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terça-feira, julho 30, 2013

Quem sabe é quem sente...

E quem sente são os jogadores!





Não foram poucas as vezes que eu e o Baggio mudámos o que estavámos a pensar devido à opinião dos jogadores. Mudámos porque eles sabem melhor que ninguém as dificuldades/facilidades que estão a sentir, eles estão no jogo/treino, fazem parte dele, e a solução virá sempre deles independentemente se o treinador ajudou ou não... E nós gostamos de ser parte da solução e não do constrangimento que sentem.
Treinadores que não acreditam nisto, que não confiam nos jogadores, que pensam controlar o que se passa no jogo e que se julgam a solução nunca terão os jogadores verdadeiramente consigo e nunca irão usufruir daquilo que Guardiola usufruiu no video.

Alguns podem dizer que nenhum jogador lhe veio dizer o pensava, ok, isso já demonstra que algo vai mal pois os jogadores não sentem que podem dizer o que pensam ao treinador mas ainda assim não é desculpa. Não é desculpa porque os jogadores não resistem a exprimir o que sentem, e fazem-no de uma forma ou de outra, e o treinador só tem que estar predisposto a ouvir. É estar atento e absorver toda a informação que eles dão, seja a reclamar para o ar a dizer que não tem apoios, seja a dizer ao colega para ocupar determinado espaço, dizer ao outro que tem de correr para trás, queixar-se da marcação do adversário, queixar-se que está sempre só e ninguém lhe passa... uma imensidão de informação que nos chega dos jogadores quer seja de forma intencional ou não. Parece óbvio mas o que vejo são treinadores a tratar destas exteriorizações como birras ou reclamações, às vezes parecem, mas só existem porque eles estão a sentir problemas e são esses os problemas em que temos de os ajudar a resolver pois, imaginem só, esses problemas devem coincidir com os problemas da equipa! Quem havia de imaginar hein!?
Provavelmente poupa tempo e trabalho habituá-los a dizer o que estão a sentir e para isso eles têm que saber que são ouvidos.

Lógico que é muito mais fácil cultivar desde o inicio a comunicação, fazê-los perceber que a opinião deles é importante e responsabilizá-los por esse facto. Pedir a opinião, fazer perguntas e experimentar as ideias deles ajuda nessa responsabilização.
Se a opinião deles é importante, eles têm que ter uma. Se têm que ter uma, têm que pensar e reflectir no que fazem e sentem para poder formar uma opinião.
Nesse caso, estamos a formar uma equipa com jogadores conscientes, pró-activos, que participam no processo de construção do "jogar colectivo" e por isso identificam-se com ele e acima de tudo acreditam nele.

No final, nem mesmo o mais cabeçudo dos treinadores discorda deste facto, quem joga são os jogadores! E nós preferimos ter jogadores que sentem o jogo, pensam e encontram soluções como fez Eto'o e lucrar com elas como fez Guardiola.

10 comentários:

Miguel Nunes disse...

Tão grande

Roberto Baggio disse...

Ele duvidou do que Eto'o lhe dizia e ainda assim deixou que o jogador levasse o pensamento em frente e agisse em conformidade com o que estava a sentir. Essa sensibilidade, uffff...

Quando digo que criticar os treinadores pelas substituições é injusto por termos muitos dados que nos permitam avaliar (sendo um deles o feedback dos jogadores) este é um grande exemplo.

Anónimo disse...

Bom dia.
no futebol atual em que o treinador tem cada x mais responsabilidade não se pode isenta-lo de avaliação aos resultados de uma solução que sempre tiveram ao seu dispor para alterar o rumo do jogo. Não se pode elogiar a sensibilidade a ouvir os jogadores (o que é uma evolução na liderança) e recusar outras responsabilidades do jogador.
Miguel Martins

Unknown disse...

mega concordado

Pedro

Roberto Baggio disse...

Miguel,
Boas,
Não percebi bem o teu comentário, está um pouco confuso. Queres reformular?

Abraço

Anónimo disse...

estava a falar das substituições.
no futebol atual em que o treinador tem cada x mais responsabilidade não se pode isenta-lo de avaliação aos resultados de uma solução que sempre tiveram ao seu dispor para alterar o rumo do jogo (as substituicoes).
Não se pode elogiar a sensibilidade a ouvir os jogadores (o que é uma evolução na liderança) e recusar outras responsabilidades do treinador (escrevi jogador por engano, no tlm não dá para fazer grande revisão de conteúdo).
já deu para perceber a minha ideia?

Ronaldinho disse...

Eu percebo o que queres dizer Miguel, as substituições são uma das melhores formas de mudar o rumo de um jogo e um treinador tem que ser competente nesse domínio, no entanto, concordo com o Baggio e acho injusto criticar de fora as opções quando não se tem acesso a todas as variáveis em equação, como por exemplo o feedback dos jogadores como disse o Baggio.

Além disso como propões avaliar se uma substituição foi bem feita?

Anónimo disse...

Nao e criticar com base numa substituição... mas há treinadores que se nota que a nível do plano estratégico para o jogo acertam mais xs do que outros. como aquela história do Mourinho saber que o Camacho a perder metia um 2o pl... e estar preparado quer pelo treino durante a semana quer pelas substituições planeadas para responder a isso.
a forma de avaliar é comparar a forma to jogo decorria até ao momento com a forma como decorreu após (aqui entra a subjectividade de análise de cada um)... dando um exemplo... Ontem após o bayern x Dortmund passou na tv o eua x??? e os Estados Unidos ganharam com um golo do banco, tal como tinham ganho nas meias finais. logo o treinador tem de ser reconhecido pela boa intervenção que teve no jogo... e essa intervenção no jogo pode valorizar ou desvalorizar toda a avaliação da competência do mesmo. Neste sentido a competência do treinador é multidisciplinar e multifacetada... todos os pormenores e pormaiores contribuem para ela... Nao e só isto ou só aquilo!

Ronaldinho disse...

Concordo, mas então segundo o que dizes, e bem, só dá para avaliar as substituições pelo seu resultado. Mesmo essa situação do Mourinho tu sabes isso porque ele o disse senão apenas vias o resultado mas não sabias o porquê. O porquê, a intenção é que explica a qualidade das substituições porque nem sempre resultam mesmo que bem feitas e podem resultar feitas ao acaso.
Mas neste caso concordo que a única forma de avaliar será através do resultado que tem no jogo mas sempre avaliando a longo prazo, com uma amostra considerável de jogos pois volto a dizer podem correr mal mesmo que bem feitas mas a longo prazo se o treinador for competente nesse aspecto os resultados aparecem.

Signori disse...

Excelente. Um exemplo de liderança democrática e não autoritária. Curioso como hoje em dia, no mundo do futebol, ainda se elogiam treinadores autoritários, confundindo autoridade com autoritarismo (o futebol em muita coisa ainda se acha um mundo à parte e teima em evoluir com bons exemplos de outros desportos ou organizações) E que autoridade mais legítima pode surgir senão com uma democratização saudável, legítima e participativa do processo de tomada de decisão, associando a responsabilidade de cada um pelo sucesso da equipa e pelo processo de construção das decisões e objectivos