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sexta-feira, março 28, 2014

Quaresma, biologia e afins

Cada ser vivo possui um conjunto de características observáveis que o define (ex: morfologia, fisiologia, comportamento). Este conjunto de características resulta não só do material genético do indivíduo, o seu genótipo (DNA), mas também do ambiente onde o indivíduo se encontra e da influência que esse mesmo ambiente exerce sobre o DNA. Um exemplo interessante é o da daphnia, uma pulga de água: este animal quando num ambiente sem predadores possui uma cabeça arredondada. Quando os predadores estão presentes, alguns indivíduos da espécie têm a capacidade de desenvolve um capacete protector. Este capacete é resultado da interpretação dos estímulos do habitat e traz vantagens na adaptação ao novo ambiente. Temos assim, a alteração do ambiente a provocar uma mudança nas características do individuo. Esta relação entre fenótipo, genótipo e ambiente pode-se descrever pela seguinte equação:


Fenótipo = Genótipo (DNA) + Ambiente + (Genótipo (DNA) X Ambiente)

Na minha cabeça, existe um paralelismo entre fenótipo e a qualidade individual de um jogador de futebol. 
Um jogador de futebol possui um conjunto de atributos (capacidades físicas, técnicas, sensoriais, cognitivas) que na equação acima descritas podem ser vistas como o genótipo ou o DNA. Estes atributos são o factor delimitante, daquilo que um jogador é ou poderá ser, e são o barro que o treinador pode moldar. O ambiente poderá ser, por exemplo, o modelo de jogo do seu treinador, o treino, ou mesmo um jogo oficial. Qualquer contexto em que hajam estímulos externos e o jogador se insira pode ser considerado o ambiente. A capacidade que um jogador tem de potenciar as suas características em função dos estímulos que são externos aos seus atributos são a interacção entre ambiente e DNA.


Qualidade Individual = Atributos + Modelo de Jogo/Treino/Jogo + (Atributos X Modelo de Jogo/Treino/Jogo)

 Para mim os últimos parâmetros da equação, são os aspectos mais interessante da analogia. Muitas vezes aqui no blog questionam o porquê de criticarmos jogadores como o Quaresma ou Salvio. Nós criticamo-los porque independentemente do ambiente em que estes se encontram, as suas características se expressam da mesma forma. Isto é, não há nenhuma capacidade, ou capacidade reduzida de adaptação ao contexto onde se inserem nem de compreensão dos estímulos que os rodeiam. São jogadores que fazem o mesmo tipo de acções, estejam em igualdade, inferioridade ou superioridade numérica. Se fossem daphnias, estivesse ou não o predador presente, andavam sem capacete protector, independentemente da utilidade do mesmo.

Há por outro lado jogadores que não tendo atributos acima da média são excelentes jogadores, precisamente por terem uma capacidade de avaliação do contexto em que estão, muito acima da média, adaptando os seus atributos ao contexto. Muller, Moutinho, Busquets são exemplos. Estes se fossem daphnias saberiam quando o capacete é útil, o exacto momento em que o deveriam por e qual o formato que o capacete deveria ter.

Para acabar peguemos no exemplo do Kagawa. Os atributos do japonês são os mesmos independentemente do contexto. No Dortmund, estava inserido num ambiente x. No Man Utd está inserido noutro contexto, y. Um contexto tirava o máximo do jogador, noutro parece ser banal. Kagawa, segundo Klopp, é um jogador inteligente, pelo que a sua percepção do jogo é elevada. O que faz com que Kagawa pareça banal é o modelo de Moyes, e o facto das características do Shinji não se adequarem ao modelo em questão.


Espero que este raciocínio ajude alguns dos leitores a melhor avaliarem jogadores. O meu backgroud é em biologia e portanto esta analogia surgiu naturalmente. Provavelmente existirão outras, em diferentes áreas do conhecimento que serão mais simples.

Vou ficar à espera do feedback! Um abraço e cuidado com os maus ambientes.

36 comentários:

C-zero disse...

Hey Gonçalo!
Estou com dúvidas relativamente à parte da equação que escreveste.

Não seria importante discriminar na equação as várias etapas da formação?
Isto é, imaginando que um determinado jogador, limitado nos recursos técnicos porque não teve na formação estímulos suficientes para se desenvolver, mas que por condições intrínsecas ao seu carácter (ou por estimulação familiar) é um indivíduo inteligente, capaz de se adaptar bastante bem às exigências do futebol sénior, até pode ser considerado, segundo a equação que escreveste um jogador com boa qualidade individual. Se tivesse tido a tal formação estimulante, haveria, necessariamente, um acrescento de qualidade. Peço desculpa se não estiver a ser claro na minha dúvida.

Abraço!

Anónimo disse...

um post engraçado, mas há um problema... é que em biologia se fala (normalmente, pelo que eu saiba) sobre populações, enquanto no caso do futebol estamos manifestamente a individualizar. mas é muito diferente fazer uma afirmação de natureza estatística sobre um conjunto de seres, ou fazê-la sobre um indivíduo!

por outras palavras, para aprofundar tinham que continuar na senda das ciências rumo a termodinâmica (clássica e quântica, claro!)

agora mais a sério, como alguém também disse no lateral esquerdo, acho que às vezes é tudo muito preto e branco para vocês... p.ex. não é verdade que o Quaresma jogue sempre da mesma forma, com os treinadores apropriados (como era o caso com o Jesualdo, e como também parece ser o Luís Castro), ele muda claramente os comportamentos em relação à equipa. acham que o Mourinho alguma vez o tivesse contratado pro Inter sem essa perspectiva?

zdamen disse...

Eu sei que insisto um pouco nesta tecla, e de certa forma ela é abrangida um pouco na secção metodologia de treino/formação, mas uma das características que torna por exemplo os atletas norte-americanos diferenciados e logo muito capazes numa grande transversalidade de desportos, é a exposição que têm desde pequenos a muitos desportos/actividades diferentes.

Não é raro os atletas de topo, sejam em basquetebol, atletismo, etc, serem atletas que até tiverem um percurso mais vincado num desporto x e depois tornarem-se profissionais de topo na modalidade y.

Isto para mim vai de encontro ao conhecimento e à capacidade cognitiva que os atletas necessitam de ter e que pode advir em grande escala do conhecimentos de outras modalidades...

Ronaldinho disse...

C-zero,

Sim o historial do jogador é certamente determinante. Esse historial está incluído nos atributos, os atributos com que um jogador chega num determinado momento dependem sempre das experiências anteriores. Melhores estímulos, melhores atributos.

Henrique disse...

"Quando os predadores estão presentes, alguns indivíduos da espécie têm a capacidade de desenvolve um capacete protector." Não conheço em particular o caso da pulga, mas, do ponto de vista evolutivo, se a capacidade de produzir o capacete fosse uma vantagem assim tão importante já tinha sido fixado na população :)

Manuel Nascimento disse...

Tudo muito bonito, mas um grande tiro ao lado em tudo o que não é a mensagem principal. Louve-se a tentativa, ainda assim, mas há que perceber que uma analogia destas cai, quanto a mim, por terra logo à cabeça, também por algumas incoerências do texto.

1- A sério que estamos a comparar daphnias com seres humanos? Ou seja, a reacção de uma pulga, que há-de reagir como reagem os animais, por instinto, é comparada à reacção de um ser humano num determinado ambiente. A pulga não decide usar o capacete por A+B. Não terá essa capacidade. Não é um ser inteligente. Os jogadores de futebol são-no, o que em muitos casos só vem é agravar a situação.

2- Um jogador de futebol como o Quaresma é um caso muito mais grave que o de um daphnia que não usa o capacete - um Quaresma, enquanto animal num contexto diferente, se reagisse apenas por instinto provavelmente adaptar-se-ia ao novo contexto. Mas os Quaresmas são humanos e pior do que reagir por instinto é reagir mal, tendo à partida (biologicamente) as capacidades cognitivas necessárias para reagir bem ou melhor. O problema é, apenas, de educação. O Quaresma reage mal porque foi mal educado / se foi educando da forma errada, o que é muito mais grave que reagir mal só por instinto.

3- O contexto de um jogo de futebol e muito mais complexto do que o contexto que o daphnia enfrenta. Mas é que muito, muito mais complexo, mesmo. E esta complexidade do contexto do jogo de futebol deve-se muito ao tipo de seres que o constituem (seres muito mais evoluídos que os daphnias e seus predadores). De tão diferentes, os contextos, não podem ser assim comparáveis.

4- "Muller, Moutinho, Busquets são exemplos". Pelo que percebi, não os consideras bons jogadores (ou jogadores de top) pelos seus atributos. Consegues referir 10 jogadores com atributos acima da média? A sério que Busquets não os tem? Não tem "capacidades físicas, técnicas, sensoriais, cognitivas"?

5- Quando falas do Kagawa, aí sim, já estás todo perdido. "Os atributos do japonês são os mesmos independentemente do contexto." Pois são. Mas isso é o que defendes para qualquer jogador, no início do texto, ao diferenciar o DNA do ambiente na equação (lol) do fenótipo, Gonçalo, ou não?

6- Finalmente, e aproveitando o exemplo do Kagawa para pegar naquilo em que eu acredito: tu achas que ele é pior ou melhor jogador (aquilo a que chamaste globalmente de "qualidade do jogador") conforme o contexto. Achas que o Kagawa é bom no Dortmund mas mau no Man. Utd. Pois, para mim, isto não faz sentido nenhum. A qualidade do jogador, medida individualmente, não pode depender disso.

A qualidade do jogador dependerá sempre, quanto a mim, do tipo de decisões que toma durante o jogo e da qualidade delas. Ou seja, mesmo inserido num contexto desfavorável, o jogador joga sempre bem (exemplo que vocês mais usam, se calhar, por aqui: Silva).
Para mim, o Messi seria sempre o melhor jogador do mundo em qualquer campo de futebol, mesmo jogando com amadores na 5ª distrital do Nepal. Isso é que é a qualidade do jogador.

O contexto não define a qualidade de um jogador. Tem é a capacidade de a potenciar.

Abraços.

Roberto Baggio disse...

Anónimo,

Contratado e quantos jogos a titular? Quantos na bancada?

Gonçalo Matos disse...

C-zero, na equacção inicial não se toma em consideração o factor tempo, a minha é uma adaptação desta. Para considerar o factor tempo teria de repensar algumas coisa.. Alguma sugestao?

Gonçalo Matos disse...

Anónimo, depende do que queres estudar. Mas sim, tens sempre de observar vários individuos, que podem ou não ser de uma população apenas. Mas diz-me, um plantel de fut não pode ser considerado uma população? E os seus jogadores os individuos desta?

Quanto ao Quaresma, a sua carreira fala por si.. Sempre se destacou pelas acções individuais e nunca pelas colectivas. Fracas decisões muitas vezes, mas excelente qualidade técnica.

Gonçalo Matos disse...

Henrique, depende. O capacete tem vantagem em presença de predadores mas é desvantajoso quando não os há. Logo há um trade-off.

Gonçalo Matos disse...

Manuel,

A ideia da analogia é simplificar, posso complicar se quiseres e usar exemplos em humanos. É só dizeres.

1- define-me lá instinto se faz favor. A daphnia não decide, obviamente. Assim como o jogodor não decide se tem mais ou menos qualidade técnica ou física. Noutros tópicos foi abordado o papel da decisão e se esta é reflectida ou não. ´

2- mais uma vez, o que é instinto? concordo que o problema do Quaresma foi má educação na sua formação enquanto jogador.

3- o teu argumento não tem sentido. Um habitat natural é muito mais complexo do que um jogo. Imagina só as variáveis que tu não controlas num habitat natural? Predação, variações de temperatura, de luz, presença de parasitas... Mais uma vez, tentei simplificar a coisa mas posso complicar. É só dizeres.

4- aqui tens razão. Esses três têm atributos cognitivos muito acima da média. Mas físicos e técnicos não. Técnicamente e fisicamente Muller e Moutinho não são top10, o Busquets técnicamente é talvez.

5- Exacto. Porque é que estou todo perdido? Só quis relembrar que os atributos/dna são os mesmos sempre.

6- Acho que se fores ver a qualidade individual, o Kagawa foi muito melhor potenciado no Dortmund que no Man Utd. O que tu consideras ser decisão, para mim entra nos atributos. Apresenta-me a tua alternativa sff.

Manuel, compreendo as tuas críticas. Algumas são fruto de ignorancia e outras falhas miinhas. O que gostava mesmo era que me apresentasses as tuas ideias. Qualidade individual se não depende do contexto, então como explicas que um jogador jogue como Kagawa jogava em Dortmund e depois mude de contexto e passa a ser muito pior?

Anónimo disse...

Roberto, Gonçalo, não é preciso dizerem-me que ele não vingou nem no Inter nem no Chelsea... mas esta não é a questão, ou acham que o *contrataram* para o por na bancada??

e Gonçalo, a diferença entre afirmações estatísticas e afirmações sobre individuos é fundamental. fundamental mesmo. claro que podes dizer que um plantel constitui uma "população", mas esta metáfora morre ali -- os elementos duma população estatística são todos intercambiáveis, enquanto os membros dum plantel têm funcões altamente específicas (o melhor trinco do mundo vai dar um extremo fraco e vice versa). já para não mencionar que não procriam entre si, nem são ameacados por predadores...

não é para chatear, mas acho que a comparação não tem assim tantas pernas para andar.

Gonçalo Matos disse...

Qualidade individual inserida num contexto colectivo obviamente. Nao estou a falar de dar toques no parque da rua ou peladinha com os amigos

PM disse...

Isto está cada vez pior... mas o problema é meu... que sendo da área da educação física / ciências do desporto / treino desportivo / futebol... ando a perder o meu tempo c gente da área da biologia e que diz mal de tudo e de todos mas anda em equipas c 3 treinos por semana...

Andrea Pirlo disse...

Bom texto Gonçalo!

Abraço

Roberto Baggio disse...

PM,

Certo. Andas a perder o teu tempo. Fico feliz que te tenhas apercebido disso.

DC disse...

Há um ponto que não percebi muito bem.
Dizes que o Quaresma tem pouca ou nenhuma capacidade de adaptação enquanto Moutinho ou Busquets têm muita. Depois Kagawa, apesar de ser um jogador inteligente, também tem pouca capacidade de adaptação já que não se consegue adaptar ao modelo (ou 2 modelos já que jogou com 2 treinadores) do United. Certo?
Ou seja, então a capacidade de adaptação não depende da inteligência?

Ou por outro lado, defendes que é impossível mesmo que um jogador seja muito bom e muito inteligente, adaptar-se a certos modelos de jogo?

João disse...

Não percebendo nada de biologia, percebi a analogia que fizeste. Mais, concordo em absoluto com a análise que fazem do Quaresma e do Sálvio.

Baggio, noutro post disseste que o Sálvio poderia ser lateral. Porque dizes isso? Acreditas que, não tendo ele a capacidade (técnica?) para fazer movimentos interiores, enquanto extremo, poderá ser um lateral competente - e aqui refiro-me à parte defensiva?

Gonçalo, obrigado pelo post diferente.

Abraço.

João disse...

Não percebendo nada de biologia, percebi a analogia que fizeste. Mais, concordo em absoluto com a análise que fazem do Quaresma e do Sálvio.

Baggio, noutro post disseste que o Sálvio poderia ser lateral. Porque dizes isso? Acreditas que, não tendo ele a capacidade (técnica?) para fazer movimentos interiores, enquanto extremo, poderá ser um lateral competente - e aqui refiro-me à parte defensiva?

Gonçalo, obrigado pelo post diferente.

Abraço.

André Lobo disse...

Gonçalo Matos,

A análise que fazes do Quaresma é algo com que concordo plenamente, é um jogador com uma qualidade técnica brilhante, passa por qualquer um no 1 para 1, etc, no entanto a sua tomada de decisão é sempre mesma, vai no 1x1, como vai no 1x2 ou x3. No entanto, é um jogador que apesar de todos os erros desiquilibra e ganha jogos.

Como é evidente poderia ser muito melhor se tivesse uma maior perceção do jogo, no entanto queria-te questionar se não consideras um jogador como estes util a uma equipa como o Porto.

Gonçalo Matos disse...

PM, alguém te obrigou a vir aqui? Ainda bem que és dessa área. Nunca me ouviste dizer que sei mais que alguém sobre a área que referiste, pois nao? É que nem tu fazes ideia de onde nos treinamos ou quem treinamos.

Gonçalo Matos disse...

Nao percebo muito de estatistica. Numa população tens indivíduos com características diferentes, diferentes genomas. Nao te esqueças de que para haver evolução é necessário diversidade genética, logo diferentes elementos na população.
Nao quero que ninguém aceite a minha perspectiva, nem que a usem. É minha e da-me jeito, porque os primeiros conceitos eu domino perfeitamente.

Gonçalo Matos disse...

Mas sim, nao quero tentar aplicar conceitos de genética de populações a equipas de futebol. Nao tem sentido. De qualquer forma, acho interessante o feedback que aqui trouxeste. Percebeste facilmente as fragilidades por detrás da comparação. Se nao levares a mal, qual o teu background? Talvez possamos abordar assuntos extra futebol

Roberto Baggio disse...

João,

Salvio tem técnica para tudo. Só não a utiliza. Depende demasiado do físico, e faz disso o seu jogo. Não sei o que se passou entre a primeira época no Benfica, e a época em que regressou. Mas no primeiro ano ele era muito melhor do que aquilo era no seu regresso.
Defensivamente acho que Jesus o conseguiria fazer. Mas também isso é uma suposição.

Gonçalo Matos disse...

Segundo aspecto DC. Obrigado pelo teu feedback, facilitas-me sempre a vida! Um abraço

Gonçalo Matos disse...

Obrigado João!

Gonçalo Matos disse...

Acho que um jogador com a qualidade individual do Quaresma tem sempre utilidade. Mas nao acho que possa jogar 90 minutos, é super imprevisível, inconstante, indisciplinado. Confiarias num jogador assim?

moskow disse...

Gonçalo complicaste aqui com este post, deixaste mta gente confusa e com os (2) neurónios às voltas.

Acho que mais valia teres simplesmente escrito que "há luz da biologia...o quaresma é burro que nem uma porta!" ;)

Não vale a pena, as pessoas vão sempre achar q um grande jogador é aquele que corre mais e que remata com mais força.
O futebol é algo acessível diariamente a toda a gente, então toda a gente acha que percebe imenso de futebol, o que é pena é essas pessoas não se perguntarem a si mesmas se não serão burras demais para realmente entender o futebol.

Gonçalo Matos disse...

Moskow,

Futebol está disponivel para ser visto mas claramente compreende-lo não é acessível a todos. Se é por falta de vontade em aprender ou por limitações cognitivas é que não sei.. Há pouco espirito critico em relação ao que é "ensinado" pela comunicação social.

Um abraço

B Cool disse...

Gonçalo,

A questão do tempo podia ser analisada com um somatório de experiências, ou seja terias uma equação em que terias uma constante, que são os atributos, teria um somatório de todas as experiências vividas e depois terias a experiência individual de cada época ou seja:

qualidade individual = atributos + somatório de i=1 a i=n-1 (em que i é a temporadas e n é a temporada no ano actual) de todas as experiências vividas (atributos x modelo de jogo/treino/jogo) + modelo de jogo/treino/jogo

Assim permitiria-te teres um acumulado de todas as experiências passadas e que cada experiência anual tivesse o seu peso. Depois era só achar os coeficientes que cada um destes termos teria, para poderes por em questão qual o peso das experiências passadas e qual o peso da realidade actual.

Não sei é se deves definir isso como a qualidade individual, mas isso já é outra questão.

Quanto à questão das populações e dos indivíduos, permite-me discordar do outro comentador e concordar contigo, pois já foi dito neste e noutro blog que não são as posições que são determinantes mas a inteligência e portanto que o messi seria o melhor lateral direito do mundo se fosse jogar a lateral direito. Tirando o guarda-redes, que tem que ter atributos físicos específicos, mas que se for considerado como um elemento importante na saída de bola como é o valdez no barcelona, então todos os jogadores são iguais e como tal, um plantel é uma população.

Gonçalo Matos disse...

B cool,

Gostei mto do input do somatório! A questão é que assim terias também de ter em consideração a variação do ambiente e da interacção ao longo do tempo.

Quanto à questão das posições dos jogadores, estamos de acordo. Quem diria que Coentrao seria lateral? Que enzo daria um excelente médio centro? Matic um grande 6?

Anónimo disse...

olá Gonçalo, e desculpa que não respondi mais cedo. também não percebo grande coisa de estatística (apesar de ser matemático, mas duma área totalmente diferente), mas tenho alguma noção dos problemas que o mau uso da estatística traz em termos sociais - por exemplo, a forma como estudos de medicina, farmacologia etc são tratados nos jornais é por norma horrivelmente errado. muitas vezes tem a ver com confusões mais básicas (tipo não perceber que uma correlação e uma relação causa-efeito não são de todo a mesma coisa), mas a diferença entre uma população e os indivíduos que a constituem também costuma aparecer muito.

infelizmente não sei assim "off-hand" uma boa referência para aspectos fundamentais da estatística, se me lembrar duma venho aqui postar um link.

de qq forma achei interessante esta ideia, mesmo sem concordar com ela! até porque uma equipa de futebol (como p.ex. uma banda de jazz) parece-me que está numa região de fronteira interessante entre "aquilo que é individual e aquilo que é estatístico", ao contrário p.ex. duma orquestra de música clássica, onde a massa dos músicos é tão grande que acredito que seria mais facilmente equiparável a uma população, mas as instruções são minuciosas, tanto da parte da partitura como da parte do condutor (um indivíduo portanto). no futebol (e no jazz) as liberdades dos indivíduos são muito maiores (e acho que é por causa disso que gostamos tanto), e há imensas formas de agir - diferentes equipas tomam decisões a níveis muito diferentes (como ilustra bem aquela entrevista com o Vitor Pereira que o Baggio re-postou), há casos quando o sistema é imposto pelo treinador, há casos quando é feito para dar a maior liberdade possível a um (raras vezes dois) jogadores, há casos quando a liberdade e distribuida mais "democraticamente"... provavelmente devia de ler o que o Bielsa escreveu sobre isso, vocês talvez conheçam?

B Cool disse...

Gonçalo,
A solução para a tua questão, é que cada variável também tenha um índice temporal, isto é, que o somatório seja um somatório de um produto de variáveis que variam ao longo do tempo, ou alternativamente, procurar estimar os coeficientes que cada uma das variáveis que apontas tem como influência no somatório.

O racional é a questão do lago e do rio, o rio é um fluxo, que pode ser maior ou menor consoante as condições (desempenho em cada época), o lago é um acumulado onde desaguaram já os rios passados (experiência acumulada das várias épocas, seja o nível dos estímulos, do ambiente, etc. etc.).

Gonçalo Matos disse...

B cool,
Eu sei.. Mas desvirtua a equação inicial! Mas acho que a tua ilustra melhor a minha ideia inicial. O tempo é um factor igualmente importante, especialmente se estiveres inserido num contexto favorável, com bom modelo de jogo etc

Gonçalo Matos disse...

Anónimo,

So nao percebi ainda bem porque consideras que numa população natural, por exemplo, leões na savana, os indivíduos da população tem funções mais semelhantes entre si que numa equipa de futebol.. Quanto á estatistica, concordo.. Eu próprio perco horas a analizar os meus resultados porque infelizmente bioestatistica nao é algo que me seja super simples de compreender..

Anónimo disse...

olá Gonçalo! como eu disse, também não sou perito em estatística (nem muito menos biologia ou ecologia), portanto estou apenas a emitir uma opinião que pode ser valida ou não. relacionado com aquilo que diz o B cool, descobri que a ideia que processos de aprendizagem e de evolução darwiniana sejam modeladas por equações análogas parece que tem uma certa popularidade actualmente (encontrei um blog post sobre a matéria aqui http://johncarlosbaez.wordpress.com/2012/06/01/information-geometry-part-9/, mas receio que seja muito formal...).

dito isto, para os leões na savana (e as questões de dinâmica, saúde, &c de populações normalmente consideradas) é indiferente se morrem os leões A e B e sobrevivem C e D, ou o contrário. (um caso mais extremo seria fazer estatística de partículas elementares, que já em princípio são indistinguíveis. tens quatro eletrões, e não há forma de distinguir um do outro). mas se A,B,C e D são laterais, como treinador queres saber quais deles pões a jogar, eles vão dar-te contributos diferentes para a equipa. para exagerar um pouco, eles têm livre arbítrio, por causa disso são indivíduos bem distinguíveis dentro do campo. os leões são muito mais "standardizados" nos seus comportamentos (não são criativos nem precisam sê-lo, precisam é de comer e procriar), por causa disso uma história mais individualizada duma população não faz tanta falta - e mesmo assim, suponho que tratando-se dum animal do topo da cadeia alimentar e portanto com populações mais pequenas e estáveis em certos aspectos já podia ser útil. para as pulgas de água é impensável!

continuem o bom trabalho, espero que algum dia a vossa forma de ver a bola chegue não só aos bancos nos estádios, mas sobretudo também aos jornais e às televisões, onde infelizmente continua a imperar uma verborreia cega que já devia ter os dias contados. um abraço!