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quinta-feira, janeiro 14, 2016

Valorização do jogo como um todo

No futebol o objectivo é marcar mais do que o adversário. E tendo isso em conta, uma equipa que não procure por esse objectivo - marcar -, como parte qualquer de uma estratégia para o jogo, diz-me que essa equipa está mal preparada para o jogo. Mas há mais, no jogo, do que a procura do golo. Só há uma bola. E quando não a tens, ela está em posse do adversário. A ideia de que é fácil valorizar momentos defensivos como parte integrante do jogo parece-me descabida. A ideia de que qualquer treinador minimamente competente consegue operacionalizar um plano defensivo de qualidade, também me parece descabida. O que me parece certo é que criar uma ideia de jogo ofensivo de qualidade é mais difícil do que criar uma ideia defensiva. Mas tal não significa nunca que é fácil defender bem. 

Por muitos factores que não se podem controlar, o treino deve ter uma parte defensiva fundamental para a ideia de jogo ofensiva de cada treinador. Assim, dessa forma, quando os erros técnicos se somarem e a eles se seguirem perdas de bola; quando a tomada de decisão não for adequada e o adversário recuperar; se o adversário for muito superior do ponto de vista individual e nos roubar a bola; se o estado anímico não for o melhor e a equipa não conseguir ter bola; a equipa estará ainda assim preparada para jogar defensivamente com qualidade. É esse o trabalho do treinador. Tentar criar, e tentar impedir que o adversário crie. Sabendo que não há fórmulas defensivas para todos os problemas que o ataque cria, ainda assim se pode reduzir bastante as hipóteses de sucesso do ataque. E sim, não acabar como Moreno e Milner no lance que se segue. 

https://streamable.com/b9zt

O que defender? Como defender?

5 comentários:

Benoit disse...

Obrigado Blessing por mais uma boa "posta".
Não era isto que os treinadores com planteis com menor qualidade individual deveriam procurar?
Do pouco que ainda consegui analisar, o Sassuolo treinado por Di Francesco, assenta no último parágrafo do teu texto.
Sabem que individualmente são inferiores, e isso reflete-se mais no processo ofensivo, onde os golos surgem maioritariamente nas bolas paradas ou em erros individuais dos adversários. Já no processo defensivo apercebi-me de alguns comportamentos interessantes que ainda carecem de uma analise mais profunda.

Blessing disse...

Acho que é o que todos deviam procurar, para se conseguir ser competitivo

Guilherme disse...

Mais ou menos a proposito, porque talvez o primeiro treinador que defendeu a ideia do post foi o Sacchi, aqui ficam os apontamentos dele para o Mundial de 94. Creio que também existe um ficheiro semelhante para o Milan algures na internet:

http://www.upcoach.it/wp-content/uploads/Appunti-Arrigo-Sacchi.pdf

Existe também uma autobiografia que saiu em 2015 e que recomendo vivamente: ele descreve a fundo a sua ideia de jogo e o treino (mas esta em italiano):

http://www.amazon.it/Calcio-totale-raccontata-Guido-Conti/dp/880464804X

Blog de Portugal disse...

- Aliás, uma grande ideia defensiva pode ser ter a bola em nosso poder, pois aí de certeza que o adversário não vai marcar golo. As equipas que têm muita bola também defendem muito bem, pois o adversário não tem bola, e logo não pode marcar golo.

- O link já não está a dar

- Guilherme, esse livro era top arranjar! Mas não sabes se há em inglês? Ler italiano é para o complicado.

Guilherme disse...

@ Blog de Portugal

1. Experimenta outra vez: http://www.upcoach.it/wp-content/uploads/Appunti-Arrigo-Sacchi.pdf

2. Em inglês nao, mas parece que esta para sair em Junho uma traducao espanhola (link abaixo)! Eu li em italiano mas apenas pq vivi la uns anos. O livro é o testamento futebolistico dele. Por ex., ele explica como é que prepararam a final contra o Benfica: tinha reparado que o Sven Goran fazia uma defesa à zona mista, a primeira referência da linha era o homem e por isso os defensores nao sabiam quando ir ao homem ou ocupar o espaço. Foi assim que veio o golo do Milan, o Van Basten arrastou um defensor para abrir espaço ao Rijkaard.

Outro aspecto que me chamou a atenção foi o desgaste fisico-psicologico dele. O Sacchi era incrivelmente trabalhador e ansioso, mal dormia nas noites antes dos jogos e tinha constantes ataques de pânico. Em termos de intensidade mental faz-me lembrar o Guardiola, e faz lembrar porque é que este tirou um ano sabatico depois do Barça.

O Sacchi também tem um outro livro, publicado em 84 e dedicado à formação: 'Ragazzino, vuoi diventare calciatore?' O livro é mais uma curiosidade historica porque naquela altura ele ainda misturava referencias a liberos com zona e defesa em linha; mas tem pormenores deliciosos, como ensinar como é que um jovem jogador deve ver um jogo na TV (dar atenção à saida de bola, às movimentacoes off e def com e sem bola).

http://www.amazon.co.uk/F%C3%BAtbol-total-Soccer-Arrigo-Sacchi/dp/8494418386/ref=sr_1_3?s=books&ie=UTF8&qid=1452872203&sr=1-3&keywords=Arrigo+Sacchi