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terça-feira, janeiro 20, 2015

Diário de 2006. Dia 7.

O problema com que me deparo constantemente é a variação absurda do número de jogadores de um treino para o outro. O que obriga, quase sempre, a que o treino seja adaptado em função do número que vai aparecendo no dia do treino. E isso, só se sabe no momento. Se o treino for as 18H, é aí que saberemos o número de jogadores com quem contar, e durante os meinhos + activação + circuitos de velocidade (+/- 20 mins) é que o treino é repensado. Umas vezes é fácil de cumprir com os objectivos planeados mesmo com a variação do número de jogadores, por outras vezes o tempo é demasiado curto para pensar em soluções, e muda-se completamente o "tema" do treino. Mas é assim a vida... Cada um com as suas dificuldades.

Treino (19-1-2015)

Duração - 60 minutos
15 jogadores de campo (se não fossem dois miúdos novos experimentar, teriam sido 13)
1 GR

Meinhos - 10 minutos
Mobilização geral - 5 minutos

Estação 1. 3x3+2 Jokers. Cada equipa ataca e defende duas balizas. Só podem atacar as balizas depois de todos os jogadores da equipa (não inclui jokers) terem tocado na bola dentro do quadrado. A bola só pode sair do quadrado (sem ser para os jokers) depois de todos os jogadores terem tocado nela dentro do quadrado, e aí, podem usar todo o campo para jogar. Os jokers funcionam como apoios laterais, e podem ser pressionados.

Objectivo - Velocidade de decisão e de execução.
Objectivo secundário - Criação de linhas de passe. Mobilidade. Variação do centro de jogo. Manutenção da posse de bola em espaço reduzido.

20 minutos. A cada 2.30 mins alternou o joker.

Estação 2. 4x4. Uma equipa sai com bola, no meio campo ofensivo, em superioridade (3x2). Se perde a bola tenta recuperar onde perdeu (meio campo ofensivo), se a bola passar para o meio campo defensivo apenas um pode descer para ajudar o colega. Se a equipa em inferioridade recupera a bola, tenta colocar a bola rápido no meio campo adversário onde tem superioridade (2x1).

Objectivo - Tomada de decisão em superioridade numérica (organização/transição ofensiva). Criação de situações de finalização. Finalização. Reacção a perda de bola.
Objectivo secundário - Desenvolvimento das qualidades técnicas associadas. Criação de linhas de passe. Defender em duas linhas (contenção, cobertura).

20 minutos. De 3 em 3 minutos equipas e jogadores alternam as tarefas.
Com o treino de Gr a decorrer dento da grande área, e derivado da falta de jogadores, os treinadores assumiram a posição de guarda redes no campo 2, e de joker no campo 1. Cada grupo esteve vinte minutos em cada estação.

15 comentários:

Hugo Pinheiro disse...

Boas, costumo visitar o Blog tal como o LÊ. Dou vos os meus parabéns pois partilhamos muitas das ideias do que deve ser o futebol. Trabalho na formação de um clube, mas também estou ligado a prospecao e agenciamento. Ai poderíamos brevemente ter uma pequena conversa para um trabalho em conjunto. Bom trabalho

Tomás disse...

Tenho gostado muito de acompanhar estas sessões de treino. Mesmo não tendo nada a ver com a minha área, acho-as muito interessantes.

Reparei que colocas quase sempre (salvo erro) as equipas que atacam com mais um jogador do que as que defendem para treinares a defesa em inferioridade e a tomada de decisão no ataque em superioridade. Vais continuar o treino com estes objectivos ou mais tarde vais passar a treinar a tomada de decisão em igualdade ou inferioridade, pelo menos no ataque? E se sim, quando é que pensas fazer essa mudança?

Roberto Baggio disse...

Obrigado Hugo, abraço

Roberto Baggio disse...

Tomás, não creio que isso vá acontecer esta época... Coloco superioridade por duas razões:

1- Potenciar o volume ofensivo do treino. Ou seja, quero que eles repitam mais vezes tarefas ofensivas do que defensivas. Que estejam mais focados no ataque do que na defesa. Que toquem mais vezes na bola em boas condições.

2- Criar condições para que tenham muito sucesso nas suas acções.

Isto porque, o nível dos jogadores que tenho não é elevado. E precisam de melhorar primeiro esse nível para que de futuro possam treinar em igualdade e inferioridade no ataque.

As tarefas defensivas preocupam-me pouco, sinceramente. Mas o facto de estarem em inferioridade, tira de alguma forma as referências individuais.

O objectivo é que eles se transformem em monstros técnicos, com inteligência (na tomada de decisão com bola e sem bola na criação das linhas de passe). Que ganhem capacidade também para decidir bem em lances standard. 3x2, 2x1, 4x3...

martin vazquez disse...

na estação 1 e com a limitação inicial de jogar dentro do quadrado o jogo fluiu? na minha equipa e com as limitações técnicas dos miúdos esse tipo de condicionamento torna o jogo bastante confuso e pouco dinâmico. abraço

Roberto Baggio disse...

sim... o jogo flui com naturalidade

Honoris disse...

Depois da bola sair do quadrado, na estação 1, os jokers também jogam?

Anónimo disse...

boas,

Na estação 1, não achas que dificulta a fluidez do exercício obrigar todos a tocarem na bola?

se o jogador que falta tocar tiver sempre pressionado , eles não lhe vão passar, e torna o exercicio muito previsível, já que os adversários sabem que a bola vai passar por ele.
Na minha opinião ( vale o que vale), quanto mais imprevisível for o exercício mais rico o torna.
podias por um numero de passes especifico ate atacarem as balizas.

abraço.

IS

Anónimo disse...

Boas,

Relativamente ao numero de jogadores no treino ser muitas vezes imprevisível, ja pensaste em ter sempre um exercício aberto preparado? Pelo que eu tenho visto, de uma maneira geral, tens sempre exercícios preparados que necessitam de um numero especifico de jogadores, o que te leva a alterar o treino constantemente.

é apenas uma sugestão.

Abraço.

IS

Roberto Baggio disse...

Honoris, os jokers jogam sempre, desde que estejam no corredor lateral.

Anónimo, "Na estação 1, não achas que dificulta a fluidez do exercício obrigar todos a tocarem na bola?"

Não. Acho que obriga a meter mobilidade e a fugir das referências individuais. Obriga a desmarcar-se. Ao absurdo, vai ter 3 jogadores em cima dele, e aí dou na cabeça ao gajos por ninguém sair na bola (por não a tentarem recuperar, e por quem saiu na bola n ter cobertura).

"se o jogador que falta tocar tiver sempre pressionado , eles não lhe vão passar, e torna o exercicio muito previsível, já que os adversários sabem que a bola vai passar por ele."

Isso nunca aconteceu, porque lá está, eles querem é recuperar a bola para atacar de seguida. E já estão mentalizados para sair sempre na bola, e colocar uma cobertura, pelo menos.

"Na minha opinião ( vale o que vale), quanto mais imprevisível for o exercício mais rico o torna."

Na minha também.

"podias por um numero de passes especifico ate atacarem as balizas."

Mas não é o número de passes que quero. Quero a participação de todos na tarefa ofensiva. Quero que todos toquem na bola e tenham de tomar decisões pressionados. Com o número de passes não garanto isso.

"Relativamente ao numero de jogadores no treino ser muitas vezes imprevisível, ja pensaste em ter sempre um exercício aberto preparado?"

Eu tenho milhares de exercícios abertos. Mas não consigo um exercício onde a diferença de "abertura" seja de 7 jogadores - 3 de cada lado - com os mesmos princípios. Daí ter sempre que adaptar no momento ao número de jogadores. Porque tem de fazer sentido consoante o número deles, para que tirem todos o máximo proveito do que se está a treinar.

A não ser, claro, que estejas a falar de exercícios de outro tipo, que não "jogo".

"Pelo que eu tenho visto, de uma maneira geral, tens sempre exercícios preparados que necessitam de um numero especifico de jogadores, o que te leva a alterar o treino constantemente."

Não. Qualquer um dos exercícios deste treino, serviria se viessem mais 4 jogadores, por exemplo (19)... Ou menos 4 (11) ... Portanto a especificidade n é assim tanta. Mas claro que exige um número mínimo para ser realizável. O que não faz sentido, para mim, é planear por exemplo um treino onde se adapta os exercícios ao número de jogadores, e ficarem 3 jogadores fora da tarefa principal (jogo), que é o que eles mais gostam. Do ponto de vista pedagógico é péssimo. E é isso que me leva constantemente a altera-lo... Mas sim, os exercícios têm elasticidade, até um determinado ponto. Mas acho que não é só para mim.

"é apenas uma sugestão."

E são todas bem vindas. É para isso que isto aqui está. Para me ajudar a reflectir ;)

Cumps

Anónimo disse...

Boas,

Baggio,em relação ao exercício da estação 1, a questão de não obrigar a passar a bola por todos, é que quando faltar só passar por 1 jogador essa não será de certeza a linha de passe mais segura, porque todas as atenções vão estar centradas nele. obrigando a fazer x passes, continuas a tentar melhorar a criação de linhas de passe, a mobilidade, etc. mas tu e que operacionalizaste o exercício saberás se o teu objectivo foi cumprido ou nao.

"A não ser, claro, que estejas a falar de exercícios de outro tipo, que não "jogo"

exacto, não estava a falar de jogo, estava a falar de uma situação mais micro, 1x1, 2x1, por aí...nesses exercícios é um pouco indiferente o numero de jogadores. podia ser uma situação complementar ao exercício de jogo que queiras programar.

abraço.

IS

Roberto Baggio disse...

Anónimo,

"em relação ao exercício da estação 1, a questão de não obrigar a passar a bola por todos, é que quando faltar só passar por 1 jogador essa não será de certeza a linha de passe mais segura, porque todas as atenções vão estar centradas nele. obrigando a fazer x passes, continuas a tentar melhorar a criação de linhas de passe, a mobilidade, etc. mas tu e que operacionalizaste o exercício saberás se o teu objectivo foi cumprido ou nao."

Lá está... o foco principal é a velocidade de decisão e execução no espaço curto. Ao absurdo, com um número de passes, um jogador pode só repetir a tarefa uma vez... não sei se vês o problema que coloco aqui. O objectivo principal passa a ser secundário... ou pode passar a nem ser objectivo, tão poucas foram as repetições...
Não discordo que eles prestem mais atenção ao último jogador. Mas, houve bastante concretização, pelos motivos que indiquei: a predisposição deles para recuperar a bola...

"exacto, não estava a falar de jogo, estava a falar de uma situação mais micro, 1x1, 2x1, por aí...nesses exercícios é um pouco indiferente o numero de jogadores. podia ser uma situação complementar ao exercício de jogo que queiras programar."

eu faço isso... mas que maneira melhor de treinar o 1x1 do que num exercício onde primeiro estão em 3x2, e depois de ultrapassar uma zona se fica em 1x1? É só isso... Provavelmente se estivesse num escalão abaixo, treinaria de forma incessante nessas formas: 1x1, 2x1, 2x2, 2x2+joker... mas com estes, só se for mesmo mt necessário... cm se vê em alguns exercícios complementares ao principal... normalmente pelo menos 2x2+joker, mas sempre jogo, sempre com Grs...

cumps

B Cool disse...

Baggio, uma pergunta de um leigo na matéria - e quais as dificuldades que notas nos jogadores, ou seja, reflectes sobre se o objectivo do exercício foi atingido e falas com eles para perceberes se compreendem o que procuras transmitir no exercício e quais as dificuldades que experimentam ? Em especial aqueles que parecerem estar mais fora dos exercícios (menos adaptados)... Ou as dificuldades são meramente de execução técnica ?

Roberto Baggio disse...

B Cool... há dois tipos de jogador, se é que os posso dividir dessa forma tão má... há os que têm dificuldade de execução e aí a tomada de decisão não pode ser dissociada do que eles conseguem ou n fazer e da velocidade que eles conseguem ou não executar. E depois há os que n fazem pq n entendem ou n querem... E aí é que falo com eles... Quando o problema é técnico n dou feedback quase nenhum... se for outro já dou, já falo, já converso... e depois tbm percebo se o problema é do exercício,ou deles "facilmente"... pá cm tudo, depende... :)

Laranja disse...

Por acaso depois das explicações do Baggio percebi o objectivo do exercício 1. Por exemplo, se numa das equipas de 3, dois deles forem mais dotados tecnicamente, praticamente podiam quase descartar o terceiro de jogar com ele, e o pobre rapaz apesar de e ser menos dotado ainda tem menos chances de evoluir porque não toca na bola e não tem chance de jogar.
QUantas vezes jogo futebol e há sempre um ou outro que só passa a bola a um determinado jogador devido a ser mais dotado que os restantes. Assim todos participam e evoluem.