Posse de bola no Facebook

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sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Zona sem Contenção não é Zona

No seguimento de um treino, nesta semana, ouvia um jogador reclamar com os colegas sobre o facto de não ter saído ninguém na bola. A distância a que esse jogador se encontrava da bola (a fechar uma das linhas de passe próximas) permitia que fosse ele a sair na bola.
"Então, em caso de dúvida, ou se alguém falhar, sai tu! Os outros adaptam".
Isto porque o portador da bola tem de ser perturbado sempre, sempre.

Como se vê, com tempo e espaço para se fazer o que quiser fica fácil.



Aquilo que Piqué fez não é contenção. É certo que estava entre a bola e a baliza. Mas não cumpriu com o objectivo da contenção, que é impedir a penetração ao adversário. Penetração essa que pode ocorrer de várias formas: Passe, condução/drible, e remate.
O segredo é colocar-se a uma distância "tal" do portador da bola, que ele não consiga passar (na direcção da baliza), conduzir/driblar (na direcção da baliza), ou rematar. Deve-se também privilegiar a defesa dos espaços interiores. 

Mas mais do que a contenção, o objectivo é retirar tempo e espaço, para que o portador da bola tenha dificuldades acrescidas na tomada de decisão, e na execução.
Não se percebe a passividade nestes lances, no corredor lateral, ainda para mais com coberturas próximas.

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Festival de Maicon

Maicon soma erros atrás de erros. Maicon não larga as referências individuais, nem sequer consegue ser agressivo o suficiente para acompanhar o movimento da linha defensiva. Sempre que foi utilizado por Paulo Fonseca cometeu erros graves.
É absolutamente incompreensível a venda de Otamendi, tendo em conta que a sua sucessão não ficou assegurada. Ainda para mais pelos valores que foram. 
O FCP fica sem o seu melhor médio (Lucho) e sem o seu melhor central (Otamendi), de uma só assentada.


Iturbe

Em dois lances, percebe-se alguma mudança no perfil de decisão do pequeno argentino. A continuar assim, com as características físicas e técnicas que tem poderá chegar aos grandes palcos. Pensar menos em si e mais na equipa é o caminho para qualquer individualidade que se queira tornar relevante.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Mourinho

Foi Mourinho que me ensinou que o futebol não pode ser um jogo de duelos individuais. Ele explicou-me que o futebol é um jogo de erros. Disse-me que, o ser humano é muito susceptível aos erros. E disse-me ainda que, tentando resolver os problemas de forma colectiva, falhando um, haverá "sempre" a possibilidade de alguém colmatar o erro do colega.
Continua a dar-me a volta à cabeça, algumas mudanças que ele operou no seguimento da sua carreira.

Falo do golo do Galatasaray

Ronaldo e Messi.

De que vale a Ronaldo ser o mais completo no momento da finalização, se ainda assim não é o melhor finalizador? Cai por terra o único argumento dos que ainda sustentam a ideia de que o português é melhor que o génio argentino em algum momento do jogo. Ser mais o completo, não significa ser o melhor. Ronaldo falha muito golo. Muito mais que Messi. No entanto, ainda há quem acredite que o actual Bola de Ouro, por ter conquistado o prémio, é mais jogador que o anão que só joga com o pé esquerdo. Nem no momento de finalização Ronaldo é superior. Ainda que tenha mais recursos, não é tão eficaz.

Na conferência de Klopp antes do jogo do jogo da Champions, Incentivado a escolher um dos três finalistas da Bola de Ouro para incluir na sua equipa, Klopp foi conclusivo: "Lionel Messi. Adoro o futebol dele. Também gosto de Ribéry e Ronaldo, mas o que Messi faz é magnífico e vai melhorando com o tempo"

Claro que isto, em nada coloca em causa a qualidade de Ronaldo, e a sua superioridade sobre todos os outros.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Jaime Pacheco, Manuel José, e Henrique Calisto, fantástica equipa técnica que fariam.

Controlo da profundidade

Caso a profundidade não seja controlada de forma adequada, com um passe, todos os jogadores ficam batidos. Como se vê neste vídeo de um golo sofrido pelo Dortmund neste fim de semana. Ainda que em superioridade numérica, a profundidade é muito mais importante de controlar. Jogador com possibilidade de meter a bola nas costas, e já foste.
Nestes casos, bola descoberta, deve privilegiar-se a defesa de espaços fundamentais.



A partir do segundo 47, diversas situações onde o Benfica mostra um controlo perfeito da profundidade. Grande trabalho de Jesus nesse sentido.

Markovessi!

No seu primeiro ano de sénior chega ao campeonato mais competitivo, que os que disputou na sua curta carreira. Com maiores exigências tácticas, com maiores responsabilidades sobre o colectivo. E em 7 meses, torna-se no melhor e mais relevante jogador do seu clube. No meio de algumas más decisões, porque ainda se deslumbra com o sucesso imediato, dá mostras de poder atingir um patamar que nenhum outro jogador do Benfica (num passado recente) poderá almejar. Nem Matic, nem Di Maria, nem David Luiz, nem Gaitan, nem Witsel, ou Sálvio, poderão atingir o patamar a que Markovic se propõe. Perceba-se que nem Aimar poderia competir com este menino, caso se confirme o imenso potencial que tem. O caminho, é continuar a potenciar as qualidades colectivas, para que se torne mais regular, e gradualmente coloca-lo a jogar no corredor central. Aí, por dentro, onde jogam os melhores, vai ser verdadeiramente assombroso por aparecer nos lances de decisão. Lances que lhe darão mais notoriedade, pela capacidade que tem de definição que este possui.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Roberto Martinez

José Mourinho, sobre o Everton de Martinez, que urge analisar.

"O cruzamento é bom, os avançados é que deviam lá estar". Editado

Mecanização e automatismos. Perceba-se o porquê de eu não gostar das palavras, aplicadas ao futebol.
No primeiro golo do Vitória de Setúbal, pergunta para Zequinha.
Para quem era mesmo esse cruzamento?!


domingo, fevereiro 23, 2014

Cristian Ceballos



Chamou-me à atenção quando o vi pela primeira vez ao vivo no Estoril - Arouca, quando entrou, mudou completamente o jogo para o lado do Arouca que até aí tinha sido inofensivo.
Hoje, voltou a ser decisivo contra o Braga.

Formado no Barcelona, é jogador do Tottenham e está empretado (não me perguntem como) ao... Arouca.

Muita técnica, muito critério, capacidade de drible (primeiro lance que vi dele, faz uma vírgula e senta o Tiago Gomes). Uma pérola que, de certeza, não andará muito tempo a jogar num nível tão baixo.

Vejam o golo e assistência contra o Braga, e o bombom que oferece aos 3:20min do vídeo.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Tomada de decisão, exemplo de Markovic. Editado




Rafael, aí tens. Markovic decidiu mal. Como é óbvio pode e deve ser criticado. Mas é miúdo, e eu o faria, no caso dele, sempre de forma construtiva. Quando ele decide o remate, obviamente que os jogadores do PAOK fecham a baliza. E isso é mais um indicador para ele usar a favor dele. Simula o remate, e entrega no Lima.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Funes Mori

Peço desculpa aos que conhecem o jogador melhor do que eu. Aos que viram jogos inteiros seguidos. Aos que têm percebido a evolução da qualidade e do critério, ou a não existência de evolução, melhor do que eu. Mas de um modo muito simples e reducionista, o que se vê no vídeo abaixo é tudo menos um jogador cepo. O que se vê ali é aquela qualidade mais importante no jogador de futebol moderno, que a maioria continua a ignorar. O que se vê ali é o cérebro a funcionar!

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Arsenal - Bayern


Será que alguém vai ter a lata de criticar Wenger? Será que alguém vai ter a lata de dizer que Wenger é um treinador defensivo?
Qual é a semelhança entre esta eliminatória, e a de 2009 entre Barcelona e Inter?!
Jogar contra a melhor equipa do mundo não é fácil. Mais difícil fica a jogar com 10 elementos.
E note-se que este Bayern ainda está longe do nível que o Barcelona tinha naquela altura.
Se calhar o melhor que Wenger poderia fazer seria mesmo imitar Mourinho. Abdicar completamente de um homem na frente, tirando Sanogo no lugar de Cazorla, uma vez que o avançado não ficou lá a fazer nada. Com domínio territorial que o Bayern ganhou, e com a necessidade de não perder a bola assim que a ganhasse, certamente que conseguiriam ter alguns momentos de posse, e colocar muito de vez em quando a linha defensiva alemã em sentido.




"Linha Burra"

A razão pela qual no Brasil se apelidam alguns dos comportamentos zonais, dos melhores campeonatos da Europa, de "linha burra", é derivado de alguns erros de percepção dos lances, propiciando muitas bolas na profundidade. É tanto perigo, e situações de golo criadas, que para quem o vê, sem o entender na sua plenitude, parece que os comportamentos zonais não são os mais adequados para o futebol.
Zona só vale como zona se tiver contenção. Caso contrário, de nada vale ter os jogadores todos direitinhos a estrangular o espaço, ou jogar no fora de jogo, se o homem da bola tem todo o tempo e espaço para agir. A chave é perceber isso.
Se a bola está coberta, ou seja, se há um homem entre a bola e a baliza a perturbar o portador da bola, ou se o portador da bola se encontra desenquadrado, faz todo o sentido estrangular o espaço. Juntar linhas, subir no terreno, deixar 30/40 metros de profundidade, jogar no Fora de Jogo. No caso de a bola estar descoberta, ou seja, se o adversário está enquadrado com a nossa baliza sem contenção próxima, o comportamento deverá ser no sentido de baixar e garantir a profundidade, até chegar a contenção. Isto porque, deixando 40 metros de profundidade, com a qualidade de passe e desmarcação que existe hoje, um passe e toda linha defensiva fica ultrapassada.




No lance do penalti para o Barcelona, o comportamento desajustado está na fraca reacção de Clichy e Demichellis, para controlar a profundidade.

Carregando neste link, a partir do minuto 1:25, Sacchi demonstra.

Liga dos Campeões: Destaques e Prévia.

O PSG passeia contra um frágil Leverkusen onde a diferença de qualidade individual não permite grandes ilações sobre os franceses. Continuo a achar que estão longe de ser candidatos a ganhar a prova, uma vez que não vejo grandes mudanças, desde o jogo contra o Benfica até esta fase da época. Contudo, é de realçar a forma como o melhor Ponta de Lança do mundo (se não contarmos Messi como tal) continua a mostrar futebol de qualidade. E não é pelo grande golo que marcou. É por tudo que dá ao jogo, e aos colegas, quando a equipa tem a bola. Só assim se percebe o porquê de apenas jogar dois momentos do jogo, organização e transição ofensiva.

Em Manchester, Kompany e David Silva com exibições assombrosas. Sobretudo quando a equipa ficou reduzida a dez elementos, depois de uma estupidez de Navas, seguida de outra de Demichellis. Quando a equipa precisou, Silva e Kompany estavam lá.
No Barcelona, facilmente se destaca Xavi, em mais uma aula de como jogar bem.




Arsenal - Bayern

Dois grandes treinadores, um grande jogo de futebol. A forma como eles entendem o jogo é bastante semelhante à nossa. Roubámos ideias de Guardiola, Wenger, e de muitos outros, e hoje idealizamos o jogo e treino da forma que temos demonstrado aqui no blogue.



Marco Silva

«Gosto de Marco Silva porque, comparando com todos os treinadores com quem já trabalhei, é o único que nos diz para jogarmos no Dragão ou na Luz no campo todo sem medo do adversário. Com ele é sempre olho por olho, dente por dente»
Declarações de Yohan Tavares aqui

Quanto a nós, Marco Silva continua a somar pontos. Este sim, merece ter sorte.

domingo, fevereiro 16, 2014

Controlo de cruzamentos X Controlo do homem. Editado

Situação fácil de resolver caso a referência fosse a bola, a baliza, o colega, e o espaço (Zona). Mas como na grande área a referência é o homem...

Ricardo Quaresma

Nem nos meus piores pesadelos imaginei tal coisa. 37 minutos foi o tempo que o extremo do FC do Porto precisou, para tomar uma decisão acertada, em consciência.

Demasiado mau para ser verdade.

PS: Só vi a primeira parte!

Ser jogador de futebol é ser aquilo que é Freddy Montero.


Diz-se por aí que Montero está há 2 meses sem marcar. Diz-se por aí que o fulgor do ponta-de-lança do Sporting se perdeu e que talvez tenha sido fogo de vista, que não é assim tão bom.
O que vejo, é que a cada jogo que passa e que joga como ponta-de-lança, Montero mostra mais e mais e mais.
Para mim, Montero é não só o melhor jogador do Sporting como provavelmente o melhor ponta-de-lança do Campeonato, sendo que é provavelmente o jogador mais inteligente a jogar nos últimos 30 metros, no nosso país.
Várias vezes temos dito aqui no blog que não julgamos um ponta-de-lança pelos golos que marca mas sim pelo que este dá à sua equipa. E porquê? Porque o futebol é um desporto colectivo pelo que o que interessa é que no final da partida o colectivo onde joga o Montero ganhe. Ou seja, que o COLECTIVO marque mais golos que o seu adversário.  É isso que interessa a Montero e é com esse objectivo em mente com que joga.
Montero é o melhor não pelos golos que marca, isso é um bónus. Montero é o melhor por tudo o resto que oferece à equipa. Quando o Sporting tem a posse, ora surge oferecendo o apoio frontal, tabela e surge para receber no espaço vazio; ora desce no terreno, pega na bola, fixa um adversário e liberta no colega isolado; ora recebe a bola longa, temporiza e permite que a equipa suba, respire e controle o jogo. E a acrescentar a isto tudo, tem uma capacidade de desmarcação quase perfeita dentro da área. Defensivamente, é o primeiro a pressionar quando em organização defensiva e é habito vemo-lo a recuperar bolas no meio campo ofensivo.
Sporting para mim é Montero mais 10. 

sábado, fevereiro 15, 2014

Montero e Slimani

Mais um grande jogo de Montero. O avançado colombiano continua a cumprir, com tudo o que se pode pedir a um jogador de futebol: Em cada acção aproximar a equipa do êxito. E isso é jogar futebol, isso é Freddy Montero.

Amigo Montero, se conseguires ignora o público. Esses assobios que ouves quando tocas na bola. O que o público quer não é futebol,. Esquece isso. Então não viste que, quando o Slimani usou dos seus fantásticos recursos técnicos, e da sua enorme criatividade, para enfrentar 3 adversários, chutou contra um deles, ficou com o ressalto, todo o estádio aplaudiu de pé?!

Tomada de decisão e criatividade

Mkhitaryan, fantástico a encontrar soluções fora do comum, brilhante na sua execução.



Os altíssimos índices de acerto, que a maior parte dos jogadores do Barcelona tem, na tomada de decisão, somado à criatividade dos mesmos, fazem com que (ainda que não tivessem treinador) sejam candidatos a ganhar qualquer competição em que estejam inseridos.


sexta-feira, fevereiro 14, 2014

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

O (estranho) caso de André Martins


A criatividade simplesmente não aparece, porque não há espaço para ela. Cada lance tem uma resposta igual treinada. E André Martins não é nada disso. É um jogador que precisa de liberdade de acção para aparecer "onde quiser", criar as linhas de passe "que quiser", para receber, enquadrar, e participar activamente no processo de criação da equipa. Na "pior" das hipóteses, teria de ser Martins com as funções de Adrien. Isto para que ele transformasse cada lance em construção num ataque com imenso potencial. André Martins é jogador para jogar no corredor central! E é aí, mais em apoio do que em profundidade, que ele pode ser verdadeiramente relevante.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Estratégia. Sporting. E os golos do Derby

Ponto prévio: Esta análise em nada belisca todo o mérito que Leonardo Jardim tem, no excelente trabalho com a equipa do Sporting. De realçar também, que há mais mérito do Benfica, pela excelente organização que demonstrou e pela diferença de qualidade individual, que demérito do Sporting.

O Sporting foi incapaz de jogar, defensivamente, como faz habitualmente. Não pressionou os centrais do Benfica, e com o bloco intermédio, foi fácil para Garay encontrar colegas em apoio ou em profundidade.
Fejsa conseguiu dar grande segurança e encontrar soluções para circular na linha defensiva, uma vez que Adrien nunca o acompanhou, como é normal no modelo do Sporting, na 1ºfase de construção adversária.
A entrada de Slimani no onze, pareceu-me ser uma estratégia de Jardim, para fechar os dois centrais do Benfica, não deixar Fejsa enquadrar, e fazer Enzo baixar. Ficaria dessa forma a saída curta, e com muita gente na pressão por parte do Sporting. Assim, o Benfica correria mais riscos, jogando quase que HxH no meio campo defensivo, sem conseguir enquadrar. Essa pressão por parte do Sporting levaria a que o jogo do Benfica fosse menos apoiado e mais vertical, desde o primeiro momento.
Outra possibilidade, seria a já utilizada estratégia de Vítor Pereira. Colocar Slimani para fechar Garay, "obrigando" a bola a entrar em Luisão (que tem maiores dificuldades técnicas), para aí sim pressionar o capitão do Benfica.
Ofensivamente, Slimani seria "importante" para contornar a pressão do Benfica sobre os centrais do Sporting, jogando directo, e para dar maior agressividade nas zonas de finalização.
Foi uma aposta que não teve sucesso, uma vez que a pressão foi inexistente, e o jogo directo que seguia para Slimani era facilmente anulado por Luisão.

"Tínhamos uma estratégia para apresentar no domingo e não íamos voltar atrás. Mantivemos a decisão que trabalhámos, não seria positivo inverter a situação. Mas não foi devido à estratégia que perdemos o jogo. Foi pela nossa incapacidade de ter a bola e pressionar. Entrámos muito mal no jogo, demos iniciativa ao Benfica e não conseguimos ter bola nem construir transições e isso marcou a diferença."

"Jogámos com o Montero mais atrás mas não foi devido à estratégia. A equipa manteve a ideia de jogo mas entrou receosa, deixou o adversário tomar conta do jogo e isso foi fatal."

Leonardo Jardim explica que a estratégia não funcionou porque os jogadores entraram receosos, aqui, e aqui. Com bola o Sporting não foi capaz de criar situações de golo, derivado das alterações que fez no onze inicial. Ficou à vista a falta de dinâmica ofensiva, pela falta que os movimentos de Montero (Como homem mais avançado, em apoio pelo corredor central e em ruptura pelo corredor lateral) e A.Martins (Como segundo avançado, em ruptura pelo corredor lateral) fizeram.

Por outro lado, Jesus parece ter preparado a equipa para duas formas diferentes do Sporting abordar o jogo. Penso é que não esperava tanta passividade dos avançados, com os seus centrais a conseguirem jogar como queriam. Independentemente da estratégia que Jesus preparou, o Sporting não abordou o jogo da melhor forma, como se percebeu pelas palavras de Jardim.

"Não me surpreendia, tinha passado a ideia à equipa na véspera do jogo que havia duas hipóteses. Acho que o treinador do Sporting, face ao que aconteceu na Taça de Portugal, pensou bem."

Depois, Jesus, deixa mais um indicador claro que o Sporting joga na maior parte do tempo com uma dupla de avançados. Sendo que habitualmente Montero é o homem mais avançado, e A.Martins é mais um segundo avançado do que um médio ofensivo. Portanto, Jardim não alterou estruturalmente nada, apenas mudou as características dos jogadores que ocupavam cada posição.

"Pensei como ele poderia pensar. Foi uma decisão inteligente mas o Benfica estaria adaptado a qualquer sistema que o Sporting apresentasse. Não é mesma coisa jogar com Slimani e Montero ou com Montero e André Martins."


Os destaques do Sporting vão para Montero e A.Martins, pelo que deram à equipa com bola. E, sobretudo, para Eric Dier. Foi o melhor médio do Sporting sendo que não é a sua melhor posição, mas também foi o melhor defesa em campo, sendo que não jogou na linha defensiva. Se os seus colegas tivessem a cultura e agressividade posicional que ele demonstra, a qualidade a sair com bola, e a forma inteligente como defende no 1x1, certamente que poderiam ter sido menos os problemas causados pelo Benfica. Quanto a mim, a melhor unidade em campo do Sporting.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Diferença notória de qualidade individual

Antes da análise, deve-se dizer que a diferença de qualidade entre Benfica e Sporting é a que se viu neste jogo.
Já tinha colocado a questão no Lateral-Esquerdo, aqui.
Poderão alguns dos intervenientes repensar?!
Quantos jogadores do Sporting entrariam no onze do Benfica?!

A diferença percebe-se, sobretudo, naquilo que os jogadores oferecem à equipa com bola!

Lateral Esquerdo de volta

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Benfica, mudanças na construção

No início da época pediam-se algumas mudanças no modelo de jogo do Benfica. Nomeadamente na forma como a equipa ataca, em organização ofensiva.
Jesus fez algumas alterações no ataque posicional, não sendo por elas que a equipa deixa de ter propensão para combinar pelos corredores laterais. Mas só o facto de os Alas receberem a bola mais vezes por dentro, leva a que consigam causar muitos danos no jogo interior. Principalmente quando conseguem logo enquadrar e conduzir, derivado da sua capacidade individual. Nomeadamente Gaitan e Markovic.


quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Mitos, evolução, criatividade.

Poderá dizer-se que isto não é sobre futebol?! Poderá dizer-se que isto não tem aplicabilidade no treino? Principalmente percebendo-se que, treinar não é nada mais que ensinar...



"Chamemos-lhe João, tem 16 anos e, no início de época, deslumbra toda a gente com a facilidade com que marca golos. Bola cruzada da esquerda, “enche” o pé direito e golo! Bola vem da direita e torna a encher o pé direito e golo... Espera aí, pé direito?! Não pode ser... “Cruzamento da direita, tens de utilizar o pé esquerdo!”, diz sabiamente o treinador, segredando para o adjunto “se este jogador souber finalizar com o esquerdo como com o pé direito, vamos ter aqui um grande avançado”.
Começa o trabalho específico de finalização a contemplar o gesto técnico “correto”. Bolas da esquerda, o João finaliza com o pé direito, bolas da direita finaliza com o esquerdo.

Avancemos no tempo, Dezembro, o João está irreconhecível e de jogador com grande futuro começou a passar muitas vezes pelo banco de suplentes. Questiono o treinador e a resposta vem pronta: “o João é meio doido, é um irresponsável, está sempre a brincar com toda a gente, não tem futuro algum como futebolista”.

Ao fazer esta reflexão, lembrei-me que os jogadores, ao chegarem aos clubes e aos treinadores, já têm um reportório motor, muitas vezes alargado pela sua prática na rua, escola, etc., onde buscam fundamentalmente a eficácia. Os miúdos querem é fazer golos e fazem-no com a “liberdade” de ação, vão ganhando confiança e aprimorando o seu gesto pouco “eficiente”, mas cada vez mais eficaz. Estes gestos motores não são “azelhas”, eles têm um conteúdo emocional fortíssimo no jovem porque são recompensados com sucesso e com o sucesso vem a confiança para repetir e aprimorar. Recordo que, na rua, os jovens, muitas vezes, fintam pedras ao mesmo tempo que driblam os adversários, driblam e asseguram astúcia para não cair nos campos de terra empedrados, muitas vezes os pequenos têm de saber usar argumentos técnicos com outros muito mais altos e fortes do que eles. Aqui pede-se, acima de tudo, eficácia e um reportório motor alargado face à contingência. Como não há treinadores, a “eficiência” é natural e instintiva, contraditória muitas vezes com a “eficiência” biomecânica que vemos nos livros.

Os Joões chegam muitas vezes aos clubes e pedem-lhes “eficiência” no gesto. Gesto que eles desconhecem e que têm de aplicar. As conexões cerebrais são outras, a emotividade é reduzida porque não tem sucesso, a confiança começa a diminuir e, ao aumentar a eficiência no gesto, vão perdendo eficácia. No momento da decisão vai perder tempo a processar algo que antes lhe saia naturalmente através do seu instinto aguçado pelas suas práticas anteriores recheadas de emoção positiva.  O jogador perde concentração e dispersa atenção, muitas vezes, porque está “revoltado” e frustrado com algo que está a acontecer e ele próprio não consegue explicar. Fica com o rótulo de “doido” pelo treinador e responsáveis, aquele que não tem hipóteses de ser jogador..."

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Lahm. Guardiola. Tomada de decisão e conhecimento do jogo

31 de Agosto de 2013, elogiava-se por aqui a inteligência de Lahm. No final do mês de Janeiro, nova referência do Baggio, desta feita no regressado Lateral Esquerdo ao capitão da selecção alemã.
Hoje, nas palavras de Guardiola para quem o quiser ouvir, o fundamental sobre o futebol.


Guardiola: He understand the game!
Jornalista: The others don't?
Guardiola: No! Don't!

Como se vê, mesmo no alto rendimento, a maior parte dos jogadores não percebe o jogo. Desta vez, dito por Guardiola. Talvez ele tenha mais crédito que Jesus, ou que quem tenta passar essa ideia neste blogue, e noutros, sobre o que é verdadeiramente importante.

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Monstros físicos, rigor defensivo, e José Mourinho

Ontem, Mourinho deu mais uma prova de que o Chelsea pode ser um sério candidato a finalista da Champions. Isto é, a forma como o treinador português prepara as grandes partidas, privilegiando muito o lado estratégico, no curto prazo (num jogo, ou em competições a eliminar) costuma dar frutos.
O Chelsea não jogou o futebol que Mourinho quer que seja padrão para o futuro. Não obstante disso, jogou muito bem, tendo em conta a forma como abordou o jogo.
Do ponto de vista da estratégia, Mourinho preparou o seu meio campo para ganhar as primeiras e segundas bolas, e preparou o posicionamento dos jogadores para não deixar o City construir desde o GR. Assim, fez o City jogar o jogo que tinha preparado. Jogou com Matic, e David Luiz no duplo pivot, acrescentou Ramires ao corredor lateral, e William como médio ofensivo. Todos eles monstros físicos, preparados para todos os duelos que o jogo viria a proporcionar e para as bolas paradas.

- Manchester City

  • Organização defensiva 
  1. Pouca agressividade sobre a bola
  2. Maus posicionamentos constantes
  3. Muitos erros de contenção
  4. Faltou Fernandinho e/ou Javi Garcia
  • Transição ofensiva
  1. Procurou, sobretudo, sair de forma segura
  2. Quando Navas estava perto do lance, ou estava directamente envolvido, saiu em ataque rápido
  3. Faltou Aguero
  • Organização ofensiva
    1. Faltou Fernandinho e Aguero
    2. Navas sem espaço no corredor não procura outros espaços, tornando-se previsível
    3. Yaya Touré nunca teve tempo e espaço para jogar
    4. Kompany saiu poucas vezes a desequilibrar desde trás
    5. O jogo equilibrado de desmarcações de apoio (interiores) e desmarcações de profundidade, fica comprometido sem Aguero (num jogo desta dimensão). A saída segura, com qualidade, fica comprometida sem Fernandinho.
    6. Nunca conseguiu assentar o jogo, e obrigar o Chelsea a correr, desgastando aquele meio campo, e obrigar a ajustes constantes das várias linhas defensivas
  • Transição defensiva
    1. Passiva. Deixa sair 2/3 passes, só depois é que reage.
    2. Não conseguiu defender bem, situações de inferioridade ou igualdade numérica em grandes espaços
    3. Muita dificuldade nos ajustes
    4. Faltou Fernandinho e/ou Javi Garcia
    Destaque positivo para David Silva, sempre com boas decisões. Procurou exaustivamente servir "todos" os colegas como apoio frontal/interior, e executou sempre com qualidade.
    Demechelis não acrescenta grande coisa com bola, na posição de médio defensivo, assim como não se sabe posicionar em campo.
    Yaya Toure. Com e sem bola esteve muito abaixo do nível exigido. Falha posicionamentos, falha passes fáceis, não recupera rápido.

    - Chelsea
    • Organização defensiva
    1. Muita agressividade sobre a bola
    2. Bom timing de pressão (Homem de costas, passe para trás, bola dividida, entrada do meio campo, mau passe, má recepção, lançamentos, bola no extremo)
    3. Não deixou sair a jogar
    4. Rigor e agressividade posicional
    • Transição ofensiva
    1. Mourinho planeou o jogo para jogar em ataque rápido, e conseguiu sair com critério nessas situações
    2. Tentou colocar sempre 4 homens na transição
    • Organização ofensiva
    1. Nunca colocou mais do que 5 jogadores a atacar, para não desequilibrar
    2. Azpilicueta nem subiu. Ficou sempre na guarda do espaço, por forma a impedir espaços para Navas explorar em ataque rápido
    3. Quando pautou o jogo, tentou atacar com critério, procurou espaços interiores e pouco o corredor lateral
    4. Não saiu a jogar. Procurou sempre colocar no Ivanovic, ou do Ramires
    • Transição defensiva
    1. Pressão imediata, garantir profundidade
    Destaques para Hazard, pelo que ofereceu a equipa com e sem bola. Criatividade, conseguiu segurar para que os colegas subissem, tempo para a equipa respirar, criar constantemente perigo em zonas interiores. Matic foi o jogador em campo que melhor jogou todos os momentos do jogo. Para mim, o melhor e mais completo jogador em campo.
    Mourinho, pela estratégia. Ganhou o meio campo com monstros físicos como William, Ramires, Matic, e David Luiz. Obrigou o City a jogar como ele queria.
    David Luiz e Ramires destaco de forma negativa. O primeiro pelos erros e falta de agressividade nos posicionamentos (melhorou muito na segunda parte). O segundo porque apesar de tudo o que oferece a equipa, pela enorme disponibilidade física, continua a comprometer com erros técnicos e de tomada de decisão (mesmo sem bola).





    segunda-feira, fevereiro 03, 2014

    Manuel Pellegrini. Modelo de jogo e trabalho diário.

    Todos os modelos de jogo têm os seus pontos fortes e as suas debilidades. O trabalho do treinador passa por potenciar os pontos fortes, e esconder as fragilidades. O treinador do Manchester City parece conhecer perfeitamente as fragilidades do seu modelo, e é nisso que mais se tem focado nas mais recentes sessões de treino. Pellegrini sabe que o seu modelo não é o melhor do ponto de vista defensivo. Também sabe que o número de unidades que o City coloca a atacar faz com que defenda na última linha com poucos elementos. Assim, ele percebe que muitas vezes, essas unidades defendem situações de superioridade, igualdade, ou inferioridade numérica, num espaço muito grande, e com pouco tempo para agir/reagir. Situações essas que são muito difíceis de resolver. Então, pela grande dificuldade que é resolver esse tipo de lances, e tendo em conta que a equipa parece cada vez mais competente na forma de organizar o ataque, Pellegrini foca o treino da sua equipa na organização de exercícios onde se defende.

    sábado, fevereiro 01, 2014

    As individualidades mais relevantes são as que elevam o nível da equipa

    Depois do post do Lateral Esquerdo sobre Shikabala, relembro um excerto da entrevista de Rene Meulensteen acerca do desenvolvimento de Cristiano Ronaldo.

    "The problem is also your attitude and therefore your decision-making. At the moment you’re playing to put yourself into the limelight, to say “look at me, how good I am”. Therefore, Mr Ronaldo, you are doing a lot that doesn’t mean anything for your team-mates."

    "Cristiano, I’ve looked at your goals last season, and you only scored 23 because you want to score the perfect goal all the time. ‘Look at me! Top corner!’ The most important individuals are the ones who elevate the team, not themselves. You think it’s the other way round. No, no, no. Elevate the team and the team will then elevate you."


    Cristiano Ronaldo, 9 anos atrás


    O mais importante é que os jogadores proporcionam aos colegas. A mensagem para Ronaldo foi clara, e todos os jovens praticantes deveriam crescer com essa ideia.
    É esse o modelo espanhol e alemão. E mais do que admirar, e congratular pelos frutos que têm tido, é necessário imita-los. E, para mim, não o fazer significa que não entendemos nada do que tem acontecido por lá.