Posse de bola no Facebook

Translate

domingo, março 02, 2014

Selecções Nacionais e o dilema da renovação


Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que acho o trabalho de um seleccionador nacional ingrato. E penso isto por dois motivos: o primeiro porque é pontual; o segundo porque além de pontual, a duração dessa pontualidade é normalmente muito curta. Estes dois factores são, de certeza, bastante limitadores no que toca à assimilação de um modelo de jogo por parte dos jogadores seleccionados.

Posto isto eu consigo compreender o porquê da maioria dos treinadores ter um núcleo duro (entenda-se titulares e suplentes mais utilizados) de jogadores, apostando por vezes em jogadores em fase descendente da carreira, mas que tenham trabalhado vários anos com o seu seleccionador, estando acostumados ao modelo de jogo. Estes acabam por dar uma certa garantia de qualidade, que um jogador com melhores qualidades individuais mas que nunca tenha trabalhado com a sua selecção, pela simples razão de nunca ter sido inserido naquele determinado contexto.

No entanto, os jogadores não são eternos e obviamente as suas qualidades decrescem com o tempo e chega a um ponto onde é obrigatório, a fim de se manter uma qualidade de jogo colectiva elevada, haver renovação. E é isto que para mim levanta a questão mais interessante do trabalho de um seleccionador: quando deverá um treinador renovar o seu núcleo duro? Várias vezes vemos estas renovações acontecerem após grandes competições, como campeonatos do Mundo ou Continentais, especialmente quando uma selecção tem más prestações. No entanto, eu tenho uma visão da coisa diferente da acima descrita.

Na minha opinião, a maior parte da renovação deve ser feita antes de uma grande competição. O principal argumento que tenho para defender esta opinião é que é nesta altura que o seleccionador tem mais tempo para trabalhar o seu modelo de jogo. Isto é, é nesta altura que o jogador com menos anos de selecção tem tempo para assimilar o que o seu treinador pretende, o que vai permitir explorar ao máximo as suas qualidades individuais dentro do modelo de jogo trabalhado.

Estou portanto ansioso para ver quais as escolhas de Paulo Bento para o Mundial. É óbvio que há jogadores que foram convocados para o jogo contra os Camarões que quando jogando na selecção têm estado em sub-rendimento, como o Raúl Meireles ou Hugo Almeida. É também óbvio que existem alguns jogadores que têm subido de rendimento nos seus clubes e que talvez estejam a um nível acima destes dois em termos de qualidade individual, como o Rúben Amorim. Há ainda jogadores que têm qualidade individual semelhante a outros que não têm sido chamados com tanta frequência, como Miguel Lopes vs Cédric, Antunes vs André Almeida/Sílvio.


Outra coisa que deverá afectar a escolha de um seleccionador é a qualidade individual mas integrada no seu modelo de jogo. Se quisermos jogar à la Stoke City dos primeiros anos da Premier, não terá muito sentido convocar jogadores com menos de 1.80m. Se quisermos jogar H-H, mais vale convocar o Miguel Lopes que o Cedric ou o Baldé em vez do Postiga. Olhando para os jogadores que temos à nossa disposição, gostaria de ver a selecção fazer uma pressão alta, condicionando a saída de bola dos adversários e depois a explorar a transição ofensiva. Não me parece que tenhamos tanta qualidade individual que consigamos basear o nosso ataque na organização ofensiva. Obviamente que posto isto, me vem à cabeça o Dortmund de Klopp. Esse seria o modelo em que me basearia, fosse Paulo Bento.

27 comentários:

João Nogueira disse...

Concordo quando dizes que a renovação deve ser feita antes de uma grande competição. Defendo é que apesar de uma base de selecção devido ao pouco tempo de contacto entre treinador e seleccionador, deverão ser chamados os melhores jogadores no momento e não as designadas "vacas sagradas". Queria só uma opinião tua em relação aos seguintes duelos de posição na selecção (se fosse possivel):

DD - não estará Cédric melhor que Miguel Lopes?

DE - o Silvio melhor que o Antunes? (além da polivalência)

DC - o José Fonte (Southampton) não tem nenhuma oportunidade quando está a realizar uma grande época e jogadores mediocres como Ricardo Costa e Rolando têm.

MC - o Adrien não ser convocado quando é nesta época o médio centro mais consistente da liga e segundo melhor, na minha opinião, a seguir a Moutinho. E depois temos lá Ruben Amorim que é suplente no Benfica e Josué que está a fazer uma época descendente no Porto.

ED - a questão do extremo direito que vou colocar será provavelmente a que mais alvoroço irá levantar, mas Nani está a fazer uma época tão má que até questiono a sua ida ao mundial. Que te parece? Quando temos Ronaldo, Varela, Rafa a jogar bem mais que ele. Ah, mas ele é uma das tais "vacas sagradas".

PL - a posição mais deficitária na selecção. Edinho!? Que ponta de lança de selecção mais banal e fraco. Nunca vi ser chamado Vaz Tê, mesmo sendo titular do West Ham. Ou uma aposta em algum dos avançados dos sub-21.

Era "só" isto. Obrigado.

Luis Santos disse...

João Nogueira, só uma coisa em relação ao José Fonte: ele não é grande coisa. Uma boa época dele não faz dele uma boa opção para a selecção. Ricardo Costa e Rolando são bem melhores e só haveria necessidade de haver essa discussão se não estivessem com ritmo competitivo. Tipo o que acontece com o Nani. Ele é indiscutível, mas se acabar a época tal como está, o Paulo Bento devia pensar bem se o deve levar. Ainda assim, é muito provavelmente melhor que qualquer outro (excepto o Ronaldo, óbvio). Não é uma questão de vacas sagradas, é não haver muita escolha (Varela, Quaresma, Licá, Rafa, Vieirinha, Wilson, Ivan, Mané,...).

Pelo menos isto é a minha opinião...

Gonçalo Matos disse...

Olá Joao,

Em relação ao Cedric acho que é o futuro titular da selecção e nem ser convocado para mim não tem sentido. Não tenho visto o Lyon mas o Cedric no Sporting tem estado bastante bem.

Não conheço bem o Fonte mas confio totalmente na opinião do Luís. Questiono-me por exemplo se o Yohann Tavares poderia ter uma chance. Vi o Estoril algumas vezes no estádio esta época e está sempre em bom plano em todos os momentos do jogo.

Pessoalmente, acho que o Adrien não tem nenhuma característica que o destaque do Rúben Amorim. Parece-me que o Ruben até decide melhor, mas são jogadores semelhantes. Convocaria os dois, de qualquer forma.

Quanto ao Nani, concordo com o Luís. O Nani não é o Quaresma que só joga para si. Já vi o Nani algumas vezes no estádio e é dos jogadores que mais desequilibrios cria. É dos mais criativos, é rápido, tem técnica, sabe procurar o espaço interior como poucos. Não se pode é esperar que esteja no topo se não tem competição. Está sem ritmo e sem confiança mas estaria sempre nos meus escolhidos.

Quanto aos restantes extremos, Vierinha seria a minha primeira escolha atrás de Ronaldo e Nani. Depois ou Varela ou Rafa.

Em relação ao ponta-de-lança, acho que Postiga ainda é a melhor das escolhas pela capacidade de arrastar jogadores com as suas desmarcações e por dar bastante bem o apoio frontal. O Hugo almeida é uma desgraça.. Tem-se falado muito do Ronny Lopes e parece-me que será no futuro jogador titular de selecção, não faço ideia onde rende mais mas porque não experimentar? Quanto ao Vaz Tê, talvez pudesse ser chamado, mas do que vi dele (do ano anterior e 2ª divisão) recuava no campo descaia muitas vezes para os flancos e isso já entra no espaço do Ronaldo e do Nani.

Gonçalo Matos disse...

Esqueci-me do Sílvio. Sílvio é estando a trabalhar com o JJ, deve ser dos melhores laterais do mundo tacticamente e isso para mim já diz muito. Assim como o André Almeida. O escandalo aí é mesmo como é que nenhum deles joga na direita no lugar do Maxi. Mas nessa posição parece-me que ninguém consegue competir com o Coentrão.

Emanuel Guerreiro disse...


Gonçalo ,

Escreves que escolherias uma pressão alta condicionando a saida da bola ao adversário.

Como organizarias essa pressão? Quais os momentos? Quais as zonas do campo para pressionar? Quantos pressionariam a bola num sistema de 4 defesas?

Abraço e bom post!

Gonçalo Matos disse...

Emanuel, obrigado pelo elogio!

Tenho de te dizer antes de mais que não tenho o conhecimento que tem o Baggio ou Ronaldinho, entre outros, portanto vou tentar expor-te aquilo que acho que teria sentido enquanto jogador que tem trabalhado com os dois acima mencionados, nos ultimos anos.

Acho que o mais importante seja em transição ou organização defensiva é que haja sempre na zona da bola um jogador na contenção e outros 2 na cobertura, independentemente da zona onde se encontra a bola e da tua disposição em campo dos jogadores (defesa a 4 ou a 3 por exemplo).
Imaginando um pontapé de baliza do meu adversário, eu iria pedir para que houvesse pressão logo à entrada da area. Um jogador entre os dois centrais, e outros dois entre central e lateral. E a partir de aí seria contenção e cobertura. A bola entrava num central, o ponta saia na contenção e extremos fariam a cobertura. Bola saia do central para o lateral, extremo saia na contenção, ponta e lateral/médio saiam na cobertura. Qualquer jogador que seja batido no drible ou com um passe deve imediatamente baixar para fazer cobertura. A ideia é constantemente ajustar a tua posição fazendo estes triangulos.
A ideia seria sempre condicionar o portador da bola ou a bater longo ou a jogar no flanco e aí aproveitar a superioridade númerica para recuperar a bola ou condicionar o erro do adversário.
Espero ter respondido às tuas questões. Gostava também de ouvir a tua opinião!

Gonçalo Matos disse...

Não me referi à distância entre linhas, mas obviamente que teria os jogadores próximos, de maneira a que os jogadores da cobertura estivessem próximos do homem na contenção.
Amanhã vou tentar encontrar uma imagem que ilustre o que pretendo demonstrar

Anónimo disse...

Gonçalo com esse posicionamento nenhuma equipa adversária joga no central. Há bastante diferença entre imaginar as coisas na teoria e depois terem aplicação na prática.

Gonçalo Matos disse...

Anónimo,

Obviamente que a maioria não vai jogar no central. Mas vão jogar onde? Dificilmente vão sair a jogar apoiado e isso é o meu objectivo com a pressão. Mas também posso tar a ver a coisa mal. Atenção que quando eu falo disto é puramente empírico. Não tenho formação teórica na área.
Já joguei num modelo semelhante em organização ofensiva e quase nng saia a jogar pelo central, as que saiam ou perdiam a bola ou batiam longo, dificultando todo o processo de construção.

Um aparte, como perceberam eu não sou treinador e faltam-me conhecimentos teóricos, mas interessa-me aprender. Gostaria que apresentassem os vossos pontos de vista/alternativas para que possamos também discutir isso.

João Nogueira disse...

Olá Luis Santos,

Eu questionava uma oportunidade para o José Fonte porque até tenho acompanhado a época dele na Inglaterra e está provavelmente ao nível da que está a fazer o R.Costa ou o Rolando, mas num campeonato muito mais competitivo na sua globalidade. Mas aceito a tua opinião quanto a preferires os outros 2 em condições normais e por estarem à mais anos num grande plano competitivo.

Concordo completamente com a tua visão sobre o Nani, que é como a minha. O Paulo Bento deve pensar bem só por causa da falta de ritmo competitivo e estar desmoralizado. Porque em condições minimamente normais é indiscutivel na nossa selecção. E quanto à pouca escolha, acho que às vezes se têm que correr riscos para se descobrir o valor de certos jogadores. Eu arriscaria em 2 dos habituais extremos e 2 mais novos, mas que tivessem aquela dinâmica de querer mostrar serviço, porque o Rafa e o Mané têm qualidade técnica e criatividade superior a Varela ou Vieirinha, têm é muito menos experiência. É o que eu acho.

João Nogueira disse...

Olá Gonçalo Matos,

Sim, em relação ao Cédric, não sei quanto à futura titularidade, mas de resto estamos de acordo.

Relativamente ao Yohann Tavares, parece-me um pouco limitado técnicamente e comparando com a liga inglesa, escolheria sempre o José Fonte.

O Adrien além de mais ritmo competitivo nas pernas esta época.

Quanto ao Nani, só questiono precisamente pela falta de ritmo e moral, como dizes também. Porque em condições normais não há duvida que é titular. Só que a selecção não é um clube, ali devem estar os melhores no momento. Daí quase ver o Nani como um jogador "lesionado" neste momento.

Mas não achas que o por exemplo a irreverência e qualidade técnica do Rafa e Mané seriam de arriscar para termos um extremo pelo menos mais desequilibrador e menos táctico? Porque com Ronaldo, Nani (se for), Varela ou Vierinha, já temos jogadores táticamente evoluidos.

Quanto aos avançados, disseste tudo sobre o H.Almeida...que desgraça. O Nélson Oliveira parece-me claramente com lugar nos convocados (veja-se a época em França) e o poderia físico e mobilidade que daria na frente de ataque. Questiono é uma experiência ofensiva diferente de Rony Lopes (que só me parece possível para os futuros 2 ou 3 anos), que é colocar Ivan Cavaleiro a avançado móvel como joga nos sub-21. Que te parece?

Gonçalo Matos disse...

João,

Eu não conheço bem o Fonte, mas o Tavares conheço e não é limitado técnicamente. Tem bom controlo de bola e boa qualidade de passe. Inclusive por vezes sai ele próprio a jogar. A experiência em defrontar pontas-de-lança de topo pode ser um ponto a favor do Fonte mas tb não conto ver os nossos centrais em duelos 1v1 com os pontas de lança.

Quanto aos extremos, o Vierinha é menos criativo que o Mané porquê?

A questão do ponta-de-lança parece-me muito subjectiva. Gosto do trabalho do Postiga pelo que acima descrevi e não acho que a solução seja mudar para algúem que seja mais móvel e descaia para o espaço dos extremos. Não tenho visto o Oliveira mas ainda hoje o Maldini do LE escreveu sobre ele dizendo aquilo que tb é a minha opinião, é mau em tudo o que não seja ele contra o mundo. O Cavaleiro até me parece uma opção mais interessante que o Almeida. Se quiseres um exemplo de um PL que acharia ideal para a nossa selecção, seria o Benzema.

Gonçalo Matos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Emanuel Guerreiro disse...



Olá Gonçalo,

Parece-me bem a tua ideia. Não gostas da situação de pressionar os centrais num 2c2? Falo de jogares num 442 e fazeres esse pressing com os dois avançados, ou jogares noutro sistema só com um ponta de lança e pressionares os centrais com um ponta de lança e um médio ao estilo que faz agora leonardo jardim com o andré martins muitas vezes.

Eu gosto mais desta versão porque penso que obriga o adversário a bater largo e inclusive podemos pressionar o guarda-redes no momento de bater a bola.

Abraço e obrigado pela partilha de conhecimento

Gonçalo Matos disse...

Emanuel,

É uma alternativa possível, mas o meu medo seria depois ficares em igualdade na disputa da bola. Uma solução seria um dos homens que pressionam os centrais baixar, como faz o André Martins no modelo do sporting. Na equipa onde jogo actualmente, utilizamos o 4-4-2 losango como sistema e o que fazemos, ou faziamos (tenho estado lesionado) é que o jogador mais avançado do meio campo faz o papel do ponta de lança e os dois avançados fazem o papel dos extremos do 4-3-3.

João Nogueira disse...

Gonçalo Matos,

Só me referia à qualidade técnica do Tavares comparativamente com outros centrais com nível de selecção, porque no campeonato português até me parece um dos destaques na posição.

O Vieirinha já foi muito criativo, mas não sei se foi do rigor do futebol alemão (se bem que a experiência ainda não é assim tão longa lá) ou do crescimento tático, neste momento parece-me mais tático e extremo de velocidade e ir à linha cruzar do que extremo criativo. Daí ter falado de Mané, que tem ainda aquela ingenuidade e criatividade de miudo. Por isso perguntava se achavas bom ter assim um extremo na selecção ou é melhor um já mais maduro e taticamente evoluido.

Quanto ao ponta de lança, tenho opinião diferente sobre o N.Oliveira, mas respeito. O Cavaleiro concordo, era de apostar. Percebo que defendas um ponta de lança de equipa e com finalização como o Benzema para a selecção, mas o que pensarias se tivessemos um mais aguerrido como Diego Costa, Falcão, Suaréz ou Cavani (tomara nós qualquer um deles, mas falo do estilo de jogo deles).

Gonçalo Matos disse...

João,

Se pudesse só tinha jogadores criativos na equipa! O meu problema é se Mané estará capaz de jogar no meio dos melhores jogadores do mundo. Mas gosto de o ver procurar o espaço interior e acho que no futuro também será dos regularmente convocáveis.

Quanto ao Benzema: http://possedebolla.blogspot.pt/search/label/Benzema
Aqui no Posse gostamos dele apesar dos golos! Os golos são só bonus. Dos que referiste, qualquer um seria titular por cá.

Miguel disse...

Gonçalo, devido à falta de qualidade que temos ao nível dos avançados arrisco-me a dizer atirando para o ar que cerca de metade (senão mais) dos avançados titulares das equipas presentes no mundial seriam titulares na nossa equipa. Estendo isso inclusivamente a segundas e terceiras opções e a jogadores que nem sequer vão ao mundial por haverem 2-3 opções melhores na sua selecção. Postiga é muito bom na movimentação e na procura de espaços e linhas de passe, é aliás, a meu ver, o nosso melhor avançado. O problema é que muitas vezes parece condicionado mentalmente pela procura do golo e acaba por ter erros ao nível do domínio, do passe e da finalização. Hugo Almeida é pouco mais que banal em todos os momentos do jogo. Poderia até conseguir ser um jogador de grande destaque mesmo sendo francamente mau em tudo o que faz se fosse óptimo na finalização, mas nem nisso é. Nélson Oliveira tem tudo, mas mais uma vez depois de um início de época auspicioso (indo de encontro ao que foi dito no Lateral Esquerdo) subiu-lhe tudo à cabeça e deixou de se aplicar (atenção que estou a falar tendo em conta o facto de estar a jogar pelas reservas) traduzindo-se isso no deixar de fazer golos (que na cabeça do Nelson é aquilo que ele tem de fazer a toda a hora e a todo o instante). O Edinho é sofrível e o Éder está constantemente lesionado. Talvez Cavaleiro num sistema com dois avançados?
Gonçalo, não achas também que é preferível apesar da criação do tal núcleo duro, que considero muito importante, e que em algumas selecções funciona ainda melhor porque esse núcleo é composto pelos melhores, que estão a jogar muito bem, a entrada progressiva (ou até repentina) de novos elementos, por substituição de outros que são visivelmente inferiores? Vem-me de repente à cabeça o caso do Micael.
Abraço e parabéns pelo trabalho!

João Nogueira disse...

Gonçalo Matos,

Eu dos avançados que referi tinha noção que qualquer um deles seria indiscutivel na nossa selecção, só questionava se com Ronaldo seria melhor um avançado com garra e lutador, além de finalizador, como qualquer um destes que mencionei ou se seria melhor um que fizesse jogar mais Ronaldo e jogasse entre linhas.

Gonçalo Matos disse...

Miguel,

Acho que essa integração deve ser feita, claro. Uma qualificação tem 1 ano e meio sensivelmente e nesse tempo há, pelo menos, jovens que surgem e muitas vezes com qualidade. Se Bernardo Silva daqui a 12 meses estiver a jogar com regularidade tem todo o sentido convoca-lo e integra-lo na equipa o quanto antes. A ideia que queria transmitir é que a melhor altura para se alterar é antes das grandes competições. O Micael tem sido solução mas não é titular e é daqueles que nem me faz sentido lá andar, é fraco a executar e muito lento.. Quando fiz esse texto pensei essencialmente no Meireles que para mim é o caso mais extremo deste grupo.

Como seria esse teu 11 com dois avançados?

Gonçalo Matos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gonçalo Matos disse...

João,

Da lista que deste eu iria querer Falcão. Desses todos é o mais forte sem bola. Em Portugal, Ronaldo tem de ter muita bola, prefiro que não divida as atenções com um jogador como Cavani ou Suarez. Eu prefiro sempre um avançado que jogue entre linhas que um homem que ande à luta no meio dos centrais. Gosto muito de ver um PL a dar o apoio frontal, tabelar e surgir de frente para finalizar. Talvez seja defeito de ter jogado futsal. Para mim o apoio frontal e entre linhas é a melhor arma que uma equipa pode usar quando com bola.

Miguel disse...

Gonçalo,
Eu percebi o que querias dizer no aspecto da renovação (e sou completamente) até porque discordo daqueles que acham que se for preciso se convocam agora 23 e daqui a dois meses outros 23 porque esses estão a jogar melhor do que os outros.
Num sistema de dois avançados (eu sugeri o Cavaleiro, mas não sou particular fã dele) e escolhendo os jogadores que considero terem mais qualidade e se estiverem no auge da sua forma: Patrício, Coentrão, B. Alves, Pepe e João Pereira (confesso que aqui também gostava do Cedric); William, João Moutinho, André Martins e Nani (como falso 10, ou então o Danny); Ronaldo e Cavaleiro (isto para incluir o Cavaleiro no tal modelo de 2 avançados, e porque me parece que é o homem que melhor se adapta a essas funções). Tudo dependerá da dinâmica, tirando o Postiga e metendo o Danny também dá para jogar com o Ronaldo e o Nani na frente e depois em ataque organizado usar o Danny como avançado (tal como referiste que fazem ao jogar em losango).

Gonçalo Matos disse...

Entretanto tenho-me esquecido.. Muito obrigado pelos vossos elogios e palavras de incentivo!

Gonçalo Matos disse...

Miguel,

Parece-me mto interessante o losango, quando o Ronaldo estiver mais velho. O único problema aí é que vejo os dois melhores jogadores a jogar fora do seu espaço natural, mas acredito que bem trabalhado resulte. Não sei se tens visto os sub-21 mas existem vários médios que acho que também poderão fazer parte desse meio campo a 4: Tiago Silva do Belém, Bernardo Silva, João Mário e o próprio Rafa. Quem sabe Rafa ou Mané como segundo avançado. Pelo que vejo dos nossos jogadores jovens parece-me que o futuro poderá passar pelo losango.

Miguel disse...

Gonçalo,
Tenho pensado no mesmo relativamente ao Ronaldo. Penso aliás, que a nossa maior benção é também um dos nossos pecados (ainda que o lado positivo seja maior), que é a existência de Ronaldo. Vamos ter sempre um modelo que priveligie o Ronaldo, que realce as suas características (sendo sincero acho que é a maneira segundo a qual estamos mais confortáveis, parece-me). Ronaldo vai dar uma avançado centro muito bom quando deixar de ter a explosão que agora tem e quiçá isso até nos beneficie.
Do pouco que tenho visto dos sub-21 quer-me parecer que têm optado um pouco pelo sistema de 2 avançados não é? Paulo Bento secalhar não opta por esse sistema precisamente por ter Ronaldo. Esqueci-me por completo do Rafa (muito mais talento que Cavaleiro, é engraçado como há um ano que nas discussões que tenho com o meu irmão andemos a dizer que Cavaleiro será muito mais jogador a segundo avançado do que a extremo). Essa possibilidade do losango prende-se também com alguma queda do Extremo à antiga, parece-me (e bem) e temos agora jogadores como o Mané e o próprio Heldér Costa que gostam de jogar (e sabem fazê-lo) por dentro. Quanto aos outros 3 que citas para além do Rafa, não percebo como é que o Tiago Silva só está no Belenenses, não consigo perceber em que é que o Magrão é mais jogador que o João Mário e o Bernardo possivelmente já entraria em todas as equipas da liga excepto aquela em que está! Mas uma coisa é boa, esta geração começa desde já a jogar cedo na primeira divisão e essa pode ser sobretudo a principal desvantagem do jogador mais talentoso face aos outros, tem estímulos competitivos menores que os outros por só jogar na segunda divisão (não sei se já treina com o plantel principal do Benfica, mas devia).
Tira Moutinho e mete João Mário, mete Rafa a segundo avançado, Bernardo a 10 e pode-se começar com a renovação na selecção.
Na selecção aquilo que no presente mais me assusta é a possibilidade de Postiga não ir ao mundial. Quanto ao futuro, anda tudo à procura de um avançado que marque golos e ainda não perceberam que 1-Já o temos, chama-se Ronaldo e 2-Que não precisamos de um avançado que marque um hattrick em cada jogo.

Gonçalo Matos disse...

Miguel,

Acho que devemos ter um modelo que priveligie o Ronaldo mas que respeite o jogar bem futebol: criar superioridade na zona da bola ou pelo menos igualdade. Criar no adversário a dúvida se Ronaldo vai optar pela acção individual ou combinar com os colegas. Sejam transições ou organização, o que me interessa é que Ronaldo assuma o papel de destaque.
Os sub-21 jogam com dois avançados mas o mais interessante acho que é mesmo o meio campo a 4. Mas falando de segundos avançados ou avançados jovens também há o Ronny do City, o Betinho, o Paciência do Porto B. Quanto ao Cavaleiro na selecção sub-21 rende bem como avançado.
Quanto ao Postiga, ainda hoje ao almoço falava com amigos que trabalham comigo sobre a vantagem que era te-lo. Exliquei que gostava das acções dele sem bola e do apoio frontal que dá e que o Almeida não proporciona. O comentário deles foi algo do género "Faz todo o sentido, mas isso não costuma ser muito falado" mais um exemplo da preponderancia que a comunicação social tem no pensamento do adepto comum.