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segunda-feira, junho 23, 2014

Sobre Espanha

A selecção espanhola caiu porque se esqueceu do que a tornava realmente forte. O futebol espanhol deixou há tempos a fúria de lado, para um futebol mais pausado, e pensado. Mas só deixou de haver fúria quando tinham a bola. A selecção espanhola, dos últimos anos, apresentava um sistema defensivo fenomenal, inspirado pelo Barcelona de Guardiola. As coisas tornavam-se realmente simples, porque o adversário não jogava.

A melhor defesa que eles tinham, era a posse. Ter a bola, em largura e em profundidade. Obrigar o adversários a mover-se para onde queriam, por forma a criar espaços. Obrigar o adversário a correr em várias direcções e sentidos, por forma a desgasta-lo. Obrigar a saídas de elementos da linha defensiva, e linha média, para desorganizar. Gerir o jogo de forma fria, e cruel, por forma a deixar o adversário sem expectativa. Jogavam dentro do bloco adversário, para provocar, sem dar a mínima hipótese de recuperação ao adversário. Ter a bola durante, muito, muito tempo. Tê-la durante largos períodos, permitindo gerir melhor as suas próprias expectativas.
Infelizmente, neste mundial, deixou de existir largura, bem como a profundidade ficou de lado. Deixou de existir posse, como no passado. Deixou de haver massacres como dantes.

A segunda melhor defesa era a reacção à perda de bola. E era aqui que os adversários começavam a ficar frustrados. Depois de 2,3 minutos sem bola, poucos segundos depois, a Espanha já tinha novamente recuperado. A fúria, afinal, sempre esteve presente. Sobretudo neste momento. Pressão imediata assim que perde a bola, recupera, ou dificulta ao máximo a acção do adversário. Se o adversário consegue sair desta fase com qualidade, o trabalho dos que ficam atrás da linha da bola é hercúleo. Sobram poucos, com muito espaço para defender.
Nestes tempos, há muitas pausas e pouca fúria, sem bola. E assim, as debilidades dos espanhóis aparecem com facilidade.

A terceira melhor defesa, era conseguir juntar um grupo de jogadores, maioritariamente vindos de uma equipa, às restantes melhores individualidades do país. E isso, hoje, já não se faz. Escolhem-se jogadores, que não têm qualquer tipo de representatividade, no futebol que a grande maioria daqueles jogadores pede.

8 comentários:

kurt10cobain disse...

pode ser muito redutor - até porque só vi a espaços o jogo de hoje - mas acho que o que correu mal à Espanha foi a "obrigação" do Diego Costa ter que jogar. Hoje, do que vi (e, principalmente em relação ao Villa, já me tinha questionado do porquê de ainda não ter jogado), o jogo da Espanha já se pareceu mais com esse tipo de jogo de que falas devido a ter jogadores na frente com caracteristicas mais adequadas a isso (Villa e Torres - uma espécie de Benzema versão real madrid que "não presta" porque não marca). Também me parece que um meio campo com o Koke-Busquets-Iniesta teria sido mais produtivo. Em relação ao ultimo ponto, e fugindo um bocado ao tema, parece-me que o Prandelli também cometeu o mesmo erro contra a C.Rica ao trocar o Verrati pelo T.Motta e,a meu ver, se explicou grande parte da diferença em relaçao ao 1º jogo (penso até que se a Itália voltar à 1ªforma e com a defesa com o De Siglio (na esquerda) em vez do Abate é candidata ao título - ou, pelo menos, a ser a selecção europeia a chegar mais longe)

Roberto Baggio disse...

Candreva é jogador?!

kurt10cobain disse...

atendendo à época do Cerci no Torino talvez merecesse ser ele titular em vez do Candreva mas aceito que ele jogue por ser o jogador "desiquilibrador" da equipa. claro que no 1º jogo isso funcionou relativamente bem e no 2º extremamente mal...

Gonçalo Matos disse...

Insigne

jorge gaspar disse...

Baggio só te faltou dizer, que depois de passarem uma hora a ver a bola passar, os adversários sentiam que tinham jogado 120 minutos em Manaus.

Daniel Martins disse...

E o engraçado é que a insistência naquele duplo pivot vai contra os três pontos que enunciaste. Retirou largura, retirou capacidade de pressionar mais alto e é fruto da necessidade de o Del Bosque meter no 11 os seus meninos bonitos.

Unknown disse...

Daniel, o problema do Del Bosque não foi o duplo pivot, já que assim ganhou 2010 e 2012. O problema foi a selecção do Xabi Alonso já falecido para combate. Metia o Fabregas e o Koke e estava feito. Ou o Iniesta lá. Depois o Diego Costa ficava no banco para dar outro jogo à equipa, no caso de precisar. Foi um pouco como o PB, casmurro nas decisões.

Daniel Martins disse...

Sim, mas eu não falei nos duplos pivots em geral. Falei "naquele" duplo pivot, que não dá à equipa o que ela precisa. Ganhou assim em 2010 e 2012, mas aí a Espanha tinha rotinas de jogo que hoje não tem. Para não falar no fulgor físico de alguns jogadores, que já não é o mesmo.