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segunda-feira, janeiro 06, 2014

"Ambição não se mostra nos jornais"

Mourinho mudou em muita coisa com o passar do tempo. Contudo, deixou ficar alguns traços importantíssimos que lhe permitiram continuar a ser bem sucedido. Um deles é sem dúvida o que exige dos jogadores, sobretudo no treino. Quem quer jogar tem de trabalhar, tem de "pagar um preço muito alto" para fazer parte das opções.
Há jogadores que o aceitam com facilidade, há outros que pela personalidade acham que devem jogar apenas por terem talento, e há outros ainda que por estatuto acham que têm o lugar assegurado.
Talento por si só não chega, estatutos não lhe dizem nada, apesar de alguma "mágoa" que diz sentir por ter de deixar jogadores de fora, como se pode ler aqui.

A partir do minuto 3:38 Mourinho explica a situação de Kevin De Bruyne


Passeava pelo blogue e lia os comentários do Edson, "O que me parece é que o N. Oliveira, ao invés de aproveitar os empréstimos para evoluir, encara estes processos como um castigo. É uma pena.", e o artigo do Baggio, " Antes de pensares em jogar pensa no porquê de não jogares, pensa nos erros que cometes". 

São frases que fazem sentido, porque não é fácil gerir um grupo de 23 jogadores.

Estou com Mourinho e com Paulo Fonseca, "Ambição não se mostra nos jornais".

15 comentários:

DC disse...

O PF fala muito mas normalmente na semana seguinte à imprensa o questionar sobre um jogador, usa o jogador.
E se me vêm dizer então que o Herrera tem mostrado merecer mais oportunidades do que o Defour...
Da mesma forma, terá o Carlos Eduardo andado 4 meses a treinar mal?
E o Izmailov treinou bem quando para merecer ser inscrito na Champions em vez do Carlos ou do Kelvin?

Se no caso do Mourinho também questiono algumas coisas (como ter elogiado tanto o De Bruyne no início da época e depois tirar-lhe o tapete, ou como de repente o melhor jogador do Chelsea das duas últimas épocas passa a ser secundário), pelo menos o Mourinho, normalmente, é mais ou menos coerente nas opções e faz render os que usa a titulares.

Já PF que já experimentou 30 duplos pivots diferentes esta época, não me venham dizer que é por causa dos treinos. Porque senão os treinos do Porto devem ser os mais inconstantes da história do futebol.

JS disse...

Isso não invalida que um jogador que trabalhe e lhe tapem sempre o caminho não evolua por esta segunda parte.

A questão do Nelson Oliveira e empréstimos: mesmo que queira aprender (assumindo que não o faz sozinho), é numa equipa que não o estimula a tal que o fará?

Não estou a dizer que é esse o caso, mas são muitas variáveis para culpar automaticamente o jogador. Por exemplo, o caso Olá John... A culpa é do holandês ou das ideias atacantes de Jesus?

Anónimo disse...

Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Ola John não se veio queixar aos jornais.

Anónimo disse...

Ola John nao veio queixar-se aos jornais? Andas a dormir

António Teixeira disse...

DC,

O gajo parece que se dá muito bem com os jogadores. Os problemas dele já sabemos quais são, e já estão identificados, não tendo a ver com o balneário. Hoje em dia toda a gente vai falar para a imprensa, infelizmente, seja no Porto, no Benfica, ou noutro clube mediático. O que se pede ao Paulo Fonseca é que deixe de partir a equipa em dois e que seja fiel aos princípios de jogo que caracterizam o nosso clube. Quando ele compreender isso, tem a estrada aberta para ser campeão.

Cumprimentos,
António Teixeira

hertz disse...

O Vitor Pereira veio outra vez falar nos clássicos durante este 2 anos. Gostava que me esclarece-sem uma serie de duvidas sobre esses jogos.
De facto o Porto de VP era mais dominador nos jogos contra o Benfica? Isso era mais mérito do VP ou demérito do JJ? O 4-3-3 do VP era um modelo superior ao 4-4-2 ou ao 4-2-3-1 do JJ? Contra aquele Porto o Benfica de JJ não consegue jogar de igual para igual? Neste blog, e noutros, diz-se que os treinadores não devem mudar em função do adversário (o que concordo). O JJ fez isto em relação ao Porto ou foi mais uma pequena mudança de estratégia? Que poderia o JJ fazer para conseguir impor o seu jogo sem ter de recorrer as bolas longos como se viu em alguns jogos?

JON disse...

Eu gostei muito da entrevista do Vitor Pereira. Puxou a brasa à sua sardinha, mas só quem não vê quem não quer que é verdade que ganhou quase sempre do ponto de vista táctico. E para mim basta um lance: o 2º golo do Porto na Luz, do James. É sintomático e quanto baste...

Simultaneamente, fiquei ainda mais preocupado, enquanto portista, com o que vem aí domingo... transições, transições, transições!!!

António Teixeira disse...

Eu também gosto sempre de ouvir falar o Vitor Pereira. É uma pessoa humilde e creio que tem uma visão muito sistemática das coisas, o que é importante.
Jon, eu por um lado tenho medo, mas por outro não. A ver.
Acho que o Vitor Pereira ganhou sempre a nível táctico. Hertz, se o Jesus joga no seu modelo habitual contra o Porto do Vitor Pereira vai ter problemas, porque não consegue que os processos ofensivos e defensivos da equipa sejam tão consistentes, porque o Porto defendia muito bem e, depois, também atacava bem. O problema sempre foi a falta de qualidade que o Vitor Pereira tinha na criação, especialmente a inexistência de um extremo bom (neste último ano, em que o modelo já estava consolidado). Assim, era sempre difícil à equipa criar boas ocasiões.
Muitas vezes também se pensa que o jesus defende contra o Porto, mas acho que não é bem assim, porque o Porto é que obriga o Benfica a baixar e a condicionar-se.

Cumprimentos

Roberto Baggio disse...

Hertz,

"De facto o Porto de VP era mais dominador nos jogos contra o Benfica?"

Sem dúvida

"Isso era mais mérito do VP ou demérito do JJ?"

As duas coisas

"O 4-3-3 do VP era um modelo superior ao 4-4-2 ou ao 4-2-3-1 do JJ?"

Não confundas sistemas de jogo com modelos. São coisas muito distintas e pouca influência têm no desenrolar dos jogos. O que decide a superioridade ou inferioridade dos modelos são as dinâmicas. E sim o modelo de VP é superior ao do Jesus

"Contra aquele Porto o Benfica de JJ não consegue jogar de igual para igual?"

Não. O modelo do Jesus não tem dinâmicas para isso.

"O JJ fez isto em relação ao Porto ou foi mais uma pequena mudança de estratégia?"

Jesus mudou quase nada para os jogos com o Porto de VP. Simplesmente o modelo não permitia mais, tendo em conta o modelo do adversário

"Que poderia o JJ fazer para conseguir impor o seu jogo sem ter de recorrer as bolas longos como se viu em alguns jogos?"

Alterar substancialmente a forma como ataca. Lá está, alterar as dinâmicas do modelo de jogo. E isso não se faz numa semana, ou num mês.

António Teixeira disse...

Quis dizer basicamente o que disse o Baggio.

hertz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
hertz disse...

Muito obrigado António Teixeira e Baggio pelos esclarecimentos.

Ja agora, para um grande clube como o Benfica pode-se dizer que é mais "apropriado" ter um VP que um JJ (tendo em conta a forma como ambos põem as suas equipas a jogar)?

DC disse...

Suponho que digas isso devido aos fracos adversários. Eu acho que um modelo como o do JJ que depende das individualidades para atacar será sempre pior.
Por exemplo, acho que o Benfica vai sentir muito as ausências ou a possível saída do cardozo. E com a eventual contenção de despesas é provável que haja uma aproximação entre os grandes e os outros e assim um modelo mais desequilibrado como o do JJ perde vantagens.

Roberto Baggio disse...

Hertz,

Depende do que procuras. Cada clube, país, adeptos, cidade, tem uma cultura própria. E enquadrando nesse contexto, cada treinador deverá ser capaz de entender o contexto em que está e suplantar as expectativas dos adeptos e da direcção. Achas que os adeptos do Benfica iam perceber um futebol mais de posse, dominador, mesmo que isso implicasse rematar menos vezes à baliza?
Eu pelo que sentia quando ia à luz era que o público estava constantemente a pressionar os jogadores a tomarem más decisões, a agirem no impulso, a procurar a baliza sejam quais forem as condições. Portanto acho que os adeptos não iam compreender e aceitar esse tipo de futebol.
Mas sim, eu penso que o Benfica devia ser dominador à todo tempo, porque tem jogadores para isso.

hertz disse...

Pois...concordo. Ainda há uns tempos num jogo da Luz, o Benfica estava a ganhar e, com o jogo quase a acabar, limitou-se a trocar a bola entre os jogadores. O publico começou logo a assobiar.