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sábado, dezembro 26, 2015

A história do jogo

Seguramente que as coisas mais faladas por aqui, e pelo Lateral Esquerdo, são aquelas que se acha que estão sob controlo do treinador. A análise é sobre a qualidade táctica das equipas dentro do jogo, sobre as regularidades e irregularidades ao nível dos comportamentos colectivos que cada equipa demonstra, sobre a forma criteriosa como o treinador escolhe os seus jogadores em função da sua ideia de jogo, sobre a forma como no treino se operacionaliza ou não a ideologia de jogo, sobre a forma que o treinador coloca a sua equipa estrategicamente para atacar e defender, sobre posicionamentos e dinâmicas posicionais, sobre a relação que cada jogador tem com aquilo que o treinador lhe tenta passar.

Porém, cada jogo tem uma história bem particular. Aquele momento específico vive de muitos imponderáveis a que muitas vezes damos menos atenção. O momento específico de cada equipa. A pressão externa ao jogo. A pressão interna do jogo. A melhor ou pior relação do treinador e da equipa com a imprensa. A maior ou menor confiança dos jogadores nas suas capacidades e no modelo de jogo (pelos resultados anteriores). As divergências entre a equipa técnica e à direcção. A forma como cada equipa encaixa na estratégia do adversário. O público. Etc, etc, etc. Estes são apenas alguns exemplos de factores que influenciam o jogo, e que, por serem os mais diversos tornam-se difíceis de descortinar dentro de cada contexto específico.

Hoje, o Manchester perde com o Stoke. Os adeptos cantam por José Mourinho, depois de toda especulação que tem havido aquando da sua saída do Chelsea. O que os adeptos se esqueceram, hoje, foi que este jogo, neste contexto particular, teve uma história. Uma história que começou com um erro individual tremendo de Depay, que ofereceu o primeiro golo ao Stoke. Esse golo caído do céu, galvaniza as bancadas da equipa da casa, galvaniza os jogadores por estarem em vantagem sobre o United, e tem o efeito exactamente oposto na formação de Van Gaal. Uma equipa já muito pressionada nos últimos tempos pelos resultados que não consegue e consequente queda na classificação, pela imprensa que especula sobre a posição do treinador, pelos próprios adeptos que idolatram um outro treinador agora livre para assumir o comando da equipa; onde os jogadores não estão muito confiantes na sua própria qualidade, onde desconfiam da qualidade das ideias tão criticadas do seu modelo de jogo, onde o treinador se mostra inflexível ainda que as coisas não corram bem nas suas ideias. Consegue-se imaginar a descrença dos jogadores ao sofrer um golo deste tipo?

Por aquelas cabeças só deviam estar a passar coisas do tipo - Não há nada que esteja ao nosso alcance para mudar isto. Já nos acontece tudo. Podemos estar aqui a correr noventa minutos que não os vamos conseguir superar. Nem dez minutos passados e sofre o segundo golo no seguimento de um lance de bola parada. E o jogo para Van Gaal acabou aqui. O colapso mental dos seus jogadores estava completo. A instabilidade e a insegurança reinam a partir daqui. Poderia estar no balneário com eles com as melhores estratégias de motivação existentes que, naquele momento específico, tendo em conta todo o contexto que o rodeia, os jogadores não lhe iriam dar uma resposta à altura do desafio que estava colocado. E isso notou-se sempre na linguagem corporal dos jogadores. Nos erros que se sucederam, na forma pouco contundente/exuberante como executaram, no tempo que demoraram a decidir cada lance pelas dúvidas todas que assombram os seus pensamentos. Seguramente que o treinador terá a sua quota parte de responsabilidade em cada momento negativo que a equipa vive, assim como tem a sua quota parte de mérito nos momentos positivos. Mas, lá dentro mandam eles e a cabeça deles. E hoje, como quase sempre, quem ganhou foram os jogadores do Stoke e quem perdeu foram os jogadores do Manchester.

José Mourinho é outro caso deste tipo de dinâmica negativa ao nível dos resultados, assim como Klopp o foi no Dortmund na época anterior, e muitos outros treinadores o são ao longo do tempo. Desde o alto rendimento ao distrital.

4 comentários:

aimarbenfica disse...

Há varios aspetos que influenciam o jogo, para o bem ou o mal.
A situaçao do Rui vitoria no benfica tem algo de semelhante ou nem por isso?
Ja agora grande post.

Blessing disse...

Passou por algo semelhante sim. Mas está normalizado

DM disse...

E não será inépcia do treinador o não conseguir inverter essa onda de resultados negativos? A parte mental também é "trabalho tático". A motivação dos jogadores. Motivar os jogadores é uma arte, que rende frutos. Há jogadores que com certos treinadores parecem melhores, e com outros piores - e nem sempre se deve à tática.

Essa falta de confiança geral dos jogadores também se deve à falta de confiança que têm em quem está no banco, ou à falta de capacidade deste para conseguir galvanizar a sua equipa e fazê-los acreditar que conseguem dar a volta ao resultado. Que são capazes de enfrentar qualquer adversário. Treinadores como Guardiola ou Jesus, por exemplo, nunca tiveram 4 ou 5 derrotas seguidas nas suas carreiras como aconteceu a Van Gaal ou Mourinho :P

Celso Araujo Martucho disse...

O futebol estragou ja nao é a paixao que era e a culpa é dos treinadores arrisco em dizer que ja nao veremos jogos com tanto espectaculo como se via em tempos era lindo ver como Ronaldo "Fenomeno" driblava os defesas com Ronaldinho levantava as pessoas das bancadas, como Zidane espalhava magia, como Beckham metia a bola sempre no sitio certo, como R. Carlos era incansavel Cannavarro lidera as defesas e tantos outros, e a culpa é dos treinadores que exigem que um magico deva tambem ser um mecanico, actualmente o que me prende em ver jogos é mais porque é o meu desporto favorito porque se começa-se a assitir jogos agora certamente que nao amaria o futebol.
Falo disso porque doi-me ver como Gauld e desaproveitado por Jesus embora ele melhor que Eu sabe o que faz. Ver Matheus a nao driblar por receio de ser chamado a atenção e como agora obrigam os defesas a serem belos a sair a jogar, isso para mim nao é o futebol que sempre suspirei.
Equipas dos anos 90 ate aos anos de 2006 eram de facto outra coisa e duvido que tenha equipa actualmente que venceria com facilidade as equipas anteriores mais falando do mesmo clube.
O Real actual nao venceria o dos tempos de Ronaldo, Zidane, Raul
O Barcelona de agora nao acredito que venceria o de Ronaldinho, Rivaldo Kluivert e tantos tal como os clubes Portugueses actualmente nao venceriam muitas equipas que ja tiveram.

Foi so um desabafo