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quarta-feira, janeiro 22, 2014

Perceção - Ação

O contexto, em função das caraterísticas do jogador, oferece possibilidade de ação - affordances, que emergem por força da relação sinérgica entre jogador, opositor e, claro, cooperador. A literatura define, a partir daqui, algo denominado como acoplamento perceção-ação, que passa pela ideia de que percebemos para agir, e agimos para perceber. Dessa forma, perceção e ação fazem parte da mesma coisa. Gibson foi autor desse pensamento, ainda que não inspirado especificamente pelo desporto.

Por vezes, e sem pensar muito nisso, apresentamos tendência, quando passamos por jardins, em pisar a relva. Quando pensamos sobre isso percebemos que, sem solicitar os centros superiores de processamento, alteramos a nossa trajetória porque tomar o caminho mais rápido passa exatamente por passar por cima da relva. Bom, o que é acontece é que de forma eficiente, e portanto, sem obrigar o córtex a grande dispêndio energético, percebemos informação sobre a trajetória que nos coloca no caminho mais curto.

Ou seja, o contexto contém informações que especificam possibilidades de ação. A informação que eu considero pertinente, a um nível não totalmente consciente, e que me permite perceber uma possibilidade de ação, reforce-se, em princípio, a um nível não totalmente consciente, essa, já estará dependente das minhas características e, portanto, da forma como estou afinado para perceber informação. Bom, na sequência dessa ideia, talvez seja condição necessária ao treinador conhecer que informações suportam a ação de quem joga. Comenta-se, a propósito, que o treinador não deve interferir, sistematicamente, sobre a tomada de decisão do jogador, de forma explícita. Verdade, por vários motivos. No entanto, de forma implícita, no treino, o treinador pode criar condições para que o jogador perceba, dentro da não-linearidade do jogo, as informações mais pertinentes que especifiquem as ações mais pertinentes. Qual é a informação mais pertinente? Isso pertence a cada treinador. Mas antes, é necessário conhecer a informação que suporta, de forma universal, a ação de todos os jogadores. Não obstante o facto de aceitar que em situações particulares poderá existir recurso a programas motores que efetivem a ação, partindo de imagens representativas, tenho alguma dificuldade em aceitar a perspetiva hierarquizada de que, superiormente, se deteta informação, se decide sobre essa informação, para depois se executar. Muito analítico, parece-me curto. Mais, além de pouco funcional, parece-me pouco económico, e parece-me, igualmente, que o conceito de eficiência é um conceito algo mais interessante. Mas tentado especificar, e tocando no mais simples, dizer que existe evidência de que parâmetros como são a velocidade relativa e distância interpessoal marcam valores para os quais emerge, em determinado momento, a affordance e, por isso, o momento exato em que a emerge a oportunidade que possibilita ao portador da bola ultrapassar o defesa, em situação de um contra um. E um contra um é o mais descomplexo possível. Abaixo de contra um, não é nada. Não é jogo desportivo coletivo, quanto mais futebol. Exatamente porque, nessa situação, não há interações sinérgicas que forneçam informação de suporte à ação.

Como afinar? Parece-me que relacionar conceitos como estabilidade e variabilidade poderá sustentar respostas a essa questão. Parece-me, igualmente, que a pertinência atribuída a cada informação será ditada, não só, mas em grande medida, pela experiência, pelo fator quantidade de prática, pela exploração das possibilidades de ação, e daí por fatores posteriores como, por exemplo, a informação de retorno consequente, seja intrínseca, ou extrínseca. Repare-se no facto da mesma ação, nunca ser a mesma ação. Nós repetimos, sem repetir. E fazemo-lo porque as circunstâncias renovam-se constantemente. A informação, de forma esquemática, é a mesma. Agora, os parâmetros informacionais sofrem oscilações porque um momento nunca é igual ao outro. Logo aí, há uma variabilidade inerente à repetição. Positiva, por sinal. Ainda assim, não deverá ser suficiente, e o papel do treinador será acentuar acertadamente essa variabilidade natural. Até porque é a variabilidade que assegura um caráter adaptativo às circunstâncias, sem perdas de identidade, pelo contrário. Se uma situação não tem situação repetida, como é que os jogadores resolvem situações que nunca experimentaram? Um facto é que resolvem. Consta que a interferência contextual será a forma mais evidente de proporcionar prática variada. Agora, qual a dose ótima de variabilidade que reduz o indeterminismo aparente e a incerteza do meio, preservando a estabilidade? Pois.


Questão, simples: Não será demasiado constrangedor, e muitas vezes, dentro da restrição temporal inerente ao jogo, colocar o jogador a pensar, a decidir deliberadamente, sobre que ação coloca a bola numa zona onde a sua equipa esteja em superioridade numérica, tal como seria se tivéssemos que, constantemente, pensar sobre a escolha do trajeto mais curto até casa, ou sobre qual a distância interpessoal adequada para andar ao lado de alguém na rua?

PS: Este texto foi enviado por um leitor, Matic, aluno da Faculdade de Motricidade Humana. Muito obrigado pelo teu contributo.

PS2: Fácil é comentar sobre se jogador X é bom ou jogador Y é mau, por todos julgarmos saber. Difícil é comentar sobre o conhecimento necessário para argumentar sobre a valia desse jogador. Assim, espero que as grandes polémicas voltem-se sobre este texto em forma dos mais do 100 comentários sobre Ola John, dos mais de 70 sobre Suarez, os mais de 60 sobre Varane, os mais de 100 sobre Mourinho, os mais de 100 sobre Wenger, os mais de 100 sobre Di Maria, ou os mais de 100 sobre Djuricic.


30 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns pelo excelente texto!

Quanto à pergunta, na minha opinião, se houver um jogador que esteja os 90 min, constantemente a "recorrer aos centros superiores de processamento" antes de fazer cada ação, com e sem bola, quando terminar de pensar, ou já não tem a bola nos pés ou o local para onde tem de ir, já estará ocupado.

O treino deve ser capaz de automatizar ações, através de estímulos!

No campo vencerá, mais vezes, quem tiver automatismos/ações mais acertadas!

Continuação de bons posts, Nuno

Gonçalo Matos disse...

Como jogador, com a posse de bola ou sem ela, nunca em momento algum deixo de pensar. Nunca perco noção do posicionamento dos meus colegas e dos meus adversários.
Com bola as movimentações que procuro fazer são sempre na procura do espaço vazio que permita ao meu colega fazer um passe com mais segurança e quando possuo a bola procuro sempre a zona com superioridade numérica ou então criá-la, fixando um dos meus adversários e soltando depois a bola. Sem bola procuro fazer a cobertura/contenção de modo mais eficaz, de maneira a equilibrar a minha equipa.
Sou jogador de uma das equipas do Baggio, que apesar de não ser federada, tem um nível bastante alto, com vários jogadores com experiencia de divisões nacionais de juniores, juvenis e até séniores, que competem comigo pela mesma posição.
Tenho plena consciencia que se jogo nessa equipa é porque penso e porque as minhas decisões são mais acertadas que a maioria das dos meus colegas. Se não pensar enquanto jogo, sou apenas mais um gajo que gosta de dar uns pontapés na bola. Por outro lado, também sei que se esses meus colegas pensassem mais o jogo, jogariam muito mais tempo e eu jogaria pouco.
O jogo é demasiado complexo pra viver apenas de automatismos e de repetições de situações vivenciadas anteriormente.

Rafael Antunes disse...

Epá!!! Temos aqui pano para mangas!!!! Oh Baggio, compreendo o teu desafio, mas as perguntas que estão no post, mais as perguntas que decorrem da leitura dele, dão para teses de doutoramento... :D

Gonçalo percebo o que queres passar quando dizes que jogas porque pensas e os teus colegas não.

Mas não concordo com a frase de que o jogo é complexo demais para viver apensas de automatismos.
Eu penso que precisamente por ser demasiado complexo é que se têm de criar automatismos para poder jogá-lo em tempo útil... Uma decisão consciente e "pensada" apesar de poder ter um tempo "insignificante" esse tempo será sempre demasiado grande para jogar ! Pego no que disse o Nuno.

Em questão de automatismos, talvez os teus tenham sido criados com o Baggio e isso alinha-te com as suas ideias.
Não vejo como uma questão de automatismo ou pensar sobre as decisões. O automatismo é o que te permite decidir de acordo a um objectivo concreto sem teres de pensar no como/onde/quando.

Os teus colegas, apesar da experiência que referes, não quer dizer que os seus automatismos estejam fundamentados em referenciais errados, o que leva a que tenham mais decisões erradas... and so on.

Cumprimentos!

Matic disse...

Boas Gonçalo, vou dirigir o comentário preferencialmente para ti, não por teres posto em causa o texto, claro, mas porque as tuas questões são e bem as de outro pessoal.
Não quero mostrar, nem defender uma hipótese fundamentalista, até porque a ideia de que tudo é preto ou branco é perigosa. Claro que não excluo o pensamento consciente daquilo que é a chamada tomada de decisão. O jogo é realmente complexo como referiste, mas essa complexidade é evidente no momento em que tu tens jogadores a interagir sinergicamente e a partilhar informação implicitamente, e com uma restrição temporal acentuada em resultado disso. E é no meio desse constrangimento temporal que me parece que as affordances emergem. É exatamente pelo jogo ser complexo que me parece que tu não podes pensar a um nível consciente, constantemente, para fundamentar a tua ação. Pelo contrário, não o fazeres é algo que te torna mais brilhante e eficiente. Eu percebo que esta alteração de paradigma de não criar uma imagem representativa na cabeça (o que defines como pensar) possa parecer redutora, até porque o que nos transmitem, desde novos, é que nos distinguimos dos outros animais porque pensamos.

Repara, eu tenho a certeza que tu não calculas deliberadamente o tempo requerido ao defesa para interceção da bola, quando fazes um passe. A questão é que tu e todos os jogadores têm em consideração essa informação quando agem. Até porque se esse tempo for igual a zero, significa dizer que o teu adversário está na tua linha de passe, e vai intercetá-la. Está estudado.

Eu não sou nenhum doutorado, não sou nenhum teórico, nem quero. Eu também jogo o jogo. A ideia não passa nada por sustentar o jogar numa série de repetições de situações vivenciadas no passado. Eu até quis dizer o contrário e contrariar essa ideia. É preciso colocar variabilidade no contexto de treino para afinar o jogador, e a dose de variabilidade certa. O que o teu treinador faz contigo é colocar-te, em função do que pretende, num conjunto de exercícios, e se ele for bom, interfere contextualmente de forma adequada, para depois colocar-te noutro conjunto de exercícios a resolver problemas com os quais não te deparaste de forma efetiva no primeiro conjunto. No entanto, tu vais resolvê-los. Isso é tranfer, é prática variada, é afinar.

O que eu acho, pessoalmente, é que os princípios de jogo são informação muito pertinente, respondem a quase todos os problemas do jogo. Mas são informação, essencialmente, pertinente para o treinador. Claro que deves ter conhecimento dessa informação, como jogador. Mas é o treinador que deve afinar-te para perceberes (de perceção) os parâmetros que sustentam esses princípios. Ele deve saber que informação é essa, tu não. Falaste em contenção e cobertura, muito bem. Ages, deliberadamente, equacionando a distância interpessoal exata para o portador da bola, os teus companheiros e os teus adversários? Se sim, controlas a velocidade relativa? Quais os valores? Como? Tenho a certeza que não. Mas tenho a certeza que o fazes a um nível não consciente, fruto da forma como estás afinado. Existe evidência sobre isso.

Nem acho que perceção-ação possa ser um conjunto de automatismos. Porque se fossem automatismos as ações eram geradas para as mesmas condições. O Futebol é tão não-linear, é como a vida, pequenas alterações nas condições inicias… nunca mais adivinhas as condições finais. Se fosse automatismos, não conseguias responder corretamente. Tem que ser algo mais versátil.

Ronaldinho disse...

Matic, é nestas alturas que eu fico fodido contigo por não comentares mais vezes! Melhor que o texto, foi a tua resposta. Conseguiste transmitir a ideia de forma mais simples, com exemplos práticos, capaz de chegar a mais gente.
Bem que podias contribuir mais vezes!

Roberto Baggio disse...

Bom dia,

Gonçalo vou pegar no que o Rafael disse, no que o Nuno disse, no que o Matic respondeu, no que tu um dia me disseste e tentar fazer uma ligação lógica entre tudo, apesar de saber que o que já foi comentado chega para rebater tudo o que disseste.

Como o Nuno disse e bem, se tiveres SEMPRE a recorrer aos centros superiores de processamento, na maior parte do tempo, não vais ter tempo e espaço para executar o que pensaste. Não significa isso que não produzas raciocínios complexos (no geral) e que não saibas o que estás a fazer quando tomas uma decisão inconsciente. Na linha do que te respondeu o Matic.
O que acontece é que tu estás tão "batido" em determinado tipo de comportamentos que eles deixam de ser problemas tão complexos para ti, que os podes resolver no mínimo tempo possível, com o mínimo de energia despendida. Depois há outra questão que é tu estares batido, porque no futsal, como me disseste, sempre defendeste assim, durante anos. Não foi comigo, portanto, que o aprendeste, ao contrário da grande maioria dos teus colegas. Por isso para ti é óbvia a forma como te deves posicionar, adaptar, agir, reagir, em contenção e cobertura, logo em condições normais és mais agressivo a atacar o posicionamento e a sair na bola que eles. Isso porque eles não criaram ainda a autonomia (porque não gosto do termo automatismo) que tu tens por experiência. Quanto ao que fazes com bola, também está alinhado de certa forma nisso. Tu tens muitas, muitas, muitíssimas, horas de discussão comigo, estás alinhado com a minha forma de ver o jogo (como disse o Rafael) e isso uma vantagem enorme para os teus colegas. Eu enquanto treinador aproveito-me disso (isso não era para saberes) para meu proveito durante o treino e o jogo. Quando o treino tem a tal variabilidade que o Matic refere, nem sempre as condicionantes vão de acordo com o modelo de jogo, ou com a forma como quero que vocês joguem, nem sempre vai de encontro a tua ideia de jogo, contudo tu aceitas sem "discussão" a grande maioria das regras de acção e de comportamentos que eu peço, sem pensar. É uma decisão inconsciente porque achas que tenho autoridade intelectual (sobre o jogo) e que tudo aquilo faz parte do modelo que tu idealizas. Então tu facilmente enquadras no que te peço no treino, pelo conhecimento que tens da minha forma de ver o jogo e porque achas que tudo faz sentido. O meu papel como treinador é esse mesmo. Se o que eu pedir no treino não for lógico, para ti, não vais conseguir executar em tempo útil.
Enganar/convencer os jogadores que o comportamento adequado é X, por forma a que ele se identifique com ele, dar variabilidade de estímulos para que ele aja e reaja dentro do contexto que eu defini, e que se torne autónomo nas decisões que toma. Isto porque, no futebol como no xadrez com o relógio a contar, as decisões são para ontem.
Então, o meu grande objectivo como treinador é tornar os meus jogadores autónomos, no sentido de tomarem boas decisões no mínimo de tempo possível.
A maior parte das decisões que tomas, enquadrando no texto, são inconscientes, porque não tens tempo para que seja de outra forma. Por exemplo quando recebes a bola, a decisão de devolver de primeira, enquadrar, ou temporizar não é consciente na maior parte do tempo. Normalmente já decidiste antes de receberes a bola, decidiste assim que te fizeram o passe e é melhor assim. Porque o melhor jogador é o que toma as melhores decisões de forma inconsciente (no menor tempo possível, com o menor dispêndio de energia possível).
Agora há diferenças entre os que percebem, os que decoram, e os que fazem por (instinto). Os que percebem são aqueles que tomando uma decisão inconsciente, como tu, finalizada a acção conseguem explicar-me e discutir com lógica a acção que realizaram. Os que decoram são os que numa situação diferente que requer uma adaptação diferente dão uma explicação válida para uma situação anterior, culminando isso com erros de percepção/decisão/execução. Os que o fazem por instinto simplesmente não conseguem explicar o que se passou, apenas executaram.

JON disse...

Uma pequena achega, de um jogador de futsal completamente amador.

Desde que comecei a ler este blog e outros semelhantes, a minha percepção do jogo melhorou e com ela a minha tomada de decisão. Se há coisas que faço por instinto, sendo que algumas até já fazia, há outras que deliberadamente passei a fazer de forma consciente.

Exemplos práticos:
- conduzir pelo meio em situação de contra-ataque (há tempo de tomar essa decisão consciente, e inclusive já me aconteceu ser o último homem e berrar para o que vai a conduzir o contra-ataque para ele conduzir pelo meio. Deu golo e ele agradeceu-me a dica!);
- Tenho dado por mim a orientar o meu comportamento entre contenção/cobertura, enquadramento do espaço de forma consciente...

Conclusão: acredito que com treino específico, situações destas saiam automáticas e inconscientes. No fundo, tento-me treinar a mim mesmo dentro do jogo. No entanto, penso que as decisões em alguns momentos podem ser orientadas por uma noção pré-adquirida do jogo e do que pode ser conceitos básicos de auxílio à tomada de decisão.

Pergunta: concordam que quanto mais se sabe do jogo, melhor se joga?
Eu acho que sim...

Anónimo disse...

há um erro no título

Ronaldinho disse...

Obrigado Anónimo, já foi corrigido.

Roberto Baggio disse...

JON,

"- conduzir pelo meio em situação de contra-ataque (há tempo de tomar essa decisão consciente, e inclusive já me aconteceu ser o último homem e berrar para o que vai a conduzir o contra-ataque para ele conduzir pelo meio. Deu golo e ele agradeceu-me a dica!)"

E a decisão de orientar logo para o meio, ou receber e depois conduzir para o corredor central?

"Pergunta: concordam que quanto mais se sabe do jogo, melhor se joga?"

Sim. Eu não estou a jogar este ano e tenho a certeza que voltando a jogar estou melhor que no ano passado.

JON disse...

"E a decisão de orientar logo para o meio, ou receber e depois conduzir para o corredor central?"

É difícil dizer... mas é algo que me vem logo à cabeça qdo sinto que é momento para contra-atacar rápido.

(hoje tenho jogo, a ver como corre e depois dou feedback :D)

Abraço

Ronaldinho disse...

JON, como o Matic referiu, não devemos tirar da equação as funções do centro superior no entanto acho a sua actuação muito mais importante e efectiva durante a construção de acoplamentos perceção-acção. Quero com isto dizer que não tenho dúvidas de que um maior conhecimento do jogo te permite jogá-lo melhor na medida em que te permite construir precisamente as melhores combinações entre estímulo e resposta.

Repara, tem tudo a ver com o que já foi dito aqui, economia e rendimento, o nosso sistema evolui sempre nesse sentido não há como fugir, está provado. É verdade que começas por ter certos comportamentos de forma consciente, talvez porque os planeias/programas (também existem teorias neste sentido) e isso realmente é função do cortéx, mas à medida que se acumula experiência (treino) e reforço positivo (emoção) o sistema cria caminhos mais curtos, que produzem respostas mais rápidas e mais eficientes pelo simples facto de não passar pelas funções superiores. Um exemplo muito dado é o de conduzir, quem anda aprender a conduzir não tira os olhos da estrada, mal consegue falar com a pessoa ao lado, nível de concentração altíssimo. À medida que acumula experiência vai criando automatismos, libertando as funções superiores para outras tarefas, o mesmo acontece no desporto.

Tenho a certeza que se eu te perguntar porque é que numa determinada jogada conduziste pelo meio, fixaste o defesa e soltaste num colega tu me vais saber explicar porquê, mas isso foi porque já pensaste nisso quando construíste esse comportamento, neste momento aquilo que fazes é percepcionar os estímulos (e por isso sabes dizer-me que estavam numa situação de superioridade, que o defesa avançou para ti, que o teu colega ficou livre para receber enquadrado, etc) mas as respostas já as tens prontas devido ao acoplamento que já construíste, e executas sem pensar embora, como o Baggio referiu ao Gonçalo, me saibas explicar porque o fizeste.

Um bom exemplo é o devolver a bola de primeira quando se tem jogador nas costas, por vezes, o passe vem tão rápido e a devolução tem também que ser tão rápida que nem sequer faz sentido julgar que pensaste, só tens duas possibilidades, ou programaste o acção antes do estímulo acontecer o que aceito que aconteça por vezes embora não goste disso porque dá tendência a comportamentos desajustados se acontecer algo diferente do antecipado, ou então tens associado a esse estímulo (jogador nas costas) o comportamento de devolver de primeira o que é bastante mais eficaz.

Mais uma vez não sou eu que digo que não tens tempo de pensar, está provado. Pensar não é mais que condução de estímulos nervosos (eléctricos), existe um tempo mínimo para o estímulo ser conduzido pelo sistema nervoso periférico e chegar até ao córtex para depois se tomar um decisão e esta ser transformada em novo estímulo para desta vez chegar dos neurónios motores até aos músculos efectores.

Gonçalo Matos disse...

Acho que há aqui uma coisa que para mim não são claras. A primeira é o que entendem por automatismos? Quando jogava futsal, a minha equipa tinha varios automatismos, como jogadas estudadas quer em bola parada, quer em jogo corrido, e ainda tinhamos no nosso modelo de jogo, movimentações padrão muito pouco plásticas. Isto para mim, talvez por ser ex jogador do futsal, são automatismos.
Quando penso em fut11, não encontro, na maioria das situações um paralelismo com o futsal e daí eu dizer que acho que não podemos viver de automatismos.

Falando no meu caso, o meu instinto para o jogo é muito mau. Raramente sou bem sucedido quando baseio as minhas acções no meu instinto e associo muito o instinto a uma forma mais inconsciente de jogar (não no sentido depreciativo do termo).

Vou tentar comentar o que disseste, Matic, em relação à contenção/cobertura para tentar explicar porque acho que decido conscientemente. Imaginem que sou eu o jogador que está na contenção e o meu adversário faz um passe para um colega ao lado. Segundo o modelo do Baggio, eu passo a ser o jogador da cobertura e portanto baixo no terreno (inconscientemente, como resultado do treino e do modelo de jogo do Baggio).
Agora, o Baggio comenta dizendo que sou mais agressivo que a maioria (para jogador de futsal sou pouco agressivo até). Imaginemos que agora, eu sou o jogador da cobertura. O meu posicionamento tem a ver com a minha interpretação de várias coisas para além do modelo de jogo do Baggio:
1º posicionamento do meu colega na contenção: se ele estiver próximo do opositor, tento aproximar-me dele
2º qualidade técnica do jogador com bola adversário: tendencialmente, quanto mais forte tecnicamente for o jogador, mais proximo estou do jogador na contenção
3º posição do terreno em que estou: se o jogador com bola estiver perto da linha lateral aproximo-me mais da contenção que se estivermos no centro do terreno

poderia por mais pontos, mas acho que estes ilustram onde quero chegar. O Baggio "formatou-me" para fazer a contenção, mas nunca me deu instruções em relação a esses 3 pontos. Logo, eu interpreto que não são apenas automatismos a condicionar o meu posicionamento, mas também influencia a minha decisão individual. Quanto a esta decisão ser inconsciente, não faço ideia como posso demonstrar se o é ou não..

Espero que tenha sido claro! E já agora, quero também deixar explicito que não estou por dentro da maioria dos temas, especialmente dos ponto de vista teórico. Tudo o que comento tem a ver essencialmente com experiências vividas e com uma analise dessas situações, com base apenas no senso-comum ou talvez até sendo "chico-esperto".

Anónimo disse...

Eu diria que passa a ser inconsciente quando a efectuas quase imediatamente sem sequer colocares outra hipótese. Ou seja, se tiveres que colocar a dúvida e raciocinar sobre ela, mesmo que saibas a resposta, ainda não a interiorizaste de tal forma que te comportes normalmente, sem hesitações, de acordo com a mesma.

Ronaldinho disse...

Gonçalo sabes qual a informação de suporte ao drible no 1x1? Distância relativa e velocidade relativa, quer dizer que quando eu driblo tenho em conta esta informação. Achas que sendo assim eu me ponho a calcular a minha velocidade, a velocidade do adversário, a distancia entre nós e depois tenho em conta isto tudo e penso numa solução? Não há tempo!! O que faço é percecionar esta informação e respondo com uma acção que pela minha experiência motora tenho mais tendência a desenvolver. No momento não percebi (pensar) bem toda esta informação que recebi, só depois se me perguntares é que sou capaz de pegar nessa informação e pensar sobre ela.

O mesmo acontece contigo, tu sabes que é essa informação que usas para te posicionares na cobertura mas só sabes isso porque pensas nisso depois e não no momento, na altura apenas percecionas e ages. Acho que a confusão está no percepcionar e no pensar, o facto de mais tarde perceberes que usaste a informação que percecionaste não significa que pensaste sobre ela, apenas a usaste para agir o que é diferente.

Gonçalo Matos disse...

Anónimo, não sei se percebi bem.. No meu conceito de inconsciente não há propriamente uma duvida e um raciocinio. Inconsciente para mim é quando nos queimamos e tiramos a mão rapidamente de uma chama, por exemplo.
No exemplo que dei, acho que a decisão é consciente. Tu avalias a situação em questão e depois com base nesse enquadramento, decidides-te. Mas mais uma vez, não tenho noção das definições.

Gonçalo Matos disse...

Então eu pergunto, quando é que um jogador de futebol, em campo, pensa?

Ronaldinho disse...

Tu és lixado Gonçalo, tentarei responder quando tiver tempo!

Matic disse...

Bem, como disse no texto, o contexto, em função das nossas características, oferece-nos possibilidades de ação – e atenção, o nosso conhecimento consciente acerca do jogo faz parte das nossas características. A questão está apenas na forma como essas características influem na própria ação. É preciso pensar muito, ou nem por isso? E se pensar superiormente, isso traz-me vantagens ou não? Se sim, em que momentos pensamos superiormente?

É difícil definir quando se age com base em níveis de processamento mais ou menos conscientes. Talvez a restrição temporal fosse um parâmetro central para ativar o nível mais inconsciente de processamento - como vocês têm referido, o que é possível num determinado momento, não é no outro. E o jogo é praticamente feito disso. Mesmo assim, nem sei se isso é apenas ditado por força da restrição temporal. Parece-me mesmo, que perceber e agir são a condição que predomina no jogo de futebol, no sentido em que essa é a forma de tender para a eficiência. E isso não põe nada em causa, independentemente, da forma de cada um ver o jogo. Ou põe, mas isso são outras conversas.

Há um estudo muito bom que diz mais ou menos o seguinte: situação de um contra um, isolada. Em três zonas do campo - vou ter o atacante como referência apenas para facilitar a explicação – Uma, em que a relação entre os jogadores acontece numa zona próxima à baliza por trás do atacante; Outra, realizada numa zona em que a distância para a baliza por trás do atacante está, sensivelmente, há mesma distância que a baliza à frente do atacante, portanto, meio-campo; Por último, outra situação que acontece próxima da baliza que está à frente do atacante. Aos jogadores não é dada nenhuma informação que explicite a sua colocação no campo, nada. As balizas estão lá apenas porque fazem parte do campo.
A questão é que o atacante teve mais sucesso na zona onde estava mais próximo da baliza que estava à sua frente. Com uma taxa de sucesso muito mais baixa perto da zona em que a baliza estava atrás de si, e uma taxa de sucesso, no meio-campo, um pouco mais alta relativamente à anterior, zona em que assumiu que estava numa situação de um contra um, perto da sua baliza. Foi isso que aconteceu. A um nível não consciente, os jogadores detetaram informação implícita relevante no contexto: estou a atacar/defender próximo/longe da minha baliza.

Mas porquê?
Acho que poderemos inferir sobre o facto de estarem afinados para isso. Coloquem dois miúdos, numa fase inicial da aprendizagem, a fazê-lo. Os valores, provavelmente, andarão equilibrados em todas as zonas.

FT disse...

A questão do Gonçalo parece-me muito pertinente. Quem, como eu, sabe pouco do funcionamento do cérebro humano e da sua relação com o movimento, tem certamente dificuldade em traçar uma linha que divida o que é consciente do que não é consciente.

Só neste post, já tivemos várias referências a situações de jogo em que o narrador tem perfeita noção do que vai fazer e porque o vai fazer. Dá ideia de que a fronteira é muito ténue e difícil de traçar.

No entanto acho que compreendo o que querem transmitir com este texto. A variabilidade no treino prepara (ou afina) o jogador para situações diferenciadas e isto torna-o mais capaz de resolver bem e mais depressa.

Se é consciente, "pré-consciente" ou premeditado não faço a mínima ideia... :)

Cumprimentos,
Telmo Frias

PP disse...

Matic,

Grande texto e grandes intervenções para um debate enriquecedor.

Sobre o teu texto original, quando li o teu último parágrafo lembrei-me logo da teimosia do Baggio em querer que o Di Maria passasse a bola ao colega ao lado (trajecto mais curto, para alguns, para o bom futebol). Eu percebo a intenção da crítica do Baggio nesse lance e até dou-lhe uma certa razão, agora exigir-se ao jogador que tome sempre esse "caminho mais curto", não acho assim tão correcto, até porque assim onde haverá variabilidade, que é tão importante conforme referes no teu texto?

Sobre a tua intervenção acima:
«Acho que poderemos inferir sobre o facto de estarem afinados para isso. Coloquem dois miúdos, numa fase inicial da aprendizagem, a fazê-lo. Os valores, provavelmente, andarão equilibrados em todas as zonas.»
Isso dá pano para mangas... e mesmo nesse exercício relativamente simples esse resultado não é assim tão conclusivo, pois a meu ver há muitos parâmetros que variam entre os dois grupos de teste (veterano e miúdos). De qualquer maneira percebo e até concordo com o que escreveste.

LGS disse...

Grande post (parabéns Matic!) e ainda melhor caixa de comentários!


Primeiro acho que podia fazer copy-paste do 1º comentário do JON e estaria a descrever exactamente a minha realidade. Também eu acho que o meu entendimento do jogo e execução nos jogos semanais de futsal com os amigos melhoraram desde que leio o Posse.

Mas (e a partir daqui aproveito para pegar nas questões q o Gonçalo Matos levantou) mesmo assim muitas vezes tomo más decisões. Porque o instinto e os hábitos adquiridos ao longo de toda uma vida - os tais automatismos - muitas vezes se sobrepõem à tomada de decisão consciente. E normalmente logo após executar uma acção fruto de má decisão percebo logo que errei (porque depois de executar tenho tempo para pensar conscientemente no que fiz). Ter dois tijolos em vez de pés também não ajuda porque a falta de recursos técnicos me limita o leque de decisões que posso tomar/executar.


Gonçalo, acho que uma boa maneira de perceber a diferença (tal como eu a estou a interpretar) entre tomada de decisão consciente e inconsciente é ver um video de nós próprios a jogar. Quase de certeza que vais ver acções tuas em que pensas "Epah fiz X e devia ter feito Y". Tu sabes pelo teu conhecimento do jogo que a melhor decisão era Y, mas no jogo, "automáticamente" decidiste X porque não tiveste tempo de raciocinar de forma consciente.

Não sei se estes exemplos que dei ajudam. Penso que o Baggio exemplificou muito bem quando disse: "Agora há diferenças entre os que percebem, os que decoram, e os que fazem por (instinto). Os que percebem são aqueles que tomando uma decisão inconsciente, como tu, finalizada a acção conseguem explicar-me e discutir com lógica a acção que realizaram. Os que decoram são os que numa situação diferente que requer uma adaptação diferente dão uma explicação válida para uma situação anterior, culminando isso com erros de percepção/decisão/execução. Os que o fazem por instinto simplesmente não conseguem explicar o que se passou, apenas executaram."


PS: Venham mais posts e caixas de comentários destas!!

Gonçalo Matos disse...

Hoje à tarde tive a possibilidade de falar pessoalmente com o Baggio e o Ronaldinho e apercebi-me que estava a interpretar mal o que entendiam como automatismos. Estava a fazer uma interpretação colectiva e não individual.

De qualquer forma, eu compreendo o que entendem por acção inconsciente. Já escrevi aqui que a altura que evoluia mais enquanto jogava futsal era nas férias, porque tinha tempo pra pensar no que tinha aprendido e quais os pontos fracos do meu jogo. E ai era onde tinha tempo para pensar. E pensando nisto, faz-me muito sentido a definição de decisão inconsciente que descreveram acima. De qualquer forma, acredito que há espaço no jogo em campo para tomar decisões conscientes (vou tentar encontrar um exemplo).

Matic, tenho uma questão que acho que talvez pudesse levar a mais um texto muito interessante, se possível posso-te mandar via Ronaldinho?

Matic disse...

Claro Gonçalo, tranquilo, envia.

Bem, o conceito de inconsciente é dúbio, nem sequer, para mim, é claro. Acho que todos concordamos que existe demasiada informação dentro de campo. Aposto que quando estão a ver o jogo na televisão, muito conscientes de vocês próprios, têm, dentro do vosso campo visual, um elemento colorido a correr. Mas, grande parte do tempo, não dão por ele estampado dentro vosso campo visual. Há uma seletividade efetiva na informação que se considera pertinente. Sem grande esforço.

Passem isso lá para dentro, onde o que não falta é informação que se transforma mais rápido que o tempo. Sinceramente, queria transmitir, por nível menos consciente, o perceber de informação contextual de suporte à ação. Só que informação que, apesar de encontrada de forma não deliberada, é encontrada de forma SELETIVA, de acordo com as características do próprio jogador. Por isso a possibilidade de afinar. Por isso, a possibilidade de poder colocar o jogador, de forma subtil, a decidir dentro do que vocês querem. Agora, é preciso saber manipular e criar os melhores constrangimentos no exercício de treino. Isso é que é difícil. Porquê perceber que nem tudo é consciente? Porque, por exemplo, há tendência em partilhar demasiada informação com os jogadores. A informação tem que ser, essencialmente, representativa, não detalhada; Porque se treinam ações em que a informação que suporta essa ação, no jogo de futebol, não está presente, p.e., treina-se passe sem defesa. Sei que é redundante, mas quem faz isso não percebe que a prescrição do treino deve ser representativa. E isso é o básico. Eu já sei isso. E não sei muito mais, honestamente. Agora, sinto-me com condições para começar a pensar nitidamente sobre o jogo e sobre o treino.

Matic disse...

Dizer também que há boa informação à volta disto, e bem mais explícita. Procurem, se quiserem. Provavelmente, sobre este assunto concreto, não terei muito mais a dizer, até porque não queria passar, mais do que já passei, além da constatação. Se continuarem a discussão do post continuarei a acompanhá-la.

Agradeço todos os comentários. E agradeço aos boss's dos blog por me permitirem partilhar o pensamento.

Continuem a refletir e a pôr em causa, isso é fundamental. Espero ter contribuído alguma coisa.

Irmão do Matic disse...

Matic, tu és ou já tiveste alguma vivencia como treinador de futebol? Também estudo na FMH e gostava de ter uma "conversinha" contigo sobre tudo o que escreveste aqui. Abraço!

André "Mendes" Gomes disse...

Eu só gostava de saber se falas sobre isto devido aos teus conhecimentos teóricos apreendidos na Universidade ou se tens " trabalho de campo " como treinador, e se ja experimentaste algumas destas situações. Por favor, mata-me a curiosidade grande Matic!!

Matic disse...

Desculpa, só vi a tua questão agora. Estou no 2o ano da licenciatura, não sou doutorado. Tudo o que disse surge pela informação que procuro para mim, seja na faculdade, ou não, e da observação que faço. A minha experiência no campo, como treinador, é curta, também pela idade. Mas já consigo ligar algumas coisas, e este conteúdo teórico parece-me que vai bastante de encontro à prática. Tenho confirmado isso, de certa forma, até porque tenho tido contacto com miúdos, numa fase relativamente inicial da aprendizagem. A ideia é que o conteúdo teórico mantenha uma relação recíproca com a prática. Só saber, sem experimentar, não é saber. Mas é como disse, conseguindo perceber esta informação torna-se mais fácil pensar sobre o jogo e o treino.

Em relação à conversa, é quando quiseres. Abraço

FT disse...

Ainda na sequência deste post, encontrei um artigo escrito por um treinador espanhol. Deixo para reflexão:

http://www.futbolparaentrenadores.com/articulos/colaboraciones/importancia-del-modelo-de-juego-en-la-toma-de-decisiones

Cumprimentos,
Telmo Frias
Cenas da Bola

Anónimo disse...

Olá a todos. A discussão está muito interessante e como o autor do blog refere, a mais importante. Mais do que discutir se A ou B são bons, ou se eu gosto mais disto ou daquilo, o importante é compreender o que regula a decisão e ação dos jogadores. Só assim conseguiremos treinar melhor independentemente das ideias de jogo que defendemos. De uma forma muito rápida e simples vou tentar deixar umas achegas para a discussão:

O comportamento dos jogadores é regulado por informação interna e externa. Essa informação para ajudar o jogador a decidir deve ter um significado para o próprio jogador (afinação à informação relevante).

Porque o futebol é um desporto coletivo o poroblema é tornar a informação externa/contextual com valor semelhante para cada um dos jogadores na relação com as suas capacidades (interna) e as dos seus companheiros em relação aos adversários.

Que informação estamos a falar? Informação assente nos principios especificos e nos principios estratégicos do treinador que vai sustentar as relações espacio temporais entre companheiros e adversários. Como o Matic refere é desta combinação que surgirão affordances individuais e coletivas nos diferentes momentos do jogo.

Apenas uma ultima achega. Não existem comportamentos automáticos. Podem ser mais ou menos conscientes, mas automático significa que não seria necessário uma leitura do contexto e ajuste constante. Deste modo temos que tornar os comportamentos mais inconscientes pela capacidade de os jogadores reconhecerem e ajustarem (calibração) melhor (força, velocidade, coordenação, agilidade...) as suas ações ao que o contexto setorial e global do jogo. Esta é uma grande diferença. O foco em vez de ser no padrão motor, é na informação que sustenta a variabilidade comportamental dentro do limite definido pelos principios especificos e estrategicos.

Poderão encontrar mais informação sobre estes aspetos no livro "A Tomada de Decisão no Futsal" com grande transfer para o futebol.

Parabéns pelo blogue
Bruno Travassos