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quinta-feira, janeiro 15, 2015

Diário de 2003. Dia 5.

Segunda não pude ir ao treino. E para ontem tínhamos planeado o treino - Meinhos 10 mins onde podiam dar os toques que quisessem, mas só podiam jogar com o pé mais fraco.
Mobilização + Velocidade + Coordenação -> 15 mins
Jogos reduzidos 3x3+2jokers -> 25 mins - Parar e corrigir mt (Tomada de decisão, criação de linhas de passe, conduz fixa e solta, atacar o corredor central)
Jogo só com o pé mais fraco (para alguns jogadores) -> 25 mins - 4x4+joker... Deixar jogar, só parar se for mesmo grave! - só que uma vez mais o número de jogadores foi impeditivo da realização do previamente planeado. Tivemos de adaptar os últimos 50 minutos do treino.

Número de jogadores - 14. 13 de campo e 1 GR.

6x6+Joker. Quando a bola entra no meio campo ofensivo, toda gente sobe para o meio campo ofensivo. Se perde a bola, pela concentração de jogadores, tenta recuperar no meio campo onde perdeu. Se não conseguir e a bola entrar no meio campo defensivo, toda a gente baixa rapidamente para o meio campo defensivo, e protege a baliza.
Objectivo- Atacar e defender em bloco.
Objectivo secundário- Criação de situações de finalização contra muitos. Recuperar a bola onde perdeu. Melhoria da capacidade técnica - Passe, recepção, condução, drible, remate, cruzamento - e da tomada de decisão.
25 minutos.
Nos restantes 25 minutos, jogo. 6x6+Joker. Alguns jogadores condicionados a jogar apenas com o pé mais fraco, sendo que só podiam usar o pé dominante (6) para receber a bola. Os restantes gestos técnicos - condução, drible, passe, remate, cruzamento - tinham de ser executados com o pé mais fraco.

Entretanto, mais um jogador inscrito, e o craque de 2005 ficará de forma definitiva a jogar e a treinar com a equipa.

PS: Os dois miúdos que queriam ser Guarda redes parece que mudaram de ideias. Um diz que não tem jeito para ser Guarda, disse-o num desabafo baixinho, que me ia escapando, mas ouvi e no final falei com ele e foi isso. A mudança do outro não deve ter nada a ver com o facto de ter marcado 3, e assistido para um neste fim de semana. Seguiremos os próximos capítulos!

20 comentários:

LP disse...

"PS: Os dois miúdos que queriam ser Guarda redes parece que mudaram de ideias. Um diz que não tem jeito para ser Guarda, disse-o num desabafo baixinho, que me ia escapando, mas ouvi e no final falei com ele e foi isso. A mudança do outro não deve ter nada a ver com o facto de ter marcado 3, e assistido para um neste fim de semana. Seguiremos os próximos capítulos!"

Isto é ouro, trabalhar com miúdos tão jovens deve ser uma experiência muito endoidecedora

Gonçalo Matos disse...

Gabo-te a paciencia, Baggio. Se fosse eu já tinha virado maluquinho, com esses miudos.

Dennis Bergkamp disse...

No exercício em que tens uma linha ao meio com toda a malta a subir e a descer e por ai fora (percebi o exercício, tranquilo)... porquê uma linha e não duas?

Digo isto porque a linha do meio campo é subida demais para depois conseguir jogar com alguma ordem e faz-me confusão.

Volta e meia utilizo exercícios desse estilo, mas prefiro sempre usar duas linhas, perto do meio campo... mas duas, para dar um pouco mais de espaço.

Do estilo.. equipa de coletes tem de subir para depois da linha amarela, e equipa sem coletes tem de subir para depois da linha encarnada ou seja lá o que for.

Consegues visualizar o que digo?

É óbvio que estes exercícios são como aquelas progressões na natação que fazemos as coisas pelo exagero para conseguir produzir efeitos mais rápidos.. mas faz-me confusão a linha do meio campo ;)

Roberto Baggio disse...

Tva a ver que ninguém nca perguntava nda sobre os exercícos xD

Obrigado Dennis :)

Tudo isso porque o espaço é tão reduzido, que acaba por funcionar mesmo como se fossem duas linhas... E fazendo duas linhas, quase não teriam que subir, ou descer... Assim cm está, já pouco têm que o fazer... Se tivesse o campo inteiro para mim, faria como dizes. Mas aquele espaço é mesmo mt reduzido para o conseguir. Ou pelo menos para conseguir o efeito pretendido. O subir e descer juntos.

Dennis Bergkamp disse...

Faz sentido então =D

Eu estava a imaginar em prai 80% da profundidade do campo de 7.

Se não se perguntar sobre os exercícios estes posts deixam de fazer sentido =)

Conta comigo para apertar ai ;)

Dipeca disse...

Continuando com este exercício, do meio-campo.

Não tens medo que eles sejam caços em bolas nas costas e depois fiquem receosos de subir tanto? Eu percebo que por ter mta gente perto, há mais probabilidade de recuperar a bola, mas mesmo assim, acaba sempre por passar uma bola ou outra pq nestas idades não lhes ensinamos a proteger a profundidade... Eu por acaso faço como o Dennis diz (em iniciados) e até para obrigado o lateral a vir defender na linha do trinco e os dois centrais mais atrás...

Já agora, e usando a entrevista ao Mister Valente, quanto tempo ou repetições achas que os miúdos precisam até estarem cómodos (diferente de acomodados) num exercício, sabendo que chega um ponto e começam a achar chato :).

Roberto Baggio disse...

Di, não tenho qualquer preocupação com a profundidade. Não há fora de jogo, só na área. E por isso, naturalmente eles recuam quando acham que vão levar com ela nas costas. Mas não me preocupa nada esse ponto. Quero é que ataquem em bloco e compactos. É o princípio ofensivo que preocupa aqui.

A segunda pergunta, não sei. Depende. Os meus exercícios a sério nunca têm menos de 25 minutos...

Dipeca disse...

Certo, depois é que me lembrei que não havia fdj nos infantis.. Até pode estar um miúdo plantado.

Então coloco-te outra questão que até acho mais pertinente do que a que coloquei antes. Já agora se o Dennis, Maldini, Gonçalo ou mais gente quiser responder agradeço.

Na tua planificação, qual a percentagem de tempo que dedicas aos aspetos coletivos vs aspetos individuais do miúdo.

Por exemplo, este do meio-campo é coletivo sobretudo, o do pé esquerdo ou até o dos quadrados em que se tem de mexer sempre considero-os como "potenciadores" de aspetos individuais.

Eu conheço a tua opinião sobre a formação nestas idades, mais do que ensinar a nossa forma de ver o jogo, temos de ensinar os conceitos coletivos primordiais e potenciar as capacidades individuais, mas há exercícios que se focam sobretudo na aprendizagem individual e outros na leitura do jogo de forma coletiva.. Isto sem estar a dizer que é possível dissociar um aspeto do outro, mas é possível focar-se mais num do que outro em determinado exercício...

Roberto Baggio disse...

É só ires seguindo os treinos, e veres quais são os objectivos principais...
Normalmente 70% do tewino é individualidade: tomada de decisão (a criação de linhas de passe está incluído nisto), e técnica. E algumas noções colectivas... Como os aspectos defensivos, e algums exercícios de princípios ofensivos...
mas se fores seguindo no final vais ter uma melhor amostra e uma melhor ideia estatística...
para estes, normalmente penso sempre primeiro em potenciar o individual e daí parto para o exercício...

Dipeca disse...

Pois, a tua resposta vai de encontro a opinião que nos foste dando e claro está, o seguimento dos diários prova isso mesmo.

Já agora, o exercício do pior pé apenas, muito bom :).

Futebol Táctico disse...

Epá juro que estou a adorar este diário. Agora uma pergunta. Como é o controlo da profundidade dos teus jogadores? Em infantis é natural que ainda não respondam bem ao estimulo. Tens trabalhado isso? Jogas todos os fins-de-semana certo?

Roberto Baggio disse...

Sim tenho jogos todos os fins de semana.
Controlo de profundidade não existe na minha equipa. Não trabalho "nada" defensivo. O foco é no crescimento individual deles. Que se tornem monstros técnicos, e inteligentes.

Futebol Táctico disse...

Pensas trabalhá-la mais no fim da época? Qnd alguns miudos tiverem para subir ao escalão acima? Não achas importante irem já com umas luzes?

Roberto Baggio disse...

Nem nos iniciados isso tem qualquer tipo de importância, na minha opinião.

A minha opinião é que Só nos juvenis os miúdos devem começar a trabalhar comportamentos colectivos complexos. Até lá é potenciar o individual.

Anónimo disse...

Boas,

Não achas que devias continuar com formas jogadas mais reduzidas para facilitar a compressão dos princípios?

mas querendo fazer um exercício mais próxima do jogo formal, não achas que 6x6+joker desvirtua o jogo? Já que em competição jogam gr+6x6+gr?

Abraço.

IS

Roberto Baggio disse...

Boas,

"Não achas que devias continuar com formas jogadas mais reduzidas para facilitar a compressão dos princípios?"

Que princípios? O que tirei aqui, dos jogadores, foi o volume técnico (muito menos toques na bola). E sim, concordo que devam sempre dar muitos, mas para este treino não foi o caso.

"mas querendo fazer um exercício mais próxima do jogo formal, não achas que 6x6+joker desvirtua o jogo? Já que em competição jogam gr+6x6+gr?"

Acho que desvirtua, sim. Mas acho que é só mais uma das milhares de regras que uso que o desvirtuam. Não estou preocupado com o desvirtuar o jogo ou não. Estou preocupado com o que me vai permitir que eles catalisem a aprendizagem. Todos os treinadores usam regras que desvirtuam o jogo, a não ser que andem sempre a fazer jogos formais, sem regras. E neste caso, para o atacar em bloco, faz sentido que seja com muita gente ( e não faz sentido um jogador ficar de fora). E como quero sempre superioridade, até me dá jeito ter mais um. Portanto não vejo de que forma isso possa ser prejudicial, bem pelo contrário. É diferente, e potencia outro tipo de aprendizagem, nomeadamente na criação de linhas de passe, e na oposição que enfrentam em espaço reduzido.

Abraço

João Ferreira disse...

Boas Baggio. 2 questões:

- Porquê meinhos antes da mobilização?
- E que tipo de meinhos (número\espaço)?

Roberto Baggio disse...

João,

Criar predisposição para o treino, para o que se segue.

Depende do número de jogadores no treino. O espaço é "o que me apetecer"

Anónimo disse...

Baggio, porque a diferença de frequência de feedback de um exercício para outro? Cumps

Roberto Baggio disse...

João,

Criar predisposição para o treino, para o que se segue.

Depende do número de jogadores no treino. O espaço e o número é "o que me apetecer", dependendo de quantos jogadores estão no treino naquele momento.

"porque a diferença de frequência de feedback de um exercício para outro? Cumps"

Por num deles ser mais fácil de demonstrar, e visualizar e identificar por parte deles (pela forma do exercício), e aí aproveito para limar as arestas para que tenha seguimento no exercício seguinte. Onde deixo ir adaptando e errando, e acertando. A questão é: num, para o exercício e explico para todos ouvirem. Ou chamo determinado jogador a parte e explico. No outro, vou só lançando feedback. Reforço negativo ou positivo, sem interromper o exercício. Focar no objectivo do mesmo, mas sempre sem interromper. Tentar deixar que eles se adaptem, e cumpram.