Posse de bola no Facebook

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segunda-feira, agosto 31, 2015

Ao final de quatro sessões de treino já há coisas muito positivas


Saída de bola








Transição ofensiva


Posicionamento entre sectores. Tomada de decisão.


De fora para dentro. Reacção à perda. Fixa e solta.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Como parar Musa e Doumbia? Escolher o pior dos males.

Colectivamente, não deixar nenhum jogador enquadrar de frente para a última linha sem contenção próxima, por forma a não permitir que se explore a profundidade com tempo, espaço, e precisão. Agressividade máxima sobre a bola.

Individualmente, retirando a imprevisibilidade cada vez que eles recebiam a bola. Tratando-se de jogadores individualmente fortes deve-se assumir que eles vão passar sempre. Assumir isso é fazer com que eles sigam o caminho que lhes dá menos alternativas para dar seguimento ao lance. Escolher o pior dos males. Várias foram as vezes que se lhes deu a possibilidade de jogar no corredor central aumentando o seu leque de opções. Nesses casos é abrir declaradamente o corredor lateral e enfrentar o um contra um sem tentar o desarme. Prepara-se e espera-se pelo cruzamento.

Do oito ao oitenta. De uma primeira parte de controlo absoluto do jogo em posse, para uma segunda parte miserável do ponto de vista colectivo e individual. O jogo do Sporting reflecte-se nas duas piores exibições individuais em campo por terem sido elas a criar e finalizar o golo leonino. Esta segunda parte foi o pior período de jogo do Sporting desta época.

Numa altura em que o Sporting parecia bem alinhado em forma e em número para fechar todos os caminhos próximos da área, o CSKA não cede à tentação do cruzamento fácil, e do remate de longe, e cria uma das estratégias que mais aprecio para furar blocos cerrados. Aproveita o movimento da linha defensiva do Sporting que subia, colocando a bola no sentido contrário. Movimento muito difícil de parar.

segunda-feira, agosto 24, 2015

Situações de finalização. Critério: qualidade.

Fundamental para o que se fala aqui saber distinguir o que é a qualidade de cada lance criado. A facilidade com que se finaliza é o que define, no pormenor, a distinção que aqui se faz sobre situações de finalização e outra coisa qualquer. Embora aconteçam no mesmo espaço (Grande área) não são bem a mesma coisa. Parte-se de uma premissa errada de que todos os lances dentro da área que acabem num remate têm o mesmo valor. E sobretudo esquece-se que, a precisão do gesto técnico tem uma importância fulcral. Finalizar de cabeça não é o mesmo que finalizar com os pés; finalizar sem ângulo não é mesmo que finalizar com ângulo aberto; finalizar pressionado não é o mesmo que finalizar sem pressão; finalizar de primeira não é o mesmo que finalizar depois de controlar a bola; finalizar com oposição à frente não é o mesmo que finalizar sem ela; finalizar tendo que disputar a bola não é o mesmo que finalizar de forma limpa; etc... Que se perceba que não é pela quantidade de vezes em que a bola entra na área, em que se consegue rematar, que se criaram situações de qualidade para finalizar. E por qualidade entenda-se situações de finalização fácil. Por vezes, até nem houve finalização, mas a situação criada é de qualidade superior e permite uma finalização mais fácil do que um lance que terminou com um remate. Quando o último gesto (remate) é complexo, tem oposição entre a bola e a baliza, não tem a bola controlada, é uma disputa de bola, está demasiado distante da baliza, quando não há tempo para escolher para onde colocar o remate, a taxa de concretização é normalmente baixa - por maior que seja o volume criado. Quando o último gesto é simples a taxa de concretização é altíssima - por menor que seja o volume criado.













Cada treinador tem a sua forma ideal de procurar invadir a área para finalizar. Cada um escolhe o tipo de situações que quer ver criadas. E por isso uns marcam mais do que outros, ao longo do tempo. Há os que escolhem fazer a bola andar mais vezes dentro da área de qualquer forma. Há os que procuram que a bola entre dentro da área nos momentos ideais para que os jogadores tenham qualidade - tempo e espaço - para decidir o último passe e definir a finalização.  É um facto que todas as situações podem dar golo. É outro facto que umas dão muito mais vezes que outras.





Por isso, para mim, fazer um jogo e criar só uma situação para finalizar (2x0+Gr) vai ser sempre melhor do que atirar vinte bolas para dentro da área, e rematar dez vezes de fora dela. Não é por isso de estranhar, por exemplo, o rácio entre os 56 cruzamentos do Benfica contra o Arouca e a quantidade de golos marcados.

domingo, agosto 23, 2015

Baixinhos, fisicamente inaptos. Inteligentes porém!

Fomos poucos. Perdemos na velocidade. Perdemos na força. Ganhámos nos meinhos. 

Realço o lance do minuto 8:35; e o lance do minuto 10:44. Só eles sabem o porquê!



quinta-feira, agosto 20, 2015

Os cinco fantásticos

Parece que hoje acaba a saga dos cinco fantásticos da armada de Vítor Pereira. Saiu Otamendi, sairam Mangala e Fernando, saiu Danilo, agora promete sair Alex Sandro. A qualidade individual na linha defensiva portista ficará mais do que nunca equipara à dos rivais. Não sobrou um único jogador de nível mundial para apagar os fogos que o colectivo não conseguia. Perde-se qualidade defensiva, e ofensiva. Perde-se capacidade nos duelos individuais. Perde-se velocidade de reacção. Perde-se competência ao nível do posicionamento. Perde-se agressividade na primeira bola. Perde-se velocidade. Perde-se inteligência, Perde-se desequilíbrio ofensivo e capacidade para manter a bola. Perde-se competência no posicionamento. Perde-se tudo aquilo que resultava numa diferença abismal para os mais directos concorrentes. O Porto terá agora que trabalhar uma linha defensiva com remendos, como outrora outro treinador vitorioso em Portugal teve de fazer. Terá Lopetegui a competência para perceber as novas limitações e trabalhar a sua linha para não errar com bola e ser competente sem ela?

quarta-feira, agosto 19, 2015

Modelo de jogo. Hierarquização dos princípios de jogo. Jorge Jesus.

Cada treinador tem a sua forma de operacionalizar a sua ideia de jogo, e com isso de escolher os princípios que treina em primeiro lugar e mais vezes - os mais importantes -, e os que treina em segundo lugar e não tantas vezes - os menos importantes. O treinador exige mais daqui e menos dali. Pede mais foco para determinadas situações e desliga mais de outras. Passa mais feedback para a acção X e menos para a acção Y. E dentro disso vai evoluindo mais a sua organização colectiva num sentido e menos noutros. O que mais se exige aparece mais depressa, o resto vai aparecendo de forma gradual. Jorge Jesus, como treinador de grande nível que é, tem bem definido o que quer, quando quer, e como quer. Para o ataque e para a defesa. Para cada uma das onze posições em campo. Sabe do que quer abdicar, e sabe o que é realmente importante para ele. E por isso, na hora de escolher o seu plantel, de escolher o seu onze inicial, coloca os jogadores a competir dentro daquilo que é a exigência dele. E o que Jesus mais exige aos seus jogadores é a velocidade a que se cumprem os movimentos ofensivos e defensivos. É uma exigência mental primeiro, mas depois da percepção do estímulo sobretudo física. Com ele, os mais rápidos a ocupar os espaços, os mais agressivos a atacar as linhas de passe que ele quer, vão jogar mais vezes. Os mais fortes a atacar a primeira bola, os mais agressivos no 1x1 (ofensivo ou defensivo), os que jogam constantemente em alta rotação, serão quase sempre os escolhidos. As primeiras escolhas dele, assim possa escolher, estarão sempre dentro destes parâmetros. Dessa forma, Jesus vai desenvolvendo o seu jogar de qualidade onde a exigência física é fundamental para a concretização da sua ideia de jogo.

Porém, cada convicção, cada exigência, tem também o seu lado negativo. A maior exigência física, a maior agressividade, que se pede por exemplo para os dois avançados, tem estado a resultar num futebol de menor qualidade no corredor central. A ligação com o apoio frontal, na construção e sobretudo na criação, com Teo e Slimani deixa muito a desejar. Os envolvimentos ofensivos, as tentativas de tabelar, o jogar ao primeiro toque, o segurar e depois tocar ou deixar o colega levar, o entregar para o sítio certo e da forma correcta, são coisas que dificilmente passam da intenção.  Os jogadores bem o procuram, mas os lances dificilmente têm seguimento. A bola nunca chega redonda, e resulta muitas vezes na perda da mesma, e mais trabalho em transição defensiva. Quando a recepção e o passe não entram, em conjunção com uma tomada de decisão não muito acertada, torna-se difícil ter qualidade no último terço. Jesus prefere a agressividade ofensiva e defensiva de Teo e Slimani, e por isso perde qualidade na ligação com os avançados. Hierarquizar é isto. Colocar os jogadores a competir naquilo que se acha o mais importante. Assim sendo, terá de trabalhar muito mais para criar lances de finalização, e para recuperar as bolas que se perdem. Isto porque, por mais que o seu modelo permita aos seus jogadores crescerem, na qualidade técnica e na criatividade não os conseguirá melhorar em nada.

segunda-feira, agosto 17, 2015

Resumo do fim de Semana

Quando no final da época passada disse que Tuchel seria o próximo treinador do Dortmund - desconhecido para a maioria em Portugal -, afirmei que tinha qualidade para liderar aquela formação. E depois de Klopp, só um treinador com ideias de qualidade seria capaz de os manter no altíssimo nível onde estavam. Aí está. Começa a dar os primeiros sinais de qualidade numa ideia de jogo bastante diferente da do seu antecessor em todos os momentos. Menos agressividade, mais pausa. Chegará para ser campeão? Ainda é muito cedo, e ainda muito está por evoluir. Mas uma coisa é certa, aqueles médios têm todos qualidade e capacidade para elevar o nível de jogo da equipa em organização ofensiva, assim o treinador o preconize. Existe alguém melhor que o capitão do Dortmund? Não creio.

O Bayern abriu com uma vitória contundente. A ideia de jogo de Guardiola não mudou - quer ser dominante em organização ofensiva. Trocou sim os caminhos escolhidos para a equipa atacar. Sabendo que não tem a mesma qualidade no meio campo como no Barcelona, procura criar condições para os seus jogadores mais fortes do ponto de vista individual desequilibrarem nos corredores. 2x1, 1x1, 2x2. Com Vidal ganha movimentos de segunda linha para finalizar, com Douglas ganha capacidade de desequilíbrio no corredor lateral. Por falar em Douglas - será a grande revelação mundial deste ano. O Bayern não mais sentirá a ausência de Ribery, ou Robben, a não ser que estejam os dois de fora no mesmo período.

O Sporting foi o primeiro dos três grandes a entrar em campo e fez 60 minutos de qualidade. Nesse período, entrou tanta vez com a bola controlada dentro da área do Tondela, e criou tantas situações para finalizar - tirando Rui Patrício do jogo, não concedendo ocasiões de golo ao adversário - que só o desacerto na finalização, e na forma como o último passe foi feito explica o resultado sofrido. Podia ter goleado, ganhou por um golo de diferença. Futebol é mesmo isto.

O Porto mostrou-se aos seus adeptos solto e com uma velocidade de circulação de assinalar. Mostrou algumas mudanças na dinâmica dos extremos, que se espera que evolua para o modelo de jogo dar o salto qualitativo que precisa. Mostrou capacidade para criar com espaço, colectivamente. Mostrou uma grande reacção à perda. Mostrou também debilidades ao nível defensivo - linha média, e Maicon individualmente. O Guimarães jogou muito exposto e concedeu muito espaço aos Dragões. Resta saber se a equipa conseguirá criar quando os adversários estiverem mais fechados e mais organizados.

O Benfica foi quem teve mais dificuldades no jogo. Foram 70 minutos onde o jogo podia ter caído para um lado como para o outro. Valeu Júlio César. A dificuldade que demonstra em invadir a área adversária com qualidade, e a facilidade com que solicita os dois avançados em cruzamento, mostra já um retrocesso naquilo que era o processo ofensivo da equipa. Marca porém uma ideia de Rui Vitória. Ainda assim, e apesar das dificuldades, consegue criar um grande golo - em combinações -, e sair com o resultado mais volumoso da jornada. O golo do Nelson Semedo é o caminho que os grandes devem procurar para desmontar a organização dos pequenos. Os jogadores já o indicaram. Irá Rui Vitória perceber?

Serei eu o único entusiasmado para perceber se o Barcelona vai conseguir virar o Athletic? Ou já pensam todos que é missão impossível? Se há coisa que aqueles jogadores me ensinaram é que não há impossíveis para eles.

José Mourinho sofre uma derrota pesada, para um adversário directo, na segunda jornada da Premier League. Curiosamente não ficou chateado com o Staff médico, com os apanha bolas, ou com o arbitro. Mas disse que o resultado foi e enganador. São tão raras as vezes que concordo com o melhor treinador do mundo que esta é de assinalar. Mas mesmo na concordância discordámos. Mourinho diz que o resultado foi enganador porque na primeira parte o City melhor e na segunda o melhor foi o Chelsea, e sendo que o resultado estava 1-0 ao intervalo os dois golos do City na segunda parte são demasiado penalizadores face ao que o Chelsea produziu. Não só o Chelsea não foi melhor em nenhuma parte do jogo, como o Mister esqueceu de dizer que, ao intervalo se estivesse 5-0 não teria sido nenhum escândalo.

Um jogador vai mais depressa. Dois jogadores vão mais longe.

Aproximar ou fugir do colega?

O futebol para mim sempre foi um jogo de associações. Com mais ou menos jogadores, sempre pensei que a melhor forma de resolver os problemas que o adversário nos coloca do ponto de vista defensivo é procurar um colega que dê seguimento ao nosso jogo. É por essa razão que me associei ao Ronaldinho, e é por essa razão que ainda hoje comandamos juntos a mesma equipa. É por pensar que dois chegarão mais longe e em melhores condições, apesar de um poder chegar mais depressa. Eu passava-lhe a bola, e esperava por ele. Ele passava-me a bola e esperava por mim. Se eu lhe desse, e me movimentasse, sabia que iria receber. Se ele me desse, e se movimentasse, também sabia que iria receber. E assim conseguíamos ultrapassar  linhas, e superar adversários superiores do ponto de vista individual e numérico. O movimento de aproximação levará a que mais um adversário tenha possibilidade de interferir no lance. Mas estando o colega abandonado contra a bola, o relvado, o adversário, o público, a pressão, a baliza, e contra si mesmo, o melhor será procurar associar-se a ele para dividir o problema, e sobretudo para lhe dar mais uma possibilidade de o resolver. O que mais se vê em Portugal é colegas a fugirem do portador da bola com o intuito de lhe dar espaço, não sobrecarregando a zona com mais jogadores adversários. No fundo, o que se está a promover é a fuga à solução colectiva. Parece-me uma opção contraditória para o jogo em questão.
Se há coisa que Guardiola nos ensinou é que Messi só é Messi porque os colegas procuram sempre oferecer-lhe mais uma linha de passe. Mais uma alternativa para se desembaraçar do adversário. E Messi, por ser Messi, não se nega a entregar porque percebe que de seguida receberá em melhores condições para dar seguimento ou finalizar. E dessa forma, a tabelar, dois jogadores, ainda que em inferioridade, estarão sempre mais perto de criar superioridade. Deixar tudo dependente da qualidade de um só elemento será sempre muito mais difícil, por mais forte que ele seja do ponto de vista individual. Aproximar do colega para dar seguimento. Associar, dividir, retirar complexidade. Ajudar o jogador a ser melhor. E se Messi é o melhor é por perceber melhor que ninguém o valor de uma associação, por mais pequena que ela seja - apesar de todo o potencial individual que ele tem.

Grande jogada de Messi. Não. Grande jogada de Messi e mais um.

Agradeço ao Mister Fernando Valente por estes dias de partilha e reflexão, e sobretudo pelo entusiasmo contagiante com que fala de futebol. Um abraço!

terça-feira, agosto 11, 2015

Curtas sobre o início do campeonato

Lopetegui. O maior candidato ao título, por ser dos três grandes o que tem o trabalho mais fácil. Estabilidade, qualidade, o que não significa que não terá dificuldades. Significa sim que, em termos de operacionalização do seu modelo de jogo estará um passo à frente do Sporting, e dois à frente do Benfica. Os comportamentos colectivos do seu Porto são já muito vincados, e enraizados, e tem a melhor forma de defender da liga - Tem a bola; Guarda-a; Esconde-a do adversário. Se conseguir, por isso, juntar a essa forma de defender maior variabilidade na forma como ataca será imparável em Portugal. Será este o ano de afirmação de Rúben Neves? Conseguirá Evandro convencer o treinador que merece um lugar no onze? Continuará Lopetegui a apostar em demasiados jogadores sem criatividade - ao mesmo tempo - no corredor central?

Jorge Jesus. Em pouco tempo o seu Sporting já apresenta de forma vincada as ideias que o treinador procurará evoluir nos próximos tempos. É por isso, pelo dedo do treinador, um verdadeiro candidato a ganhar tudo em Portugal. Alguém viu, no Algarve, Rui Patrício na mais comum das situações em que esteve na maioria dos jogos oficias da época passada - 1x0+Gr? Dependerá no entanto da capacidade dos jogadores em assimilar tudo o mais depressa possível, para que se cometam poucos erros que possam comprometer a longa maratona pontual. Numa liga como a portuguesa, é essencial não deixar pontos contra os pequenos. Como a qualidade no Sporting não é assim tanta, terá de ser o modelo a esconder defeitos e a valorizar qualidades. Que nível atingirá Paulo Oliveira durante a época, com toda a responsabilidade que lhe está a ser entregue?  Quanto tempo resistirão Adrien e João Mário no onze? Com todos os vícios que continuam a aparecer, será João Pereira aposta durante todo o ano? Continuará Montero atrás de Slimani e Teo, ainda que por jogo estes percam bolas às dezenas? Passará Mané de um agitador que entrar no decorrer das partidas para um dos indiscutíveis no onze? Até onde chegará a chacina dos menos vistosos do ponto de vista físico?

Rui Vitória. Dos três o que tem a tarefa mais complicada, por encontrar uma equipa com comportamentos de muita qualidade trabalhados durante muito tempo. Seria mais fácil, também, se a equipa não viesse de um ciclo vitorioso. Mas as vitórias que conseguiu nos últimos tempos tornam o trabalho do treinador hercúleo, para convencer aquela malta de que tem competência - conhecimento - para os liderar. Terá para isso de vincar para onde quer ir - em termos de jogo - e exigir aos jogadores que cumpram escrupulosamente com a ordem colectiva. Com um plantel de qualidade similar ao do Sporting, não terá muitas facilidades uma vez que já foram desperdiçadas algumas semanas de trabalho, e por isso os jogadores ainda estão muito propensos ao erro. Falta à equipa assumir a identidade que o treinador lhe quer dar, para que se comece a caminhar firmemente para a maratona pontual que se avizinha. O que se precisa neste momento não é de qualidade individual que possa esconder os defeitos do treinador, é sim um treinador de qualidade que possa esconder os defeitos destes jogadores. Será Rui Vitória capaz de o fazer? Esperemos. Poderá Lisandro afirmar-se num modelo menos exigente do ponto de vista táctico? Jonas como 10 ou 9.5? Qual o papel de Pizzi?

Curiosidade para perceber se Paulo Fonseca - para mim o melhor treinador da época passada, exceptuando os grandes - conseguirá fazer uma brincadeira gira no Braga, e com esperança que o faça porque lhe reconheço competência para tal. Se o fizer, terá certamente as portas abertas para dar o salto, agora na altura certa, para outro nível competitivo.

Evoluirá Miguel Leal o seu modelo para trabalhar melhor a parte ofensivo, ou continuará no conforto que a segurança da sua organização defensiva lhe dá?

Sá Pinto de regresso a Lisboa. O que esperar?

Vítor Paneira expõe-se pela primeira vez aos tubarões da primeira divisão nacional. Mostrará qualidade de jogo suficiente para, pelo menos, se manter?

Jorge Simão assume o seu primeiro projecto, desde o início, na primeira divisão. O virá daí?

Terá o Boavista, novamente, a fortuna que lhe permitiu manter-se no ano anterior?

segunda-feira, agosto 10, 2015

O Chouriço

"Quem olha para um jogador como Jonas percebe que as coisas têm de ir num determinado sentido". Frase do treinador do Benfica há não muito tempo, ao qual gostaria de colocar uma questão: nos primeiros 45 minutos Jonas tocou na bola uma vez com qualidade, aos 9 minutos, no corredor lateral, fazendo um passe a isolar Ola John. O resto do tempo esteve na primeira bola, ou na segunda. Colocar Jonas a disputar bolas com os centrais, é esse o caminho?

O resultado. Ao final de cada jogo agarra-se tudo ao resultado para começar a onda de elogios ou de justificações para o insucesso. Como sempre fomos explicando por aqui, não é o resultado que mais nos interessa num jogo. Interessa o resultado ao longo de uma época, que num jogo deverá estar expresso na forma de comportamentos colectivos de qualidade. O jogo poderia ter ficado empatado, o Benfica poderia até ter ganho, que nada iria apagar as diferenças dos caminhos escolhidos para atacar e para defender por um e outro treinador. E é essa marca que vai fazer a diferença na regularidade. É isso que faz hoje dizer-se que o Sporting tem melhor equipa - individualmente - que o Benfica, quando há quatro meses atrás se dizia que no Sporting quase ninguém entrava no Benfica. É essa a matriz comportamental que vai permitir sacar dos jogadores um rendimento óptimo e regular (ainda que a qualidade não seja muita), ficando eles sobrevalorizados por tudo o que o treinador lhes permite.

O Benfica teve ocasiões para marcar? Sim. Mas de onde surgiram essas situações? Surgiram como consequência de que comportamento colectivo de qualidade, em organização ou transição ofensiva? Quais foram os caminhos escolhidos para atacar? Procurou-se criar superioridade ou pelo menos igualdade para finalizar? Procurou-se criar as melhores condições possíveis para que a finalização seja simples? Não.

Quando pressionados os dois treinadores optaram pelo jogo directo, e mesmo aí o Sporting aparece muito melhor preparado. Orienta-se por forma a ganhar a primeira, e cria superioridade para ficar com a segunda bola. No Benfica não só não se busca a superioridade como não existe nenhuma referência para onde jogar a primeira bola. Percebe-se assim a grande superioridade do Sporting sobre a primeira e sobretudo segunda bola.

O Sporting não fez um jogo brilhante. Também não seria de esperar que o fizesse, nesta fase da época. Foi sim capaz de abafar completamente o Benfica com comportamentos colectivos - não individuais - de qualidade. Busca pela superioridade a defender e a atacar.

Sporting em combinações; na área 2x2
Benfica em acções individuais, sempre em inferioridade
Bola parada
Procura de situações de finalização simples
Bola parada
Com 8 atrás da linha da bola, e dois passes por fora do bloco, a desorganização da equipa do Benfica. Na área inferioridade nas zonas predominantes de finalização - 2x3.
Em acções individuais, sempre em inferioridade. A bola chega ali depois de um lançamento.
Repetição do lance anterior, no seguimento de um lançamento. Inferioridade.
Potencial das situações do Sporting sempre muito maior. 3x2.
Os caminhos que se elegem. O estilo. Combinações.
Mias combinações, na área 2x2.
Na segunda parte os lances que antecedem o Chouriço.

João Mário com possibilidade de remate dentro da área.
Slimani em 1x1 dentro da área.
Teo finaliza ao primeiro poste para fora.
O tão falado Chouriço. Ou melhor, do que se fala no blogue - mais importante do que qualquer chouriço é tudo o que o precede.


Estamos no início da época, e muita coisa vai mudar entretanto. O Sporting vai crescer, por estar ainda longe da perfeição que o seu treinador exige, e também o Benfica vai crescer dentro das ideias de Rui Vitória, que ainda mal se percebe quais são. Por tudo isso, por ter sido só um jogo e não jogos, nos próximos tempos poderemos falar com mais certezas sobre as duas equipas.

domingo, agosto 09, 2015

Gritante. Perceber as mudanças em Jonas é entender as transformações do SLB.

Outrora o melhor jogador do campeonato, hoje apenas mais um. Quem perceber a mudança no jogo de Jonas perceberá a diferença gritante de um jogar e de outro.

Falaremos melhor dentro de uns meses. 

"Não está pronto!"

Aos 16 anos mais um jovem aparece como titular num dos maiores campeonatos do mundo. Oxford, do Whest Ham. A quantidade de jogadores que com 16, 17, 18, ou 19 anos aparecem todos os fins de semana como titulares de equipas dos maiores campeonatos da Europa faz-me pensar que só em Portugal ainda não se percebeu o que é formação. Formação é errar. E o medo de expor os meninos ao erro é o maior limitador do crescimento que os mesmos possam apresentar quando comparados com os jovens da mesma idade de outros campeonatos.

É claro que não estão prontos, e não é preciso ser treinador para saber isso. O que é preciso ser treinador para saber é que estarão mais cedo se expostos aos estímulos certos, e nunca estarão se não lhes for dada a possibilidade de errar e aprender com o erro - maior catalisador da aprendizagem.

Um momento de organização defensiva do Chelsea

José Mourinho está início do terceiro ano com a equipa, e dos onze jogadores que estiveram em campo todos faziam parte da equipa no ano passado, tendo sido titulares na maior parte dos jogos. Demasiados erros individuais na leitura do lance por diversos jogadores ou confusão colectiva causada pelas referências utilizadas?