia falta ao futebol italiano um técnico com os conhecimentos de Jorge Jesus. Aprendi mais sobre o processo defensivo em 7 meses com o mister Jorge Jesus do que em 8 anos de futebol italiano". Não é que por aqui não se fosse afirmando que a qualidade dos princípios defensivos utilizados pela esmagadora maioria das equipas do Calccio não são aqueles com os quais mais nos identificamos, e que do ponto de vista defensivo (quando a equipa não tem a bola) não há comparação possível entre Jesus e os outros. É sobretudo o testemunho de um jogador que passou pelos dois tipos de ideia, pelos dois tipos de treino, tem já uma idade considerável, e diz que aprendeu mais neste ano do que em oito passados. E em Itália há um, e um só, com quem se poderia ter este tipo de aprendizagem. Com quem se poderia dizer, "contigo aprendi". O melhor ao nível das ideias para todos os momentos do jogo, o verdadeiro herdeiro de Sacchi. O melhor treinador italiano da actualidade, ainda que a notoriedade  dos troféus não o façam chegar a tal reconhecimento.


Assombrosa a velocidade a que joga, mesmo estando parado

Continua a ser incrível a quantidade de situações Ax0+GR que o Barcelona continua a criar. Aí, na criação, continuam a ser os melhores do mundo. Colectivamente, mas sobretudo porque individualmente continuam a ter os melhores jogadores a jogar em espaços reduzidos, a decidir com pouco tempo e espaço, sempre com uma qualidade técnica assombrosa. Há críticas que se podem fazer ao novo modelo de jogo catalão, sobretudo pela forma como aos poucos se vai afastando da perfeição que Guardiola nos habituou. Mas tal já acontece desde a época passada onde devoraram todas as competições. Não há equipa no mundo que se equipare ao Barcelona neste registo. São os melhores na criação de situações de finalização simples. A obrigar o GR a mexer-se, abrindo caminho para um passe para a baliza. São os melhores no que toca à criatividade colectiva, e individual. Tomada de decisão. E têm Messi, como se percebe no segundo golo de Suarez. Assombrosa a velocidade a que joga, mesmo quando parado. Velocidade é isto.

sábado, abril 16, 2016

Tomada de decisão. Influência do treinador.

Quando falamos de tomada de decisão falamos da inteligência do jogador para decidir perante o contexto. Mas, demasiadas vezes esquecemos da influência que o treinador vai tendo durante o processo. Com pequenos gestos vai indicando o caminho. Mais por aqui, menos por ali. Veja-se a reacção de Klopp. A decisão de Origi, que não me parece a melhor, não teria caso fosse eu o treinador o meu aplauso. Nem reprimenda. Mas aplauso não teria de certeza. Aplaudiria se tivesse jogado em Moreno. Com isto não se quer dizer que Klopp não aplaudiria de igual forma se a bola entrasse em Moreno, acredito piamente que o fizesse. O que se quer fazer chegar é a diferença entre o que eu quero mais, e o que Klopp quer mais. Klopp aceita e aplaude "todos" os remates. Eu aceito todos, mas só aplaudo alguns.

video

quinta-feira, abril 14, 2016

Guardiola na Luz

Impressiona o que diz, por ser quem é, por ter ganho o que ganhou. Impressiona que esteja sempre a pensar no processo, em como atacar melhor. Impressiona porque tem a noção perfeita do que é o jogo, feito de detalhes, de imponderáveis num momento ou noutro. Impressiona porque explica por A+B o que são as provas a eliminar, e que o que conquista é passado e não se repete. Impressiona porque sabe que o seu trabalho é melhorar de forma constante os seus jogadores, e não entra nunca num trabalho a pensar que o máximo que lhes pode dar são as vitórias. Não impressiona porque já vão sete anos que o seguimos no pormenor.


terça-feira, abril 12, 2016

Falar de futebol hoje...

Falar de futebol hoje, é falar da Premier League onde o Leicester e o Tottenham passam um atestado de incompetência aos orçamentos milionários dos maiores clubes ingleses. Onde o primeiro classificado marca dezenas de golos em passe longo, a explorar a profundidade, e não parece haver fórmula para o parar. Falar de futebol hoje, é dar cartão vermelho às direcções, aos treinadores, e aos jogadores, do Manchester City, do Chelsea, do Manchester United, do Arsenal, e do Liverpool. É ainda assim falar do mérito dos jogadores do Leicester, por se superarem, e serem neste momento os melhores colocados para vencer o campeonato mais atípico dos últimos anos.

Falar de futebol hoje, é falar de Pochettino. É falar de um treinador que me começou a apaixonar no Southampton com o seu futebol de passe curto. Com o seu futebol que se limita a seguir a lógica do jogo. Com o seu futebol corajoso que ataca e defende com a bola controlada. Falar de futebol hoje, é falar do Tottenham que me diverte em cada jogo, e me faz querer ver o seguinte. É falar da equipa mais jovem da Premier e terceira mais jovem da Europa. É falar do melhor ataque e da melhor defesa, porque tem a melhor organização defensiva do campeonato - tem a bola. É falar de um futebol que pode não ser premiado com o título de campeão, mas de um trabalho que não pode ser ignorado por ninguém. A melhor classificação do clube em 53 anos diz isso. Assim como, o menor investimento dos últimos anos. Falar de futebol hoje, é dizer que o treinador teve as piores condições, menos dinheiro, piores jogadores, e superou. Lutou contra a cultura vigente, contra os próprios jogadores, e hoje conquista a notoriedade que há dois anos se adivinhava. A melhor equipa do campeonato.

Falar de futebol hoje, é falar de Eric Dier. Do cumprir de tudo o que se esperava dele, num campeonato muito mais exigente que o nosso. De pensar que por cá não era opção. Agora como médio defensivo. Não é a posição onde acho que poderá ser dos melhores do mundo, mas lá continua a dar mostras de tudo o que sempre foi fazendo de bom por aqui. No futebol "espanhol" de Pochettino realça a inteligência e qualidade técnica. Falar de futebol hoje, é tambem falar de Daley Blind. O jogador mais inteligente que o futebol holandês formou nos últimos anos. Diria que, o último jogador holandês da escola holandesa de Cruyff. Esquecido na equipa pouco notada de Van Gaal, é tudo aquilo que Cruyff sempre esperou de um jogador. Inteligente, dotado tecnicamente. Não joga a posição, joga o espaço. Incrível a forma como define cada vez que a bola chega aos seus pés, em condução, ou em combinação. 

Falar de futebol hoje, é falar de Tuchel. Que monta uma equipa capaz de competir com Guardiola na regularidade, e que dá sinais de poder voltar a ser campeã nos próximos anos, com mais tempo de trabalho em cima, e sobretudo sem Guardiola na mesma liga. O futebol tão agradável de Tuchel, que mostra-se preocupado com a performance ofensiva e defensiva da sua equipa, não deriva só da qualidade individual que o Dortmund sempre foi tendo nos últimos anos. É fruto de um trabalho distinto do que aquele que Klopp preconizava, e de uma ideia de jogo fundamentalmente virada para os desequilíbrios ofensivos desde os defesas. Falar de futebol hoje, é falar de Guardiola que se prepara para dar o primeiro tetra da história do Bayern, para ganhar o seu segundo tri, e para mais uma vez mostrar aquilo em que o futebol que se defende por aqui é forte - na regularidade.

Falar de futebol hoje, é falar de Neymar. É dizer que aquilo que sempre se defendeu sobre as suas competências, e sobre o salto qualitativo que o seu futebol poderia dar na Europa se verificou. Que o estímulo no Brasil era demasiado baixo para o seu nível, e que agora é decididamente um dos três melhores jogadores do mundo. Conseguiu-o fruto do seu trabalho, e da humildade que teve para perceber que não era estrela maior na Europa (ainda não era), e que tinha muito que aprender (com os seus colegas de equipa, sobretudo) para dar o salto qualitativo que o seu futebol precisava. Neymar hoje é muito mais jogador do que aquilo que era quando chegou cá, e não mais é potencial. Falar de futebol hoje, é continuar a falar de Paco Jemez sempre preocupado com o seu futebol ofensivo, e que mais uma vez poderá cumprir com os objectivos a que se propõe. É dizer também que não obstante de todo o mérito, tendo em conta o fraco orçamento que sempre teve e o baixo nível dos jogadores, se não evoluir defensivamente sofrerá num clube com outro tipo de objectivos. Falar de futebol hoje, é falar dos Las Palmas de Valeron, e do Villareal de Marcelino Toral.

Falar de futebol hoje, é falar de André Villas-Boas. De mais uma vez ter-lhe sido dada a possibilidade num grande projecto e do resultado, tendo em conta que o futebol foi zero, não ter ido de encontro as expectativas. É falar de um Bernardo Silva que agora é indiscutível, mas que cada vez mais perde fulgor preso por um modelo que apenas lhe dá criatividade individual. É falar de Paulo Sousa que demonstrou, conforme o que se escreveu por aqui, não ser o treinador melhor preparado para todos os momentos do jogo em Itália, mas sobretudo que não tem qualidade individual para competir numa prova de resistência contra outros orçamentos. É falar de um Napoli de Sarri que é a melhor equipa transalpina colectivamente, mas que poderá não ser coroada no final. Falar de futebol hoje, é falar de mais uma fase final das provas da UEFA onde Alemanha e Espanha dominam. 

Falar de futebol hoje, é falar de um Porto num nível que não me lembro de ver. E por isso, falar de um Vítor Pereira que em tom de desafio na altura em que se despedia dos dragões questionou sobre quantos campeonatos ganharia o Porto depois da sua saída. É falar de um Paulo Fonseca mais maduro, mais estável do ponto de vista emocional, e por isso com mais condições agora para entrar num grande do que quando assinou pelo Porto. Falar de futebol hoje, é falar de uma não estratégia de comunicação do Sporting, que acaba por ser morto como o peixe: pela boca. É dizer que ter o melhor treinador do País, ter a melhor organização em todos os momentos de jogo, ter João Mário e ter Ruiz, ajuda mas não garante nada. Falar de futebol hoje, é falar de um Benfica galvanizado pelos resultados, pela sua massa associativa, que fez um jogo tremendamente competente do ponto de vista defensivo em Munique, e que se encaminha para renovar o título de campeão. É falar de Rui Vitória muito criticado por todos há uns meses, e que por via dos números que a sua equipa consegue é hoje equiparado por todos aos grandes treinadores por essa Europa fora. Falar de futebol hoje, é falar de Jonas.

sexta-feira, abril 01, 2016

Paulo Fonseca leva o futebol à Luz, mas deixa os três pontos.

É dessa forma que analiso a primeira parte do Braga na Luz. Muito trabalho do treinador em todos os momentos do jogo.

No ofensivo: Saída de bola pelos três corredores. Com um dos médios a baixar para junto dos centrais, permitindo a projecção dos laterais. A tentar sair sempre. Mesmo que pressionado, a simular situação onde joga longo e a baixar rapidamente para receber. Utilização dos apoios frontais. Laterais em largura e profundidade quando O SLB baixa para defender atrás do seu meio campo. Alas dentro. Avançados a provocar constantemente na profundidade, mas também médios ala. Alas a alternar entre o jogo interior apoiado e a ruptura. Envolvimento dos avançados com a bola no seu corredor.

No defensivo: Reacção à perda. Sectores juntos e compactos, não permitindo espaço entre linhas. linha defensiva com bons timings de profundidade e de subida. Referências zonais. Avançados a fechar primeiro e a pressionar depois. Médios a não deixar enquadrar.

A diferença de processos foi evidente. Infelizmente para o treinador do Braga ainda são os jogadores a jogar. Ele não pode não cometer erros por eles, nem tão pouco meter a bola na baliza e escolher onde meter o passe. Com ou sem estratégia de um lado e do outro, não houve razão nenhuma que não os erros individuais, a diferença de qualidade individual, que justificasse a vantagem do Benfica ao intervalo.