Posse de bola no Facebook

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segunda-feira, novembro 30, 2015

Assumir a própria identidade. Um caminho que poderá levar ao resultado.

O caminho de Rui Vitória no Benfica tem sido muito acidentado. Como se escreveu aqui, numa equipa grande, com a grande pressão mediática para a obtenção do resultado, não há tempo para treinar o treino. Ou se tem, ou não se tem. E durante demasiado tempo Rui Vitória foi tentando ser aquilo que não é - um treinador com capacidade para operacionalizar um jogo predominantemente ofensivo. Um treinador com capacidade para implementar ideias de jogo agressivas em todos os momentos do jogo, em todo o campo. Rui Vitória não está treinado para operacionalizar este tipo de jogo. Não está habituado a resolver os problemas que este tipo de jogo dá. Não tem resposta a tempo e horas para as dificuldades que os jogadores sentem. E a continuar a jogar dessa forma irá sempre tropeçar. Porém, ao ver o Benfica de hoje em Braga percebe-se a maior tranquilidade e conforto do mesmo quando a equipa não joga tão subida, a pressionar tão alto. Quando a equipa não necessita de reagir forte para recuperar, limitando-se apenas a recuperar posições. Quando a equipa não tem a responsabilidade de assumir o jogo em posse. Quando a equipa não precisa de defender com poucos. Quando não há necessidade de saber como proteger-se das perdas quando a equipa está larga e organizada para atacar. Quando a equipa está mais junta e compacta, com muito pouco espaço nas costas por defender mais perto da baliza. Quando tem muito espaço nas costas da defesa adversária. Quando não precisa de ser capaz de furar blocos compactos fechados no último terço. É esse afinal o jogo que ele jogou, treinou, e conheceu, nos seus últimos anos como treinador. Sendo esse o seu caminho, está naturalmente muito mais preparado para dar resposta aos problemas do treino, do jogo, dos jogadores. Talvez não fosse má ideia assumir-se como é, como sabe, como gosta. Poderá ser essa a chave para uma caminhada menos acidentada.

domingo, novembro 29, 2015

Miúdos atrevidos capazes de contornar a selva aleatória que é o jogo de futebol. Leroy Sane.

Qual é a melhor forma de resolver um 2x1+GR?!
A melhor forma é deixar cada um percorrer o seu caminho, para que perceba melhor de onde aparece o resultado.


Se alguém tem ensinado a Sane que neste tipo de situações o melhor é o passe, provavelmente não teríamos tido a possibilidade de apreciar a solução criativa que o jovem avançado alemão encontrou para resolver o lance. E assim é o jogo. Imprevisível. E por isso, cada acção dependerá sempre do contexto. E por depender do contexto, deverá ser este a ditar o que fazer, quando fazer, como fazer. O treino, para mim, é isto. Dotar o jogador de capacidade para perceber mais rapidamente o contexto, e com isso criar melhores condições para ter sucesso nas suas acções.

Nenhum 2x1+GR é igual. Há lances em que o melhor é fixar o último defesa e o GR. Há lances em que o melhor é ir para a baliza. Há lances em que o melhor é enfrentar o 1x1. Há lances em que o melhor é soltar logo o passe. Há lances em que o melhor é rematar. Depende tudo da forma como o adversário se coloca para defender o lance, da forma como o colega está ou não orientado para receber a bola, da forma como o GR está ou não posicionado para defender a baliza. E quando o jogador percebe isso - que deve jogar de acordo com o contexto -, e se for de capacidade técnica assinalável, tornar-se-à capaz de manipular a situação de jogo em que se encontra, para uma situação mais favorável para si. Quando um jogador finge que vai rematar e passa, está a manipular o contexto. Está a enganar o adversário, levando-o a agir de acordo com determinada acção e a usar essa reacção do adversário para executar outra. Criatividade é muito isto. Perceber como contornar e/ou reduzir a brusca aleatoriedade que domina a natureza do jogo.