Posse de bola no Facebook

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sábado, agosto 31, 2013

Destaques do Derbi

Antes de mais, escrevo este post na companhia do Ronaldinho e do Baggio.

William Carvalho esteve muito forte quer nos aspectos defensivos, quer ofensivos (Baggio acabou o jogo a elogia-lo!).
Estamos apaixonados pelo Freddy Montero, tem muita qualidade técnica, sabe jogar de costas para a baliza, dar o apoio frontal e desmarcar-se dentro da área. Estranho é pensar que já tem 26, chega tarde à Europa.. Igualmente estranho, é a capacidade dos colombianos em jogar sem bola, certamente não é obra do acaso.

Quanto ao Markovic, o Ronaldinho acabou o jogo a chamar-lhe Marcovessi, tal é a qualidade do sérvio. Muita qualidade técnica, velocidade, boa capacidade de decisão. Foi a primeira vez que o vi jogar e só me questiono o porquê de estar no banco.

Com maior qualidade individual, o Sporting teria ganho ao Benfica este jogo. Imagine-se qualquer um dos extremos do Benfica (até Ola John), a jogar no lugar do Wilson..

PS: Jesus tem de nos explicar o seu modelo de jogo, não o percebemos...

Sporting - Benfica

Hoje, tentaremos algo completamente diferente. Antes da já habitual análise ao jogo (no final da partida), estaremos aqui em directo, na caixa de comentários a deixar as nossas impressões sobre o jogo, ao minuto. Quem quiser juntar-se a nós, estaremos a vossa disposição.

Lahm

No decorrer do jogo, conversava com o Gonçalo e o Ronaldinho sobre o Lateral alemão. Elogiávamos exactamente a inteligência do jogador e que derivado disso poderia actuar, com sucesso, em qualquer posição no campo. Se Guardiola entendesse que Lahm deveria jogar como Ponta de Lança, assim ele o faria com grande competência.

Surpresa das surpresas, no final do jogo:

O [Phillip] Lahm é o jogador mais inteligente que já orientei. O desafio de poder treiná-lo faz-me sentir contente por estar aqui. O Lahm é de outro nível.
Declarações de Guardiola na conferência de impressa no final da partida.

Guardiola orientou num passado recente, Puyol, Ibrahimovic, Eto'o, Henry, Pedro, Mascherano, Xavi, Iniesta, Busquets, e Messi...

sexta-feira, agosto 30, 2013

Wenger ensina a contra atacar

Surgiu num recente post uma dúvida de um leitor, que colocava em causa o facto de eu preferir ataques pelo corredor central. Esse mesmo leitor defendeu que os contra-ataques deveriam ser realizados pelos corredores laterais, ideia prontamente refutada por mim. Os meus argumentos esgotaram-se quando na argumentação, esse leitor sugere que vir para dentro é meter-se na boca do Lobo.
Fiquei, até hoje, intrigado com essa ideia, tentando perceber o porquê de tal afirmação.

O futebol é um pouco como o poker, um jogo de probabilidades. E para os que estão mais
acostumados com o jogo de cartas, sabem que jogar de acordo com o que nos dá mais probabilidade de vencer, em nada garante o sucesso imediato do nosso jogo. Apenas, nos dá, numa considerável amostra de jogos, maior percentagem de sucesso. Isto, porque o sucesso imediato, no futebol, tal como no poker, sofre do problema de ter muitos imponderáveis a influenciar o seu resultado final.

Assim sendo, eu defendo que os contra-ataques devem seguir pelo corredor central, na maior parte do tempo, porque é aí que temos um maior número de soluções para nos aproximar do objectivo (Baliza). Ou seja, ao atacar o corredor central, o portador da bola, está dar possibilidade aos colegas de abrirem, pelo menos, duas soluções de passe diferentes: uma a esquerda e uma a direita. Enquanto que se for pela linha lateral, a única linha de passe possível é o cruzamento, já para não falar do facto de nos estarmos a afastar da baliza.
Então, pela multiplicidade de opções, o que é meter-se na boca do Lobo?
Meter-se na boca do Lobo é exactamente facilitar o trabalho aos defensores, tornando o ataque mais previsível, seguindo para onde tenho menos soluções.
Multiplicar as soluções que tenho, tornando o ataque mais imprevisível, é exactamente o contrário do que esse leitor defendia.
O ataque ao corredor central, significa necessariamente que a bola deve entrar nesse corredor, e partir daí decidir-se para onde dar seguimento ao ataque. Então, o último passe, ou o passe antes da assistência, devem na maior parte dos casos, surgir do corredor central, para aumentar o número de soluções, incrementando a probabilidade de sucesso.

Vejamos o que acha Wenger, um dos melhores treinadores do mundo ao nível da organização ofensiva.
O vídeo tem todos os lances do jogo, em que o Arsenal decidiu sair em transição ofensiva para o contra-ataque, precipitando-se assim que recuperava a bola para a baliza adversária. Tem mesmo todos os lances desse tipo sem excepção.


Foi surpreendente o resultado!
Veja-se que os tais contra-ataques do Arsenal, são explorados pelo corredor central. E isso não é algo que eles fazem por recuperarem a bola no corredor central. Fazem-no porque os jogadores procuram constantemente, quer através de passe, quer através de condução, o corredor central, para depois decidir o lance.

O exemplo máximo disso é o lance do 3º golo do Arsenal. Bola ao centro, Walcott "falha" o passe, dando a linha final como única opção ao seu colega. Permitiu aos defesas do Fulham fecharem, facilmente esse espaço, por ser mais fácil de defender, visto ser aquela a única solução, ali. Porém, Carzorla como inteligente e criativo que é, percebe que seguindo por aí (cruzamento) o lance seria facilmente interceptado pela defesa. E o que foi que ele fez? Temporizou, esperou pelo colega em apoio e tocou a bola para esse colega, que tinha muito mais opções para decidir o lance. Podolski, tinha o remate, o cruzamento, uma qualquer iniciativa de penetração individual, e pelo menos duas linhas de passe diferentes. E é isso que define, para mim, maiores ou menores probabilidade de êxito de uma determinada acção.
O segredo é multiplicar as opções para resolver o lance.

PS: Dizia-me o Edson que, o melhor seria deixarmos dar cenouras a tipos que já vêm cá com a barriga cheia. Tens toda a razão amigo, mas se quisermos manter a regularidade dos posts, talvez o melhor seja não seguir o teu sábio conselho. Até porque sem esses tipos, isto não teria a mesma piada confesso.

quinta-feira, agosto 29, 2013

O estranho caso de Hugo Almeida

Há certas situações a que não consigo ficar indiferente, e uma delas é a persistência/insistência dos agentes desportivos de responsabilidade maior na valorização do acessório, e desvalorização do essencial.

Alguém me explica o que é que o Hugo Almeida acrescenta a equipa nacional?! Ou será que em detrimento de jogadores que acrescentem algo, preferimos levar outros que só lá estão a fazer número?
O problema continua a ser a sobrevalorização das capacidades físicas em detrimento da capacidade do jogador para jogar futebol.

Dirão alguns que Hugo Almeida acrescenta altura, que nos faz falta na equipa nacional. Mas desde quando é que este jogo passou a ser disputado no ar, ou com as mãos?

O tempo em que para jogar futebol era preciso ser alto, rápido, ou forte já terminou!
Hoje, é preciso, primeiro, saber jogar futebol e só depois considerar as características físicas como vantajosas para a prática do jogo. Longe vão os tempos em que a morfologia era determinante.

Um jogador que não têm capacidade técnica para receber um passe e jogar no apoio, não pode sequer sequer ser considerado para a equipa nacional. Porque afinal, são aqueles os melhores executantes que o país tem. Ou então não!
Mas se assim não se entende o jogo, o melhor será passar a convocar jogadores de Basquetebol, começar a equacionar jogadores de Rugby, e nunca esquecer os atletas que competem em provas de velocidade e resistência.

Elogia-se muito o modelo de outros países, como Espanha ou a Alemanha, mas não percebemos quais foram as mudanças que ocorreram por lá.
Dizemos que têm uma base de recrutamento maior, é verdade, mas dentro do pouco que temos, continuámos a deixar os nossos melhores executantes de fora.

Hoje, pela evolução do jogo, qualquer um facilmente percebe quem são os melhores jogadores. E na sua esmagadora maioria, não são os atributos físicos que os distinguem. Pelo contrário. O que os distingue é a sua capacidade de execução e tomada de decisão.
Enquanto não percebermos que os "mais rápidos, mais fortes, e mais robustos" são Xavi, Iniesta, Pirlo, Ribery, Aimar, Lucho, por aquilo que jogam, não por aquilo que correm ou saltam, não iremos conseguir acompanhar, como temos capacidade para fazer, as melhores equipas nacionais. Simplesmente, porque em Portugal alguns dos melhores executantes são excluídos, para que com a sua exclusão possam ser incluídos outros que complementam a equipa, oferecendo outras soluções. Mas como é que alguém que não sabe jogar futebol pode, a este nível, ser equacionado como solução?!
E isto é válido para qualquer posição do campo.
Um jogador que saiba jogar futebol, facilmente executa melhor e com maior facilidade qualquer posição em campo. Veja-se Fabregas! Não é rápido, não é forte, não é alto. Mas é certamente melhor ponta de lança que Hugo Almeida, apesar de não o ser de origem.

Com a insistência dos agentes de responsabilidade neste tipo de mensagem, não estranho a aposta em "Aladjes" nas equipas de formação, e consequentemente em todos os agentes ligados ao futebol nacional.

Capacidades físicas, por si só, já não servem para este desporto de nome Futebol. 
É essa a mensagem que Espanha e Alemanha estão a passar, é esta a mensagem que muitos elogiam e poucos realmente percebem.

Klopp,
«A técnica é, do meu ponto de vista, o primeiro pré-requisito para um futebolista. A arte, se quiser. Depois, segue-se o segundo passo: a inteligência de jogo.»
« Qual é a função de um defesa central? e Por que é que ele é um jogador crucial na equipa? A resposta é imediata: Quando perdes a bola ou se não a souberes parar convenientemente, é praticamente certo que o adversário vai ter uma oportunidade para marcar um golo. Nessa posição, é crucial ter jogadores com um nível técnico considerável. Isso analisa-se com base em três parâmetros: recepção/controlo da bola, condução da bola e passe. E foi isso que fizemos com o Felipe Santana. Treinar controlo, condução e passe. Várias vezes, muitas vezes…»

quarta-feira, agosto 28, 2013

Numa altura em que se discute o prémio de melhor da Europa, relembro Klopp

«Messi é um jogador incrível, que nunca sonhei ver jogar. Viram aquilo que fez contra o PSG? Sozinho e meio coxo resolveu a eliminatória e colocou o Barcelona nas meias-finais da Champions. A simples presença dele muda as partidas. E o pior nisto tudo é que não podes fazer nada para pará-lo, Leo encontra sempre uma alternativa. Se achas que vai pela esquerda, aparece pela direita ou vice-versa. É mágico, algo do outro mundo. Não há tática que possa travá-lo», elogiou o alemão, que na entrevista ao diário AS falou ainda sobre o português CR7.

«Ronaldo é tão rápido, tão forte, tão incrível, mas tem um problema… Messi. Recordo-me do que se passou com Michael Stich, um tenista alemão. Estava destinado a escrever uma página de ouro na modalidade, mas apareceu Boris Becker...», concluiu Klopp.


Seguido de outra entrevista de Jurgen Klopp ao El País de Espanha.

"Eu não tenho vontade de passar o dia inteiro a pensar em coisas que poderiam ser ainda melhores do que são ", diz Jürgen Klopp (Stuttgart, 1967), para explicar seu optimismo compulsivo. O treinador do Dortmund, a revelação da Liga dos Campeões, campeões alemães nas duas últimas temporadas, abre um grande sorriso e começa a falar.

Pergunta. Por que você mudou a filosofia do futebol alemão?

Resposta. Foi imposto aos clubes passar a ter centros de rendimento: professores de futebol, treinadores de jovens mais bem preparados, e melhores condições. E quem não tivesse não poderia licenciar-se para a Primeira nem sequer a Segunda Divisão. Isso foi muito útil e agora temos uma incrível quantidade de jogadores talentosos. Nunca deixam de aparecer novas promessas. Torna-mo-nos mais corajosos ao lançar para o campo miúdos de 17 anos. As coisas mudaram tanto que agora o que o que nos falta é o jogo aéreo. Na selecção não há um só cabeceador!

P. E a Bundesliga?

R. É ótima para o telespectador. Não é a melhor, mas é a liga mais atraente da Europa. Está bem economicamente e há uma competição muito renhida. Bem, o Bayern ganha um pouco mais ... E temos novos estádios. Em Sevilha estive nos dois estádios: são velhos e sem conforto.

P. A tradição de líbero foi boa para o futebol alemão?
R. O grande impulso evolutivo dos princípios dos anos 90 veio com a mudança da marcação à zona. Deixou de se marcar o jogador. Na Alemanha, até 1994, se o seu homem fosse para o balneário, você ia atrás dele. A marcação zonal fez com que os jogadores não se limitassem a destruir o jogo do adversário, mas também a desenvolver o seu próprio jogo. Tardamos em implementar o 4-4-2.

P. E os líberos?

R. Foram perfeitos na sua altura. Tivemos de Beckenbauer a Matthäus e a Sammer em 1996. Jovens que faziam um jogo muito inteligente. Mas insistir nisso sem ter um organizador de jogo desde trás foi prejudicial.

P. Qual foi sua maior inspiração como treinador?

R. O balé branco, o Real Madrid há alguns anos atrás. Então eu pensei: "Se a esse potencial futebolístico, somarmos um plano defensivo, convertê-lo-ia na equipa perfeita". E foi o que fez o Barcelona.

P. Protestantismo sugestiona poupança e austeridade. Você acha que é por isso que os clubes alemães compram menos jogadores e os mediterrânicos desperdiçam?

R. A Campeonato do Mundo de 2006 foi a melhor propaganda para a Alemanha. Nós não sabíamos que pudiamos ser tão despreocupados, felizes e alegres como país. Nós tivemos quatro semanas de clima espanhol, com um céu azul. Todos estavam de bom humor, todos amavam a vida. Mas também está dentro de nós gastar mais do que ganhamos; ainda que o Dortmund tenha esquecido isso um par de anos antes de eu chegar aqui... Poupança é um traço típico alemão. Mas isso não é tão triste quanto parece. Divertimo-nos muito.

P. O Dortmund roçou a falência em 2005. A sua equipa é o resultado da crise?
R. Quando o clube foi resgatado percebeu que tinha que recuperar a vitalidade. E procurou um treinador vivaço que aposta num futebol vivo, que se diverte, que ri apesar da descida do Mainz 05... Se não tens dinheiro e, apesar de tudo, queres qualidade, tens que ser corajoso. E nós assinamos alguns jogadores muito jovens. Formamos um grupo muito forte. Nós crescemos juntos. Não ter dinheiro não significa não ser capaz de continuar a trabalhar, isso só significa que tens que encontrar alternativas. O clube seguiu o seu caminho com um treinador de segunda e uma equipa muito jovem. E fomos campeões duas vezes, o que nos surpreendeu.

P. A imagem do Dortmund como clube de trabalhadores é real ou é parte do folclore para se diferenciar do Bayern?

R. Não, a região é assim. Este é um genuíno clube de futebol: como se idealiza que deveria ser um. E gostamos de continuar a ser um clube e não uma empresa, onde se diz: "Hoje este, amanhã aquele...". Queremos trabalhar em conjunto com as pessoas por mais tempo. Já cá estou há quatro anos e o meu contrato termina em 2016. Assim se podem desenvolver coisas novas. Agora eu vejo jogadores de 10 ou 13 anos que vou treinar daqui a quatro anos.

P. O Bayern continua a ser o “standard/modelo”?

R. O Bayern toma decisões incrivelmente boas desde os anos 70. É o clube mais rico da Alemanha e o mais saudável da Europa. E compra bons jogadores e bons treinadores.

P. La Masia sugere-lhe alguma ideia nova?

R. Não. Nós fazemos as coisas à nossa maneira. Uma cópia nunca é boa. Nós somos o único clube no mundo que tem um Footbonaut [dispositivo mecânico de treino do passe que actua com estímulos de cor para treinar a velocidade de reacção e a técnica].

P. O que diferencia o Dortmund da selecção?

R. Na mentalidade dos treinadores. Nós somos mais vivos. Eu sou mais temperamental do que Jogi [Low]. Esse também é o meu problema, ser muito emocional. Quando cheguei ao Dortmund, disse: "Se 80 mil pessoas vêm a cada duas semanas ao estádio e no campo se joga um futebol aborrecido, uma das duas partes, a equipa ou os adeptos, terá que encontrar um novo estádio". Muitos dos nossos adeptos andam 800km para nos ver e experimentar algo especial. Temos que jogar a todo o gás. Nós chamamos futebol de todo o gás. Queremos explodir vitalidade. Preferimos chutar cinco vezes à trave do que ficar quatro vezes sem rematar à baliza. É melhor perder. Esse foi o começo. Tens que vincular as pessoas ao clube. Os jogos deverão ter um efeito além do resultado. Todo o mundo sabe que se venceu por 3-1. Mas o que se sente é o remate, o golo, a defesa: isso carregas contigo toda a semana. Se vences por 1-0 e o jogo foi vivo, o futebol é legitimado. Não me interessaria ter Xavi, Messi e Cristiano na mesma equipa... Ser melhor que todos é como jogar ténis contra uma menina de três anos de idade e eu estou do outro lado e mando uma bola forte e a menina está ali com a raquete... não é divertido. Mas se do outro lado está um homem e jogamos ping-pong, se eu ganho é bom e se eu não ganho, provavelmente diverti-me. Para os adeptos é como uma droga. Eu não quero só ganhar, eu também quero sentir!

P. A massa salarial do Dortmund é menos de metade da do Bayern, e menos de um terço que as do Barça e Madrid. Como segura os jogadores?

R. Estamos a falar de 60 ou 65 milhões ... Mesmo o Tottenham paga muito mais. Mas nós somos uma das seis equipas da Europa que pode ganhar títulos. Em Espanha, Barcelona e Madrid. Em Inglaterra, o United, Chelsea e City. Em Itália, apenas a Juve. Os nossos jovens sabem que em outros lugares poderiam ganhar mais dinheiro. Mas aqui podemos fazer história. Se chegas agora ao Barça serás campeão, campeão e campeão, mas eles já o eram nos 10 anos anteriores

P. O seu estilo aproxima-se mais do Real Madrid ou do Barcelona?

R. Ao Barçaa pela pressão. Pela defesa alta. Todos querem jogar como o Barcelona, ​​mas não é possível. Nem o Barça poderia sem Xavi, Iniesta e Messi. Mas o seu plano defensivo é perfeito. Talvez seja esse também o problema de Mourinho: que, embora ele tenha pensado muito em melhor defensivamente, leva anos sem comprar um defesa, porque ninguém está interessado em saber quem joga lá atrás. Queremos ser muito, muito rápido com a cabeça e com as pernas. Tudo em plena velocidade. Não há defesa contra o que faças com rapidez e precisão.

P. Por que contra o Madrid renunciou à bola?

R. Naquele dia, tivemos a melhor ideia, porque sabíamos quem tem problemas quando controla a bola. Nós sabíamos para onde enviariam os passes, como procurariam Cristiano. O nosso plano era deixar fora de jogo Xabi (desculpa, Xabi, mas esse era o plano A). Porque se Alonso poder jogar como quer é impossível defender o Madrid. E Götze fechou-o. Sabíamos que se os nossos laterais, Piszczek e Schmelzer, se movessem muito, a vantagem estava do nosso lado com Cristiano. Se bloqueias Xabi, obrigas Pepe a ter sempre a bola. E isso faz a diferença.

P. Os jogadores são seus amigos?

R. Não. Eles são meus amigos, mas eu não sou amigo deles. Isso não funciona.

P. Temen-no?

R. Isso mudaria se pudesse. Eu seria mais tranquilo. Bem, isto da cara ... Eu não sei por que acontece. Cerro sempre os dentes. Quando vejo uma criança, um bebé, cerro os dentes. É horrível, a criança começa a chorar e eu tenho que sair. Com os árbitros, parecido. Mas quando eu estou muito exultante de alegria tenho uma aparência muito semelhante. Às vezes, dá-me medo essa cara, mas conheço-a há 45 anos. Quando jogo ténis, ao dar uma direita também é igual.

P. Você é supersticioso?

R. Às vezes. Apesar de eu não ter uma boa memória para isso. Esqueço-me do que fiz. Por exemplo, apertar os cordões, direita, esquerda, na próxima semana já não me lembro como fiz…

P. Sente que sua equipe está preparada para a Liga dos Campeões?

R. Tivemos que obter esses resultados internacionalmente para agora todos os jornais ingleses olharem para nós. No ano passado, comemoramos uma vitória dupla e isso não interessou a ninguém. Arrebatamos oito pontos ao Bayern, derrota-mo-los por 5-2 na final da Taça da Alemanha e o mundo inteiro disse: "E daí?". E chegamos à Liga dos Campeões, vencemos o Madrid, batemos o City e agora todos olham para nós.

P. E o seu favorito entre todos os jogadores do mundo?

R. Messi é o melhor. Mas tem que haver vida lá fora em algum lugar, em algum outro planeta. Porque ele é demasiado bom e nós somos simplesmente demasiado maus para ele... Eu não me importo com quem é o melhor, mas sim com quem tira o melhor de si próprio. Com que eu realmente disfruto é com Michu do Swansea. Ninguém o conhecia, aí está a emoção. Todo mundo conhece o melhor,todos sabem quem é o melhor. Mas quem é fascinante?

P. E o melhor treinador?

R. Del Bosque é um super treinador mas tem uma equipe extraordinária. Seria interessante ver o que ele faria com o Osasuna. Eu sou o treinador do ano na Alemanha, mas o Christian Streich em Freiburg é incrível. Como eu anteriormente no Mainz: fizemos algo realmente bom, mas que não interessava a ninguém. O melhor nem sempre é o que tem a melhor equipa. Qualquer um poderia treinar a minha equipa. Talvez nem todos os jogadores se tornassem mestres, mas o que é treinar, qualquer um pode fazê-lo, são super-jogadores. Se tens uma equipe com pouco talento e ainda assim, és bem sucedido, então é emocionante.

P. O que Guardiola trouxe ao futebol?

R. O mais impressionante do Barça é a gana com que joga. Messi marca e grita de alegria como se fosse a primeira vez. Xavi recebe cada bola como se fosse a primeira da sua vida. E ficas com a sensação de que queria apanhá-la, beijá-la e contemplá-la e continuar a jogar. O Iniesta é igual. Busquets é o antipático no meio-campo, o responsável do trabalho duro. Puyol é incrível, um penteado espantoso, mas um super-jogador, um ser humano de primeira, com um grande coração, cotovelo partido e depois de duas semanas está a jogar novamente. Com quanta motivação lutam pela vitória!? Nisso são um modelo. Eu li uma entrevista com Xavi. Perguntaram-lhe se ele queria ser treinador e ele disse: ". Não tenho pressa, deixe-me aproveitar os meus dias de jogador". E tu pensas: " Joga futebol de dois em dois dias desde os 20 anos e ainda queres continuar?". Isso diz tudo sobre o jogo, mas também sobre Xavi. Eles são os melhores do mundo. E isso foi Pep que impulsionou, é claro. Foi um excelente trabalho. Mas nem sempre terá jogadores como esses em todos os clubes, e ele sabe disso. Agora, ele tem que nos ensinar como se faz quando os jogadores são um pouco menos bons.

"Conquistei 3 competições, e nestas os títulos são importantes" - Melhor jogador Europeu do ano


"Não será o fim do mundo se não ganhar, mas ficaria um pouco triste. Sei que eles marcam mais vezes do que eu, mas eu criei mais lances de perigo do que eles", comentou o jogador do Bayern Munique, em declarações à revista "Kicker".

"Na época passada joguei muito bem e ganhei grandes troféus. Por que razão não devo ganhar? Mereço tanto quanto Messi e Ronaldo. Claro que quando fazes uma temporada como a que fiz, esperas ser recompensado"

São palavras de Ribery e confesso que em tempos já pensei como ele. Que o melhor jogador é aquele que ganha mais títulos!
Já não penso assim, porque compreendo perfeitamente todos os imponderáveis que podem levar uma equipa a conquistar ou não títulos. Compreendo também que esses imponderáveis, muitas vez têm pouco haver com futebol e muito pouco com os protagonistas em questão (Messi, Ronaldo, Ribery).

Para mim, o melhor jogador a actuar na Europa é aquele que melhor joga o jogo. E desse ponto de vista só há um candidato.
Se fosse eu a atribuir o prémio a minha escolha seria Lionel Messi!
Se o critério for a pena, e acharmos que ele já ganhou muitos prémios, e que temos de começar a distribuir por outros, então aí ele poderá deixar de ganhar estes troféus individuais. 

PS: Numa recente entrevista foi lançado um boato que Messi revela sinais de sofrer de síndrome de Asperger.
Ah Messi, seu malandro, a mim nunca enganaste! Sempre a fazer batota!
Será o autismo considerado como doping?! 
Ou será mais uma tentativa de desvalorizar o que o argentino tem feito?!

terça-feira, agosto 27, 2013

FC Porto - Marítimo

Liga Portuguesa: Melhor Onze deste Século

Ontem, foi prestada homenagem ao Deco aqui no blog e na caixa de comentários surgiu uma breve discussão sobre os melhores jogadores de sempre a jogar em Portugal. Antes de adormecer, pus-me a pensar neste mesmo assunto e resolvi elaborar o meu onze.

Pessoalmente, gosto de ver equipas com muita posse de bola e que saibam igualmente pressionar o adversário. Não sou muito fã de equipas que exploram muito a transição ofensiva em detrimento da organização ofensiva e acho que estes factores se refletem na minha escolha.
As minhas primeiras recordações mais sérias da primeira divisão portuguesa, são do inicio deste século e por isso, todos os jogadores escolhidos jogaram em Portugal a partir de 2000.

Aqui vai o meu 11 e os meus 7 suplentes.

GR: Vitor Baia

DD: Paulo Ferreia, DC: Ricardo Carvalho, DC: David Luiz; DE: Alex Sandro

MD: Axel Witsel

MC: Deco, MC: João Moutinho

MAC: Rui Costa

PL: Jardel; PL: João Pinto

Suplentes: Ricardo, Fábio Coentrão, Aimar, Anderson, Saviola e Falcao

PS1: A posição mais dificil de escolher foi a de lateral direito; o PF jogava na melhor equipa que ja vi jogar em Portugal e a minha escolha baseou-se muito nisso
PS2: Escolhi o Anderson porque a par do Cristiano foi o jogador com maior potencial que vi passar por cá, tinha drible fácil, criatividade, velocidade, explosão, força, e ao contrário do Cristiano, jogou algum tempo na nossa Liga. Na realidade acho que o Anderson foi o maior talento que alguma vez vi ser desperdiçado.

E para vocês? Quais os melhores?

"O Chelsea fez um grande jogo do ponto de vista táctico" Não. O Chelsea fez um grande jogo do ponto de vista defensivo...

«Facilmente se constata o quanto é comum adjectivar-se de “táctico” um jogo muito defensivo de uma equipa, onde são evidentes grandes preocupações com determinados jogadores adversários, onde a grande missão colectiva quase se resume a anular o jogo adversário. Em suma, onde a grande preocupaçãp passa muito mais por não sofrer golos do que por marcá-los. Muitas vezes, nem é uma das equipas. São as duas. Um jogo mal jogado de parte a parte que alguém resolve adjectivar de “táctico”, no sentido de meter alguma água na fervura... numa espécie de redenção intelectual face àquele que foi um espectáculo deprimente.»

Como vimos da parte do Chelsea ontem em Old Trafford, provavelmente quase todos ouvimos que «“o jogo está a ser muito táctico”, porque “estamos a assistir a um Chelsea muito táctico” ou, já em jeito de resumo final nos últimos minutos do encontro, “o Chelsea, no lado táctico, esteve tremendo”. »

«Portanto, segundo o entendimento de alguns, uma equipa que, praticamente, apenas jogou meio jogo, o defensivo, é “muito táctica”, tremenda no “lado táctico”... Como se a táctica se esgotasse nas coisas do jogar que têm a ver com o defender, com o anular pontos fortes do adversário, com o cumprir a intenção inicial de, acima de tudo, não sofrer golo.» 

«Para mim, o lado táctico tem a ver com o jogo todo» e, nessa medida, o nenhum elogio deverá ser feito a equipa de José Mourinho, exceptuando, claro, que esteve bem a nível defensivo. «falar de táctica é falar de intenções e de interacções e, neste sentido,», o jogar do Chelsea mostrou  pobreza e pouca complexidade táctica. Por isso, a meu ver, o jogo do Chelsea foi muito pouco táctico, ou pelo menos, foi muito menos que o do Manchester United.
Isto porque os de Manchester jogaram um jogo completo, articularam com sentido a defesa e o ataque, criando interacções constantes que lhes permitiram jogar todos os momentos do jogo.

 As acções ofensivas, tais como as defensivas, são resultados do treino e todas elas revelam a construção táctica do treinador. Afinal de contas o que é a Táctica? «Ela é o fio invisível que faz emergir aquilo que reconhecemos como traços marcantes do jogar de uma equipa. » 

  • Todas as citações, são excertos retirados de uma reflexão de Nuno Amieiro

segunda-feira, agosto 26, 2013

O "macio" meio campo de Ancelotti

O jogo vai na primeira parte, o Real Madrid joga, fora de casa, com o Granada e tem no seu meio campo Modric, Isco, Di Maria, Ozil. Na frente Ronaldo e Benzema.

A estatística, que vale o que vale, dá 71% de posse para o Real, 8 remates, 4 a baliza. Contra 2 remates da equipa da casa.

Que se perceba que o que define a maior ou menor valia de um qualquer sector, quando a equipa não tem a bola, é a velocidade a que reage as situações (entenda-se velocidade de percepção). Não é a velocidade a que se deslocam, não é a força que têm, não é o saltar mais alto.
Está instituída a ideia que colocar em campo jogadores com pouca robustez, com pouca altura, ou com pouca velocidade, retira agressividade a uma equipa.
Nada mais errado!

Não são os atributos físicos que definem a agressividade de uma equipa. O que o define é a velocidade com que percebem os estímulos, e adaptam o seu comportamento. Recuperar rápido assim que se perde a bola, ocupar as posições certas na altura certa. Isso é agressividade!

O expoente máximo disso, seria formar um meio campo com Pirlo, Xavi e Iniesta, que garantidamente, seria o melhor meio campo do mundo em todos os aspectos ofensivos e defensivos. Porque eles, não precisam de ter velocidade de deslocamento para se imporem aos outros, não precisam de ter mais força que eles para lhes tirar a bola, não precisam de saltar mais alto que eles, para impedir que que sejam dominados a meio campo. São três anões, não têm velocidade de deslocamento, não são robustos fisicamente. Precisam eles disso para jogar futebol? Não!

Precisam simplesmente de ser mais inteligentes, melhores tecnicamente e perceber melhor o jogo.
E quem o percebe melhor que esses três?

É o número dez, finta com os dois pés, é melhor que o Pelé

É o Deco!

Hoje abandona um dos melhores jogadores de sempre à passar  pelo futebol português. Criatividade que nunca mais acabava, qualidade técnica assombrosa, agressividade e sentido posicional muito bem trabalhados por Mourinho.
Definitivamente, O Mágico!

Ronaldinho disse,
«Meu parceiro, Deco, anunciou sua aposentadoria. Deco foi um dos melhores jogadores com quem eu tive o prazer jogar. Foi uma honra ter sido campeão ao seu lado e ter participado da sua vitoriosa carreira. Um cara que me ensinou muito, dentro e fora de campo. Um grande amigo. O futebol precisa de pessoas como você, um profissional exemplar, que inspire as novas gerações. Um jogador com uma qualidade incontestável, que preza pelo grupo. O futebol vai sentir saudades de você. Boa Sorte, meu parceiro».

Nolito só tem dois movimentos. Não, Nolito só sabe duas coisas. Jogar Bem


domingo, agosto 25, 2013

Estivemos na luz

Estávamos no estádio (Baggio e Ronaldinho), a convite de uma das equipas. A ironizar sobre o jogo que o Benfica estava a fazer, sobre a forma de o anular, sobre a forma de o melhorar...
Ao final, na única vez em que o Benfica tentou fazer um ataque de forma diferente, como aqui defendemos, e...



E para que se perceba que não é nada contra os cruzamentos, Josué explica:

sábado, agosto 24, 2013

Sporting - Benfica

Alvalade vai receber o Derby mais equilibrado desde a chegada de Jesus ao estádio da Luz.
O primeiro passo para cumprir/superar os objectivos da época passa por um acerto na escolha do treinador. É a partir disso que tudo se desenvolve ou degenera.
Duas goleadas, seguidas, não podem ser fruto do acaso, e por mais que os resultados não se ajustem ao jogo, a confiança que essas vitórias trazem, o reforço positivo que esta organização colectiva vem tendo, a fluidez de jogo que apresenta, somado com a motivação de bater o rival num Derby, fazem com que verdadeiramente, desde a chegada de Jesus, o Benfica pela primeira vez, não entre em campo como favorito.
Se o que o Sporting tem feito, vai ser suficiente para lutar já pelo título? Uma vitória contra o Benfica os tornará um sério adversário na luta pelo campeonato.
Ainda assim, há que perceber que tanta juventude, jogadores novos, treinador novo, direcção nova, ideias novas demoram o seu tempo para que se tornem sólidas.
Não está ainda ao nível do Benfica ou Porto, mas poderá estar mais cedo do que o esperado!

Um sério aviso a Jesus estes dois resultados, fruto de duas exibições de qualidade.

Erros individuais, erros colectivos, conhecimento do jogo

Muitas vezes falámos aqui em erros individuais, erros colectivos, e falta de conhecimento do jogo. Sem explicar como podemos aferir sobre o tipo de erro que atribuímos.

Normalmente, definimos os tipos de erros pela regularidade do comportamento. Ou seja, quando um jogador, um sector, ou uma equipa pratica regularmente uma determinada acção, essa acção é o que define o padrão de comportamento desse jogador, sector, ou equipa.

Assim sendo, um jogador que cometa regularmente o mesmo tipo de erros, dentro de uma organização que age em sentido contrário ao dele, está a cometer um erro individual, derivado da falta de conhecimento do jogo.
Um outro jogador, que age regularmente em concordância com aquilo que são os princípios de jogo da equipa, e num ou noutro momento pratica uma acção "irregular", que não condiz com o seu padrão de comportamento, está a cometer um erro individual, derivado de um determinado contexto.
Um sector ou uma equipa que pratica regularmente o mesmo tipo de acções "erradas", em contexto, está a cometer um erro colectivo.

O treinador (de uma equipa profissional) tem maior peso na correcção dos erros colectivos, tem pouco peso nos erros individuais derivados do conhecimento do jogo, e tem muito pouco ou nenhum nos erros que estão fora do padrão comportamental do jogador.

Portanto, caso a equipa tenha um determinado padrão comportamental e surjam acções desajustadas, dificilmente será o treinador o culpado dessas acções. Caso o padrão comportamental do sector, ou de um grupo de jogadores, seja o erro, todos os créditos para o mister.



sexta-feira, agosto 23, 2013

Mais talento desperdiçado

Diogo Rosado está sem clube neste momento. Será possível?
A sério Costinha?
A sério Marco Silva?
A sério Jesualdo?
Acorda Paulo Fonseca!!!!

Aqui em pequenas acções, grandes decisões. É isso que nos faz acreditar...

Classe que nunca mais acaba, não é tarde para se apostar em tamanho talento. Sem custos, seria facilmente titular em todas as 4 equipas que citei, inclusivamente no FCP!
Criatividade e o modelo de jogo de Fonseca iriam fazer dele um jogador bastante mais apreciado do que aquilo que foi.
Para já não passa de mais um que podia ter sido, porém nunca é tarde tendo em conta o retorno que esses clubes poderiam ter!
Não foi um acaso a forma como se passeou na luz, contra o Benfica de Jesus!


Aqui, mais extenso, mais acções, é isto que falta ao futebol português, é da falta destas acções que todos nos queixamos, é isto que desvalorizamos quando vemos!
Temos de uma vez por todas de decidir se gostámos de inteligência e criatividade, ou se paramos de nos queixar da falta dela!

Da mesma geração de André Martins, Wilson Eduardo, Cedric Soares, Josué, André Almeida, Ruben Ferreira, Rui Fonte, Diogo Viana e João Silva... Veja-se o rumo que seguiu a carreira deste menino...

quinta-feira, agosto 22, 2013

Criação de um morfociclo padrão

Na minha óptica e como defensor acérrimo da periodização táctica, não me refiro a uma semana de trabalho como um microciclo. Um microciclo de treino é um conjunto de sessões de treino entre duas comeptições  (2jogos). Mais do que criar um microciclo é preponderante construir um morfociclo padrão. Quando se diz padrão, não significa que os treinos e os exercícios que se fazem nesses são sempre iguais. O que se deve definir é o que cada dia da semana de trabalhos significa na nossa forma de treinar. Terça-feira o objectivo e o conteúdo têm um propósito, sexta~feira tudo será diferente. Microciclo refere-se a um conjunto de sessões, morfociclo refere-se à evolução de sessão para sessão, aquilo que se quer atingir em cada dia da semana, porque o treino é isso mesmo, um processo evolutivo.

Aqui fica um exemplo de um padrão semanal:

O morfociclo padrão, começa com o dia da competição. Este dia é muito importante no processo de treino, uma vez que é através da competição que se observa se os comportamentos desejados estão a surgir no jogo. No treino, procura-se atingir uma determinada forma de jogar e é no dia da competição que se pode observar e avaliar o sentido do processo.

No dia seguinte à competição a equipa folga.

Terça-feira. Dia da recuperação activa. Neste dia procura-se abordar alguns sub-princípios face ao jogo anterior e perspectivando o próximo. O objectivo passa por promover um esforço característico do nosso jogar mas com uma redução a nível da velocidade, tensão e duração da contracção. É uma sessão que deve ser muito descontínua com diversas paragens. Exercícios centrados no nosso modelo de jogo mas com pouco desgaste, onde existe pouca oposição. Este dia serve para recuperar as estruturas que forma solicitadas na competição e a grande preocupação é recuperar emocionalmente.


Quarta-feira: Fracção intermédia do jogar. Abordam-se aspectos sectoriais e inter-sectoriais. Em espaços reduzidos e com duração reduzida, uma vez que a recuperação neste dia ainda não é completa. Contracções da tensão elevadas e duração da contracção reduzida. Muitas paragens na sessão e rapidez de execução.

Quinta-feira: fracção total do nosso jogar. Dinâmica colectiva. Este dia da semana é o que se encontra mais longe do último jogo e do próximo. Logo faz sentido que seja o dia em que se exige mais dos jogadores. Priveligia-se a dimensão colectiva ecom exercícios em espaços grandes e com maior tempo de duração. Neste dia ocorre um esforço semelhante ao da competição. Trabalhar grandes princípios e dinâmicas colectivas. Ainda assim, não acho que se deva trabalhar no campo todo, porque dessa forma não se respeitaria o princípio das propensões. Se queremos que diversos comportamentos surjam o espaço não pode nunca ser o máximo possível.

Sexta-feira: Pequena fracção do jogar. Sub-princípios, onde a preocupação deve ser que nos exercícios contenham uma enorme velocidade de decisão. Pouca oposição em espaços reduzidos. Contracções elevadas e tensão da contracção elevada também. A velocidade neste dia deve ser máxima.

Sábado: Predisposição para o jogo: Relembrar alguns aspectos que se treinaram durante a semana mas com grau de dificuldade baixo para que não se force os jogadores a grandes solicitações. Neste dia o lado aquisitivo é muito menor.

Laudrup apresenta


Futebol muito muito positivo do Swansea, com mais qualidade individual e com uma linha defensiva mais organizada e seria equipa para andar a "chatear" os grandes em Inglaterra. 


Jogadas padronizadas

Circulações tácticas e jogadas padronizadas para finalização, com ou sem oposição, são, do nosso ponto de vista, perdas de tempo.
Como é que consigo treinar um princípio de jogo, quando ele é morto por aquilo que lhe dá vida?
Um princípio, é isso mesmo! O início de um comportamento! E não é nada mais que isso! Isso acarreta um peso que pouca gente percebe: Não se pode controlar o desenrolar e o final do princípio, porque ele estará dependente das condicionantes daquele momento.
Então, por que é que continuámos a padronizar jogadas em treino, cujo desenrolar em jogo vai ser completamente diferente, porque vai depender de algo incontrolável: Adversário?
Esse tipo de exercício, apesar de se dizer ser uma base para ajudar os jogadores quando não têm outra solução, é na verdade limitador da decisão (porque a tendência será para os jogadores se especializarem naquele padrão) e sobretudo da criatividade.

Quando vejo em equipas de responsabilidade na formação, ou até em equipas profissionais, dizer-se "bola no central, daí sai para o médio defensivo, esse devolve no central, que joga no lateral do lado contrário", percebo o porquê de faltar, hoje, criatividade no futebol português! Não se deixa os jogadores aprenderem resolvendo os problemas por si, não se deixa que a criatividade seja uma necessidade emergente no jogo e no treino, não se deixa espaço para jogadores verdadeiramente especiais!

Especializa-se o jogador num determinado tipo de movimentos, por sector, por posição, por princípios de jogo das respectivas equipas. Esquecendo-se que no futuro não serão esses os problemas que eles vão encontrar. E como ninguém lhes ensinou a resolver problemas...

O professor Júlio Garganta ajuda a explicar, de seguida.

O jogo é um acontecimento que decorre na convergência de várias polaridades: a polaridade global entre duas equipas; a polaridade entre ataque e defesa; a polaridade entre cooperação e tensão (Elias & Dunning, 1992; Dunning, 1994).


Num jogo de Futebol, não é possível saber, a partir de um estado inicial, qual o estado final duma acção ou sequência, o que quer dizer que estamos em presença de situações de final aberto.

Ténues diferenças nas condições iniciais poderão, em certas circunstâncias, levar a mudanças maiores no comportamento do sistema, ou seja, um microfacto pode ter macroconsequências ao nível do decurso do jogo e do seu resultado.

Nos sistemas de alta complexidade que operam em contextos aleatórios, como aqueles que coexistem num jogo de Futebol, a separação artificial dos factores que concorrem para o rendimento desportivo parece revelar-se inoperante.

O que parece nefando não é o facto de se restringir o âmbito dos estudos ou das análises efectuadas, mas a tentativa de reduzir o fenómeno jogo a uma qualquer dimensão, conjecturada à revelia dos princípios directores da actividade ou fenómeno que procuramos conhecer.

De facto, entendemos que grande parte dos modelos de investigação científica vigentes se afiguram pouco compatíveis com a especificidade do Futebol, razão pela qual muitos dos estudos se esgotam nos próprios dados que veiculam, não proporcionando um aporte de informação estruturante para o treino e para a competição.

Excerto retirado de Futebol e ciência, ciência e futebol, Professor Júlio Garganta.

quarta-feira, agosto 21, 2013

Sacchi vs Mourinho



Futebol riquíssimo.
Vertente estratégica na preparação do jogo, conhecimento do adversário, o treino das diagonais do Robben que o Silvino falou... A atenção que ele dá ao detalhe fez com que chegasse ali, batesse a melhor equipa da história e deu-lhe o melhor momento da carreira dele!

terça-feira, agosto 20, 2013

Costinha e o Paços

A tarefa do Paços de Ferreira é equivalente a de Davi contra onze Golias.
Poderá pensar-se que a diferença de qualidade individual poderia ser fundamental, tendo em conta os argumentos financeiros dos russos. Porém, existe algo em jogo ainda mais importante: Qualidade colectiva!
O estado de maturação das duas equipas é tão desigual, que qualquer resultado que não termine com a eliminatória, terá sido uma grande vitória para os "castores".
O Paços tem, até ao momento, apenas um jogo oficial realizado. O Zenit tem dez.
A intensidade (sobretudo de concentração) que os russos vão colocar em campo, será muito superior a dos portugueses, derivado do número de jogos oficiais que eles já somam. Isto tudo somado aos princípios colectivos bem mais apetrechados e evoluídos, e com o maior conhecimento que os jogadores têm das ideias do treinador, fará, provavelmente, com que o Zenit arrume com a eliminatória.
Muito ingrata, é hoje, a tarefa de Costinha.

segunda-feira, agosto 19, 2013

Destaques

Premier League

Uma maravilhosa proposta de futebol de ataque de Brendan Rodgers!
Ainda que careça de muitas melhorias ao nível da transição defensiva e sobretudo da organização defensiva, o Liverpool mostra-se, na forma de atacar, como uma equipa muito pouco britânica.
Como defendemos, em ataque organizado, tem como primeira opção o jogo interior, seja por condução ou passe. Muitos apoios frontais e uma tentativa de fornecer linhas de passe sempre mais orientadas para o interior do que para o exterior. Apenas um jogador a oferecer largura, normalmente o lateral, quando não o é, oferece mais uma linha de passe pelo interior.
E porquê que continuámos a insistir pelo jogo interior? Porque, da nossa forma de ver o jogo, é esse o local onde o portador da bola tem sempre múltiplas opções, para decidir por que caminho deve seguir o ataque.
Ora vejamos:


E o segundo destaque vai para o final do flash interview de José Mourinho


O United teve um começo, que confesso, não esperava. Reformulando, o United teve um começao que esperava (no que concerne a qualidade colectiva da equipa), mas isso não se reflectiu no resultado. O Ronaldinho (aqui do blogue), relatou um jogo amplamente dominado pelo Swansea, com uma proposta de jogo muitíssimo interessante, com um um domínio gritante em organização ofensiva, e uma transição defensiva fora do comum. Assim, não deixava o United jogar, por ter uma reacção muito agressiva quando perdia a bola. Porém, carece de organização defensiva (na linha defensiva sobretudo) e maior qualidade individual. O Manchester venceu, pela diferença de qualidade dos jogadores.

Por fim o Tottenham, de AVB, continua a desiludir-me, não pelo resultado, mas pela proposta de jogo. Joga de forma muito inglesa, sem criatividade no corredor central (onde acho que se devem decidir os ataques), muita correria, muito músculo, pouco futebol. Poderia ser o ano passado uma desculpa para não ter conseguido as contratações que queria, mas este ano reforçou os Spurs com mais músculo ainda. Fica por perceber a dispensa do melhor médio do plantel (nomeadamente por ter ideias diferentes dos outros, sendo um pouco mais criativo), Scott Parker!
Ao que parece AVB continua a querer vencer pela força...

La Liga

Não obstante de ser muito cedo para que se tirem conclusões, 7-0 na primeira jornada significa que este Barcelona está com fome! Fome, sobretudo de ganhar. Será, um campeonato disputado jogo a jogo. Neymar fez uma boa estreia, jogou 25 minutos, dos quais aproveitou para começar a perceber melhor como pode beneficiar da qualidade dos seus companheiros. Ainda demora muito a decidir (como expectável), no entanto notou-se nele a constante de preocupação em procurar os colegas para solucionar os problemas do jogo.

O Real Madrid fez um jogo normal, para uma equipa que tem um treinador com novas ideias e uma nova concepção de jogo. Teve muita bola, mas jogou contra uma equipa muito agressiva (Bétis) o que lhes dificultou muito o processo. Ainda assim, conseguiu ter alguns bons momentos de futebol, sobretudo não se precipitando no ataque à baliza adversária.

Liga ZON Sagres

O Sporting teve uma estreia muito positiva com a equipa a demonstrar sobretudo, organização. O adversário não foi o ideal para aferir a real qualidade dos leões, mas o trabalho de Jardim tem sido, para já, satisfatório. Fredy Montero, parece começar a confirmar o que já desconfiávamos, com os pequenos pormenores que foi mostrando na pré-temporada. 

Só vi o jogo do Porto em Setúbal até a expulsão, sabendo que desde aí o jogo ficaria mais fácil para o FCP. Sentiu muitas dificuldades com a agressividade (sobre o homem) do Setúbal, sendo também muito cedo, para aferir a qualidade do trabalho de Paulo Fonseca, por muitas vezes poder ser confundido com a base que Vítor Pereira deixou.

O Benfica sentiu as dificuldades esperadas na Madeira, porque o Marítimo está muito bem orientado. Para mim, o grande destaque da jornada é dele, Pedro Martins, pela forma como tem conduzido os madeirenses nos últimos anos, sempre com grande competência e nunca negligenciando o mais importante, jogar futebol. Um jogo onde Rodrigo aparece a fazer um golo onde ele é melhor (dentro da área) e a desperdiçar ataques promissores onde ele é especialista (fora da área).

O Guimarães conseguiu uma vitória sobre uma Olhanense muito mal trabalhada, ao nível da linha defensiva. O Ronaldinho (aqui do blogue) relatou uma caricata situação onde os dois centrais saem para atacar a mesma bola, ficando batidos, sem qualquer cobertura da zona central.

Espero muito do Estoril e do Rio Ave esta época, e apesar de não ter visto os respectivos jogos, pela qualidade dos treinadores, não me surpreendem os resultados.

sexta-feira, agosto 16, 2013

Breve: Herrera e o papel do Porto B

«A equipa B será um espaço importante de competição para os jogadores que não jogarem no domingo. O Herrera foi convocado no outro jogo e não foi utilizado, pelo que achamos que deveria de competir na equipa B e ele respondeu da melhor maneira. Isso irá acontecer com mais jogadores que não figurem na convocatória».

Pelas palavras de Paulo Fonseca o papel da equipa B do FCP parece ser essencialmente para rodar jogadores dos A, dar-lhes alguma competitividade, algum ritmo. Ainda, no caso do Herrera, diz o treinador que lhe reconhece «grande qualidade (…), mas veio de uma realidade totalmente diferente. Acho que a sua utilização na equipa B irá ajudar na adaptação».

Não conheço, obviamente, as ideias do treinador do Porto B nem se estarão em sintonia com as de Paulo Fonseca. Contudo, se a ideia é adaptar o jogador a uma nova realidade, seria melhor para Herrera jogar numa equipa B com os mesmos princípios de jogo e as mesmas ideias que a equipa A. Se não, essa adaptação será deficiente. O contexto da equipa B poderá não reflectir o da equipa A e se tal acontecer, essa adaptação de pouco serve para além do melhoramento da condição física.

Faz-me confusão que se use uma equipa B para rodar jogadores da equipa A. Se se tratar de 1 jogador ou 2 e se a questão for melhorar a condição física, consigo aceitar. Não consigo contudo compreender que se convoquem 4 ou 5 jogadores de um plantel, para jogar num jogo onde a maioria dos jogadores pertence a outro. Já para não falar que assim se rouba espaço de progressão aos jovens jogadores do plantel B, mas essa não parece ser a prioridade do Porto.

Mourinho - Football for Kids









sábado, agosto 10, 2013

Djuricic e o ténis

Num inglês perfeito, o sérvio promete corresponder da melhor forma sempre que for opção, lembrando que a ideia passa por “ajudar sempre a equipa”. “O futebol é um desporto colectivo e não individual como o ténis”, concluiu.

O futebol é um desporto colectivo, e isso pressupõe que a maior parte dos problemas do jogo, sejam eles ofensivos ou defensivos, devam ser resolvidos de forma colectiva. Isto se o adversário que enfrentamos nos coloque problemas passíveis de serem resolvidos de forma colectiva (entenda-se situações de inferioridade numérica ofensiva e igualdade ou inferioridade numérica defensiva).
A verdade é que a organização ofensiva de Jesus carece de princípios colectivos, que permitam resolver os problemas que o jogo traz, obrigando os jogadores a resolver problemas colectivos de forma individual. Era um problema que trazia do ano passado, e pensava eu, que este ano iria fazer algumas alterações nesse sentido, uma vez que na minha opinião, é a única forma de melhorar mais a forma com a equipa defende.

Rapidamente apercebi-me que "ajudar a equipa", como refere Djuricic, não será AJUDAR A EQUIPA, uma vez que isso implica optar por soluções colectivas, que raramente existem.
Rapidamente, Djuricic irá perceber, que para jogar futebol no Benfica terá de aprender a jogar ténis.
Até porque no Benfica, quem opta por outras soluções é rapidamente ostracizado por Jesus e pelos adeptos, que gostam da forma vertiginosa como a equipa ataca.

A boa notícia é o aumento do número de soluções de qualidade, no meio campo e no ataque, a má é que a jogar assim, vai continuar a ser dominado , nos jogos com adversários de maior, ou igual qualidade individual.

Djuricic: «Preparados para tudo»

Inclusivamente para jogar ténis, num campo de futebol, contra 11 adversários.



sexta-feira, agosto 09, 2013

“Futebol não é nada disso, é outra coisa totalmente diferente; pratica-se aparentemente com os pés, mas joga-se essencialmente com a massa cinzenta que está dentro da cabeça”

Actualmente, e no que diz respeito aos Jogos Desportivos Colectivos em geral, alguns autores têm apontado como requisitos essenciais para o sucesso o desenvolvimento das habilidades perceptivas e cognitivas (Costa et al, 2002). Neste sentido, a variabilidade de problemas que o Jogo apresenta leva a que se torne essencial para o sucesso, uma tomada de decisão adequada para a situação/problema apresentado (Costa et al 2002). Uma tomada de decisão adequada tem, como sustentabilidade, o conhecimento que o jogador apresenta em relação ao jogo (Costa et al 2002). Isto quer dizer que, a capacidade de decidir adequadamente está dependente do conhecimento específico que determinado jogador apresenta. O conhecimento específico do jogador assume-se, então, como requisito essencial para a “qualidade das prestações” (Guilherme Oliveira, 2004:1) e é também um dos diferenciadores de qualidade entre jogadores (Costa et al 2002; Guilherme Oliveira, 2004). A partir deste conhecimento específico (conhecimento táctico), surgem os processos cognitivos de compreensão que os jogadores utilizam para dar resposta às diferentes situações que o jogo apresenta (Costa et al, 2002).
A tomada de decisão com base nas emoções não é uma excepção, é a regra (Damásio, 1994). Elas permitem-nos responder de forma não-consciente a certas situações com base no passado cultural (Damásio, 2003a). Além disso, as emoções são também a forma que o cérebro usa para nos alertar para algo de urgente e nos proporcionar um plano de acção (Goleman et al, 2002).

Ora, a capacidade de “tomar decisões rápidas e tacticamente exactas, constitui-se numa das mais importantes capacidades do atleta e determina muitas vezes os sucessos dos jogos técnico-tácticos e é frequentemente responsável pelas diferenças de desempenho individual” (Costa et al 2002:12). Os processos cognitivos funcionam, então, como mediadores entre o conhecimento táctico/especifico que o jogador apresenta sobre o jogo e entre as respostas a que os jogadores chegam para dar continuidade ao jogo (Costa et al, 2002), pelo que o conhecimento táctico/específico condiciona o entendimento e, consequentemente, a resposta do jogador em Jogo. O conhecimento específico permite então diferenciar a qualidade entre jogadores (Costa et al 2002; Guilherme Oliveira, 2004).

Sabe-se hoje que o que se passa no cérebro são operações mentais que influenciam o corpo e vice-versa (Damásio, 1994). A mente é fruto do cérebro refutando, então, o dualismo cartesiano no qual a alma (razão pura) é independente do corpo e das emoções. Daqui resultou o que Damásio (1994) intitulou de “Erro de Descartes”, pois deixou de fazer sentido separar os processos cognitivos dos afectivos na medida em que não é possível dissociar o corpo e a mente (Tomaz e Giugliano, 1997). Assim, não é possível pensar numa racionalidade pura, pois esta não pode ser desarticulada ou desmantelada da emoção (Damásio, 1994). Com tudo isto, actualmente, as emoções são vistas como uma avaliação a nível mental de determinada situação que origina respostas dirigidas, não só para o corpo mas como para o cérebro, originando um padrão distinto (Damásio, 1994). Isto vem permitir que a emoção confira determinado valor à situação e nos auxilie na nossa capacidade de elaborar planos, assim como ter responsabilidades sobre nós próprios (Damásio, 1994).

Esta ideia vem entroncar com aquilo que Goleman et al (2002) acreditam e argumentam no que se refere às emoções. Para estes autores, as emoções são “a forma do cérebro nos alertar para algo de urgente e nos proporcionar um plano de acção imediata: lutar, fugir, ficar imóvel” (Goleman et al, 2002:47).
Em suma, actualmente, reconhece-se que há uma intrincada participação da emoção, nos processos de tomada de decisão e raciocínio, e não só, tal como analisaremos seguidamente (Damásio, 1994; Goleman et al, 2002).

Um processo de aprendizagem é estimado a partir da memória e recordação dessa aprendizagem (Jensen, 2002). Nesta lógica, a única forma de se saber se o jogador aprendeu realmente, ou não, um determinado comportamento passa por verificar se demonstra ou não a recordação desse comportamento numa futura situação semelhante.
Alguns estudos demonstraram que todas as experiências carregadas de emoções (agradáveis ou desagradáveis) são mais facilmente recordadas dos que as experiências neutras, perdurando na memória e, por isso, mais acessíveis aquando de uma possível recuperação (Jensen, 2002; Goleman et al, 2002), confirmando que “as emoções recebem um tratamento preferencial no sistema de memória do nosso cérebro” (Jensen, 2002:164).

Outros estudos levaram Guilherme Oliveira (2004) a sugerir que um jogador quando opta por determinada opção ou decisão, esta foi condicionada pelo estado emocional que esteve implicado aquando da memorização dos conhecimentos requisitados para essa decisão.

Ainda relativamente à aprendizagem, Damásio refere-nos ainda que esta “tem vindo a associar emoções e pensamentos numa rede que funciona em duas direcções. Certos pensamentos evocam certas emoções e certas emoções evocam certos pensamentos” (Damásio, 2003a:88). Ou seja, uma emoção é despoletada não só por determinado acontecimento ou objecto real, mas também por uma recordação desse mesmo acontecimento (Damásio, 2003a). Daí que os planos cognitivos e emocionais estejam constantemente ligados por estas interacções.

Oliveira (2006) acredita que o jogador apenas consegue alterar o seu comportamento perante determinada situação, se primeiro o conseguir compreender e depois se perceber que tal comportamento será benéfico para ele e para a equipa.

De uma forma geral, as emoções permitem-nos “avaliar o ambiente que nos rodeia e reagir de forma adaptativa” (Damásio, 2003a:71). Perante determinada situação, é despoletada uma emoção que faz com que actuemos de modo pré-organizado e, muitas vezes, não é necessária a avaliação consciente da situação para que a emoção seja deflagrada, pois o organismo está preparado para reagir automaticamente (Damásio, 2003a). Este automatismo permite responder mais rapidamente a uma determinada situação.

Num jogo, “quantos e quantos jogadores que, mesmo sendo mais lentos que outros, chegam primeiro à bola? Isto acontece, porque no momento da análise da situação, são mentalmente mais rápidos que os outros e nestes casos uma fracção de segundo é o suficiente para se anteciparem e chegarem primeiro.” (Faria:2007:96)

A relação entre tomada de decisão e emoções existiu desde os primórdios do homem. A evolução deu-nos, primeiro, a capacidade de produzir reacções a objectos e circunstâncias – a maquinaria da emoção – que promovessem ou ameaçassem a vida (Damásio, 2003a). Dessa forma, estamos evolutivamente programados para agir de um modo pré-organizado quando detectamos determinadas características dos estímulos no ambiente ou nos nossos corpos (Damásio, 2003a). Para tal acontecer, não é necessário o reconhecimento do estímulo (situação) para que a emoção seja deflagrada, uma vez que o organismo está preparado para reagir automaticamente (Damásio, 2003a).
Quando as emoções sentidas perante determinada situação no presente têm correspondência com situações do passado, a nossa atenção focalizará (conscientemente ou não) determinados aspectos e, dessa forma, melhoramos a análise da situação (Damásio, 2003a). Assim, as emoções estão correlacionadas com as consequências das decisões, pois fazem parte de uma antecipação da consequência das acções (Damásio, 2003a). Se determinada opção no passado teve consequências positivas, a emoção faz com que essa decisão positiva seja tomada mais rapidamente, dado que no passado essa decisão foi positiva. Da mesma forma, uma decisão errada no passado faz com que, no presente, perante circunstâncias semelhantes, o sinal emocional funcione como um alarme automático ao apontar para opções que no passado não foram correctas (Damásio, 2003a). Então, perante isto, quando um jogador toma uma decisão que se revela positiva, esta ocorrência fica marcada nas memórias como algo positivo e o contrário também se verifica, se o resultado da decisão se revelar negativo. No futuro, num cenário semelhante, o cérebro pode preparar o organismo para responder de determinada forma assente naquela que proporcionou o resultado positivo. Assim, mesmo antes do próprio raciocínio aconselhar ou não a consumar determinada decisão, “o sinal emocional já marcou opções com carga positiva ou negativa” (Damásio, 2003a:171).
Além disto, as tomadas de decisão estão relacionadas com os estados emocionais. As decisões que causam estados emocionais agradáveis passam a ser mais solicitadas e permitem-nos responder mais rapidamente (Damásio, 2000). Ao contrário, as decisões que produzem um estado emocional desagradável são menos solicitadas.

Em suma, “esta carga reduz a extensão do espaço de decisões e aumenta a probabilidade de que a nossa decisão esteja de acordo com a experiência que tivemos do passado” (Damásio, 2003a:172).
Então, antes de avaliarmos e analisarmos a situação, o nosso organismo reduz drasticamente as opções de escolha de maneira inconsciente em função de aspectos corporais, somáticos, fruto das consequências das nossas experiências anteriores (Damásio, 1994).

Excertos retirados da tese de mestrado de António Oliveira, da Faculdade de Desporto, da Universida do Porto: As Emoções como condição essencial na Aprendizagem de um “jogar”.


quarta-feira, agosto 07, 2013

Se ficar, o Porto parte com 6 pontos de vantagem

«Estou muito contente por voltar a ter a oportunidade de treinar novamente e... não passa nada. Aproveito esta oportunidade para pedir desculpa às pessoas do Benfica, por mim e pela minha atitude. Peço desculpa aos adeptos, ao presidente, a todos os dirigentes, aos meus companheiros e ao corpo técnico. Agora acabou, só quero voltar a treinar-me», afirmou Cardozo, em declarações à Benfica TV.

O avançado reconheceu que errou no final do jogo com o V. Guimarães: «Fiz mal, sei que fiz mal. Com os meus companheiros estou tranquilo e também com o corpo técnico. Sei que não tive uma atitude correta, mas não queria ter saído tão cedo daquele jogo, queria continuar em campo um pouco mais porque sabia que em qualquer momento podia fazer um golo, apesar de estarmos a ganhar quando o mister me tirou. Depois eles empataram e fizeram o segundo golo logo de seguida e aí acho que perdi a cabeça, como se costuma dizer. Sei que fiz mal... agi mal, essa é a verdade e peço desculpa a todos por isso. Depois passou-se o que todos sabem... e pronto». 

O goleador está arrependido daquilo que fez: «Sim, muito arrependido». 

Cardozo analisou o seu futuro: «Tenho contrato com o Benfica e o clube é que está a tratar disso. Estou à disposição do clube, tenho contrato e vou trabalhar para estar sempre à disposição da equipa».

Durante a Eusébio Cup os adeptos gritaram pelo seu nome: «Fiquei feliz com esses cânticos, é muito importante para mim. Mas os adeptos têm de apoiar é a equipa... o resto já ficou para trás. Estou pronto para voltar a trabalhar, quero ficar bem fisicamente e os adeptos têm que apoiar a equipa e quem está a jogar, todos os jogadores. Os avançados que estão a jogar têm muita qualidade, Rodrigo e Lima são muito bons jogadores e merecem estar na equipa». 

O avançado deixou uma mensagem à massa associativa: «Estou muito agradecido aos adeptos por estarem sempre comigo, é verdade que em alguns momentos tivemos algumas divergências mas são coisas que acontecem em todo o lado. Estou agradecido a todos. Estou bem, graças a Deus vou voltar a treinar-me e isso era o que mais queria... queria ficar bem, voltar a estar bem fisicamente para poder jogar a qualquer momento e graças a Deus é isso que vou fazer». 
In A Bola

Klopp trabalha


terça-feira, agosto 06, 2013

Breve: Convocatória vs Holanda

Lista de convocados:

Guarda-redes - Beto (Sevilha), Eduardo (SC Braga) e Rui Patrício (Sporting);

Defesas - João Pereira (Valência), Fábio Coentrão (Real Madrid), Bruno Alves (Fenerbahçe), Ricardo Costa (Valência), Sílvio (Benfica), Pepe (Real Madrid) e Neto (Zenit);

Médios - Raul Meireles (Fenerbahçe), João Moutinho (Mónaco), Miguel Veloso (D. Kiev), Custódio (SC Braga), Rúben Amorim (Benfica) e Rúben Micael (SC Braga);

Avançados - Nani (Manchester United), Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Varela (FC Porto), Vieirinha (Wolfsburgo), Hélder Postiga (Saragoça), Danny (Zenit) e Nélson Oliveira (Rennes)



Apesar de não concordar totalmente com a opinião de que acima do momento de forma dos jogadores, um seleccionador nacional deve convocar os jogadores com maior qualidade individual, no inicio de uma nova época desportiva acho que este argumento é válido. Pondo isto, não se consegue compreender o porquê, mais uma vez, da não convocação do Manuel Fernandes em detrimento de qualquer um dos médios, à excepção de João Moutinho. 

segunda-feira, agosto 05, 2013

Kevin de Bruyne

Ficaram algumas dúvidas do porquê de ter colocado Kevin de Bruyne no meu onze inicial do Chelsea, no post anterior.
Não costumo ser muito apologista dos vídeos do youtube, por esses focarem pouco e mostrarem apenas acções positivas dos jogadores. Mas neste caso, sendo uma "criança" que acerta muito e erra pouco, a imagem que passa no vídeo é muito semelhante à das reais capacidades do jovem belga.

Assim o descrevi na caixa de comentários:

De Bruyne joga mesmo muito. Vai ser uma grande surpresa para quem não o conhece. 
Decide bem na maior parte das suas acções, vê o movimento dos colegas, para procurar interagir com eles, joga por dentro, joga por fora, tem 1x1, é rápido, tem pé direito e pé esquerdo, um remate fabuloso e uma capacidade de finalização que vos vai deixar impressionados, se ele jogar, claro.


 Não estou nada admirado das declarações de Mourinho, tendo este afirmado que estava a ser (até antes da lesão) o melhor elemento da armada Blue, nesta pré-temporada.

Vamos ver se irá ter espaço, agora que chegaram os pesos pesados.

O meu plantel do Chelsea

Depois de ter visto este jogo com o Milan, fiquei com uma ideia daqueles que seriam os jogadores que fariam parte do, meu, plantel.
Estes seriam o núcleo base, complementados por alguns jovens formados do clube.

GRs:

Cech
Schwarzer

Defesas:

Ivanovic
A. Cole
Bertrand
Terry
D. Luiz
Cahill
Azpilicueta

Médios:

Ramires
Lampard
Essien
Van Ginkel
Óscar

Avançados:

Mata
Torres
Hazard
De Bruyne
Schurrle
Lukaku

Posto isto, o meu 11 inicial seria:


Façam o vosso 11

domingo, agosto 04, 2013

Nolito




Aqui no blog, temos realçado o valor de Ola John e aquilo que o diferencia dos restantes extremos do Benfica.
O jogador holandês, como foi aqui referido, assenta o seu jogo com base em boas decisões, mesmo que por vezes não tenha o virtuosismo de outros.
Para ser extremo não é preciso ser vertiginoso, forte no 1x1 nem é preciso ter qualidade em tirar cruzamentos. Tudo isto são aspectos irrelevantes num jogo de futebol, a menos que não se entenda o jogo e não se perceba que Futebol é um desporto colectivo. O facto de fazer tudo rápido e tirar adversários da frente, pode até empolgar bancadas, mas não significa que seja o melhor caminho. Para explicar esta afirmação, transrevo uma afirmação de Valdano: " Há jogadores de aparente categoria capazes de controlar,passar,rematar e até driblar, mas como não conhecem a chave deste jogo,elegem sempre o caminho errado."

Ola John é nesta altura, para mim, o melhor extremo do Benfica por tudo o que já foi referido aqui no Blog. No entanto, acredito que JJ goste dele por outros motivos e não reconheça o verdadeiro potencial do extremo holandês.  Ola John poderia ser o segundo melhor extremo do Benfica caso Nolito tivesse permanecido no plantel.
O jogador espanhol que assinou há dois anos com o Benfica, foi dos melhores jogadores que passaram no nosso campeonato, nos últimos anos. É o tipo de jogador que vai contra o extremo "antigo". Nolito é um jogador com uma enorme capacidade de decisão e todas as suas acções são em prol do colectivo. A forma como procurava os colegas no espaço interior e como se movimentava para dentro sem bola era de génio. O espanhol define quase sempre com muito critério, procurando sempre combinações curtas com os seus colegas. Cereja no topo do bolo: devido a forma como se movimenta no campo e trabalha para receber, acaba por ter uma enorme capacidade de finalização.

Aqui fica uma pergunta para JJ: Já que o treinador do Benfica entrega praticamente o processo ofensivo à inspiração dos jogadores, porque não ter na frente génios como Nolito, Aimar, Saviola que podem a qualquer momento levantar um estádio?