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quarta-feira, dezembro 31, 2014

2014. De dentro para fora

Benfica. Jorge Jesus está a caminho de construir a equipa mais medíocre, e deprimente, desde que assinou pelo Benfica. A falta de qualidade individual é gritante. Os princípios continuam lá, são de qualidade, mas sem os melhores interpretes. A mutação que sofreu ao longo dos anos, para se tornar mais calculista, e quase imbatível do ponto de vista defensivo, fez com que não fosse tão exigente com aquilo que pede do ponto de vista ofensivo aos seus jogadores, e isso reflecte-se hoje na criatividade colectiva do Benfica. A velocidade é a base de tudo. As linhas de passe estão lá e aparecem. Os movimentos de apoio e profundidade também. Mas os jogadores fazem tudo tão rápido, que é impossível explorar outro tipo de jogo que não o de explosão constante. E isso, não pode ser dissociado da ideia de jogo do fabuloso treinador que o Benfica tem. Ainda assim, Jesus já pede por outro desafio. É treinador de elite mundial e por isso deve treinar alguns dos melhores jogadores do mundo. Sobre o futuro, se o Benfica conseguir juntar Sílvio, Amorim e Fejsa, a Júlio César, Maxi, Luisão, Jardel, Gaitan, Sálvio/Ola John, e Jonas, 70% do caminho para renovar o título ficará feito.

Porto. Realidade nova para o treinador espanhol, trabalhar diariamente com os jogadores, jogar semana sim semana sim, gerir um plantel onde alguns egos são maiores que tudo, país que desconhece, jogadores que nunca tinha treinado, muito jogador novo no clube, grandes expectativas pela qualidade do plantel. São mais que muitos os contras de Lopetegui. Deixem o homem trabalhar, pelo menos, até ao final da época e logo se verá. Para já, demonstra coisas muito interessantes ao nível dos princípios que tenta implementar. Diz-se que a percentagem esmagadora de Posse que tem não serve para nada. Eu digo que a Posse de bola serve sempre para alguma coisa: é a melhor forma de não sofrer golos. Ter a bola é a melhor organização defensiva que existe. Ainda assim, muito por onde evoluir em todos os momentos do jogo. Se fosse eu a escolher por onde ir, sabendo que num ano não há tempo para tudo, seguiria pelo caminho de melhorar a forma de atacar. Em organização ofensiva, mais jogo interior. Mais diagonais dos extremos a aparecer na posição de Jackson que sai para tocar. Se for Jackson a fixar a linha defensiva, mais gente entre sectores e aproveitar esse espaço. No fundo, mais jogo interior. Mais saídas de bola pelo corredor central, melhor posicionamento - assumindo mais riscos - dos laterais nesse momento. Menos pressa nas variações de corredor, mas maior aproveitamento da qualidade individual nessa zona (com mais linhas de passe). Melhores escolhas para o onze inicial.

Sporting. Transforma-se no sentido de se tornar naquilo que é, uma equipa grande. E tenta assumir, com qualidade, o jogo em organização ofensiva. O trabalho defensivo tem melhorado, o ofensivo estagnou. O Sporting precisa de continuar a evoluir em toda a linha, para que possa no futuro competir de igual com os que têm mais ouro no cofre. Qualidade individual muito abaixo dos adversários directos, expectativas muito acima da realidade do plantel. Factor Champions. Muito por onde melhorar, porém, em todos os aspectos do jogo. Com aqueles médios (William, J.Mário, A.Martins), com Nani, Mané, e agora Carrillo, com Montero, o jogo interior tem de ser uma constante. A exigência com os comportamentos defensivos deve subir. As escolhas para o onze devem reflectir a ideia do treinador, e não as expectativas exteriores/interiores à equipa. Quando há falta de qualidade, onde andam Nuno Reis, Iuri, Chaby, e Gauld? Onde anda Esgaio?

O que se passa Klopp?! Estarão os jogadores fartos da tua liderança? É que tens muito mais qualidade que no ano passado, e é precisamente desde aí que o rendimento caiu a pique. Terá a chegada de Guardiola prejudicado o crédito que os jogadores dão ao fabuloso Klopp? Não será hora de equacionares uma mudança? São demasiados azares juntos para ser só azar. E de um treinador com tanta qualidade como tu, nas ideias e na operacionalização, o factor só pode ser mental. Talvez o desgaste natural das lideranças que duram. De qualquer forma, melhor sorte para 2015.

Guardiola. Já não sobram muitas palavras para descrever o melhor treinador da história. Depois de ter traído os seus princípios, como fomos dizendo na temporada passada, convenceu-se de que nunca mais se devia desviar do seu caminho. A elasticidade táctica da sua equipa é assustadora, para quem apenas está há um ano e meio com uma equipa. Tudo isto, com futebol de qualidade divina, tendo em conta as individualidades que tem. Hoje não treina os melhores do mundo mas consegue jogar o melhor futebol do mundo. Como é que o Bayern joga mesmo? 4x3x3, 4x4x2, 4x2x3x1, 3x5x2? 3x4x3? E o Neuer conta como GR, ou como elemento da linha defensiva? Qual é o segredo para a ressurreição do professor Alonso? Será o campeonato alemão assim tão fraco, que justifique a diferença pontual para todos os outros? Já não há dúvidas, na regularidade e na qualidade do processo és ímpar. Não há sequer comparação possível no futebol mundial. Mas cuidado com a lesões, mister!

Quando chegou ao Milan, Allegri disse a Pirlo que estava muito velho para jogar na posição 6. Factor que levou a saída do Maestro de San Siro. E agora na Juventus, 50 anos depois, em que posição joga Pirlo? Basta olhar para a diferença entre a Juventus deste ano, e do ano passado, ao nível do modelo de jogo, para perceber que quem escolheu esse treinador percebe muito pouco do jogo.

Rodgers. Um treinador que muito admiro pelas ideias, mas só pelas ideias de qualidade. Quando um treinador deixa o melhor jogador mais de meia época no banco - Markovic - não pode estar muito bem da cabeça. Quando um treinador opta por reforçar uma zona do terreno onde tem qualidade por excesso, e dá uma nota por um lateral que "só corre", não pode estar muito bem do juízo. Rodgers teve uma performance fantástica na época anterior, e não percebeu que para ser campeão só tinha que evoluir onde falhou mais: nas oportunidades concedidas ao adversário. Quanto é que custou Balotelli? Para quê? Será pedir muito, juntar Lallana, a Coutinho, Sturridge, Sterling e Markovic?

Wenger, A idade não perdoa. Quanto mais velho, mais casmurro. Futebol ofensivo ímpar nas ilhas britânicas. Predilecção pelos jogadores criativos e de grande qualidade técnica. Organização defensiva que já não se usa nem na Suiça. E o que dizer das lesões constantes? Dizia ele que quando chegou a Inglaterra formulou a sua ciência de treino, modelo de jogo, e liderança, e a aplicou com sucesso. Será que foi reciclando essa mesma ciência ao longo do tempo? Do ponto de vista ofensivo parece-me clara a evolução, mas e no resto? Sem evolução defensiva, e tendo em conta as características dos seus jogadores, nunca vai  conseguir ser regular o suficiente para ser campeão em Inglaterra.

Mourinho. Como se dizia, e o próprio admite hoje, faltava criatividade à equipa. Faltava qualidade individual, um médio de grande qualidade para acompanhar Matic, que permitisse à equipa dar o salto necessário para jogar como um grande. Hoje, Mourinho diz que sempre quis que a equipa evoluísse nesse sentido. De se sentir confortável em assumir o jogo, jogar em transições, continuando a defender bem. Diz que o deixa feliz a equipa jogar o futebol de Fabregas, de Óscar de Hazard, de Willian, e eu acrescento de Matic e Filipe Luís. Diz que Diego Costa não é o jogador que os colegas pedem, que tem mais dificuldades, mas que se está a adaptar. Diz também que a equipa passou para um estágio onde encontrou a estabilidade. E como gosta Mourinho de estabilidade. É essa obsessão pela estabilidade, que matou os melhores princípios e a dinâmica que a equipa estava a criar no início da época, que eram da propriedade dos jogadores. Os melhores princípios são os que os jogadores criam entre si. Aquelas trocas de posição constantes, o triângulo de meio campo a adoptar várias formas, com Óscar a pegar como 6, tendo Matic e Fabregas mais na frente. Jogadores diferentes em vértices diferentes. A ocupação do espaço entre sectores do adversário, os apoios que Hazard tanto gosta. Penso que a viragem poderá ter sido o jogo com o Everton, onde sofreu 3 golos. Não obstante de ter marcado 6, Mourinho olhou para aquilo como um sinal de que a equipa estava a regredir defensivamente, quando foi só consequência da falta de hábito de defender com poucos. Mourinho, desde aí, raramente coloca Fabregas a receber à frente da linha de Matic, raramente o coloca dentro do bloco (deixa isso exclusivamente para Óscar, e algumas vezes para os extremos), por forma a prevenir a transição defensiva. E com isso, não só matou o rendimento de Fabregas com tudo de diferente que ele podia dar à equipa, como estragou a tal dinâmica das trocas posicionais e fluidez de jogo que aquele meio campo pode dar. Hoje, são de facto melhores do ponto de vista ofensivo, por jogarem com individualidades melhores. Mas podem e devem, jogar muito mais. Se não for campeão este ano, perdendo outro campeonato para o Pellegrini, quero ver se os adeptos de Mourinho vão culpar de novo o Fernando Torres. Continua a ser uma equipa para ganhar a Champions, e não para ser tão bem sucedida na regularidade como se podia prever.

Roberto Martinez. Trinta milhões de euros por Lukaku, a sério? Não tenho pena nenhuma da classificação actual.

Van Gaal. Admitiu que o sistema, e modelo, que levou a Holanda as meias finais do mundial não era o mais adequado. Admitiu com isso aquilo que já se dizia por aqui: em provas curtas é tudo mais fácil, e aí a sorte tem um papel fundamental. Mudou, e bem. A qualidade de jogo ainda não está onde pode, com aquelas individualidades. Dispensou Nani e Kagawa, por Young e Valência. Deu o mundo por Di Maria e hoje chora. Achou que com Falcão era só despejar bolas na área que ele trataria de fazer o resto. Demasiadas incongruências para quem no passado fez do bom tratamento da bola, do bom futebol a sua imagem de marca.

Já ninguém fala de Simeone, o que se passa?

Ancelotti foi campeão europeu, a jogar um futebol rico pelas individualidades que tem. Gosta de bom futebol, é certo, e tem o grande mérito de não ter vergonha de colocar, seja qual for o jogo, os seus melhores onze jogadores em campo. Pena que não consiga colocar a equipa a defender melhor, e a dominar com qualidade qualquer adversário, sabendo-se da força das individualidades que tem ao seu dispor. Colectivamente, o Real Madrid não é de topo nos momentos de organização. E é por isso que Ancelotti passou por tantas equipas de top e conseguiu tão poucos campeonatos. Na regularidade não é o melhor.

Bielsa. Continua a encantar o mundo com ideias. Ideias de qualidade. E mostra que continua a ser possível não ter grande qualidade individual, ou ter menos que o adversário, e ainda assim ganhar. Dizem que perdeu com o Mónaco de Jardim e que por isso mais uma vez mostra dificuldades defensivas. Eu digo que se tem marcado metade das oportunidades de golo que criou, dentro da área, tinha dado 5. É assim que avalio o treinador. Pelas oportunidades que cria, e pelas oportunidades que não concede. O Paris vai ter mais dificuldade em ser campeão este ano, porque vai ser obrigado a ser mais regular que no passado.

André Villas-Boas. Tanta, tanta, tanta, tanta, qualidade no Chelsea, tanto dinheiro nos Spurs, tanta qualidade no Zenith, futebol zero. Não é o super treinador que, depois do Porto, pensei que fosse. Mas é o super falador carismático que conquista pelo que diz. Assim é o povo, segue as palavras, não percebe as ideias. Ou a falta delas. Melhor plantel do grupo da Champions, terceiro classificado do grupo, com um, e um só jogo a convencer pelo qualidade. Isso sim é um fracasso redondo. 

Paco Jemez, Fernando Valente. É difícil este futebol onde nunca se dá valor a quem verdadeiramente faz alguma coisa pelo futebol. Onde tem mérito quem não cria uma oportunidade e marca um golo, ganha um jogo, e não tem mérito quem cria 10 e não marca acabando por perder. Onde é suicídio jogar nos olhos dos tubarões e levar 5, e é inteligente jogar nos últimos trinta metros contra os tubarões e levar 5. Mas a luta pelo futebol de qualidade continua. E estamos por aqui para realçar cada feito, cada vitória que merece ser vitória, cada derrota que merece ser vitória.

Um bom ano a todos, e que 2015 traga um melhor futebol. Um abraço especial ao Honoris, que tem desenvolvido um trabalho fantástico, aqui!

terça-feira, dezembro 30, 2014

Domingos Paciência no Dragão






O que vale é que na liga toda a gente diz que joga zona, e que referências individuais estão ultrapassadas. 

Alguém se lembra do grande jogo que Montero fez contra o Setúbal? Pois passo a explicar. Os laterais do Sporting não subiam, ficando os extremos do Setúbal agarrados as referências individuais. Com isso, Montero deslocava-se para o corredor lateral, sempre com tempo e espaço para criar um 2x1 para o lateral do Setúbal. E aí, quando Montero já tinha a bola, é que o lateral do Sporting começava a subir, para aumentar ainda mais a superioridade, deixando o extremo (incapaz de parar o movimento repentino e sem bola do lateral) para trás tempo suficiente para também ele receber no último terço com espaço para definir com qualidade. Espantem-se os mais cépticos da destreza táctica de Domingos. Ao fim de 30 minutos, e sucessivos ataques perigosos, e lances de golo do Sporting, tira um médio "de características mais ofensivas" para colocar um "de características mais defensivas". Corrigir o posicionamento dos extremos, para nunca haver superioridade ou igualdade no corredor é que não.

Obrigado André pelas imagens.

Qualidade defensiva de Simeone

Aqui pode ler-se, Fantástico a estimular a agressividade nos seus jogadores sobre a bola, mesmo num meinho. Pobre na forma como não lança um feedback de qualidade, relativamente ao posicionamento dos seus jogadores. Por aí se percebe muito da equipa de Simeone. Agressividade como eu queria ter nas minhas equipas, sem grande qualidade táctica. Quando são duas coisas que deveriam andar de mãos dadas.

No golo que o Chelsea sofreu contra o Southampton, Filipe Luis mostra o que aprendeu do ponto de vista defensivo com Simeone. Bola do Lado contrário, e...

Defender com linhas baixas, com muitos atrás da linha da bola, em pouco espaço, pouco tem o que trabalhar. Os jogadores estão tão perto uns dos outros que se torna difícil que os erros se notem. E mesmo nessa altura, em que o Atlético teve muito sucesso, se disse por aqui que a qualidade defensiva não era assim tanta. Muitos jogos de pares, muita agressividade, pouca qualidade de posicionamento. O resultado está aí, com um dos indiscutíveis da linha defensiva de Simeone nos últimos anos.

segunda-feira, dezembro 29, 2014

Rui Vitória, treinador para um grande?

"Mas não podemos falhar tanto. Entrámos a perder, reagimos bem, e na segunda parte tivemos o domínio absoluto do jogo: só na segunda parte fizemos 30 cruzamentos. Ainda tivemos 17 cantos e um número elevado de bolas a circular na área do Sporting. Por isso, tínhamos de fazer golos."
Rui Vitória no final do jogo com o Sporting

Por aquilo que conheço das ideias, do modelo de jogo, da forma de trabalhar a equipa, não. É um bom treinador para uma equipa que não tenha como objectivo assumir o jogo. Para uma equipa sem qualidade superior aos demais, porque do ponto de vista ofensivo as suas ideias são rudimentares. Hoje, contra um Sporting fraquíssimo do ponto de vista individual não conseguiu ter qualidade nos processos, ainda que superior do ponto de vista individual. Despejar a bola na área foi o único caminho que encontrou para entrar na área leonina. É um bom treinador para a liga, exceptuando para qualquer equipa que queira ser grande.

Um contra um

Penso numa lista dos meus jogadores favoritos. Aqueles que mais me agradam. Aqueles por quem dava tudo para ter numa equipa. E a diferença que encontro entre os jogadores que escolho e outros fantásticos que ficam de fora dessa lista é capacidade para ir embora, sozinhos. Resolver individualmente, desequilibrando o adversário, e encontrar espaços depois de quebrar a primeira, segunda, terceira, contenção. Creio ser essa a diferença entre os grandes e os inesquecíveis. Aquele drible que me deixa hipnotizado e com vontade de repetir vezes infinitas no youtube. No fundo, é a diferença entre Iniesta e Xavi.

sexta-feira, dezembro 26, 2014

O que seguirá?

Confirmando-se a mais que provável saída de Marco Silva do Sporting, estará dado o golpe de misericórdia ao jovem treinador, que desde cedo, foi vendo o seu trabalho boicotado internamente. É certo que Marco Silva não está isento de culpas, sobretudo pelas opções que tomou na formação dos seus onzes. Foram várias as opções que são mais que controversas, nomeadamente apostar em jogadores que erram de forma sistemática, em detrimento de outros que aparecem, não erram tanto, e não chamam por isso a si os olhos do treinador. Quanto ao resto, o trabalho e as melhorias são evidentes. O Sporting evoluía por onde tinha de evoluir: jogar como uma equipa grande. Assumir os jogos em organização ofensiva, ser dominante, ter qualidade nesse momento de jogo, que é o momento que os Leões mais jogam na maior parte dos jogos, por enfrentarem na maior parte do tempo adversários de pior valia individual.

A expectativa desmedida que se colocou a um plantel que não tem grande qualidade. Comparando-os com os principais adversários, é digno dos malucos do riso pensar-se que se podia competir ao mesmo nível, assumindo uma candidatura ao título. Não é que o Sporting não deva lutar pelo título, ou assumir essa postura internamente. Mas pressionar jogadores que na sua maioria jogaram a Champions pela primeira vez acaba por revelar-se em ansiedade, medo de errar, falta de confiança gritante quando um ou dois lances não correm bem, nervosismo, etc... O Sporting sim tinha a obrigação de ser ambicioso e tentar ser campeão e de continuar o crescimento de volta à grandeza que o caracteriza, mas tudo feito na devida medida. Na medida em que só era assumido lá para dentro, e nunca, nunca, passado para fora. Pelo menos, não antes da fase final do campeonato.

Os comunicados a criticar a equipa. Mais uma vez se volta ao mesmo. Se era necessário passar uma mensagem à equipa, aos jogadores, aos treinadores, porque não o fazer internamente? A crítica para o adepto ver fragiliza todo o trabalho que possa estar a ser desenvolvido. Pressiona tudo e todos de forma incomensurável. Deixa exposto quem precisa de protecção num mau momento. O Sporting não soube proteger a sua equipa, para deixar os adeptos mais felizes no curto prazo. Não criou as melhores condições para que quem dá a cara, todos os dias, pelo clube ter sucesso. Ou pelo menos, ter a tranquilidade que caracteriza as equipas de sucesso.

A Liga Dos Campeões. Desde o início se disse que o foco do Sporting nunca deveria passar pelas provas europeias. O Sporting deve tratar primeiro de consolidar-se ao nível interno. Competir com o Porto e o Benfica na regularidade, Ganhar todos os jogos aos adversários inferiores. Esse é o objectivo do Sporting. Muito criticada foi a gestão europeia de Jesus, que a fez em nome de competir com tudo no campeonato, então e a do Sporting? Tentou chegar à todo lado, e hoje parece apenas ter chegado para um - Taça de Portugal - quando o foco deveria ter sido sempre o campeonato.

Marco Silva tem qualidade. É bom treinador. E foi uma escolha acertada, depois da aposta também acertada em Leonardo Jardim, para começar a recuperação de um Sporting que quer voltar a ser grande. O problema é que não se percebeu que com Jardim a classificação dizia muito pouco do que jogava o Sporting, e hoje acha-se que se pode voltar a competir ao mesmo nível pontual, em todas as provas, com um plantel não muito melhor que no passado.

Veremos, ao confirmar-se a saída, o que se seguirá, que modelo de treinador será escolhido.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Organização ofensiva de qualidade na... Tailândia!



Este vídeo é de um jogo de uma realidade competitiva relativamente baixa, com jogadores que provavelmente não têm qualidade individual top.

Mas não deixa de ser interessante observar várias coisas:
a proximidade dos jogadores ao portador da bola,
a oferta de várias linhas de passe SIMPLES ao portador da bola,
a dinâmica dos jogadores sem bola, em movimentos de ruptura mas principalmente de aproximação,
a procura do espaço entre linhas defensivas, por parte dos homens sem bola,
a procura, por parte de quem tem a bola, de jogar no apoio frontal,
a aceleração imediata após o jogador com bola estar enquadrado com o jogo
a procura do corredor central

Não vi o jogo, nem conheço nada da selecção da Tailândia. Mas se isto não for um lance casual, muito mérito para o seu treinador.

fica aqui o link:
https://www.youtube.com/watch?v=mWOmd-ChB3g


quarta-feira, dezembro 17, 2014

Bolas paradas. Zona. Pormenor.

No final do jogo do Sporting na Alemanha (há dois meses atrás) escrevi em jeito de provocação aos meus amigos sportinguistas, que apesar de ter sido prejudicado pela arbitragem, o Sporting não tinha sido competente no jogo. Falhou individualmente, e colectivamente. Tendo focado os erros colectivos no posicionamento da linha defensiva, e nas constantes más abordagens nas bolas paradas. Não só pelos golos sofridos dessa forma, mas pela quantidade absurda de vezes que o adversário ganha a bola na área do Sporting em lances de bola parada. Hoje, uma equipa amadora - Vizela - conseguiu mais uma vez perpetuar a ideia da incompetência da zona defensiva do Sporting nas bolas paradas. E não, nada tem a ver com a média de alturas dos elementos que a formam, mas sim da forma como são regularmente batidos por erros que se percebem no pormenor. Má colocação dos apoios, movimentação antes da bola sair, fraca adaptação quando o lance sobra para um novo cruzamento, não atacar a bola por ela ter caído um metro ao lado ou um metro à frente. Cabe ao treinador perceber esses problemas e muitos mais que no pormenor só ele conhece, e corrigir.

No final, o pormenor fará sempre a diferença entre os bons e os grandes.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Marco Silva e o foco

"Foi um jogo muito mau. Com o passar dos minutos, a equipa foi ficando intranquila e, mais uma vez, cometemos um erro. Foi uma má exibição. Não sei se foi a pior mas está perto disso"
Não é a primeira vez que isto acontece após a Champions. Temos de analisar. A nossa vida não são só jogos como esses mas sim o campeonato, que é a nossa prioridade"

Bem vindo ao maior problemas das grandes equipas, mister. Em tempos Jesus dizia que nos fóruns da UEFA é a questão que todos os treinadores debatem, sem nenhuma resposta concreta. Todos os grandes parecem sentir a mesma dificuldade depois dos jogos da Champions. Como focar os jogadores numa competição menor, contra um clube sem grande de expressão? Porquê da incapacidade para manter a concentração, mesmo em clubes com estímulos competitivos bastante superiores à liga portuguesa?

domingo, dezembro 14, 2014

O clássico

Em directo, aqui. Antes e durante a partida estaremos por aqui a seguir o jogo com quem nos quiser acompanhar. O Pós-jogo no local do costume Lateral Esquerdo.

Caixa de comentários aberta, para conseguirmos interagir de forma fácil. Apenas para utilizadores registados.

Até já!

sábado, dezembro 13, 2014

Fala, LvG!


"Ao contrário da filosofia e das pessoas, as condições dos centros de treino não são assim tão importantes. Importante é saber como trabalhar com os talentos." Louis van Gaal

Haverá muito mais a acrescentar? De nada serve ter campos grandes, relvados bonitos, ginásios, máquinas simuladoras, se não se potenciar essas mesmas condições ao máximo. O segredo da formação está em dar aos jogadores ferramentas cognitivias, técnicas, físicas para que joguem futebol. E o segredo dos treinadores está em saber aproximar o treino o mais possível do contexto do jogo e do modelo que idealizam.


sexta-feira, dezembro 12, 2014

Luis Suarez parte II - Na catalunha.

Nos pés de Suarez a bola queima e por isso não joga, nem jogará nunca, na mesma liga dos melhores jogadores do mundo. Porque nos atributos que mais interessam no futebol moderno (Técnica e tomada de decisão, segundo Klopp) é um jogador banalíssimo.

Torna-se ainda mais evidente e gritante a diferença, quando se encontra no mesmo ambiente de jogadores de grande recorte técnico. A qualidade da recepção de Suarez é pouco mais que ridícula.
 É nos espaços curtos, no pormenor, que se torna pouco provável que consiga produzir um gesto técnico de grande qualidade, remate à parte. Percebem-se cada vez mais, e melhor, as dificuldades técnicas - que muito influenciam na sofrível tomada de decisão - de Suarez.


Contra o PSG foi assim (1ªparte)... Entre recepções e passes falhados, e a falta de qualidade que não se torna evidente quando tem tempo e espaço, sobretudo espaço.

quarta-feira, dezembro 10, 2014

A agressividade de Adrien Silva

No futebol, continua-se a dar demasiada importância e a sobrevalorizar quem corre muito, quem está constantemente em guerras com o adversário, quem está constantemente a fazer cortes de recurso. e é assim que se define um jogador agressivo. Não se pensa que os cortes de recurso surgem maioritariamente por maus posicionamentos, não se pensa que mais importante do que correr muito é correr bem. Para mim, agressividade ou intensidade é a capacidade que um jogador tem para estar bem posicionado de forma sistemática. No sítio certo, na hora certa. E por esta definição, Adrien é tudo menos agressivo. É tudo menos intenso.

Aqui, pode ver-se o segundo golo do Chelsea, onde o comportamento colectivo da linha média do Sporting não é na minha opinião o mais adequado. E ainda que o fosse do ponto de vista estratégico, a estratégia acaba quando o nosso colega mais próximo de sector sai na bola. E aí, é imperativo que exista cobertura. E sendo no corredor central, é imperial defender o espaço à frente dos centrais. Veja-se o comportamento defensivo, a intensidade e agressividade de Adrien.


Não foi obviamente por culpa de Adrien que o Sporting foi eliminado. Nem tão pouco por este jogo contra o melhor plantel da Premier League. Os jogos na Eslovénia e na Alemanha foram os que ditaram a eliminação dos leões. Ainda assim, fica uma prova muito positiva do Sporting, bem acima das expectativas iniciais.

Regresso ao passado de Cristiano Ronaldo

Há uns tempos atrás falava com um dos meus jogadores sobre o Cristiano Ronaldo. Estávamos a conversar sobre as suas qualidades e a determinado ponto falei-lhe sobre o perfil de jogador que era o Cristiano nos seus primeiros anos de Manchester.

Na altura comentei com o meu jogador que há algo que não posso deixar de sentir quando penso nesse Ronaldo... Que seria dele se em vez de apostar na musculatura, na explosão, na finalização (que fazem dele 1 dos 2 melhores do mundo) tivesse apostado em trabalhar a sua agilidade, a sua capacidade de execução em espaços curtos e procurasse envolver mais os seus colegas de equipa?

O Cristiano de hoje em dia, a solicitar bola no espaço, muita corrida sem bola perto do pé, muita procura do remate à baliza tem pouco em comum com o do Sporting, mas também com o de parte do seu tempo em Manchester.

Não quero especular sobre qual seria melhor, nem quero tão pouco avaliar o perfil das decisões do actual Cristiano, do possível Cristiano ou do antigo Cristiano.

Só tenho aquela curiosidade em saber no que daria, que acho que é comum a quem se lembra do CR7 com 17/18/21 anos a driblar jogadores como se fossem pinos, com a bola colada ao pé.

Deixo aqui um video, de um jogo escolhido ao acaso, de 2006. Comparem as acções que tomava antes com as de agora! Não parece o mesmo jogador certamente...


Eloquência do discurso

André Villas-Boas, com a melhor equipa do grupo ao nível da qualidade individual, com pelo menos mais dois meses de trabalho que os seus adversários, não consegue no jogo de despedida da prova de clubes mais difícil do mundo criar uma situação de superioridade numérica em zonas de finalização. Ou pelo menos, uma situação de igualdade com a bola controlada, onde quem ataca tem grande vantagem. O melhor foi um passe atrasado num lance da primeira parte, num 3x3, sem que a bola esteja controlada (para quem recebe dentro da área). Poderia até ter sido eliminado desta prova, como foi, mas tinha obrigação de mostrar um futebol muito mais positivo do que aquele que mostrou. Criar mais oportunidades de golo que o adversário, conceder menos do que as que criou. Muito pobre é esta equipa do outrora (por nós) admirado treinador português. É uma equipa organizada e com condições fantásticas (tempo, recursos) para jogar um futebol de qualidade, mas que não mostra nem nas provas internas um jogo colectivo ao nível das condições de trabalho que tem. E é isto, e isto só, que nos faz admirar mais ou menos o trabalho dos treinadores: as ideias dentro de campo. Não tem nada a ver com derrotas ou vitórias, com títulos, ou sequer com a clareza do discurso e a eloquência da comunicação.

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