Posse de bola no Facebook

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quinta-feira, janeiro 30, 2014

"Isto é futebol do século 19"

"É muito difícil disputar uma partida de futebol quando apenas uma equipa está interessada em jogar. Numa partida de futebol é suposto haver duas equipas a jogar"

Mourinho, podes ligar ao João de Deus?!

terça-feira, janeiro 28, 2014

Formação do Benfica

A formação no clube da luz tem uma geração de jogadores com grande potencial, para chegar ao plantel principal. Não significa isso que esses jogadores tenham, todos, qualidade para se impor no onze inicial do clube da luz. Há dez anos atrás, provavelmente, André Gomes, Ivan Cavaleiro, e Bernardo Silva seriam indiscutíveis no onze encarnado. Hoje, estão "sentados", e bem, porque o Benfica tem jogadores de grande qualidade nas posições em que eles poderiam ser opção. Assim, a única crítica que se pode fazer a Jesus será a falta de minutos de jogo que André Gomes tem, apesar de treinar com o plantel principal, e o facto de Bernardo Silva ainda não estar a treinar e aprender com os melhores, num contexto de maior dificuldade.

Quanto a venda de André Gomes que tanta tinta tem feito correr, se for pelos 15 milhões de que se fala, é um óptimo negócio para o clube da luz. André Gomes tem evoluído muito por se treinar com os seniores, mas ainda não é jogador para se impor de caras no onze encarnado, tendo em conta os jogadores que lá estão.

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Matic, e tudo o que é essencial

Agressividade

Sem bola:
  • Adoptar o melhor posicionamento o mais depressa possível 
    • Consoante a zona da bola, a baliza, e os colegas
  • Sair rápido na contenção 
    • Colocar-se rapidamente entre a bola e a baliza, a uma distância tal que não permita o passe vertical ou o remate, nas melhores condições
  • Escolher bem o timing de pressão para não deixar enquadrar, ou para precipitar o erro 
    • Homem de costas
    • Bola descoberta no corredor central
    • Zona com superioridade numérica
    • Bola dividida
    • Mau passe que dificulte a recepção 
    • Má recepção
  • Escolher bem o timing de desarme 
    • Não entrar a queima
Com bola: 
  • Permitir a progressão da equipa, aproximando-a da baliza contrária nas melhores condições possíveis 
    • Com passe curto, ou longo, para um colega melhor posicionado à frente da linha da bola, preferencialmente no corredor central 
    • Com condução, quando tem espaço para progredir 
    • Com drible
      • Quando está numa situação de 1x1 sem cobertura
      • Quando tem espaço nas costas da linha defensiva 

Criatividade
  • Condução contra o bloco adversário, para atrair, fixar, e soltar
  • Rasgar linhas de contenção e cobertura 
    • Com passe, proporcionando aos colegas situações com menos adversários pela frente, preferencialmente no corredor central
    • Com drible, proporcionando a si mesmo situações com menos adversários pela frente, preferencialmente pelo corredor central

Sérgio Ramos vs Hummels


Qual foi o critério utilizado para Ramos figurar no onze ideal da Uefa e da Fifa em detrimento de Hummels, por exemplo?

quarta-feira, janeiro 22, 2014

Perceção - Ação

O contexto, em função das caraterísticas do jogador, oferece possibilidade de ação - affordances, que emergem por força da relação sinérgica entre jogador, opositor e, claro, cooperador. A literatura define, a partir daqui, algo denominado como acoplamento perceção-ação, que passa pela ideia de que percebemos para agir, e agimos para perceber. Dessa forma, perceção e ação fazem parte da mesma coisa. Gibson foi autor desse pensamento, ainda que não inspirado especificamente pelo desporto.

Por vezes, e sem pensar muito nisso, apresentamos tendência, quando passamos por jardins, em pisar a relva. Quando pensamos sobre isso percebemos que, sem solicitar os centros superiores de processamento, alteramos a nossa trajetória porque tomar o caminho mais rápido passa exatamente por passar por cima da relva. Bom, o que é acontece é que de forma eficiente, e portanto, sem obrigar o córtex a grande dispêndio energético, percebemos informação sobre a trajetória que nos coloca no caminho mais curto.

Ou seja, o contexto contém informações que especificam possibilidades de ação. A informação que eu considero pertinente, a um nível não totalmente consciente, e que me permite perceber uma possibilidade de ação, reforce-se, em princípio, a um nível não totalmente consciente, essa, já estará dependente das minhas características e, portanto, da forma como estou afinado para perceber informação. Bom, na sequência dessa ideia, talvez seja condição necessária ao treinador conhecer que informações suportam a ação de quem joga. Comenta-se, a propósito, que o treinador não deve interferir, sistematicamente, sobre a tomada de decisão do jogador, de forma explícita. Verdade, por vários motivos. No entanto, de forma implícita, no treino, o treinador pode criar condições para que o jogador perceba, dentro da não-linearidade do jogo, as informações mais pertinentes que especifiquem as ações mais pertinentes. Qual é a informação mais pertinente? Isso pertence a cada treinador. Mas antes, é necessário conhecer a informação que suporta, de forma universal, a ação de todos os jogadores. Não obstante o facto de aceitar que em situações particulares poderá existir recurso a programas motores que efetivem a ação, partindo de imagens representativas, tenho alguma dificuldade em aceitar a perspetiva hierarquizada de que, superiormente, se deteta informação, se decide sobre essa informação, para depois se executar. Muito analítico, parece-me curto. Mais, além de pouco funcional, parece-me pouco económico, e parece-me, igualmente, que o conceito de eficiência é um conceito algo mais interessante. Mas tentado especificar, e tocando no mais simples, dizer que existe evidência de que parâmetros como são a velocidade relativa e distância interpessoal marcam valores para os quais emerge, em determinado momento, a affordance e, por isso, o momento exato em que a emerge a oportunidade que possibilita ao portador da bola ultrapassar o defesa, em situação de um contra um. E um contra um é o mais descomplexo possível. Abaixo de contra um, não é nada. Não é jogo desportivo coletivo, quanto mais futebol. Exatamente porque, nessa situação, não há interações sinérgicas que forneçam informação de suporte à ação.

Como afinar? Parece-me que relacionar conceitos como estabilidade e variabilidade poderá sustentar respostas a essa questão. Parece-me, igualmente, que a pertinência atribuída a cada informação será ditada, não só, mas em grande medida, pela experiência, pelo fator quantidade de prática, pela exploração das possibilidades de ação, e daí por fatores posteriores como, por exemplo, a informação de retorno consequente, seja intrínseca, ou extrínseca. Repare-se no facto da mesma ação, nunca ser a mesma ação. Nós repetimos, sem repetir. E fazemo-lo porque as circunstâncias renovam-se constantemente. A informação, de forma esquemática, é a mesma. Agora, os parâmetros informacionais sofrem oscilações porque um momento nunca é igual ao outro. Logo aí, há uma variabilidade inerente à repetição. Positiva, por sinal. Ainda assim, não deverá ser suficiente, e o papel do treinador será acentuar acertadamente essa variabilidade natural. Até porque é a variabilidade que assegura um caráter adaptativo às circunstâncias, sem perdas de identidade, pelo contrário. Se uma situação não tem situação repetida, como é que os jogadores resolvem situações que nunca experimentaram? Um facto é que resolvem. Consta que a interferência contextual será a forma mais evidente de proporcionar prática variada. Agora, qual a dose ótima de variabilidade que reduz o indeterminismo aparente e a incerteza do meio, preservando a estabilidade? Pois.


Questão, simples: Não será demasiado constrangedor, e muitas vezes, dentro da restrição temporal inerente ao jogo, colocar o jogador a pensar, a decidir deliberadamente, sobre que ação coloca a bola numa zona onde a sua equipa esteja em superioridade numérica, tal como seria se tivéssemos que, constantemente, pensar sobre a escolha do trajeto mais curto até casa, ou sobre qual a distância interpessoal adequada para andar ao lado de alguém na rua?

PS: Este texto foi enviado por um leitor, Matic, aluno da Faculdade de Motricidade Humana. Muito obrigado pelo teu contributo.

PS2: Fácil é comentar sobre se jogador X é bom ou jogador Y é mau, por todos julgarmos saber. Difícil é comentar sobre o conhecimento necessário para argumentar sobre a valia desse jogador. Assim, espero que as grandes polémicas voltem-se sobre este texto em forma dos mais do 100 comentários sobre Ola John, dos mais de 70 sobre Suarez, os mais de 60 sobre Varane, os mais de 100 sobre Mourinho, os mais de 100 sobre Wenger, os mais de 100 sobre Di Maria, ou os mais de 100 sobre Djuricic.


terça-feira, janeiro 21, 2014

Tomada de decisão, o exemplo de Ola John

Entretanto Ola John continua a fazer o que faz melhor, continua decidir a bem. Como temos vindo a defender aqui, e aqui.

Recepção a atacar logo o espaço interior. 1x1 sem cobertura e sem apoio próximo, muito bem resolvido. Depois fixa e solta.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Organização defensiva

Quando a estratégia passa por jogar para não perder, os maus resultados não tardam a chegar.

Aqui, João de Deus deixa a sua impressão sobre o jogo, "A equipa demonstrou uma organização forte, conseguiu cerrar fileiras durante todo o jogo e, por isso, foi pena este desfecho."
Significa isto que o Gil Vicente jogou, novamente, para não perder. Fechou-se na caixinha de 30 metros, contou com a sorte e com os imponderáveis para ter sucesso, contra uma equipa que está claramente ao mesmo nível dos gilistas.
O Gil Vicente abordou o jogo por forma a jogar apenas um momento do jogo, organização defensiva, e nem sequer é o momento ideal para ser jogado à todo o tempo. É muito pobre a abordagem de apenas um momento do jogo, sem preocupações com a competência organizativa quando a equipa tem a bola.

"A Académica teve mais bola e mais oportunidades para ganhar, mas, de qualquer forma, tiveram apenas uma ou duas oportunidades de golo. Perder no último minuto é que é o nosso amargo de boca."
Tivesse a Académica marcado no primeiro minuto e já não seria amargo? Pelo que li, João de Deus disse que Académica mereceu a vitória, por ter ido em busca do golo durante o tempo todo.
Fazer do jogo um treino de defesa vs ataque, durante 90 minutos, é um amargo de boca para os jogadores, e para quem gosta verdadeiramente de futebol. É verdadeiramente deprimente este tipo de futebol, sobretudo, quando não existe uma diferença de qualidade individual evidente entre as equipas.

domingo, janeiro 19, 2014

Klopp, Bayern, Guardiola, e Messi

Aqui começamos a ver os primeiro sinais de excelência, e em Manchester Guardiola deu uma palestra incrível sobre o que é a sua forma de ver  jogo. Confirmou os sinais que sobressaiam no início da época, que nos davam indicadores claros de uma melhoria muito significativa do jogo do Bayern. Assim percebeu-se em pouco tempo, que Guardiola tornou a equipa muito melhor do que o que era no passado. Hoje, Klopp diz coisas que nunca disse anteriormente sobre ao Bayern:
"Atualmente o Bayern é imparável. Por exemplo, o Real Madrid não tem qualquer hipótese de competir com o Bayern de Guardiola. Se o Real Madrid ou o Manchester United não têm qualquer hipótese frente a eles, como podem exigir isso ao Dortmund?"

É essa a diferença entre o Bayern do ano anterior deste ano. O modelo de Guardiola é construído para dominar todos os adversários durante os 90 minutos, não abdicando nunca da bola, independentemente do resultado. Mesmo estando ainda longe da excelência, é um modelo que se superioriza à todos os outros pela forma como Guardiola vai conseguindo que a sua equipa coloque, com cada vez mais consistência, as suas ideias em campo.

"Só vejo mesmo o Barcelona a conseguir deter o Bayern München, mas não a duas mãos: num jogo apenas"

E desta vez não é pela organização colectiva. O Barcelona está longe de ter um modelo que permita competir com o Bayern, contudo, tem uma base de jogadores com um elevadíssimo índice de acerto na tomada de decisão, com muitos anos a jogarem juntos. E tem o factor que me parece mais importante para essa análise de Klopp, o melhor jogador da história. Para mim, quem tem Messi é sempre candidato a ganhar a competição onde se insere, apesar de não ser favorito por não ter o melhor colectivo.

sábado, janeiro 18, 2014

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Avaliação individual dos jogadores

A partir do segundo 35 pode-se retirar o essencial da mensagem de Vítor Pereira


Tal como temos vindo a fazer aqui, no exercício de avaliação dos jogadores, também Vítor Pereira o faz baseado na qualidade.
Qualidade do quê?
Tomada de decisão, posicionamento defensivo, movimento ofensivo (soluções de passe que proporciona aos colegas).
E o resto?
O resto, como aqui defendemos, é o menos importante, é o acessório, é o que o jogo proporciona 5% das vezes.

Entenda-se que uma equipa pode ganhar por 5-0, um jogador ter marcado os 5 golos, e esse jogador ter estado longe de ser o melhor em campo.

Importa estar bem em 95% das acções, e se for possível no restante. 
Estar bem apenas nos 5%, como o adepto gosta, é muito pouco para as exigências do futebol actual.

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Matic e Enzo

Jesus tem um meio campo de classe mundial. De fazer inveja a muitas equipas que lutam pelos primeiros lugares de alguns dos campeonatos mais fortes da Europa.
Por exemplo, os dois médios do Benfica entram juntos directamente no onze de três das seis equipas, que se diz que vão lutar pelo título inglês. E Matic só tenho dúvidas se não entrava no City, por não conhecer Fernandinho no pormenor, de resto, entrava em qualquer onze inglês, e não só.

A melhor coisa que Mourinho poderia fazer neste mercado de inverno, ou na próxima temporada, seria reforçar o seu meio campo.
Incrível como Matic e Enzo teriam muito mais a oferecer ao jogo, do que qualquer dupla que Mourinho utilizou no seu duplo pivot do Chelsea. Ignorando os estatutos e tudo mais, caso Mourinho conseguisse estes dois o seu meio campo, e o seu jogo dariam um salto qualitativo brutal.
Com Matic a coisa melhora, mas ainda me parece curto.

"Is much more difficult to play offensive"

Não podíamos estar mais de acordo com Mourinho, daí as nossas maiores críticas serem sempre para a forma como as equipas defendem, mais do que para a forma como as equipam atacam. Claro que um factor influência outro, defende melhor quem ataca bem e ataca melhor que defende bem.
Contudo, atacar o adversário na procura do golo durante o tempo todo, sem olhar para o resultado, controlando através da posse de bola, com dinâmica, é muito difícil de conseguir.

Daí a nossa eterna admiração por Guardiola, que chega ao Bayern que ganhou tudo, equipa que se dizia não poder melhorar mais, coisa que sempre refutamos, e coloca o capitão a dizer isto: «Temos potencial para controlar os nossos adversários durante 90 minutos, em vários jogos seguidos, sejam quem forem. Podemos sempre ficar melhores. Praticamos um futebol dominante, mas continuamos a ter momentos em que entregamos aos nossos adversários a posse de bola».

terça-feira, janeiro 14, 2014

Tomada de decisão, o exemplo de Emanuelson

Lance de contra ataque 3x3
Emanuelson muito bem a progredir pelo corredor central enquanto teve espaço. Procura depois o colega que está mais próximo de finalizar, fixando o defesa desse lado, a fraca agressividade da contenção e má decisão do lado a defender permite que se chegue a uma zona muito próxima da baliza em condições óptimas para criar um lance de finalização. Emanuelson mete bem o passe entre os defesas, para o espaço, contudo a qualidade do passe não foi a melhor e obrigou Kaka a fazer um desvio na sua trajectória em direcção à baliza, ficando em piores condições para finalizar. 
Emanuelson acertou em todas as decisões que tomou, depois teve um erro de natureza técnica, que não lhe permitiu executar da melhor forma o último passe.


segunda-feira, janeiro 13, 2014

Tomada de decisão, o exemplo de Ronaldo e Benzema

Após pressão do R.Madrid Benzema recupera a bola, dentro da grande área, sem se conseguir enquadrar com a baliza. Segura a bola até a entrada de Ronaldo fazendo um passe que lhe permite a finalização, tendo ficado enquadrado com apenas a linha defensiva pela frente. Ronaldo, contudo, opta pela melhor decisão que é passar a bola a um colega que fica em melhores condições para finalizar, sem oposição.
Boas decisões e um erro técnico no último passe, que obriga Jese a finalizar em piores condições.



Nunca pensamos dizer que Messi não seria favorito na conquista do prémio da melhor individualidade em actividade, e só o facto de se ter lesionado durante muito tempo poderia provocar esse cenário. Tendo em conta esse critério, Ronaldo será, para mim, um justo vencedor da bola de Ouro. 

domingo, janeiro 12, 2014

Individualidades

As quatro melhores equipas do campeonato defrontaram-se neste fim de semana.
Jogos de grande intensidade, esforço, agressividade, mas nem sempre bem jogados.
Cada equipa dentro do seu estilo, com o modelo de jogo bem evidenciado em cada uma delas. Quando nenhum modelo de jogo consegue superiorizar-se, claramente, por ter mais qualidade, normalmente os jogos são muito equilibrados. Ficou a ganhar a equipa que tem as melhores individualidades, os melhores atacantes, do campeonato.
Jesus não fez um jogo diferente dos que tinha feito nos últimos 3 anos contra o FCP. Apenas teve um adversário pouco competente na criação, e com comportamentos defensivos pouco agressivos. 
Caso este equilíbrio se mantenha, ao nível dos modelos de jogo de cada equipa, o Benfica continuará a ter uma grande vantagem para os seus concorrentes directos.

sábado, janeiro 11, 2014

Aqui Cortez deixa a sua opinião sobre a dinâmica dos laterais no modelo de Jesus:  “Na táctica utilizada no Benfica, os laterais exercem uma função quase exclusivamente defensiva“.

Essas declarações vêm mostrar que Cortez não percebeu nada daquilo lhe foi passado no Benfica, nem tem cabeça para o entender. Esse é muitas vezes o motivo pelo qual muitos jogadores com boas aptidões técnicas e físicas falham na adaptação à clubes com maior exigência táctica.

A função dos laterais no Benfica não é ofensiva nem defensiva. Depende apenas do contexto. De quem tem a posse de bola, da posição onde se encontra o portador da bola, e da posição dos colegas. Os laterais têm uma responsabilidade defensiva, estando a equipa em posse, ou estando sem ela. E o equilíbrio da equipa passa muito pela capacidade que os laterais têm em compreender as decisões colectivas que a equipa toma, em perceber como devem adaptar o seu posicionamento em relação à bola e aos colegas, e como devem defender situações de 1x1.

Provavelmente, exigia-se a Cortez, no treino, constante atenção aos estímulos defensivos, por forma a responder com eficácia às exigências do modelo de jogo do Benfica. Mas é um trabalho demasiado complexo para quem nunca esteve habituado a pensar colectivamente, e a ver o jogo para além do lado da bola. 

Tomada de decisão, o exemplo de Yaya Touré

Com espaço progride e ataca agressivamente o corredor central. Devido à falta de agressividade no comportamento dos defesas do West Ham ganha espaço para chegar a uma zona de finalização. Sem colegas nas proximidades com possibilidade de receber a bola em melhores condições que ele decide muito bem pelo remate.




sexta-feira, janeiro 10, 2014

O traço mais importante do futebol moderno. Tomada de decisão, o contexto, e a qualidade do jogador

"Cada vez mais é aceite a importância da tomada de decisão, mesmo entre os adeptos da modalidade.

Todavia, aquele que é o traço mais importante do jogo na actualidade continua a ser de muito difícil compreensão. Naturalmente, até porque se fosse fácil surgiria como algo natural aos próprios atletas. E a verdade é que se uma percentagem avassaladora de jogadores não sabe sequer tomar uma boa decisão de forma consciente, dificilmente se pode esperar a sua compreensão da parte de quem nunca sequer pisou a relva."

" Ao contrário do que provavelmente muitos pensarão, a tomada de decisão não tem qualquer relação com sistemas tácticos, modelos de jogo, ou nomes dos adversários. Quando um jogador toma uma decisão, apenas uma coisa importa. A situação de jogo em que está envolvido. Isto é, quantos contra quantos, local e condição (enquadrado?) onde tem a bola e posicionamento dos jogadores presentes na situação. "

Isto, claro, se estivermos a falar em equipas com o mesmo nível/volume de treino, que joguem no mesmo contexto (competição), onde as diferenças técnicas e físicas não são fundamentais.
Nestes termos o contexto é que dita se a acção do jogador foi a mais adequada, por forma a aproximar a equipa do sucesso.

"Tende-se a confundir uma boa tomada de decisão com uma consequência positiva e uma má tomada de decisão com uma consequência negativa. Quando não estão directamente ligadas. Uma boa decisão faz aumentar as probabilidades de sucesso da equipa, mas pode em determinado momento, por uma má execução ter uma consequência negativa. Se com um colega preparado para se isolar decidir driblar cinco adversários e for bem sucedido e terminar com um golo fantástico, tal não significa que eu decidi bem."

Este parágrafo é fundamental para se perceber que a decisão deve ser avaliada na altura que o jogador a tomou. Não se pode por isso na maior parte das situações, avaliar a decisão pelo seu resultado final. Há obviamente situações em que avaliar a decisão pelo resultado é possível, pelo tamanho sucesso que o jogador tem no desafio das probabilidades. Mas quantos são esses, que conseguem jogar constantemente no totobola e ganhar?! Poucos, muito poucos.

"Demasiadas vezes a boa tomada de decisão, sobretudo em fases como a da construção e criação, chega até a afastar o jogador da notoriedade, porque este está apenas preocupado com o proporcionar à sua equipa uma boa situação de jogo (com menos oposição e bola mais enquadrada com a baliza). É, por exemplo o caso do post anterior. Um extremo que a um toque coloca um colega de frente apenas para a defensiva adversárias e bem enquadrado no corredor central. O passe de Ola John para Djuricic poderia ter saído mal, mas a decisão teria sido óptima. Já se tomasse a liberdade de arrancar pela linha e tirar um cruzamento, mesmo que tivesse dado golo, teria sido uma má decisão, porque as probabilidades de chegar ao golo dessa forma são incrivelmente mais reduzidas do que fazendo a bola chegar a um colega enquadrado no corredor central só com a linha defensiva adversária à sua frente."

Pensemos numa hipotética situação: Xavi está no corredor central a 20 metros da grande área, com um adversário pela frente sem cobertura. A melhor decisão, para a maioria dos jogadores, seria o 1x1. E é aqui que entra a qualidade do jogador. Xavi não tem 1x1, e não tem velocidade de deslocamento. Para ele, o melhor seria temporizar e aguardar a entrada de alguns colegas. Então, nunca se exigiria ao Xavi que naquela situação tentasse o 1x1 ali. O contexto é influenciado pela qualidade do jogador, como é natural. Contudo, no alto rendimento, estamos a falar de um universo onde a grande maioria dos jogadores tem capacidade para conduzir, passar, receber, rematar, e driblar. Logo, a maior parte dos jogadores tem as ferramentas necessárias para decidir bem, importando pouco o nome do adversário (jogador).

"Quando se fala em tomada de decisão, o nome do adversário conta zero. A menos que o adversário não seja um profissional do futebol..."

Aqui está mais uma vez o contexto. E o contexto é sobretudo influenciado por aquilo que o adversário  e os colegas nos permitem. Por exemplo, na Taça das Confederações a Espanha jogava contra a selecção do Taiti e ao fim de 15 minutos eu pensei que o Navas deveria ter entrado de início. Isto porque a selecção do Taiti jogava com a equipa muito subida dando muito espaço nas costas da defesa. Notou-se na selecção espanhola alguma dificuldade em aproveitar esse espaço porque não tinha, em campo,  jogadores para o fazer à toda largura. Nesse contexto específico o que se pedia da selecção espanhola, como se verificou depois da entrada de Navas, era uma maior aproveitamento desse espaço, independentemente do modelo de jogo que a equipa tem. E aqui, novamente, entra a qualidade do jogador, uma vez que não são todos que conseguem aproveitar esses espaços, tal é a distância que têm de percorrer e a velocidade a que o devem fazer. Mas quantas vezes se repete este contexto, num jogo contra qualquer outra equipa não amadora?! Muito poucas. Normalmente os espaços que os jogadores têm de percorrer em grande velocidade são curtos, e com muitas pernas pela frente. Pernas com semelhante capacidade física e técnica. Pedia-se, dessa forma, um futebol mais vertical, com menos passes, porque o adversário assim o permitiu. Quantas equipas mais a Espanha encontrou a defender daquela forma a profundidade, sem homens próximos entre a bola e a baliza? Nenhuma.
Daí a nossa generalização daquilo que possa ser uma boa ou má decisão, porque na maior parte do tempo o nível das equipas se defrontam é muito próximo.

"A boa tomada de decisão não depende sequer da dificuldade do jogo. O jogo pode ser extraordinariamente difícil e o nível de boas decisões mantém-se elevado, independentemente disso. Apenas, terá situações mais complicadas para resolver. Num jogo de extrema dificuldade, se calhar não foi possível enquadrar as 10 vezes que se recebeu, então entregou-se a bola novamente no lateral em todas essas vezes. A tomada de decisão continua elevadíssima. Fez sempre o que devia fazer. Não teve, porque o jogo foi de maior dificuldade, foi situações para resolver mais próximas da baliza adversária. Esteve, portanto, sempre longe da notoriedade. Mas isto porque o jogo não lhe permitiu mais."

segunda-feira, janeiro 06, 2014

"Ambição não se mostra nos jornais"

Mourinho mudou em muita coisa com o passar do tempo. Contudo, deixou ficar alguns traços importantíssimos que lhe permitiram continuar a ser bem sucedido. Um deles é sem dúvida o que exige dos jogadores, sobretudo no treino. Quem quer jogar tem de trabalhar, tem de "pagar um preço muito alto" para fazer parte das opções.
Há jogadores que o aceitam com facilidade, há outros que pela personalidade acham que devem jogar apenas por terem talento, e há outros ainda que por estatuto acham que têm o lugar assegurado.
Talento por si só não chega, estatutos não lhe dizem nada, apesar de alguma "mágoa" que diz sentir por ter de deixar jogadores de fora, como se pode ler aqui.

A partir do minuto 3:38 Mourinho explica a situação de Kevin De Bruyne


Passeava pelo blogue e lia os comentários do Edson, "O que me parece é que o N. Oliveira, ao invés de aproveitar os empréstimos para evoluir, encara estes processos como um castigo. É uma pena.", e o artigo do Baggio, " Antes de pensares em jogar pensa no porquê de não jogares, pensa nos erros que cometes". 

São frases que fazem sentido, porque não é fácil gerir um grupo de 23 jogadores.

Estou com Mourinho e com Paulo Fonseca, "Ambição não se mostra nos jornais".

domingo, janeiro 05, 2014

Eusébio é mais que futebol, é Portugal


"Mais do que uma das grandes figuras do futebol, Eusébio é Portugal. Significa mais para Portugal do que para os portugueses", afirmou o técnico do Chelsea em declarações à RTP.

"Cresci com Eusébio e Amália como grandes símbolos de Portugal. E é nessa perspectiva que os continuo a ver. São imortais. É claro que é uma perda para a sua família e amigos mais íntimos, agora, para todos nós que sabemos o que significou para futebol e para Portugal, acho que é imortal e vejo-o nessa perspectiva e não na do dia triste do seu falecimento", salientou.

"Foi sempre referência importante por aquilo que foi no futebol, pelos valores, princípios e sentimentos que foi sempre transmitindo, mesmo depois de deixar de jogar. Isso faz dele uma pessoa única no futebol português, que deixa um vazio grande, mas, como disse, vejo-o nessa perspectiva de imortalidade", reforçou.

"Numa geração, e numa altura completamente diferente, foi aquilo que foi. Ao fazer um paralelismo com o que são agora os melhores do Mundo, tem de se pensar no que ele poderia ser hoje, se tivesse 20 ou 30 anos e fosse jogador de futebol. Sem os meios e máquinas que há agora por trás [do fenómeno do futebol], conseguiu coisas incríveis."

"A minha geração ainda tem Eusébio na memória. Lembro-me de ver Eusébio a jogar contra o meu pai. Tem significado especial que não podemos deixar de trazer para as gerações de agora: a imortalidade de um homem que foi tudo para Portugal num período em que Portugal era aquilo que era, e o Mundo completamente diferente. O meu filho sabe quem é Eusébio, sem nunca ter visto o que ele fez", encerrou José Mourinho.

sábado, janeiro 04, 2014

Tomada de decisão, o exempo de Coutinho

Recebemos isto, ontem, do Gito Bastos,  um leitor do blogue.

"Boa Noite!
Sou um leitor assíduo do vosso blog apesar de não ser muito activo na caixa de comentários.
Decidi enviar este e-mail porque gostava de saber a vossa opinião sobre os jogadores demasiado individualistas.
Vi, algures pelo facebook um conjunto de pessoas a elogiar este lance (até fico doente :D)
https://www.facebook.com/photo.php?v=809708075721545


1-O que levará jogadores como Nani ou Quaresma (não conheço muito bem Coutinho) a optarem quase sempre por este tipo de situações?
2-Como se formam jogadores assim?
3-Será que ainda há treinadores que pensam que este tipo de acções aproxima a equipa do sucesso?
segue em anexo a minha análise a este lance."




Concordo em absoluto com a análise que fez nas duas primeiras imagens, onde havia, claramente, um jogador em melhores condições para dar seguimento ao ataque, pelo maior número de opções com que esse jogador ficaria no caso de receber a bola. Na última imagem o drible não sai perfeito, sai um pouco longo, o que impede Coutinho de olhar para o lado antes de rematar, e com o defesa a colocar-se rapidamente para interceptar a bola penso que tomou a melhor decisão que podia naquele momento.

Respondendo as suas questões:

1) O elevado sucesso que têm desse tipo de situações, num determinado contexto, reforça os comportamentos. Depois há treinadores que lhes pedem para o fazer frequentemente, por força do contexto. Por exemplo, numa equipa sem grande qualidade individual onde eles têm de resolver com a sua grande qualidade os problemas da equipa.

2) Bom, é uma questão que tem vindo a ser respondia ao longo de muitos artigos deste blogue, a formação não tem sido a melhor, e por vezes o contexto dita que estes jogadores sejam a equipa, resolvendo tudo o que os colegas não conseguem.

3) Sim, há, e não são poucos. É tudo uma questão de sucesso em contexto. Se um jogador tiver muito sucesso, por exemplo, em escalões de formação com este tipo de acções os treinadores normalmente deixam andar. Não conseguem intervir por o jogador não sentir dificuldade em resolver jogos com este tipo de lances, e sobretudo por não perceberem que no futuro ele poderá sentir dificuldades continuando com este perfil. Depois há os que "castigam" o jogador, privando-o daquilo em que ele é mais forte.

O que é preciso mostrar ao jogador, nesses casos de individualismo, é que os colegas estão lá para ajuda-lo a ser ainda melhor. Que há momentos em que vai ser preciso que ele drible todos os adversários, e outros em que tal não será necessário. A individualidade tem o seu espaço, e certamente que o contexto irá ditar muitas vezes que ele use os seus recursos individuais, no momento certo, não fazendo disso o seu padrão de jogo.

Para finalizar, Coutinho tem um perfil de decisão muito bom. Decide na maior parte do tempo bem, este lance foi uma excepção.

Muito obrigado pelo teu e-mail

sexta-feira, janeiro 03, 2014

"Mas nunca fui uma verdadeira aposta..."

"...do Benfica, nunca me deram uma oportunidade de me poder afirmar. Já lá vão cinco anos, é verdade, mas vemos muitos jogadores em Portugal [pausa]. Por exemplo se Rui Patrício tivesse jogado de início e depois o tivessem tirado da equipa hoje não seria titular na Selecção, não seria o guarda-redes que é."

Palavras de Nelson Oliveira em entrevista ao jornal A Bola.

Palavras que fazem sentido, se pensarmos que a diferença entre ele e outros que na sua idade já apresentavam um nível bastante mais elevado é que os outros tiveram a sorte de serem apostas incondicionais, dos seus treinadores.
Quem fala de Rui Patrício, fala também de Moutinho, e de David Simão e Vierinha do lado oposto.
Alguém duvida que se Patrício e Moutinho não tivessem jogado regularmente, desde tenra idade, ano após ano, jogo após jogo, estariam a exibir-se ao nível em que estão no momento?
Alguém duvida que muitos talentosos apenas não vingaram por falta de sorte?! Por falta de sorte em não terem encontrado um treinador, que percebesse o melhor caminho para continuar com a sua formação, num contexto de grande dificuldade?!
É disto que jogadores que apresentam o nível que Nelson apresentou em tenra idade precisam. Aprender, errar, em treino, e sobretudo em jogo, em contextos de grande exigência.

Perceba-se que o empréstimo nem sempre é a melhor solução tendo em conta as dificuldades do jogador, e isso é algo em que os clubes pensam pouco aquando do empréstimo da maior parte dos jogadores. Primeiro é preciso perceber que o estímulo (dificuldade) do contexto em questão deve ser o adequado para o nível que o jogador apresenta, e depois a equipa/treinador devem ir de encontro as dificuldades do jogador por forma a que ele possa supera-las e melhorar.

Veja-se o exemplo do próprio Nelson. As maiores dificuldades que ele tem são ao nível da tomada de decisão, da relação com os colegas quando ele tem a bola nos pés. Essas dificuldades derivam do estilo de jogo em que teve muito sucesso, assim como de não ter tido um estímulo/contexto de maior dificuldade que o obrigasse a perceber outras opções no jogo. Foi um jogador que sempre resolveu os problemas da equipa individualmente, no Benfica e nas selecções jovens, pela sua mais valia individual. Percebendo, ou não, o Benfica essas dificuldades empresta-o ao Rennes. Uma equipa que vai de encontro a tudo que ele fez até hoje. Joga num modelo que pede aquilo que já se pedia dele, bola no Nelson e ele que resolva. E vai voltar de mais um ano de empréstimo sem apresentar melhorias significativas. Mais um ano para  lixo. Mais um jogador que pode ficar apenas pelo "quase" por não ter tido a sorte de outros na formação.

Outro exemplo elucidativo é o de Bernardo Silva. Pelo que tem feito, na equipa B, percebe-se que precisa rapidamente de um aumento significativo do estímulo de dificuldade, tal é a "arrogância" com que ele passeia na segunda divisão. E esse estímulo só pode ser dado por um contexto de maior dificuldade que só a equipa principal lhe pode proporcionar.

Caso não se mude a forma como se tratam os jogadores, e se percebem as suas dificuldades e a melhor forma de continuar a sua formação, iremos continuar a perder muitos talentosos, por não terem tido a sorte de serem uma verdadeira aposta.