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sábado, agosto 02, 2014

Respeito pela individualidade

A formação em Portugal tem muitos problemas. O maior, dizem, é a passagem dos jogadores aos seniores. Não é que discorde do grau de dificuldade que essa passagem tem, mas discordo que esteja aí, ou nisso, o maior motivo para o não aproveitamento dos jovens. Acho que isso é um problema dentro de um problema maior: falta de respeito pela individualidade.

Olha-se para outros países do futebol mundial e encontra-se na sua esmagadora maioria, na divisão superior, vários jogadores U19 (16,17,18) como titulares das respectivas equipas. Olha-se para Portugal e é difícil ver num onze inicial um jogador U21. A que se deve este fenómeno? Para mim, é algo que está relacionado com os estereótipos. Por cá, os jogadores da mesma idade são todos iguais. Ainda que alguns apresentem traços evolutivos diferentes, que demonstrem uma maior maturidade que os colegas da mesma idade, têm o mesmo tratamento por parte de quem os forma.
Mas não é assim que se faz. Cada caso é um caso. E há jogadores que revelam muito mais futebol do que aquilo que a sua idade podia fazer prever.

O que fazer? Aumentar o grau de dificuldade. Mudar o contexto. Subir de escalão. O facto de um iniciado fazer 60 golos no campeonato onde está, é revelador de que aquele não é o contexto certo para que ele continue a evoluir. Poderão os treinadores, dirigentes, pais, ficar muito satisfeitos pela época que fez, mas na verdade prejudicaram mais por o ter deixado continuar naquele contexto, do que em aumentar o estímulo de dificuldade para ele. Ali ele já não tinha nada a aprender. Era demasiado fácil. E está mais que provado que é na dificuldade que se evolui. E este tipo de comportamento  (deixar os jogadores terem doses exageradas de sucesso num determinado contexto competitivo) é mais regular do que se calhar alguns poderão pensar. É aliás "regra" nos escalões de formação.

Tudo isto para relembrar aos dirigentes dos principais clubes, que têm nas Equipas B miúdos que não estão lá a aprender nada. São já jogadores para estarem na primeira divisão. E se não há espaço para que eles possam evoluir no plantel principal do clube, que arranjem empréstimos dentro do escalão principal para beneficiar os miúdos. E para que no futuro sejam eles a beneficiar o clube.
Que se analise cada caso, e que se coloque cada jogador no contexto competitivo que mais lhe garanta a aprendizagem/evolução, e não naquele que tem estampado no ano de nascença, nem naquele que lhe garanta índices absurdos de sucesso nas suas acções.

É preciso que em Portugal se olhe de forma tão séria para formação como se olha para o alto rendimento.

27 comentários:

pancas disse...

Baggio,

Como se deve balancar o contexto que expoes neste texto em termos de dificuldade/competicao (ex: 2a divisao vs 1a divisao) contra o contexto de estar numa equipa que usa um modelo de jogo similar a equipa principal e que joga para ganhar vs uma equipa que joga constantemente com 10 atras da linha da bola?

Posso nao me ter explicado muito bem - para dar um exemplo:
Para alguem como um Podstawski ou Goncalo Paciencia, nao sera melhor jogar no Porto B que vai encarar todos os jogos para ganhar com um modelo de jogo decente (mesmo na 2a divisao) do que ir emprestado para um Penafiel/Arouca onde a bola so passa do meio campo 3 vezes por jogo e nao passa de um modelo de "chuta para a frente e corre"?

Roberto Baggio disse...

Ha o rio ave, o Estoril, o Guimarães, o marítimo, o nacional. ...

Pedro Ferreira disse...

Baggio mas se equipas dessas com padrinhos aka jorge Mendes como consegues colocar jogadores desses? Um paciência, podstawski, esgaio, drame, iuri, etc etc etc nao entram no perfil de jogador a contratar por parte das equipas q ainda tentam jogar bom futebol. .

Miguel Borges disse...

Por acaso nunca percebi o porquê de no futebol haverem tão poucos jogadores na formação a jogarem no escalão acima. Sou treinador de andebol e na minha modalidade é prática comum o que falei anteriormente. Se um jogador é muito bom no seu escalão tem de ir ao escalão acima nem que para isso faça 2 jogos por fim-de-semana. Há muitos jogadores que não fazem um jogo pelo escalão da idade deles porque já não iam lá fazer nada e é assim que a formação deve ser encarada. Aumentar o nível de dificuldade para os atletas melhores e provocar estimulos para desenvolvimento do jogador. O problema é que os coordenadores das formações não fazem bem o seu trabalho e querem ganhar titulos. Depois no topo da pirâmide há um problema com os empréstimos. Os clubes grandes pagam mais do que devem às promessas e depois têm dificuldades em colocá-las pois os clubes pequenos preferem os jogadores baratos sul-americanos as já caras promessas portuguesas.

Gonçalo Matos disse...

No seguimento disto, acho incrível como ninguem no ano passado nao pos putos a rodar no Estoril. João Mário e Bernardo Silva tinham evoluído pra Caracas, por exemplo, jogando num modelo complexo com estímulos de 1a divisao.

Anónimo disse...

Gonçalo, o Estoril não é muito receptivo a empréstimos de jogadores dos 3 grandes. Aceitaram o empréstimo do Tozé porque ficaram com 35% do passe.

C.N. disse...

Se por um lado o que vocês dizem faz sentido, imaginem o que não se diria por aí se se houvessem ainda mais jogadores a rodar por outras equipas.

Não duvido que eu muitos casos haveria profissionalidade, mas existem aparências a manter.

Uma solução melhor não será tentar o emprestimo numa liga estrangeira que tenha um contexto competitivo mais ou menos do mesmo nível ou melhor que o da 1ª liga portuguesa ? Estilo liga alemã ou francesa.

Anónimo disse...

Rio ave tinha os meninos do Jorge Mendes, n se ia emprestar para la jogadores para depois n jogarem.
Marítimo raramente quer jogadores por empréstimo.
Estoril tem acordo com uma empresa de investidoresque lhes da jogadores para valorizar. O toze foi para la em condições MT especiais.
Nacional n aceita empréstimos sem opção de compra.
Guimarães aceita empréstimos pq financeiramente esta um caco. O problema é o treinador que tem filosofia de chutao para a frente.

Anónimo disse...

Fuck you all

Dias disse...

Apesar de haver exemplos que confirmam a ideia expressa neste post - o mais recente e com maior destaque será o de J. Mário no Setúbal a época passada - parte-se de um pressuposto não necessariamente verdadeiro de que as outras equipas estão dispostas a receber esses jogadores por empréstimo ou que os grandes não tentaram emprestar esses jogadores a essas equipa. Por outro lado, não é garantido também que não sejam os próprios jogadores a recusar ser emprestados...

PP disse...

Um jogador da formação não permite negociata... não permite transferência de verbas para off-shores, no qual depois perde-se o rasto de quem recebe cada parcela... não permite lavagens de dinheiro... não permite comissões... não permite luvas... não permite fuga aos impostos...

Quando é que vocês por aqui começam a perceber que o futebol profissional tem muito de bastidores?!

Comecem a incutir estes parâmetros nas vossas análises e talvez consigam obter respostas mais realistas.

Leão de Alvalade disse...

Baggio,

2 problemas com os empréstimos dos grandes aos pequenos:

1- a desconfiança latente no futebol português, que está cheio de casos de lesões súbitas de jogadores quando se aproximam os jogos com os seus clubes de origem para rapidamente se "curarem" no jogo seguinte.

2- Os clubes grandes quererem quase tudo sem dar nada em troca. O empréstimo pode valorizar o jogador e quem ganha é clube que detém o passe. O clube que o recebe ajuda-o a promover sem grandes ganhos, tendo muitas vezes que suportar os ordenados em parte ou na totalidade. Naturalmente que preferem arriscar num brasileiro ou outro que se valorize e permita receber alguma coisa pelo seu passe e que ainda por cima cobram menos ao mês.

Isto é uma pescadinha de rabo na boca porque os pequenos serão sempre pequenos e os grandes idem. Desta forma, soluções já usadas em Espanha, como vendas com cláusulas de recompra, não são possíveis para a maioria dos clubes pequenos, talvez com excepção do Braga, eventualmente o Nacional ou Maritimo (com mts dúvidas sobre estes).

Roberto Baggio disse...

Pedro Ferreira, há muitas equipas no mundo, nas primeiras divisões de escalões europeus disponíveis para isso.
E mesmo em Portugal há equipas que querem jogar que aceitam empréstimos. O Guimarães é só um caso. Mas há mais.

Leão, entendo o que dizes muito bem. Sei como isso funciona. Mas, para mim, a culpa é mais dos grandes (a quem mais interessa fazer evoluir o jogador) que dos pequenos. Era meter os miúdos a jogarem lá, pagar os salários deles, mediante uma utilização de pelo menos 25 jogos como titular. Isto, claro, para aqueles que podem já dar o salto (2/3 em cada equipa B). Não era um custo tão grande para Sporting, Porto, e Benfica....

Mas entendo muito bem o contexto português, a mentalidade, e os problemas que isso acarreta.


O PP voltou hein. Ena, e vens exigente pá. Mais alguma coisa que queres que inclua para conseguir respostas? É que se calhar eu não procuro respostas, já pensaste nisso?

Mike Portugal disse...

Baggio,

"Era meter os miúdos a jogarem lá, pagar os salários deles, mediante uma utilização de pelo menos 25 jogos como titular"

Isto é uma boa ideia. Até se pode alargar isto e por cada jogo a titular o clube que emprestou pode ir aumentado em 5% a percentagem de ordenado que paga no mês seguinte.

A.Nesta disse...

Belo exemplo desta temática, o caso de João Teixeira claramente o melhor jogador para o papel de 8 no sistema de JJ no Benfica, isto claro a confirmar-se a saida do Enzo Perez e claro não existindo reforços.

O miudo percebe como ninguem os terrenos que pisa, o mesmo diria do Andre Almeida um enquanto 8 e outro enquanto 6 (respectivamente) deveriam ser os donos do lugar.

Isto para dizer que o miudo João Teixeira tem uma oportunidade para demonstrar as suas qualidades, assim o faz ... e agora que se pensa fazer? recambiar novamente para a equipa B?? não faz qualquer sentido, o emprestimo a outra equipa da 1 divisão, eu defenderia esta ultima solução se não tivessemos confirmado que é o melhor interprete actual para a posição de 8, não interessa se tem 18/19/20 anos tem qualidade deve jogar ponto final.

Anónimo disse...

E porque é que nesses empréstimos não oferecem uma percentagem de uma futura venda ao cllube que recebe o atleta. Assim ajudam na sua valorização e caso seja vendido recebem uma compensação financeira por isso.

André

Roberto Baggio disse...

André é uma ideia.... boa...

DC disse...

Não sei se concordo totalmente com isto. Porque no ano passado acho que o Tozé evoluiu bastante por ser ele a "carregar" a equipa. E não sei se sendo um mero suplente num Braga ou Guimarães evoluiria assim.

O Gonçalo, não tenho a mínima dúvida que é melhor que 90% dos avançados em Portugal e podia ser titular em qualquer equipa. Mas caso apanhasse um treinador idiota e passasse a época no banco evoluiria como vai evoluir a ser o craque, a ser o jogador que a equipa procura quando está "aflita", do Porto B?

Roberto Baggio disse...

Não leste tudo DC... Ou não leste bem.
Ser suplentes (ou seja, "E se não há espaço para que eles possam evoluir no plantel principal do clube, que arranjem empréstimos dentro do escalão principal para beneficiar os miúdos.") é exactamente o que não se quer.

DC disse...

Sim, de acordo. O meu ponto de vista é que a equipa B garante essa titularidade ao contrário das equipas da 1a divisão. Em Portugal como referiste, há o tal estereótipo e quando as coisas começam a correr mal às equipas, normalmente os primeiros sacrificados a cair do 11 são os putos.
Lembro-me dos empréstimos do Vieirinha, Paulo Machado ou Hélder Barbosa que correram bastante mal. E eram jogadores que sempre pensei que podiam vir a ser titulares no Porto.

Se me garantissem que o Gonçalo seria primeira escolha, claro que o queria ver num Guimarães, Braga, Estoril, etc... Agora a poder arriscar ele passar uma época no banco já não sei.

Roberto Baggio disse...

Há contratos para garantir isso. Mas claro, dessa forma, o clube que recebe se calhar não tinha de pagar os salários desses jogadores. O Porto pagava os salários mediante fazerem pelo menos 25 jogos como titular. Está aí nos comentários. Não é assim tão difícil de manejar....

Baresi disse...

Não me parece que houvessem muitos treinadores que fossem a favor dessa situação dos 25 jogos a titular..

O jogador do plantel que fosse concorrente directo desse "jovem jogador emprestado" iria ficar contente ao saber que o seu companheiro de equipa tinha logo 25 jogos garantidos na época devido a critérios financeiros, quer ele estivesse a jogar bem ou mal.
Só um exemplo, Imagine-se que o Couceiro o ano passado tinha um esquema na equipa que jogava ou com o Tiba ou com o João Mário, e em condições iguais, ele acabava por escolher o segundo devido a um contrato feito com o Sporting.
Embora fosse bom para o JM, o Pedro Tiba passaria a época no banco e não evoluiria tanto como evoluiu, e o encaixe financeiro do Vitória de Setúbal no final da época tinham sido 0€.

Gonçalo Matos disse...

O risco vai ser sempre o de o atleta não jogar, obviamente. Acho que as ideias aqui propostas de pagar parte de salários em troca de jogos a titular é mto interessante. A da percentagem do passe nem tanto porque já trazes prejudicio ao clube fornecedor.

Miguel Rosa, Bernardo Silva, João Mario, Tozé, Gonçalo P., Cancelo são exemplos de gajos que deveriam ter dado um salto competitivo antes do que deram. Acredito que entre liga espanhola e segunda div espanhola, haja clubes interessados neste jogadores. O Depor todos os anos vem ca buscar malta, por exemplo.

PP,
Tinha saudades tuas. Nós temos noção dos jogos de bastidores. Não queremos perder tempo com eles porque não nos interessa pra nada andar prai a especular sobre esse tema. Se tiveres uma fonte de informação segura e regular eu n me importo de a ler.

Roberto Baggio disse...

1- Baresi, quantos jogadores, em quantas equipas nacionais, tu achas que (não) jogam por decreto?

2- Se o jogador treinar mal, não joga. Simples. Mas se o clube aceitou o empréstimo em primeira mão é porque sabe que ele é melhor que os que tem. Tendo sido inclusivamente na altura de assinar o contrato recomendado/aceitado pelo treinador.

3- O Tiba não ia saber de nada.

4- Se um puto desses chega ali e treina mal, tá fodido com o clube que o emprestou, e com o clube que o recebe.

5- Acredito que a vontade dos miúdos se mostrarem é superior a tudo isso, pelo que não vejo a coisa do mau treinar acontecer. Ou melhor, não vejo acontecer numa medida diferente da dos outros todos jogadores do mundo.

6- Entendo as tuas preocupações muito bem, e não é algo que não tenha pensado.

Abc

JON disse...

http://maisfutebol.iol.pt/fc-porto-b-fc-porto/53df9bc40cf222d05d67c00f.html

Isto pode ser excelente solução, digo eu.

Oxalá mais equipas B nacionais participem!

Baresi disse...

O Guimarães esta época aceitou o empréstimo do Tiago Rodrigues, e ele praticamente não jogou...
O "Tiba" poderia não saber de nada, de boca, mas sabes bem que no campo há coisas que se percebem, no seio da equipa vê-se naturalmente quem são os melhores para as posições naturalmente, e o "Tiba" iria perceber isso.. tal como acontecia quando o "afilhado do irmão do presidente" jogava, toda a gente sabia que o miúdo que ficava no banco era 10 vezes melhor que o outro...
As equipas já perceberam que o mercado é global, e agora isto não funciona como antes, onde o objectivo da época era vender um jogador ao Benfica/Porto/Sporting para equilibrar as finanças.

Agora existe o video, scouts, não existem jogadores desconhecidos e isso permite (por exemplo) que um Valencia venha aqui buscar o Vezo por 1.5M€, um valor importantíssimo para uma equipa que tem um orçamento a rondar os 3M€, como quase todas as equipas portuguesas.
E as equipas portuguesas têm a noção disso, e para apostarem numa jovem promessa dos 3/4 grandes, preferem tentar rentabilizar o miúdo da formação que toda a gente pensa que vai dar craque, para tentar fazer o tal encaixe financeiro vindo do céu...
(O negócio Pizzi que envolveu Paços e Braga é um exemplo no mínimo caricato, onde o clube que o fez explodir acabou por receber 0€ de uma das maiores transferências de sempre de um jogador jovem português.)

Se por cá não se aposta no jovem jogador português, eu tomaria uma medida radical:
Juntamente com os seleccionadores nacionais e os coordenadores da formação de todas as equipas profissionais, escolhia os 50 melhores jogadores nacionais que tivessem entre os 17 e os 20 anos e metia-os a jogar na II Liga divididos em duas equipas (zona Norte/Zona Sul).
Jogadores que embora se lhes reconhecesse talento, (juniores, ou seniores de 1º ano) poucos minutos de competição iriam ter por estarem previsivelmente tapados por um "Neca" ou um "Gregory".
Aí garantirias competitividade e minutos a jogadores que embora tivessem talento, não iriam ser apostas regulares nas suas equipas, e iam estagnar durante uma ou duas temporadas..
No mercado de Janeiro os clubes de origem poderiam chamá-los de volta, caso sobressaíssem no inicio da época.
Parece uma ideia um pouco descabida, mas faria com que os nossos miudos das selecções fossem obrigados a "dar o salto", devido ao aumento do estimulo ao qual estariam sujeitos...

Anónimo disse...

Por acaso essa ideia de fazer uma selecção Nacional de miúdos, a jogar na segunda Liga não é assim tão descabida...

Cajó