Posse de bola no Facebook

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quarta-feira, agosto 26, 2015

Como parar Musa e Doumbia? Escolher o pior dos males.

Colectivamente, não deixar nenhum jogador enquadrar de frente para a última linha sem contenção próxima, por forma a não permitir que se explore a profundidade com tempo, espaço, e precisão. Agressividade máxima sobre a bola.

Individualmente, retirando a imprevisibilidade cada vez que eles recebiam a bola. Tratando-se de jogadores individualmente fortes deve-se assumir que eles vão passar sempre. Assumir isso é fazer com que eles sigam o caminho que lhes dá menos alternativas para dar seguimento ao lance. Escolher o pior dos males. Várias foram as vezes que se lhes deu a possibilidade de jogar no corredor central aumentando o seu leque de opções. Nesses casos é abrir declaradamente o corredor lateral e enfrentar o um contra um sem tentar o desarme. Prepara-se e espera-se pelo cruzamento.

Do oito ao oitenta. De uma primeira parte de controlo absoluto do jogo em posse, para uma segunda parte miserável do ponto de vista colectivo e individual. O jogo do Sporting reflecte-se nas duas piores exibições individuais em campo por terem sido elas a criar e finalizar o golo leonino. Esta segunda parte foi o pior período de jogo do Sporting desta época.

Numa altura em que o Sporting parecia bem alinhado em forma e em número para fechar todos os caminhos próximos da área, o CSKA não cede à tentação do cruzamento fácil, e do remate de longe, e cria uma das estratégias que mais aprecio para furar blocos cerrados. Aproveita o movimento da linha defensiva do Sporting que subia, colocando a bola no sentido contrário. Movimento muito difícil de parar.

54 comentários:

BB disse...

Acho que tens ai um erro no último parágrafo, dizes "O CSKA cede à tentação" e devias querer dizer "O CSKA não cede à tentação"


O Naldo está sempre desalinhado com o resto da linha

DC disse...

Querias dizer "CSKA não cede ao cruzamento fácil", não?

Quanto ao jogo, só vi a 2a parte portanto a imagem que fica é péssima. Mas nada que não estivesse à espera, sinceramente. Não é a 1a vez que JJ vai à Rússia...

Blessing disse...

Obrigado pessoal, está corrigido.

Dipeca disse...

Será que o Sporting deveria ter "arriscado" e baixar linhas em vez de ficar em bloc médio alto? Defender a profundidade ainda não faz parte do ADN daqueles jogares, estão a interiorizar.. será que o sporting devia ter abdicado do seu princípio fundamental, pq o adversário iria sempre conseguir, sobretudo com o cansaço físico e mental da equipa?

O que achas do controlo da largura do Sporting (os extremos a alinha pela linha defensiva)? Ficas com menos gente no corredor central, mas controlas jogo nos corredores laterais...

Blessing disse...

acho igual ao do benfica no passado...

Dipeca disse...

Sim, é igual. Lá nisso, reconhecemos sempre o trabalho do JJ

Blessing disse...

acho que se pode adaptar ao adversário... mas acho que se tiveres a bola pouco tens de te preocupar com essas coisas lol

Dipeca disse...

O SCP perdeu a bola na segunda parte, mas será que não resulta mais do esgotamento aquillani e Ruiz que propriamente de uma escolha estratégica?

Se foi estratégico então JJ fez isto com o FCP no Dragão e saiu bem... hoje saiu mal.

O golo do CSKA que partilhas tem mto mérito, os outros nem por isso...

B Cool disse...

o paulo oliveira está totalmente inocente nos golos ? no segundo logo no início acho que tenta subir quando deveria logo baixar e no terceiro o musa passa por trás dele e recebe numa linha à frente dele... Certo que o naldo coloca sempre todos em jogo, mas parece-me que o p.o. também poderia ter feito mais

Gonçalo Matos disse...

Parece me que o naldo é que não esteve muito bem nos golos.. E num deles o Jonathan corre menos pra voltar que eu em casa.
Aquilani é que só joga parado e paradinho..

Blessing disse...

Dipeca, se eu disser que sim rapidamente vem aí a polícia das substituições lol. mas concordo. já contra o paços achei o mesmo. mas n só desses que citaste. de quase todos.

mas n é o po. é toda a linha de cobertura. o po sobe para alinha com jp e bem. o jp é que devia estar a baixar para controlar a profundidade. ou seja, o jp alinha pelo carrillo, o po alinha pelo jp, o naldo alinha pelo po, o jonathan alinha pelo naldo. se o jp ta subido o po na linha dele, o naldo na linha do po, o jonathan na linha do naldo. por isso, no lance, se isto é zona, quem está mal é naldo. antes disso, claro, há erro colectivo... jp, po têm de baixar em vez de subir, tendo em conta a bola descoberta.

qt ao terceiro golo, n vejo culpa de ninguém. é culpa de n haver uma forma de defender perfeita que dê para anular todos os lances. o po vem a subir. o outro e a bola vão no movimento contrário. impossível de parar se bem executado.

Blessing disse...

ah e talvez patrício no segundo golo pudesse estar mais subido :)

Dipeca disse...

Concordo com o terceiro.

Páh basta fazer a relação tamanho da bola/tamanho do campo.. a bola há de passar.

Qto ao outro golo, há jogadores que assumem a defesa de profundidade sem olhar aos colegas, exemplo: Piqué. No barça vejo-o mtas vezes a responder à bola descoberta sozinho em sprints para eliminar o espaço nas costas. Boateng no Bayern tb era mto assim, agora não sei..

Blessing disse...

claro, claro... no slb luisão era sempre o que ia primeiro. sempre ele a dar o sinal. tanto para sair na bola cm para baixar. tanto para subir cm para aguentar. n creio é que no sporting ja se tenha criado esse tipo de comando, tão pouco é o tempo de trabalho.

B Cool disse...

mesmo no terceiro o p.o. deve subir independentemente a linha estar mais atrás dele ? É que o Naldo e penso que o jonathan estão mais baixos que o p.o. e ele sobe na mesma... Parece-me que não há uma coordenação nas respostas às situações de jogo... Outra questão, se um erra, o jp ao subir em vez de baixar por a bola estar descoberta, deve o p.o. imitar o erro, só porque é defesa zona, ou deve procurar corrigir ?

Blessing disse...

e o po esta a olhar para todo lado ou para a bola? calma, os jogadores não são maquinas perfeitas que consigam fazer tudo ao mesmo tempo. bola pa trás qd estão dentro da área a idea colectiva de jesus é subir o mais rapidamente possivel. subir na bola e ficar no mínimo em cima da linha da área. era o que eles tentaram fazer mas n conseguiram. mas, qd se fala de coordenação e tudo mais, parece que estamos a falar de uma equipa com 3 ou 4 anos de trabalho. mas n. isto é o sporting. os jogadores começaram a aprender ontem estes comportamentos. e mesmo no final desta época vão continuar a haver erros, pese embora esta linha já seja mais competente que todas as anteriores dos ultimos anos, ou de sempre.
se um erra todos têm que estar errados. pq os outros têm que seguir o comportamento de quem comanda a linha. quem a comanda é a primeira cobertura. se for erro que seja erro colectivo. ganha-se como equipa, perde-se como equipa. é esse o espírito da zona.

BB disse...

No 3º golo, o Naldo não devia ter recuperado mais rapidamente a posição e estar mais perto do Paulo Oliveira depois de a bola ser passada para o jogador que faz a assistência?

Pedro disse...

"controlo absoluto do jogo"

Esse controlo absoluto no jogo na primeira parte não terá sido "concedido" pela estratégia, estranhamente, apática do CSKA?

cobra2 disse...

Diria eu que se o Benfica contra o Arouca tivesse explorado esta hipótese em vez dos remates de longe ou dos cruzamentos às cegas, tinha ganho. Jogadores com qualidade não faltam para interpretarem bem esta estratégia.

Relativamente ao Sporting, penso que se pôs a jeito. A minha pergunta é: será que foi por o JJ não ter identificado que o perigo estava nos 3 lá da frente (na qualidade do 1 para 1) ou pela falta de qualidade das unidades defensivas do Sporting?

Blessing disse...

BB, não sei o que é que isso mudaria.

Pedro, não sei.

Cobra2, não sei. O que sei é que se alguém tem culpa desta derrota é o treinador.

Pedro disse...

"O que sei é que se alguém tem culpa desta derrota é o treinador."

Estás a arranjar lenha para te queimares...
:)

Blessing disse...

Não Pedro. Não. Só se queima quem não faz ideia por onde anda. E não, isto não é provocação

Andre Lopes disse...

Princípio 1 - bola descoberta, equipa protege-se recuando

Princípio 2 - linha defensiva dentro da área, bola para trás, objectivo sair da área rápido

Será que o segundo principio não choca com o primeiro, na medida que a bola vai para trás, jogador descoberto e mesmo assim a equipa sobe?

GV disse...

Viva!

Muito interessante a abordagem do Sporting na primeira parte. Como sempre achei, o JJ pode e deve abordar jogos diferentes de forma diferente e neste caso até procurou a posse sem tanta vertigem com ajustes no modelo e no sistema, algo que pouco fez e devia ter feito em jogos concretos no Benfica - parece que o JJ finalmente interiorizou algo mais e isso é bom para a sua evolução.

Faltou saber reagir atempadamente ao crescendo do CSKA que se vinha tornando evidente na 2a parte. Mais do que erros individuais ou do árbitro, faltou reação, fosse refrescando os jogadores já desgastados, fossem ajustes posicionais; seja como for era o treinador que tinha que o fazer.

No Sporting já se vê muito do bom que o JJ dá e juntamente com alguns diferentes "pormaiores" que aparentemente o JJ está a introduzir, vai ser, e já é, uma equipa muito diferente para melhor.
Fica a dúvida: qto do seu mau JJ vai dar?

JJ dá sinais de estar disponível para mexer em coisas nas quais no Benfica parecia ser intransigente (com burrice até) e se for mais ágil a fazê-lo pode ser que atinja o patamar que acha (ou achava) que já tinha atingido há muito. Ele, como todas as pessoas, se dá sinais de open mind, estará mais perto de utilizar melhor as suas capacidades no que faz!

Cumps,

Edson Arantes do Nascimento disse...

O JJ fez muitas vezes isso depois da segunda época no Benfica, GV, olha o ano passado em Leverkusen (o Benfica foi atropelado na mesma).

Várias vezes ele mudou o segundo avançado, mudou o perfil do jogador e não o modelo de jogo. Ouvi várias pessoas a dizerem que o Sporting jogou em 4-3-3 e isso não é verdade: mal começou o jogo foi bem claro que o J. Mário foi avançado.

Aliás, o homem está sempre a repetir as mesmas coisas (são as ideias dele, que já sofreram alguma adaptação - tipo menos vertigem, mais segurança - mas que no essencial são sempre as mesmas).

Quanto ao jogo: o Sporting dominou como quis e fez o que quis do CSKA na primeira parte. Parecia que estava tudo decidido. Só que este CSKA é uma boa equipa com bola. Tem bons jogadores (rápidos e técnicos e todos com um estilo parecido) e conhecem o jogo: na segunda parte mostraram um reportório lixado de combinações, ora em profundidade, ora em apoio, e a arriscar bué com a linha de defesa mais subida (foi uma boa decisão do treinador porque tirou espaço ao Sporting para respirar com bola).

Para mim, na segunda parte o Sporting levou chocolate. Falta qualidade individual a todos os níveis e em todos os momentos do jogo - e mesmo assim são, para mim, os principais candidatos a ganhar a liga tuga. O Naldo é simplesmente inenarrável. É mesmo muito mau. Todos aqui sabem a minha opinião acerca do Paulo Oliveira: é fraquinho a todos os níveis. Ainda que com o JJ jogue o que nunca sonhou jogar.

Blessing disse...

André, dentro da área é do GR. Portanto, sim choca, mas por isso. Muda a referência. A ga é do gr ou é fora de jogo. Não podes recuar eternamente se não qualquer dia estavas na linha de baliza. E um remate ainda que com oposição dentro da área pode dar sempre golo, para além de tirar visibilidade ao gr. E mais, qualquer falta lá é penalti. Portanto, é de evitar ao máximo lá andar. Um dos principais problemas defensivos de quem não sabe controlar a profundidade e jogar em contenção cobertura é precisamente esse. Recuam eternamente... E depois os outros entram fácil na área. O Benfica está a sofrer disso.
A partir da ga a cobertura é na linha da bola.

Blessing disse...

Levou mesmo chocolate. Já as combinações tinham aparecido em Alvalade!

Andre Lopes disse...

Faz todo o sentido. Na área, o espaço nas costas é tão reduzido que para ser aproveitado tem de haver uma combinação de factores que não é normal - passe milímetrico, jogador a ir extremamente rápido, etc. Logo, o risco de ficar é muito superior ao risco de subir.
Requer muito trabalho (principalmente com o Naldo), mas o princípio é de facto extraordinário.

Epa, o Benfica em organização e transição defensiva tem sido assustador, prefiro nem me lembrar :D

Edson Arantes do Nascimento disse...

Por acaso não assisti ao primeiro jogo. Mas este treinador russo está lá há alguns anos e, do que fui vendo, gosto da forma como eles atacam. A defender acho que são muito fracos.

No comentário anterior fiz referência aos dois centrais do Sporting apenas como exemplo da falta de qualidade individual... E sem William a qualidade individual do Sporting baixa para metade (passe o exagero).

GV disse...

Viva Edson!

Eu diria que o JJ no Benfica poderá ter ensaiado algumas coisas algumas vezes, não as suficientes e nem sempre da forma mais adequada, por isso escrevi que foi "algo que pouco fez e devia ter feito em jogos concretos".

Eu falo de assumir mais a posse (e sem vertigem), em certos jogos, como fez ontem e isso raramente se viu no Benfica de JJ.

No exemplo que dás do Leverkusen acho que não é possível concluir de forma clara, a ver o jogo, o que o JJ ajustou concretamente. O Benfica entrou a medo, transmitido pelo próprio que andava muito à toa com as perdas de titulares no defeso, e o Bayer ao pressionar alto nem deixava o Benfica sair a jogar; às tantas o JJ pedia chutão para a frente. Foi um autêntico massacre!

São coisas muito diferentes, ele estava aflito durante bom período da época passada com as saídas de jogadores e na Champions entrou quase sempre com medo, de bloco junto e mais recuado, não com qualquer vontade de assumir a posse.
Também durante a época passada, no campeonato, nos jogos grandes, fez algumas incursões interessantes (talvez feias, mas sensatas), por explo o recuo do Jonas com o Porto - Jonas que, juntamente com o Pizzi, em geral com ou sem nuances táticas/estratégicas, pausavam mais o jogo - mas o modelo ainda assim assentava quase sempre nas transições rápidas, e como tal, parecia nesses jogos grandes, um modelo mais defensivo à procura da transição e não de assunção de posse.

A meu ver nas outras épocas anteriores o JJ ensaiou, timidamente e muito poucas vezes, menor vertigem com o C.Martins, o Amorim ou Witsel como "híbridos", que ora eram mais um no meio campo com o suposto 2º avançado a encostar tipicamente na ala dta, tipo 433, ora encostavam à dta no 422 habitual. Lembro-me de um mto bom jogo do Benfica assim com o Olympiakos. E foi isso que aconteceu ontem a meu ver mas de uma forma muito mais concreta na parte de assumir a posse e não a vertigem.

Por isso, concordo quando dizes que são as ideias dele com alguma adaptação (porque a - excelente - organização defensiva, controlo de profundidade e largura, etc, estão lá), mas discordo que sejam sempre as mesmas ideias na organização ofensiva, porque parece mais disposto a mudar esse momento, mesmo que pontualmente - parece que por vezes é preciso tirar-lhe os jogadores que o deixam confortável na transição e ataque para ele sair da sua própria zona de conforto e evoluir.

São assim, para mim, nuances no modelo e no sistema e a parte de procurar assumir a posse, como fez ontem na primeira parte, é merecedora de elogio enquanto evolução de um treinador com grandes qualidades técnicas e de sistematização mas estupidamente teimoso como ele é.

Cumps,

R.B. NorTør disse...

GV,

Com as diferenças de qualidade individual do Benfica para os adversários da Champions do ano passado, se JJ não tentasse mudar alguma coisa todos os jogos teriam sido de saco cheio. Alguns dos mais doentes encarnados recusam-se a perceber que o grupo do ano passado era dos grupos mais equilibrados que alguma vez a competição viu e que qualquer equipa poderia ter acabado em primeiro ou em quarto.

Se havia um favorito esse era precisamente o Leverkusen. Tinha um treinador estável, um plantel pouco sujeito a mudanças bruscas e um processo feito para abrir a mais teimosa das defesas, quer pelo chão quer pelo ar. O que me pareceu no jogo fora foi que usou o jogo para testar opções, daí que Cristante e Derley fossem titulares e que Talisca nesse jogo tenha jogado pela primeira vez no apoio ao avançado.

A questão de diferentes organizações dificilmente passam por 433s ou 442s, isso é mais para a malta do FIFA, passam essencialmente por definires funções e arranjares quem as execute. No caso das equipas de JJ, seja mais recuado, seja mais puxado à frente, o certo é que há sempre ali alguém que dá apoio ao AC, pelo que se eu fosse para o FIFA, optava por um 442. Quando a coisa está mais difícil, ou contra adversários que dão menos espaço e precisas de melhor controle da bola naquela área, normalmente este vem mais atrás e é frequente aparecer um jogador tipicamente rotulado como médio.

Os anos de Benfica, onde perder não era desculpável (com o novo parece que é, mas isso não interessa) acho que levaram a que ele assumisse que para atingir o sucesso, não podia abdicar dos princípios defensivos, podendo variar nos ofensivos. O que acontece é, lá está, são difíceis de interiorizar, são exigentes e não estão ao alcance de todos.

Os princípios que ali em cima enumeram para cobertura da bola (não recuar mais do que a linha de área, a área "entregue" ao GR ou a sujeitar foras de jogo, etc) foram bem patentes no jogo de Alvalade do ano passado. Podemos dizer que o Sporting esteve em cima do Benfica, mas onde estiveram as oportunidades perdidas do Sporting? Mais oportunidades teve o Arouca no passado fim de semana! Só que o jogo do ano passado aconteceu ao fim de 6 anos de trabalho, com pelo menos metade daqueles defesas (Luisão e Maxi), dois e qualquer coisa com um terceiro (Jardel), um antigo pupilo (Eliseu) e numa fase adiantada da temporada. Imagina o que é fazer aquilo com tudo malta nova e apenas dois meses de trabalho!

Numa fase tão precoce de implementação das ideias, é claro que vão haver falhanços, tão mais estrondosos quanto a falta de qualidade individual para o interpretar. Se quisermos abordar a coisa numa lógica de FM (só para mudar de jogo), então é irreal dizer que JJ vai jogar de uma forma diferente de 442. Só que até o próprio FM já permite, há alguns anos, mudares as funções dos jogadores sem alterares as posições!

Edson Arantes do Nascimento disse...

GV, o Benfica ganhou no Dragão (2-0 e depois perdeu 1-3 em casa, para a Taça) com o César Peixoto no meio-campo.

Nessa altura ainda nem sequer havia menos vertigem. Era mesmo a carne toda no assador. Mas ele fez a alteração na mesma. Aliás, essa segunda época parece ser uma fase de transição entre a vertigem total e a segurança que ele parece, agora, priorizar.

O homem está sempre a falar disto. Raramente muda o 4-4-2. Apenas muda o perfil que o interpreta. O homem repete isto a toda a hora.

Henrique disse...

Acho que o jj ajustou algumas coisas aos jogadores que tem. Não me parece possível jogar com vertigem quando tens o ruiz e o joão mário. São excelentes jogadores, mas é para um tipo de jogo ligeiramente diferente do que o jj implementou no benfica.

Uma coisa que me causa sempre dúvidas é até que ponto se deve apostar num modelo de jogo demasiado complexo quando a qualidade individual não abunda. Não haverá maneiras de defender mais "simples" do que aquelas que o jj utiliza, que poderiam ser benéficas em algumas circunstâncias/equipas? Não acham que o modelo do jj exige demasiado defensivamente aos alas? Fiquei com a ideia de que neste jogo com o cska na segunda parte os alas não podiam mais, aliás há um lance pelos 70 min, salvo erro, em que o ruiz se queixa de caimbras.

GV disse...

Por aqui há sempre esta questão, só se pode dizer bem do JJ, mesmo que as críticas sejam construtivas e até incluam elogios.

Sugiro que releiam sff o que eu escrevi, ignorando o 433 e o 442, e vejam se não viram jogos em que aconteceu o resto que eu escrevi.

Admito que não acrescenta muito valor falar de 433 e 442, não porque ache que tenha escrito algo de errado sobre isso, apenas porque, como já se demonstrou noutros debates neste blog, é um tema bastante mais subjetivo do que aparenta à partida (vidé o famoso debate sobre o mais famoso ainda 5-0 no dragão onde ficaram claras contradições nas posições por aqui assumidas).

Ele parte sempre do 442 e fala nisso, mas o próprio também admitiu na época passada que recuou por vezes o Jonas para o meio campo e que ele não estava ainda habituado.
Para tentar explicar, digo ainda que não estou a falar que o JJ assumiu abordagens declaradas em 433 (e/ou em 4231), refiro-me sim a nuances que introduziu, que potenciadas pelas diferentes características individuais e dentro de ajustes nas dinâmicas, fazem a equipa passar por diferentes momentos ao longo do jogo até com diferentes sistemas - mas foi por defeito tímido e em regra mal feito, mas foi o início desta nova fase do homem.
Quanto ao modelo, esse sempre foi o mesmo até à época passada em que a vertigem começou finalmente a ser alterada aqui e ali e agora no Sporting mais ainda.

O grupo da Champions do ano passado era difícil e as perdas de titulares foram brutais (má gestão das duas épocas anteriores), mas as diferenças de qualidade individual não justificam tudo.
O JJ no Benfica foi bom a bater em pequenos ou a jogar bem com grandes que se comportavam como pequenos (tipo a final com o Chelsea). Para mim foram demasiado raros os jogos grandes do Benfica de JJ que possam realmente ser elogiados.
E para mim isso tem tudo que ver com o modelo/sistema/estratégia preconizadas não terem sido suficientemente preparados de forma adaptativa para os 10% de jogos, que, em sendo, podiam ter levado a equipa a outro patamar.
E porque acho que isso aconteceu? Porque o ego dele foi quase sempre maior que as suas capacidades (que são muitas) e turvaram-lhe muitas vezes o raciocino. Seguramente que no intimo dele acreditou em determinado momento que ia muito rapidamente ser disputado pelos principais clubes europeus por ter a capacidade de cilindrar tudo e todos com um modelo atacante e vistoso! A verdade é que nem uma coisa nem a outra aconteceu e, mantendo a falta de humildade, lá começou a retificar aos poucos - a aprender e a evoluir!!

Foi isto que eu vim aqui elogiar! Além da excelente organização defensiva que sempre teve, no ano passado o JJ diminuiu a vertigem e aparentemente dá agora mais sinais de estar ainda mais disponível para burilar uma equipa a trabalhar em posse. Concerteza que não vai correr logo tudo bem e vai duvidar, etc, mas acho que, se mantiver esta aposta, repito, se mantiver esta aposta, vai assim evoluir para chegar mais próximo do que ele achava que já era, mas que afinal ainda não era - a realidade às vezes atropela-nos e custa! Ainda mais para aquele ego deslumbrado dele. Pena ter demorado tanto tempo a perceber porque poderia ter chegado mais longe mais depressa!

GV disse...

Quanto ao Benfica atual, nem sei o que ache! Mas o Principio de Peter que pode estar agora em causa (achei piada porque alguém já aqui o referiu em paralelo com o facto de eu ter pensado o mesmo), que coloca o Benfica numa situação muito estranha neste momento, pode ter sido uma má decisão de gestão no SLB, mas isso, a verificar-se, não apaga as caraterísticas do JJ, nem as boas que devolveram o Benfica ao um melhor nível que antes, nem as más que acima refiro. Aliás, eu queria que ele tivesse ficado no Benfica porque insisti sempre que ele iria mudar as coisas menos boas e queria que o continuasse a fazer no Benfica, desde que não quisesse mandar no clube mais do que sabe e pode (outro aspeto complicado nele).

Curioso, curioso, é que goste-se muito ou pouco do JJ, ele conseguiu transformar-se no centro das atenções do futebol em Portugal e isso, por si só, não é para todos!

Ben Fiquista disse...

GV, não se trata de endeusar JJ mas de dar o crédito a quem o merece. Sim tem defeitos, mas também em Portugal neste momento não há quem se chegue sequer perto. A lista de falhanços que tu enumeras só encontra paralelo no Benfica nos finais da década de 80, ou então em clubes europeus que estão muito acima. Aliás, que agora se olhe para essa lista como de falhanços diz muito do que JJ fez no clube.

A questão dos sistemas táticos que tu mencionas é bem ilustrativa. Há jogos em que se atacava em 334 outros em 244, outros parecia 325, e que a defender até parecia 631 ou uma coisa dessas. Traduzindo, parecia sempre, pela forma como os jogadores se colocavam e como treinavam, não te iludas tudo vem do treino, havia jogos em que parecia termos mais jogadores em campo do que realmente tinhamos.

Só que o futebol são 11 contra 11 e o treinador no banco. Claro que não teve sempre o mesmo sucesso, mas no que depende dele a equipa frente ao Sevilha fez tudo para ganhar. Mesmo ao Chelsea, das duas vezes que levámos na boca, penso que havia pouco mais que ele pudesse fazer. Do consulado dele na Luz lembro-me dos 5-0 e do jogo em Liverpool (4-1 acho). A partir daí foi-se tornando muito mais pragmático e só por isso fomos campeões o ano passado. O JJ dos primeiros dois anos, o ano passado teria acabado em terceiro.

Quanto à falta de humildade, eh pá sim, mas um Belém a bater o pé a Real e a Bayern? Lembras-te que o Belém lutava para não descer certo?

GV disse...

Sem dúvida que o JJ é o melhor em pt e que devolveu o Benfica a um bom patamar em pt.

As duas finais da liga europa, não sendo desprezíveis (não é para todos), trocava de caras por ir um pouco mais além ano após ano na LC.

Tenho pena que ele não tenha tido a capacidade, no Benfica, de corrigir mais rapidamente alguns aspetos.

Não lhe retiro o mérito que tem. No entanto, ele, como todas as pessoas, tem virtudes e defeitos. Em algum momento os defeitos o limitam tal como as virtudes o elevam!

Blessing disse...

lolololol este GV pá.
no dia em que perceberes as verdadeiras implicações do "são os jogadores que jogam" vais reescrever quase tudo o que colocaste aqui. para te dar uma faísca - jesus não mudou nada. são os jogadores que jogam.

GV disse...

Achas que a menor vertigem é exclusivamente devida aos jogadores???

Blessing disse...

Ter Samaris e Pizzi é completamente diferente de ter Matic e Enzo. E completamente diferente de ter Adrien e João Mário. Já para não falar de Ruiz...

GV disse...

É de facto diferente e emprestam diferentes características ao jogo, mas além disso é para mim evidente que o JJ está a surfar uma nova onda. O futuro o dirá.

A ser só o que dizes então mais valia o JJ não ter os jogadores que prefere e ter que se adaptar ele à ausência de vertigem de outros... Contrasenso brutal!!! Mas dado o feitio do bicho, nunca se sabe... Ahahah

GV disse...

Olha Edson, só para te dizer que aparentemente também não tens razão quando dizes que houve alguma adaptação das ideias do JJ - só mudaram os jogadores, ponto final parágrafo.

Blessing, desculpa o acinte, mas não me parece credível que tu não vejas que não se trata exclusivamente da mudança de jogadores, é uma coisa e outra.

Blessing disse...

Não pá. Tu vês o Carrillo a pausar alguma coisa ? Assim como não vias Salvio. Assim como não vias Enzo. Assim como dificilmente vias Matic. Iam pra cima. Ou passe vertical e acelera. São essas as características deles. Fazem isso na maior parte do tempo. E raramente pausam. Por isso a equipa dificilmente a tinha. Mesmo Gaitan, ainda que menos que os outros, é um grande maluco. E tu não percebes as implicações que isso tem para o jogo, ter jogadores desses. Por isso sempre se notou tanto a diferença entre ola John e os outros. Eram os ritmos. Os tempos. As pausas. As acelerações. Em oo jj continua a fazer exactamente o mesmo treino - combinações, tempo para finalizar. Queres acreditar no pai natal be my guest. Mas tal não significa que o vás ver por aí.

GV disse...

Percebo sim as implicações disso! Não concordo é que o JJ não esteja a mudar alguns "pormaiores". O futuro o dirá!

Por falar no Pai Natal, há um certo exagero por aqui na adoração a Jesus.

Blessing disse...

E tu és uma balança que controla o quanto é que alguém pode adorar um treinador, e quando há excesso apita?
Lol. Vai cantar isso para outra página qualquer. Nesta não tens hipótese.

Blessing disse...

Quanto ao perceberes, não. Não percebes! E no curto prazo duvido que o faças. Mas é normal. Eu também andei durante muito tempo para aprender o que era este jogo afinal que eu tanto gosto.

GV disse...

Podes ser desagradável à vontade. Isso fuca ctg... Não me atinge. Digo o que penso quado acho que devo. Não tenho jeito para balança... Se quisesse apitar sempre que isso acontece por aqui, não faria mais nada...

Percebo sim! Tenho aprendido muitas coisas aqui, mas essa não. Mais, não é requisito tu perceberes ou admitires o que eu percebo para que eu perceba de facto!

LGS disse...

Blessing,

Que implicações é que essas diferenças nas características dos jogadores têm no treino (ou na operacionalização da ideia de jogo)? Explicitando melhor a questão: Como disseste, ter Enzo e Matic não tem nada a ver com ter Samaris e Pizzi, portanto, no treino, que consequências é que isso tem? De forma um bocado simplista: Fazem-se os mesmos exercícios com resultados diferentes (e, imagino, consequências na forma de jogar da equipa) ou mudam-se os exercícios para, dadas as diferenças entre os interpretes, se aproximar ao máximo do resultado que o treinador pretende?

Blessing disse...

Ah okay. Fico mesmo feliz por aprenderes alguma coisa aqui, ainda que tal não seja o objectivo. Eu gostava mesmo, mesmo, mesmo, sem ironia, era de aprender alguma coisa ctg.

Treinas o mesmo, tens resultados diferentes. Percebes o motivo dos resultados serem diferentes, e começas a adaptar os exercícios para a dificuldade dos jogadores. Ao fim ao cabo é esse o trabalho do treinador. Em último caso, em última análise, como última consequência, se eles não conseguirem, mudas. Mas lgs, quem conhece o jesus, sabe bem o que ele muda ao nível do treino. Mudou muito e está muito diferente no relacionamento com os jogadores e com o meio que o envolve. O resto... Enfim. Creio que tu melhor que ninguém é capaz de imaginar.
Por fim, dizer que eu mudaria muita coisa em benefício dos jogadores. Sobretudo se eles acrescentam muita qualidade. Já viste, alguma vez na tua vida JJ fazer isso? À primeira encosta-os logo lol

GV disse...

Estou grato pelo que aprendo e tlvz tu tenhas já aprendido algo ou tiveste pelo menos essa oportunidade. Por um lado o futebol não é só treino e por outro há que saber questionar o que damos como certo.

GV disse...

Encosta-os e desperdiça jogadores como o Bernardo Silva (embora tenham existido outras questões ligadas) para depois afinal ter que se andar a adaptar agora a alguns jogadores com menor potencial...

R.B. NorTør disse...

GV, não sei bem a quem é que Bernardo e Cancelo tiravam lugar no Benfica. Quando finalmente poderiam dar alguma coisa, já lá não estavam! Não sei se por JJ ou por JM e umas negociatas esquisitas que pouco têm a ver com futebol. Mais vale perguntar porquê o fetiche com Talisca o ano passado...

LGS a consequência principal será sempre a evolução do jogador, pois o que permite ao jogador mais evoluído desenvolver-se, provavelmente para o menos evoluído só causará frustação por não conseguir atingir o patamar. Ou seja, há aquela necessidade que o Blessing diz de ajustar o exercício, partir a coisa, mudar a forma. Fazendo analogia com uma escada, um deles pode subir degraus altos, o outro precisa de degraus intermédios e isso depois nota-se nas equipdas.

GV disse...

R.B.,

Sim, tb questionei bastante aqui o fetiche com o Talisca.

O Bernardo seria no mínimo um excelente suplente, mas parece que só recentemente o JJ abriu a mente a outras características de jogadores; mais concretamente já durante a época passada em especial após a saída do Enzo e no arranque desta época.
Não me esqueço tb da conferência de imprensa da infeliz frase "tinham que nascer 10 vezes..." e das reações no FB de alguns jogadores, Bernardo incluído, que provavelmente criou danos irreparáveis entre alguns dos jovens jogadores e o JJ...

Blog de Portugal disse...

O erro no golo em análise não será tmb do Patrício?

A bola vai para trás e ele mantém-se no sítio. Tem que dar 1 passo à frente, e a situação poderia ter sido diferente.

Apesar disso, concordo em que o CSKA jogou muito bem nesta jogada e quando isso acontece àquele nível é normal dar golos.