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segunda-feira, março 31, 2014

Chelsea de Mourinho

Como já havia sido escrito por aqui e no Lateral Esquerdo, o Chelsea de Mourinho é pouco competente na construção, e criação. É uma equipa que se faz valer, ainda, dos atributos menos importantes, daqueles que se quer numa equipa de grande dimensão. Ou melhor, ao invés de ir buscar, primeiro, o futebol, que é o essencial, Mourinho, continua a pedir primeiro, aquilo que nós, na nossa forma de ver o jogo, é acessório.
Veja-se na entrevista após a derrota do último fim de semana a partir do minuto 3:25.



Dando uma vista de olhos aos resultados do Chelsea no campeonato, poder-se-ia dizer que (da forma como Mourinho nos indicou, no início da época, que queria construir o seu modelo de jogo), a equipa tivesse tido dificuldades contra os adversários de maior valia colectiva, e individual. No entanto, o fenómeno que se observa é precisamente o oposto. Para quem tem acompanhado os jogos do Chelsea, são evidentes as dificuldades contra as equipas de menor dimensão, porque a equipa revela imensas dificuldades em assumir o jogo. Nos jogos "grandes", onde os índices de motivação são elevadíssimos, onde a agressividade e concentração estão no seu expoente máximo, isso não é problema. Os adversários assumem o jogo, e o Chelsea joga em transições, no erro. Nos jogos em que a equipa tem mais bola, pela postura do adversário, torna-se inerte.

Veja-se a seguinte análise: O Chelsea tem neste momento 6 empates e 5 derrotas no campeonato. E já realizou 9 jogos contra os adversários mais poderosos do campeonato, faltando-lhe apenas visitar o Liverpool. Seria expectável que os empates e derrotas fossem maioritariamente consequência dos duelos com os seus adversários directos. Mas não é o caso. Dos empates e derrotas, apenas 3 foram consequência desses jogos, e foram todos empates. Ou seja, em 9 jogos com os grandes, Mourinho somou 6 vitórias e 3 empates. Onde seria de se esperar mais dificuldades, pela implementação do modelo de jogo a que se propôs, os resultados são muito positivos. Disto resultam 8 jogos com adversários de menor valia individual e colectiva (excepção feita ao Everton, colectivamente muito forte), onde perdeu 5 (Crystal Palace, Aston Villa, Stoke, Newcastle, e Everton) e empatou 3 (West Brom, West Ham, e West Brom novamente).

Em organização ofensiva, o Chelsea é bastante diferente daquilo que Mourinho disse querer no início da temporada, em nome de um crescimento colectivo, para no ano seguinte atacar os títulos. Abdicou disso, em nome de vitórias, e da luta pelo campeonato, coisa que disse não ser objectivo no início. Hoje, vê-se uma equipa muito organizada defensivamente, com algum critério nas transições, mas que depende em demasia de imponderáveis como a inspiração individual dos seus atletas, capacidade de concentração, índices de motivação, erros individuais do adversário, etc... 

Do meu ponto de vista, a equipa deveria começar por ser competente naquilo que, vão ser as regularidades na maior parte do campeonato. A grande maioria dos jogos do campeonato, 28, serão contra equipas de menor valia individual e colectiva. Ou seja a equipa terá obrigatoriamente que assumir o jogo em 28 jornadas. E depois, no restante tempo, preparar o pormenor (2 jogos contra adversários de maior valia, e 8 contra adversários com as mesmas armas). Isso implicaria, processos de construção e criação bastante melhor trabalhados, nesta fase da época. Bem como menos recursos a vertente estratégica.

Claro que, poder-se-à sempre dizer que é o primeiro ano dele com os jogadores. Que ainda os está a conhecer, e que preferiu trabalhar primeiro a equipa defensivamente, a mentalidade e os índices de competitividade. Mas, do meu ponto de vista, as prioridades foram trocadas. A equipa deveria ser, competente como é defensivamente, mas muito, muito melhor do ponto de vista ofensivo.

O Chelsea de Mourinho está preso, amarrado, sem criatividade e competência no ataque. No fundo, sente-se confortável a jogar como equipa pequena...

Benitez


Princípios gerais do seu modelo de jogo. Alguns exercícios de treino.

sábado, março 29, 2014

Criar ou recrear...

JM: Como é que consegue conciliar organização e criatividade?
(VP): Procurando não cair no erro que caía no inicio da minha carreira. Nós normalmente quando acentuamos muito o que é táctico, temos tendência a robotizar, temos tendência a querer um futebol quase sem erros, um futebol mecânico. Eu já tive essa tendência, por exemplo, direccionar muito o feedback do exercício, sistematicamente parar para corrigir e não deixando que o jogo flua, é importante deixar fluir o jogo. Ás vezes estou no treino a ver uma solução, que para mim é a melhor solução, porque vem no sentido daquilo que é a minha ideia de jogo, por exemplo, quando a bola entra no corredor quero que haja a tentativa de forçar esse corredor em situações de dois contra um, através do envolvimento do lateral ou através do envolvimento do médio centro. Mas eu tenho um extremo direito que é muito melhor jogador daquilo que eu fui, mas muito melhor jogador, e muitas vezes aquilo que eu fui como jogador limita-me em termos de leitura daquilo que está acontecer, isso acontece montes de vezes, estou à espera de um movimento qualquer e o movimento sai correcto, o movimento sai correcto e a bola não entra, tenho a tentação de dizer é neste momento, tau, mas esse meu extremo direito inventa futebol, mas inventa futebol com uma qualidade acima da minha, do meu entendimento. Ele consegue descobrir soluções que eu no meu entendimento não consigo perceber, no momento não consigo perceber o que ele quer mas ele descobre, ele descobre porque ele tem muito mais qualidade do que eu algum dia tive e apesar de eu estar de fora ele é capaz de descobrir soluções… Aqui há uns anos se ele não jogava no movimento que eu pretendia, ficava chateado, porque achava que ele não estava a corresponder à dinâmica do colectivo. Agora deixo fluir, porque percebo que ele me consegue dar, a maior parte das vezes, soluções muito mais ricas do que aquelas que eu estava à espera. Eu não limito a criatividade, eu deixo criar mas tem que ser… agora, se ele me cria uma vez e perde a bola, se me cria duas vezes e perde a bola, sistematicamente colocando em causa o que é o colectivo, ai isso para mim não é criatividade. Para mim ele está a recrear, não está a criar para a equipa.
O problema é nós deixarmos que eles do ponto de vista individual consigam emprestar o mais possível ao colectivo. Por exemplo, neste momento tenho dificuldade em trabalhar a um toque ou a dois toques, faço isso, mas tenho o cuidado de não fazer muito isso, prefiro uma execução rápida, uma execução que me dê fluidez no jogo mas que permita dois, três, quatro toques, porque há jogadores que sustentam fundamentalmente o seu jogo na condução. O Cristiano Ronaldo se tivesse apanhado um treinador na formação que o limitasse sistematicamente a jogar a um, dois toques, não tinha as características que tem agora. Por isso é que é muito importante perceber que eles nos estão a dar, a criar, mas a criar para o colectivo, ou se estão a recrear é que ás vezes eles estão a recrear-se, outras vezes estão a criar e estão a criar com uma qualidade acima do nosso entendimento.
JM: Até que ponto a criatividade do jogador esbarra com a organização?
(VP): Esbarra quando é à revelia da organização. Agora se for o criar para acrescentar… Temos um determinado exercício e na nossa cabeça o exercício tem uma potencialidade enorme, mas muitas vezes colocamos o exercício a funcionar e pela falta de qualidade dos jogadores o exercício vai… nós vamos ter que ir retirando complexidade ao exercício e retirando qualidade ao exercício. Ter menos complexidade até o torna mais rico, mas muitas vezes dou por mim a olhar para o exercício e a ver é pá o exercício é de facto rico mas precisa de qualidade e quando nós treinamos jogadores sem qualidade eles vão-nos retirando qualidade ao exercício, potencialidades ao exercício.
Quando encontramos jogadores que têm boas tomadas de decisão, que conseguem ler soluções antes de receberem a bola, conseguem grandes variações de corredor, mesmo de lado, e tau variou, do tau conseguem de um movimento qualquer… Eu gosto muito desse jogador que lá tenho, porque em condução consegue perceber o quê que se está a passar do lado contrário, do lado da bola e não é rápido, é um jogador lento, mas muito rápido a pensar. Esses jogadores acrescentam, no futuro em vez de ter dois ou três jogadores desses queria ter quase a equipa toda. Eu tenho pena, mas ao mesmo tempo orgulho, a minha carreira tem sido feita a pulso, eu nunca a possibilidade de ser adjunto… à excepção do Zé, mas o Zé também estava no inicio de carreira, portanto estava a aprender como eu estava, estávamos a experimentar coisas, tínhamos ideias umas atrás das outras… mas eu nunca tive possibilidade de estar em grandes clubes, trabalhar com grandes jogadores, mas o que é facto é que os grandes jogadores nos acrescentam muito, os jogadores de qualidade acrescentam muito. Agora onde estou já vou apanhando um ou outro e vejo claramente que nos acrescentam, porque conseguem fazer-nos pensar se aquilo que andamos anos e anos a pensar é exactamente como nós pensávamos ou se há mais para alem daquilo, levanta-nos um bocadinho do véu e nós espreitamos. Estou à espera de destapar para perceber melhor o jogo do que aquilo que percebo, mas é por aí…

Nunca perceberás, Ricardo...

sexta-feira, março 28, 2014

Quaresma, biologia e afins

Cada ser vivo possui um conjunto de características observáveis que o define (ex: morfologia, fisiologia, comportamento). Este conjunto de características resulta não só do material genético do indivíduo, o seu genótipo (DNA), mas também do ambiente onde o indivíduo se encontra e da influência que esse mesmo ambiente exerce sobre o DNA. Um exemplo interessante é o da daphnia, uma pulga de água: este animal quando num ambiente sem predadores possui uma cabeça arredondada. Quando os predadores estão presentes, alguns indivíduos da espécie têm a capacidade de desenvolve um capacete protector. Este capacete é resultado da interpretação dos estímulos do habitat e traz vantagens na adaptação ao novo ambiente. Temos assim, a alteração do ambiente a provocar uma mudança nas características do individuo. Esta relação entre fenótipo, genótipo e ambiente pode-se descrever pela seguinte equação:


Fenótipo = Genótipo (DNA) + Ambiente + (Genótipo (DNA) X Ambiente)

Na minha cabeça, existe um paralelismo entre fenótipo e a qualidade individual de um jogador de futebol. 
Um jogador de futebol possui um conjunto de atributos (capacidades físicas, técnicas, sensoriais, cognitivas) que na equação acima descritas podem ser vistas como o genótipo ou o DNA. Estes atributos são o factor delimitante, daquilo que um jogador é ou poderá ser, e são o barro que o treinador pode moldar. O ambiente poderá ser, por exemplo, o modelo de jogo do seu treinador, o treino, ou mesmo um jogo oficial. Qualquer contexto em que hajam estímulos externos e o jogador se insira pode ser considerado o ambiente. A capacidade que um jogador tem de potenciar as suas características em função dos estímulos que são externos aos seus atributos são a interacção entre ambiente e DNA.


Qualidade Individual = Atributos + Modelo de Jogo/Treino/Jogo + (Atributos X Modelo de Jogo/Treino/Jogo)

 Para mim os últimos parâmetros da equação, são os aspectos mais interessante da analogia. Muitas vezes aqui no blog questionam o porquê de criticarmos jogadores como o Quaresma ou Salvio. Nós criticamo-los porque independentemente do ambiente em que estes se encontram, as suas características se expressam da mesma forma. Isto é, não há nenhuma capacidade, ou capacidade reduzida de adaptação ao contexto onde se inserem nem de compreensão dos estímulos que os rodeiam. São jogadores que fazem o mesmo tipo de acções, estejam em igualdade, inferioridade ou superioridade numérica. Se fossem daphnias, estivesse ou não o predador presente, andavam sem capacete protector, independentemente da utilidade do mesmo.

Há por outro lado jogadores que não tendo atributos acima da média são excelentes jogadores, precisamente por terem uma capacidade de avaliação do contexto em que estão, muito acima da média, adaptando os seus atributos ao contexto. Muller, Moutinho, Busquets são exemplos. Estes se fossem daphnias saberiam quando o capacete é útil, o exacto momento em que o deveriam por e qual o formato que o capacete deveria ter.

Para acabar peguemos no exemplo do Kagawa. Os atributos do japonês são os mesmos independentemente do contexto. No Dortmund, estava inserido num ambiente x. No Man Utd está inserido noutro contexto, y. Um contexto tirava o máximo do jogador, noutro parece ser banal. Kagawa, segundo Klopp, é um jogador inteligente, pelo que a sua percepção do jogo é elevada. O que faz com que Kagawa pareça banal é o modelo de Moyes, e o facto das características do Shinji não se adequarem ao modelo em questão.


Espero que este raciocínio ajude alguns dos leitores a melhor avaliarem jogadores. O meu backgroud é em biologia e portanto esta analogia surgiu naturalmente. Provavelmente existirão outras, em diferentes áreas do conhecimento que serão mais simples.

Vou ficar à espera do feedback! Um abraço e cuidado com os maus ambientes.

quarta-feira, março 26, 2014

Messi no Bernabeu



Fabuloso!

PS: Dá-me sempre um certo gozo ver Pepe e Ramos completamente perdidos, naquilo que é importante defensivamente. O Real Madrid tem no banco Varane, que está a anos luz desses dois, atletas, que só servem para bater e chutar com força.

domingo, março 23, 2014

Curtas de Sábado

Mais um grande jogo de William Carvalho. Tenho seguido com particular atenção a carreira do jovem português, por questões particulares, e não posso deixar de estar surpreendido com a sua evolução. Na época em que se estreia na equipa do Sporting, não esperava que tivesse já conseguido atingir este nível. Verdadeiramente incrível como o jogar com regularidade, o ter a confiança do treinador e das bancadas, pode catapultar a evolução do jogador para níveis óptimos de desenvolvimento. Ontem, valeu por aquilo que conseguiu oferecer à equipa, com bola. Procura dos apoios frontais, procura os colegas no espaço, e consegue ser muito assertivo no passe após recuperação.
Não obstante da vitória justa do Sporting, continua sem se perceber o porquê do seu melhor central continuar no banco, e a aposta em menos futebol com o seu melhor jogador, também, no banco.
De realçar ainda os erros cometidos no golo sofrido do Sporting, começando por William, passando por Adrien e Rojo, e terminando em Jeferson.
Quanto ao Marítimo, apenas um comentário: Como é que é possível Márcio Rozário estar na primeira divisão nacional?!





Em Londres, uma mais que previsível derrota do Arsenal, tendo em conta o número e importância dos jogadores lesionados. Contudo, por número inesperados. De realçar que não foi um jogo brilhante em todos os momentos do jogo por parte do Chelsea, que nem com dez elementos conseguiu ser competente em organização ofensiva. A equipa de Mourinho é muito sólida, defensivamente, e saiu muito bem, com critério, nas transições ofensivas. Fez 3 golos nas primeiras 3 transições que conseguiu, e o resto do jogo foi apenas o aproveitar do desgaste e erros do adversário. Ficam os números para a história, uma vez que nunca o Chelsea tinha vencido o Arsenal com uma margem tão larga. Mas ficam também evidentes as dificuldades de construção e criação do Chelsea, por falta de princípios colectivos de qualidade, em organização ofensiva.

Na Bundesliga o Bayern continua a desiludir. Por esta altura, e com o campeonato mais do que resolvido, seria de esperar uma marca bem mais vincada de Guardiola na equipa. A pressão de ganhar, no campeonato, é quase inexistente e com essa tranquilidade esperava que a equipa se desenvolvesse dentro daquilo que são as ideias que Guardiola diz querer para à sua equipa. Se há coisa que sempre foi a marca de Guardiola, sempre foi muito trabalhado, e Guardiola nunca abdicou, foi da saída de bola. Mesmo sob pressão, a equipa conseguia sair com qualidade, porque é de facto aí que começa a dinâmica de posse. Contudo, há vários jogos que se nota uma dificuldade do Bayern em sair de zonas de pressão. Perde muitas bolas, comete muitos erros, joga mais vezes directo. Poder-se-ia dizer que era uma dificuldade inerente à
qualidade dos jogadores alemães, mas não é o caso. Isto porque desde o início da época, até a paragem de inverno, a equipa era verdadeiramente competente nesse momento. Saia sempre com qualidade desde Neuer, conseguindo soluções alternativas, para ultrapassar a pressão sobre a sua linha defensiva, em curtos espaços. Hoje, vê-se uma equipa insegura (com bola), a dividir o jogo em transições com o adversário, saindo sem critério, e em inferioridade numérica. São padrão, as várias tentativas de colocar a bola no espaço antes de desorganizar o adversário, sem uma verdadeira intenção de dominar e assentar o jogo, atacando "passito a passito" como já o fez esta época. De resto, só me lembro de duas vezes uma equipa de Guardiola ter concedido tantas oportunidades para marcar ao adversário, e os adversários eram o Chelsea, e o Real Madrid, não o Mainz. Foi o pior jogo que lembro de Guardiola.

sexta-feira, março 21, 2014

Sevilla

Sorteio da Liga Europa

O sorteio afigura-se muito favorável às equipas portuguesas.

FC Porto - Sevilla
AZ Alkmaar - Benfica

Em condições normais, teremos duas equipas portuguesas nas meias finais da Liga Europa.

O Porto joga com o Sevilla, com alguma qualidade individual, mas que colectivamente, falando da organização defensiva é péssima. Joga num 1-4-3-3, com um médio defensivo apenas. Os médios jogam todos em marcação individual aos médios adversários, e a linha defensiva é simplesmente caótica. Perseguem adversários para todo lado, ficando sempre espaços fundamentais livres, passiveis de serem aproveitados. Tinha comentado há uns tempos com o Ronaldinho que o melhor que poderia calhar, para além das equipas holandesas, seria esta formação. Colectivamente não têm argumentos para o Porto (ainda que o Porto não esteja tão bem este ano), e individualmente também não se podem comparar.

Ao Benfica saiu exactamente o que Jesus queria. Uma formação que vai permitir continuar a gerir os jogadores, sem perder nunca de vista as hipóteses de qualificação para a meia final. Apesar de não conhecer os holandeses, estou certo que não têm qualidade individual para o SLB, assim como não deverão apresentar grande qualidade no momento defensivo (que nestas provas a eliminar é fundamental).

Em condições normais, as duas equipas portuguesas terão dois/quatro jogos com um grau de dificuldade menor do que os que enfrentaram na fase anterior.

quinta-feira, março 20, 2014

Brendan Rodgers

A nossa principal mensagem dita pelo treinador sensação da Premier League.



O incrível Hulk

Aubameyang, avançado. Tivesse percebido a tempo a necessidade da equipa em ter mais um jogador atrás da linha da bola, a fechar o corredor central na linha média, e o golo teria sido evitado. Muito importante todos os jogadores perceberem os ajustes que devem fazer, independente da posição que mais ocupam em campo.


quarta-feira, março 19, 2014

Formação

Quando falámos dos problemas da formação, é exactamente este tipo de abordagem que criticámos.

Veja-se neste link.

Nestas idades, a preocupação com taças deve ser zero. A grande preocupação é com a evolução dos jogadores. Com as aprendizagens que retiram da formação. Sim, o objectivo é formar para ganhar no futuro.
Veja-se as palavras do treinador dos Juniores do Benfica, "
É um motivo de orgulho estar entre as três melhores equipas da Europa. O sonho passa por  ultrapassar os obstáculos que surgirem até chegarmos à final. Vamos defrontar o Real Madrid da mesma forma que temos encarado os restantes encontros


É uma alegria imensa chegar às meias-finais de uma competição nova e estar entre as quatro melhores equipas europeias. Gostaria de realçar o grande trabalho coletivo e o espírito, a união e a raça com que a equipa encara todos os jogos"

E no final o que é que os jogadores aprenderam com isto? Simples. Aprenderam que é possível ganhar jogando pior. Aprenderam a contar com a sorte. Não aprenderam nada.

segunda-feira, março 17, 2014

Profundidade do plantel

Estou curioso para perceber em que jogo Jesus vai mudar completamente onze inicial, ou em que conjunto de dois jogos vai trocar metade dos jogadores em campo. De que forma vai permitir a recuperação dos elementos mais utilizados durante a época?
Treze dias com cinco jogos, em Março (17, 20, 23, 26, 30). Não vai ser fácil a gestão do ciclo que começou hoje, assim como vai ser verdadeiramente testada a profundidade do plantel do SLB. Quatro competições onde o Benfica tem ambições em todas, principalmente pelos clássicos com o FCP.

domingo, março 16, 2014

Sporting CP 1 - 0 FC Porto





Uma rotina mais que habitual no golo do Sporting, sobre a qual o FCP deveria estar alertado. Poderá o pouco tempo de trabalho entre a Liga Europa e este jogo ter sido a causa para o FCP não estar alertado para este tipo de lances?

sexta-feira, março 14, 2014

Kroos

Há algum tempo que o Baggio lhe recomendava que aprendesse com Lahm, aqui.

Durante este tempo todo, Kroos aprendeu pouco ou nada. É claramente o médio com mais dificuldade em compreender aquilo que Gaurdiola pretende, e isso faz dele o pior médio da equipa (Lahm incluído). Constantemente a "remar" no sentido contrário ao dos colegas, a paciência de Guardiola vai-se esgotando. Neste jogo contra Wolfsburg foi substituído aos 55min (já tardava depois de tanta asneira), para Thiago mostrar como se faz passados 7min.
É uma pena, pois tem capacidade para fazer muito mais do que passar para o lado e para trás ou meter longo quando o contexto não o favorece. 

É por isso que não nos cansamos de dizer isto e insistir nisto.

Kroos tem tudo... menos o essencial!

Tottenham

Tantos milhões gastos. Tão poucos jogadores contratados. Que miséria de futebol é o jogado por uma equipa que gastou milhões em contratações. Nem sequer organização tem. Ou melhor, tem uma organização desorganizada. Como aliás já tinha comentado no Lateral Esquerdo.
A ideia de que é pelas capacidades físicas, ou pelos golos marcados que os jogadores valem, dá nisto. Dá em nada.
Em Dezembro, escrevia-se por aqui,  "Sandro, Dembelé, e Paulinho não têm qualidade técnica, nem criatividade para sair com qualidade de zonas de pressão. O meio campo musculado de AVB não tem cérebro (quando em posse), nem técnica que acompanhe os atributos físicos. Assim, não é de estranhar que ao intervalo já estivessem a perder por 2-0. Somado a isso, Soldado, Lennon e Chadli, que não são propriamente jogadores de manutenção da bola, de apoios, ou de criatividade, podemos facilmente perceber o porquê de os Spurs terem rematado zero vezes à baliza do Liverpool na primeira parte.
Com Lamela, Holtby e Sigurdsson no banco AVB tem razão quando diz que as responsabilidades são suas, por ser ele a escolher o onze inicial e a fazer as substituições.

A ideia de que um meio campo com essas características serve para controlar o jogo é ,quanto a mim, errada, porque depende do que o adversário vai apresentar, e sobretudo porque vai resultar em dificuldades imensas quando equipa recupera a bola."


Há uns tempos atrás, Tim Sherwood afirmou que não percebia por que motivo queriam meter um treinador estrangeiro no Tottenham. Disse ainda que já tinha visto muitos treinadores estrangeiros que não prestavam. Ele esqueceu-se foi de dizer, nessa mesma entrevista, que ele nunca tinha visto um treinador inglês que prestasse.

quinta-feira, março 13, 2014

Vítor Pereira & Jorge Jesus

Acham que agora já posso dizer que Pereira e Jesus dão 10-0 em organização defensiva a esmagadora maioria dos treinadores mundiais?!

Muitos estranharam a péssima ocupação dos espaços da equipa de Pellegrini no jogo de ontem. Eu não. Do que vi das equipas dele, sempre foram uma lástima defensivamente. Inclusivamente, esta época, tinha dito que estava a tentar melhorar a sua organização defensiva, dizendo que era um dos momentos que treinava mais, em organização e transição, mas para já sem resultados práticos.
A exibição defensiva de ontem foi em tudo semelhante a esta, com a particularidade do Barcelona ter mais vezes a bola, logo consegue expor mais vezes os problemas organizativos do City. Compara-se ainda a excelência defensiva do FCP de Vítor Pereira ao Málaga de Pellegrini, aqui.

Veja-se quando escrevi sobre a excelência defensiva de Jesus, relativamente aos outros treinadores do mundo, a polémica que causou, no Lateral Esquerdo. E perceba-se a qualidade do seu trabalho em comparação com a maioria dos outros treinadores, no momento defensivo.

E o mais ridículo é que continuam a surgir questões do tipo: "Ah, se eles são tão bons por que motivo um está na Arábia e outro está no Benfica, sem que tenham abertura por partes das grandes equipas?!"

Ora, se calhar quem escolhe os treinadores não percebe nada do jogo. Porque não é normal o Barcelona escolher um treinador que coloca Mascherano uma parte inteira a perseguir o Aguero, abrindo constantemente espaços entre os centrais, que só não foram aproveitados pela fraca exibição colectiva do City em organização ou transição ofensiva.
Ou então preferem mesmo que as suas equipas defendam assim, ou assim, ou assim, ou assim, ou ainda assim.

Relembro um artigo antigo do Posse de Bola...

E declarações de Vítor Pereira sobre Jorge Jesus, "Já o disse e volto a dizê-lo sem qualquer problema: o Jorge Jesus é um grande treinador. Isso obriga-me também a ser cada vez melhor, a estar atento. É salutar essa competição. Podem gostar mais dum estilo ou doutro, dum tipo de futebol ou doutro, mas a verdade é que esta competição tem sido produtiva"

quarta-feira, março 12, 2014

David Silva, o ET de Manchester

Há jogadores que merecem melhor do que têm. Estarem inseridos em contextos/modelos de jogo muito mais interessantes, que permitissem estar sempre em jogo. Tocar na bola, centenas de vezes por partida, para que possam realmente demonstrar todas as capacidades que têm. 

Um destes injustiçados é David Silva. Fora de Espanha deve ser neste momento o jogador mais inteligente em organização e transição ofensiva. 
Vê-se o City jogar e percebe-se que quando Silva pega na bola a probabilidade de marcar golo aumenta. Nunca faz nada sem critério, nunca toma uma má decisão. Dá o apoio entre linhas como poucos, procura sempre soltar no apoio frontal quando o dão, sabe aparecer em profundidade, a assistir ou finalizar. 

Pena este City nunca mais explodir...


Beckenbauer

«No final, seremos como Barça, ninguém nos quererá ver»

«Estes jogadores vão passar a bola até em cima da linha de golo»

«Tenho uma visão distinta. Se tiver oportunidade de rematar à baliza desde a segunda fila, especialmente frente a uma defesa muito fechada, faço-o. É a forma mais eficaz.»



Não vou falar do facto destas declarações, por parte de um presidente honorário de um clube que está a ganhar a tudo e todos, serem completamente ridículas porque não ajudam em nada a equipa que neste momento é só a melhor do mundo. Não sei se Beckenbauer tem algum peso nas decisões que são tomadas no Bayern, mas caso tenha, ainda menos sentido faz porque quando se contrata um treinador, contrata-se uma ideia, uma filosofia, e a de Guardiola todos sabem qual é. 

O que me chateia mesmo são as críticas ao futebol mais bonito que alguma vez vi, isto por parte de um ex-jogador que se destacava pela diferença, pela qualidade, pela classe. Não sei porque ainda me deixo surpreender, já foi escrito aqui várias vezes, pode-se ter sido o melhor jogador do mundo e ainda assim não ter aprendido nada, este é mais um exemplo.

Quando diz que rematar à baliza desde a segunda fila é mais eficaz, demonstra todo o seu conhecimento do jogo, que é zero. Ele que diga isso ao AVB quando o seu Tottenham fazia 30 remates no jogo e empatava ou perdia.

O problema da maior parte das pessoas que não gosta do futebol do Guardiola é o fraco conhecimento do jogo. O que elas desejam realmente quando vêem futebol é ter alguma emoção, querem lá saber se o futebol do Guardiola é do mais complexo e mais belo que existe, elas querem é ver o "combate", para elas o futebol é simples, duelos individuais (exemplo puro da superioridade de um indivíduo sobre o outro) e colectivos em que identificam como a equipa que remata mais e que faz mais cruzamentos como a equipa que procura mais o golo e por isso está a superiorizar-se ao adversário.

Nada mais errado, por não perceberem o jogo, não percebem que existem outras maneiras de procurar o golo, outras maneiras de se superiorizar ao adversário, não percebem a complexidade e a beleza do processo colectivo que é o futebol do Guardiola e por não perceberem não gostam, não lhes dá emoção.

É como olhar para um quadro pintado que não percebemos o que lá está, não sabemos o contexto em que foi pintado, não conhecemos as motivações de quem o pintou, as técnicas que utilizou, claro, não gostamos, não nos diz nada. Normal. Quem percebe isto tudo no entanto percebe a beleza do quadro, sabe o seu valor, inestimável.

Como ninguém é obrigado a ter um grande conhecimento do jogo para ser fã, e cada um o aprecia à sua maneira claro, aceito que não gostem desse tipo de futebol.

Mas por favor, não digam que é fácil porque é tudo... menos fácil.

domingo, março 09, 2014

Jorge Jesus

7 de Abril de 2013, escrevia-se assim, por aqui, "Apesar de não me identificar com várias ideias de jogo dele, nas quais assenta o seu modelo de jogo, percebo que é o treinador que o Benfica precisa.
O Benfica precisa de um treinador que perceba o jogo, que organize a equipa, que melhore a capacidade individual de cada elemento do plantel pelo aumento da qualidade colectiva. Precisa de um treinador que seja referência para os seus jogadores, rigoroso, ambicioso e que procure através do processo de treino materializar tudo que foi referido em resultados.

Jesus é o homem certo!
Joga um futebol de ataque, a equipa é competente do ponto de vista táctico e consistente em resultados, como temos visto nestes anos sob a sua liderança.

Imaginemos que acontece um cataclismo e que o Benfica quase ganha todas as competições onde está envolvido. Ainda assim, Jorge Jesus é o homem certo, no lugar certo. Renovem com ele, pois todas as suas qualidades compensam os seus defeitos e porque em Portugal, nas divisões profissionais para mim/para já, não há melhor."


Nos últimos 16 jogos, 1 golo sofrido. Onde estão os defensores da tese que a organização defensiva de Jesus não era nada de especial? Sempre o disse, independentemente do número de golos sofridos. Do ponto de vista defensivo, Jesus é fabuloso. O problema é quando se olha, apenas, para resultados como avaliador do processo, e não para o pormenor da organização em si.
Para quem percebe a forma como aquela linha defensiva (com as limitações que tem) se move. Para quem percebe os ajustes, contenção, cobertura, agressividade posicional, desde os avançados (novidade neste ano), passando pelos médios, e acabando nos defesas.

Que outro treinador do mundo consegue apresentar estes números nos últimos anos?

Jesus tem aprendido e melhorado a cada ano que passa no Benfica. Tem sido assim desde o seu segundo ano no clube. Com melhorias contínuas, e novas nuances no modelo de jogo, que permitem à equipa melhores desempenhos.
A qualidade da sua organização é inegável.

Na caixa de comentários de outro artigo (7 de Julho de 2013), escrevia, "...para mim, o melhor momento do Benfica é a organização defensiva. É ímpar, é a mais evoluída que já vi, portanto é o melhor treinador que já vi, treinar esse momento e apresentar esse momento, depois da revolução Sacchi."


sábado, março 08, 2014

Aprender com os jogadores

Há cerca de dois anos, conversava com um jogador sobre o jogo da semana anterior. Conversas para aqui, e para lá, ele diz-me: "Mister, eu driblei fácil aquele lateral. Eu fui para cima dele, simulei que ia para um lado, ele virou, depois foi só correr para o outro lado".
Essa mesma conversa sugere o tipo de informação de suporte que o jogador utilizou para driblar, e mais do que isso, sugere como treinar e melhorar esse tipo de gesto técnico.
Como se percebe, ao contrário do que Scolari pensa, contornar pinos em nada melhora o drible. Isto porque o pino não se mexe, como é óbvio. Logo, o exercício fica completamente fora da realidade que é o jogo, não melhorando absolutamente nada que ao jogo diga respeito.

sexta-feira, março 07, 2014

Zidane


Em ano de Mundial, recordar o fabuloso francês.

Em 1998

Não tivesse marcado os golos nas bolas paradas, muitos diriam que Zidane tinha sido inconsequente. Incrível a notoriedade que o golo dá, não obstante das grandes prestações dos jogadores.

Que assim se mostrava aos médios que ficavam para assumir o trono.

Quantas decisões não tomaria eu diferente das de Zidane? Criatividade é isso mesmo. Romper com os standards, com o propósito de beneficiar o colectivo.

quarta-feira, março 05, 2014

Espanha

Para mim, continua a ser a principal candidata ao título. Nem todos no blogue concordam. Mas o meu argumento é simples: É a que tem, globalmente, os jogadores com índice de tomada de decisão mais elevado.

Rendimento

"O papel de um avançado não começa nem acaba no marcar ou no falhar de um golo. É muito mais que isso, é tão importante como todos os outros, apenas joga mais perto da baliza adversária.

Perceber o "porquê" do rendimento colectivo está muito para lá da constatação da análise ou do conhecimento pragmático. Entender o que proporciona o "resultado" é muito mais difícil que a percepção do mesmo. 

Deixa-me só acrescentar algo à segunda frase do texto. Há quem veja o futebol, há quem o compreenda e há quem o faça desenvolver pela consciencialização de terceiros."

Do falecido centro de jogo, para todos nós.

Jorge D

Rendimento está longe de poder ser medido com golos e assistências. Rendimento é nada mais do que fazer o melhor em cada acção em que se esteja envolvido no jogo. E isso está muitíssimo longe de acontecer, apenas, nos momentos que dão notoriedade. O jogo tem 90 minutos, e cada acção com e sem bola é relevante para que se analise o rendimento. Nenhuma acção é mais importante do que outra. Todas devem convergir para o objectivo (aproximar a equipa da vitória). Pena que isso não apareça nas estatísticas...

terça-feira, março 04, 2014

Entre Dez: Virar o Flanco

O Nuno, autor do Entre Dez, pensa o futebol como poucos. O que ele escreve sobre futebol é pensado, e argumentado com grande inteligência. Na maior parte das vezes, concordo com o que escreve. Fica aqui a minha homenagem a um dos autores que mais valem a pena ler na blogosfera.

"O que se ganha realmente quando se vira o flanco? Dirão aqueles a quem os lugares-comuns pouca comichão fazem que se ganha espaço e tempo, senão mesmo a possibilidade de progredir imediatamente no terreno de jogo. Pessoalmente, aceito que se ganhem estas três coisas; o que já tenho dificuldades em aceitar é que alguma delas seja realmente aquilo com que uma equipa que ataca mais se deve preocupar. Para que serve o espaço e o tempo? E por que é que é melhor a bola estar uns metros mais à frente? A finalidade de um lance de ataque é, a cada instante, estar mais perto da baliza adversária do que no instante anterior? É ir tendo cada vez mais espaço? Não. Pelo menos em ataque organizado, a única finalidade, em cada acção ofensiva, é desposicionar o colectivo adversário, ou seja, melhorar as condições de ataque. Isso pode ser feito com muito ou com pouco espaço, em muito ou em pouco tempo, e de muito longe ou muito perto da baliza adversária. O que é que interessa progredir constantemente, se as condições em que isso é feito não são as melhores? Nenhuma das três coisas atrás mencionadas como benefícios de se virar o flanco são, portanto, minimamente relevantes para quem desenha um ataque. Resta, pois, saber se virar o flanco não acarreta ainda desposicionar o colectivo adversário ou melhorar as condições em que se ataca, os verdadeiros objectivos da equipa que tem a bola. E aí a minha resposta é: depende. Depende do posicionamento defensivo dos adversários, depende do posicionamento dos próprios colegas, depende do que estiver a ocorrer no flanco em que está a bola, depende do que estiver a ocorrer ou que é previsível que venha a ocorrer no flanco para onde a bola irá, depende das condições que houver para fazer a variação, etc.. Enfim, depende de todas as circunstâncias.

Normalmente, pensa-se em virar o flanco quando se ataca por um dos flancos, quando esse flanco está demasiado congestionado e quando há um colega solto, no flanco contrário, a quem é possível enviar a bola. Vê-se um jogador solto do lado contrário e assume-se imediatamente que essa é uma opção melhor do que tentar progredir por onde há muita gente. Mas será que o é? Na verdade, não é só a equipa adversária que tem pouca gente do lado contrário; por norma, é também quem ataca. Trocando o flanco ao jogo não se põe a bola apenas onde há um aglomerado de adversários menor; põe-se a bola também num sítio onde há menos colegas, entregando assim o lance à capacidade de um indivíduo. É verdade que, tirando a bola do flanco congestionado, se obriga o adversário a bascular, a desarmar a sua zona de pressão e a refazê-la noutro lado; mas também se dificulta o trabalho colectivo de quem ataca. Com menos jogadores, menos possibilidades de combinação existem. Se o adversário tem de se reorganizar, quem ataca tem também de reocupar posições, tem também de perceber que espaços sobram para invadir, qual a arrumação defensiva do adversário com que pode contar, etc. Para ser sincero, não vejo numa mudança de flanco comum ganhos significativos. Tira-se a bola de um sítio congestionado, mas não se tira vantagens disso. No fundo, é apenas uma forma de reiniciar a jogada, com a agravante de obrigar quase toda a equipa a ocupar rapidamente novas posições, o que provoca maior desgaste. Nos momentos imediatamente a seguir à variação do flanco, a equipa que tem a bola fica inclusivamente com poucas soluções de passe e quaisquer movimentos de aproximação são acompanhados do movimento de basculação natural dos defesas. Na verdade, não me parece ser melhor variar o flanco do que atrasar para um central, por exemplo. Ganha-se tempo e espaço, como com a outra alternativa, e sai-se da zona de pressão sem que os jogadores envolvidos sejam forçados a correr rapidamente para o flanco oposto para dar uma opção de passe ao colega que recebeu a bola."


O texto completo pode ser encontrado aqui.

domingo, março 02, 2014

Selecções Nacionais e o dilema da renovação


Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que acho o trabalho de um seleccionador nacional ingrato. E penso isto por dois motivos: o primeiro porque é pontual; o segundo porque além de pontual, a duração dessa pontualidade é normalmente muito curta. Estes dois factores são, de certeza, bastante limitadores no que toca à assimilação de um modelo de jogo por parte dos jogadores seleccionados.

Posto isto eu consigo compreender o porquê da maioria dos treinadores ter um núcleo duro (entenda-se titulares e suplentes mais utilizados) de jogadores, apostando por vezes em jogadores em fase descendente da carreira, mas que tenham trabalhado vários anos com o seu seleccionador, estando acostumados ao modelo de jogo. Estes acabam por dar uma certa garantia de qualidade, que um jogador com melhores qualidades individuais mas que nunca tenha trabalhado com a sua selecção, pela simples razão de nunca ter sido inserido naquele determinado contexto.

No entanto, os jogadores não são eternos e obviamente as suas qualidades decrescem com o tempo e chega a um ponto onde é obrigatório, a fim de se manter uma qualidade de jogo colectiva elevada, haver renovação. E é isto que para mim levanta a questão mais interessante do trabalho de um seleccionador: quando deverá um treinador renovar o seu núcleo duro? Várias vezes vemos estas renovações acontecerem após grandes competições, como campeonatos do Mundo ou Continentais, especialmente quando uma selecção tem más prestações. No entanto, eu tenho uma visão da coisa diferente da acima descrita.

Na minha opinião, a maior parte da renovação deve ser feita antes de uma grande competição. O principal argumento que tenho para defender esta opinião é que é nesta altura que o seleccionador tem mais tempo para trabalhar o seu modelo de jogo. Isto é, é nesta altura que o jogador com menos anos de selecção tem tempo para assimilar o que o seu treinador pretende, o que vai permitir explorar ao máximo as suas qualidades individuais dentro do modelo de jogo trabalhado.

Estou portanto ansioso para ver quais as escolhas de Paulo Bento para o Mundial. É óbvio que há jogadores que foram convocados para o jogo contra os Camarões que quando jogando na selecção têm estado em sub-rendimento, como o Raúl Meireles ou Hugo Almeida. É também óbvio que existem alguns jogadores que têm subido de rendimento nos seus clubes e que talvez estejam a um nível acima destes dois em termos de qualidade individual, como o Rúben Amorim. Há ainda jogadores que têm qualidade individual semelhante a outros que não têm sido chamados com tanta frequência, como Miguel Lopes vs Cédric, Antunes vs André Almeida/Sílvio.


Outra coisa que deverá afectar a escolha de um seleccionador é a qualidade individual mas integrada no seu modelo de jogo. Se quisermos jogar à la Stoke City dos primeiros anos da Premier, não terá muito sentido convocar jogadores com menos de 1.80m. Se quisermos jogar H-H, mais vale convocar o Miguel Lopes que o Cedric ou o Baldé em vez do Postiga. Olhando para os jogadores que temos à nossa disposição, gostaria de ver a selecção fazer uma pressão alta, condicionando a saída de bola dos adversários e depois a explorar a transição ofensiva. Não me parece que tenhamos tanta qualidade individual que consigamos basear o nosso ataque na organização ofensiva. Obviamente que posto isto, me vem à cabeça o Dortmund de Klopp. Esse seria o modelo em que me basearia, fosse Paulo Bento.

André Schürrle

Mourinho diz que não tem ponta de lança. Diz que os avançados falham muitas situações. Eu digo que ele tem ponta de lança, um pouco ao estilo de Rodrigo, Schürrle, é o homem certo para jogar na última linha, a procurar profundidade. Muito assertivo na finalização, mas impressiona pelo timing de desmarcação.
Velocidade, qualidade técnica, progressão para zonas interiores, timing de desmarcação.
Que grande 9 seria o jovem alemão no modelo de Mourinho.


sábado, março 01, 2014

Evandro


Mais um grande jogo de Evandro. O criativo do Estoril continua a espalhar classe pelos relvados da primeira liga. É verdadeiramente um privilégio vê-lo ao vivo, e tenho-o acompanhado regularmente no estádio. Muita qualidade no seu jogo, por aquilo que dá aos colegas, por aquilo que faz do jogo. Em condução, em espaços curtos, em drible, em passe, ou a finalizar, sempre, sempre, com grande qualidade técnica. Comanda as acções ofensivas do Estoril, e defensivamente é sempre muito responsável.
Como é natural, nada disto seria possível sem que a equipa lhe permitisse as ferramentas adequadas para expressar o seu talento. Grande trabalho de Marco Silva, naquilo que permite e pede aos jogadores. Futebol apoiado, e de toque curto. Combinações pelo corredor lateral, e corredor central. Hoje, com muitas baixas na equipa, as regularidades mantiveram-se.

http://videos.sapo.pt/z3FNEpQRijLazUArHQp8

Tomada de decisão. Exemplo de Óscar.

Exemplo da tomada de decisão sem bola. De como abrir as melhores linhas de passe aos colegas, onde o modelo de jogo já não entra.