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quarta-feira, novembro 27, 2013

Regresso ao passado

SEGUNDA-FEIRA, ABRIL 01, 2013, escrevia-se isto por aqui:

Cruzamentos, cruzamentos, e mais cruzamentos!

«Em organização ofensiva tenho visto muitas equipas optarem invariavelmente pelo cruzamento, sem que isso seja a melhor opção. Muitos comentadores desportivos e adeptos, quando vêm o jogo, fartam-se de dizer que a equipa não tem largura, que a equipa não chega a linha de fundo, que a equipa faz poucos, muito poucos cruzamentos, dizem que os laterais são pouco ofensivos apoiando pouco este tipo de acções e a isso atribuem a falta de criação de oportunidades de golo da equipa.
Segundo o portal da FPF, no jogo contra Israel Portugal fez 50 ataques. Desses 50, 40 acabaram em cruzamento, tendo apenas 1 acabado em golo. Isso dá um total de 80% dos ataques da equipa e com uma percentagem de sucesso de 2.5%, não é preciso saber muito de matemática para entender a falta de eficácia dos tais cruzamentos que toda gente pede.
Então se a equipa tem largura, se os laterais chegam a linha de fundo e cruzam (Pereira 8, Coentrão 7) porque raio a percentagem de sucesso é tão baixa? Porquê que em 40 cruzamentos apenas um deu em golo? Por vezes, há quem esqueça que existe um adversário a jogar contra nós...

Os números enganam, muitas vezes, e isso não serve de justificação para o meu pensamento. O que me serve de base é o pensar sobre os princípios fundamentais de jogoRECUSAR inferioridade numérica, EVITAR igualdade numérica, CRIAR superioridade numérica. Esses princípios são para ser cumpridos no ataque e na defesa! Têm igual importância nos dois momentos e devem ser entendidos como são, com e sem bola.
São princípios que todos sabem, ou deviam saber. Quer dizer, são princípios de que todos ouvem falar mas muito poucos pensam sobre eles, sobre a consequência dos mesmos e sobre a sua real importância.
Esses princípios de acção, por si só, conseguem dizer se estamos mais próximos de ter sucesso ou a reduzir as nossas chances de conseguir o nosso objectivo (golo). Então como podemos pedir indiscriminadamente cruzamentos ou chegadas a linha de fundo? O que podemos pedir é que se faça o que o jogo pede a cada momento, e os cruzamentos e chegadas a linha de fundo não são sempre a melhor opção.

Se o adversário está com a estrutura fixa, rígida e compacta, se não tenta recuperar a bola em nenhuma zona do campo que não seja próxima a sua grande área, se estão constantemente organizados, então de nada vale fazer jogo exterior e consequente cruzamento. 
É preciso primeiro desorganizar a equipa adversária e tira-la da sua zona de conforto. É preciso provocar saídas de elementos das suas zonas de acção para que se criem espaços, é preciso CRIAR superioridade numérica, é preciso EVITAR igualdade numérica e é mesmo importante RECUSAR inferioridade numérica... É preciso cumprir com os princípios gerais de jogo, de forma a aumentar a criação de oportunidades de golo. 

Penso no princípio ofensivo de largura como uma forma de a equipa desorganizar o adversário, fazendo-o correr mais na tentativa de recuperar a bola. É esse para mim o grande objectivo do princípio. Não é o de conseguir cruzamentos, é o de aumentar o espaço que o adversário tem de percorrer aumentando as hipóteses de desequilíbrios na sua estrutura. Tornando, dessa forma, impossível que os seus elementos consigam cobrir todas as zonas do campo, obrigando-os a cobrir, apenas, as que achem mais relevantes, fazendo dessa forma com que se concentrem menos jogadores noutras zonas.

Reparem na acção dos anti-corpos quando um elemento estranho entra na sua estrutura...
Então, para mim, desorganizar o adversário é fazer jogo interior. Entendo como jogo interior, jogar dentro do bloco adversário, dentro da sua estrutura. Dessa forma obrigo o adversário a agir sobre o "intruso" dentro da estrutura e essa acção vai implicar desequilíbrios noutras zonas do campo, que consequentemente me vai permitir CRIAR a tal superioridade numérica ou pelo menos RECUSAR a inferioridade aumentando as minhas chances de sucesso. Devo circular a bola, numa primeira fase de forma segura, para garantir a sua posse e chegada dos apoios, mas posteriormente, devo com ela "PROVOCAR" constantemente o adversário, para que aja sobre a bola. Atenção que jogo interior não significa sempre jogar pelo centro do campo. Uma vez que a estrutura adversária pode estar organizada de várias formas, dependendo da zona da bola, devo jogar para o interior da estrutura adversária.

Não é que não goste de cruzamentos, não é que ache que são uma perda de tempo. Acho é que fazer cruzamentos sem, primeiro, garantir pelo menos um dos princípios básicos de jogo (RECUSAR inferioridade numérica) é um desperdício. 


No golo de Coentrão no final do jogo contra Israel, consigo ver 5 coisas: 

 Princípio de largura, com o extremo (Vieirinha) junto a linha garantindo  um adversário perto dele. Ou seja, menos concentração de jogadores noutra zona (grande área);
2º Martins colocado dentro do bloco adversário pronto para receber a bola, abrindo outra possibilidade de passe a Pereira. Com essas linhas de passe que se criaram, e tendo saído um jogador a Pereira, naquela zona Portugal CRIOU superioridade numérica (3x2), o que permitiu a Martins virar, enquadrar e cruzar com sucesso.
3º O facto de a bola ter sido colocada em Martins, chama a atenção de dois dos médios Israelitas provocando a sua atenção para o facto de ele poder criar perigo dentro da sua estrutura. Tal como a acção de Vieirinha isso foi fundamental para permitir menos jogadores, adversários, concentrados na grande área.
4º Na altura do cruzamento, na área havia IGUALDADE numérica, o que nos confere alguma vantagem, mesmo não sendo a situação ideal, é uma vantagem importante.
5º Não foi preciso grande circulação de bola, não foram precisos 20 passes para fazer o adversário correr, não foram precisos estratagemas avançados com vários tipos de combinação ofensiva, não foi preciso chegar a linha de fundo...

Para aumentar as nossas hipóteses de sucesso foi preciso, apenas, JOGAR BEM
E jogar bem é tentar cumprir com os princípios básicos de jogo, só isso.»

9 comentários:

DC disse...

Assim sendo, deves estar a odiar este Porto, não?

Gonçalo Matos disse...

http://www.youtube.com/watch?v=M17g59-ruy8

3º golo do Dortmund ontem é um bom exemplo do que pretendes demonstrar. Transição rápida em 2x1, o portador da bola fixa o adversário e solta a bola no colega de equipa que ficou em 1x0.

Roberto Baggio disse...

Hahahah DC, és tramado.
Não gosto deste Porto. Mas nesta fase há demasiados erros individuais e ansiedade por conseguir o resultado.
Claro que a maior fatia vai para o treinador. Mas nenhum sobrevive com tanto erro.

Gonçalo,

http://possedebolla.blogspot.pt/2013/08/estivemos-na-luz.html?m=1

O golo do Porto contra o marítimo, enquadra melhor neste texto.

DC disse...

Do que me foste lembrar Baggio. Este Porto já jogou bem e agora...
Eu na altura até pensei que este Porto de PF fosse receber elogios, fosse mais ofensivo, mais concretizador que o de VP e no entanto, tudo corre pelo pior.

30 disse...

O artigo está excelente. Mas repara que uma situação de cruzamento é das poucas no jogo em que em inferioridade numérica na área é possível existir uma percentagem de sucesso alta em termos de finalização. Contas com factores como a qualidade do cruzamento ou os espaços a explorar em virtude da deficiência do adversário. E acabas por ter uma igualdade numérica em quase todas as situações porque o ataque tem sempre esse poder pois no local onde a bola é colocada, normalmente, só é atacada pelo jogador que vai finalizar e o jogador defensivo. Não existem 4 jogadores a atacar a bola defensivamente contra o avançado que procura fazer golo.

Abraço

Roberto Baggio disse...

1-Quando começas por dizer em inferioridade numérica, já estás a levar-me a recusar e rejeitar essa ideia de cruzamentos, a não ser como último recurso, caso não existam outras opções.

2-Podes até ter razão, mas para mim, repito, para mim, esse estilo de jogo só se justifica caso tenhas um jogador fabuloso a jogar dentro da área, estilo Falcão.

Em todas as outras situações acho que se deve desorganizar primeiro.A não ser, claro, que o adversário já esteja desorganizado.

Abraço

30 disse...

Sim, eu percebo a tua ideia.

Mas pensa que equipas com menos recursos e sem grande capacidade de criatividade ou da tentativa de conseguir superioridades numéricas, o cruzamento oferece-lhe uma situação de confronto individual entre o atacante e o defesa.

Abraço

Roberto Baggio disse...

Eu percebo isso. E posso dar-te um bom exemplo: Sporting.
A equipa de Leonardo Jardim tenta muitas vezes essas situações, procurando colocar 3 homens em zonas de finalização. só que para isso, trabalha o jogo, tenta combinações por forma a retirar jogadores da GA adversária e por forma a dar tempo para que os colegas ocupem as 3 zonas de finalização. Isso para conseguir ter lá pelo menos igualdade numérica 3x3. Dessa forma, consegue exponenciar muito essa situação de cruzamento. Não os vejo despejar bolas na área por tudo e por nada. Vejo na maior parte do tempo tentar desorganizar primeiro. Coisa que não acontece com algumas equipas. Que jogam bola no extremo/ala/lateral e cruzamento. Assim é fácil de defender, é sempre o mesmo, é previsível.

Abraço

Signori disse...

Este Portugal do PB é uma vergonha neste aspecto, já contra a Suécia na Luz foi assim, e lá no meio de inúmeros cruzamentos com uma eficácia pobre, foi preciso ter um super Ronaldo na área para marcar um golo e mandar uma à barra. Parece-me que são os medos do PB, se perder a bola que seja em zona lateral ou na área adversária, e no meio de tanta bola alguma há de entrar, o que verificou-se que não aconteceu, quer na Luz contra a Suécia, quer contra Israel ou Irl Norte em Portugal. Não me recordo se no Sporting era tanto assim.