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quarta-feira, janeiro 06, 2016

Curtas do início do ano

O que Marco Silva está a fazer na Grécia é notável. Soma por vitórias todos os jogos que jogou no campeonato até ao momento (16), com uma tremenda média de golos marcados e pucos sofridos. Assim como Paulo Fonseca que saiu mais rico depois da experiência num grande, Marco prepara-se para regressar em força da próxima vez que assumir um grande desafio. Por vezes, o momento e o contexto não são os indicados para o treinador ter sucesso. Porém, com a humildade para se aprender em cada experiência negativa o resultado é sempre positivo. Não me lembro de uma equipa nas Ligas europeias com um recorde destes, em tantos jogos, nos últimos anos. 

O Sporting entra no novo ano líder, com justiça. E é líder, sobretudo, porque conseguiu superiorizar-se aos rivais no confronto directo. Em matéria de pontos contra os pequenos está tudo muito igual. Como afirmei no início da época, o campeão este ano não vai fazer muito menos pontos que o anterior, e faltando duas jornadas para a primeira volta terminar a pontuação dos grandes reflete isso mesmo. De resto, o Sporting fez os melhores jogos contra os grandes, e teve mais dificuldades contra equipas de menor dimensão. Aí, pela menor qualidade individual do adversário, e por este se fechar no último terço, tem tido imensas dificuldades em encontrar espaços para criar.  Sem espaço, nota-se muito a dificuldade de execução, e de tomada de decisão dos jogadores leoninos. Alguns destes problemas podem ficar resolvidos com a entrada de Bruno César para o onze (tem um contra um; tem qualidade técnica no passe e na condução; tem finalização; e tem uma morfologia e capacidades físicas que lhe facilitam jogar nos espaços reduzidos), e sobretudo de Ruiz para o corredor central. Ruiz ganha com isso espaço para combinar com toda a equipa, e para se tornar a grande referência dos desequilíbrios entre sectores. Nota-se uma grande diferença de processos para o ano anterior, e isso é reflectido com um maior número de pontos que na época passada. 

O Porto de Lopetegui mostra pouca evolução de uma época para outra, no que diz respeito ao modelo de jogo da equipa. Os movimentos ofensivos são basicamente os mesmos, o aproveitamento do corredor central desapareceu sem Oliver e Jackson, os desequilíbrios individuais caíram sem Danilo e Alex Sandro. Porém, o treinador do espanhol continua a ser o que tem a grande vantagem relativamente aos outros, e para quem quiser ver, essa vantagem está reflectida na pontuação. Se o Porto hoje tem mais pontos que na época anterior, tal deve-se ao facto do treinador conhecer melhor os jogadores (pelo menos metade do onze inicial) que os adversários. Tem também maior conhecimento das características do campeonato, maior enquadramento com o contexto do clube. E por isso, ainda que tenha menos qualidade, fez mais pontos do que em igual período do ano passado. Continua, para mim, a ser o grande candidato ao título. 

O Benfica de Rui Vitória parece ter encontrado estabilidade ao nível de resultados para crescer do ponto de vista das ideias do treinador. Sabendo-se da dificuldade que era substituir um treinador que teve muito sucesso nos anos anteriores, a pressão é imensa. Ainda assim, para já, não mostrou qualidade de jogo em nenhum momento de jogo particular para que possa dizer que houve grande evolução desde o início da época. Não obstante disso, e por ter mais qualidade que a esmagadora maioria das equipas, não vai ser tão cedo afastado da luta pelo campeonato. Alguns regressos de lesão poderão ser o catalisador para uma entrada em 2016 melhor que a saída de 2015. 

O Braga de Paulo Fonseca, e o Setúbal de Quim Machado, são as equipas mais interessantes para seguir tendo em conta a sua ideia de jogo. Um jogo ofensivo. Um jogo que privilegia o passe curto como principal factor de desequilíbrio do adversário. Um jogo que tenta aproveitar o corredor central, e a partir daí seguir para os espaços livres. Quim Machado já me tinha deixado uma boa imagem do Feirense, onde apostou em Diogo Rosado. Agora de regresso à primeira liga, parece ter encontrado o contexto ideal para aproveitar as suas melhores ideias. 

O Leicester é a maior surpresa dos grandes campeonatos da Europa. E é-o como muitos já o foram. Sem um modelo de jogo capaz de os manter no caminho dos bons resultados, também cairá como muitos caíram quando o balão de motivação desses mesmos bons resultados terminar. Nem o jogo directo que promove carece de cuidados especiais no treino. E quando assim é, quando uma equipa é aquilo que os jogadores fazem dela, o destino fica normalmente traçado. Tenho sérias dúvidas que consigam ir à Europa, através dos lugares do campeonato. 

Mourinho sai do Chelsea após a sua pior prestação num clube. Como fomos dizendo por aqui, Mourinho está cada vez mais perto de outros treinadores pela forma como orienta o seu jogo. E por isso, ganha e perde como eles. Não é regular o suficiente para ser um coleccionador de títulos como foi no passado. Claro que a classificação do Chelsea não reflecte a qualidade actual de Mourinho como treinador, e resulta como um castigo muito duro para a mudança de paradigma que ele próprio promoveu na sua concepção de jogo. 

A Fiorentina de Paulo Sousa continua na luta pelo título em Itália. Mérito do treinador português pelas ideias de grande qualidade que tenta implementar. Ainda que com a dificuldade acrescida por não ter a qualidade que os seus processos merecem. O campeonato italiano é hoje bem mais interessante graças a ele, e ao Nápoles de Sarri. Outro treinador com ideias de grande. E por isso, percebe-se a classificação das duas equipas. Parece-me que neste momento Sarri está mais preparado para os quatro momentos de jogo. Mas sendo que não é o que goza da melhor qualidade individual, fica difícil de prever o desfecho do campeonato. 

Importante continuar a seguir a evolução do Fenerbahce de Vítor Pereira, do Tottenham de Pochettino, do Everton de Martinez, do Celta de Vigo de Berizzo, o United de Van Gaal, o Liverpool de Klopp. Sem nunca perder de vista Guardiola, Tuchel, e o Barcelona de Luís Enrique. 

Ps: Zidane herdou o trabalho mais difícil do mundo. 

16 comentários:

Mike Portugal disse...

Achas que o Marco Silva está preparado para regressar?
No ano passado o SCP tinha muitas dificuldades nos momentos defensivos e não conseguia jogar pelo interior na Org. Ofensiva.
Sim, está a fazer um bom trabalho na Grécia, mas também não tem muita competição das outras equipas. Será que é o suficiente para evoluir?

pancas disse...

Blessing,
Ja pensaste em fazer uma pequena analise comparando o Olimpiakos de Vitor Pereira com o de Marco Silva? Aqui ou no Lateral Esquerdo...

Tambem seria muito interessante ver mais analises sobre o trabalho dos treinadores que nomeaste no texto.

Obrigado por tudo o que vais partilhando!


Hélder disse...

Mais alguem está super curioso de ver o primeiro jogo do ZZ?

Bernardo Ferrão disse...

O Ruiz é craquezorro, e no corredor central então ... Espero é que qd voltar Teo não volte ao corredor lateral. Conheces o Schelloto? A alcunha não faz prever gd coisa. E o Zeegelar gostas?

O Paulo Fonseca gosto de tudo até chegar ao ultimo terço. Aí os AVs q nunca se mostram em apoio e pedem ambos na rutura faz com que a bola vá muito para fora e cruzamento (não me parece que haja clara intenção de atrair na ala para voltar a penetrar pelo meio). Já te falei do Boly que gostei bué daquilo que vi (com bola!). Quim Machado ainda não vi nada. Pedro Martins do Rio Ave, não gostas? Parece ter qualidade, pelo menos sempre que vejo gostam de atacar e jogar curto.

hra disse...

Analisar o MS só pelas vitórias é muito redutor, não achas blessing?
Gostaria que aprofundasses mais para se ver a evolução de ideias

Blessing disse...

Hra, acho.
Eu gostaria é que fosses tu a aprofundar, para vermos essa mesma evolução =)

Blessing disse...

Mike, acho. E sim. Parece-me mais do que suficiente.

Pancas, não tenho computador disponível agora. Desde que quis fazer uma apresentação do Setúbal contra o nacional até hoje ainda não resolvi isso.

Bernardo, conheço do YouTube. O Marvin não conheço. Vê jogos do Braga sem ser com os grandes ;)

Pedro Martins acho que está bem nos clubes onde tem estado.

R.B. NorTør disse...

Mesmo sem ser com os grandes, concordo com o que o Bernardo diz do PF. Já vi uns jogos do Braga, curiosamente contra grandes acho que não vi nenhum, e tenho essa ideia (completos vi com o Rio Ave e o Portimonense este para a Taça). Não me tira da ideia que era o substituto natural do JJ no Benfica e que com ele o Benfica se arriscava a ser líder isolado, por ter em Jona e Mitroglou qualidade de fazer inveja a qualquer outra equipa em PT.

O Pedro Martins não me parece talhado para equipa grande ainda, nem sei se evolui mais. Recorrendo um bocado a linguagem FM, parece-me talhada para equipa que luta por ir à Europa, que é exatamente o que tem feito, quer no Marítimo, quer agora no Rio Ave.

Quim Machado aparece como uma surpresa e pensei que se ia falar do Jorge Paixão, que me parece estar a dar continuidade a um interessante trabalho do PF em Paços, à semelhança do que fez no Belém.

Sei que agora se fala menos dele, mas e o Carvalhal e o seu Wednesday? Aquilo está de tal forma que chegou a correr a piada que seria ele o substituto do Mou no Chelsea!

Estou curiosíssimo para ver o que dá ZZ no Real.

Abraços e bom ano!

Ricardo disse...

Eu diria que é precisamente por ter a estrutura que praticamente lhe garante ser campeão que Marco Silva tem, neste momento, um contexto mais do que favorável para poder fazer evoluir as suas ideias. Como só vi o jogo em casa com o Arsenal, seria injusto da minha parte estar a avaliar o que quer que fosse do seu trabalho, pese embora me tivesse dado a impressão que os processos defensivos continuam exatamente na mesma - leia-se: mal definidos.
No fundo, Marco Silva está na mesma situação que Paulo Sousa quando este esteve no Basel. Porque o difícil mesmo é não ser campeão nacional nos seus respetivos países, ambos tiveram/têm uma oportunidade de ouro para acertarem o seu próprio passo e subirem uns degraus na sua evolução.

hra disse...

Sinceramente ver jogos do Olympiakos não me interessa muito, mas se alguém aqui puder fazer um breve resumo do que gosta e do que não gosta no modelo de MS com a equipa grega, eu agradecia.

Tiago disse...

Tens visto jogos do Olympiacos?

M.R. disse...

http://oquintobeatle.blogspot.pt/

Boa tarde, iniciei um novo blog pura e simplesmente sobre futebol.

Gostaria muito de constar na sua lista de sugestões de blogs, e farei o mesmo claro.

Obrigada!

RG disse...

Blessing,

Do que vi com o Arsenal parece-me que as dificuldades defensivas que Marco já tinha em Alvalade continuam. Foram 3 nesse jogo, mas podia ser 6.

No entanto é expectável que possa melhorar

Blessing disse...

Ya Tiago.

RG, também vi esse jogo e outros. Concordo em parte

Pedro disse...

Marco está a ganhar tarimba de clube grande, de pressão para ganhar e isso será muito bom para quando regressar a Portugal ou, eventualmente, ir para um campeonato mais "forte" que o grego. Tenho pena de não conseguir acompanhar o jogo do Olympiakos para ver como jogam mas bater estes recordes é sempre meritório.

Desejo-lhe o maior sucesso possível.

Tiago disse...

Vamos lá por a época do Olympiakos em perspectiva, olhando apenas para os números (até porque o post só fala de números e não da qualidade do jogo):

- O anterior recorde, uma série de 16 triunfos consecutivos, pertencia também ao Olympiakos, mas datava de 2005/06, na altura comandado pelo norueguês Trond Sollied.
O Marco Silva bateu o recorde do Trond Sollied. Uau. Estaria o Trond Sollied preparado para um clube grande em 2006?

- O Olympiakos ganhou 17 dos últimos 19 campeonatos.
Isto, além de demonstrar a pouca competitividade da liga também mostra a superioridade já histórica do Olympiakos. Também mostra outra coisa muito importante: o Olympiakos é a única equipa grega a ir à Champions com regularidade e a amealhar os seus milhões.

- O Olympiakos gastou esta época quase 20M€ em jogadores (https://en.wikipedia.org/wiki/2015%E2%80%9316_Olympiacos_F.C._season#Transfers_in).
O 2º classificado gastou 160k (https://en.wikipedia.org/wiki/2015%E2%80%9316_AEK_Athens_F.C._season#Squad_changes)
o 3º classificado gastou menos de 2 milhoes (https://en.wikipedia.org/wiki/2015%E2%80%9316_Panathinaikos_F.C._season#In)