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sábado, junho 28, 2014

Ronaldismo: uma ilusão portuguesa

Não me lembro de ter começado a gostar de futebol. As primeiras memórias de mim não são anteriores às primeiras memórias de futebol na minha vida. Tal como as necessidades biológicas mais primárias, o futebol manifesta-se em mim, autoritariamente, desde tempos imemoriais. Faz parte da minha condição; da definição do meu Eu.
Com o passar do tempo, e com o amadurecimento que o avanço da idade provoca inevitavelmente no indivíduo, apercebi-me de que sim, sou, por assim dizer, um ser futebolístico, mas, tal como acontece com todos os outros traços identitários, interpreto o fenómeno através de categorias de percepção condicionadas por ter crescido num determinado contexto e grupo social. É uma interpretação etnocêntrica. Tenho procurado distanciar-me e, num esforço quase científico de observação participante e de reflexão, acabei por desenvolver um par de ideias sobre aquilo que me parece ser uma perene “crise de valores” do futebol português. Um conjunto de ideias que defino como as ilusões do futebol português.
É um assunto com conteúdo, em termos de volume (não sei se de interesse), para uma tese. Dada a necessidade de síntese, cinjo-me a uma: parte de um axioma que determina que o jogador português é, no que concerne à técnica, superior ao biótipo futebolístico dos outros países europeus. Cresci a ouvir isto e a acreditar nisto. É esta ideia que alimenta em nós uma certa sensação de superioridade mística, que nos levará inevitavelmente a conquistas internacionais importantes. Eu chamar-lhe-ia “Ronaldismo” (por exclusão de partes, pois Cristianismo já está patenteado) e está a tornar-se uma característica da nossa identidade colectiva quase tão fundamental como o Sebastianismo. A técnica é essencial e o jogador “jeitoso” é melhor, dizemos nós.  O problema é que a técnica apregoada pelo Ronaldismo não é a técnica do futebol.  O bom jogador em Portugal é o malabarista e o driblador (não me digam que já não é assim!), mas técnica em futebol é um conceito muito mais amplo. O drible é apenas um factor daquilo que constitui a técnica no futebol e não é nem mais nem menos importante do que os outros factores que contribuem para a sua definição. Técnica é a arte de fazer qualquer coisa e todos os recursos que contribuam para melhorar a execução de uma determinada arte são importantes. Evidentemente, o domínio da técnica é absolutamente indispensável para a interpretação da táctica (do grego Taktikos, que significa a arte de ordenar, isto é, de dar uma ordem às coisas) e para exponenciar a capacidade de tomar decisões acertadas. O passe, o remate, a recepção, o desarme, o cabeceamento, a intercepção, a desmarcação, a protecção da bola, entre outros, são todos elementos constituintes da definição de técnica em futebol.
Sem medo de ferir susceptibilidades, afirmo, convicto, que na arte de jogar futebol os portugueses não estão entre os melhores. Técnica em futebol é Müller (não sei se teria chegado a profissional em Portugal uma vez que não “equipa com estilo”), é Kroos, é Lahm e, mais recentemente, Iniesta e Xavi. Não sei se me faço entender…

Enquanto não percebermos isto, continuaremos a fundamentar as nossas esperanças em crenças místicas.

27 comentários:

Ronaldinho disse...

Concordo com tudo menos com Muller, e eu adoro o Muller! Mas tecnicamente, não é exemplo, e não, não estou a falar de dribles e malabarismos ;)

Anónimo disse...

Concordo! Técnica é o que permite a Muller definir o lance do golo contra a Alemanha.

João Silva

Anónimo disse...

Muito bom texto. Eu tenho quase a certeza que o Muller cá em Portugal não seria profissional.

Um dos problemas é que cá em Portugal desde sempre se associou melhor jogador aquele que dribla melhor. Eu cresci nos anos 80 a jogar futebol na rua e estou perfeitamente à vontade para falar disso. Desde a rua, ao futebol de escola, chegando depois aos clubes era sempre a mesma coisa. Sabia fazer 2 ou 3 fintas e tinha força, mesmo que depois seja inócuo em tudo mais, tinha lugar. O resto não. A qualquer puto que não tivesse corpo e não soubesse driblar 3 ou 4 como no circo diziam e acredito que ainda digam que não tinha qualidade suficiente. Tudo o resto era secundário. Não se valorizava capacidade cognitiva nem passe. Só finta, força e velocidade. Era sempre assim e acredito que continue a ser. Por isso é que não temos uma escola de pensadores entre os jogadores. Não está enraizado nem nunca foi valorizado desde a base.

Por isso é que depois cá em Portugal quando surge um Quaresma todos pensam que estão perante a next big thing mundial.

Anónimo disse...

Penso que não há melhor exemplo do típico jogador português do que o Quaresma. Existe uma opinião generalizada que se tivesse gerido bem a sua carreira seria melhor que o Ronaldo. Na verdade a sua capacidade de drible é única, contudo a sua compreensão do jogo é nula. Ao nível dos processo ofensivos não é capaz de compreender a movimentação do colectivo e nem um básico 2x1, vulgo tabelinha, com o seu lateral é capaz de fazer. A nível defensivo nem vale a pena falar.

Em contra-ponto Muller!! Não é evoluído ao nível do drible mas compreende o jogo como poucos. Se o meterem a fazer habilidades com uma bola, sem dúvida, será mais limitado do que jogadores como Quaresma mas por outro lado usa os recursos técnicos que possui com uma terrível e bela eficácia, para si e para a equipa. Joga e faz jogar!

João Silva

Anónimo disse...

Ronaldo n presta. Kroos é que presta. enfim. suicida-te ou assim

Anónimo disse...

É preciso ser muito limitado para no final do texto concluir que a ideia é "Ronaldo n presta. Kroos é que presta."

Pedro Abreu disse...

Mas isso é só cá em Portugal? Não é igual em todos os lados?
Creio que o problema de Portugal é não ter pessoas suficientes. Passo a explicar.
A verdade é que as selecções (e clubes) têm ciclos e a capacidade de serem consistentes ao nível de resultados é que torna as selecções/ clubes grandes.
No entanto, como disse, o factor comum às grandes selecções que me parece muito revelador do porquê de serem grandes selecções é a matéria-prima (i.e. pessoas).
Portugal não tem a quantidade de jogadores (de qualidade pelo menos) que têm outros países com mais pessoas (e.g. Alemanha, Espanha, Brasil, Itália) porque muito provavelmente não temos também pessoas suficientes para providenciarem a oferta de qualidade que esses outros países têm.
É um argumento muito debatível que não pode ser só visto nesta perspectiva, sei disso. Mas também olhando para o historial de vencedores de mundiais se torna evidente esta realidade.
Já dizia Scolari, que no Brasil era difícil fazer só uma selecção de 23 jogadores enquanto em Portugal era difícil ter os 23…

Gonçalo Matos disse...

"Ronaldo n presta. Kroos é que presta. enfim. suicida-te ou assim"

Que eu saiba o Lineker nao disse que o Ronaldo era merda. Aprende a ler sff. E da próxima vez, tenta dar conteudo ao teu comentário acéfalo.


Lineker,
No Brasil costumavam dizer que o Jardel tinha técnica, não tinha era habilidade. E eu acho que por cá, aplica-se um bocado o inverso. Temos muita mal que é habilidosa e forte no drible, fruto do futebol nos ringues e ruas. Mas depois temos deficiencias claras na técnica de remate, na capacidade de fazer um passe mais longo.
Depois, temos um grande problema, fruto da falta de conhecimento dos comentadores, que faz com que os miudos valorizem jogada individual mas para a linha e cruzamento em vez de jogada individual, quebra da oobertura pra dentro e combinação dentro do bloco.

É pena, porque na habilidade, acho que devemos ser dos melhores. Mas enquanto não aprendermos a trabalhá-la e às restantes características, vamos estar sempre dependentes do acaso que é aparecer um Ronaldo

V disse...

Sem entrar em discussões conceptuais sobre tecnica e habilidade, discordo do texto.

Há muito que em Portugal se deixou de valorizar principalmente os dribladores. Que ideia tão errada! Infelizmente! Ao contrário do que o texto tenta fazer parecer, essa visão é dos anos 80 e 90 e não de agora. Depois de tantos anos, com as vitórias morais, o português comum começou antes a valorizar mais FORÇA, ESFORÇO E SUOR! Fartos de perder a jogar bem, com equipas menos habilidosas(no drible, na relaçao com bola) as opiniões foram mudando muito, com traumas dificeis de superar. Aliás, isto é perceptivel nos chavões que se foram generalizando contra os malabaristas, os dribladores: "leva a bola para casa!", "não sejas fução", "CHUTA(quando a baliza está a menos de 30 metros)", "é só rodriguinhos!".

E a cultura futebolistica de um país(e aí concordamos) determina um padrão para os jogadores desse país.
E é por isso que não aparecerão, nem apareceram entretanto miudos como Quaresma ou Figo ou Futre ou Chalana ou...Cristiano(este ultimo há muito que deixou de ser um driblador, por isso não faz sentido essa associação ao drible...)

Penso que não poderias estar mais errado(embora o texto esteja bem concebido). Que pena mas é, que não tenha persistido a cultura dos anos 80 ou 90. Com tempo e percepção mais equilibrada do que valorizar, chegariamos lá! O Brasil continua com essa cultura. Achas que é mau? É óptimo, porque essas carateristicas são das mais dificeis de melhorar depois de certa idade.

Vocês falam das experiencias da vossa infância(anos 80 e 90, lá está!), onde realmente o craque era o miudo que dava nós cegos aos colegas. Aliás, será que essa aversão ao driblador, não nascerá de terem sido os putos incapacitados para tal, tentando jogar de uma forma mais inteligente e não tendo o reconhecimento que julgavam merecer?

Portugal hoje não tem grandes dribladores. Portugal hoje tambem não tem grandes tecnicistas e criativos. Portugal hoje produz o jogador Forte fisicamente, esforçado, o que deixa a pele em campo, obediente. Como a opinião massificada pede! Não teremos mais Saltillos é certo, mas não nos emocionaremos mais como dantes.
QUE SAUDADES dos pequenos dribladores!

Roberto Baggio disse...

V, Subscrevo!

Roberto Baggio disse...

Tudo menos a aversão ao driblador. Que em nenhum momento está implícito no texto

João disse...

No fundo, e depois de ler o texto e os comentários, a ideia que fica é que se desvaloriza a inteligencia e não existe foco na compreensão do jogo, ao nível da formação. E isso vai de encontro ao que se tem falado por aqui: resultadismo. Nos escalões de formação ganha o mais forte e mais rápido. Não?

Anónimo disse...

V, embora não tenhamos hoje em quantidade os dribladores que já tivemos, é esse tipo de jogador que o comum adepto e muitas pessoas com responsabilidades no futebol continua a valorizar. Mesmo que seja quase zero em todos os outros atributos. E isso é que está mal. E isso é que nos atrasa das maiores potências futebolísticas.

O maior exemplo é o quaresma - é pena voltar a chover no molhado mas tem que ser - que muita mas muita malta continua a considerar um dos melhores e mais injustiçados jogadores de Portugal. Um dia um amigo dizia-me: 'São jogadores como o quaresma que levam pessoas ao estádio.' De facto. Ficou-me para sempre e não podia concordar mais com a afirmação dele. As pessoas cá em Portugal continuam a gostar mais de circo que de futebol.

Anónimo disse...

Eu estou de acordo, Baggio. Não deve haver aversão ao driblador. Deve haver aversão é ao driblador inócuo, coisa que infelizmente é apanágio do futebol português.

Anónimo disse...

Já alguém se tinha lembrado de atribuir um nome: ''Ronaldização''. Diferente conceito, mesmo significado hahaha, aqui:

http://compesecabeca10.blogspot.pt/2014/06/fim-de-ciclo.html

Continuem o bom trabalho.

Cumps

Gonçalo Matos disse...

V,

O miudo que joga na rua valoriza o drible. O adolescente que joga na escola tb valoriza o drible. O jogador de fim de semana o mesmo. Os pais talvez não, mas os miudos continuam a querer fintar, dar cabritos, dar cuecas. É a superação de um individuo sobre o outro

Luis Barroso disse...

Excelente "post"!

Nós temos tido dificuldade nas selecções portuguesas em aproveitar a "técnica" (em sentido estrito) do jogador português e em formar um conjunto de jogadores completo e unido em torno de uma ideia de jogo sólida.

Dos vários elementos "técnicos" referidos pelo "post", eu destacaria, como problema principal "português", o REMATE. Tem sido um drama nas selecções portuguesas, a dificuldade de encontrar bons rematadores e finalizadores. O Ronaldo é um caso à parte...

Outro recurso importante dos nossos jogadores é o passe, que até nesta selecção encontra bons executantes. Tem-nos faltado mais, parece-me, ideais sobre o que devemos fazer com ele (o passe), como equilibrar a nossa tendência natural para as saídas rápidas para o ataque com um domínio natural e equilibrado do jogo, que também é preciso.

Nós de facto não temos Iniesta, nem Xavi, nem mesmo Kroos, mas eu acredito que há muito para desenvolver no nosso jogo colectivo e que temos jogadores com recursos que, com a devida orientação e organização, podem fazer bons desempenhos e incomodar qualquer adversário.

Nesse sentido, tenho uma visão um pouco mais optimista que a deste "post", mas concordo que temos de pensar os nossos jogadores e jogo colectivo de forma não apenas a valorizar os nossos recursos naturais mas também a potenciar aspectos (individuais e colectivos) com os quais não nos temos dado tão bem.

Luis Barroso disse...

V,

O mais jovem jogador português que entusiasmou a sério foi o Bruma. Isso contraria o que dizes. Bruma é daqueles que finta meia equipa e depois se for preciso volta para trás porque não lhe apetece rematar à baliza. Dito isto, eu gosto muito do Bruma e acho que só vamos lá se encontrarmos espaço para jogadores geniais como ele, mas têm que ser enquadrados numa cultura colectiva forte e não podem ser só dribladores, se não não passam do Galatasaray.

Eu concordo contigo que o futebol português se "europeizou" nos últimos anos, tornou-se se calhar mais "realista", também pela influência do Mourinho. Mas não acho que seja pela valorização acrítica dos nossos "meninos de rua" que vamos desenvolver uma equipa ganhadora e colectivamente forte. Precisamos de perceber para que é que isso serve, como lidamos com situações em que isso não está a resultar, e como compensamos (ou melhoramos) os nossos pontos fracos.

Gary Lineker disse...

V,

conheço o teu argumento. Já o conhecia, aliás, antes de ter escrito este texto. Mas discordo. Não vou dizer que estás errado, porque isso pressuporia a assunção da minha parte de que eu é que estou certo. E não creio ser o dono da verdade. Isso é pedantismo.

Posto isto, devo dizer-te que expressões como "leva a bola para casa", "é só rodriguinhos" e "não sejas fução" já o meu avô as usava. E o meu avô dizia "liner", "back esquerdo" e "offside"! Portanto, ao destacares o anacronismo como principal defeito do argumento apresentado no texto, devias ter em conta os teus próprios anacronismos, sob pena de perderes coerência.
Quando falamos em Figo, Quaresma, Chalana, Futre ou Cristiano, falamos em dribladores de top (Figo era muito mais do que isso!). Contudo, há jogadores cuja principal característica ou recurso é o drible, mas que não são exímios executantes naquilo que melhor os define ou caracteriza. Estou a pensar nos Vieirinhas, nos Ukras e nos Carlitos deste mundo (e não são poucos!).
Quanto à forma portuguesa de pensar a questão, dou-te um exemplo muito recente. Antes do jogo com os Estados Unidos, e depois do debacle com a Alemanha, ouvia-se dizer, desde o adepto mais leigo aos opinion makers mais eminentes da nossa praça, que tínhamos tudo para ganhar aos americanos. O pressuposto desta convicção era a nossa "evidente" superioridade técnica. Com os ganeses, dizia-se, não seria tão fácil porque eles são "bons de bola" (os argumentos eram mais elaborados quanto à forma, mas desconstruídos não são mais do que isto). Esta é a tal técnica no sentido redutor. Ficou para mim claro que a Selecção dos Estados Unidos era superior à nossa.
Enfim, é a tal crença mística e não creio que tenha mudado, tendo em conta aquilo que continuo a ver e a ouvir.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Uma coisa que sempre me meteu muita confusão quando era miudo, era o facto de em Portugal não haver ninguem capaz de fazer um cruzamento em condições. Depois via jogos ingleses em que aqueles "cepos" mal sabiam receber uma bola e era raro fazerem um cruzamento mau. Eu joguei futebol e se havia coisa que eu sabia fazer era cruzar... Foi nessa altura que comecei a perceber que a técnica era muito mais do que fazer umas fintas, apesar de todos os meus colegas de equipa pensarem o oposto...
Como é possivel um profissional precisar de 10 tentativas para acertar com uma bola dentro de uma área? Os cantos então é uma coisa inacreditavel...

Anónimo disse...

Mas pelo futebol ser mais que dribles e técnica... É por isso, que CR7 e MESSI são o topo do mundo... Por portugal não entender o jogo, é que o A. Almeida foi tão criticado e mostrou que dos defesas convocados era mesmo o melhor... Mas discordo quando se afirma que MULLER não chegaria a profissional, em Portugal só não se chega a profissional se não houver empresário certo... A mentalidade do jogo, tem de mudar, e sempre aprendi que o jogo baseia-se nisto: PASSE, MARCAÇÂO, DESMARCAÇÂO... Mas as pessoas perceberem isto, é deveras complicado. Perceberem que um jogador que faz um bom passe a 2 metros é mais importante que um que finta três gajos e a jogada é inócua... Que um jogador que se desmarque no espaço para receber ou estar no apoio é muito mais importante que o gajo que joga em força e mete sempre a bola pas couves.... que uma marcação na zona ou um HH bem feito, é muito mais importante que aquele defesa que persegue um gajo em todo o lado, saber o que é uma linha dfensiva

Gonçalo Matos disse...

Já agora, em Portugal, no ano passado eu vi um miudo com tudo aquilo que nos apaixona no futebol. Drible curto fortíssimo, qualidade de passe, muita criatividade, muita inteligencia.

Só que como está no Benfica, não querem apostar nele para os As. E digo-vos que desde o CR7 que nenhum jogador português me deixou a salivar tanto quanto o Bernardo Silva no Benfica B do ano passado. claramente o estimulo da segunda divisão era demasiado desajustado para o seu talento.

Ricardo Perna disse...

Por acaso também discordo, e tem a ver com o que tehnho lido aqui e no LE, que muito me têm ensinado.

Não se ensina técnica a um jogador, ele "nasce" com ela. Mas ensinas conceitos táticos, formas de entender o jogo. Se desde pequeno forem ensinados a respeitar a equipa, sem deixarem de fazer os seus dribles, cuecas e cabritos.

Há uns posts atrás, não me recordo em que blogue, falavam da necessidade de não castrar os miúdos nas equipas, para que pudessem crescer sem amarras táticas, e é com isto que concordo.

Há dias um filho de um amigo veio jogar com os grandes. O miúdo tem 9 anos, mas já está imrpegando de maus hábitos: não sabe defender, não entende o jogo coletivo, só pensa nele próprio. O pai comentava que, no clube, como jogava a avançado, não lhe pediam mais do que correr para a frente. O miúdo até se safa muito bem tecnicamente, mas na compreensão do jogo acho que o ajudámos nós ali mais em 1 hora que o treinador numa época inteira...

Em suma: necessitamos de malabaristas como de pão para a boca, na minha opinião. De malabaristas e de bons treinadores, que lhes ensinem o resto que o jogo contém. E parece-me, pelo que tenho lido aqui também, que é na parte dos treinadores que temos mais falhas... :)

Isto não significa que os Mullers desta vida devem ser colocados de lado. Significa que os treinadores os devem também saber aproveitar, e encaixar com todos os outros. E pronto, voltamos aos treinadores, lá está... ;)

Anónimo disse...

"Já agora, em Portugal, no ano passado eu vi um miudo com tudo aquilo que nos apaixona no futebol. Drible curto fortíssimo, qualidade de passe, muita criatividade, muita inteligencia."

E não acham que o Bernardo Silva, Iuri Medeiros e Chaby têm potencial para liderar uma excelente geração e construir uma grande equipa na selecção?

Roberto Baggio disse...

Eu acho. Se forem tratados de forma adequada...

Nuno Ferreira disse...

De facto quando anda meio mundo a ter orgasmos com o James Rodriguez continuar a ter o Bernardo Silva enterrado na 2a Liga e criminal

Sera que ele decidiu nao assinar com o Jorge Mendes?

Anónimo disse...

só dizes merda