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quarta-feira, dezembro 31, 2014

2014. De dentro para fora

Benfica. Jorge Jesus está a caminho de construir a equipa mais medíocre, e deprimente, desde que assinou pelo Benfica. A falta de qualidade individual é gritante. Os princípios continuam lá, são de qualidade, mas sem os melhores interpretes. A mutação que sofreu ao longo dos anos, para se tornar mais calculista, e quase imbatível do ponto de vista defensivo, fez com que não fosse tão exigente com aquilo que pede do ponto de vista ofensivo aos seus jogadores, e isso reflecte-se hoje na criatividade colectiva do Benfica. A velocidade é a base de tudo. As linhas de passe estão lá e aparecem. Os movimentos de apoio e profundidade também. Mas os jogadores fazem tudo tão rápido, que é impossível explorar outro tipo de jogo que não o de explosão constante. E isso, não pode ser dissociado da ideia de jogo do fabuloso treinador que o Benfica tem. Ainda assim, Jesus já pede por outro desafio. É treinador de elite mundial e por isso deve treinar alguns dos melhores jogadores do mundo. Sobre o futuro, se o Benfica conseguir juntar Sílvio, Amorim e Fejsa, a Júlio César, Maxi, Luisão, Jardel, Gaitan, Sálvio/Ola John, e Jonas, 70% do caminho para renovar o título ficará feito.

Porto. Realidade nova para o treinador espanhol, trabalhar diariamente com os jogadores, jogar semana sim semana sim, gerir um plantel onde alguns egos são maiores que tudo, país que desconhece, jogadores que nunca tinha treinado, muito jogador novo no clube, grandes expectativas pela qualidade do plantel. São mais que muitos os contras de Lopetegui. Deixem o homem trabalhar, pelo menos, até ao final da época e logo se verá. Para já, demonstra coisas muito interessantes ao nível dos princípios que tenta implementar. Diz-se que a percentagem esmagadora de Posse que tem não serve para nada. Eu digo que a Posse de bola serve sempre para alguma coisa: é a melhor forma de não sofrer golos. Ter a bola é a melhor organização defensiva que existe. Ainda assim, muito por onde evoluir em todos os momentos do jogo. Se fosse eu a escolher por onde ir, sabendo que num ano não há tempo para tudo, seguiria pelo caminho de melhorar a forma de atacar. Em organização ofensiva, mais jogo interior. Mais diagonais dos extremos a aparecer na posição de Jackson que sai para tocar. Se for Jackson a fixar a linha defensiva, mais gente entre sectores e aproveitar esse espaço. No fundo, mais jogo interior. Mais saídas de bola pelo corredor central, melhor posicionamento - assumindo mais riscos - dos laterais nesse momento. Menos pressa nas variações de corredor, mas maior aproveitamento da qualidade individual nessa zona (com mais linhas de passe). Melhores escolhas para o onze inicial.

Sporting. Transforma-se no sentido de se tornar naquilo que é, uma equipa grande. E tenta assumir, com qualidade, o jogo em organização ofensiva. O trabalho defensivo tem melhorado, o ofensivo estagnou. O Sporting precisa de continuar a evoluir em toda a linha, para que possa no futuro competir de igual com os que têm mais ouro no cofre. Qualidade individual muito abaixo dos adversários directos, expectativas muito acima da realidade do plantel. Factor Champions. Muito por onde melhorar, porém, em todos os aspectos do jogo. Com aqueles médios (William, J.Mário, A.Martins), com Nani, Mané, e agora Carrillo, com Montero, o jogo interior tem de ser uma constante. A exigência com os comportamentos defensivos deve subir. As escolhas para o onze devem reflectir a ideia do treinador, e não as expectativas exteriores/interiores à equipa. Quando há falta de qualidade, onde andam Nuno Reis, Iuri, Chaby, e Gauld? Onde anda Esgaio?

O que se passa Klopp?! Estarão os jogadores fartos da tua liderança? É que tens muito mais qualidade que no ano passado, e é precisamente desde aí que o rendimento caiu a pique. Terá a chegada de Guardiola prejudicado o crédito que os jogadores dão ao fabuloso Klopp? Não será hora de equacionares uma mudança? São demasiados azares juntos para ser só azar. E de um treinador com tanta qualidade como tu, nas ideias e na operacionalização, o factor só pode ser mental. Talvez o desgaste natural das lideranças que duram. De qualquer forma, melhor sorte para 2015.

Guardiola. Já não sobram muitas palavras para descrever o melhor treinador da história. Depois de ter traído os seus princípios, como fomos dizendo na temporada passada, convenceu-se de que nunca mais se devia desviar do seu caminho. A elasticidade táctica da sua equipa é assustadora, para quem apenas está há um ano e meio com uma equipa. Tudo isto, com futebol de qualidade divina, tendo em conta as individualidades que tem. Hoje não treina os melhores do mundo mas consegue jogar o melhor futebol do mundo. Como é que o Bayern joga mesmo? 4x3x3, 4x4x2, 4x2x3x1, 3x5x2? 3x4x3? E o Neuer conta como GR, ou como elemento da linha defensiva? Qual é o segredo para a ressurreição do professor Alonso? Será o campeonato alemão assim tão fraco, que justifique a diferença pontual para todos os outros? Já não há dúvidas, na regularidade e na qualidade do processo és ímpar. Não há sequer comparação possível no futebol mundial. Mas cuidado com a lesões, mister!

Quando chegou ao Milan, Allegri disse a Pirlo que estava muito velho para jogar na posição 6. Factor que levou a saída do Maestro de San Siro. E agora na Juventus, 50 anos depois, em que posição joga Pirlo? Basta olhar para a diferença entre a Juventus deste ano, e do ano passado, ao nível do modelo de jogo, para perceber que quem escolheu esse treinador percebe muito pouco do jogo.

Rodgers. Um treinador que muito admiro pelas ideias, mas só pelas ideias de qualidade. Quando um treinador deixa o melhor jogador mais de meia época no banco - Markovic - não pode estar muito bem da cabeça. Quando um treinador opta por reforçar uma zona do terreno onde tem qualidade por excesso, e dá uma nota por um lateral que "só corre", não pode estar muito bem do juízo. Rodgers teve uma performance fantástica na época anterior, e não percebeu que para ser campeão só tinha que evoluir onde falhou mais: nas oportunidades concedidas ao adversário. Quanto é que custou Balotelli? Para quê? Será pedir muito, juntar Lallana, a Coutinho, Sturridge, Sterling e Markovic?

Wenger, A idade não perdoa. Quanto mais velho, mais casmurro. Futebol ofensivo ímpar nas ilhas britânicas. Predilecção pelos jogadores criativos e de grande qualidade técnica. Organização defensiva que já não se usa nem na Suiça. E o que dizer das lesões constantes? Dizia ele que quando chegou a Inglaterra formulou a sua ciência de treino, modelo de jogo, e liderança, e a aplicou com sucesso. Será que foi reciclando essa mesma ciência ao longo do tempo? Do ponto de vista ofensivo parece-me clara a evolução, mas e no resto? Sem evolução defensiva, e tendo em conta as características dos seus jogadores, nunca vai  conseguir ser regular o suficiente para ser campeão em Inglaterra.

Mourinho. Como se dizia, e o próprio admite hoje, faltava criatividade à equipa. Faltava qualidade individual, um médio de grande qualidade para acompanhar Matic, que permitisse à equipa dar o salto necessário para jogar como um grande. Hoje, Mourinho diz que sempre quis que a equipa evoluísse nesse sentido. De se sentir confortável em assumir o jogo, jogar em transições, continuando a defender bem. Diz que o deixa feliz a equipa jogar o futebol de Fabregas, de Óscar de Hazard, de Willian, e eu acrescento de Matic e Filipe Luís. Diz que Diego Costa não é o jogador que os colegas pedem, que tem mais dificuldades, mas que se está a adaptar. Diz também que a equipa passou para um estágio onde encontrou a estabilidade. E como gosta Mourinho de estabilidade. É essa obsessão pela estabilidade, que matou os melhores princípios e a dinâmica que a equipa estava a criar no início da época, que eram da propriedade dos jogadores. Os melhores princípios são os que os jogadores criam entre si. Aquelas trocas de posição constantes, o triângulo de meio campo a adoptar várias formas, com Óscar a pegar como 6, tendo Matic e Fabregas mais na frente. Jogadores diferentes em vértices diferentes. A ocupação do espaço entre sectores do adversário, os apoios que Hazard tanto gosta. Penso que a viragem poderá ter sido o jogo com o Everton, onde sofreu 3 golos. Não obstante de ter marcado 6, Mourinho olhou para aquilo como um sinal de que a equipa estava a regredir defensivamente, quando foi só consequência da falta de hábito de defender com poucos. Mourinho, desde aí, raramente coloca Fabregas a receber à frente da linha de Matic, raramente o coloca dentro do bloco (deixa isso exclusivamente para Óscar, e algumas vezes para os extremos), por forma a prevenir a transição defensiva. E com isso, não só matou o rendimento de Fabregas com tudo de diferente que ele podia dar à equipa, como estragou a tal dinâmica das trocas posicionais e fluidez de jogo que aquele meio campo pode dar. Hoje, são de facto melhores do ponto de vista ofensivo, por jogarem com individualidades melhores. Mas podem e devem, jogar muito mais. Se não for campeão este ano, perdendo outro campeonato para o Pellegrini, quero ver se os adeptos de Mourinho vão culpar de novo o Fernando Torres. Continua a ser uma equipa para ganhar a Champions, e não para ser tão bem sucedida na regularidade como se podia prever.

Roberto Martinez. Trinta milhões de euros por Lukaku, a sério? Não tenho pena nenhuma da classificação actual.

Van Gaal. Admitiu que o sistema, e modelo, que levou a Holanda as meias finais do mundial não era o mais adequado. Admitiu com isso aquilo que já se dizia por aqui: em provas curtas é tudo mais fácil, e aí a sorte tem um papel fundamental. Mudou, e bem. A qualidade de jogo ainda não está onde pode, com aquelas individualidades. Dispensou Nani e Kagawa, por Young e Valência. Deu o mundo por Di Maria e hoje chora. Achou que com Falcão era só despejar bolas na área que ele trataria de fazer o resto. Demasiadas incongruências para quem no passado fez do bom tratamento da bola, do bom futebol a sua imagem de marca.

Já ninguém fala de Simeone, o que se passa?

Ancelotti foi campeão europeu, a jogar um futebol rico pelas individualidades que tem. Gosta de bom futebol, é certo, e tem o grande mérito de não ter vergonha de colocar, seja qual for o jogo, os seus melhores onze jogadores em campo. Pena que não consiga colocar a equipa a defender melhor, e a dominar com qualidade qualquer adversário, sabendo-se da força das individualidades que tem ao seu dispor. Colectivamente, o Real Madrid não é de topo nos momentos de organização. E é por isso que Ancelotti passou por tantas equipas de top e conseguiu tão poucos campeonatos. Na regularidade não é o melhor.

Bielsa. Continua a encantar o mundo com ideias. Ideias de qualidade. E mostra que continua a ser possível não ter grande qualidade individual, ou ter menos que o adversário, e ainda assim ganhar. Dizem que perdeu com o Mónaco de Jardim e que por isso mais uma vez mostra dificuldades defensivas. Eu digo que se tem marcado metade das oportunidades de golo que criou, dentro da área, tinha dado 5. É assim que avalio o treinador. Pelas oportunidades que cria, e pelas oportunidades que não concede. O Paris vai ter mais dificuldade em ser campeão este ano, porque vai ser obrigado a ser mais regular que no passado.

André Villas-Boas. Tanta, tanta, tanta, tanta, qualidade no Chelsea, tanto dinheiro nos Spurs, tanta qualidade no Zenith, futebol zero. Não é o super treinador que, depois do Porto, pensei que fosse. Mas é o super falador carismático que conquista pelo que diz. Assim é o povo, segue as palavras, não percebe as ideias. Ou a falta delas. Melhor plantel do grupo da Champions, terceiro classificado do grupo, com um, e um só jogo a convencer pelo qualidade. Isso sim é um fracasso redondo. 

Paco Jemez, Fernando Valente. É difícil este futebol onde nunca se dá valor a quem verdadeiramente faz alguma coisa pelo futebol. Onde tem mérito quem não cria uma oportunidade e marca um golo, ganha um jogo, e não tem mérito quem cria 10 e não marca acabando por perder. Onde é suicídio jogar nos olhos dos tubarões e levar 5, e é inteligente jogar nos últimos trinta metros contra os tubarões e levar 5. Mas a luta pelo futebol de qualidade continua. E estamos por aqui para realçar cada feito, cada vitória que merece ser vitória, cada derrota que merece ser vitória.

Um bom ano a todos, e que 2015 traga um melhor futebol. Um abraço especial ao Honoris, que tem desenvolvido um trabalho fantástico, aqui!

10 comentários:

Anónimo disse...

Falando do campeonato francês, acho que o PSG até para o 2º lugar vai ter dificuldades. Não é só em Marselha que se joga bom futebol, na Ligue 1... Muito bom o projeto do Lyon, a apostar na formação e num futebol de qualidade.

João Marinho disse...

Ahaha baggio sempre um prazer ler-te e ouvir-te.

Não compreendo como continuas a dar o braço ao Lopes, para mim não tem perninhas para por a equipa na topo e quando a equipa cria mais não me parece por mérito dele mas sim dos próprios jogadores, não estou a prever grandes melhorias nem ofensivas e muito menos defensivas, veremos como corre janeiro sem brahimi, adorava estar enganado.

Para quem gosta de ver equipas a criarem várias oportunidades de golos por jogo paco e bielsa são mais que recomendáveis, o que fariam com qualidade individual de top?

Faltou dar uma palavrinha sobre o schmidt e luis enrique :P

E em relação ao abraço para o Honoris que paneleiragem vem a ser essa ? ahaha Honoris pelos vistos já sei quem são os 2 que fazem parte dos 20 ahahaha

Roberto Baggio disse...

É pah, esqueci deles. Ficam para o LE xD

Anónimo disse...

Fernando Valente? A análise é parecida com a que fazes com a do AVB. Fazia posse, fazia, mas fraquinha, fraquinha, fraquinha. E decorada, decorada, decorada.. E quando não dava, só dizia "tem de dar". Ok, mas como? Isso já não sabia. Não podemos avaliar treinadores só pelo que dizem que fazem... Fernando Valente começou por ganhar o meu respeito pelo que ia fazendo e pedindo, mas rapidamente mostrou que não sabe fazer posse. Dou-lhe valor por tentar, pelo menos.

DC disse...

Fizeste bem não falar do Luis Enrique que ainda ninguém percebeu o que ele quer, nem ele acho eu :P

Já agora sobre o Wenger, ainda que ligeiras, vi algumas mudanças no processo defensivo no ano passado nomeadamente ao nível do controlo da profundidade. Mas também pode ter sido por causa das goleadas que levou.

Bom ano!

Gonçalo Matos disse...

Anónimo,

O que é fazer posse de qualidade na tua óptica?

Honoris disse...

Obrigado pela referência Baggio xD

Grande abraço e boas entradas :D

Anónimo disse...

O elgoio a Fernando Valente acontece neste espaço, creio eu, sustentado no discurso do próprio, o qual também eu gosto de ouvir e no qual reconheço exitir uma ideia de jogo. Outra coisa diferente é saber oprecionalizar essa ideia de jogo, jogar a um nivel interssante com regularidade e nisso Fernando Valente é rudimentar. Se do ponto de vista ofensivo as suas equipas apresentam a espacos momentos interssantes, isso advém fundamentalmente da criatividade que ele dá ao jogadores para criare m e fazerem permutas posicionais. Ja do ponto de vista defensivo as suas equipas sao sofriveis. Contenções são coisa rara e coberturas?! sao algo que nao existem pela enorme distância e entre jogadores. Resumindo, Fernando Valente está muito longe de poder ser considerado um treinador interssante, não pela ideia de jogo de que fala mas pela incapcidade de concretizar, de detalhar e de opracionalizar aquilo que as suas palavras transmitem.

Anónimo disse...

Mais um golo do Chelsea, mais uma vez Hazard contra o Mundo. Mourinho, medíocre.

Vítor Muñoz

MOS disse...

Ja estamos em 2015 , mas... e Luis Enrique, Baggio?