Posse de bola no Facebook

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segunda-feira, janeiro 25, 2016

Posse de Bola no processo ofensivo

Guardiola é o treinador que mais nos marcou, pela forma como o seu futebol se aproxima da baliza adversária com uma segurança tal que permite defender-se de quase todas as tentativas de contra-resposta adversária. Mas, na maior parte do tempo, a sua equipa sempre utilizou a bola com o objectivo de conquistar melhores condições para atacar a baliza adversária. Espaço. É disto que se trata. Conquistar espaços. O futebol era alucinante, e se foi o melhor que já vi é porque cumpria escrupulosamente com os principais princípios ofensivos do jogo. Penetração. A posse por posse apareceu depois do resultado. Para descansar, para gerir ritmos, para gerir o adversário. Mas no resto do tempo o foco é a baliza. Há quem diga que ele é um fundamentalista do estilo. Concordo. Do estilo que visa criar melhores condições para... E se as condições já estiverem lá?

Numa altura em que se falava numa nova revolução no jogo com o seu fabuloso 1x3x4x3 losango, num jogo onde a posse de bola foi de uns incríveis 83%, o foco foi sempre jogar o que o jogo pede. Nem posse nem transições. Atacar consoante o contexto. 

sábado, janeiro 23, 2016

Conhecimento do jogo. Inteligência.

Começam a escassear palavras para descrever João Mário. Em tempos, Ruiz disse que o médio português foi o que mais o impressionou no Sporting. Pela qualidade, mas sobretudo pela humildade com que bebia do conhecimento que o treinador tem para lhe dar. Ouve, pensa, percebe, executa. O jogo que Jesus lhe pede o beneficia à toda linha. Mas tal não seria possível sem a qualidade que João Mário sempre teve. Não só como jogador, mas também na sua formação como homem. É na humildade de quem reconhece que tem que melhorar, que tem que aprender, que tem que aperfeiçoar-se, que se percebe o jogador que é hoje. Ambição é isso. Não é querer ser o mais notado. É querer ser melhor. A tudo isso alia grande entendimento do jogo. Conduz, fixa, solta. Segura. Entrega de primeira. Vai para cima. Procura as melhores soluções. É hoje muito mais agressivo, por perceber melhor para onde, quando, e como deve ir. Entrega a notoriedade aos colegas por tomar quase sempre as melhores decisões. E é também criativo, com qualidade para executar o que imagina. Impressiona a forma como gere os ritmos da equipa com bola. Neste momento, como em muitos períodos da época passada, é o melhor jogador português a jogar em Portugal. 

É difícil imaginar um europeu em França sem Moutinho (o verdadeiro) e João Mário, atrás de Bernardo, Nani, e Ronaldo. 

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Peseiro, terá assim tantos problemas defensivos?

Um dos principais problemas que assombra José Peseiro é a associação constante das suas equipas a problemas defensivos. Pelo número de golos que sofria, pelo número de jogos em que sofria, pelos jogos que dominava e depois acabava por perder ou empatar. Sim. Uma realidade no Sporting, mas bem diferente por exemplo em Braga. Mas, desde sempre foi tentando encontrar sustentabilidade defensiva para a forma como idealiza o ataque. Por esses motivos, mesmo na sua última passagem por Portugal quando devastou a competição enquanto teve os seus melhores jogadores disponíveis, praticando o melhor futebol da liga de muito longe, foi afastado e mais uma vez associado à processos pouco seguros e eficazes. Normalmente, quando se olha para o treinador, olha-se muito para o resultado, e pouco para o processo. Ninguém, por exemplo, se lembrou que a onda devastadora de lesões que teve levou a uma sucessão de erros individuais que colocavam constantemente o trabalho do treinador em causa. Mesmo perante os próprios jogadores. E que isso leva a dinâmicas dentro e fora do campo que o vão afastando dos lugares de notoriedade de outros. Com isto não se pretende afirmar que Peseiro é fabuloso no momento defensivo, mas lembro que numa altura em que Jesus sofria golos praticamente em todos os jogos por aqui já se afirmava com veemência que os seus processos defensivos eram do melhor que este mundo tinha visto. Então a que se deve, por exemplo, agora no Sporting, permitir que se criem situações de 1x0? Primeiro deve-se dizer que também no Benfica essas situações aconteciam. E se não eram desse tipo, eram de outro. Permitia uma, duas ocasiões por jogo. Porque o adversário também joga, porque não há soluções defensivas para todos os problemas ofensivos, e porque são os jogadores a interpretar e a colocar em prática o que o treinador transmite. Certamente que se fosse o treinador a executar sairia tudo como ele quer (ou não). Mas não o é. Os jogadores é que jogam. 

Peseiro terá no Porto a oportunidade de colocar tudo o que pensa sobre o jogo em prática. E terá, finalmente, a possibilidade de se afirmar perante quem ainda o vê como incompetente como um fantástico treinador. Dirão, depois, que é hoje um treinador diferente nas ideias do que quando passou por Braga. Relembro (Aqui) um um artigo antigo do blogue, e (Aqui) a primeira parte da mesma análise. A curiosidade será para perceber como é que Peseiro vai enquadrar o seu 1x4x4x2 losango no Porto, ou se irá alterar o sistema tendo em conta que tem à sua disposição os melhores extremos do campeonato (ainda que esses tenham facilidade em jogar por dentro, em partir de posições centrais). De uma forma, ou de outra, certamente que em alguns meses o futebol ofensivo do Porto será o melhor que este campeonato verá. 

quinta-feira, janeiro 14, 2016

Valorização do jogo como um todo

No futebol o objectivo é marcar mais do que o adversário. E tendo isso em conta, uma equipa que não procure por esse objectivo - marcar -, como parte qualquer de uma estratégia para o jogo, diz-me que essa equipa está mal preparada para o jogo. Mas há mais, no jogo, do que a procura do golo. Só há uma bola. E quando não a tens, ela está em posse do adversário. A ideia de que é fácil valorizar momentos defensivos como parte integrante do jogo parece-me descabida. A ideia de que qualquer treinador minimamente competente consegue operacionalizar um plano defensivo de qualidade, também me parece descabida. O que me parece certo é que criar uma ideia de jogo ofensivo de qualidade é mais difícil do que criar uma ideia defensiva. Mas tal não significa nunca que é fácil defender bem. 

Por muitos factores que não se podem controlar, o treino deve ter uma parte defensiva fundamental para a ideia de jogo ofensiva de cada treinador. Assim, dessa forma, quando os erros técnicos se somarem e a eles se seguirem perdas de bola; quando a tomada de decisão não for adequada e o adversário recuperar; se o adversário for muito superior do ponto de vista individual e nos roubar a bola; se o estado anímico não for o melhor e a equipa não conseguir ter bola; a equipa estará ainda assim preparada para jogar defensivamente com qualidade. É esse o trabalho do treinador. Tentar criar, e tentar impedir que o adversário crie. Sabendo que não há fórmulas defensivas para todos os problemas que o ataque cria, ainda assim se pode reduzir bastante as hipóteses de sucesso do ataque. E sim, não acabar como Moreno e Milner no lance que se segue. 

https://streamable.com/b9zt

O que defender? Como defender?

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Curtas do início do ano

O que Marco Silva está a fazer na Grécia é notável. Soma por vitórias todos os jogos que jogou no campeonato até ao momento (16), com uma tremenda média de golos marcados e pucos sofridos. Assim como Paulo Fonseca que saiu mais rico depois da experiência num grande, Marco prepara-se para regressar em força da próxima vez que assumir um grande desafio. Por vezes, o momento e o contexto não são os indicados para o treinador ter sucesso. Porém, com a humildade para se aprender em cada experiência negativa o resultado é sempre positivo. Não me lembro de uma equipa nas Ligas europeias com um recorde destes, em tantos jogos, nos últimos anos. 

O Sporting entra no novo ano líder, com justiça. E é líder, sobretudo, porque conseguiu superiorizar-se aos rivais no confronto directo. Em matéria de pontos contra os pequenos está tudo muito igual. Como afirmei no início da época, o campeão este ano não vai fazer muito menos pontos que o anterior, e faltando duas jornadas para a primeira volta terminar a pontuação dos grandes reflete isso mesmo. De resto, o Sporting fez os melhores jogos contra os grandes, e teve mais dificuldades contra equipas de menor dimensão. Aí, pela menor qualidade individual do adversário, e por este se fechar no último terço, tem tido imensas dificuldades em encontrar espaços para criar.  Sem espaço, nota-se muito a dificuldade de execução, e de tomada de decisão dos jogadores leoninos. Alguns destes problemas podem ficar resolvidos com a entrada de Bruno César para o onze (tem um contra um; tem qualidade técnica no passe e na condução; tem finalização; e tem uma morfologia e capacidades físicas que lhe facilitam jogar nos espaços reduzidos), e sobretudo de Ruiz para o corredor central. Ruiz ganha com isso espaço para combinar com toda a equipa, e para se tornar a grande referência dos desequilíbrios entre sectores. Nota-se uma grande diferença de processos para o ano anterior, e isso é reflectido com um maior número de pontos que na época passada. 

O Porto de Lopetegui mostra pouca evolução de uma época para outra, no que diz respeito ao modelo de jogo da equipa. Os movimentos ofensivos são basicamente os mesmos, o aproveitamento do corredor central desapareceu sem Oliver e Jackson, os desequilíbrios individuais caíram sem Danilo e Alex Sandro. Porém, o treinador do espanhol continua a ser o que tem a grande vantagem relativamente aos outros, e para quem quiser ver, essa vantagem está reflectida na pontuação. Se o Porto hoje tem mais pontos que na época anterior, tal deve-se ao facto do treinador conhecer melhor os jogadores (pelo menos metade do onze inicial) que os adversários. Tem também maior conhecimento das características do campeonato, maior enquadramento com o contexto do clube. E por isso, ainda que tenha menos qualidade, fez mais pontos do que em igual período do ano passado. Continua, para mim, a ser o grande candidato ao título. 

O Benfica de Rui Vitória parece ter encontrado estabilidade ao nível de resultados para crescer do ponto de vista das ideias do treinador. Sabendo-se da dificuldade que era substituir um treinador que teve muito sucesso nos anos anteriores, a pressão é imensa. Ainda assim, para já, não mostrou qualidade de jogo em nenhum momento de jogo particular para que possa dizer que houve grande evolução desde o início da época. Não obstante disso, e por ter mais qualidade que a esmagadora maioria das equipas, não vai ser tão cedo afastado da luta pelo campeonato. Alguns regressos de lesão poderão ser o catalisador para uma entrada em 2016 melhor que a saída de 2015. 

O Braga de Paulo Fonseca, e o Setúbal de Quim Machado, são as equipas mais interessantes para seguir tendo em conta a sua ideia de jogo. Um jogo ofensivo. Um jogo que privilegia o passe curto como principal factor de desequilíbrio do adversário. Um jogo que tenta aproveitar o corredor central, e a partir daí seguir para os espaços livres. Quim Machado já me tinha deixado uma boa imagem do Feirense, onde apostou em Diogo Rosado. Agora de regresso à primeira liga, parece ter encontrado o contexto ideal para aproveitar as suas melhores ideias. 

O Leicester é a maior surpresa dos grandes campeonatos da Europa. E é-o como muitos já o foram. Sem um modelo de jogo capaz de os manter no caminho dos bons resultados, também cairá como muitos caíram quando o balão de motivação desses mesmos bons resultados terminar. Nem o jogo directo que promove carece de cuidados especiais no treino. E quando assim é, quando uma equipa é aquilo que os jogadores fazem dela, o destino fica normalmente traçado. Tenho sérias dúvidas que consigam ir à Europa, através dos lugares do campeonato. 

Mourinho sai do Chelsea após a sua pior prestação num clube. Como fomos dizendo por aqui, Mourinho está cada vez mais perto de outros treinadores pela forma como orienta o seu jogo. E por isso, ganha e perde como eles. Não é regular o suficiente para ser um coleccionador de títulos como foi no passado. Claro que a classificação do Chelsea não reflecte a qualidade actual de Mourinho como treinador, e resulta como um castigo muito duro para a mudança de paradigma que ele próprio promoveu na sua concepção de jogo. 

A Fiorentina de Paulo Sousa continua na luta pelo título em Itália. Mérito do treinador português pelas ideias de grande qualidade que tenta implementar. Ainda que com a dificuldade acrescida por não ter a qualidade que os seus processos merecem. O campeonato italiano é hoje bem mais interessante graças a ele, e ao Nápoles de Sarri. Outro treinador com ideias de grande. E por isso, percebe-se a classificação das duas equipas. Parece-me que neste momento Sarri está mais preparado para os quatro momentos de jogo. Mas sendo que não é o que goza da melhor qualidade individual, fica difícil de prever o desfecho do campeonato. 

Importante continuar a seguir a evolução do Fenerbahce de Vítor Pereira, do Tottenham de Pochettino, do Everton de Martinez, do Celta de Vigo de Berizzo, o United de Van Gaal, o Liverpool de Klopp. Sem nunca perder de vista Guardiola, Tuchel, e o Barcelona de Luís Enrique. 

Ps: Zidane herdou o trabalho mais difícil do mundo.