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domingo, maio 03, 2015

Treino. Jogo. Estudos pessoais sem grande prova científica

Farto de ver quem treina ao meu lado roubar tempo de empenhamento motor aos miúdos. tirei um tempo do meu foco no treino para reflectir sobre os tempos de prática, naquilo que se denomina normalmente como exercícios de finalização. As filas, a validade, o número de remates que cada um executa, o tempo de paragem. Isto fez-me contabilizar, num exercício contextualizado - GR+5x5+2(apoios dentro)+4(apoios fora)+GR; roda bota fora; espaço reduzido -, durante 25 minutos, o número de acções de finalização que cada jogador teve. A regra era simples: marcar golo. Dos 16 jogadores  de campo presentes apenas um não finalizou com sucesso, e apenas dois só finalizaram com sucesso um lance. Todos os jogadores tiveram disponíveis mais do que 5 situações para finalizar. O que me leva mais uma vez a questionar sobre que bases um gajo treina 1x0+Gr com 10 jogadores atrás do primeiro, fazendo-os participar durante 4,5 segundos, e estarem parados muito mais de um minuto.

No meu jogo de hoje, fiz uma análise nos lances de golo do passe que precede a assistência e das assistências, para perceber, no último terço, quem seriam neste jogo os jogadores com mais influência na criação de lances de golo. Dos oito golos marcados, 6 tiveram a influência do melhor marcador da equipa (um avançado), dos quais apenas marcou um. Assistiu para 4, e fez o passe para assistência noutro. De dizer que fiz uma vénia ao miúdo - que tem connosco uma aposta de um número de golos para cumprir (35), e ainda lhe faltam 9 para o objectivo faltando 4 jogos para terminar - quando ele mesmo a terminar o jogo é colocado na cara do golo por um colega (outro avançado que vive uma crise de confiança), já sem guarda redes pela frente, espera pelo colega que lhe fez o passe, e entrega o último golo ao colega. No final vinha feliz, assim como eu por perceber o quanto eles estão a crescer em tão pouco tempo.

O Ronaldinho está a organizar um trabalho de estágio onde estuda o treino (desde Janeiro). No mesmo verifica-se uma tendência brutal para o foco nas tarefas ofensivas. Não que não o soubéssemos já, mas é sempre giro ter uma confirmação de que os nossos jogadores passam dois terços do treino (entre 65% a 70%) a trabalhar aquilo que é o mais importante - o jogo com bola. O foco é esse, o ofensivo.

Para finalizar, tenho escrito pouco sobre treino, nomeadamente dos Picaretas. Mas, uma ideia que me parece lógica, mas pouco utilizada, é o jogar com as características dos jogadores. Muitas vezes estamos a pensar em formas complexas de trabalhar os exercícios, de regras e condicionantes giras para os levar a procurar e encontrar determinados comportamentos, esquecendo-nos do mais simples. Se eu juntar um grupo de jogadores muito fortes fisicamente contra outro grupo mais fraco do mesmo ponto de vista, o exercício seguirá uma determinada dinâmica, que causará problemas diferentes às diferentes equipas. Se forem os rápidos contra os lentos idem. Se forem os inteligentes contra os picaretas também. Se forem os que correm muito contra os preguiçosos o mesmo será verificado. Jogar em 3x3, 4x4, ou 5x5, sem ditar regras, jogando com as características dos jogadores, também é uma forma de trabalhar o treino.

7 comentários:

Gonçalo Matos disse...

grande post. muito sumo para algo tão curto!
primeiro parágrafo, nada que não soubessemos. mas não deixa de ser interessante a análise quantitativa.

segundo: esse miudo é ouro. desde o inicio, quando o via com rebeldia a refilar, a contrariar, com anticorpos contra o que diziamos que sentia que ia explodir. não sei se para o ano ele vai chegar à selecção, como ele diz, mas espero que sim! mas parabéns aos outros também, que absorveram o que foi transmitido que nem esponjas! talvez alguns cheguem a pros e se lembrem desta época.

o terceiro é mais uma prova do que já desconfiavamos

quarto: e por defesas/medios contra medios/avançados também faz coisas giras.

Dipeca disse...

Grande post.

Eu, a terminar a primeira época a treinar uma equipa de iniciados, deixei literalmente de fazer exercícios que filas. Só mesmo em aquecimento para o jogo, mas mesmo aí, eu vou fazer de defesa num 2x1+GR. Filas, só em circuitos e neste fase final da época já nãos os faço. 3x3, 3x4, com ou sem GR, sempre assim. Com feedback daquilo que tento ensinar, e pronto, é esse o caminho e é assim que os miúdos andam felizes e é assim que eles evoluíram e aprenderam.

Gonçalo Matos disse...

por curiosidade, porque fazias filas no inicio?

Dipeca disse...

Na pré-época fazia filas para circuitos de corrida, remates, etc. E aí cheguei a fazer algumas (mto poucas) filas de 3x1 para fixar e soltar e finalizar em 1x0 ou 2x0 no GR. Mesmo essa fila tinha oposição, mas só de olhar para eles na fila, ficava logo a pensar : "estou a fazer algo de errado aqui."

Roberto Baggio disse...

Obrigado Dipeca

Dipeca disse...

:).

Obrigado eu!

Blog de Portugal disse...

Deixo-vos já uma coisa muito curiosa:
- se fizerem um jogo de defesas+médios mais defensivos contra médios mais ofensivos+avançados, quase sempre ganha a primeira equipa.
É muito interessante, parece que os primeiros se organizam melhor, defendem melhor e acabam por vencer pela organização.