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quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Diário dos Picaretas. Velocidade, coordenação, agilidade - Finalização e tomada de decisão.

Uma questão colocada por um leitor, que me parece pouco interessante por estar focada no treino das capacidades condicionais dos jovens jogadores, que é muito importante nestas idades para que desenvolvam a força que tão necessária é para o seu futuro. Parece-me pouco interessante porque basta consultar a bibliografia sobre a treinabilidade da força, coordenação, e agilidade e facilmente se encontram cem mil exercícios diferentes, e facilmente aplicáveis em todos os contextos. Não é algo que eu descure, o treino das condicionais, tento-o fazer todos os treinos, na medida certa (em termos de proporção com o resto do treino), com o descanso adequado entre cada repetição (1/10), com a duração certa de cada acção (não mais de 7 segundos) e com um número de repetições adequado ao tipo de força que quero estimular, e ao desenvolvimento de fibras com determinado padrão de contracção (Brancas). No fundo não quero que eles entrem em regime de resistência. Tenho alguns cuidados antes de fazer este tipo de trabalho com as condições do campo, e com o frio.

Segue um exercício que utilizei ontem para todo o grupo de trabalho.

Velocidade, coordenação, agilidade + Finalização. 2x1+GR.
Os jogadores de azul e amarelo cumprem com a tarefa da sua estação, e sprintam até à zona da meia lua. Os jogadores de branco cumprem com a tarefa e sprintam para servir de apoiar quem ataca.
O treinador é quem faz o passe para um dos jogadores e decide o momento adequado para o fazer (se deixa o jogador que recebe a bola livre para enquadrar, ou se faz o passe quando está a ser pressionado nas costas) para não mexer com a tomada de decisão.
Quem recebe a bola deve estar atento a um estímulo: se está pressionado ou não, e para isso deve tirar os olhos da bola e perceber o que se passa ao seu redor. Se estiver pressionado joga no apoio, se estiver só enquadra. O jogador que corre para apoiar tem a obrigação de comunicar ao colega se está só e pode enquadrar ou se tem homem nas costas, para estimular a comunicação. E com essa informação que dá ao colega, decide a que tipo de desmarcação fazer - se está só, dá linha de passe (esquerda ou direita, criando superioridade 2x1); se está pressionado fica como apoio frontal para receber e enfrentar ele o defesa.
Cada jogador decide se quer ou não utilizar a superioridade numérica, se temporiza para que ela chegue, ou se acelera logo para o golo. Em função disso - da tomada de decisão - discute-se com os jogadores individualmente uma opção que seja menos adequada.
O treino foi de 60 minutos no total, e juntando este exercício ao aquecimento, sobraram 25 minutos, onde se fez um jogo com 4 balizas, onde quem não tinha a bola tinha que meter um jogador na baliza que estava a ser atacada (pela falta de Grs), e onde quem chutava a bola fora ia buscar (para ir criando superioridade numérica para quem atacava). O espaço foi curto, e o objectivo era reforçar as variações do centro de jogo - daí cada equipa atacar 2 balizas - e a qualidade do gesto técnico quando se exige menor tempo de execução.

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