Posse de bola no Facebook

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domingo, abril 26, 2015

Assistências sem notoriedade

Todas têm a mesma importância. Desde a primeira até a última. E tal só pode ser reconhecido por quem vive habituado a perceber a importância do colectivo, do colega, no sucesso individual. Este golo é mais uma amostra daquilo que o jogo é, um conjunto de acções encadeadas que vão permitir no futuro melhores ou piores condições para finalizar o lance.

Neymar agradece a assistência de Suarez - Messi agradece a assistência de Alba - Alba agradece a assistência de Messi - Neymar e Suarez agradem a Messi e Alba. Porque o golo resulta como consequência da assistência de Busquets para Messi, da assistência de Messi para Alba, da assistência de Alba para Suarez, e da assistência de Suarez para Neymar.



Por fim, dizer que a esmagadora maioria dos treinadores do mundo iam detestar Busquets. Isto porque ele recebe a bola de um lado, e volta a meter no mesmo lado. Quando os mandamentos mais sagrados do jogo dizem para receber de um lado e colocar rapidamente do lado oposto, para fugir da pressão. Mas Busquets não é nada disso e é o melhor do mundo na sua posição.

quarta-feira, abril 22, 2015

Conhecimento do jogo, tomada de decisão.

O que David Luiz não conhece... 
Todos gabamos a capacidade física e técnica do central do PSG. E todos gabamos a sua capacidade ofensiva e criticamos os seus comportamentos defensivos. O que pouco fazemos é perceber que nem do ponto de vista ofensivo ele consegue ser relevante, por não ter a mínima ideia dos momentos para executar cada gesto técnico. Ele sabe como fazer, mas não sabe quando o deve fazer por não dominar o jogo. E isso torna-o inoperante. Dar 50 milhões por um jogador com estas dificuldades é o cúmulo sou rico gasto onde quiser. Aos 3 minutos de jogo, amarelado por mais uma asneira gigante.

terça-feira, abril 21, 2015

Nunca a bola foi tão importante quanto hoje em Munique!

Com a bola, podemos marcar. Com a bola, podemos conduzir o adversário para onde o queremos, com bola não sofremos golos. Tirem a bola aos melhores do mundo e eles não fazem a diferença! 
O segredo é este, ter a bola e saber o que fazer com ela.
E joguemos juntos, perto uns dos outros para que sejamos sempre mais que o adversário, onde a bola estiver. Quando a tivermos, damos soluções ao portador. Quando não a tivermos, reagimos como um bloco para que a tenhamos de volta.
Ao fazermos isto, temos mais chances de vencer, 
seja contra o Arouca ou contra o Bayern.

Que seja um grande jogo e que ganhe o futebol!




segunda-feira, abril 20, 2015

Jornal dos coxos - 2v2 a procurar superioridades

Boas,

As vezes basta um tweek num exercício para se transformar em algo completamente novo, com possibilidades completamente diferentes.

De uma coisa basica de velocidade e 1v1, ou até de fixa e oferece de 2v1 aconteceu uma coisa super interessante, mais devido ao que os jogadores exploraram do que por uma ideia inicial.

O jogo começou com vagas de 1v1, onde a ideia era driblar em velocidade para marcar nas mini balizas.

A medida em que o nº de jogadores nas filas aumentou devido a chegada tardia de malta, tivemos de introduzir modificações no exercicio para diminuir o tempo de espera.

Quem tinha bola passou a poder passar para a fila e criar superioridade de +1.

Na figura estão os amarelos com bola a passar para a fila criando um 3v2. Se os encarnados ganhassem a posse, poderiam chamar 2 jogadores, até ficar 4v3.

Coisas interessantes que se começaram a passar:

- Jogadores a fingirem passe, o defesa a cortar a linha de passe e acelerarem para a baliza (isto numa fase em que ainda só estavam a fazer 2v1)

- Jogadores a combinar na fila "o 1º a chegar pressiona, o outro fecha a baliza mais perto"

- Jogadores da equipa com bola a desmarcar-se para a frente, arrastando os defesas e a apontarem para a fila para o colega com bola aproveitar o espaço criado e fazer entrar mais 1.

- Malta na fila a gritar "fecha a linha de passe para a fila!!"

Ou seja, um exercício super básico, devido a exploração dos jogadores e a liberdade que foi sendo dada, transformou-se em algo novo e super rico.

Já experimentamos fazer 2 campos de 6 jogadores (ou seja, 3v3) em que jogariam durante algum tempo até 3v2, e depois retirar as balizas do meio, aumentando imenso a profundidade e alguma largura e passar a começar 4v4, e a poderem ter superioridades de +2.

Fica muito mais complexo, e deixa de ter objectivos de finalização rápida só com um fixa e oferece a quem está só, mas serve para outras coisas.

E é isto.

Abraço e até breve

quarta-feira, abril 15, 2015

Previsão. Porto - Bayern


Vais ver o jogo?
Tenho jogo amanhã mais ou menos a essa hora [com o Panthrakikos] e é decisivo, jogamos amanhã e domingo e precisamos de quatro pontos para sermos campeões. Portanto não devo conseguir ver. 

Como é que se resolve um jogo entre duas equipas que jogam da mesma maneira?
Bom, não é bem a mesma coisa... [risos] Há alguns comportamentos que são semelhantes, nomeadamente a forte reação no momento de perda da bola. Os treinadores querem que ambas as equipas procurem estar sempre altas no campo e façam pressão imediata em cima para não deixar o adversário jogar. O Bayern tem a componente da posse muito enraizada, não tem pressa para atacar e espera o momento certo, vai mantendo a bola o tempo que for preciso pelos três corredores. O FC Porto não é tanto assim. Circula muito em largura, sim, mas ataca o mais depressa possível, quando pode. Procura desequilíbrios, essencialmente nos corredores laterais, com cruzamentos, movimentos interiores e situações de um para um.

Julen Lopetegui diz que Guardiola é “um dos melhores treinadores da história”
O Bayern vai ter dificuldades?
O FC Porto vai colocar problemas porque é uma equipa muito agressiva sobre a bola. O Bayern gosta de jogar com as linhas bem altas, no meio campo adversário, e o FC Porto vai procurar contrariar isso e no momento de transição pode ser muito perigoso, com espaço, porque rapidamente faz variações de corredor para corredor. Vai ser a agressividade do FC Porto contra a posse do Bayern.

Só há uma bola...
O Bayern vai tentar ter sempre bola mas o FC Porto também, se conseguir o tipo de circulação que faz, com variações rápidas de corredor e o Jackson na frente...

Esquece, o Jackson não vai jogar.
É verdade, já não me lembrava. Bom, o Aboubakar não tem as mesmas características do Jackson mas também tem qualidade para ganhar espaço e segurar a bola. O Bayern também tem várias baixas, certo?

Benatia, Alaba, Javi Martinez, Schweinsteiger, Robben e Ribéry.
O que é importante é o FC Porto conseguir impor a sua identidade, ainda por cima o jogo é em casa e o Dragão é um estádio muito forte.  
O Bayern de Munique de Guardiola é a equipa que tem mais posse de bola (64%) na Liga dos Campeões. Depois aparece, claro, o Barcelona de Luis Enrique (63%) e o Porto de Lopetegui (59%)

Como é que abordaste o jogo do teu FC Porto contra o Barcelona de Guardiola na Supertaça Europeia, em 2011?
Como abordo qualquer jogo. Acredito sempre no que é a nossa identidade, sem mudar nada. Na altura o que trabalhávamos há meses - e na época anterior com o André [Villas-Boas] - era pressionar alto e não ia mudar isso. Não ia deixar o Barça confortável no seu jogo, porque se não íamos andar a correr atrás da bola o jogo todo e não lhes colocávamos problemas. Acabámos por perder...

Aquela bola do Guarin...
Uma bola daquelas no Messi só com o guarda-redes pela frente... E depois levámos o 2-0 já com um jogador a menos. Se com onze já era o que era... [risos]. Mas isto tudo para te dizer que não podemos alterar a identidade da nossa equipa, se não é o descalabro total. E do que tenho visto do FC Porto e do Lopetegui acho que vai tentar jogar e pressionar como faz sempre.

O Guardiola é uma referência para ti?
Não tenho referências. É claro que o admiro, mas é se me perguntas se gosto de ver as equipas dele jogar. Isso gosto muito. Gosto de equipas que gostem de ter a bola, que tenham ideias, que sejam inovadoras. Não admiro personalidades, por assim dizer, porque treinadores tanto há uns mais maluquinhos como outros mais direitinhos.  

Guardiola foi obrigado a trazer vários juniores para o Porto, devido à onda de lesões no Bayern: faltam Benatia, Alaba, Javi Martinez, Schweinsteiger, Robben e Ribéry
Passaste uma espécie de estágio no Bayern, quando estavas sem equipa. Que tal?
Foi uma troca de experiências. Não discuto futebol com muitas pessoas, porque para me entenderem bem têm de estar num nível alto de conhecimento, em que entendam até os pormenores. E eu gosto de falar com quem entende os pormenores, como é o caso do Guardiola, mas também podia ser o caso de outros, como o Mourinho, por exemplo, se isso se proporcionasse. Almoçámos, trocámos ideias, discutimos... O que posso dizer é que ele é muito boa gente. É um apaixonado pelo jogo. E quando dois apaixonados pelo jogo se juntam e começam a falar... nunca mais param [risos].

Tens noção que foi preciso vir um treinador espanhol para dizermos que o FC Porto joga em posse quando o FC Porto de Vítor Pereira já era claramente uma equipa de posse?
[risos] O que queres que te responda a isso? Vai ver as percentagens de posse de bola do meu Porto e as oportunidades de golo criadas. Só que eu não nasci para fazer amigos, nasci para competir, é disso que eu gosto. Depois daquela situação da invasão de campo aqui na Grécia tive 30 chamadas de jornalistas durante três dias seguidos e não atendi ninguém. Gosto de estar na minha.

segunda-feira, abril 13, 2015

A sucessão de Nani

A época está quase a terminar e o Sporting com poucos objectivos por cumprir começa a preparar a nova época. A maior discussão em torno do universo sportinguista, neste momento, é o nome do jogador que virá para substituir Nani. Não será fácil, porém, encontrar um substituto que traga ao Sporting o que Nani traz pelo preço aliado aos jogadores com qualidades ímpares como o português. Desengane-se quem pensa que Nani pode ser substituído, tendo em conta as debilidades financeiras do Sporting, por um jogador de nível semelhante. A ausência do talentoso extremo deverá ser colmatada colectivamente, com um futebol não tão dependente das individualidades. Porque Nani acrescentava colectivamente o que o modelo de jogo não dava, por ser inteligente, e individualmente por ser muito forte a criar desequilíbrios onde aparentemente não havia nada para criar.

Será Marco Silva capaz de alterar o seu modelo de jogo por forma a privilegiar quem fica?
Será Marco Silva capaz de criar um modelo de jogo capaz de esconder as debilidades dos seus jogadores, e realçar as suas maiores qualidades?
Será Marco Silva capaz de jogar com um sistema de jogo diferente, sendo que a maior qualidade dos que ficam é a competência para jogar pelo corredor central?
Será Marco Silva treinador do Sporting na próxima época?

Um futebol rendilhado, apoiado, com muitíssimas soluções de passe, com desequilíbrios criados por movimentações colectivas, com a procura incessante do corredor central, com menor incidência nos cruzamentos, é o que se pede para um Sporting sem Nani, mas com William, Rosell, João Mário, André Martins, Carrillo, Montero, Mane, Gauld, Chaby, Iuri Medeiros, e Esgaio.

quinta-feira, abril 09, 2015

Os melhores comentários do Lateral Esquerdo.

Retirado daqui, Artur Semedo ensina-nos um pouco sobre criatividade.

continuo a achar que o problema de fundo, subjacente a quase tudo que de mal persiste por este rincão, reside na forma como se estrutura o nosso modelo de ensino, que deveria ser igualmente de aprendizagem, mas que não o é. fica muito bonito afirmar categoricamente, nas leis de base ou nas orientações programáticas, que vivemos, abraçamos, amamos como o quaresma ama a trivela, a pedagogia de competências. isto quando, na verdade, somos ainda escravos dos conhecimentos e objectivos, ou seja, do factual e do mecânico. é a criatividade que consegue dar respostas a problemas inéditos; portanto, a criatividade é a competência essencial do progresso. se não estimulamos a criatividade do aluno, estamos a coarctar a criatividade do cidadão. se "ensinamos" o adepto a ver futebol pela ficha técnica e estatística, ele não pode perceber o que é intraduzível por números, quer sejam as subestruturas através das quais se atinge determinado FIM, quer seja aquilo que PODERIA ter acontecido, se em vez de o gajo ir à linha e cruzar tivesse procurado o colega livre com um passe em vez de uma ave-maria para o centro da área... resumindo, um gajo consegue analisar tanto melhor os processos colectivos/individuais, quanto mais capaz for de os perspectivar, não só perante o resultado obtido, mas, e sobretudo, perante as outras possibilidades que, a qualquer momento, se apresentem. também aqui é preciso saber ver entrelinhas, ou nas meta-linhas.
ou isso, ou o hernâni vai ser o futuro extremo do porto, e está tudo fornicado! <3

Comunicação - fundamental para desenvolver um jogo de qualidade.

A palestra de Bielsa tem qualidade, tem emoção, tem o poder de chegar aos jogadores. Tem uma mensagem de forte de confiança nas ideias e no trabalho desenvolvido pelos mesmos. Tem empatia, tem força, tem tudo o que uma mensagem que se quer num momento desses (final do jogo) deve ter para chegar aos jogadores. É rica em conteúdo. Mas tem um, e um só problema - os jogadores não o entendem. Para qualquer treinador com ideias, é essencial ter a capacidade de comunicar com os jogadores a todo momento. Para os entender, para perceber como os "comprar", como vender as suas ideias, como os convencer a dar tudo por elas. Percebe-se que nas conferências de imprensa Bielsa não se queira expor por não dominar a língua, não se percebe que no balneário e no treino não comunique com os jogadores na língua oficial do país. No treino, não é viável parar constantemente o exercício para dar feedback com o tradutor ao lado, e por isso Bielsa guia o exercício em espanhol, e só quando quer dizer algo muito específico ao grupo todo, ou individualmente, é que para e é traduzido. Percebe-se o porquê de algumas grandes deficiências do futebol praticado pelo Marselha, em organização ofensiva bastante distante daquilo que o Genial treinador argentino nos habituou. Os jogadores não percebem nada do que ele diz.

domingo, abril 05, 2015

Conduz, fixa e solta. Mais que um erro técnico, uma questão de decisão

Tantas são as situações em superioridade que no futebol ficam desaproveitadas pela má abordagem aos lances, que nunca será demais falar deste tipo de situação. O lance é extremo, e o jogador que conduzia a bola em primeiro lugar fica logo desolado com o ter falhado o passe. Na verdade, não era com o facto do passe não ter entrado que devia ter ficado desolado, mas sim com o não ter eliminado o último obstáculo entre a bola e a baliza (Guarda Redes) para a sua equipa. Duvido que tenha percebido que foi uma questão de tomada de decisão e não de erro técnico. As coisas são bastantes simples, jogar com acções que aproximem a equipa do sucesso. Eliminando adversário, e tornando a situação menos complexa para quem fica com bola ( ele ou os colegas). Se o defesa já está fixo, deve entrar logo o passe. Facilitando a recepção do colega, e a execução do gesto técnico seguinte. Se o defesa tem outra abordagem deve ser atacado para também o obrigar a tomar uma decisão (fechar  bola ou o espaço). Fechando a bola, fica o espaço para os colegas e solta. Fechando o espaço, segue ele com a bola até à baliza. O que a tomada de decisão evita/minimiza é o risco de se perder a bola e aumenta a simplicidade do lance, pela maior pobreza dos constrangimentos para quem der seguimento ao lance.

quinta-feira, abril 02, 2015

Problemas defensivos de Peseiro em Manchester - Final.

Erros individuais. É essa a natureza do jogo. O treinador dá ferramentas, mas a tarefa de as utilizar, e de como utilizar, é dos jogadores. Assim, o treinador treina para o jogador jogar. Quando os processos são tão vincados, e em tão pouco tempo, que dá para perceber uma tendência, uma ideia, um conjunto de comportamentos que a maioria tenta replicar, fica demasiado fácil retirar o treinador do jogo e isolar o erro individual. A tarefa do treinador é sem dúvida isolar esses erros, e tentar ao máximo que deixem de acontecer. Mas há quem, em clubes grandes, com mais qualidade, não consiga numa época reproduzir comportamentos defensivos básicos e avançados na última linha (Marco Silva). E há quem ainda na primeira fase da Champions, em Manchester, consiga não abrir auto-estradas constantes para a baliza, porque tem alguma competência a controlar a largura e a profundidade.

Para sempre, Peseiro ficará como mal amado. Com a conotação de um treinador com ideias positivas para o ataque, com um futebol ofensivo que encanta, mas que não sabe defender. Para sempre ficar-se-à sem perceber que passou por cá um treinador que poderia ter devastado, novamente, no seu último ano em Portugal, não fossem as lesões que o obrigaram a remendar a sua última linha a cada jogo. Ainda sou daqueles que acha que, se Jesus sair seria muito interessante ver Peseiro na Luz. E quem gosta de futebol, de bom futebol, não ficará nunca indiferente às equipas do treinador luso.
Ver mais sobre José Peseiro aqui.